quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

História trágico-marítima (CCXLIII)


O incêndio a bordo do paquete "Colonial"

O paquete português “Colonial” deve ter entrado
na Cidade do Cabo com fogo a bordo
Cidade do Cabo, 11 - O paquete português “Colonial”, de 8.309 toneladas, tem, segundo se sabe, fogo a bordo. O paquete segue, neste momento, de Lourenço Marques para a Cidade do Cabo, a cujo porto devia chegar esta noite.
Foi dominado o incêndio a bordo do “Colonial
Lourenço Marques, 12 (madrugada) – Acabam de ser recebidas informações de que foi dominado o incêndio a bordo do paquete português “Colonial”. O navio, que transporta cinquenta e seis passageiros, seguia de Lourenço Marques para a Cidade do Cabo.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda-feira, 12 de Janeiro de 1948)

Foto do paquete "Colonial"
Postal ilustrado da companhia armadora

Características do paquete “Colonial” em 19149
Armador: Companhia Colonial de Navegação, Lisboa
Nº Oficial: 695 - Iic: C.S.C.W. - Porto de registo: Luanda, 1930
Construtor: Friedrich Krupp A.G., Essen, Alemanha, 1908
Arqueação: Tab 8.371,33 tons - Tal 5.193,06 tons
Dimensões: Ff 142,44 mts - Pp 137,11 - Bc 16,75 mts - Ptl 8,49 mts
Propulsão: Do construtor - 2:Qe - 4:Ci - 4,500 Ihp - 12 nós/ hora

O incêndio a bordo “Colonial” foi provocado
por combustão espontânea do algodão
Cidade do Cabo, 12 – O paquete português “Colonial”, de 8.309 toneladas, atracou ao porto desta cidade, pouco depois da meia-noite, com fogo no porão nº1 e uma inclinação de 10 graus.
O porão foi inundado e as escotilhas fechadas. A maior parte dos cinquenta e seis passageiros estava no convés quando o navio atracou e não mostrava qualquer perturbação com o caso.
O “Colonial” vinha de Lourenço Marques, na África Oriental Portuguesa, para a Cidade do Cabo, quando foi descoberto o fogo, no sábado à noite, mesmo no fundo do porão, que trazia carga de copra.
O capitão do navio telegrafou, imediatamente, para a Cidade do Cabo. Ontem, o incêndio foi localizado, mas uma brigada de incêndios estava na Cidade do Cabo à espera, quando o navio chegou.
Depois de atracar, foi visitado pela fiscalização e outros funcionários, que examinaram a possibilidade de retirar a carga para se poder extinguir o incêndio, Pode tornar-se necessário abrir um buraco no costado do navio, para que as mangueiras consigam atingir o incêndio, se isso fôr indispensável.

Cidade do Cabo, 12 – Os bombeiros desta cidade auxiliaram os tripulantes para combater o incêndio a bordo do paquete português “Colonial”, quando o navio entrou no porto com fogo no porão nº1.
Continuavam a ver-se nuvens de fumo que partiam da carga incendiada. O incêndio foi dominado depois de seis horas de esforços. Os bombeiros declaram que o rescaldo será demorado.

Segundo informações obtidas junto da Companhia Colonial de Navegação, o incêndio a bordo do “Colonial” – propriedade daquela Companhia – atribui-se a combustão espontânea do algodão, que constituía o carregamento num dos porões do navio; mas o sinistro não teve proporções que houvessem causado preocupação, tendo bastado, para dominar o fogo, os serviços de bordo.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 13 de Janeiro de 1948)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Salva-vidas do I.S.N. "Almirante Afreixo"


Aveiro em festa
Inauguração, baptismo e lançamento à água do
salva-vidas “Almirante Afreixo”
1936 - 2002


Aveiro, 12 – Decorreram com o maior entusiasmo e brilhantismo os festejos por motivo do baptismo e inauguração do salva-vidas “Almirante Afreixo”, recentemente adquirido na Alemanha pela Comissão Central de Socorros a Náufragos, para serviço na barra.
Logo pela manhã os sinos da torre dos Paços do Concelho repicaram, ao mesmo tempo que eram lançadas ao ar girândolas de foguetes e a Banda de Música José Estevão percorria as principais ruas.
No Canal Central, realizou-se, cerca das 10 horas, uma importante parada de barcos saleiros, embandeirados e postados em fila ao longo das margens, desde a ponte dos Arcos à ponte da Dobadoira. A seguir, foi celebrado missa no templo da Misericórdia, em sufrágio dos náufragos, pelo rev. Lourenço Salgueiro.
Às 13 horas chegaram à estação do caminho-de-ferro os srs. Almirantes Jaime Afreixo e Vieira da Fonseca, este como representante da Comissão Central de Socorros a Náufragos. Aqui, eram os distintos oficiais da Armada, aguardados pelas entidades oficiais da cidade: os srs. dr. José Elias Gonçalves, representante do chefe do distrito; dr. Lourenço Simões Peixinho, presidente da Comissão local de Socorros a Náufragos e presidente da Comissão Administrativa do Município; coronel Santos Natividade, comandante militar; coronel Joaquim Crespo, comandante de Infantaria 19; major Gaspar Ferreira, presidente da Junta Autónoma da Ria e Barra; dr. Querubim Guimarães, presidente da Comissão Distrital da União Nacional; drs. Melo Freitas e Correia Marques, Juízes de Direito da Comarca; capitão Quina Domingues, comandante da P.S.P.; capitão Francisco Silva, comandante da G.N.R.; dr. João Joaquim Pires, reitor do Liceu; engenheiro Almeida Graça, director de estradas; professor Júlio Cardoso, director da Escola Industrial e Comercial; dr. António Peixinho, delegado de Saúde; comandante Santos Pato, capitão do porto; Cipriano Neto, chefe da secretaria da Câmara; dr. Manuel Soares, dr. José Maria da Silva, Ricardo Campos e José Marques Sobreiro da Comissão local de Socorros a Náufragos; dr. António Cristo, dr. Manuel Candal, Carlos Aleluia, Egas Salgueiro, João Trindade e Américo Teixeira, da Comissão Administrativa da Câmara; dr. Jaime Duarte Silva, Diniz Gomes, presidente da Câmara de Ílhavo; dr. Vaz Craveiro, dr. Alberto Souto, dr. Artur Cunha; engenheiro Francisco Perdigão, director do porto de Aveiro; dr. Fernando Moreira, Conservador do Registo Civil; engenheiro Mateus de Lima, capitão Samuel Maia, piloto-mór da Barra; dr. Augusto Cunha, engenheiro Vaz Pinto, Jeremias Vicente Ferreira, representantes das associações de recreio, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aveiro, com os seus dois pronto-socorro, representantes da imprensa, etc.
Da estação de caminho-de-ferro seguiu o cortejo formado por algumas dezenas de automóveis, conduzindo pessoas de representação social e a Comissão local de Socorros a Náufragos, até ao forte da Barra onde, na presença do sr. Arcebispo de Ossirinco, D. João Evangelista de Lima Vidal e entidades oficiais, procederam à inauguração da «Casa Abrigo» e lançamento à água do barco salva-vidas.


O acto inaugural
Antes do “Almirante Afreixo” entrar na água, o sr. dr. Lourenço Peixinho, presidente da Comissão de Socorros a Náufragos de Aveiro, usou da palavra para dizer:
Está satisfeita uma velha aspiração da Comissão local de Socorros a Náufragos. Já temos um óptimo salva-vidas a motor, com todas as condições para fazer bom serviço nesta barra, e que a Comissão Central nos entregou. Só quem como eu tem presenciado aqui, constantes naufrágios, e assistido à angústia dos pobres náufragos debatendo-se com a fúria do mar a ponto de muitos deles perderem a vida, é que pode compreender bem, o alto benefício que nos foi prestado. Há muito tempo já, que tinamos um barco salva-vidas; mas por ser puxado a remos, não podiam os seus serviços ser utilizados, devido às grandes correntes.
Hoje, os dois completam-se e pode-se gabar de ter uma equipa de salvação de primeira ordem. Por ser de inteira justiça, foi solicitado e aceite o pedido, pela Comissão Central de Socorros a Náufragos, que fosse dado ao novo barco, o nome do Almirante Afreixo.
Fizemo-lo, por se tratar de um aveirense ilustre, inteligente, trabalhador e honrado, que durante vinte anos aqui trabalhou como capitão do porto e inúmeros serviços prestou a esta região, nunca mais deixando de ficar o protector da nossa gente, que dia e noite labuta sobre as águas do mar e da ria, para angariar os parcos meios para viver. É ao sr. Almirante Jaime Afreixo, que ela, directa ou indirectamente se tem dirigido e sempre foi atendida nas suas justas reclamações.
Foi também ele que, demonstrando à Comissão Central a necessidade de prestar bom auxílio aos pescadores, concorreu para apressar a vinda do novo barco. Hoje, aqui, neste momento solene, aproveito a ocasião, para em nome de todos esses homens da nossa beira-marítima, agradecer muito reconhecidamente ao sr. Almirante Jaime Afreixo e à Comissão Central, todos os favores e auxílio prestados. O orador terminou exclamando: - «Almirante Afreixo! Vai! Oxalá que os teus serviços nunca sejam necessários; mas se o forem, que o sejam, com proveito e felicidade».
O sr. Dr. Peixinho, que terminou as suas breves palavras com um viva ao sr. Almirante Jaime Afreixo, foi muito aplaudido e cumprimentado.
Seguiu-se o lançamento à água do salva-vidas, na doca do Forte. No momento deste tocar com a proa nas águas da ria, as bandas de Infantaria 19 e Escola Municipal de José Estevão, que ocupavam dois barcos saleiros, executaram o hino nacional.
Girândolas de foguetes subiram ao ar ao mesmo tempo que as sirenes das lanchas tocavam festivamente.
Com o novo barco salva-vidas à frente, formou-se então um cortejo fluvial em direcção à cidade, no qual tomaram parte barcos de recreio, lanchas da Capitania, Comissão de Turismo, Centro de Aviação de S. Jacinto e muitas outras embarcações com convidados, bandas de música, etc.


A sessão solene
No salão nobre da Capitania do porto efectuou-se perante numerosa e selecta assistência uma sessão solene presidida pelo sr. dr. José Elias Gonçalves, secretário-geral do Governo Civil, que se fez ladear pelos srs. Arcebispo de Ossirinco, almirantes Jaime Afreixo e Vieira da Fonseca, engenheiro Almeida Graça, director das estradas do distrito; dr. João Joaquim Pires, reitor do Liceu: comandante Cossêlo, representante do chefe do departamento marítimo do Norte; comandante Santos Pato, capitão do porto de Aveiro; comandante militar, coronel Santos Natividade; major Gaspar Ferreira, presidente da Junta Autónoma; comandante de Infantaria 19, coronel Joaquim Crespo; e juízes da comarca, drs. Jaime Freitas e Correia Marques.
Usaram da palavra os srs. dr. Querubim Guimarães, deputado e distinto causídico aveirense; almirantes Jaime Afreixo e Viera da Fonseca, e o dr. Elias Gonçalves. O sr. dr. Querubim Guimarães, num elegante improviso, fez o elogio da festa e pôs em relevo a acção do sr. Almirante Afreixo, em prol dos nossos pescadores.
Usando da palavra o sr. Almirante Jaime Afreixo, visivelmente comovido, agradeceu as homenagens que a cidade acabava de lhe prestar. Recordou com saudade a sua acção como capitão do porto de Aveiro, afirmando que de todas as comissões de serviço por ele desempenhadas fora dos navios, a de capitão do porto de Aveiro, foi, sem dúvida, aquela a que com mais carinho se havia dedicado.
O sr. Almirante Afreixo, antes de terminar o seu discurso, propõe que seja dado ao antigo salva-vidas “Vouga” o nome de “Arrais Ançã”.
O representante do sr. Governador civil, sr. dr. Elias Gonçalves, após breves e justas palavras de elogio ao patrono do novo salva-vidas, encerrou a sessão.
Procederam em seguida à distribuição de medalhas e diplomas de honra a vários indivíduos, como recompensa pelos salvamentos por eles feitos, durante os últimos tempos.
Na doca, em frente do edifício da Capitania e perante compacta multidão, o sr. Arcebispo de Ossirinco, procedeu ao baptismo do salva-vidas, tendo servido de madrinha a srª Dº Maria Emília de Lemos Pato, esposa do sr. capitão do porto, e testemunhas, as srªs Dª Júlia Natividade e Dª Maria do Carmo Craveiro Lopes Sousa e Faro.
Na «Casa de Chá» do Parque Infante D. Pedro, foi servido em homenagem aos srs. Almirantes Afreixo e Vieira da Fonseca, um finíssimo «Porto de Honra» durante o qual se fez ouvir a magnífica orquestra-jazz aveirense «Talábriga».
Aos brindes, falaram os srs. dr. Jaime Duarte Silva, Diniz Gomes, Arnaldo Ribeiro e Almirante Afreixo, que mais uma vez agradeceu todas as homenagens que lhe foram prestadas pela cidade.
No Largo do Rossio, e perante numerosa assistência exibiu-se o gracioso rancho infantil da Companhia Voluntária de Salvação Pública «Guilherme Gomes Fernandes».
Terminaram as festas com um lindíssimo «bouquet» de fogo-de-artifício, queimado da Ponte da Dubadoira e lançado sobre o Canal Central. Foi um efeito surpreendente.
Por volta das 19 horas, o “Almirante Afreixo” abandonou a cidade a caminho do Forte da Barra, onde ficará pronto a prestar os seus valiosos serviços.
Durante toda a manhã, dois aparelhos do Centro da Aviação de S. Jacinto, sobrevoaram a cidade, em interessantes e arriscados exercícios, associando-se, assim, às festas do dia.
A Câmara Municipal, Capitania do porto e todas as associações locais embandeiraram as suas fachadas.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 14 de Outubro de 1936)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

História trágico-marítima (CCXLII)


O ataque e afundamento do lugre italiano "Buoni Amici"

A guerra submarina
Viana do Castelo, 20 - Pelas 10 horas da manhã de ontem ouviu-se um rumor longinquo, como eco de tiroteio. Houve quem dissesse que algum submarino torpedeava qualquer embarcação, e isso confirmou-se com a entrada na barra, esta manhã, de um bote conduzindo dez homens da tripulação do lugre italiano "Buoni Amici", capitão Giuseppe Foggini, procedente de Pasajes para Málaga, em lastro.
O torpedeamento deu-se às 10 horas da manhã de ontem, a 45 milhas a oeste da costa em frente a Viana do Castelo, afundando-se o lugre ao meio-dia. Pertencia à praça de Viarregio e era de 235 toneladas.
(In jornal "Comércio do Porto", quarta-feira, 21 de Agosto de 1918)

Desenho de um lugre, sem correspondência ao texto

Caracteristicas do lugre "Buoni Amici"
Armador: F. Cassini & Co., Porto Maurizio, Itália
Nº Oficial: N/d - Iic: N.J.C.B. - Porto de registo: Viarregio
Construtor: G.B. Guastavino, Savona, Itália, 1885
Arqueação: Tab 235,00 tons - Tal 209,00 tons
Dimensões: Pp 31,55 mts - Boca 7,82 mts - Pontal 4,09 mts
Propulsão: À vela
Equipagem: 10 tripulantes

O ataque a que este navio esteve sujeito foi realizado pelo submarino alemão U-22, no dia 20 de Agosto, quando este se encontrava sob o comando do Oberleutnant-zur-See Hinrich Hermann Hashagen. O registo da ocorrência que consta no diário de bordo do submarino, confirma com rigor as informações prestadas pelos tripulantes do lugre, aquando do desembarque em Viana do Castelo.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Leixões na rota do turismo (17/2017)


Escalas de navios em porto no mês de Outubro

Apesar do atraso é agora possível actualizar os navios de passageiros, que estiveram de visita a Leixões, quase todos eles já conhecidos em escalas realizadas nos anos anteriores.

Navio de passageiros "Viking Star"
No dia 1, chegou procedente de Falmouth, seguindo para Málaga

Navio de passageiros "Seven Seas Navigator"
No dia 5, veio procedente do Ferrol, continuou a viagem para Lisboa

Navio de passageiros "Marina"
Ainda no dia 5, chegou procedente do Ferrol, tendo saído para Lisboa

Navio de passageiros "National Geographic Orion"
No dia 6, veio de Villagarcia de Arosa, tendo saído para Lisboa

Navio de passageiros "Marco Polo"
No dia 9, veio procedente de Lisboa, seguindo viagem para a Corunha
e no dia 22, chegou procedente do Funchal, saindo para Bristol

Navio de passageiros "Saga Pearl II"
No dia 10, chegou de Southampton, tendo saído para Málaga

Navio de passageiros "Azura"
No dia 11, veio desde Southampton, saindo para Lisboa

Navio de passageiros "Boudicca"
Também no dia 11, veio do Funchal, saindo para Liverpool

Navio de passageiros "Amadea"
Ainda no dia 11, veio procedente da Corunha, saindo para Lisboa

Navio de passageiros "Europa 2"
No dia 13, veio de Villagarcia de Arosa, tendo seguido para Lisboa

Navio de passageiros "Europa"
No dia 27, navegou desde Bilbao, tendo saído para Lisboa

Navio de passageiros "Aida Vita"
No dia 31, chegou procedente de Lisboa, saiu para a Corunha

domingo, 11 de fevereiro de 2018

História trágico-marítima (CCXLI)


O encalhe do vapor “Alejandro Nº 3”
Ao sair a barra de Viana do Castelo, o vapor espanhol “Alejandro Nº 3”,
encalhou na praia do Cabedelo
Viana do Castelo, 2 – Cerca das 20 horas, quando saia a barra o vapor espanhol “Alejandro Nº 3”, da praça de Bilbao, devido à violência da ondulação, rebentou a espia do barco dos pilotos, por meio da qual era rebocado, indo encalhar nas areias da praia do Cabedelo.
O “Alejandro Nº 3” seguia com carregamento de 1.500 toneladas de toros de pinheiro para Bilbao.
A situação do navio é bastante crítica, esperando-se, porém, que depois de aliviado de parte da carga, se possa safar na maré da madrugada.
Está no local um carro pronto-socorro dos Serviços a Náufragos, para auxiliar a tripulação a abandonar o navio, caso seja necessário.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 3 de Setembro de 1942)

Navio encalhado na barra de Viana
Viana do Castelo, 3 – Encalhou, ontem, pelas 21 horas, quando saia a barra do porto, com destino a Bilbao, o vapor espanhol “Alejandro Nº 3”, que havia entrado em 28 de Agosto.
O navio era rebocado pelo vapor “Gaspar Teixeira de Queiroz”, da Junta Autónoma das obras do porto de Viana. A espia rebentou e o “Alejandro Nº 3” descaindo para bombordo, foi encalhar na ponta do Cabedelo, lugar conhecido por cemitério de navios, por ali já terem encalhado alguns barcos, de onde não mais puderam sair.
O capitão do vapor, sr. Julian Borda, pediu socorro por sinais de sirene, avançando para a praia do Cabedelo o pessoal dos Bombeiros Voluntários, com um pronto-socorro e o aparelho porta-cabos, sob a direcção dos respectivos comandantes srs. Manuel Couto Viana e Leite Feijó, e do 1º patrão sr. Melo Sárrea.
Foi estabelecido o cabo de vai-vem para qualquer eventualidade. No vapor, aliviado da carga que levava no convés, trabalham para o seu desencalhe, talvez no próximo sábado.
No Cabedelo, além de muitas outras pessoas, compareceram o sr. capitão do porto e engenheiro Alberto Vilaça, director das obras do porto e barra.
O “Alejandro Nº 3” transportava 1.200 toneladas de toros de pinheiro destinados ao fabrico de papel.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 4 de Setembro de 1942)

Características do navio “Alejandro Nº 3”
Armador: Alejandro Bengochea y Cia., Lda., Bilbao
Nº Oficial: N/d - Iic: N/d - Porto de registo: Bilbao
Construtor: Alejandro Bengochea y Cia., Lda., Bilbao, 1936
Arqueação: Tab 1.050,00 tons - Tal 550,00 tons
Dimensões: Pp 59,82 mts - Boca 9,78 mts - Pontal 4,70 mts
Propulsão: Espanhola de Construções, Bilbao - 1:Te - 75 Nhp

O “Alejandro Nº 3”
Viana do Castelo, 4 – Continuaram a trabalhar para pôr a flutuar o vapor “Alejandro Nº 3”, ante-ontem encalhado na ponta da Tornada, quando saía a barra com destino a Bilbao, o que foi conseguido hoje, devido aos bons serviços empregados para tal fim.
O vapor ancorou na doca.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 5 de Setembro de 1942)

sábado, 10 de fevereiro de 2018

História trágico-maritima (CCXL)


Barco dos pilotos naufragado
na barra de Viana do Castelo

Imagem de um barco de pilotagem
Desenho de Rui Picarote Amaro

O capitão do porto de Viana do Castelo comunicou ao Ministério da Marinha ter-se afundado em frente do Bugio uma catraia dos pilotos, quando pretendia fazer sinais à entrada do rebocador “Luzitania”, não se sabendo se os tripulantes se salvaram.
Outras notícias dizem que faltam os pilotos Manoel e Francisco Cachino, tio e sobrinho, salvando-se os outros e que o rebocador “Luzitania” anda fora da barra procurando os náufragos e o barco.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 13 de Março de 1917)

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Divulgação


Mesa redonda do Seminário do Mar
Convite


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

História trágico-marítima (CCXXXIX)


O encalhe do vapor “Porto Alexandre”
O vapor “Porto Alexandre”, desatendendo as formais prescrições que actualmente são impostas a todos os navios nacionais ou estrangeiros para poderem demandar a barra, tentou hoje de madrugada entrar sem piloto e sem ir a Cascais receber instruções, resultando encalhar num dos bancos da barra.
Como o mar está chão, esperam que seja safo na maré ainda hoje.
Todos os elementos disponíveis da divisão naval e da exploração do porto acudiram imediatamente ao local.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 23 de Outubro de 1917)

O encalhe do vapor “Porto Alexandre”
Continua encalhado na barra do Tejo o antigo vapor alemão “Porto Alexandre”. Transporta um carregamento consignado ao Estado, no total de 6.000 toneladas, sendo 2.500 de trigo, que um navio de vela norte-americano levou da América do Norte para os Açores.
Deste arquipélago também trás o “Porto Alexandre” grande quantidade de bois, cujo desembarque para fragatas está a ser efectuado para aliviar o navio.
Embora tenha batido em pedra, parece que o vapor não abriu água, sendo esperado que nas grandes marés o navio seja posto a flutuar.
O desembarque do gado, devido à rebentação junto do vapor, está a ser feito com grande dificuldade, havendo necessidade de passar às fragatas fortes espias para elas se não virarem. Após o desembarque do gado, o navio começará a ser aliviado das outras mercadorias.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 24 de Outubro de 1917)

Imagem do vapor “Porto Alexandre”
Desenho de Luís Filipe Silva

Características do vapor “Porto Alexandre”
1916 - 1924
Armador: Transportes Marítimos do Estado, Lisboa
Nº Oficial: 384-E - Iic: H.P.A.L. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Eiderwerft A.G., Tonning, Alemanha, 05.1906
ex “Thora Menzell” - A.G. Chinesische Kst. Menzell, 1906-1907
ex “Ingbert” - Hamburg-Bremer Linie A.G., Hamburgo, 1907-1916
Arqueação: Tab 2.699,11 tons - Tal 1.680,56 tons
Dimensões: Pp 89,27 mts - Boca 13,32 mts - Pontal 7,35 mts
Propulsão: Eiderwerft A.G., 1906 - 1:Te - 3.200 Ihp - Veloc. 10 m/h
Comprado pela Comp. Colonial em 1924. Mudou o nome para “Lobito”

O encalhe do vapor “Porto Alexandre”
O mar piorou hoje de tal forma que dificultou a permanência do pessoal a bordo do vapor “Porto Alexandre”, encalhado, como é sabido, à entrada da barra de Lisboa.
Os barcos patrulha, no entanto, conseguiram deslocá-lo para melhor posição, sendo de esperar que amanhã, já muito aliviado da carga, caía na parte mais funda do canal.
Os trabalhos continuam a cargo dos funcionários a que já aludimos, empregando ainda nesse serviço outro pessoal da divisão naval, que tem sido incansável.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 26 de Outubro de 1917)

O desencalhe do vapor “Porto Alexandre”
O vapor “Porto Alexandre” já desencalhou, entrando a reboque, escoltado por três torpedeiros, indo encostar ao cais do posto de desinfecção, onde está a descarregar o trigo.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 27 de Outubro de 1917)