quinta-feira, 10 de abril de 2008

Companhias Portuguesas - Chaves & Mateus


Chaves & Mateus, Lda.
Rua Cecília Rosa de Aguiar, 3, Setúbal

" Sadino "

O "Sadino" entra num liso de mar na barra do Douro
foto Alberto Teixeira da Costa - colecção Rui Amaro

Porque o mar não serve em exclusivo peixes e surfistas.
Obrigado Rui por divulgares estes momentos de glória...

Construtor: Arménio Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, 1952
Máquina 1: K.H. Deutz, 1952 > 1:Di > 230 Bhp > Veloc. 8 m/h
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Máquina 2: K.H. Deutz, 1966 > 1:Di > 300 Bhp > Veloc. 9 m/h
Iate > Reg.: Setúbal, 02.12.1952 > Nº Of.: 511 > Iic.: C.S.P.C.
Tonelagens: Tab 197,31 to > Tal 130,41 to > Porte 300 to
Cpmts.: Ff 34,18 mt > Pp 30,98 mt > Bc 7,73 mt > Ptl 3,44 mt
Amarrado na baía do Seixal, desde 1987 (conforme informação do amigo e Sr. Luís Filipe Morazzo).

O "Sadino" em Leixões - imagem (c) Fotomar

3 comentários:

Rui Amaro disse...

Amigo Navegador Reimar
Muito mar na barra do Douro, contudo o Sadino lá vai progredindo com mais volta de mar menos volta de mar. Já vai fora de perigo e como tal o piloto da barra e o mestre já podem ir descansados para suas casas, particularmente Mestre Lemos, com a sua casa ali tão perto. È que de bordo avistava a sua casa na Rua da Senhora da Luz, aqui a dois passos da barra:
O iate também era bom de leme e máquina, o que ajudava muito a vencer as dificuldades de acesso ao rio. Caso fosse um Milfontes, Guida, Maria Isabel 2ª, Praia da Saúde, etc., a situação já era mais complicada. Eu tenho uma foto do Sadino, ainda um pouco por fora da bóia da barra, que o seu casco se apresenta numa posição perpendicular (Oportunamente será postada no m/ Blogue “Navios à Vista”).
Na outra foto, olha que o iate Sadino, que foi o último dos “Mohicanos”, era jeitoso para a pesca do alabote, gatas e dos bacalhais, incluindo caras, línguas, sames, fígados, etc. Então o palahabote (hiate) Inesperado, 183gt, que andou por aí na costa, entre 1943 e 1950, no tráfego comercial, era de dimensões similares ao Sadino e não possuía motor auxiliar e andou lá pelos Grandes Bancos. O Inesperado fora a Júlia II ou III dos Marianos da Figueira da Foz. (Já agora, se alguém tiver detalhes e souber da sua história, que apareça, que se agradece). Só sei que encostou por ter sido dado como incapaz e de facto andava a cair de podre.
A tua foto do Sadino na Bacia do Porto de Leixões, é de Agosto/Setembro de 1954. No background vê-se o arrastão Comandante Tenreiro, a aliviar carga para poder demandar a barra do Mondego. Lembro-me que aproveitaram o navio para se realizar exercícios de socorros a náufragos através de cabo de vaivém e de helicóptero, mal se sabia que passados alguns anos foi realizado na barra do Douro, o primeiro resgate de náufragos por helicóptero na costa Portuguesa e talvez dos primeiros a nível mundial, que foi o salvamento de cerca 27 tripulantes do Empire Ship Liberiano Silver Valley, por dois helicópteros Franceses, em cerca de trinta minutos. Foi um dos maiores espectáculos que jamais assisti!
A outra embarcação, que se vislumbra na foto, nas Quarentenas, é uma das seguintes fragatas Micaelense, Aleluia ou a Figueira da Foz, que estão a aguardar qualquer navio bacalhoeiro de Aveiro, Figueira da Foz ou Viana do Castelo, a fim de receberem bacalhau para reduzir o calado de água, a fim de poderem demandar aqueles portos bacalhoeiros. O que esses portos eram naquele tempo e hoje recebem paquetes de cruzeiro de porte razoável. Ah. Não! O rio Douro não os recebe, têm-nos todo ano!
Até amanhâ
Um Abraço
Rui Amaro

Rui Amaro disse...

Reimar
O palhabote/motor Inesperado era o antigo palhabote à vela Júlia III.
O armador Chaves & Mateus.,Lda, Setubal armava também o pequeno lanchão/motor Praia da Saúde,uma espécie de cuter (um mastro avante e velame) e segundo me lembro não era pintado de branco como o Sadino mas de verde e parte de preto. Fazia o trafego costeiro. Principais detalhes 21m/50,69tb, const.em 1947 por Chaves & Chaves,Lda, Setubal. Motor: 1D. - 1ci.-104BHP 100BHP E. Buda 1946 - 6 tripulantes.
Um abraço
Rui Amaro

reimar disse...

Amigo Rui !
Agradeço novamente as indicações e a informação que complementa as imagens. Sobre o Julia III / Inesperado tenho a história completa do navio, que espero esteja disponível a partir do próximo mês no blog especializado nas artes da pesca. E já agora o navio não foi encostado, antes perdeu-se por naufrágio. Mais não digo, apesar da imensa paixão que dedico à faina maior, como sabes.
Um abraço, Reimar