segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Divulgação


Novo livro publicado pela Comissão Cultural de Marinha


A apresentação deste livro terá lugar na próxima quarta-feira, dia 7 do corrente, em Lisboa. Sendo bem conhecidos os nomes dos autores, é de antever mais um excelente trabalho de recolha de informação histórica e actual do Armorial da Marinha Portuguesa, a justificar muito interesse e aquisição obrigatória.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Leixões na rota do turismo!


Navios em porto durante a segunda quinzena de Novembro

Navio de passageiros "Boudicca"

Duas escalas no período de uma semana, mas em sentido inverso.
No dia 17, o navio chegou ao porto procedente do Funchal, tendo saído com destino a Liverpool. No dia 23, o navio retorna ao porto vindo directamente de Liverpool, continuando esta viagem de cruzeiro com destino ao Funchal.

Navio de passageiros "Stadt Amsterdam"

Este navio, que arma em galera, chegou ao exterior do porto no dia 26, tendo entrado no dia seguinte, vindo procedente de Ijmuiden, como já aconteceu em escalas anteriores. Ficou no porto em visita prolongada até ao dia 29, lamentavelmente com tempo algo desagradável. No último dia de escala, reapareceu o sol e boas condições de mar, a prometer um boa viagem até Las Palmas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O vapor "Maceió"


O Brasil na guerra
O ataque e afundamento do vapor “Maceió”

Na Espanha - Guerra submarina
Madrid, 5 - Chegou a Corcubion uma lancha conduzindo o comandante e 17 tripulantes do vapor brasileiro “Maceió”, torpedeado por um submarino alemão.
Faltam ainda 2 lanchas com 14 homens.
(In jornal "Comércio do Porto", terça-feira, 8 de Agosto de 1918)

Pormenor de quadro com navios da Hamburg-Sud, cerca de 1910
Pintura a óleo de autor desconhecido, sem correspondência ao texto

Características do vapor “Maceió”
Armador: Governo do Brasil
Nº 121 - Iic: N/s - Porto de registo: Rio de Janeiro
Construtor: Bremer Vulkan, Vegesack, 14.12.1910
ex “Santa Anna”, Hamburg Sudamerikanische D.G., 1910-1917
Arqueação: Tab 3.739,00 tons
Dimensões: Pp 107,00 mts - Boca 15,30 mts - Pontal 7,30 mts
Propulsão: Bremer Vulkan A.G., 1:Te - 220 Nhp - 9,5 m/h
Equipagem: 32 tripulantes

O navio foi afundado em resultado do torpedeamento efectuado pelo submarino alemão U-43, que se encontrava sob o comando do capitão Johannes Kirchner, ao largo do cabo Ortegal (norte de Espanha), em 3 de Agosto de 1918, quando em viagem do Havre para Nova Iorque. Não há registo de vítimas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

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Dia Nacional do Mar 2016
em Lisboa


e no Porto


domingo, 13 de novembro de 2016

Divulgação


6.º Encontro da Rede Nacional da Cultura dos Mares e dos Rios
Esposende
19 de Novembro 2016
Comemorações Dia Nacional do Mar

PROGRAMA

1ª Sessão - Local: Museu Marítimo de Esposende
09h30 - 13h00 - Seminário “A construção naval tradicional do Norte de Portugal”
09.00h - Receção
09.30h - Boas vindas e início de trabalhos
10.00h - 10.20h - (conferências) - Ria de Aveiro
10.20h - 10.40h - (conferências) - Vila do Conde
10.40h - 11.00h - (conferências) - Viana do castelo
11.00h - 11.15h - (intervalo) coffee break
11.15h - 11.35h - (conferências) - Esposende
11.35h - 12.00h - Debate
12.00h - 12.20h - Apresentação do documentário “Água” (15m)
12.20h - 13.00h - Visita guiada à exposição: A construção naval na Ribeira do Cávado: os estaleiros de Esposende e Fão
13.00h - 14.30h - Intervalo (almoço livre)
2ª Sessão - Local: Fórum Municipal Rodrigues Sampaio
14.30h - 17.00h - Assembleia Administrativa
14.30h - Inicio dos Trabalhos - Período antes ordem do dia
14.45h - Ordem do dia
15.00h - Leitura e aprovação das Normas da RNCMR
15.30h - Aprovação do Logotipo da RNCMR
15.45h - 16.00h – (intervalo) coffee break
16.00h - Apresentação do relatório do mandato do Município de Esposende
16.15h - Eleição de nova Presidência
17.00h - Fim da ordem dos Trabalhos
17.30h - Cerimónia de Encerramento - Encerramento da Presidência do Município de Esposende na RNCMR 2014-2016
Logotipo proposto para aprovação

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A chalupa lagosteira "Santa Maria"


Portugal e a guerra
O ataque e afundamento da chalupa ao largo de Peniche

Desenho de chalupa sem correspondência ao texto

Características da chalupa
Nº. Oficial: 437-C - Iic: H.S.M.B. – Porto de registo; Lisboa
Armador: João P. Leite, Lisboa
Construtor: Não identificado, Kerity, França, 1910
Arqueação: Tab 55,76 tons - Tal 43,16 tons
Dimensões: Pp 15,70 mts - Boca 5,80 mts - Pontal 2,75 mts
Propulsão: À vela
Equipagem: 4 tripulantes

A chalupa foi canhoneada e afundada pelo submarino alemão U-22, que se encontrava sob o comando do capitão Hinrich Hermann Hashagen, quando se encontrava ao largo de Peniche, em viagem de Lisboa para o Porto, no dia 4 de Julho de 1918.

Náufragos da chalupa “Santa Maria”
Viana do Castelo, 10 – Chegaram ante-ontem à cidade os tripulantes da chalupa lagosteira “Santa Maria”, canhoneada em Peniche.
O seu mestre, sr. Lúcio, disse que os tiros foram certeiros, não lhe dando tempo a salvar coisa alguma, nem mesmo a arrear a gamela.
Nadaram durante 10 minutos até que o submarino os tomou e os conduziu a uma barca da picada, sendo por esta lançados em terra. A bordo do submarino foram muito bem tratados.
O submarino conservou-se à vista da barca da picada até esta alar as redes e navegar para terra, onde chegou às 11 horas da noite. O canhoneio deu-se às 5 horas da tarde.
Os pobres pescadores, sem roupa para mudar, conservaram-se molhados até que em Peniche lhes dispensaram roupas.
(In jornal “Comércio do Porto, quarta-feira, 11 de Julho de 1918)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O vapor "Alentejo"


Portugal e a guerra
A marinha mercante no mar, na Iª Guerra Mundial
Ecos de um tempo ainda presente!


Chegou aqui o capitão da marinha mercante sr. José Águas Ferreira dos Santos, comandante do vapor “Alentejo”, ao serviço da intendência francesa, fazendo o transporte de tropas e munições entre Marselha e Salónica.
O distinto e valoroso oficial que, conforme previamente referido, mereceu recompensa especial pelos actos de bravura e boa administração, veio a Portugal em gozo de licença e simultaneamente para tratar de assuntos relativos aos navios e tripulações portuguesas que se encontram ao serviço da grande república.
Houve na circunstância a oportunidade de abraçar esse valente marinheiro, que tão nobremente tem sabido honrar as tradições portuguesas.
- Todos os oficiais que navegam no Mediterrâneo, servindo a França – diz o sr. Águas Ferreira – encontram-se satisfeitíssimos. As autoridades e o povo francês distinguem carinhosamente os nossos compatriotas.
«A bandeira verde-rubra, que ninguém conhecia, aparece hoje nas vitrinas de todos os estabelecimentos, entre o estandarte dos aliados.» «De Marselha a Salónica já ninguém nos interroga sobre a nossa nacionalidade. Em Salónica, a primeira vez que ali chegou um dos nossos navios foi um sucesso.»
«Desde que o primeiro contingente português pisou o solo da França, a consideração que nos dispensam é redobrada. Sentimos orgulho em poder declarar que somos portugueses.»
«A colónia israelita portuguesa dispõe de grande fortuna.»
«A oficialidade e as tripulações consideram-se como em família no meio daqueles portugueses, uns que mal falam a nossa língua, outros desconhecendo-a por completo, falando o espanhol, o francês, o turco ou o grego.»
«O nosso compatriota de maior categoria em Salónica é o israelita Jac Isaac Molho, conselheiro municipal e vogal da câmara de comércio.
Dispõe de grande fortuna e influência. Tem recebido agradavelmente os marinheiros portugueses, promovendo-lhes recepções carinhosas na loja maçónica de Salónica, em que tem um alto grau.»
«Está a cidade em guerra e, por isso, as manifestações não podem ser ostensivas; mas, nem assim devemos menos à gentileza daqueles compatriotas, perdidos nos confins do Mediterrâneo.»
«Todos lamentam que não se intensifiquem mais as relações com a metrópole lusitana, pelo estabelecimento de navegação direta, e que as funções do cônsul sejam desempenhadas por um francês, o que não contribui para afervorar o espírito da nacionalidade.»
- Quantas vezes visitou já Salónica?
- Seis, respondeu o brioso oficial. E prosseguindo, diz:
«Os nossos navios têm sido felizes. Apenas o “Sagres” foi torpedeado.»
- E como se deu o torpedeamento?
- Não se sabe bem. O navio seguia para Salónica quando, a certa altura, foi torpedeado, e, segundo dizem as tripulações, todos os navios que o comboiavam.
- Então ninguém acudiu a essas tripulações em perigo?
- Não pôde ser. As ordens são rigorosas. Quando surge um submarino, os navios que acompanham o que está sendo atacado tem por dever fugir imediatamente.
- Não há então notícias da tripulação?
- O ataque deu-se a 16 deste mês e a 23 ainda não se sabia dela.
- E como se deu o desastre do “Horta”?
- O navio ia largar para Salónica, com 500 toneladas de gasolina. Eram 6 horas da tarde. Subitamente deu-se a explosão desse combustível e não se sabe qual tenha sido a sua origem.
«O incêndio deu-se no paiol da amarra, onde se encontrava um tripulante, que ficou reduzido a cinza, saindo feridos gravemente dois fogueiros e um marinheiro, que se encontram em perigo de vida num hospital, não havendo esperanças de os salvar.»
«A explosão provocou um extraordinário alarme no cais.»
«Junto do “Horta” estavam outros navios carregados de explosivos, entre os quais o “Alentejo” e o “Sagres”. Felizmente, não corria vento, porque, em caso contrário, a catástrofe seria enorme.»
«A extinção do incêndio terminou às 9 horas da manhã do dia seguinte, pelo afundamento do vapor. Para isso foram chamados dois rebocadores que, com as bombas de pressão, o encheram de água.»
- Perdeu-se então o navio?
- Não, felizmente. Hoje encontra-se já flutuando, tendo já os trabalhos sido executados pelo pessoal da intendência francesa, coadjuvados pelo distinto oficial da armada Lamy, adjunto a essa intendência.»
Despedimo-nos do distinto oficial, agradecendo-lhe as preciosas informação que nos facultou. Soubemos depois que os oficiais ao serviço da Comissão de Transportes Marítimos, que se encontram presentemente em Lisboa, oferecem na segunda-feira um jantar ao seu valoroso camarada sr. José Águas Ferreira dos Santos.
(In jornal "Comércio do Porto", Domingo, 24 de Abril de 1917)

O vapor "Alentejo"
Desenho de Luís Filipe Silva

Características do vapor “Alentejo”
1916-1917
Nº Oficial: N/s - Iic: H.A.L.E. - Porto de registo: Lisboa
Armador: Transportes Marítimos do Estado, Lisboa
Construtor: Schiffswerft Bremer Vulkan A.G., Vegesack, 10.1911
ex “Uckermark”, Hamburg-Amerika Linie, Hamburgo, 1911-1916
Arqueação: Tab 4.312,24 tons - Tal 2.652,06 tons
Dimensões: Pp 121,76 mts - Boca 16,12 mts - Pontal 7,18 mts
Propulsão: Bremer Vulkan A.G. - 1:Te - 2.700 Ihp - 11 m/h

A explosão, em Salónica, a bordo do vapor “Alentejo”
Devido à amabilidade de pessoa completamente informada sobre a explosão e incêndio a bordo do antigo navio alemão “Alentejo”, que teve lugar em Salónica, em que a equipagem se portou de tal forma, que levasse o ministro da marinha de França a conceder ao comandante e a alguns tripulantes a Cruz de Guerra, é agora possível narrar um interessante relato do ocorrido:
No dia 3 de Julho último deu-se uma explosão a bordo do transporte de guerra português “Alentejo”, ao serviço da Intendência de Marinha Nacional Francesa, quando descarregava no cais grego, em Salónica, o material que transportava.
O “Alentejo”, um dos melhores antigos navios alemães, é um navio perfeitamente moderno, com esplêndidos aparelhos de descarga e maquinismos de propulsão muito aperfeiçoados, tendo sempre rendido valiosos serviços aos nossos aliados na rapidez de transporte e facilidade nas operações portuárias.
Comandado pelo jovem, mas entendido capitão sr. J. Marcos de Sousa Magalhães, tinha como chefe de máquinas o sr. Luiz Maria da silva e imediato o sr. L. Vitorino Miranda, todos eles com louvores na marinha francesa, os dois primeiros quando do ataque do “Horta”, o primeiro ainda como imediato e o sr. Silva já como 1º maquinista, e o sr. Vitorino Miranda pelos importantes serviços que sempre prestou a bordo do “Alentejo”, como segundo piloto e já como imediato.
O “Alentejo” que partiu de Marselha a 3 de Junho, com um carregamento de material diverso, seguiu viagem para Bobe (Argélia), onde chegou no dia 5, de manhã, partindo às 5 horas da tarde para Bizerte (Tunísia).
Ancorado neste porto, no outro dia de manhã aguardou ordem de saída, para continuar a sua viagem para Salónica, o que se verificou no dia 5, fazendo durante os 10 dias de viagem uma travessia sossegada e em boas condições de tempo.
Foi, porém, morosa, devido às instruções recebidas no mar, as quais lhe eram fornecidas pelo grande número de vigilantes aliados, e com tanta felicidade que conseguiu sempre evitar um mau encontro, embora para isso tivesse de sacrificar caminho e, portanto, tempo, chegando a Salónica no dia 15, pelas 6 horas da tarde.
Como fosse grande a quantidade de navios a descarregar não encontrou de imediato lugar no cais, descarregando por isso ao largo o correio e os aviões que trazia no convés. No dia 24, pelas 5 horas da tarde, atracou ao cais e começou imediatamente a descarga, marchando sempre tudo com boa regularidade.
No dia 3, estava o navio quase descarregado quando se deu a explosão. Cerca das 8 horas e meia da manhã, uma lingada de caixas de pequenas granadas de espingarda, que estavam a tirar do porão nº3, devido a uma imprudência do pessoal de terra que atendia à descarga, rompeu-se, caindo de uma altura de cerca de 8 metros, produzindo no choque a primeira série de explosões.
Logo começaram os estilhaços a sair pela escotilha. O momento foi horrível. Os estilhaços eram projectados a enorme distância, pondo em perigo tudo o que rodeava o navio.
Os estabelecimentos da cidade que fazem frente ao cais fecharam imediatamente, os armazéns serviram de abrigo ao pessoal que estava no cais, e a bordo dos outros navios foram tomadas precauções a fim de serem evitados novos acidentes causados pelos estilhaços que os atingiram.
O capitão e o primeiro maquinista encontravam-se no camarote, sendo o deste último atingido pelos primeiros estilhaços. Todavia, o seu locatário teve a felicidade de sair dali a salvo.
Encontrando-se o capitão com o maquinista, aquele deu-lhe ordem para alagar rapidamente o porão, o que fez, descendo pela casa das caldeiras, na impossibilidade de descer pela casa das máquinas, visto as entradas desta estarem já crivadas de estilhaços.
Apesar do perigo, visto que as válvulas de comunicação com o porão nº3 estavam justamente a 30 centímetros da antepara do mesmo, onde se estavam dando as explosões, conseguiu o primeiro maquinista que a água entrasse no navio, invadindo violentamente o porão.
As explosões, depois de um intervalo de alguns minutos, recomeçaram, ouvindo-se detonações violentíssimas. Em função do ruído percebeu-se que já não eram só as granadas de espingarda que rebentavam, mas sim as granadas de 120, que começaram a arrombar a antepara da casa da máquina.
A água continuava a invadir o porão, mas agora com mais intensidade, dando a entender que a explosão das granadas a tinha arrombado. As explosões duraram uns 20 minutos, com um intervalo entre cada uma, de 3 a 4 minutos.
Uns rebocadores trataram de afastar o navio da muralha, enquanto os barcos de socorros atacavam imediatamente o porão com máquinas possantes. A rapidez dos socorros tanto do porto como de bordo, foi simplesmente admirável.
Pelo rombo feito na antepara da casa da máquina começou a água a entrar ali, motivo pelo que foram postas as bombas do navio a funcionar. O 1º maquinista conseguiu manter a água sempre na mesma altura, pondo a bomba centrifuga de circulação do condensador principal a funcionar.
Em pouco tempo, o porão onde se deu o acidente tinha a água ao nível da água do mar. Como, porém, esta se conservava sempre na mesma altura, apesar do esplêndido esgoto feito pelas bombas, logo um mergulhador vistoriou o costado no sítio onde se tinha dado a explosão, verificando que, ao canto da antepara do porão para a casa das máquinas, a chapa estava descosida numa extensão de cerca de 1,80 metros e com uma abertura de 2 a 3 centímetros.
Com grande rapidez, o mergulhador tapou a abertura com cunhas e bojões de madeira nos furos dos rebites, começando as bombas dos barcos de socorro a tirar água do porão com tão bom método, que, por volta das 6 horas da manhã seguinte, aquele estava completamente esgotado.
Os primeiros socorros foram prestados com tão boa ordem e sangue-frio, que chegou a parecer um sonho que, num caso tão grave como aquele, o navio se apresentasse ainda perfeitamente direito, como se nada tivesse sucedido.
Vítimas pessoais houve três homens gregos que estavam no porão procedendo à formação das lingadas. O primeiro cadáver foi tirado ainda com a água no porão, sendo empregues todos os esforços para «pescar» os outros, o que não foi conseguido visto estarem enterrados no meio de um montão de madeiras, granadas e estilhaços, etc., encontrando-se um deles num estado verdadeiramente horroroso.
Caso interessante; na coberta estavam dois bois e um carneiro, tendo apenas um dos bois sido atingido, sem importância, por um estilhaço!...
O pessoal do navio, especialmente o capitão sr. Magalhães, o 1º maquinista sr. S.M. da Silva, o imediato sr. Miranda, e o comissário do governo francês, guarda-marinha de 1ª classe, sr. Louis Allaire, foram muito felicitados pelas autoridades superiores de marinha do porto, tendo o sr. comandante naval atribuído a salvação do navio e do restante material existente, ao sangue-frio daqueles senhores e ao bom cumprimento dos seus deveres.
O navio continuou normalmente o resto da sua descarga, enquanto procediam a uma ligeira reparação, a fim de poder ser feita a viagem de regresso a França, o que foi realizado com muita felicidade, partindo de Salónica no dia 15 de Julho e chegado a Marselha no dia 25.
Foram conferidas algumas condecorações da Cruz de Guerra à equipagem do navio, não havendo ainda concessão especial aos condecorados. Consta, porém, nos círculos oficiais em Marselha, que aquelas são atribuídas ao capitão, maquinista, imediato, comissário do governo e carpinteiro, tendo outros a receber votos de satisfação do ministro da marinha da França.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 28 de Agosto de 1917)

Imagem do vapor após as explosões a bordo
(In sítio www.momentosdehistoria.com)

O navio no dia 3 de Setembro de 1917, durante a madrugada, quando se encontrava em Bouches-du-Rhône, Marselha, à partida para mais uma viagem a Salónica, foi-lhe declarado fogo a bordo num dos porões, onde havia sido carregada larga quantidade de granadas explosivas.
Apesar dos esforços levados a cabo pela tripulação para dominar o incêndio, as granadas começaram a explodir obrigando ao abandono do vapor, que se manteve em chamas alterosas durante 48 horas.
No rescaldo do sinistro quanto às causas do incêndio, foi defendida a presunção de sabotagem durante o carregamento do navio, devido à presença nas operações de estiva de diversos prisioneiros alemães.
O “Alentejo” foi por esse motivo dado como perdido.
Na ocasião do incêndio o comandante embarcado era o sr. José Águas Ferreira dos Santos e o imediato era o sr. Alberto Tranqueira da Costa.
Algum tempo depois o governo francês decidiu-se pela recuperação do navio, ficando desde então a navegar com o nome “Victorieux”.
No pós guerra continuou em serviço sob operação do armador J. Puppi, culminando um período de utilização por 4 anos.
Por fim, naufragou em 7 de Fevereiro de 1921, quando em viagem de França para os Estados Unidos, sendo abandonado pela tripulação na posição 39º11’N 49º01’W, com água aberta.