quarta-feira, 20 de maio de 2015

Dia da Marinha 2015


A "Briosa" este ano homenageia a capital


Afastados pela distância não nos é possível estar presentes nas comemorações do Dia da Marinha, este ano a decorrer em Lisboa, tanto quanto gostaríamos.
Mais uma vez é recordado um dos principais navegadores portugueses, o lendário Vasco da Gama, e a extraordinária façanha que foi ter chegado à Índia, neste mesmo dia 20 de Maio, mas em 1498.

Quadro relativo ao acontecimento de autor não identificado
A chegada de Vasco da Gama à Índia - Imagem Wikipedia

Bem a propósito, recordo com especial carinho a visita há alguns anos a um navio, cujo nome não me ocorre, de transporte de gás (LGP), no terminal do porto petrolífero de Sines, por sugestão do respectivo comandante de origem indiana, residente em Bombaim.
Conversa de amigos durante algum tempo, com alguns negócios à mistura e naturalmente o convite para jantar com ele, num restaurante no centro da cidade, onde foi servido uma iguaria local, um assado de carne de porco preto, regado a rigor com uma excelente reserva alentejana.
Durante o percurso passamos por uma estátua e noto um ligeiro lacrimejar nos olhos do meu amigo indiano, que me indaga se estava na terra onde nasceu Vasco da Gama.
Respondi afirmativamente e reparo nas lágrimas, que lhe cobrem o rosto. E comenta:
"Que orgulho tenho em estar aqui, na terra que o viu nascer!
Enquanto viver, este é um dia que nunca irei esquecer..."

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Navios nos portos do Douro e Leixões


Escalas verificadas nos últimos dias

Navio de passageiros "Prinsendam"
Dia 13, chegou procedente da Corunha, saiu para Lisboa
Foto do distinto colega José Modesto

Navio de passageiros "Mein Schiff I"
Dia 13, chegou procedente de Lisboa, saiu para a Corunha

Navio de passageiros "Empress"
Dia 14, chegou procedente de Lisboa, saiu para a Corunha

Navio hidrográfico português "D. Carlos I"
Dia 14, chegou procedente de Lisboa, saiu de regresso à capital
Presente no porto para participar no exercício Anémona 2015

Lugre português "Santa Maria Manuela"
Dia 15, no rio Douro em viagem redonda de/ e para Aveiro

Navio de passageiros "Seabourne Quest"
Dia 17, chegou procedente da Corunha, saiu para Lisboa

Navio de passageiros "Costa Favolosa"
Dia 17, eventualmente na sua primeira visita a Leixões

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Memorativo da Armada


O navio tanque "Sam Braz"

O navio “Sam Braz” construído no Arsenal do Alfeite
é lançado à água na próxima terça-feira
Com a assistência dos membros do Governo e altos comandos militares e navais, efectua-se no próximo dia 17, pelas 17 horas, no Arsenal do Alfeite, a cerimónia do lançamento à água do primeiro petroleiro português, que é também o maior navio até hoje construído no nosso País, pois desloca 7 mil toneladas e mede cerca de 109 metros de comprimento por 15,5 de largura.
Começado a construir em Fevereiro do ano passado, o ritmo da sua construção atesta bem as possibilidades industriais do Arsenal, apesar das inevitáveis dificuldades que a guerra tem trazido ao problema dos transportes e da aquisição de materiais.
Dentro de cinco meses o novo navio deve estar em condições de empreender a sua primeira viagem. Foi-lhe dado o nome de “Sam Braz” – a pequena baía à qual aportou Bartolomeu Dias para fazer aguada, depois de ter dobrado o Cabo das Tormentas.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 14 de Março de 1942)

O lançamento à água do petroleiro “Sam Brás”,
que se realiza depois de amanhã
Foram convidados os oficiais da Armada a assistir ao lançamento do petroleiro “Sam Braz”, que se realiza depois de amanhã, às 16 e 50, no Arsenal do Alfeite, com a assistência do sr. ministro da Marinha.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 15 de Março de 1942)

Foto do navio "Sam Braz" por Roiz, Lda., Lisboa
Imagem da minha colecção

O petroleiro português “Sam Brás”, construído no Arsenal
do Alfeite, foi ontem lançado à água, tendo presidido à
cerimónia o sr. Ministro da Marinha
O Arsenal do Alfeite lançou ontem à água a quarta unidade naval ali construída, desde o começo da sua apreciável laboração: primeiro, um navio hidrográfico, depois duas vedetas de fiscalização da costa e, agora, um petroleiro – o “Sam Braz”.
Incluído na segunda fase do programa de reconstrução naval, a sua quilha foi assente em Fevereiro de 1941, pelo que o belo navio foi para a água com pouco mais de um ano de permanência na carreira.
O lançamento deste navio – o primeiro petroleiro construído em Portugal – reveste-se de uma importância especial se fôr considerado o problema dos transportes de combustível depois da eclosão da guerra e, especialmente, depois da entrada dos Estados Unidos no conflito.
Como é sabido, a nossa importação de gasolina tem diminuído consideravelmente. A média anual de importação desse produto no triénio 1937-38-39 andou à volta de 73.000 toneladas, baixando no ano de 1940 para menos de metade, ou seja para 35.000 toneladas. Quanto ao fim de 1941, não há ainda números que permitam avaliar a nova percentagem de redução, mas é conhecido que ela se acentuou muito mais.
A entrada deste novo navio em serviço, dentro de quatro a cinco meses, vem contribuir para aliviar a escassez de gasolina, ao mesmo tempo que dota a Armada com uma nova e utilíssima unidade.
Trata-se de um navio que, deslocando 7.000 toneladas, tem tanques com capacidade para 3.500 toneladas de combustível. Accionado por um motor diesel a dois tempos, tem 2.700 cavalos de força e pode atingir a velocidade de 12 milhas horárias.
À cerimónia do lançamento presidiu o sr. Ministro da Marinha que chegou ao Arsenal do Alfeite acompanhado pelo seu chefe de gabinete, sr. capitão de mar-e-guerra Américo Tomaz, também presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante e pelos seus ajudantes srs. comandante Jerónimo Jorge e 2º tenente Evaristo Gonçalves.
O chefe da Armada foi recebido pelos almirantes com funções de comando, pelo comodoro comandante da Força Naval da Metrópole e pelos srs. engenheiro Perestrelo de Vasconcelos, administrador do Arsenal; dr. Pereira Coutinho, director comercial; engenheiro Moniz Vargas, director técnico e por outros engenheiros civis e navais, bem como por diversos convidados.
Estavam também presentes deputações de oficiais dos navios de guerra actualmente em beneficiação no Arsenal do Alfeite, da esquadrilha de submersíveis, do Corpo de Marinheiros da Armada e da Escola Naval.
O sr. Ministro da Marinha, acompanhado por todos os presentes, dirigiu-se para a tribuna de honra erguida junto à proa do novo navio, na qual tomou lugar também o rev. Dr. Tomaz de Aquino, prior da Armada, solicitado para dar a bênção ao “Sam Braz”. Para madrinha foi convidada a filha do operário-arvorado Salvador António Pacheco, um dos mais antigos operários de construção naval no nosso país.
O navio, embandeirado e muito bem pintado, oferecia, com os seus 108 metros de comprimento, um belo aspecto sobre a carreira onde foi construído e pela qual irá deslizar dentro de alguns minutos.
Dos dois lados da carreira faziam a guarda de honra uma companhia de Marinha com bandeira e banda, e uma lança da Brigada Naval, constituída por pessoal arsenalista.
Logo que o sr. Ministro da Marinha chegou à tribuna, foram retiradas as últimas escoras que auxiliavam a manutenção do navio na carreira, após o que o representante da igreja lançou a bênção ao novo navio, precedido da oração do ritual.
O sr. engenheiro Perestrelo de Vasconcelos convidou então a madrinha a proceder à cerimónia simbólica, enquanto a guarda de honra apresentava armas e a banda da Armada executava o hino Nacional. Uma assistência constituída por centenas de pessoas sublinhou a entrada do navio nas águas do Tejo com entusiásticas manifestações.
O sr. Ministro da Marinha, antes de se retirar, transmitiu ao sr. engenheiro Perestrelo de Vasconcelos as suas felicitações, extensivas a todo o pessoal do Arsenal, pela nova e importante construção, que acabavam de realizar.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 18 de Março de 1942)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

História trágico-marítima (CL)


O incêndio a bordo do "Inhambane"

Na doca de Leixões
Um violento incêndio pôs em perigo o vapor português
“Inhambane” tendo sido empregadas 25 agulhetas para
dominar as chamas alterosas e ameaçadoras
A bordo do “Inhambane”, magnifico vapor de dez mil toneladas, que acostou, ante-ontem de manhã na doca nº 1 de Leixões, declarou-se incêndio, violento, com proporções inicialmente assustadoras. O “Inhambane” viera de Lisboa com 1.900 toneladas de nitrato de sódio e 250 toneladas de carga diversa, pertença da Companhia União Fabril, que é, também, proprietária do navio.
Após a entrada na doca, amarrado no lado Sul, começaram os trabalhos de descarga. Os porões da ré foram os primeiros a ser aliviados. Quando a descarga estava bastante adiantada é que o incêndio se manifestou.
Pouco passava das treze horas. O pessoal retomava o serviço, suspenso pouco antes – foi quando o encarregado dos estivadores encontrou um saco de nitrato de sódio a arder. Dado o alarme, recorreram aos extintores de bordo. Mas o fogo não cedeu. Pelo contrário – propagou-se a toda a mercadoria, e, dentro em pouco, o porão nº 5 era, igualmente, pasto das chamas.
Mesmo antes de serem pedidos os socorros, compareceram, no local, os Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça. O serviço de ataque ao fogo foi montado sob a direcção do Inspector de Incêndios do concelho de Matosinhos sr. Coronel Alberto Laura Moreira. Entretanto chegaram ao local do sinistro os corpos activos dos Bombeiros Voluntários de Leixões, de S. Mamede de Infesta e Moreira da Maia.
As chamas, crepitantes, saíam dos porões e elevavam-se a alguns metros, enquanto nuvens de fumo, compactas, subiam no espaço e – pode afirmar-se sem exagero – cobriam e escureciam o céu em Leixões e Matosinhos.

Foto do vapor "Inhambane" a chegar a Leixões
Imagem da Fotomar, Matosinhos

Características do vapor "Inhambane"
Armador: Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes
Nº Oficial: 446-E - Iic: H.I.N.B. - Registo: Lisboa, 21.07.1925
Construtor: J. C. Tecklemborg, Geestemunde, Alemanha, 08.1912
ex “Essen”, Deutsch-Australische D.G., Hamburgo, 1912-1916
ex “Inhambane”, Transp. Marítimos do Estado, Lisboa, 1916-1925
Propulsão: J.C. Tecklemborg, 1912 - 1:Te - 3.600 Ihp - 12,5 m/h
2º Registo
Nº Oficial: 446-E - Iic: C.S.A.V. - Porto de Registo: Lisboa, 1933
Arqueação: Tab 5.943,84 tons - Tal 3.684,48 tons
Dimensões: Ff 142,92 mt - Pp 137,57 mt - Bc 17,44 mt - Ptl 8,14 mt
Equipagem: 45 tripulantes - 9 passageiros
Vendido ao armador Grego A. Frangistas Manessis em 1955, alterando-lhe o nome para “Vassiliki”, passando a navegar com registo Costa-riquenho. Foi finalmente vendido para demolição em Hong-Kong, em 23 de Maio de 1959.

Do local e dos lugares distantes acorreu gente. Nas imediações da doca, contidas à distância pela guarda, viam-se milhares de pessoas. O espectáculo, sinistro, trágico, chamava a atenção de todos. Aos olhos dos assistentes e até aos olhos dos bombeiros, afigurou-se tragédia de gravíssimas consequências. O fumo e o cheiro intoxicava os abnegados bombeiros, mas eles, heroicamente, obedecendo, disciplinados, ao comando do coronel Laura Moreira, com mascaras contra gás ou sem elas, combatiam, de agulheta em punho, as chamas, e desciam aos porões, resolutamente, sem medirem o perigo ameaçador que os envolvia.
Se não fosse a inteligência posta à prova no ataque ao incêndio e o heroísmo dos bombeiros, talvez o vapor se tivesse perdido.
Felizmente o fogo pôde considerar-se extinto duas horas após o seu início, tendo ficado limitado aos dois porões, parcialmente inundados com a água das dezassete agulhetas empregadas pelos bombeiros das quatro corporações atrás referidas, duas do rebocador “Tritão”, uma do “Manolito”, e quatro de duas barcaças da Administração dos Portos do Douro e Leixões, no total de vinte e cinco agulhetas, alimentadas por uma auto-bomba e doze moto-bombas.
Durante o incêndio ficaram ligeiramente feridos alguns bombeiros e trabalhadores. Entre outros, receberam curativo na ambulância dos Voluntários de Leixões, dirigida pelos enfermeiros Enio Sampaio Batista e José Beleza de Pinho: Carlos Ribeiro Moreira, de 52 anos, 2º maquinista da Administração dos Portos, com escoriações nas mãos e dedos; Manuel Marques, de 43 anos, motorista da Administração dos Portos, com contusão nos dedos da mão esquerda, e o guarda-fiscal nº 284, da 2ª Companhia, com escoriações no joelho esquerdo e nos cotovelos.
Estiveram no local do incêndio o presidente da Câmara de Matosinhos e o Delegado Policial, srs. dr. Fernando Aroso e Sá Lima; o capitão do porto sr. comandante João Pais e o gerente da Companhia União Fabril, no Porto, sr. engenheiro Manuel Domingues dos Santos.
À noite começaram os trabalhos para estancamento dos porões inundados. Os prejuízos são importantes, sendo ainda desconhecidas as causas que deram origem ao incêndio.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 6 de Junho de 1942)

domingo, 10 de maio de 2015

Dia dos cruzeiros 2015


Leixões na rota do turismo!

Aproveitando a ideia surgida na capital, de celebrar o dia dos cruzeiros, na defesa de um substancial futuro aumento de passageiros nos navios de cruzeiros, com as enormes vantagens económicas que daí advém, também o porto de Leixões tem dado passos de gigante na concretização dos mesmos objectivos.

Gare marítima no terminal para navios de passageiros

E, como referido acima, no caso de Leixões, a gare marítima já se encontra concluída, tendo sido criadas condições para acolher no terminal uma satisfatória quantidade de navios, alguns dos quais que pelas suas dimensões, sem essa nova estrutura, não o poderiam fazer.
Convém lembrar que o porto continua a utilizar com regularidade, a gare marítima existente na doca nº 1 norte, onde amarram os paquetes mais pequenos, tal foi o caso verificado com os últimos navios de passageiros entrados em Leixões.

Foto do navio "Silver Explorer",
vindo procedente de Lisboa, tendo saído com destino a Vigo

Foto do navio "Corinthian",
também procedente de Lisboa, e saído para Vigo
Imagem do distinto colega José Modesto

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Leixões na rota do turismo!


Navios de passageiros

Durante o mês de Junho, se não houver alterações às escalas previstas e considerando que o estado do tempo promete ajudar, o porto de Leixões deverá receber 17 navios de passageiros, o que não é inédito, ficando desde já muito próximo dos melhores valores alcançados em anos anteriores.

O navio "Rotterdam"
Procedente de Cadiz saiu com destino a Roterdão

Não há ainda surpresas, nem grandes novidades no rol de navios que nos vem visitar, pois que a maior parte repete escalas anteriores, porém deve ser sublinhada a escolha do porto por companhias europeias de relevo, casos da Holland America e da Costa Cruises.
Como é óbvio, ficará para data posterior a análise das quantidades de passageiros embarcados nesses navios, muito embora se possa antecipar a continuação do avolumar de turistas, que optaram por cruzeiros com passagem pela capital e pelo norte da península.

Navio "Serenissima"
Procedente de Lisboa saiu com destino à Corunha

No dia de hoje, estiveram em porto os navios “Rotterdam” e “Serenissima”. A partir da próxima sexta-feira e dias seguintes estão contempladas as escalas dos navios “Rijndam”, “Silver Explorer”, “Corinthian”, “Prinsendam”, “Mein Schiff I”, “Empress”, “Costa Favolosa”, “Seabourne Quest”, “Island Sky”, “Horizon”, “Sea Cloud II”, “Bremen”, “Costa Fortuna”, “Silver Cloud” e o “Seven Seas Voyager”.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Memorativo da Armada


O contra-torpedeiro "Dão"

O lançamento do “Dão” será radiodifundido
pela Emissora Nacional
É depois de amanhã que se realiza, pelas 17 horas, nos estaleiros da Sociedade de Construções Navais, a cerimónia do lançamento à água do novo contra-torpedeiro “Dão”. A partir das 16 e 30 a Emissora Nacional estará ligada aos estaleiros para fazer a transmissão dos discursos e de toda a cerimónia.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 27 de Julho de 1934)

Foto do contra-torpedeiro "Dão" de autor desconhecido
Minha colecção

Ressurgimento da Marinha de Guerra Portuguesa
Foi hoje lançado à água o contra-torpedeiro “Dão”
Revestiu-se de grande brilhantismo a cerimónia, que hoje se realizou para o lançamento à água do contra-torpedeiro “Dão”, nos estaleiros da Sociedade de Construções Navais.
Milhares de pessoas acorreram ao vasto recinto, que se encheu completamente, sendo rigoroso o serviço de Polícia, em face do grande número de convidados.
A partir das 15 horas, a multidão começou a entrar nos estaleiros. Ao longo da carreira onde o novo navio de guerra aguardava embandeirado em arco, à hora do lançamento, formou uma companhia do Corpo de Marinheiros da Armada, com a banda da Marinha, para prestar honras. Em outros locais viam-se as bandas de Caçadores 5, de Sapadores de Caminho-de-ferro e da Escola Profissional D. Maria Pia.
Em talhões reservados agrupavam-se delegações de vanguardistas e o Orfeão Académico de Lisboa, bem como outros estudantes.
As entidades estiveram presentes em grande número; Oficiais Generais da Armada e do Exército, funcionalismo superior, União Nacional, organismos económicos, etc. Entre a assistência viam-se centenas de senhoras e muitos oficias uniformizados.
Pouco depois das 16 horas foram encerrados os portões dos estaleiros, a fim de ser feita a conveniente arrumação do povo nos recintos disponíveis.
Nessa altura já se encontravam presentes os membros do governo, que aguardavam junto da tribuna de honra a chegada do sr. presidente do ministério. Com o governo estavam também os srs. engenheiro Maurício Tabar, director da Sociedade de Construções Navais e António Ferro, director do Secretariado da Propaganda, departamento que organizou a cerimónia.
O sr. dr. Oliveira Salazar chegou pouco antes das 17 horas, recebendo as honras da ordenança e subindo imediatamente para a tribuna de honra a fim de dar ao “Dão” o tradicional impulso.
O chefe do Governo fez, nesta altura, ao microfone da Emissora Nacional, o seguinte discurso:
A oferta do Governo à Nação, presente de operários portugueses aos seus irmãos marinheiros, mais um navio da Armada que vai começar a sua vida de mar, não deixemos que as águas o beijem sem que algumas gotas de vinho do Dão, de que leva o nome e o sentimento bem portugueses, correm em sinal de alegria e sinceridade, por onde um ano de árduo trabalho já fez correr o suor de portugueses também. Assim, pouco a pouco, a pano lento mas firme reentramos dentro do possível para bem da tradição.
Antes que enfunassem com o vento, rasgassem as águas patrióticas, vicejaram na nossa terra, cresceram pelos vales e encostas as velas, os mastros, as quilhas das naus que deram voltas ao mundo.
Glória ao Trabalho Nacional! Glória à Armada Portuguesa! Glória a Portugal!
Em seguida quebrou uma garrafa de vinho do Dão e o navio deslizou pela carreira, por entre manifestações de regozijo.
O “Carvalho Araújo”, que seguiu para o Porto, salvou com 21 tiros a nova unidade da Marinha de Guerra. O Orfeão Académico cantou no final uma estrofe dos «Lusíadas».

Telegramas de saudação

A propósito do lançamento ao mar do contra-torpedeiro “Dão”, o sr. presidente do Conselho recebeu hoje o seguinte telegrama:
Santa Comba – Ao ser lançado à água o contra-torpedeiro “Dão”, a Câmara Municipal de Santa Comba Dão, saúda em Vª.Exª. o português ilustre, a quem a Pátria tanto deve e faz votos para que a obra de ressurgimento integral à qual Vª.Exª. consagra todo o esforço da sua vida tenha plena realização.
O presidente da Câmara (a) Alfredo Ferrão

Santa Comba Dão – No dia jubiloso do lançamento ao mar do contra-torpedeiro “Dão”, nome que lhe foi dado como justa homenagem aos altos méritos, virtudes, serviços patrióticos e relevantes de Vª.Exª. – A bem da Nação, a Associação Comercial e Industrial de Santa Comba Dão tem a honra de apresentar a Vª.Exª. as suas respeitosas saudações e cumprimentos.
Pela direcção (a) Caetano Figueiredo

Viseu – Excelência - Na ocasião em que é lançada ao mar a nova unidade da nossa marinha, que ostentará o nome de um rio da nossa Beira, a Associação Comercial e Industrial de Viseu congratula-se por tal facto e apresenta a Vª.Exª. os seus melhores cumprimentos de homenagem.
Pela direcção (a) Mário Marques, presidente
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 29 de Julho de 1934)