sábado, 14 de setembro de 2019

Dia do porto de Leixões 2019


A Administração do porto de Leixões, Douro e Viana do Castelo
convida a população a participar nas actividades constantes do panfleto
anexo, no dia 21 de Setembro, depois das 10 horas da manhã



Na oportunidade, porque está para breve a comemoração anual do porto, aproveitamos para divulgar as obras previstas para um futuro próximo, no sentido de rentabilizar espaços, promovendo novas acessibilidades para os navios de passageiros, mas também melhorar as condições do porto de pesca, através da implantação de meios e equipamentos necessários a esta actividade, tais como o prolongamento e beneficiação das pontes-cais, uma nova fabrica de gelo e um entreposto frigorifico.


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Divulgação!


Newsletter Nº 6 da Associação GANNO
Grupo de Arqueologia Naval do Noroeste

Já se encontra disponível para consulta a mais recente newsletter da Associação, através do sítio «associacaoganno.blogspot.com», abordando os seguintes assuntos relacionados com o nosso universo marítimo.


"A fé do homem do Mar", por José Eduardo Felgueiras, pp 1/4; "A casa do facho das Caxinas, Vila do Conde", por Manuel Martins Rego, pp 5/6; "A benção dos navios da frota bacalhoeira, Parte 3, Porto 1938, por Reinaldo Delgado, pp 10/12; "As agulhas de marear construídas na Póvoa de Varzim e usadas na pesca, no norte e centro de Portugal", por Alexis Passechnikoff, pp 10/12; "O monte de Nossa Senhora da Luz revisitado", parte 5, pelo cmdte. António Cambraia Duarte, pp 13/15; e finalmente o habitual "Escaparate", pp 16.
Pelo interesse e bom acolhimento que a newsletter tem merecido, desde o início da publicação, propomos boas leituras.

domingo, 8 de setembro de 2019

Leixões na rota do turismo! (9-19)


Navios em porto durante o mês de Julho

Em relação às escalas de navios, é inutil repetir o comentário feito na notícia anterior, porque de facto não tem explicação a quase total ausência de navios em porto, principalmente num período em que estão pensadas obras a propiciar o aumento de cais acostaveis para receber mais cruzeiros. Assim sendo, há que esperar que o futuro prove o quanto hoje estamos errado.

Navio de passageiros "The World"
No dia 4, chegou procedente de Lisboa, tendo saído para Santander

Navio de passageiros "Sea Dream I"
No dia 14, chegou procedente de Vigo, saíu com destino a Lisboa

Navios em porto durante o mês de Agosto

Como de novo se comprova, este mês foi igualmente parco de navios em porto, e quase todos eles já conhecidos de visitas anteriores. A única excepção recai sobre a primeira escala do navio "Riviera", o que é sempre agradavel de registar.

Navio de passageiros "Stad Amsterdam"
No dia 11, veio procedente de Malaga, tendo partido para Brest

Navio de passageiros "Mein Schiff 3"
No dia 16, veio procedente da Corunha, tendo seguido para Lisboa

Navio de passageiros "Riviera"
No dia 22, veio de Lisboa, seguindo viagem para Le Verdon-sur-Mer

Navio de passageiros "Sea Cloud II"
No dia 29, veio procedente de Vigo, saiu com destino a Lisboa

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Leixões na rota do turismo! (8-19)


Navios em porto durante o mês de Junho

Porque os apontamentos sobre as escalas de navios de passageiros em porto estavam com algum atraso, é agora tempo de actualizar a informação respeitante a Junho, e brevemente se dará notícia das visitas em Julho.
Como é fácil perceber, o número de escalas neste mês caiu quase para metade do mês anterior, levando a especular sobre a ausência de oferta de diferentes atrativos, além daqueles que tem vindo a ser continuadamente explorados, no sentido de motivar a falta de interesse dos armadores pelo norte do país neste período, tanto mais que por norma há habituamente boas condições de tempo e mar.

Navio de passageiros "Berlin"
No dia 1, chegou procedente de Lisboa, tendo saído para a Corunha

Navio de passageiros "Costa Pacifica"
Também no dia 1, veio de Lisboa, seguindo para St. Peter Port

Navio de passageiros "Azamara Journey"
No dia 2, chegou procedente de Lisboa, tendo saído para St. Malo

Navio de passageiros "Europa"
Também no dia 2, veio de Lisboa, e saíu com destino à Corunha

Navio de passageiros "Crystal Serenity"
No dia 5, veio de Lisboa, e também saíu com destino à Corunha

Navio de passageiros "Silver Spirit"
No dia 7, chegou procedente de Lisboa, tendo saído para St. Malo

Navio de passageiros "Insignia"
No dia 13, veio procedente de Lisboa, também saindo para a Corunha

Navio de passageiros "Star Pride"
Também no dia 13, veio procedente de Lisboa, seguindo para o Ferrol

Iate utilizado no transporte de passageiros "Were Dreams"
No dia 15, veio procedente de Portimão, tendo saído para Londres

Navio de passageiros "Sea Dream I"
No dia 28, veio procedente de Lisboa, seguindo com destino a Vigo

domingo, 1 de setembro de 2019

Leixões na rota do turismo! (7-19)


Navios em porto durante a segunda quinzena de Maio

Depois do que foi dito na parte inicial desta notícia, não há informações relevantes a acrescentar, exceptuando lembrar o regresso a Leixões, creio que pela segunda vez, do navio "Aida Bella" e ainda chamar a atenção para a mudança de operador do navio "Deutschland", que apareceu desta feita com o casco torneado a verde, substituindo os anteriores tons avermelhados.

Navio de passageiros "Ocean Majesty"
No dia 18, chegou procedente de Lisboa, seguindo viagem para Kiel

Navio de passageiros "Boudicca"
No dia 20, chegou procedente de Dover, tendo saído para Malaga

Navio de passageiros "Aida Bella"
Também no dia 20, veio de Lisboa, tendo saído para a Corunha

Navio de passageiros "Black Watch"
No dia 21, veio de Lisboa, saindo com destino a Liverpool

Navio de passageiros "Deutschland"
No dia 24, chegou procedente de Lisboa, tendo partido para Rouen

Navio de passageiros "Sea Cloud II"
Também no dia 24, veio procedente de Lisboa, tendo saído para Vigo

Navio de passageiros "Seven Seas Explorer"
No dia 25, chegou procedente de Lisboa, saindo para a Corunha

Navio de passageiros "Marina"
No dia 26, chegou de Lisboa, tendo saído com destino a Bilbao

Navio de passageiros "Nautica"
No dia 25, chegou procedente de Lisboa, saindo para a Corunha

sábado, 31 de agosto de 2019

História trágico-marítima (CCCX)


Sinistros marítimos nas proximidades da ilha Graciosa, Açores

São diversos os navios que se perderam por encalhe ou naufrágio nesta ilha do arquipélago açoriano, uns que por força do material empregue na sua construção ainda deixam vestígios, visitados ocasionalmente por mergulhadores, outros dos quais resta apenas a lembrança da sua existência, na actividade comercial ou na pesca.
Da lista de sinistros constam os seguintes navios: o vapor “Mazzini”, encalhou em 31 de Março de 1925, posteriormente desfeito pelo mar; o iate “Helena”, encalhou no Portinho da Barra (Santa Cruz), em 2 de Junho de 1927, entretanto recuperado, continuando a operar inter-ilhas, porém sem registo nas listas de navios nacionais; o cargueiro “Terceirense” encalhado próximo do ilhéu da praia, em 17 de Janeiro de 1969; o navio-motor “Santo Amaro”, foi vitima do estado do mar, em 11 de Abril de 1986, no porto de São Mateus, no início de uma viagem de cabotagem para Angra do Heroísmo; o porta-contentores “Corvo”, encalhou no ilhéu da praia de São Mateus, em 15 de Dezembro de 2000, quando se preparava para fazer a manobra de atracação no porto; e finalmente a traineira “Guernica”, em 12 de Fevereiro de 2001, na baía da Folga, próximo do morro do Tufo.

Imagem do vapor "Brescia" que foi depois "Mazzini"
Foto da colecção de Sammlung Gerg Fiebiger

Características do vapor “Mazzini”
1920 - 31.3.1925
Armador: Cooperativa Garibaldi, Génova, Itália
Construtor: A.G. “Weser”, Bremen, Junho de 1913
ex “Spitzfels”, Hansa D.D.G., Bremen, 1913-1915
ex “Brescia”, Governo Italiano, Génova, 1915-1920
Arqueação: Tab 5.809,00 tons - Tal 3.643,00 tons
Dimensões: Pp 128,10 mts - Boca 17,13 mts - Pontal 9,02 mts
Propulsão: Do construtor - 1:Te - 3:Ci - 520 Nhp - 11,5 m/h

Imagem do navio-motor "Terceirense", em Leixões
Foto do espólio da Fotomar, Matosinhos

Características do navio-motor “Terceirense”
1948 - 17.1.1969
Nº Oficial: H383 - Iic: C.S.D.Z. - Porto de registo: Lisboa
Armador: Empresa Insulana de Navegação S.A.R.L., Lisboa
Construtor: Grangemouth Dockyard Co., Ltd., Escócia, 1948
Arqueação: Tab 1.295,11 tons - Tal 655,75 tons
Dimensões: Pp 71,89 mts - Boca 12,26 mts - Pontal 3,82 mts
Propulsão: Mirrlees, Bick. & Day - 2:Di - 2x648 Bhp - 9,5 m/h

O “Terceirense” encalhou e afundou-se junto da ilha Graciosa,
em frente da vila da Praia, no arquipélago dos Açores
Na madrugada de hoje, devido ao meu tempo no Atlântico, o navio de carga “Terceirense”, da Empresa Insulana de Navegação, encalhou na ilha Graciosa, arquipélago dos Açores, e, em consequência do rombo sofrido acabou por se afundar em frente da vila da Praia. Toda a tripulação foi salva e encontra-se bem na Graciosa, devendo, ainda hoje, ser conduzida para Angra do Heroísmo, no navio “Cedros”, da mesma empresa armadora, que seguiu imediatamente para o local.
O “Terceirense” foi construído na Escócia, em 1948, para a Empresa Insulana de Navegação, e deslocava 2.713 toneladas. A sua tripulação era constituída por 23 homens.
Duas horas depois do sinistro que levou o “Terceirense” a afundar-se, o comandante do navio, Sr. João José de Azevedo, prestava as seguintes declarações:
«O “Terceirense”, que faz a carreira entre as ilhas dos Açores, saíra de Lisboa em 7 de Janeiro, fazendo escala nas ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira e Graciosa, de onde devia seguir, ainda hoje, para a Calheta de São Jorge, Pico e Faial, regressando a Lisboa no Domingo, ou na segunda-feira, conforme o serviço neste último porto.
Durante a noite e a manhã de ontem, suportou violento temporal. A certa altura, a visibilidade tornara-se quase nula, lutando o navio com vagas enormes. Ao aproximar-se da ilha Graciosa, passou por cima de uma rocha, que lhe rasgou o fundo. A água invadiu imediatamente a casa das máquinas e o porão nº 3, através dos rombos provocados à ré. Entretanto, a água chegou aos geradores, e, a partir de então, as bombas ficaram impossibilitadas de trabalhar no esgotamento».
«Era o fim – prosseguiu comovido o capitão João Azevedo. Lentamente, o casco desapareceu nas profundezas do mar. Eram 10 horas e 12 minutos locais, duas horas mais em Lisboa, quando deixou de avistar-se a silhueta do navio, que, durante tantos anos, lutara galhardamente contra a braveza do mar imenso».
E continuou: «Verificando que nada havia a fazer, dei ordem para que os tripulantes abandonassem o navio, utilizando os meios de salvamento que, entretanto, chegavam da praia da Graciosa. Em várias lanchas, os 23 tripulantes, puseram-se a salvo.»
«O “Terceirense” não trazia passageiros, mas estava com os porões cheios de carga diversa, que se perdeu. Puderam, no entanto, salvar-se as malas de correio, à excepção das embarcadas ontem, à tarde, em Angra do Heroísmo, e de todas as encomendas postais.
E, terminando: «Toda a tripulação, que se portou condignamente, não esboçando qualquer momento de pânico deve regressar, ainda hoje, a Lisboa, a bordo do “Cedros”.»

Imagem do navio porta-contentores "Corvo"
Foto em bilhete-postal emitido pela empresa armadora

Características do navio “Corvo”
1989 - 15.12.2000
Nº Oficial: N/d - Iic: C.S.D.V. - Porto de registo: Ponta Delgada
Armador: Mutualista Açoreana de Transp. Marítimos, Ponta Delgada
Construtor: Werft Nobiskrug GmbH, Rendsburg, Alemanha, 1980
ex “Stemwede”, 1980; ex “España”, 1984; ex “Ville de Tyr”, 1985; ex “España I”, 1986; ex “Manafoss”, 1987; ex “Orient Success”, 1989
Arqueação: Tab 2.937,00 tons - Tal 1.217,00 tons
Dimensões: Pp 89,01 mts - Boca 15,73 mts - Pontal 8,01
Propulsão: Kloeckner-Humboldt-Deutz A.G., Colónia, 13 m/h

Depois do que é dado observar através do relato muito concludente do capitão Sr. João Azevedo, do navio “Terceirense”, permite de alguma forma perceber da dificuldade que existe em manobrar qualquer tipo de navio, face às condições adversas de tempo e mar, que os navios enfrentam, principalmente durante os meses de inverno.
Apesar da falta de mais informação relativa aos sinistros dos navios “Mazzini” e “Corvo”, os sinistros sugerem a eventualidade de terem encontrado situações muito similares, arrombando os cascos sobre rochedos, com a inevitável entrada de água nos porões, dificultando seriamente as tentativas de salvamento. Tanto que no caso do navio “Corvo”, apesar dos trabalhos levados a cabo pelo rebocador “Pêro de Teive” da Junta Autónoma do porto de Ponta Delgada e da corveta da Marinha “João Coutinho” nesse sentido, os resultados resultaram infrutíferos.
Convém nesta fase, por ser da maior justiça, deixar uma nota de louvor aos pescadores locais, que prestaram auxílio em todos os sinistros aqui relatados, salvando a vida das tripulações, em condições de extrema dificuldade, tendo sido somente utilizado um helicóptero «puma» da Força Aérea, no resgate dos pescadores da traineira “Guernica”, igualmente com sucesso.
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Fontes consultadas: Quaresma, Amilcar Goulart, Maresias III, publicação do jornal “O Dever”, Madalena, Pico, 2001 e jornal "O Século", de sábado, 18 de Janeiro de 1969

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Leixões na rota do turismo! (6-19)


Navios de passageiros em porto na primeira quinzena de Maio

É nestas ocasiões que devo confessar a minha pouca apetência para registar recordes de escalas de navios de passageiros em Leixões, porém, estarei muito perto da verdade ao considerar este mês como um dos mais conseguidos, pelo menos depois da construção da nova estação de passageiros.
Não vieram ao porto navios pela primeira vez, situação que saudamos sempre pelo trabalho que vem sendo desenvolvido junto dos armadores, todavia merece ser mencionado um navio já conhecido de viagens anteriores, agora rebaptizado "Marella Discovery 2".

Navio de passageiros "Mein Schiff 5"
No dia 4, veio de Lisboa, também saído com destino à Corunha

Navio de passageiros "Marella Discovery 2"
No dia 6, chegou de Ponta Delgada, também viajando para Lisboa

Navio de passageiros "Star Breeze"
No dia 7, veio procedente de Lisboa, saindo com destino ao Ferrol

Navio de passageiros "Le Boreal"
Ainda no dia 7, veio de Lisboa, também saído com destino à Corunha

Navio de passageiros "Black Watch"
No dia 8, veio procedente de Malaga, saindo com destino a Liverpool

Navio de passageiros "Mein Schiff 4"
No dia 9, veio procedente de Lisboa, saíu com destino à Corunha

Navio de passageiros "Artania"
No dia 10, veio também de Lisboa, saindo com destino a Falmouth

Navio de passageiros "Corinthian"
No dia 11, chegou procedente de Lisboa, saindo com destino a Vigo

Navio de passageiros "Braemar"
No dia 15, veio procedente de Lisboa, saíu com destino à Corunha

sábado, 6 de julho de 2019

Divulgação!


Tertúlia de encerramento do Seminário do Mar


quinta-feira, 4 de julho de 2019

A viagem do navio "Gil Eanes" em 1941


A assistência aos pescadores do bacalhau

O “Gil Eanes” entrou no Douro depois de ter percorrido 10.250 milhas
O auxílio prestado aos tripulantes dos lugres na Gronelândia e na Terra
Nova e a homenagem fúnebre a um pescador sepultado sob os gelos

Só às 17 horas havia maré que facilitasse a entrada na barra do rio Douro a vapores de grande calado, e o “Gil Eanes” que apareceu muito cedo à vista, teve de manter-se imobilizado, desde as 7 horas e meia, defronte da Foz do Douro.
Especialmente à margem direita, afluíram numerosas pessoas para verem essa magnifica unidade da nossa briosa e heróica marinha de guerra – esse vapor hospital e de apoio aos pescadores portugueses que passam parte do ano nas paragens perigosas e longínquas da Gronelândia e da Terra Nova.
O “Gil Eanes” tem larga folha de serviços prestados aos pescadores – o povo não o ignora – mas é quase desconhecido no Porto, onde não entrava há mais de 20 anos. E se não fosse trazer de Nova York mil e trezentos quintais de bacalhau, não teríamos ainda agora a sua visita, que, pode afirmar-se, nos honra e sensibiliza.
Quando no mastro do marégrafo foi hasteado o sinal de entrada, o “Gil Eanes” endireitou para a garganta da barra, onde entrou quase ao escurecer. Na amurada viam-se filas de marinheiros em formação impecável, pondo o branco dos seus uniformes agradável contraste na cor cinzento-escuro do transporte de guerra. Num e noutro ponto havia pessoas a acenar com lenços: era a saudação do povo que assim manifestava a sua admiração e simpatia por aquelas nove dezenas de portugueses, agora regressados da altíssima missão de assistência social em cumprimento de louvável incumbência do Governo.
O vapor-hospital ancorou próximo de terra entre o Bicalho e Massarelos, após as saudações do estilo à passagem junto da canhoneira “Zaire”.
Os directores do Grémio dos Armadores de Navios de Pesca do Bacalhau, srs. João Testa, Silva Rios, José da Cunha Teixeira, Luiz Ferreira de Carvalho e Manuel da Silva Teixeira, foram as primeiras pessoas a ir a bordo. Depois, muitos barcos acostaram ao “Gil Eanes”, subindo a escada de portaló as famílias de oficiais e marinheiros.
Neste primeiro encontro – como aliás em todos os encontros nestas circunstâncias – deram-se cenas enternecedoras: esposas que não se cansavam de abraçar os maridos e filhos que os pais apertavam, demoradamente, contra o peito…
O comandante, sr. Zolá da Silva – oficial distinto que não abandonou o seu posto sem ver terminadas as manobras de amarração – recebeu os visitantes. Era a ocasião de troca de cumprimentos, depois do comandante da “Zaire”, 1º tenente sr. Manuel Coelho de Carvalho, compareceram o chefe do Departamento Marítimo do Norte, capitão de mar-e-guerra Rodrigues Coelho e um representante do sr. general Gaudêncio José da Trindade, comandante da 1.ª Região Militar.
Acompanhados pelo sr. 2º tenente Veiga Ricca, alguns convidados visitaram a enfermaria – magnifico salão que não fica a dever coisa alguma a enfermarias de determinados hospitais – consultório, sala de operações e outras secções de saúde.
O “Gil Eanes” trouxe, doentes, alguns tripulantes de lugres. São eles: José Custódio Brandão, do “Neptuno IIº”; João Charana e Raul dos Santos Cego, do “João José IIº”; Manuel Pereira Marçal, do “Lusitânia IIIº”; António da Silva Viegas e David Oliveira Dias Cangalhos, do “Aviz”, e “João Alves Moreira, do “Labrador”.
A bordo regressou também a Portugal o jornalista sr. Jorge Simões, que acompanhou a faina dos pescadores na Gronelândia e na Terra Nova, durante os meses desta safra.

O navio em Leixões - Imagem da Fotomar, Matosinhos

O que foi a viagem do “Gil Eanes”
O magnífico vapor-hospital saiu de Lisboa em 16 de Junho findo com rumo a Ponta Delgada, Horta e Flores, onde tocou. Fez rumo, depois, aos Bancos da Terra Nova, chegando nos dias 28 e 29 do mesmo mês ao Virgin Rocks e ao Sul do Grande Banco. Passou correspondência, encomendas, cabos, aparelhos e mantimentos para 7 lugres portugueses e um bacalhoeiro francês de St. Mallon, hospitalizando alguns tripulantes.
Em St. John’s, onde entrou no dia 1 de Julho, permaneceu até ao dia 21. Nessa ocasião iniciou o segundo cruzeiro de assistência aos lugres, e na Terra Nova, prestou-lhes de novo auxílio, recebeu mais doentes e entregou outros já restabelecidos, No dia 27 de Julho o “Gil Eanes” seguiu para o Estreito de Davis, entrando em comunicação rádio-telegráfica com os restantes navios portugueses, os quais, em número de 35, estavam a pescar no Banco Store, muito para além do círculo polar, entre 67-68 graus de latitude Norte.

Na baía de Olstemborg, o trabalho foi intensíssimo
Durante os dias que se seguiram e depois de ter fundeado junto do primeiro lugre, o “Navegante Iº”, na baía de Olstemborg, não mais o navio-hospital deixou de efectuar um trabalho intenso, quase sem interrupção, por vezes em desfavoráveis condições de tempo e mar, mesmo com nevoeiro, navegando de um para outro navio, recebendo doentes e efectuando consultas e tratamentos que ascendem a centenas no total, entregando isca para a pesca, óleos combustíveis e de lubrificação, cartas e encomendas aos milhares, expedindo e recebendo rádios, que tinham de ser cifrados e cujo número, durante toda a campanha, andou à volta de oito mil.
A guarnição do “Gil Eanes”, nesta época do ano em que não existe noite, trabalhou com enorme dedicação e espírito de sacrifício.
Mais tarde, o transporte de guerra navegou para o Norte, com rumo à ilha de Disko, em demanda do porto de Godhavn, onde fundeou na tarde de 8 de Agosto.

Os nossos marinheiros foram alvo de manifestações de simpatia
por parte dos esquimós
A recepção feita à guarnição do transporte português pelas autoridades dinamarquesas da ilha de Disko e pela população esquimó, teve em todos os momentos aspectos de grande cordialidade. Entre os duzentos e sessenta habitantes da minúscula capital da Gronelândia do Norte tem este navio as melhores tradições. Efectuaram-se diversas festas em terra e a bordo, traduzindo todas elas o bom entendimento, que desde a primeira visita do “Gil Eanes” se mantém e mais se estreita de ano para ano entre os marinheiros portugueses e essa hospitaleira gente que vive num dos últimos pontos habitados do globo.
O governador-geral da Gronelândia foi de Godthaab, na escuna “Maaven”, apresentar cumprimentos ao comandante. Acompanhava-o o vice-cônsul da América do Norte na referida cidade, como representante da Nação protectora da Colónia.

«Aqui repousa um pescador português – rezai pela sua alma»
No cemitério local ficou sepultado José Salvador Mendes, da Fuzeta, Algarve, que pertenceu à companha do lugre “Maria da Glória” e que faleceu a bordo do navio-hospital, quando este se encontrava fundeado na ilha de Disko, vitimado por uma disenteria amibiana.
O funeral constituiu emocionante manifestação de sentimento. Incorporaram-se nele o comandante, oficiais, sargentos e todo o pessoal disponível da guarnição; as autoridades da ilha, toda a população indígena, envergando esta os seus pitorescos trajes de cerimónia e de gala. O rev. Adelino da Silva Vieira presidiu ao funeral, devidamente paramentado, e fez as encomendações do ritual.
Desceram a meia adriça as insígnias do navio, das embarcações do porto e as bandeiras dinamarquesas da cidade. A sepultura, que ficou entregue à guarda carinhosa da população, e que nesta data deve estar coberta pelo imaculado lençol de neve que tudo envolve, tem uma cruz branca a assinalá-la, e uma inscrição funerária, que diz: Aqui repousa um pescador português – Rezai pela sua alma.
Feita a aguada e uma estafante faina de carvão, o navio levantou ferro, sendo de assinalar a comovente despedida dos esquimós, que vieram em grupos, através da penedia, acompanhando a marcha do “Gil Eanes”, até que este dobrou a ponta da península de Godhavn e se encobriu por detrás do Monte dos Apóstolos, só ficando visível por mais algum tempo, como derradeiro sinal a cabana do explorador.
O vapor fez várias viagens, redobrando a assistência médica, aportando duas vezes à capital da Terra Nova. Tudo decorreu sem um conflito e sem uma atitude menos correcta dos portugueses, ao contrário do que sucede com marinheiros e soldados de outras nações, que actualmente infestam as ruas da cidade servida pelo porto de St. John’s.

O navio em lisboa - Imagem de autor desconhecido

Rumo a Nova York
O comandante Zolá da Silva deu ordens para largar. Momentos depois da saída do porto, souberam do afundamento do “Normandie”, em virtude de uma tempestade. Ainda uma visita aos lugres, hospitalização de mais doentes e a rota foi marcada para Nova York.
Vinte e quatro horas depois de passar pelo barco-farol de Nantucket, fundeado em pleno oceano, a marcar os baixios deste nome e que estabelece, por assim dizer, o primeiro contacto da navegação com os Estados Unidos, recebiam piloto. O transporte entrava no comprido canal de vinte e duas milhas, cuidadosamente balizado, que conduz, por mar, à maior cidade do mundo. A estibordo sucediam-se as praias e edifícios sumptuosos de Atlantic City.
Já muito próximo dos famosos arranha-céus de Manhattan, o transporte salvou à terra com vinte e um tiros e foi correspondido por forma igual, ao tempo que entravam no navio os oficiais da Marinha norte-americana, que em nome do chefe do Naval District, de Nova York, vinham apresentar cumprimentos de boas-vindas. A imprensa dessa tarde e a da manhã seguinte referiu-se em termos bastante lisonjeiros à visita do transporte-hospital português.
Não tinha a acidental visita do “Gil Eanes” aquela cidade americana, qualquer carácter representativo ou diplomático. Mas o Governo de Washington quis aproveitar a oportunidade para testemunhar a maior simpatia por Portugal. Designou para oficial às ordens do comandante Zolá da Silva, o tenente Anthony Santos, filho de portugueses.

A homenagem da Marinha norte-americana e do ministro de Portugal
Este oficial manteve-se em Nova York durante a permanência de vinte e dois dias que o transporte ali esteve, e ofereceu no Waldorf Astoria Hotel, de renome mundial, um banquete aos oficiais portugueses, durante o qual foram trocados significativos brindes. Aos marinheiros, em nome do Almirantado, ofereceu um interessante passeio e proporcionou-lhes entrada em alguns dos mais famosos espectáculos.
O ministro de Portugal, dr. João de Bianchi, visitou igualmente o “Gil Eanes”, acompanhado pelo primeiro-tenente engenheiro maquinista naval, Faria e Silva, actualmente adido à Delegação e capitão Saavedra de Figueiredo, director da Casa de Portugal em Nova York. Na câmara dos oficiais, pronunciou o ilustre diplomata um breve discurso exaltando a missão dos navios de guerra e dos oficiais da Armada em portos estrangeiros, visto que eles são sempre e em qualquer caso, dos melhores embaixadores do nosso país.
A permanência do transporte nesse porto da América do Norte marcou como um grande acontecimento para os portugueses residentes em Nova York, Brooklin, Newark – onde vivem mais de seis mil nossos compatriotas, quase todos da região de Ílhavo e Aveiro; Elizabeth, White Plaines, e até de Providence, New-Bedford e Fall River, de onde, apesar da distância vieram portugueses visitar o “Gil Eanes”. As festas e recepções oferecidas por muitas colectividades em honra dos oficiais e da guarnição do navio decorreram entusiasticamente.

O regresso a Portugal
A despedida teve aspectos de sincera emoção. O “Gil Eanes” largou de Nova York ao anoitecer do dia 10 do corrente, ou, praticamente, à uma hora da madrugada G.M.T. do dia 11, visto haver 5 horas de diferença nas duas longitudes entre a América do Norte e o nosso país. A viagem directa de Nova York ao Porto efectuou-se normalmente, embora por vezes com mau tempo, à velocidade média de dez nós.
O “Gil Eanes” manifestou, uma vez mais, neste cruzeiro, durante o qual teve de suportar mau tempo, as suas esplendidas qualidades de navegação. Os pescadores que transporta, devem desembarcar nesta cidade. O navio demorar-se-á no rio Douro o tempo indispensável para descarregar o bacalhau, seguindo, depois, para Lisboa.

Números eloquentemente elucidativos
O “Gil Eanes” distribuiu aos lugres 3.000 cartas e 800 encomendas enviadas pela família dos pescadores. Expediu 8.000 rádios. Transportou ainda isca para os navios, gasóleo, provisões e mantimentos, água, prestou-lhes, enfim, aquela assistência de que eles carecem e que por cada ano decorrido se torna mais eficaz, graças à dedicação dos oficiais e marinheiros da Armada e à organização corporativa da indústria no respectivo Grémio dos Armadores.
O navio percorreu as seguintes distâncias: Lisboa-Ponta Delgada, 830 milhas em 81 horas e 41 minutos; Ponta Delgada-Horta, 150 milhas, em 13 horas e vinte minutos; Horta-Flores, 130 milhas em 15 horas e cinquenta minutos; Flores-St. John’s, 1.250 milhas, em 171 horas e trinta e cinco minutos; St. John’s-Godhavn, 1,670 milhas em 230 horas e cinquenta minutos; Godhavn-St.John’s, 1.920 milhas em 261 horas; St. John’s-Nova York, 1.350 milhas em 181 horas e vinte e dois minutos e Nova York-Porto, 2.950 milhas em 300 horas aproximadamente.
No total cobriu 10.250 milhas em cerca de 1.284 horas. Hospitalizou cerca de 60 pescadores, fez perto de um milhar de tratamentos e na enfermaria aplicaram à volta de duas mil injecções.

A guarnição do “Gil Eanes”
Compõe-se de 15 sargentos, 75 praças e dos seguintes oficiais, a guarnição do “Gil Eanes”: Comandante, capitão-tenente Zolá da Silva; imediato, primeiro-tenente José Gomes Ramos; médico, segundo-tenente Veiga Ricca; segundos-tenentes de marinha, Bandeira Ennes, Gomes Trindade, Limpo Toscano e Pires Cabral; primeiro-tenente da administração naval, Jorge Esteves; segundo-tenente condutor de máquinas, Rafael Ventura e o sub-tenente condutor de máquinas, Pereira Teles. O “Gil Eanes” tem como capelão o rev. Adelino Silva Vieira, que foi designado pelo patriarcado de Lisboa para assistir espiritualmente aos pescadores.
(Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 24 de Outubro de 1941)

sábado, 29 de junho de 2019

A regata dos barcos rabelos no dia de S. João


Festa dos rabelos, do santo e naturalmente do vinho do Porto

Velas ao alto e largada, rumo à ponte D. Luís

Rabelo 6, registo P-77-AL, nome "Quinta dos Canais", da Cockburns

Rabelo 15, registo P-112-AL, nome "Porto Ferreira", da Ferreira

Rabelo 13, registo P-78-AL, nome "Rio Torto II", dos vinhos Dow's

Rabelo 9, registo P-110-AL, nome "Quinta da Cavadinha", da Warre's
Rabelo 11, registo P-159-AL, nome "Panascal", dos vinhos Fonseca

Rabelo 14, registo P-70-AL, nome "Vau", da Sandeman

Rabelo 1, registo P-49-AL, nome "Quinta dos Malvedos", da Graham's

Parte dos rabelos concorrentes alinhados e em bom ritmo

Cumpriu-se este ano a 36ª edição desta regata, para novamente proporcionar um espectáculo de alegria e côr, que seguramente agradou aos milhares de pessoas, que se foram juntando ao longo das margens do Douro. A corrente do rio esteve perfeita para a prova e a brisa que soprava de noroeste funcionou na perfeição para encher as velas dos barcos. Por isso a "corrida" fluiu com normalidade, sem qualquer registo de incidentes.
O barco rabelo da Sandeman, por ter concluído a prova mais rápido do que os demais ficou em 1º lugar, e por uma questão de justiça os restantes garantiram a 2º posição.
Está mais uma vez de parabéns a Confraria do Vinho do Porto, pelo trabalho e incessante disponibilidade posto na organização desta regata, desde há muito um dos principais ex-libris da cidade.