quinta-feira, 23 de junho de 2016

Memorativo da Armada


O cruzador “Vasco da Gama”

Como é sabido, o sr. ministro da Marinha mandou desarmar o antigo cruzador “Vasco da Gama”, por não convir para o serviço da Marinha devido à sua antiguidade e já não corresponder às exigências requeridas como unidade naval e não merecer o fabrico que elas requeriam.
Foi mandado suspender a sua entrega à direcção dos Serviços Marítimos para a venda do casco em hasta pública, pois talvez ainda venha a ser empregue como navio mãe dos navios submersíveis, para servir de aquartelamento das praças dos referidos navios e para a atracação dos mesmos.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 6 de Janeiro de 1935)

Cartão postal do cruzador "Vasco da Gama"
Nº 736 - Edição Martins, Lisboa

O casco do antigo cruzador-couraçado “Vasco da Gama”,
foi arrematado em hasta pública por 394 contos
Na Direcção dos Serviços Marítimos, no Arsenal de Marinha, realizou-se esta tarde a praça, para a venda em hasta pública, dos cascos do antigo cruzador-couraçado “Vasco da Gama” e da canhoneira “Bengo”.
Quanto à “Bengo”, foi verificado haver apenas uma oferta inferior à base de licitação, pelo que voltará, mais tarde, a ser aberta nova praça. Já quanto ao casco do “Vasco da Gama” o leilão esteve muito concorrido por empresas nacionais e estrangeiras.
Presidiu o sr. capitão de mar-e-guerra Teixeira Marinho, director dos Serviços Marítimos, ladeado pelos srs. capitão de fragata António de Campos Navarro, subdirector, e o 1º tenente Alves Pinheiro.
A empresa Barry-Rogglifano-Salles, de Paris, apresentou uma proposta em moeda francesa que dava na nossa moeda cerca de 330 contos, ou seja uma oferta superior à base de licitação, que era de 243.770$00.
Ficou decidido, então, passar a licitação verbal e o duelo travou-se animado e renhido, entre aquela casa francesa e a empresa britânica Turner & Hickman, de Glasgow e as ofertas foram aumentando até 394 contos, oferta da casa inglesa.
Os franceses nesta altura deram-se por vencidos.
O pregoeiro anunciou:
Está arrematado, por 394 contos o casco do antigo cruzador-couraçado “Vasco da Gama” à firma britânica Turner & Hickman.
O arrematante entregou imediatamente 10% da sua oferta como determina o regulamento do leilão. Amanhã deverá entregar mais 25%, devendo a parte restante ser paga no acto da entrega do navio. A documentação referente ao leilão vai ser remetida ao Ministério da Marinha, a fim do ministro se pronunciar e autorizar a venda.
Alguns números que demonstram o valor do casco deste navio: 1.050 toneladas de ferro, 550 toneladas de couraça com 20 cm., de espessura, 20 a 25 toneladas de bronze e 70 toneladas de metais diversos.
Um potente rebocador inglês levará do Tejo para Glasgow o casco do “Vasco da Gama”.
Este vaso de guerra foi construído há 60 anos em Inglaterra.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 15 de Outubro de 1936)

terça-feira, 21 de junho de 2016

Histórias do mar português!


O lugre "Diamantino"


Nos estaleiros de Gaia
Nova embarcação
Nos estaleiros de Gaia foi ontem lançada à água uma nova embarcação, o lugre “Diamantino”, destinada ao transporte de mercadorias entre o Porto, Lisboa e Nova Iorque.
Cerca das 6 horas da tarde, depois de terminados os preparativos na carreira, perante numerosa concorrência, a menina Ida de Sousa cortou com uma pequena machada a espia do cepo, que sustinha a embarcação, começando esta a deslizar suave e altaneira pela carreira, no meio de aclamações, não se prevendo a contrariedade que sucedeu quando entrou na água, o que causou certo sobressalto, pois que a embarcação começou a adernar para bombordo, tornando-se a sua inclinação mais sensível quando se deslocaram para o mesmo lado duas pipas de água e um ancorete que estavam a bordo.
Assim adernado, o lugre navegou até meio do rio.
A tripulação, incluindo o capitão, o piloto e mais duas ou três pessoas que estavam a bordo, procurou imediatamente pôr-se a salvo, conseguindo mudar-se para estibordo, aproximando-se da nova embarcação alguns barcos no intuito de prestar socorros.
Felizmente não se deu qualquer desastre, e depois de algumas manobras por homens práticos, conseguiram coloca-lo na posição normal, tendo prestado também auxílio o rebocador “Leão”, ancorado próximo do local.
Às 7 horas da tarde via-se já o lugre na sua posição natural e com amarras lançadas para terra, sendo desde logo deitadas nos porões algumas toneladas de areia, lastro indispensável nas embarcações quando são postas a flutuar.
O “Diamantino” é de 450 toneladas e pertence ao sr. Diamantino José das Neves, da praça de Almeirim, que é representado na cidade pelo sr. João da Cunha e Sousa, considerado comerciante e o capitão do lugre é o sr. Raul Vasques, que conhece, como poucos, a escabrosa vida do mar.
A construção do “Diamantino” esteve a cargo do sr. José da Silva Lapa.
O sr. João da Cunha e Sousa foi muito felicitado e cumprimentado pelo êxito obtido com a construção do novo navio, que vem aumentar a frota de navios destinados a viagens de longo curso.
Quando a nova embarcação, profusamente empavesada de bandeiras, foi lançada à água, foram queimados numerosos foguetes.
O sr. João da Cunha e Sousa ofereceu aos seus amigos um jantar no Palácio de Cristal, assistindo também sua esposa e filhos.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 13 de Setembro de 1919)

Da leitura desta notícia ressalta a curiosidade sobre:
1º - Que lugre é este?
Em sentido oposto à informação prestada na notícia, o lugre “Diamantino” não era um navio novo, bem pelo contrário. Na realidade, o novo proprietário, tal como vem referido no corpo da notícia, decidiu-se por mandar recuperar o cavername de um lugre antigo, que em 1910 tinha sido adaptado a fragata de carga, para operar nos portos do Douro e Leixões.
No período anterior relacionado com a existência deste navio, constata-se ter sido o lugre inglês “Aurora”, construído no estaleiro de J. Petrie, no porto de Montrose, em Inglaterra, com data de Maio de 1869.
2º - Será que o jornalista que relata o evento estava presente, aquando do lançamento do navio à água?
Quanto a esta pergunta, com um alargado benefício de dúvida, talvez tenha estado, mas…

Características do lugre de 3 mastros “Diamantino”
Armador: Diamantino José das Neves, Almeirim
Nº Oficial: B-137 - Iic: H.D.M.O. - Porto de registo: Lisboa
ex “Aurora”, J. Petrie, Montrose, 1869
ex “Aurora”, J. Warrack & Co., Montrose, 1883
ex “Aurora”, J.H. Guilbert & Co., Montrose, 1889
Arqueação: Tab 317,56 tons - Tal 286,03 tons
Dimensões: Pp 39,00 mts - Boca 7,90 mts - Pontal 4,50 mts
Propulsão: À vela

Navio de longo curso, terá seguramente cruzado o Atlântico uma inúmera quantidade de vezes, cumprindo o fim em vista a justificar a sua reconstrução. Seguramente navegou até ao ano de 1934 com o mesmo nome e as mesmas características, perdendo-se-lhe o rasto a partir de 1935.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Leixões na rota do turismo!


Dois navios de passageiros que regressam, uma primeira escala,
com perspectiva  de que todos voltarão ao porto a curto prazo.



Navio de passageiros "Star Legend"
Esteve de visita ao porto no dia 11. Chegou procedente de Lisboa e saiu com destino ao porto do Ferrol.



Navio de passageiros "Thomson Spirit"
Foi o primeiro dos dois navios que estiveram de visita ao porto no dia 16. Em direcção oposta ao navio anterior, chegou procedente de Vigo e continuou a viagem com destino a Lisboa.



Navio de passageiros "Aegean Odyssey"
Apesar dos muitos anos em operação de cruzeiros, esta foi a primeira escala deste navio em Leixões. Chegou proveniente de Lisboa e prosseguiu a actual viagem de cruzeiro com destino ao porto da Corunha.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

História trágico-marítima (CXCII)


O encalhe do vapor “Eider”, no rio Douro

Ontem, cerca das 3 horas e meia da tarde, na ocasião em que seguia rio abaixo, em direcção à barra, o vapor inglês “Eider”, da Mala Real Inglesa, ao chegar ao lugar de Lobeiras de Gaia, próximo aos armazéns da casa Andresen, encalhou nas pedras.
O encalhe deu-se quando o vapor fazia uma manobra, desviando-se ao sul, por causa de uma barcaça fundeada naquele ponto.
Feito o sinal de socorro, dirigiram-se para o local os rebocadores “Luzitania” e “Mars”, que deram vários puxões ao vapor, sem, contudo, conseguir safá-lo, por lhe faltar a maré.
O vapor era pilotado pelo sr. Porfírio da Silva Faustino.
Esperam que na maré da madrugada de hoje, com o auxílio dos aludidos rebocadores, o “Eider” possa safar-se.
……….
O “Eider” foi construído em 1900, é de aço, tem 1.236 toneladas brutas, 779 toneladas líquidas, 230 pés de comprido (70,10 mts), 32 pés de largo (9,75 mts) e 16 e meio (5,64 mts) de pontal, estando matriculado em Glasgow. Tinha vindo de Lisboa receber carga de vinho e outros géneros, destinando-se a Inglaterra. É seu capitão o sr. Derby.
……….
O encalhe do vapor chamou a atenção de muitos curiosos, que estiveram a presenciar as manobras feitas para salvamento do “Eider”.
……….
Além de umas 120 pipas de vinho, pertencentes a uma importante casa exportadora de Gaia, o “Eider” tem ainda um carregamento de sacos de minério, cortiça e diversos géneros.
……….
Ao fim da tarde o vapor tombou um pouco para a margem esquerda. Consta que o vapor ainda não tem nenhum rombo; mas é de presumir que apareça, atendendo que o peso da carga sobre que assenta no rochedo é de umas 400 toneladas.
……….
Esta madrugada os rebocadores seguiram para próximo do “Eider”, a fim de, aproveitando a maré, ver se conseguem safá-lo.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 26 de Outubro de 1919)

Foto do navio "Eider" - Imagem da Photoship.Uk

Características do vapor “Eider”
1900-1926
Armador: Royal Mail Steam Packet Co., Londres
Construtor: Campbeltown Shipbuilding Co., 10.1900
Arqueação: Tab 1.236,00 tons - Tal 779,00 tons
Dimensões: Pp 70,23 mts - Boca 9,93 mts - Pontal 4,98 mts
Propulsão: Hutson & Sons - 1:Te - 3:Ci - 120 Nhp - 10 m/h
dp “Eider”, Union Castle Ltd., Londres, 1926-1936
dp “Stanhill”, Stancope Steam Shipping, Londres, 1936-1936
dp “Docilitas”, Adriatico Tirreno S.A., Génova, 1936-1938
Atacado à bomba em 4 de Maio de 1944, durante um raid aéreo sobre a cidade de Génova, tendo ficado muito danificado. Por esse motivo foi mandado demolir pouco tempo depois.

O vapor encalhado
O vapor “Eider”, da Mala Real Inglesa, que se encontrava encalhado desde sábado, no local de Lobeiras de Gaia, quando se dispunha a sair a barra, em direcção a Inglaterra foi posto a flutuar, na madrugada de Domingo.
Pelas 2 horas e meia de madrugada de ante-ontem, aproveitando a meia maré, foram feitos todos os preparativos para o salvamento, sob a direcção do piloto sr. Porfírio da Silva Faustino, que pilotava o vapor na ocasião do encalhe.
Os trabalhos correram o melhor possível e, tirado o cabo e com o auxílio de um ferro, o vapor começou a flutuar.
Os rebocadores “Luzitania” e “Mars”, deitando então cabos ao “Eider”, endireitaram-no, levando-o rio abaixo até ao lugar do Cavaco, próximo a Gaia, onde fundeou.
Antes de terem procedido ao desencalhe e a fim de aliviar o vapor, foi esgotado um tanque, alijando assim um peso de umas 60 toneladas.
Ontem um mergulhador andou a verificar as avarias que o “Eider” recebera, parecendo que se resumem à amolgadela de umas chapas e a uma avaria no leme.
O capitão do navio sr. Derby, espera ordens de Inglaterra, respeitantes às reparações a fazer no vapor e sua saída.
(In jornal “Comércio do Porto”. terça, 28 de Outubro de 1919)

O vapor “Eider” saiu a barra
O vapor inglês “Eider”, da Mala Real Inglesa, que no sábado último encalhara no rio Douro, quando se dispunha a seguir para Inglaterra, com carregamento de vinho e géneros, após uma demorada vistoria, levantou ontem ferro, de tarde, seguindo ao seu destino, sem novidade.
Como foi dito, o “Eider” apenas ficou com umas chapas amolgadas e uma pequena avaria no leme.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 29 de Outubro de 1919)

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades


O 10 de Junho fora de portas!

Fragata F333 NRP Bartolomeu Dias, em Leixões

A Marinha de Guerra Portuguesa enviou para Leixões a fragata "Bartolomeu Dias", no intuito de alargar o âmbito das comemorações, que este ano decorreram novamente em Lisboa.
A intenção foi seguramente proporcionar um relacionamento mais próximo com a equipa em serviço neste meio naval, abrindo o navio a visitas, durante os três dias do fim-de-semana, em que a fragata permaneceu em Leixões.
A escolha deste navio não podia ter sido mais acertada, pois são raras as oportunidades para ver as novas unidades da Armada, de tal forma que talvez tenha sido mesmo esta a primeira vez que esta fragata fez escala no porto.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Leixões na rota do turismo!


Nova escala do navio de passageiros "Marina"

Com passagem marcada pelo porto no último dia 8, o navio foi recebido com imenso nevoeiro, impossibilitando colher boas imagens para guardar no arquivo pessoal. Já de tarde apareceu o sol, acompanhado por uma desagradável nortada. Enfim, porque não choveu, fica o registo da visita através das fotos que seleccionamos.


Na viagem de cruzeiro em curso, o navio chegou procedente de Lisboa, tendo partido com destino ao porto do Ferrol.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Dia mundial dos oceanos


Uma imagem vale mais do que mil palavras!


E assim vai o mundo...