quarta-feira, 17 de outubro de 2018

História trágico-marítima (CCLXXIX)


O naufrágio do iate "Flor de Setúbal"

Um navio de carga português encalhou à entrada
de Port Lyautey, mas a tripulação já foi salva
Telegramas recebidos em Lisboa e Setúbal informam que o navio de carga “Flor de Setúbal” de 249 toneladas, da praça de Setúbal, pertencente à firma Chaves & Mateus, Lda., encalhou ante-ontem à entrada de Port Lyautey (Marrocos), e que se encontrava em perigo.

Desenho de navio do tipo iate, sem correspondência ao texto

Caracteristicas do iate "Flor de Setúbal"
1946 - 1951

Armador: Chaves & Mateus, Lda., Setúbal
Nº Oficial: 514 - Iic: C.S.N.J. - Porto de matrícula: Setúbal
Construtor: Chaves & Chaves, Setúbal, 1946
Arqueação: Tab 148,76 tons - Tal 93,75 tons
Dimensões: Ff 32,07 mts - Pp 28,10 mts - Boca 7,65 mts - Ptl 3,40 mts
Propulsão: 1 motor semi-diesel - 2:Ci - 410 Rpm - 150 Bhp
Equipagem: 8 tripulantes

O “Flor de Setúbal” tinha a bordo a seguinte tripulação, sobre a chefia do capitão José Machado, de Viana do Castelo; António Freitas; contra-mestre; José Fernandes, motorista; Manuel Passos e Henrique Araújo, marinheiros, António Pereira, cozinheiro, todos também de Viana do Castelo; José Bomba Marro, ajudante de motorista, de Portimão; e Ilídio Malhão, moço, de Vila Praia de Âncora.
O navio transportava mais de 200 toneladas de cimento para aquele porto e tinha saído de Setúbal no dia 20 de Agosto. Os primeiros telegramas eram alarmantes, mas informações posteriores dizem que foi possível salvar toda a tripulação, a qual já se encontra em terra.
A situação do navio, que foi construído há cinco anos, continua, porém, a ser muito critica. Seguiram socorros para o local do encalhe.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 8 de Agosto de 1951)

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Navios portugueses


O navio-tanque “Cercal”

Terceira unidade da empresa armadora, encomendada na Belgica aos estaleiros John Cockerill, foi lançado à água em 8 de Dezembro de 1952, embandeirando em português através da entrega ao proprietário em 9 de Setembro de 1952. A viagem inicial, de Antuérpia para Lisboa tem lugar em 12 de Setembro, entrando pela primeira vez no Tejo, em 16 de Setembro. A primeira viagem comercial, a partir de Lisboa com destino a Aruba, tem com comandante o capitão da Marinha Mercante, Sr. António Dionísio de Jesus.
Ao fim de 24 anos de incessante actividade, quer ao serviço da Soponata, ou em fretamentos esporádicos, o navio foi vendido à empresa João Luís Russo & Filhos, de Setúbal, em 20 de Setembro de 1976, data a partir da qual foram iniciados os trabalhas de demolição.

Foto do navio-tanque "Cercal", em Leixões
Minha colecção

Características do navio-tanque “Cercal”
1952 - 1976
Armador: Soponata – Soc. Portuguesa de Navios Tanques, Lda., Lisboa
Nº Oficial: H-414 - Iic: C.S.M.F. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: John Cockerill S.A., Hoboken, Bélgica, 1952
Arqueação: Tab 11.143,42 tons - Tal 7.179,50 tons - Pm 16.849 tons
Dimensões: Pp 155,73 mts - Boca 21,10 mts - Pontal 11,55 mts
Propulsão: Burmeister & Wein, Bélgica - 1:Di - 6.000 Bhp - 12,7 m/h

O novo petroleiro “Cercal” foi visitado pelo ministro da Marinha
O navio petroleiro português “Cercal”, recentemente construído na Bélgica para a frota mercante e que ante-ontem chegou ao Tejo, foi visitado, ontem, pelo Sr. ministro da Marinha. O Sr. almirante Américo Tomás, chegou às 10 horas, ao cais da Rocha de Conde de Óbidos, sendo recebido, à entrada do navio, pelos administradores e directores da empresa armadora do “Cercal”, pelo respectivo comandante Sr. António Dionísio de Jesus e por alguns funcionários afectos aos serviços da Marinha Mercante.
Depois de uma visita pormenorizada, que durou cerca de duas horas e que terminou na câmara do comandante, foi ali servida ao Sr. ministro da Marinha, uma taça de «champagne»- Em nome da empresa armadora, o Sr. major Vitorino Branco agradeceu a visita do Sr. almirante Américo Tomás e os auxílios prestados pelo Governo àquela empresa e à Marinha Mercante.
O Sr. almirante Américo Tomás manifestou o seu agrado por ver a marinha nacional enriquecida, com uma unidade de categoria semelhante à das melhores do mundo, e desejou felicidades ao navio e à sua tripulação.
(Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 18 de Setembro de 1952)

domingo, 14 de outubro de 2018

Leixões na rota do turismo! (9/2018)


Navios em porto na 2ª quinzena de Setembro

Nesta quinzena, os navios que estiveram de visita ao porto, são já conhecidos de escalas anteriores.
Mesmo assim, não pode ser ignorado o facto, relacionado com o número de navios em Leixões, ter atingido um valor muito significativo. Ficou apenas por salientar os muitos dias de sol, ocasionalmente combinados com imenso nevoeiro, a dificultar novamente melhor recolha de imagens.

Navio de passageiros "Midnatsol"
No dia 16, Chegou procedente da Corunha, saíu para Lisboa

Navio de passageiros "Zenith"
No dia 17, veio proveniente de Bilbau, também saíu para Lisboa
Foto retirada do sítio «Mercado de Eventos»

Lugre-patacho de passageiros "Gulden Leeuw"
No dia 17, chegou procedente de Amesterdão, saíu para Bonifácio
Escala com estudantes, permaneceu durante vários dias no rio Douro

Navio de passageiros "Marella Spirit"
No dia 18, veio procedente de Málaga, tendo saído para Lisboa

Navio de passageiros "Azamara Journey"
No dia 19, chegou procedente de Bilbao, saíndo para Lisboa

Navio de passageiros "Koningsdam"
No dia 21, veio proveniente da Corunha, também saíu para Lisboa

Navio de passageiros "Seven Seas Explorer"
No dia 23, veio procedente da Corunha, tendo saído para Lisboa

Navio de passageiros "Aida Cara"
No dia 23, chegou procedente de Lisboa, saíu com destino a Vigo

Navio de passageiros "Clio"
No dia 29, chegou proveniente de Vigo, tendo saído para Lisboa

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

História trágico- marítima (CLIX) Repetição


O lugre “Maria Helena“
1922 - 1923

Desenho de um lugre, sem correspondência ao texto

Nº Oficial: A-191 - Iic: -?- - Porto de registo: Porto
Armador: Não identificado, Lisboa
Construtor: D.S. Howard, Parsboro, Nova Escócia, 1894
ex "Maria Helena", Santos Amaral, Lda., Porto
ex “Maria Helena”, Leonardo A. Dos Santos, Porto, 1920-1921
ex “Minho”, J. Mourão & Cª., Porto, 1917-1920
ex “Earl of Aberdeen”, Bridgetown, Barbados, 1894-1917
Arqueação: Tab 450,36 tons - Tal 392,05 tons
Dimensões: Pp 50,00 mts - Boca 10,50 mts - Pontal 3,75 mts
Propulsão: À vela
Equipagem: 9 tripulantes

Ocorrência marítima
Viana do Castelo, 16 – Continua o mau tempo. O mar brame encolerizado. Não constam mais desastres, além daqueles já conhecidos, felizmente sem vítimas a lamentar.
Ainda não houve notícias do lugre “Maria Helena”, saído do Porto no último Domingo. Deus as mande satisfatórias para sossego das famílias dos seus tripulantes.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 18 de Janeiro de 1922)

Viana do Castelo, 18 - O lugre "Maria Helena", quando já desamarrado na doca para seguir viagem para Lisboa, foi de encontro ao cais rebentando um cabresto, não podendo sair no sábado. Saiu ontem e talvez a esta hora tenha arribado, devido ao mau tempo.
(Jornal "Comércio do Porto", quinta-feira, 19 de Janeiro de 1922)

Viana do Castelo, 24 - Ainda não há notícia do lugre "Maria Helena", que no Domingo saiu a barra de Viana com destino a Lisboa e no qual embarcou, a fazer a primeira rota de tirocínio para piloto, o sr. Jerónimo Aguiar, filho do industrial sr. José Pereira de Aguiar.
(Jornal "Comércio do Porto", quarta, 25 de Janeiro de 1922)

Viana do Castelo, 25 – Da viagem tormentosa do lugre “Maria Helena”, foram recebidas as seguintes informações:
No dia 16, imediato ao dia da saída, achava-se o navio nas alturas dos «Cavalos de Fão», quando foi surpreendido por um forte temporal de sudoeste; procurando então arribar, tal não conseguiu, devido ao nevoeiro, pelo que se pôs de capa rigorosa. O mar estava agitadíssimo, as vagas varriam o convés, levando o que encontravam.
O vento, saltando para O.N.O. (oeste-noroeste), fez-se ciclone e o navio adernou, tendo de alijar a carga de convés, com grande risco. Dando a popa ao mar correu à mercê, visto o pano ter ido pelos ares.
A tripulação quase esmoreceu, pois a todo o momento esperava que o navio fosse varar numa praia, onde ninguém escaparia. Entretanto, no dia foi o “Maria Helena” socorrido por um vapor alemão, rebocando-o para a bacia de Peniche, onde por ordem da capitania, o navio ficou ancorado com dois ferros pela proa. Às 3 horas da manhã do dia 20, rebentaram as amarras e o “Maria Helena” foi à praia, onde se desfez.
Ontem chegaram os náufragos a Viana. Alguns deles, ao transporem os umbrais das suas habitações, ajoelhavam e beijavam a soleira da porta! Parece que um dos náufragos vai cumprir uma promessa à Virgem da Agonia, de joelhos desde a sua casa até ao santuário.
Bendita crença!
(Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 26 de Janeiro de 1922)

Apesar de tanta turbulência, há que corrigir a notícia do naufrágio deste lugre de três mastros, construído em madeira, que iria ainda sofrer uma pequena alteração na arqueação, depois de passar por eventuais trabalhos de recuperação.
Aumentou a Tab para 457 tons e a Tal para 385 tons, o que não é muito significativo, mas permite ajuizar da existência do navio num período mais recente. Todos os acontecimentos relatados e o estado degradado do navio, terão levado o armador portuense a colocar o navio à venda, conforme se comprova pelo anúncio publicado no “Comércio do Porto”, em 7 de Setembro de 1922.


Concretizado o objectivo da venda, apareceu um comprador interessado, que não foi possível identificar, dado que o navio transferiu a matrícula para a praça de Lisboa. Infelizmente havia de navegar por pouco tempo, pois nova ocorrência ditou o ponto final.

Sinistro marítimo - Encalhe de um navio
Sagres, 24 - A 2 milhas a norte do Cabo Carvoeiro encalhou o navio português "Maria Helena". Para o socorrer partiram para ali várias embarcações.
O navio considera-se perdido, mas a tripulação foi toda salva.
(Jornal "Comércio do Porto", terça-feira, 24 de Setembro de 1923)

terça-feira, 9 de outubro de 2018

História trágico-marítima (CCLXXVIII)


O naufrágio do vapor grego “Eugenia”

O navio grego “Eugenia” naufragou, não se sabendo da tripulação
Em Lisboa foi hoje recebido um rádio do comandante do vapor italiano “Sicania”, dizendo que às 8 horas, na latitude 39º Norte e longitude 9º35’ Oeste, vira naufragar o navio grego “Eugenia”, não encontrando vestígios da tripulação.
Esta comunicação foi feita às autoridades de Marinha.

Desenho de navio do tipo do vapor naufragado correspondente ao texto

Características do navio grego “Eugenia”
1920-1921
Armador: J.B. Culucundis, Piréu, Grécia
Construtor: Russel & Co., Ltd., Greenock, Escócia, 1898
ex “Foreric”, Bank Line (Andrew Weir Ltd), Londres, 1898-1916
ex “Foreric”, Egypt & Levant Steam Navigation Co., Londres, 1916-1920
ex “Eugenia”, Eugenia Shipping, Piréu, Grécia, 1920-1920
Arqueação: Tab 3.974,00 tons
Dimensões: Pp 105,20 mts - Boca 15,20 mts - Pontal 5,50 mts
Propulsão: Rankin & Blackmore, Greenock - 1:Te - 364 Nhp

Segundo um telegrama do Cabo Carvoeiro, parece que a tripulação do vapor “Eugenia” se salvou, porque o vapor belga “Minerva”, que passou ali, vindo do Sul, anunciou que ia desembarcar em Peniche a tripulação dum navio naufragado.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 16 de Abril de 1921)

Numa informação complementar, consta que o navio grego “Eugenia” deve ter naufragado no dia 15 de Abril de 1921, por suposta colisão com uma mina, próximo às Berlengas, quando em viagem de Huelva para Hamburgo.

sábado, 6 de outubro de 2018

Salva-vidas do I.S.N. "Gago Coutinho"


A entrega do salva-vidas "Gago Countinho" em Olhão

Mais uma vez o blog recorda a notícia de um novo barco salva-vidas, que na ocasião foi entregue aos Socorros a Náufragos de Olhão.
E muito me apraz poder fazê-lo, pelo respeito e reconhecimento que as tripulações destes barcos merecem, devido às provas de coragem e abnegação demonstrados ao longo dos anos.
Porém, foi imprescindível estarem dotados de equipamento adequado, pois só assim foi possível dar responta às perigosas missões de salvamento, que lhes foram confiadas.
A estatistica que abaixo se apresenta, é disso a principal evidência.


A estação de Socorros a Náufragos de Olhão tem um novo salva-vidas
A entrega do salva-vidas “Gago Coutinho” teve um festivo entusiasmo
Olhão, 24 – Chegou hoje a este porto, vindo de Lisboa, o novo salva-vidas “Gago Coutinho”, que à entrada da barra foi recebido festivamente por vários vapores, gasolinas e outras embarcações repletas de pessoas desta vila e da Filarmónica Olhanense.
O novo barco foi conduzido a esta ria, pelo sr. comandante Borges de Carvalho, pelo mestre Joaquim Casaca e pelo maquinista José Rodrigues Rocha. Após a sua chegada, organizou-se um cortejo fluvial em direcção à vila, onde depois se realizou, na Câmara Municipal, uma sessão solene, que foi presidida pelo sr. capitão de mar-e-guerra Eduardo Soares, secretariado pelos srs. Celestino Pereira, chefe da Repartição do Instituto de Socorros a Náufragos, comandante Borges de Carvalho e Duval Pestana, presidente da Câmara, que usou da palavra em primeiro lugar.

Foto do salva-vidas "Gago Coutinho" à chegada a Olhão
Imagem publicada no jornal referido no texto

O sr. Duval Pestana que se congratulou por tão importante melhoramento, pediu ao sr. comandante Eduardo Soares, que transmitisse ao sr. Ministro da Marinha, a quem o país devia tão relevantes serviços, a sua imensa gratidão. Enalteceu a figura prestigiosa do sr. comandante Borges de Carvalho. Terminou com palavras de louvor para o sr. Celestino Pereira e expondo a grave situação em que a classe piscatória se encontra, a qual podia ser remediada pelas entidades superiores.
A seguir falou o sr. Celestino Pereira, que como algarvio manifestou muita satisfação por vir associar-se a esta simpática festa, motivada pela vinda do salva-vidas, para esta ridente vila do Algarve e manifesta, também, o seu regozijo por ver Olhão dotado com uma bela estação de Socorros a Náufragos, o melhor edifício deste género, que o Instituto até hoje mandou construir, a qual fica devidamente apetrechada.
Rendeu preito de sincera homenagem ao prestigioso inspector dos Serviços de Socorros a Náufragos, capitão de mar-e-guerra, sr. Eduardo Soares, pessoa de inteligência lúcida e grande orientador dos mesmos serviços, a quem Olhão deve a vinda deste belo salva-vidas.
A seguir usou da palavra o sr. Cruz Azevedo, que como algarvio se congratulou também pela vinda do novo salva-vidas, afirmando que era o melhor preito de homenagem que poderia prestar, por tal motivo. Relembrou a nobilitante figura do Patrão Joaquim Lopes, honra e glória da terra portuguesa e pediu aos assistentes 2 minutos de silencio, de respeito e gratidão pela memória daquele que foi um verdadeiro lobo do mar e que abnegadamente tantas vidas salvou.
Finalmente falou o sr. comandante Eduardo Soares, que se associou a esta tocante manifestação de gratidão e saudade, pela memória de tão prestimoso algarvio. Agradeceu as palavras que lhe foram dirigidas, prometendo dirigir ao sr. Ministro da Marinha o reconhecimento e as aspirações do laborioso povo de Olhão.
(Jornal "Comércio do Porto", terça-feira, 26 de Julho de 1938)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

História trágico-marítima (CCLXXVII)


O incêncio a bordo do vapor África", em Lisboa

Manifestou-se incêndio com violência no porão nº1 do
paquete “África”, atracado no Jardim do Tabaco.
Os bombeiros trabalham com dificuldade na extinção.
O vapor “*Africa” pertencente à Companhia Nacional de Navegação, viera no dia 27 do mês findo do Porto, onde estivera a receber carga diversa, principalmente caixas de vinho e fardos de fazendas.
Acostara ao cais de Santa Apolónia, onde esteve a receber mais carga, a fim de seguir para os portos de África.
Hoje, cerca das 2 horas da tarde, foi visto sair muito fumo pelos respiradores do porão nº2. Dado o alarme compareceram, dentro em pouco, os bombeiros municipais e voluntários, assim como vapores e rebocadores, sendo estabelecido, imediatamente, o ataque ao fogo.
Foram fechadas as escotilhas e o porão começou por ser inundado, no local onde o incêndio se manifestara. Pelas 4 horas e 45 minutos foram abertas as escotilhas, sendo verificado que o fogo continuava, pelo que um bombeiro com escafandro desceu ao porão, a fim de localizar o sítio exacto, conseguindo extinguir assim o incêndio.
O vapor está um tanto adernado a estibordo.
Ao posto de socorros, estabelecido no cais, foram receber curativo o bombeiro voluntário da 3ª secção Amorim, tripulante Laranjeira, João dos Santos Ferreira, José Nunes Ferreira e Joaquim Mendes Raimundo dos Santos, 3º piloto, e o comandante João Augusto Ferreira, intoxicados pelo fumo, ao tentarem descer ao porão.
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 8 de Novembro de 1921)

Foto-postal do "África", emitido pela Cª Nacional de Navegação
Minha colecção

Características do paquete “África”
Armador: Companhia Nacional de Navegação, Lisboa
Nº Oficial: 443-B - Iic: H.B.G.K. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Raylton Dixon & Co., Ltd., Middlesbrough, Agosto 1905
Arqueação: Tab 5.490,81 tons - Tal 3.582,87 tons
Dimensões: Pp 127,52 mts - Boca 15,70 mts - Pontal 5,80 mts
Propulsão: N.E. Marine Engineering, Newcastle, 1:Tv - 6:Ci - 752 Nhp
Equipagem: 156 tripulantes
Abatido à frota da companhia durante o ano de 1932

Imagem do incêndio no vapor "África" da autoria de Salgado
Ilustração Portuguesa, Nº 821 de 12 de Novembro de 1921, pp.371

O incêndio a bordo do “África”
Morte de um estivador – Os prejuízos materiais
Ficou hoje, ao meio dia, extinto o incêndio que ontem se declarou no porão nº2 do vapor “África”.
A experiência feita com uma máquina de ar quente, que encheu por completo o porão, não deu os resultados desejados, pois que às 4 horas da madrugada, sendo o porão destapado, viu-se que o incêndio continuava a lavrar com a mesma intensidade.
Foram então, para debelar o incêndio, postos a funcionar os rebocadores “Cabo da Roca”, “Buarcos” e “Josephina”, bem como duas bombas a vapor, uma auto-bomba dos bombeiros municipais e várias mangueiras, que começaram a despejar água em grande quantidade (850 metros cúbicos aproximadamente), sendo o incêndio debelado.
Pouco depois começaram a proceder ao esvaziamento da água que enchia o porão, a fim de serem recolhidos os salvados.
Os prejuízos, tanto no porão como no resto do vapor são importantes, principalmente nos beliches que ficam próximo do porão e que a acção do calor muito danificou.
Os trabalhos decorriam com toda a regularidade, quando apareceu, numa embarcação, a mulher do estivador José Firmino Pinto, a dizer que o seu marido, que estava empregado no “África”, não tinha aparecido em casa.
Alguns empregados de bordo tiveram logo a suspeita de que o infeliz tivesse morrido no incêndio, pois que tinha sido visto a bordo quando este se declarou.
Vários bombeiros desceram imediatamente ao porão, sendo encontrado o cadáver do estivador à tona da água. Retirado para o cais, foi entregue à família, depois de verificado o óbito pelo respectivo sub-delegado de saúde.
Hoje de manhã também foi retirado o empregado de bordo Joaquim António Reis, sendo conduzido ao posto médico, onde foi submetido a ginástica respiratória, seguindo depois para sua casa.
Ao meio dia retiraram o material de incêndios e os rebocadores. Como medida de precaução, ficou junto do “África” uma bomba a vapor.
Os prejuízos estão cobertos por várias companhias de seguros.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 9 de Novembro de 1921)

Leixões na rota do turismo! (8/2018)


Navios em porto na primeira quinzena de Setembro

Neste período Leixões recebeu três navios em escala inaugural. De entre estes, aquele que atraiu maior atenção foi certamento o novo "Mein Shiff 1", com 315 metros, portanto um recorde absoluto.
Foi igualmente interessante a escala do novo navio francês "Le Laperouse", que apresenta diversas caracteristicas inovadoras.
Se congratulamos a visita ao porto de um agradável conjunto de navios, o nevoeiro que esteve presente a maior parte do tempo, dificultou a possibilidade de colher melhor imagens, motivo que nos levou a utilizar uma foto de Luís Miguel Correia, até que o "Costa Mediterranea", por exemplo, possa regressar a Leixões.

Navio de passageiros "Mein Schiff 1"
Foto do Arqtº Fernando Paiva Leal
No dia 3, chegou procedente da Corunha, tendo saído para Lisboa

Navio de passageiros "Marella Spirit"
No dia 4, chegou procedente de Vigo, continuou viagem para Lisboa

Navio de passageiros "Azamara Pursuit"
No dia 6, chegou procedente de Bilbao, seguiu também para Lisboa

Navio de passageiros "Balmoral"
No dia 6, chegou procedente de Newcastle, saiu para Málaga

Navio de passageiros "Boudicca"
No dia 8, veio proveniente de Dover, saiu com destino a Cadiz

Navio de passageiros "Le Laperouse"
No dia 12, chegou procedente da Corunha, saindo para Lisboa

Navio de passageiros "Black Watch"
No dia 12, veio procedente de Lisboa, saiu para Liverpool

Navio de passageiros "Costa Mediterranea"
Excelente foto de Luís Miguel Correia
No dia 14, chegou procedente da Corunha, saíu com destino a Lisboa