sexta-feira, 6 de março de 2009

Histórias do Portugal marítimo


Chegaram os Russos !…
1ª parte

Esta é a história de dois navios e dos seus tripulantes, homens que por força das circunstâncias aprenderam a respeitar-se mutuamente. Encontraram-se fortuitamente no mar, no dia 26 de Novembro de 1929. Um deles era um pequeno iate da praça do Porto, o outro um navio tanque Russo, a navegar próximo à costa, por alturas da Corunha, quando em viagem para Amesterdão.
Sabendo das diferenças políticas entre ambos os países, Portugal desde Maio de 1928, ensaiava os primeiros passos da ditadura de direita, num processo posteriormente designado por Estado Novo, enquanto na Rússia poucos anos antes teve lugar a revolução bolchevista, que deu origem ao comunismo tal como o conhecemos.
Imaginemos portanto o enorme espanto e a surpresa geral, quando pelas 8 horas da manhã, um navio Russo, pertença dum país com o qual Portugal não tinha relações diplomáticas nem comerciais, se acerca de terra, comunicando ao posto Semafórico da Foz, que pretendia entrar em Leixões, com um iate português a reboque. Para o efeito pretendia receber piloto e quando ancorado solicitava a presença da Polícia Marítima. Chegou ao porto por volta do meio-dia, entrou e ancorou. Foi assim que aconteceu a 1ª visita dum navio soviético a Leixões. Apresentemos agora os intervenientes :

O iate “ Famalicão III “
1922 – 1930
Armador : Brandão & Cª., Famalicão

O "Famalicão 3º" em Leixões
Foto do jornal Comércio do Porto

Nº Oficial : B-171 > Iic.: H.F.A.M. > Porto de registo : Porto
Cttor.: Soc. Construções e Pesca, Lda., lançado 30.03.1922
Tonelagens : Tab 133,94 to > Tal 100,79 to
Comprimentos : Pp 36,01 mt > Boca 7,04 mt > Pontal 3,12 mt
Máquina : Não tinha motor auxiliar
Equipagem : 7 tripulantes
Mestres embarcados : João Campos Pereira (1922 e 1923), António O. da Velha (1924 até 1927) e Francisco da Silva (1929)
Depois de ter efectuado provas de mar, este navio partiu em Abril de 1922 para a Terra Nova, na sua 1ª campanha à pesca do bacalhau, que repetiria durante os três anos seguintes. Integrou posteriormente a frota de serviço comercial, efectuando viagens entre o Continente e as ilhas Adjacentes. Já com registo em Viana do Castelo, naufragou na posição 41º00’N 09º22’W, sob violento temporal, em 22 de Abril de 1930.

O navio tanque “ Neftesyndicat S.S.S.R. “
1928 – 1934
Armador : Sovtorgflot, Tuapse, Russia

O "Neftesyndicat S.S.S.R." em Leixões
Foto do jornal Comércio do Porto

Nº Oficial : -?- > Iic : W.B.Q.P. > Porto de registo : Tuapse
Cttor.: Chantiers Navals Français, Caen, França, 1928
Tonelagens : Tab 8.228,00 to > Tal 4.184,00 to
Comprimentos : Pp 138,81 mt > Boca 12,34 mt > Pontal 10,97 mt
Máq.: Cie Méc. St. Denis, Caen, 1928 > 1 :Di > 776 Nhp > 11 m/h
Equipagem : -?- tripulantes
Sem rasto após 1934

1 comentário:

Rui Amaro disse...

Tovarisch Reimar
O pitroleiro dos Tovarisches, para aqueles tempos, era graúdo e o Luso hiate Famalicão III parecia o escaler de serviço dele. A carga nos tanques do pitroleiro devia ser "Vodka da boazof", vinda do porto de Batum, Mar Negro, para Amsterdão.
Em 1932 houve um outro vapor Tovarisch que esteve dois dias no porto de Leixões com agente da Policia Internacional e Maritima a bordo, não fosse o vapor pirar-ss com o pessoal da estiva para USSR.
Saudações maritimo-entusiasticas
Rui Amaro