sábado, 21 de maio de 2016

História trágico-marítima (CIXC)


Devido a nevoeiro e agitação do mar, o vapor português “Monte
Brasil” colidiu, a 24 km da costa americana, com o cargueiro “Cape
Martin”, mas há esperanças de salvá-lo. Não se registaram vítimas.

Foto do navio "Monte Brasil" ao largo de Leixões
Imagem de arquivo da Fotomar, Matosinhos

Características do navio português “Monte Brasil”
11.10.1948 - 11.12.1972
Nº Oficial: 940 - Iic: C.S.L.P. - Registo: Ponta Delgada, 11.10.1948
Armador: Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos
Construtor: A. Vuijk & Zonen, Capelle a/d Ijssel, Holanda, 08.1948
Arqueação: Tab 2.394,03 tons - Tal 1.303,35 tons - Pm 3.800 tons
Dimensões: Ff 106,44 mt - Pp 100,44 mt - Bc 14,58 mt - Ptl 5,11 mt
Propulsão: Sulzer Bros., Ltd., 1944 - 1:Di - 3.900 Ihp - Veloc. 14 m/h
Transferido para a Empresa Insulana de Navegação em 11.12.1972
Transferido para a Comp. de Transportes Marítimos em 04.02.1974
Vendido para demolir em Lisboa em 1981. Demolido em Maio, 1982

Nova Iorque, 27 – O navio de carga português, “Monte Brasil”, foi abalroado às 3 horas e 30, ao largo de Atlantic City, Nova Jersey, pelo cargueiro americano “Cape Martin”. A tripulação embarcou nos escaleres. O mar está muito agitado e o nevoeiro torna a visibilidade quase nula. Um navio patrulha de vigilância da costa partiu para o local do acidente. Uma mensagem do “Cape Martin” não fala de vítimas.
Nova Iorque, 27 – Os tripulantes que tinham abandonado o navio de carga português “Monte Brasil”, depois de este ter sido abalroado pelo “Cape Martin”, regressaram a bordo e parece que o navio já não corre perigo. O “Cape Martin” tinha anunciado, esta noite que, depois do abalroamento, o cargueiro português começava a afundar-se. O capitão e os oficiais ficaram a bordo para tentarem salvar o “Monte Brasil”, tarefa que, aparentemente, levaram a bom termo.
Nova Iorque, 27 – Contrariamente às primeiras notícias recebidas nesta cidade, o navio de carga português “Monte Brasil” não se afundou. O capitão esforça-se por mantê-lo a flutuar, ajudado por alguns tripulantes que ficaram a bordo. O cargueiro americano “Cape Martin”, com o qual abalroou, não parece estar em dificuldades.
Atlantic City, 27 – O capitão e alguns oficiais do cargueiro português “Monte Brasil” transmitiram pela rádio que continuavam a bordo do navio danificado na esperança de o salvarem se se pudessem manter até de madrugada. A guarda-costeira citou o capitão como tendo dito que se o navio continuasse a flutuar tentariam alcançar Filadélfia. O cuter “Sassafras” da guarda-costeira, foi enviado para o local do sinistro.
Atlantic City, 27 – Foi a 24 quilómetros da costa de Nova Jersey que se deu o acidente com o navio português “Monte Brasil”. As causas da colisão devem encontrar-se no intenso nevoeiro que fazia naquela zona e na agitação do mar.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 28 de Abril de 1952)

Foto do rombo sofrido pelo navio "Monte Brasil"
Imagem da Photoship.Uk
Legenda na foto, como segue:
Chester, P.R., Abril, 28 – Rombo no casco devido a colisão
Trabalhadores do estaleiro local inspeccionam um rombo no casco do lado de estibordo no cargueiro português “Monte Brasil”, depois do mesmo ter dado entrada em doca seca, hoje, na sequência de abalroamento com outro cargueiro. O “Monte Brasil” foi abalroado pelo cargueiro americano “Cape Martin”, a este de Atlantic City, N.J., na madrugada do último sábado. Dois terços da tripulação do “Monte Brasil” abandonaram o navio, mas depois regressaram, conseguindo trazer o cargueiro até este porto, com o auxílio de rebocadores.

Foto do navio americano "Cape Martin"
Imagem da Photoship.Uk

Características do navio americano “Cape Martin”
1944-1975
Nº Oficial: N/t - Iic: K.W.0.1. - Porto de registo: Los Angeles
Armador: United States War Shipping Administration, Los Angeles
Construtor: Consolidated Steel Corp. Ltd., Wilmington, 05.1944
Arqueação: Tab 6.71,00 tons - Tal 3.931,00 tons - Pm 9.000 tons
Dimensões: Ff 127,30 mt - Pp 120,83 mt - Bc 18,31 mt - Pt 7,77 mts
Propulsão: Joshua Hendy Iron Works, Sunnyvale - 2:Tv - 14 m/h
Vendido para demolir à empresa de sucatas Nicolai Joffe Corp., de Richmond, Califórnia, em Abril de 1975

O cargueiro português “Monte Brasil” foi abalroado por um
cargueiro americano, em águas dos Estados Unidos, mas o
capitão tem esperanças de salvá-lo
Nova Iorque, 27 – O navio de carga português “Monte Brasil”, pertencente à Companhia de Navegação Carregadores Açorianos, com carga geral para Lisboa e em rota deste porto para Cuba, onde ia carregar açúcar para o mesmo destino, encontrava-se, na noite passada a 24 quilómetros ao largo de Atlantic City, Nova Jersey, quando, devido ao intenso nevoeiro e à agitação do mar, foi abalroado pelo cargueiro americano “Cape Martin”, de 6.711 toneladas.
As primeiras notícias diziam que o navio se afundara pela popa e que a tripulação saltara para os escaleres. Soube-se, depois, que esta informação não correspondia, felizmente, à verdade: o “Monte Brasil” não só flutuava, como o capitão, sr. Amadeu Calisto Ruivo, se esforçava para conduzi-lo para Filadélfia, com o auxílio de alguns tripulantes, entre eles todos os oficiais, que tinham ficado a bordo.
Este pormenor indicava que outros homens da equipagem haviam abandonado o navio. Efectivamente, nova notícia referia que estes últimos voltaram para bordo, que parecia já não correr perigo.
Partiu para o local um navio patrulha da guarda-costeira – o cuter “Sassafras” – de bordo do qual foi emitido um rádio dizendo que o “Monte Brasil” não estava em risco de se afundar e que o capitão declarara que se o navio se aguentasse tentaria levá-lo para Filadélfia.
Uma comunicação transmitida directamente de bordo do navio sinistrado anunciou, depois, que o capitão e oficiais tinham esperança de salvar a unidade, se pudessem mantê-la a flutuar até de madrugada. Para lhe prestar auxílio, saiu de Nova Iorque um rebocador.
O “Cape Martin” que sofreu alguns danos, vem a caminho deste porto.
(In jornal “O Século”, segunda, 28 de Abril de 1952)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Leixões na rota do turismo!


O regresso do "Silver Whisper" e do "Horizon"

Ontem, dia 18, confirmou-se o regresso ao porto de Leixões destes navios de passageiros, que por cá tem passado com significativa regularidade. Está inclusivamente perspectivado que o "Horizon", volte em novas escalas, no decorrer deste ano.




Fotos do navio de passageiros "Silver Whisper", que chegou a Leixões vindo proveniente de Lisboa, e tendo saído com destino ao porto da Corunha.




Também algumas fotos do navio de passageiros "Horizon", que acompanha o "Silver Whisper" em percurso idêntico, escalando em simultâneo os mesmos portos, neste périplo ibérico.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

História trágico-marítima (CXC)


Acidente à entrada da barra
O encalhe do vapor inglês "Elfstone"

Ontem, cerca das 14 horas, ao entrar a barra o vapor inglês “Elfstone”, auxiliado pelo rebocador “Mars II”, rebentou o cabo de reboque a este último, resultando o vapor guinar um pouco para o sul, correndo sobre as vagas, indo encalhar num banco de areia.

Foto do navio inglês "Elfstone" - Imagem da Photoship.Uk

Características do vapor inglês “Elfstone”
1924-1937
Armador: Crete Shipping Co. (Stelp & Leighton, Ltd.), Londres
Construtor: Swan, Hunter & Wigham Richardson, Ltd., Wallsend, Newcastle, 08.1924 Arqueação: Tab 1.371,00 tons - Tal 791,00 tons
Dimensões: Pp 71,65 mts - Boca 11,00 mts - Pontal 4,65 mts
Propulsão: J. Abernethy & Co., Aberdeen - 1:Te - 3:Ci - 120 Nhp - 9 m/h
Vendido em 1937, mudou o nome para “Mortlake Bank”
1937-1970
Armador: McLiwraith & McEacharn, Ltd., Sydney, Nova Escócia
Conservou as características de origem
Vendido para demolição em Sydney, no primeiros meses de 1970, à empresa Goldfields Metal Traders

Momentos depois, com o auxílio das próprias máquinas e as vagas do mar, conseguiu o vapor desencalhar, entrando no rio Douro, sem mais novidade. Se as vagas, ao deslocar o vapor, o não tivessem feito em direcção ao canal da barra, teríamos a lamentar, de novo, um acidente de maior gravidade, idêntico, talvez, aos dos vapores alemão “Deister” e norueguês “Inga I”, encalhados nas proximidades daquele local.
O navio chegou ao Porto procedente de Barry, na Inglaterra, com carga de carvão.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado,14 de Novembro de 1936)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Histórias do mar português!


O patrão do salva-vidas “Carvalho Araújo” vai ser substituído

Algumas notas biográficas
António Rodrigues Crista, valoroso patrão do Posto de Socorros a Náufragos, de Leixões, foi demitido do cargo que, há três anos, exercia, com zelo e abnegação.
Homem do mar, humilde mas decidido, autentico herói que, muitas vezes, deu provas do seu saber e da sua audácia na missão de vencer as vagas - por vezes alterosas -, pondo a vida em risco para acudir às vidas dos outros em marés de temporal e de perigo, vai deixar o lugar que, acertadamente, lhe fora confiado. A notícia propagou-se, seca, em quatro palavras apenas.
António Rodrigues Crista, aureolado por uma brilhantíssima folha de serviços, não poderia sair do seu posto sem que o público soubesse.
António Rodrigues Crista, que nasceu em Matosinhos e conta 38 anos, está ao serviço do Posto de Socorros a Náufragos, em Leixões, há cerca de 10 anos.
Como tripulante, tomou parte em muitas dezenas de salvamentos, destacando-se entre eles, o da tripulação do lugre dinamarquês “Felix”, naufragado em 1922. No seu salvamento, foi tão notável a acção do pessoal do Posto dos S.N., que o seu patrão, José Rabumba, mereceu do Governo o Colar da Torre e Espada.
Como sota do salva-vidas a remos “Porto”, tomou parte no naufrágio do “Gauss”. Desta vez, o “Porto”, bem como o “Carvalho Araújo”, voltaram-se, tendo morrido seis homens da tripulação. Rodrigues Crista e os restantes companheiros salvaram-se a nado.
Como patrão, destacou-se, especialmente, no naufrágio do “Inga I”, conseguindo trazer no “Carvalho Araújo” os seus 16 tripulantes, que corriam grave perigo.
Por este feito mereceu uma homenagem, no Palácio da Bolsa, onde foi condecorado pelo ministro da Noruega, com a medalha de prata do rei desse mesmo país.
Possui diversos diplomas e medalhas, tendo recebido, ainda, outras recompensas e dinheiro como prémio à sua audácia e ao seu heroísmo.
-x-
Segundo informação recebida, particularmente, está aberto concurso na Capitania de Leixões para preenchimento do lugar citado, caso tenha de haver substituição.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 8 de Agosto de 1936)

Rebocador do serviço de pilotagem de Leixões
"Comandante Afonso de Carvalho"
Imagem publicada na imprensa diária.

Um nome, três notícias...
Foram publicadas recentemente no blog duas outras notícias, onde são relatados episódios da vida e da reconhecida competência do arrais do salva-vidas de Leixões, sr. António Rodrigues Crista, já falecido, principalmente nas difíceis circunstâncias em que foi feito o salvamento da tripulação do vapor norueguês "Inga I", na barra do rio Douro.
E não foi um caso isolado!...
Isto porque a notícia, felizmente, não corresponde à realidade dos factos. António Crista não foi demitido, nem despedido, tendo-se mantido por mais dois anos no seu posto de abnegado timoneiro na Estação do Salva-vidas de Leixões, e revelando-se de suprema importância através do seu desempenho no violento temporal que assolou a área portuária, em 27 e 28 de Janeiro de 1937.
Por esse serviço viria a ser novamente condecorado, tanto pelo governo Belga como pelas autoridades nacionais, em função da quantidade de salvamentos realizados às tripulações de diversos navios, que se encontravam em serio risco de naufrágio, tal como se veio a verificar.
António Rodrigues Crista acabou por interromper a sua actividade nos Socorros a Náufragos em 1938, por ter recebido o convite para trabalhar como mestre do rebocador "Comandante Afonso de Carvalho", que pertenceu à Corporação de Pilotos de Leixões, até à sua venda para Inglaterra.
Depois, durante alguns anos, esteve ao leme de duas traineiras, para lhe permitir assegurar o sustento da esposa e filhos, até ao momento em que decidiu não continuar ligado à pesca. Mas mesmo assim, já com idade considerável, ainda regressou ao salva-vidas, secundando um novo arrais, a quem transferia os conhecimentos e a experiência, de muitos anos passados no mar.
Li a notícia e lembrei-me do tempo em que o vi, já com muita idade, com as pernas a carregar o corpo em passos lentos e cansados. Ele foi mais um daqueles homens, entre tantos outros, que compõe a lenda dos heróis deste país...

sábado, 14 de maio de 2016

Leixões na rota do turismo!


A visita ao porto do "Sea Adventurer"

Porque este navio de passageiros não apresenta linhas modernas, falha-me a memória quanto à possibilidade de terem acontecido escalas anteriores à actual, que decorreu durante o dia de hoje.



As fotos acima publicadas registam a passagem do "Sea Adventurer" por Leixões, chegando ao porto esta manhã procedente da Corunha, tendo saído ao final da tarde com destino a Lisboa.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Histórias do mar português!


No mar, em frente a Aveiro, o salva-vidas a motor
“Carvalho Araújo” teve um acidente – Os socorros

Ontem, pela 1 hora e meia da madrugada, entrou no porto de Leixões o vapor de pesca belga “Charles Henri”, conduzindo a reboque o barco salva-vidas “Carvalho Araújo”, que tinha sofrido um acidente por alturas de Aveiro.
Este acidente foi motivado por ter-se ensarilhado no hélice do barco salva-vidas, um cabo que servia de reboque aos nove barcos de pesca de Buarcos, que há tempo, devido ao temporal, tinham arribado a Leixões e que agora eram levados pelo “Carvalho Araújo”, para aquela praia.
O percalço deu-se pelas 5 horas de ante-ontem, estando durante a manhã e parte da tarde sem assistência, tendo por esse motivo de pedir socorro.
Como, por força da agitação do mar, não pudesse sair qualquer embarcação de Aveiro, para o socorrer, pelas 13 horas, um hidro-avião da Base de S. Jacinto levantou vôo seguindo em direcção ao mar à procura de qualquer navio que pudesse prestar auxílio ao salva-vidas “Carvalho Araújo”.

Foto do salva-vidas "Carvalho Araújo"
Imagem da Foto-Mar, Matosinhos

Avistando na sua faina o vapor de pesca belga “Charles Henri”, lançou-lhe uma mensagem acompanhada por uma bóia, a qual, foi apanhada por aquele vapor de pesca, que, imediatamente seguiu para o local que lhe foi indicado, passando um cabo de reboque ao salva-vidas “Carvalho Araújo”, conduziu-o para Leixões.
As tripulações que seguiam nos nove barcos de pesca que o “Carvalho Araújo levava a reboque, por intermédio de um daqueles barcos, passaram-se para bordo do salva-vidas, vindo nele para Leixões, deixando ficar abandonados no mar os referidos barcos que ficaram fundeados.
Quanto à traineira “Santa Rita”, que tinha saído de Leixões em socorro do salva-vidas “Carvalho Araújo”, quando chegou ao local já ele vinha a reboque do vapor de pesca belga, motivo pelo que não foram necessários os seus serviços.
O capitão do vapor de pesca belga Charles Lambregt, declarou às autoridades marítimas não querer nada pelo seu serviço, não só por ter cumprido com a sua obrigação, como ainda, às boas relações existentes entre os dois países.
O vapor de pesca “Charles Henri” é da praça de Ostende, e como nota curiosa pertence à mesma empresa proprietária do vapor de pesca “Konig Albert”, que também em 16 de Outubro de 1934 tinha entrado em Leixões conduzindo a bordo 7 tripulantes de um barco de pesca de Vila do Conde, que tinha naufragado nas alturas de Aveiro.
-x-
O rebocador “Tritão” saiu ontem, pelas 11 horas e meia, de Leixões, levando a bordo as tripulações dos barcos que ficaram abandonados no local do acidente, a fim de, caso ainda fossem encontrados, levá-los a reboque para Buarcos.
-x-
O vapor de pesca “Charles Henri”, depois de ter dado conhecimento do sucedido ao sr. cônsul da Bélgica, que compareceu em Leixões, e ao capitão do porto, seguiu ao seu destino, tendo saído de Leixões pelas 19 horas.
-x-
Este acidente, que alarmou a classe piscatória de Matosinhos, perante os boatos, um tanto desencontrados, felizmente, não teve consequências de maior, dada a rápida intervenção, não só, do hidro-avião da Base de S. Jacinto, que prestou um excelente serviço, como da assistência do referido vapor de pesca, que teve de abandonar a sua faina. (a)
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 24 de Abril de 1936)

(a) Este acidente na realidade serviu, também, para que fosse identificado pelo comando dos serviços de vigilância da Marinha Portuguesa, uma muito provável actividade de pesca ilegal, nas nossas águas territoriais, por diversos vapores de pesca de nacionalidade Belga. Essa situação foi confirmada através da captura de um vapor encontrado a pescar na zona de Aveiro, logo apreendido e multado de acordo com a legislação em vigor, no decorrer desse mesmo ano.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Memórias de um passado recente!... (4)


O lançamento à água do aviso de 2ª classe "João de Lisboa"
ex aviso de 2ª classe "Infante D. Henrique"

O novo aviso “Infante D. Henrique”
Foi entregue à casa construtora a 3ª prestação do armamento
Foi entregue à casa Vicker’s Armstrong um cheque na importância de £13.777,10 correspondente à terceira prestação do armamento do aviso de 2ª classe “Infante D. Henrique”
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 31 de Janeiro de 1936)

Ressurgimento da Armada Portuguesa
O lançamento ao mar do aviso “Infante D. Henrique”
O aviso “Infante D. Henrique” em construção no Arsenal de Marinha, será lançado ao mar no dia 21 de Maio, pelas 10 horas e meia. O sr. ministro da Marinha vai convidar para assistir a essa cerimónia os srs. Presidente da República, chefe do Governo, ministros e autoridades civis e militares.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta,16 de Abril de 1936)

As provas das unidades navais
Pelo Ministério da Marinha vai ser publicada uma portaria determinando que ao aviso de 2ª classe, em construção no Arsenal de Marinha, até agora designado “Infante D. Henrique”, receba o nome de “João de Lisboa”, recordando deste modo o ilustre e notável piloto que, no começo do século XVI escreveu o ”Livro de Marinharia com o «tratado da agulha de marear»” e foi contemporâneo de Pedro Nunes, que por sua vez deu o nome ao aviso gémeo, também construído no Arsenal de Marinha.
Deu motivo à escolha deste nome o relatório do capitão de mar-e-guerra Quirino da Fonseca.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 26 de Abril de 1936)

Imagem do aviso de 2ª classe "João de Lisboa"
Foto previamente publicada no blogue NRP Alvares Cabral F336

O ressurgimento da Armada Portuguesa
O lançamento ao mar do aviso “João de Lisboa”
Foi determinado que para o lançamento ao mar do aviso de 2ª classe “João de Lisboa”, que se realiza no dia 21 do corrente, só será nesse dia permitida a entrada no Arsenal de Marinha, das 13 às 17 horas, exclusivamente às pessoas munidas de bilhetes. Os oficiais do exército e da marinha que pretendam assistir a essa cerimónia deverão requisitar os respectivos bilhetes na intendência do Arsenal para si e pessoas de família.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 13 de Maio de 1936)

O ressurgimento da Marinha de Guerra
O lançamento à água do aviso “João de Lisboa”
O sr. ministro da Marinha vai convidar o sr. Presidente do Ministério e restantes membros do Governo, bem como o governador civil, governador militar, major-general do Exército, presidentes da Câmara Municipal e da Assembleia Nacional e outras autoridades civis e militares a assistir ao lançamento do novo aviso “João de Lisboa”.
A madrinha do novo navio será a neta do sr. Presidente da República, que será acompanhada pela esposa do Chefe de estado.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 14 de Maio de 1936)

O lançamento ao mar do aviso “João de Lisboa”
Foi determinado que para o lançamento ao mar do aviso de 2ª classe “João de Lisboa”, que se realiza no dia 21 do corrente, só será nesse dia permitida a entrada no Arsenal de Marinha, das 13 às 17 horas, exclusivamente, às pessoas munidas de bilhetes. Os oficiais do exército e da marinha que pretendam assistir a essa cerimónia, deverão requisitar os respectivos bilhetes na Intendência do Arsenal para si e pessoas de família.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 16 de Maio de 1936)

A nova esquadra
O lançamento ao mar do “João de Lisboa”
O sr. ministro da Marinha foi hoje convidar o sr. presidente do Ministério e ministros a assistir ao lançamento do navio “João de Lisboa”.
Foi publicado pelo Ministério da Marinha um folheto com as características do referido navio.
O pessoal dirigente do Arsenal que colaborou na sua construção foi o seguinte: Capitão-de-fragata engenheiro construtor naval Sousa Mendes, autor dos planos do navio; 1º tenente do mesmo quadro Valente de Almeida, que dirigiu a sua construção; agente-técnico Manuel Simões dos Santos, operário chefe das oficinas de construções navais de ferro; Manuel da Silva Reinaldo, operário chefe das oficinas de máquinas; Silvestre da Silva Tavares, operário chefe da carpintaria de banco; José Dias, operário chefe das oficinas de instalações eléctricas e Teodoro Marques Muller.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 19 de Maio de 1936)

Aviso “João de Lisboa”
O aviso “João de Lisboa”, que vai ser em breve lançado à água tem as seguintes características:
1.048,350 toneladas; comprimento entre perpendiculares 71,42; boca na flutuação 10 metros; imersão em 84; aparelho motor, 2 motores de 1.200 cavalos; velocidade 16,5 milhas; armamento 2 peças Vicker’s Armstrong T.R.150/50; 4 metralhadoras Vicker’s Armstrong anti-aéreas 40/20.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 20 de Maio de 1936)

A recepção ao sr. Presidente da República
a bordo do aviso colonial “João Lisboa”
Realiza-se na próxima quinta-feira o lançamento à água do aviso de 2ª classe “João de Lisboa”. Os oficiais generais da Armada comparecerão às 15,45 horas de grande uniforme na sala de visitas do sr. ministro da Marinha, a fim de acompanharem o sr. comandante Ortins de Bettencourt na recepção do sr. Presidente da República, que entrará no Arsenal pela porta do Ministério da Marinha.
As oficinas do Arsenal fecham ao meio dia ficando o pessoal dispensado do ponto da tarde. A guarda de honra ao sr. Presidente da República formará às 15,30 horas, no Arsenal de Marinha.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 20 de Maio de 1936)

O lançamento ao mar do aviso “João de Lisboa”
O sr. ministro da Marinha foi hoje convidar o seu colega das Colónias a assistir ao lançamento ao mar do aviso “João de Lisboa”.
No momento em que este navio entrar na água todos os navios embandeirarão nos topes, conservando o embandeiramento até ao pôr do sol e salvando, os que o possam fazer, com 21 tiros.
A construção deste navio desde o seu início tem sido dirigida pelo engenheiro construtor naval sr. Vicente Almeida.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 21 de Maio de 1936)

Imagem do aviso de 2ª classe "João de Lisboa"
Desenho previamente publicado no blogue dos navios e do mar

O aviso “João de Lisboa” foi hoje lançado à água com
a assistência do Chefe de Estado e do Governo
O Arsenal regurgita. Estão milhares de pessoas arrumadas por toda a parte. Há bandeiras a flutuar, vasos e festões de verdura. Por sobre um mar de cabeças eleva-se o casco do aviso “João de Lisboa”, que vai ser solenemente lançado à água. As tribunas, forradas de bandeiras e galhardetes estão cheias: muitas senhoras, oficialidade, centenas de convidados. Cá em baixo, ao nível das carreiras, mal se pode andar. O director das construções navais, capitão-de-fragata engenheiro Sousa Mendes, autor dos planos do navio e o seu camarada Valente de Almeida, que dirigiu a construção, recebem cumprimentos afectuosos.
Às 15 horas e 55 minutos, o sr. Presidente da República, seguido pelo Chefe do Governo, e por quase todos os ministros, e pelos almirantes, entra no Arsenal, pela porta de dá acesso ao Ministério da Marinha, sendo recebido e saudado pelo intendente do estabelecimento, sr. almirante Castro Ferreira e por toda a oficialidade.
O navio deslizou inesperadamente pela carreira,
antes do Chefe de Estado chegar à tribuna
Entretanto, um funcionário das Construções Navais vinha a correr avisar de que era conveniente chegar depressa à tribuna, pois o navio, ao retirarem-se as primeiras escoras começava a dar de si, ameaçando deslizar de um momento para o outro. Todos apressaram a marcha a caminho da tribuna, mas já era tarde: o “João de Lisboa”, às 15 horas e 58 minutos descia velozmente pela carreira, arrastando algumas escoras e ameaçando apanhar um operário, que se salvou por milagre. Houve um momento de emoção.
A guarda apresenta armas e a banda rompe com a «Portuguesa». Os clarins soam estridentemente com a marcha de continência. Estrugem as manifestações populares e o novo navio de guerra entra elegantemente nas águas. A meio do rio, divisa-se o fumo das salvas: as unidades da esquadra saúdam com 21 tiros o novo navio.
Quando as pessoas já saíam do Arsenal, o Chefe do Estado dirigia-se para a intendência do estabelecimento, a fim de observar os planos do navio. Ao largo, dois rebocadores pegam no “João de Lisboa” e levam-no para uma bóia. E a multidão começou a debandar…
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 22 de Maio de 1936)

Características do aviso “João de Lisboa”
Nº Oficial: F477 - Iic.: C.T.B.V. - Registo: Lisboa
Construtor: Arsenal de Marinha, Lisboa, 1936
Arqueação: Tab 990,49 tons - Tal 232,41 tons
Deslocamento: St 1.107,00 t - Mx 1.238,10 t - Nm 1.217,90 t
Dimensões: Pp 71,42 mts - Boca 10,00 mts - Pontal 5,00 mts
Propulsão: Man, Alemanha - 2:Di - 8:Ci - 2x1200 Bhp - 16 m/h
Guarnição: 139 tripulantes
A nova esquadra
Estão a decorrer trabalhos em curso no Arsenal, no acabamento do novo aviso de 2ª classe “João de Lisboa”, ali lançado à água há meses. O navio entrou agora em doca seca, a fim de meter as hélices.
Interior e exteriormente todos os trabalhos de conclusão se encontram muito adiantados. Dentro de dois a três meses ser-lhe-ão instalados os motores e a artilharia.
O aviso “João de Lisboa” deverá ser incorporado no efectivo da esquadra em princípios do próximo ano.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 25 de Agosto de 1936)

O navio “João de Lisboa” foi classificado como aviso colonial de 2ª classe, e integrado como a segunda e última unidade da classe “Pedro Nunes”. Entrou ao serviço da Marinha Portuguesa em 1936, tendo navegado com as características de origem até 1961. A partir deste ano e até 1966, alterou o Nº Oficial para A2000, passando à classe auxiliar para continuar a navegar como navio hidrográfico.
Em 1966 foi abatido às unidades da Marinha e posteriormente, após completa transformação, foi-lhe aproveitado o casco para operar como batelão no porto de Lisboa.