sexta-feira, 23 de julho de 2021

História trágico-marítima (CCCXXI)


O encalhe do lugre “Nossa Senhora da Agonia”, na barra do Douro
À entrada da barra um lugre embateu com uma pedra
Ontem, ao meio da tarde, ao demandar a barra o lugre-motor “Nossa Senhora da Agonia”, próximo da pedra da «Forcada», o leme não obedeceu ao comando, resultando o navio ir embater com a referida pedra, abrindo um rombo no casco, por altura onde se encontra a casa da máquina auxiliar do navio.
Como este possivelmente não aguentasse a distância entre a barra e o ancoradouro na Ribeira, para onde se destinava, em virtude de meter bastante água, fazendo correr o risco do motor ficar inundado, impossibilitando o navio de navegar, resolveram encalhá-lo na praia da Afurada, para ser averiguada a gravidade da avaria, para depois descarregar a carga e procederem à necessária reparação.
O lugre-motor “Nossa Senhora da Agonia” é da praça de Viana do Castelo, tendo chegado ao Douro procedente de Setúbal, com um carregamento de sal, consignado a Artur José Rebelo de Lima, com escritório na rua Infante D. Henrique, no Porto. O navio havia chegado ante-ontem, tendo permanecido em frente da barra, por não poder entrar devido à agitação do mar, pelo que arribou a Leixões, onde aguardou a oportunidade de vir para o Douro.
Este acidente não teve a gravidade que a princípio lhe atribuíram, pois, chegaram a propalar um naufrágio à entrada da barra, pois conseguiu safar-se sem qualquer auxílio. O capitão do lugre, sr. João José Ferreira, vai apresentar o respectivo protesto-de-mar na capitania do Douro, sobre o sinistro em causa.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 6 de Novembro de 1937
Foto do lugre "Nossa Senhora da Agonia"
Colecção de João José Teixeira Passos

Características do lugre “Nossa senhora da Agonia” (1º)
1936 - 1940
Armador: Soc. de Navegação Costeira Nª. Srª. da Agonia, Lda.
Construtor: José Maria de Lemos, Aveiro, Maio de 1921
ex “Orion”, Bagão, Nunes & Machado, Aveiro, 1921-1934
ex “Silva Lau”, Amândio Mathias Lau, Aveiro, 1934-1936
Arqueação: Tab 184,40 tons - Tal 118,29 tons
Dimensões: Ff 36.04 mt - Pp 31,74 mt - Bc 8,34 mts - Ptl 3,40 mts
Propulsão: Volund, Dinamarca, 1:V - 2:Ci - 150 Bhp - 9 nós

O naufrágio do lugre nos «Cavalos de Fão»
Naufragou por motivo de encalhe nos «Cavalos de Fão», sob denso nevoeiro, no dia 23 de Agosto de 1940, afundando-se no local com água aberta. Transportava 3.600 sacos de cimento, carregados em Setúbal, consignados a Manuel Martins Branco, de Viana do Castelo.
Os sete tripulantes foram salvos com o auxílio dos serviços de Socorros a Náufragos. Compunham a equipagem, César Martins, mestre, 45 anos; Manuel S. João, contra-mestre, 46 anos; Américo A. Santos, 1º motorista, 26 anos: José Pimenta, 2º motorista, 52 anos; António F. Sousa, 33 anos, e José Pinheiro, 50 anos, marinheiros, todos residentes em Viana do Castelo; e Manuel Graixeiro, de 39 anos, marinheiro, residente em Vila do Conde. O navio era propriedade do Vidal Lourenço Carvalho, sócio da empresa armadora acima referida, mas neste caso em nome individual.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Navios portugueses


O “Chaimite” da Companhia Colonial de Navegação

Lançamento à água do “Nampula” e entrega do “Chaimite”
Realiza-se no fim deste mês, nos estaleiros de Grangemouth, a cerimónia de lançamento à água do novo navio “Nampula”, do qual será madrinha a srª Dª. Ana Leontina da Silva Ramos, esposa do comandante da Marinha Mercante, sr. Júlio da Cruz Ramos, inspector da Comp. Colonial de Navegação, a cuja frota se destina esta unidade.

No dia 25, será entregue à mesma empresa, naqueles estaleiros, o novo navio “Chaimite”, igual ao “Nampula”. São ambos destinados ao serviço de cabotagem na África. Com destino ao “Chaimite” partem hoje, de Lisboa, por via aérea, mais 10 oficiais e tripulantes de diversas categorias, partindo amanhã o resto da tripulação, que há-de trazer o navio para Lisboa, onde está previsto chegar no princípio de Abril.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 21 de Março de 1950

Nova unidade para a frota nacional
Seguiu ontem para Inglaterra, por via aérea, um grupo de 10 tripulantes, destinados ao navio “Chaimite”, da Comp. Colonial de Navegação, que o mandou construir em estaleiros britânicos e se destina ao serviço de cabotagem. O navio deve chegar ao Tejo em princípios de Abril e a restante tripulação seguirá hoje para Londres.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 22 de Março de 1950
Imagem do navio "Chaimite" (cartão postal da C.C.N.)

Características
Armador: Companhia Nacional de Navegação, Lisboa
Nº Oficial: H-389 - Iic: C.S.L.G. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: The Grangemouth Dockyard Co., Ltd., Escócia, 1949
Arqueação: Tab 2.043,26 tons - Tal 1.109,31 tons
Dimensões: Ff 90,59 mt - Pp 86,05 mt - Bc 12,86 mts - Ptl 4,45 mts
Propulsão: Aitchison Blair, Ltd. - 2:Te - 2:Ci - 1.750 Bhp

A entrega do navio “Chaimite”
Segundo notícias recebidas em Lisboa, sabe-se que se realizou num estaleiro da Escócia a cerimónia do embandeiramento em português do novo vapor “Chaimite”, construído para a Companhia Nacional de Navegação, dentro do plano de renovação da nossa Marinha Mercante. A nova unidade vem já a caminho do Tejo, onde deve chegar na próxima terça-feira, de manhã.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 2 de Abril de 1950

Chegou ao Tejo o navio “Chaimite”
Ontem, à tarde, chegou ao Tejo, vindo da Escócia, onde foi construído para a Comp. Colonial de Navegação, o novo navio “Chaimite”. O navio desloca 3.597 toneladas, tem capacidade para 3.361 metros cúbicos e mede 87,17 metros de comprimento. Esta unidade faz parte do programa de reorganização da Marinha Mercante, devendo brevemente ser visitada pelo sr. ministro da Marinha.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 7 de Abril de 1950

sexta-feira, 9 de julho de 2021

História trágico-marítima (CCCXX)


A traineira “Mazagão” da praça de Matosinhos afundou-se ao largo
de Espinho, após ter sido abalroada pelo navio-patrulha “Dourada”
Cerca das 3 horas da madrugada de ontem e ao largo de Espinho, quando a traineira “Mazagão”, de que é proprietário o sr. Francisco do Seixo de Sousa Uva e mestre o sr. Joaquim Caetano Nora (Pequeno), este residente na rua do Godinho, em Matosinhos, quando navegava de Noroeste para Sueste, a vinte braças de fundo e a quatro milhas de terra, foi abalroada, inesperadamente, pelo lado de estibordo, pelo navio-patrulha “Dourada”.
Cortada junto da casa do motor, afundou-se em menos de 15 minutos, provocando grande pânico entre a tripulação, composta por trinta e seis homens. Todos os pescadores foram recolhidos, porém, antes do afundamento da embarcação, não só pela tripulação da “Dourada”, mas, também, por gente do barco “Praia da Luz”, que andava perto. Tentaram, ainda, salvar a rede, mas não foi possível, tendo os pescadores seguido, pouco depois, para Leixões.
A traineira “Mazagão”, que era um barco admirávelmente construído, fizera a primeira safra em 1947, tendo pescado, durante aquele ano 28.865 cabazes de sardinha, no valor de 1.278 contos. O facto de não ter havido vítimas neste sinistro, encheu de júbilo a classe piscatória matosinhense.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 3 de Março de 1948

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Navios portugueses - O "Almeirim"


A chegada a Lisboa do navio “Almeirim”

Vindo de Inglaterra, onde foi construído, entrou ontem de manhã no Tejo, o novo navio-motor “Almeirim”, de 9.500 toneladas - que é a 5ª unidade nova encorporada pela Sociedade Geral de Transportes, dentro do programa de reorganização da nossa Marinha Mercante.
O “Almeirim”, que foi saudado com embandeiramento em arco por todos os navios da Sociedade Geral surtos no Tejo, recebeu fora da barra os cumprimentos de um rebocador daquela empresa, no qual seguiam os srs. comandante Guerreiro de Brito, capitão do porto; D. Manuel de Melo, presidente da Sociedade Geral; Jorge de Melo e engº António Lobo, administradores e muitas outras pessoas.
Foto do “Almeirim” (bilhete postal publicado pelo armador)

Características
1948 - 1972
Armador: Soc. Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lisboa
Nº Oficial: H-364 - Iic: S.C.G.U. - Porto de registo: Lisboa, 12.08.1948
Construtor: Bartram & Sons, Ltd., Sunderland, Inglaterra, 1948
Arqueação: Tab 5.289,28 tons - Tal 3.135,81 tons - Porte 9.437 tons
Dimensões: Ff 137,81 mt - Pp 132,08 mt - Bc 17,95 mts - Ptl 8,14 mts
Propulsão: North East Marine Eng., 1:Di - 4:Ci - 4.645 Bhp - 13 nós

Pouco depois da nova unidade atracar ao cais de Alcântara, esteve a bordo o sr. ministro da Marinha, acompanhado pelo seu chefe de gabinete, sr. comandante Celestino Ramos. Percorreu demoradamente todas as dependências do “Almeirim”, em companhia dos directores da empresa armadora e, ao retirar-se, felicitou a Sociedade Geral pela encorporação de mais um navio. A bordo do “Almeirim” vieram de Inglaterra os srs. Melo e Silva, D. José Maria de Melo e Henrique Duarte, todos dirigentes da empresa proprietária do navio.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 22 de Julho de 1948

terça-feira, 6 de julho de 2021

História trágico-marítima (CCCXVIII)


Na doca de Santos, abalroaram dois barcos de pesca
ficando um deles com a casa das máquinas alagada
Ontem de manhã, próximo do Frigorifico de Santos, onde costumam atracar os barcos de pesca chegados do alto mar e do Cabo Branco, ocorreu um abalroamento entre o arrastão “Barbosa Barata”, durante a manobra para atracar, e o arrastão “Alvor”, que já se encontrava atracado ao cais. Este arrastão sofreu um rombo à ré, na linha de água, inclinando para bombordo, começando desde logo a meter muita água, ficando meio afundado, com a casa das máquinas alagada, e só não se afundou completamente em virtude dos cabos de amarração, que o prendiam ao cais não terem rebentado.
Quatro tripulantes que estavam na proa do arrastão, gritaram para alertar os restantes que se encontravam a bordo, em número de 23, permitindo dessa forma que pudessem rapidamente saltar para o cais.
O “Barbosa Barata”, que é um arrastão moderno, construído em 1948, nos estaleiros da C.U.F., desloca 700 toneladas e é comandado pelo sr. João Coruja, considerado um capitão muito competente. Hoje, ao entrar na doca, manobrando com a perícia habitual para atracar, percebeu a dada altura que a máquina não engrenou a marcha à ré, por qualquer motivo que se desconhece, e por mais esforços que fizesse, tal como a restante tripulação, não conseguiram evitar que a proa do barco fosse embater com violência no casco do “Alvor”, que adernando, fez com que o mastro da proa fosse de encontro ao edifício do depósito de gelo, abrindo a platibanda do primeiro andar.
Foto do "Alvor" (restosdecolecção.blogspot.com)

O “Alvor” foi construído em 1920 e desloca 300 toneladas. É comandado pelo sr. José Santos Júnior, e pertence à Comp. Portuguesa de Pesca. O “Barbosa Barata”, é propriedade da firma Abílio Santos, Lda., e vinha do Cabo Branco com 95 toneladas de peixe. Ambos os arrastões estão seguros na Mútua dos Armadores da Pesca de Arrasto.
Felizmente, com o auxílio dos Sapadores Bombeiros, ainda conseguiram retirar do arrastão roupas e haveres da tripulação, mas já não puderam esgotar a enorme quantidade de água que se encontrava a bordo. Os rebocadores “Cabo Espichel” e “Cabo de Sines” vão proceder aos trabalhos de salvamento do arrastão afundado, o que será difícil, havendo, contudo, esperança de poder ser salvo. O “Alvor” tinha a bordo 30 toneladas de peixe e havia chegado na passada quarta-feira.
Continuam os trabalhos de salvamento do pesqueiro “Alvor”
Durante o dia de ontem, continuaram junto da doca do Frigorifico de Santos, os trabalhos de salvamento do “Alvor”, há dias ali afundado. Os trabalhos decorrem com o maior êxito, estando o barco já apto a receber os cabos, que dentro de dias irão trazê-lo de novo à superfície.
Fonte: “Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 4 de Agosto de 1953

O salvamento do barco de pesca “Alvor”
Continuaram, ontem, os trabalhos para o salvamento do “Alvor”, tendo sido já aplicados quatro flutuadores ao casco do barco. Esperam ser possível aplicar mais dois, dentro em breve, entre o navio e o cais. Os trabalhos têm sido difíceis, dada a posição do arrastão.
Fonte: “Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 8 de Agosto de 1953

O pesqueiro “Alvor” foi posto a flutuar
O arrastão “Alvor”, que há dias se afundara na doca de Santos, por ter sido abalroado pelo arrastão “Barbosa Barata”, foi ontem à tarde posto a flutuar. Depois de trazido à superfície, foi rebocado para uma doca-seca, a fim de receber as necessárias reparações.
Fonte: “Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 12 de Agosto de 1953

domingo, 4 de julho de 2021

A chegada do rebocador "Vandoma" a Leixões


O chefe do distrito assistiu às experiências do novo rebocador
para os serviços da Administração dos portos do Douro e Leixões
Entrou, ontem, ao serviço da Administração dos portos do Douro e Leixões, o novo rebocador “Vandoma”. Para festejar este facto, o rebocador largou do cais da Estiva às 15 horas, levando a bordo os srs. dr. Antão Santos da Cunha, Governador Cívil do Porto, dr. Alexandre Alberto de Sousa Pinto, e engenheiros Nogueia Soares e Henrique Schreck, respectivamente, presidente, vogal, e director-geral da Administração dos portos do Douro e Leixões; os srs. comandantes Raúl Ventura e António da Silva Braga, representantes dos capitães dos portos do Douro e de Leixões; engenheiro construtor naval Raúl da Costa; srs. chefe dos Serviços Marítimos da A.P.D.L., tenente José António da Costa, patrão-mor da capitania do porto do Douro, José Fernandes Tato, piloto-mor da barra do Douro, Joel Monteiro da Cunha, sota-piloto da secção de Leixões, António Vieira, gerente da Sociedade Continental de Representações, etc.
Foto com o rebocador "Vandoma"

Características
Armador: Administração dos portos do Douro e Leixões
Nº Oficial: L276-EST - Iic: C.S.K.U. - Porto de registo: Leixões
Construtor: Tampa Shipbuilding Co., Estados Unidos, 1944
Arqueação: Tab 154,89 tons - Tal 37,71 tons
Dimensões: Pp 24,95 mts - Boca 6,99 mts - Pontal 3,02 mts
Propulsão: Fairbanks, Morse & Co. - 1:Di - 690 Hp - 309 Rpm

Depois de algumas evoluções no rio Douro, provas de velocidade, manobras de leme e de máquina, o “Vandoma” atravessou a barra e navegou para Leixões onde era esperado e foi saudado com os cumprimentos de boas-vindas do estilo pelas unidades da A.P.D.L. e pelos navios ancorados no porto.
A bordo, o sr. presidente do conselho de Administração dos portos do Douro e Leixões, agradeceu a presença do sr. Governador Cívil e das restantes pessoas presentes, que quiseram associar-se à pequena festa, destacando o enorme interesse que tem para os serviços dos portos do Douro e Leixões a entrada em serviço desta bela unidade moderna e potente, e anunciou a próxima vinda de dois outros rebocadores, que com este renovam por completo a antiga frota da Administração e garantem serviço muito mais eficiente, que o enorme desenvolvimento de Leixões reclama.
Falou depois o sr. António Vieira e por último, o sr. Governador Cívil do Porto, que num improviso brilhante manifestou a sua satisfação pelo progresso evendiciado em todos os aspectos da exploração portuária de Leixões, instrumento poderoso do progresso económico do norte do País, fazendo os seus melhores votos de boa fortuna à nova unidade da A.P.D.L.
O novo rebocador tem 700 Hp de força, é equipado com moderna aparelhagem de navegação e destina-se, especialmente, às manobras dos grandes navios na doca de Leixões. É a unidade mais potente de todas quantas, até hoje, tem estado ao serviço dos dois portos.
Fonte: Jornal "Comércio do Porto", quinta-feira, 5 de Maio de 1948

sexta-feira, 2 de julho de 2021

História trágico-marítima (CCCXVII)


O navio grego “Eugenia” naufragou, não se sabendo da tripulação

Em Lisboa foi recebido um rádio do comandante do vapor italiano “Sicania”, dizendo que às 8 horas, na latitude 39ºN e longitude 9º35’W, vira naufragar o navio “Eugenia”, não havendo vestígios da tripulação. Esta comunicação foi feita às autoridades de Marinha. O navio, tanto quanto se sabe, afundou-se próximo das Berlengas, em resultado da colisão com uma mina, que se encontrava à deriva, no dia 15 de Abril.
Imagem do vapor "Foreric" que veio a ser o "Eugenia"

Características
1920 - 1921
Armador: J.B. Culucundis, Piréu, Grécia
Nº Oficial: N/d - Iic: N/d - Porto de registo: Piréu
Construtor: Russel & Co., Ltd., Greenock, Escócia, 1898
ex “Foreric”, Rankin & Blackmore, Greenock, 1898-1916
ex “Foreric”, Egypt & Levant Steam Navigation Co., 1916-1920
Arqueação: Tab 3.974,00 tons
Dimensões: Pp 105,20 mts - Boca 15,20 mts - Pontal 5,50 mts
Propulsão: Do construtor - 1:Te - 3:Ci - 364 Nhp
Equipagem: 24 tripulantes

Segundo um telegrama do Cabo Carvoeiro, parece que a tripulação do vapor “Eugenia” se salvou, porque o vapor belga “Minerva”, que passou ali, vindo do sul, anunciou que ia desembarcar em Peniche a tripulação do navio naufragado.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 16 de Abril de 1921

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Memorativo da Armada - As fragatas da classe F331 “Diogo Gomes” e F332 “Nuno Tristão”


A fragata “Nuno Tristão” vai ser-nos entregue
pelo Almirantado Britânico
Na segunda quinzena do corrente mês, realizar-se-á, na base naval de Plymouth, a cerimónia do hastear da bandeira portuguesa na fragata “Nuno Tristão”, uma das duas unidades que o Governo adquiriu recentemente ao Almirantado Britânico para reforço da Armada.
Estas fragatas, de cerca de 2.000 toneladas de deslocamento e de linhas semelhantes às dos actuais avisos de 1ª classe, são unidades modernas e muito bem apetrechadas. Chamavam-se, na Armada inglesa “Avon” e “Awe”, passando a denominar-se, na nossa Marinha, “Nuno Tristão” e “Diogo Gomes”.
Trata-se de unidades que se podem considerar como novas, não só porque têm pouco tempo de serviço, mas também pela sua robusta construção, boas qualidades de navegação, bom armamento e outro material de que estão dotadas, pois dispõem de radares, asdic, radiogoniometros e todo um conjunto de modernidades.
O armamento de cada um destes navios é constituído por 2 canhões de 101 mm, 6 de 40 mm, lança-foguetões, sistema de lançamento de cargas de profundidade e de morteiros, etc. A guarnição de cada navio será de 170 homens, entre oficiais, sargentos e praças.
A primeira fragata a ser entregue - a “Nuno Tristão” - cujo comando será confiado ao sr. capitão-tenente Horácio Rebordão, já efectuou as provas de mar, regulou agulhas e procedeu à desmagnetização. As experiências de artilharia deram também os melhores resultados, o mesmo se verificando no restante material de guerra. O navio alcançou a velocidade prevista e todas as outras provas satisfizeram.
A segunda fragata - a “Diogo Gomes” - cujo comando será assumido pelo sr. capitão-de-fragata Newton da Fonseca, deverá ser entregue, cerca de um mês depois. Parte das guarnições destes navios encontra-se já em Inglaterra, para trazer as referidas unidades para Lisboa.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 3 de Abril de 1949
Foto da fragata "Diogo Gomes"

Novas unidades da Marinha de Guerra
No dia 11 de Maio realiza-se, na base naval de Plymouth, a cerimónia do hastear da bandeira portuguesa nas fragatas de 2.000 toneladas “Diogo Gomes” e “Nuno Tristão”, adquiridas pelo Governo ao Almirantado Britânico para reforço da nossa Marinha de Guerra.
Assistirão à cerimónia o adido naval em Londres, sr. capitão-de-fragata Conceição Rocha, os comandantes dos dois navios srs. capitão-de-fragata Newton da Fonseca e capitão-tenente Horácio Rebordão, um representante do Almirantado Britânico, etc. Os dois navios devem largar para o Tejo, poucos dias depois da sua entrega ao nosso país.
Por via aérea, seguiu ontem, para Londres, um grupo de sete sargentos de Marinha, destinados à guarnição da nova fragata “Diogo Gomes”.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto, terça-feira, 12 de Abril de 1949

Marinha de Guerra
A aquisição das novas fragatas em Inglaterra
Plymouth, 22 – Estão na fase final os trabalhos de apetrechamento das fragatas “Diogo Gomes” e “Nuno Tristão”, cedidas pelo Almirantado Britânico à Marinha, as quais aprontam nesta base naval para hastearem a bandeira portuguesa, numa cerimónia que se realizará no dia 10 do próximo mês
Falta apenas, na “Nuno Tristão”, completar a instalação do radar e a “Diogo Gomes”, vai ainda realizar as provas de mar, na próxima semana. As guarnições portuguesas, que só passam a viver a bordo depois da entrega dos navios a Portugal, estão instaladas nas «Naval Barracks», de Plymouth, onde mantém a melhor camaradagem com os marinheiros britânicos.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto, Domingo, 24 de Abril de 1949
Postal ilustrado com a imagem da fragata "Nuno Tristão"

Arvorou, ontem, a bandeira portuguesa a fragata “Nuno Tristão”
Plymouth, 11 – Realizou-se hoje, de manhã, nesta base naval, com a maior solenidade, a cerimónia de entrega ao Governo português da fragata “Nuno Tristão”, de 2.000 toneladas, cedida pelo Almirantado Britânico à Marinha do mais velho aliado da Grã-Bretanha. Desejou o Almirantado que essa cerimónia se revestisse de um brilho e aparato militar, que estivesse em harmonia com as relações que unem há mais de cinco séculos as duas Marinhas, e, assim, organizou um programa que se cumpriu inteiramente.
Às 11 e 20 horas, um destacamento da Marinha inglesa, precedido da banda de música da Royal Navy, formou no molhe onde está atracada a “Nuno Tristão”. Quase ao mesmo tempo, vinda das «Naval Barracks», em formatura, chegou a guarnição portuguesa que ia tomar conta do navio. Pouco depois chegaram ao local os oficiais de comando da base naval, e às 11 e 40 horas, apeou-se do seu automóvel, junto do costado daquele navio, o comandante-chefe da base de Plymouth, almirante Burnett, que vinha acompanhado pelo seu estado-maior.
As guarnições prestaram continência e a banda inglesa executou o «Rule Britannia», enquanto as forças apresentavam armas. Momentos depois chegaram, em dois automóveis, os representantes diplomáticos e navais portugueses na cerimónia - o primeiro-secretário da embaixada de Portugal em Londres, sr. dr. Henrique Caldeira Queirós; o cônsul-geral de Portugal em Londres, sr. dr. Miguel de Almeida Pilé, o chefe da Missão Naval Portuguesa, sr. capitão-de-fragata Newton da Fonseca; o adido naval português em Londres, sr. capitão-de fragata Conceição Rocha; o adido militar, sr. tenente-coronel Luís da Câmara Pina e o comandante do novo navio, sr. capitão-tenente Horácio Rebordão, bem como os seus oficiais.
O almirante Burnett, seguido pela oficialidade britânica, foi ao encontro das personalidades portuguesas, às quais saudou, após o que solicitou ao primeiro-secretário da embaixada, que passasse revista aos fuzileiros navais, que faziam a guarda de honra. Em seguida, todas as entidades deram entrada a bordo da “Nuno Tristão”, em cujo convés da popa se realizou a cerimónia da substituição da bandeira.
Antes, porém, o almirante Burnett usou da palavra para dizer que era com uma grande honra que fazia a entrega ao Governo português, em nome do Almirantado Britânico, daquela unidade naval. Fez o elogio da aliança luso-britânica e teve palavras calorosas para a tradição naval dos portugueses e para a sua Marinha de guerra, concluindo por formular votos no sentido de que aquele navio tenha as maiores glórias sob a bandeira que ia, dentro de momentos, ser içada nos seus mastros.
Respondeu em inglês o representante do embaixador de Portugal, que salientou o êxito das negociações, para a cedência de vários navios de guerra ingleses à Marinha portuguesa e as palavras que o almirante Burnett tivera para com a Armada nacional.
Entre os diplomatas e oficiais portugueses e ingleses foram trocados afectuosos apertos de mão e ouviu-se um clarim a tocar a sentido. Todos se perfilaram e fez-se então a bordo, um grande silêncio. Ia ser arriada a bandeira inglesa e içada a portuguesa.
A banda rompeu com o «God save the King», enquanto um marinheiro inglês, à popa, arriava a bandeira do seu país e outro, à proa, fazia descer o «jack» da Armada Real. Momentos depois, a banda tocava o hino português. Um marinheiro da guarnição do navio içava a bandeira de Portugal e outro fazia subir o «jack» da Marinha portuguesa no “Nuno Tristão”. A guarda manteve-se a apresentar armas durante as duas cerimónias, após as quais todos os presentes se dirigiram à câmara dos oficiais, onde foi servido um cálice de vinho do Porto.
Depois do almirante ter saído do navio, a guarnição formou novamente para ouvir a leitura de duas portarias, uma que manda incorporar o navio ao efectivo na Esquadra portuguesa e outra que nomeia para comandante o sr. capitão-tenente Horácio Rebordão. A guarnição desfilou depois em continência perante o comandante e os seus oficiais.
Às 13 horas, o almirante Burnett ofereceu, na «mess» da base naval, um almoço em honra das personalidades portuguesas que assistiram à cerimónia, sendo ali trocadas afectuosas saudações. No próximo dia 16, será procedida a entrega, mas sem qualquer cerimonial, da segunda fragata cedida a Portugal - a “Diogo Gomes” -, cujo comando vai ser assumido pelo sr. capitão-de-fragata Newton da Fonseca.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto, quinta-feira, 12 de Maio de 1949

terça-feira, 29 de junho de 2021

Navios portugueses novos, em 1949


Marinha Mercante
O ministro da Marinha visitou, ontem, os novos navios
“Borba”, “Belas” e “Gorgulho”
Ontem, de manhã, o sr. ministro da Marinha visitou o navio “Borba”, da Sociedade Geral de Transportes, que há dias, durante a sua primeira viagem, ao entrar em Leixões, vindo de Inglaterra, onde foi construído, bateu em rochas sofrendo alguns rombos.
Foto do navio "Borba"

Características
Armador: Soc. Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lisboa
Nº oficial: H-378 - Iic: C.S.I.Y. - Porto de registo: Lisboa, 25.4.1949
Construtor: Wm. Doxford & Sons, Ltd., Sunderland, Inglaterra, 1948
Arqueação: Tab 4.457,25 tons - Tal 2.620,93 tons - Porte 12.596 tons
Dimensões: Ff 129,66 mt - Pp 123,99 mt - Bc 16,38 mt - Ptl 7,04 mts
Propulsão: Do construtor, 1:Di - 4:Ci - 3.800 Ihp - Veloc. 12,7 nós

O sr. comandante Américo Tomás, que chegou ao estaleiro naval da Companhia União Fabril, acompanhado pelos srs. comandante Pereira Viana, presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, e primeiro tenente Guilherme Tomás, foi ali recebido pelos srs. D. Manuel de Melo, Jorge de Melo e engº Aulánio Lobo, presidente do conselho de administração da Companhia União Fabril; engº Vasco de Melo, administrador do estaleiro naval, engºs Sousa Mendes, Almir Martins e João Rocheta, engenheiros-chefes daquele estaleiro; engº Artur Lobo e Henrique Duarte, dos serviços técnicos da Sociedade Geral.
O sr. ministro da Marinha, antes de visitar as instalações do “Borba”, desceu à doca seca onde se encontra o navio e esteve a verificar a extensão dos rombos na nova unidade, cuja reparação, mercê da actividade que vai ser desenvolvida, demorará apenas 40 dias.
Foto do navio "Belas"

Características
Armador: Soc. Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lisboa
Nº oficial: H-377 - Iic: C.S.J.B. - Porto de registo: Lisboa, 25.4.1949
Construtor: Wm. Doxford & Sons, Ltd., Sunderland, Inglaterra, 1948
Arqueação: Tab 4.447,72 tons - Tal 2.614,54 tons - Porte 12.596 tons
Dimensões: Ff 129,77 mt - Pp 124,04 mt - Bc 16,38 mt - Ptl 7,03 mts
Propulsão: Do construtor, 1:Di - 4:Ci - 3.800 Ihp - Veloc. 12,7 nós

Em seguida, o sr. comandante Américo Tomás visitou o navio “Belas”, onde, além daquelas individualidades, aguardavam o titular da pasta da Marinha os srs. marquês de Belas e visconde Botelho, do conselho de administração dos Carregadores Açoreanos. O sr. ministro da Marinha percorreu todas as dependências da nova unidade, cuja construção apreciou. No final da visita foi servida uma taça de champanhe, e o sr. D. Manuel de Melo agradeceu a visita do sr. ministro da Marinha, felicitando a Sociedade Geral de Transportes pela aquisição de mais uma unidade, para ampliação da sua frota e renovação da nossa Marinha Mercante.
Foto do navio "Gorgulho"

Características
Armador: Empresa Insulana de Navegação, Lisboa
Nº oficial: H-376 - Iic: C.S.C.Y. - Porto de registo: Lisboa, 13.4.1949
Construtor: The Grangemouth Dockyard Co., Ltd., Inglaterra, 1948
Arqueação: Tab 1.195,72 tons - Tal 644,58 tons - Porte 1.748 tons
Dimensões: Ff 71,91 mt - Pp 68,08 mt - Bc 10,38 mt - Ptl 3,97 mts
Propulsão: Mirrleef. Bick & Day, 2:Di - 8:Ci - 720 Bhp - Vel. 120 nós

O sr. ministro da Marinha também visitará hoje, às 17 horas, o navio fruteiro “Gorgulho”, nova unidade da Empresa Insulana de Navegação.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 1 de Abril de 1949

sexta-feira, 25 de junho de 2021

O iate “Elettra II”, em Leixões, Douro e Lisboa


Estrou no rio Douro um moderno iate inglês
destinado a experiências rádio-eléctricas
Vindo dos portos de Pasajes (San Sebastian), Bilbao, Santander, Gijon, Ferrol, Corunha e Vigo, onde realizou demonstrações com aparelhagem rádio-eléctrica que traz a bordo, chegou, ante-ontem, ao rio Douro, fundeando em frente a Massarelos, após passagem breve por Leixões, o iate “Elettra II”, da Marconi International Marine Comunications, Co., Ltd., representada no nosso País pela Rádio-Marítima Portuguesa, Lda.
O iate "Elettra II" em Leixões
 
O iate “Elettra II”, tal como o seu antecessor, o “Elettra I”, pertenceram a Guglielmo Marconi, tendo ambos sido utilizados para divulgar os trabalhos de desenvolvimento tecnológico para utilização marítima. Tinha 20 metros de comprimento, e uma modesta construção, em resultado da conversão feita em 1950, a partir do casco dum navio torpedeiro, previamente construído no estaleiro de J. Samuel White, na ilha de White, em Inglaterra. Apesar das muitas visitas feitas a portos de larga quantidade de países, provou ser pequeno para acomodar todo o equipamento a bordo para os fins em vista e o número de pessoas que podia receber, pelo que poucos anos depois foi vendido para sucata. Em sua substituição foi construído o “Elettra III”, em 1962.
 
Verdadeiro laboratório flutuante, o moderno barco, foi visitado, ontem, de manhã, pelos representantes da imprensa, e outros convidados. Além do respectivo comandante, capitão Robothan, e engenheiro Cathie, estiveram a bordo a receber os visitantes, os srs. José Ferreira de Sousa e Orlando Simões, representantes da citada firma, e os srs. D. Luís de Lencastre e António de Castro e Sousa, da agência Kendal, Pinto Basto & Cª., Lda., à qual o “Elettra II” vem consignado.
Tal como aconteceu nos portos espanhois acima referidos, foram feitas demonstrações com a aparelhagem de bordo, toda destinada a facilitar e a dar condições de segurança à navegação marítima. Assim, os visitantes tomaram contacto com novos e aperfeiçoados modelos de radar, radiogoniómetros, receptores e emissores de fonia e grafia, sondas para a pesca, gravadores de som, amplificadores de voz, etc.
No final e na câmara de comando, foi servido um «whisky de honra», tendo o sr. José Ferreira de Sousa saudado todos os presentes, agradecendo a visita a bordo e o interesse demonstrado. O “Elettra II” vai permanecer do rio Douro por breves dias, seguindo depois para Lisboa, onde vai igualmente proporcionar as mesmas demonstrações.
Fonte: Jornal "Comércio do Porto", sábado, 18 de Abril de 1953

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Divulgação


Sociedade de Geografia de Lisboa
Conferência virtual
1.“Como assegurar a utilização sustentável dos oceanos no âmbito
nacional com incidência europeia e internacional”,
que será proferida pelo Dr. José Manuel Marques (DGRM), em 28
de junho de 2021 (2.ª feira), com início às 17h00.
2. Este evento prossegue em 2021 o 5.º ciclo de conferências do
Seminário do Mar dedicado a “Ciência e Sustentabilidade”

 


segunda-feira, 21 de junho de 2021

História trágico-marítima (CCCXVI)


O naufrágio do lugre-motor “Minhoto”

Os náufragos do lugre “Minhoto”, que ante-ontem se afundou ao largo do Cabo da Roca, chegaram ao Tejo a bordo do “Praia da Saúde”
Ao fim da madrugada de ontem, chegaram ao Tejo, os náufragos do lugre-motor “Minhoto”, que se afundou ao largo do Cabo da Roca, ante-ontem, de tarde. Vieram a bordo do lanchão “Praia da Saúde”, da praça de Setúbal que, por feliz acaso, passava a pouca distância do “Minhoto” quando este colidiu com rochedos, ficando sem parte da quilha. Após a chegada a Lisboa, o mestre do navio naufragado, César Martins, apresentou às autoridades a regulamentar participação do sinistro e ficou, com a respectiva tripulação às ordens dos armadores, João Cândido Rodrigues, Sucessora, de Viana do Castelo. O sinistro deu-se às 16 horas e 50 de ante-ontem. O “Minhoto” havia saído de Leixões com 350 toneladas de carvão destinado à União Eléctrica, de Setúbal, e a tripulação mal se apercebeu da gravidade da colisão que provocou o rombo no navio.
Características do lugre-motor “Minhoto”
1946 – 1953
Armador: João Cândido Rodrigues Maduro, Sucra., V. Castelo
Nº Oficial: 54-A - Iic: C.S.S.F. - Porto de registo: V. Castelo, 1.3.1947
Construtor: Francisco Ferreira, Viana do Castelo, 1946
Arqueação: Tab 256,50 tons - Tal 114,84 tons
Dimensões: Ff 41,50 mt - Pp 33,49 mt - Boca 8,40 mt - Ptl 3,93 mt
Propulsão: Burmeister & Wain, 1:Di - 4:Ci - 240 Bhp - 6,5 nós
Equipagem: 9 tripulantes
 
O lanchão “Praia da Saúde” é um pequeno navio de carga pertencente à firma Chaves & Mateus, Lda., de Setúbal, saíra do porto desta cidade com um carregamento de cimento para Viana do Castelo. O mestre João Diogo, que o comandava, vendo a iminência do perigo, aproximou-se do “Minhoto” e passou-lhe um cabo, conseguindo arrancá-lo da crítica posição em que se encontrava. Então, o navio sinistrado começou imediatamente a meter água, obrigando o “Praia da Saúde” a largar o cabo, para evitar o afundamento por arrastamento. O mestre João Diogo tomou imediatas providências para socorrer os náufragos que, no entanto, ainda tiveram tempo para recolher os haveres pessoais. O “Minhoto” levou duas horas a afundar-se.
Os náufragos são, além do mestre, os seguintes: José Gonçalves, contra-mestre; Joaquim da Silva, 1º motorista, ambos de Viana do Castelo; Manuel Oliveira Sande, 2º motorista, do Candal, Gaia; Manuel Rodrigues, Henrique Gonçalves de Araújo, e Higino Pereira, marinheiros; José Gonçalves Viana, moço e Manuel Santos Pedreira, cozinheiro, todos de Viana do Castelo.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 31 de Março de 1953

sábado, 19 de junho de 2021

O afundamento do "Omar" próximo das Berlengas


O criminoso afundamento do iate-motor “Omar”
Um mergulhador vai tentar recolher uma amostra da carga
No caso do afundamento do iate-motor “Omar”, que foi criminosamente metido no fundo, ao largo de Peniche, a fim de ser cobrada a importância do respectivo seguro sobre uma carga falsamente declarada como minério, a Polícia Marítima houve-se com muita perspicácia, iludindo, com a aceitação inicial das declarações da tripulação, uma aparente liquidação do assunto.
Todos os declarantes foram, por isso, então mandados em paz, mas o chefe Baptista dos Anjos coadjuvado pelo sub-chefe Serra e Moura e agente Martins Baptista, exerceram uma cuidadosa vigilância sobre os seus movimentos. Pouco tempo passado, verificava-se que um dos marítimos fazia despesas incomportáveis para os seus proventos: comprou três fatos; gastava dinheiro em recreios custosos e pagava frequentemente «rodas» de bebidas a camaradas, utilizando, para tal, notes de banco de 50, 100 e 500 escudos. O facto confirmou as suspeitas da Polícia, que teve conhecimento completo do caso com relativa facilidade, depois de feitas as duas primeiras prisões.Entre os detidos figura o armador Mário Assis, o único que, até agora, nega terminantemente o conhecimento da burla e das combinações feitas – nesse caso, não se sabendo com quem – para o afundamento do navio.
O chefe Baptista dos Anjos, acompanhado do agente Martins Baptista esteve em casa de vários dos detidos, e apreendeu diversas quantias, resto do dinheiro distribuído para a prática do crime.Aqueles dois funcionários policiais e o referido sub-chefe, partiram ontem de manhã, em automóvel para Faro, a fim de proceder a identica diligência em casa do mestre do navio, João dos santos, que, como os outros tripulantes, se encontra preso em Lisboa.
Obtida a confissão total da trama urdida, da forma como foi praticado o afundamento e, até, acerca da natureza da carga fraudelenta, o caso ficou convenientemente esclarecido. Mas a Polícia Marítima resolveu tentar juntar ao processo o corpo de delito que neste caso, será uma amostra da carga afundada com o navio.
Para o efeito deverá realizar-se, dentro de dias, no lugar do afundamento, a delicada operação de recolha da referida amostra, para o que se utilizarão um mergulhador e os recursos necessários à diligência, que será presenciada pelos três citados funcionários policiais e por entidades marítimas. Por seu turno, a Polícia Judiciária continua as investigações para o completo esclarecimento da criminosa actividade dos «exportadores» de minério.
No decorrer dos interrogatórios efectuados na madrugada de ontem, pelo chefe Amado e pelo agente Carlos Santos, que estão a trabalhar sob a orientação do dr. Luso Soares, os nove detidos, que se encontram agora incomunicáveis na Penitenciária, por ordem daquele magistrado entraram, finalmente, no caminho da confissão. Assim, ficou apurado que quem projectou o afundamento do navio e conduziu as negociações com o armador foi o Godinho e Cunha, que agiu com o conhecimento de todos os seus «sócios» - cada um dos quais entrava com uma cota parte do dinheiro para pagamento do «favor».
O armador Mário Assis recebeu também avultada quantia e foi o primeiro a saber dos planos dos «exportadores». Tornava-se necessário que o pseudo-minério – os arguidos já declararam tratar-se apenas de «areias» e resíduos de «ilimite» - se perdesse, pois de forma alguma poderia chegar ao seu destino. E era indispensável receber o seguro da carga no valor de 8.730 contos. Ficaria, então, combinado que o “Omar” seria metido a pique à saída do Porto. Porém, com grande surpresa e contrariedade dos planeadores da trama o navio chegou ao Tejo. Interrogado a esse respeito pelo Amaral e pelo Godinho e Cunha, o armador Mário Assis teria dito ter sido impossível afundar o navio, devido ao forte temporal que fez durante a viagem e que punha em perigo a vida dos tripulantes.
Foi então combinado, nessa altura, o regresso do navio ao Douro, a pretexto de separar novamente o «minério» e fazê-lo então naufragar – o que aconteceu perto das Berlengas, nas circunstâncias já conhecidas. Mas para a consumação do crime, os «exportadores» tiveram de aumentar a recompensa do motorista Manuel Baptista, para 250 contos e a do contra-mestre Nascimento para 50. Os restantes tripulantes receberam as quantias préviamente prometidas à excepção de um marinheiro que não voltou a embarcar, mas que estava no conhecimento do segredo.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, segunda-feira, 30 de Março de 1953
Características do iate-motor “Omar”,
agregado ao tráfego costeiro internacional
1944 – 1953
Armador: Mar-Trans-Sul, Lda., Faro
Nº oficial: A-667 - Iic: C.S.S.R. - Porto de matrícula: Faro
Construtor: José Miguel Amaro, Faro, 1944
Arqueação: Tab 91,08 tons - Tal 58,02 tons
Dimensões: Ff 24,85 mt - Pp 20,39 mt - Boca 6,62 mt - Pontal 3,04 mt
Propulsão: Motor Jonkopings - 1:Sd - 2:Ci - 120 Bhp - Veloc.: 8 nós

O afundamento do “Omar”
Estavam 85 contos na cama do mestre do navio
Prosseguem as investigações iniciadas pela Polícia Marítima para o esclarecimento do caso do criminoso afundamento do navio de carga “Omar”. O chefe Baptista dos Anjos, o sub-chefe Serra e Moura e o agente Baptista, que ante-ontem foram a Faro, levando com eles o mestre do “Omar”, apreenderam em casa deste 85 contos, que se encontravam guardados debaixo do colchão da cama. Foi o próprio mestre João dos Santos quem dali retirou o dinheiro e o entregou, dizendo ser o que restava dos 100 contos por ele recebidos.
Anteriormente, a Polícia Marítima apreendera 190 contos dos 200 que o motorista recebera e 21 dos 25 dados ao contra-mestre, somando, até agora, 300 contos apreendidos. A recolha do dinheiro vai prosseguindo e, entretanto, avolumam-se as suspeitas – embora ele o negue – de que foi o armador Mário Assis quem ordenou o afundamento do seu navio e entregou o dinheiro para as gratificações à tripulação.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 31 de Março de 1953

O criminoso afundamento do “Omar”
Foram aplicadas multas de 10 a 500 contos, às entidades
que passaram guias para o falso minério
São já conhecidos novos pormenores da grande burla da «casseterite», investigação que está a ser efectuada pela Polícia Judiciária. Os principais implicados na grande fraude - José Amaral, Baptista Coelho, Godinho e Cunha, Costa Caixeiro, Luciano Costa e Pinto Ribeiro - continuam presos estando agora o chefe Amado a tentar esclarecer a quota parte de responsabilidades de cada um. Na manhã de ontem foram libertados, por já haverem explicado a sua participação no caso e, por isso, não interessarem por ora à elaboração do processo, os detidos Adolfo Ferreira Paiva e Pinto, agente da firma transitária, e Jorge Vítor da Costa Testa.
O chefe Amado, no decorrer das investigações a que procedeu, averiguou ter o José Amaral pensado em fazer uma autêntica exportação de «casseterite» para Espanha, ficando, todavia, de posse das respectivas guias. Utilizá-las-ia depois para garantir os resíduos de «iliminite» destinados a embarcar e... atirar para o fundo do mar. Desta forma, ganharia muito mais. Mas a exportação para Espanha não se fez, afinal, e ele e os seus «sócios» apenas realizaram o «negócio da América».
Àcerca da garantia do pseudo minério embarcado, os «exportadores» utilizaram indevidamente diversas guias, uma vendida ao Godinho e Cunha por um elemento do Fomento Nacional da Indústria, e outras fornecidas por João Tiago Campos Carmo, a cobrir o fornecimento da hipotética «casseterite» em bruto, e mais outras passadas por algumas separadoras de Amarante e Porto, que justificavam as 170 toneladas de «areias» ensacadas como sendo de minério tratado. Por esse motivo, todas as entidades que passaram guias foram já processadas pela Direcção Geral de Minas, que autuou os responsáveis e lhes aplicou multas que variam de 10 a 500 contos.
Terminou cerca das 5 horas da madrugada a acareação feita, na Polícia Marítima, aos tripulantes do “Omar”, em conjunto com o proprietário deste navio, o armador Mário Assis que, até, ante-ontem, se mantinha numa negativa irredutível sobre todos os aspectos da sua intervenção na prática do crime. Porém, com a prisão ontem efectuada, do antigo motorista do “Omar”, Ernesto Vilela Raposo, o armador Mário Assis parece ter entrado no caminho das confissões. A intervenção de Vilela Raposo no caso, foi, segundo ele próprio contou a seguinte:
Quando ainda motorista do “Omar” foi-lhe entregue, pelo José Amaral, que parece ter sido o autor do plano, a quantia de 75 contos, com o encargo de meter o navio no fundo. O Vilela recebeu o dinheiro mas foi, seguidamente, dar parte do acontecido ao Mário Assis, que lhe pediu a quantia que ele havia recebido. E o motorista entregou-lho, recebendo, nessa altura a quantia de 1.000$00 escudos, a título de gratificação.
Posteriormente, o Vilela deu parte de doente, participando que não poderia embarcar. Foi então substituído pelo seu colega Manuel Gonçalves Baptista. Na acareação, o Mário Assis confirmou a versão do Vilela, afirmando que gastara aquele dinheiro em seu proveito, mas que era sua intenção distribuir, depois, igual quantia, pela tripulação do seu navio. Quanto ao que se lhe atribui, de ter dado a ordem para o afundamento do navio, o Mário Assis negou até à hora a que terminou a acareação, embora o mestre João dos Santos continuasse a afirmar que o dinheiro para as gratificações, tinha sido dada pelo Amaral, mas que fôra o Assis quem dera as indicações para o afundamento.
Inesperadamente, o armador declarou, a certa altura, que tinha perfeito conhecimento do que se planeava e que, para isso, o Amaral e um outro indivíduo tinham entrado em contacto com a tripulação. O Mário Assis recolheu, depois, à prisão, onde continua incomunicável. Entretanto, o chefe Baptista dos Anjos e o agente Baptista, deslocaram-se ontem para a província, a fim de ouvirem um antigo tripulante do “Omar”, que está a cumprir o serviço militar.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 1 de Abril de 1953

Nota: «Casseterite» designa um mineral tetragonal de que se extrai o estanho, abundante no norte do país. Por sua vez «ilmenite» é um mineral que cristaliza no sistema trigonal e é minério de titânio (quimicamente, trata-se dum óxido de ferro e titânio). No caso de ser este o minério referido no texto, obviamente a palavra citada está escrita incorretamente.

O afundamento de um navio com falso minério
A Polícia Marítima foi a Setúbal apreender a quantia de três mil escudos, importância que ainda restava dos dez contos que o contra-mestre do navio recebera, como pagamento da sua colaboração no afundamento do iate “Omar”.
O armador Mário Assis vai ser ouvido novamente, a fim de esclarecer qual a sua actuação no afundamento do navio. A Polícia Judiciária já esclareceu toda a meada referente à burla da carga do “Omar”, estando agora a determinar a responsabilidade de cada um. Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 2 de Abril de 1953

O criminoso afundamento do “Omar”
Quase trezentos contos foram entregues
por um dos detidos à Polícia
Na Polícia Judiciária têm prosseguido os interrogatórios aos seis indivíduos que estão detidos como implicados no caso do afundamento do iate “Omar”, tendo sido agora sujeitos a acareações. Ante-ontem, um deles, José Amaral, que é acusado de ter planeado o afundamento, entregou voluntariamente, ao chefe Amado a quantia de 294.685$00 escudos, parte dos seis mil contos levantados num banco de Lisboa pela firma Godinho e Cunha, para pagamento do falso minério.
Hoje, a Polícia Judiciária deve fazer novas revelações acerca do caso – e que se julga serem sensacionais. Por sua vez, na Polícia Marítima, também prosseguem as investigações, tendo o agente Martins Baptista ouvido o proprietário e capitalista sr. Belchior Martins Galego, de S. Brás de Alportel, acerca de um encontro que teve há tempos, num «café» da baixa, com o arguido Mário Assis, sócio da firma proprietária do navio. O sr. Belchior declarou que ele o procurara para lhe pedir que ficasse como fiador do grupo dos indivíduos do minério, na importância de mil contos, para estes fazerem um determinado negócio. O sr. Belchior disse então, que não lhe interessava o negócio, pois já não estava em idade para entrar em aventuras.
Supõe o investigador que a fiança pedida pelo acusado seria para se garantir com o dinheiro, que os carregadores lhe haviam prometido, para deixar afundar o “Omar”, pois não é pessoa, como já foi averiguado, que se fie em promessas e só se envolveria na negociata «com a certeza de receber o dinheiro».
Vai ser efectuada uma acareação entre o arguido Mário Assis , o sr. Belchior e o sr. José Martins, de Faro, primo da mulher do primeiro, que está de relações cortadas com ele, mas que se julga saber bastantes pormenores do caso.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 3 de Abril de 1953

O caso do “Omar”
Na Polícia Marítima foi ontem novamente ouvido o armador Mário Assis, sócio-gerente da Empresa Amizade, proprietária do navio “Omar”. O Assis começou a cair em flagrantes contradições, ao mesmo tempo que afirma ter determinado aos seus tripulantes que não deviam meter o navio no fundo, mas declarou ter conhecimento do facto e que não queria ser delator dos seus empregados.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 3 de Abril de 1953

O afundamento do “Omar”
O armador do navio continua a negar a sua participação no crime
O chefe Baptista dos Anjos e o agente Martins Baptista, da Polícia Marítima, foram ao Torel com os tripulantes do navio “Omar”, a fim destes serem acareados com os indivíduos que ali se encontram, detidos como autores do embarque do minério no mesmo navio.
O detido Sousa Amaral fez larga descrição de negociações que teria entabulado com o armador Mário Assis, declarando que desde Setembro se pensava em afundar o “Omar”, para o que o armador receberia mil contos. O Sousa Amaral afirmou ainda que não tendo essa elevada importância daria uma garantia do mesmo valor, sobre uma parte da apólice do seguro do minério, dizendo-lhe o armador Mário Assis que não queria o seu nome envolvido no caso, figurando nele um amigo de sua confiança.
Sucede que esse amigo recusou a sua participação no caso, segundo afirmação do mesmo Sousa Amaral, ficando então assente afundar-se o navio na viagem de regresso do Norte, combinação esta feita entre o mestre João dos Santos e o motorista Gonçalves Baptista, para o que ele Amaral despendeu 365 contos.
As declarações de Sousa Amaral foram confirmadas por todos os presos, somente as negando o armador Mário Assis. A Polícia Marítima não acredita na boa fé do armador Mário Assis, pelo que vai ainda prosseguir nas investigações.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 12 de Abril de 1953

O caso do navio “Omar”
Comunicado
A firma A.J. Gonçalves de Moraes, Lda., tem a satisfação de comunicar aos seus Excelentíssimos Clientes e Amigos e ao Comércio em geral que o seu sócio-gerente, sr. António Peres Ferreira, foi completamente ilibado de qualquer responsabilidade criminal no caso do navio “Omar”, por não haver fundamento para o acusar nos autos de instrução preparatória, que foram distribuídos ao 3º Juízo Criminal depois de organizados pela Polícia Judiciária.
E porque, só depois de proferido despacho de pronúncia provisória contra os arguidos indiciados como responsáveis, foi possível conhecer os termos em que foi judicialmente apreciada a actuação do nosso referido sócio, dos quais é reconhecida a sua absoluta inocência, só agora surgiu a oportunidade que ansiosamente esperavamos, no legítimo desejo de defender a reputação do nosso sócio, de fazer esta comunicação, aproveitando o ensejo para agradecer, reconhecidamente, todas as provas de estima, consideração e confiança que lhes foram dadas por inúmeros Clientes e Amigos.
E mais uma vez, convictamente, podemos afirmar que as nossas normas de trabalho usadas neste caso como, aliás, em todos os que nos sejam afectos, não sofreram de qualquer deficiência ou incorrecção, não tendo havido motivo sério para que, fosse quem fosse, alguma vez duvidasse da isenção e honestidade que há cerca de 60 anos são timbre e inalteráveis regras da actividade comercial desta firma, escrupulosamente mantidas pelos seus actuais Sócios, netos do seu honrado Fundador, muito tendo a lamentar que tão injustamente um deles tivesse sido envolvido neste caso.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 31 de Maio de 1953

terça-feira, 15 de junho de 2021

Divulgação


Conferência virtual
"Engenharia Hidrográfica em Portugal
das origens ao final do século XX"
Uma evocação no centenário da
Organização Hidrográfica Internacional
21 de Junho - 18 horas
Orador: Comandante Miguel Bessa Pacheco

sábado, 12 de junho de 2021

História trágico-marítima (CCCXV)


O encalhe do vapor “Sofala”, em Leixões

O vapor “Sofala” embateu nas pedras do esporão de Leixões,
sofrendo um rombo à proa, daí resultando ficar sem governo e
com os porões alagados
Mais um sinistro à entrada do porto de Leixões, que não teve, felizmente, consequências trágicas, mas a verdade é que provocou alarme. Se bem que, de momento, não é conhecido a quem atribuir responsabilidades, a realidade é que, cerca das 6 horas e meia da manhã, o “Sofala”, da Companhia Nacional de Navegação, embateu contra as pedras do esporão no molhe norte de Leixões, sofrendo um enorme rombo à proa, que o impossibilitou de entrar no porto.
É certo que o navio, que saíra de Lisboa pelas 16 horas de ontem, sob o comando do sr. Gustavo Peixe e tendo como oficial imediato o sr. Francisco Ramos Gonçalves, não perdeu a nevegabilidade, mas o primeiro e o segundo porões ficaram inundados, e devido ao sinistro abincou de proa, perdendo o governo, visto que o leme e a hélice ficaram fora da água.
Perante a impossibilidade de navegar e enquanto na capitania eram tomadas providências, o comandante do navio ordenou que fosse lançado um ferro no local, até que chegassem socorros. Entretanto, a bordo – e por ordem das autoridades marítimas – apareciam os bombeiros locais, que trabalharam no sentido de evitar que os outros porões fossem atingidos.
O “Sofala” que tinha previsto carregar em Leixões, três mil toneladas de carga diversa, contava dentro de breves dias largar com destino a Luanda. Construído na Alemanha e adquirido pela companhia proprietária, em 1942, desloca 12.000 toneladas. A fim de seguirem, de perto, os trabalhos de escoamento da água no navio sinistrado, que deve ser comboiado até ao Tejo pelos rebocadores “D. Luís” e “Aveiro”, vieram de Lisboa os srs. comandantes Celestino Ramos e Noronha de Andrade, administradores da Companhia Nacional de Navegação. O rombo, segundo consta, é de fácil reparação, pelo que o “Sofala”, em breve, seguirá viagem.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 15 de Outubro de 1950
Foto do vapor "Sofala - Postal ilustrado
 
Características do vapor “Sofala”
Armador: Companhia Nacional de Navegação, Lisboa
Nº oficial: G-456 - Iic: C.S.K.E. - Porto de registo: Lisboa 4.9.1943
Construtor: Bremer Vulkan, Vegesack, Alemanha, 1927
ex “Aller”, Norddeutscher Lloyd, Bremen, 1927-1942
Arqueação: Tab 7.820,83 tons - Tal 4.777,44 tons
Dimensões: Ff 160,92 mt - Pp 154,06 mt - Boca 19,24 mt - Ptl 8,62 mt
Propulsão: Bremer Vulkan, 1:Te - 4:Ci - 5500 Ihp - Veloc. 13 nós

O “Sofala” chega hoje, a Lisboa, a fim de reparar o rombo que sofreu
Os rebocadores de alto mar “Aveiro” e “D. Luís”, que eram esperados durante a madrugada, de ontem, para rebocarem o navio da marinha mercante “Sofala” para Lisboa, só chegaram ao largo do porto de Leixões por volta das 7 horas e meia, depois de terem feito a viagem na máxima velocidade.
Entretanto, o pessoal de bordo, sob a orientação superior dos engenheiros e técnicos da companhia armadora, procederam ao reforço, por meio de barrotes, da diversa carga que transportava nos porões, enquanto as corporações dos bombeiros, continuavam na tarefa de escoar a água que entrava nos porões um e dois, pelo rombo que o navio sofrera, na proa, abaixo da linha de flutuação.
Os referidos rebocadores depois de passaram amarras ao “Sofala”, seguiram viagem para o porto de Lisboa, às 9 horas e meia, levando a bordo algum pessoal dos bombeiros, bem como o piloto da barra, sr. Luiz Ventura. Segundo notícias recebidas, ao final da tarde, da empresa proprietária do navio, o “Sofala” estava a navegar a uma milha por hora, estando prevista a chegada a Lisboa, ao meio dia, de hoje, desde que a viagem continue a decorrer normalmente, durante a noite.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, segunda, 16 de Outubro de 1950

Pelo trabalho que realizou, porque a ele se deve o salvamento do navio, venho lembrar o piloto Luiz Ventura, amigo da família, um notável Figueirense, com carreira feita, tal como o capitão do navio, muitos anos na pesca do bacalhau. Ainda, para dizer o que não ficou dito, a melhor forma, senão única, para rebocar o navio, foi ter sido puxado pela ré, o que explica o largo tempo utilizado para chegar a Lisboa.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

História trágico-marítima (CCCXIV)


O encalhe do navio “Conceição Maria” em Inglaterra

O navio “Conceição Maria” encalhou na manhã de ontem
a cinco quilómetros da costa inglesa, mas foi posto de novo
a flutuar pelos rebocadores de Dover
Deal (Kent), 6 – O navio “Conceição Maria”, de 1.700 toneladas, pertencente à praça de Lisboa, encalhou hoje em Goodwin Sands, o baixio perigoso que fica a cinco quilómetros da costa.
O navio-farol que fica ao sul de Goodwin Sands disparou dois tiros de canhão quando o navio português se aproximava dos destroços dum navio americano do tipo «liberty», o “Laurey Victory”.
Do navio-farol informaram que o navio português estava numa situação perigosa e que havia pouca visibilidade. Entretanto, um salva-vidas e um rebocador aproximaram-se logo do “Conceição Maria”. Ao cabo de vários esforços, o navio foi posto a flutuar, ao fim da tarde, Foram os rebocadores de Dover que conseguiram safá-lo.
Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 7 de Abril de 1949
Foto do navio "Conceição Maria"

Características do navio “Conceição Maria”
Lisboa, 8 de Julho de 1948
Armador: Soc. Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lisboa
Nº Oficial: H-360 - Iic: C.S.I.U. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Companhia União Fabril, Lisboa, 1947
Arqueação: Tab 1.735,64 tons - Tal 931,59 tons
Dimensões: Ff 93,32 mt - Pp 86,40 mt - Boca 12,84 mt - Ptl 4,55 mt
Propulsão: Burmeister & Wain, 1:Di - 7:Ci - 2.500 Bhp - 12 nós

Está salvo o “Conceição Maria”, que encalhou na costa inglesa
Por notícias recebidas em Lisboa, sabe-se que o “Conceição Maria”, que esteve encalhado junto à costa inglesa, num banco de areia, saiu pelos seus próprios meios da posição em que se encontrava, encontrando-se a prosseguir a viagem. A tripulação está bem.
Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 7 de Abril de 1949

O encalhe do “Conceição Maria”
A Sociedade Geral de Transportes recebeu do capitão do “Conceição Maria”, um telegrama em que informa que aquele navio segue, pelos seus próprios meios para Newcastle, e que a tripulação se encontra bem.
Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 8 de Abril de 1949

quinta-feira, 3 de junho de 2021

História trágico-marítima (CCCXIII)


O naufrágio do rebocador “Aveiro”

O rebocador “Aveiro” afundou-se ontem, em frente de Cabo Ruivo,
tendo-se salvo a tripulação com dificuldade
Ontem de manhã, no Tejo, em frente de Cabo Ruivo, deu-se um acidente que, felizmente, não ocasionou desastres pessoais, por ter submergido, em parte, o rebocador “Aveiro”, da Companhia Nacional de Navegação, adquirido há pouco tempo nos Estados Unidos.
Cerca das 8 horas e meia, o “Aveiro” e mais dois rebocadores, estavam a proceder à manobra para fazer sair do cais da «Atlantic», em Cabo Ruivo, o navio-tanque norueguês “Marathon”, chegado há dias de Puerto de la Cruz, com combustíveis líquidos, que já descarregara.
O rebocador da Companhia Nacional de Navegação tinha um cabo amarrado à popa do navio, e, ao que parece, no decorrer da manobra, não foi solto o cabo tão rapidamente quanto necessário, adernando e começando a meter água, até submergir. Isso levou a que o “Aveiro” tivesse ficado com a popa submersa e a proa fora da água.
Os tripulantes lançaram-se à água, sendo recolhidos, com dificuldade, pelo rebocador “Rata”, da Companhia Italo-Portuguesa. São eles o mestre Pablo Muciano, o contra-mestre João Francisco de Almeida, marinheiros Eduardo dos Santos, José Fino da M. Catita, e moços José Salvador P. Gonçalves, e Luciano Domingos R. Damaso, motoristas Jaime Baptista e Viriato Francisco Borges; ajudantes de motoristas Quirino da Costa Arruda e Francisco Fernandes Nunes Constante.
Ficaram feridos o moço Luciano Damaso e o ajudante de motorista Francisco Constante. O motorista Jaime Baptista quase morreu afogado, por ter bebido muita água, pelo que o seu estado chegou a ser considerado grave.
Chamados os socorros, com o intuito de salvar o “Aveiro”, não o deixando afundar por completo, logo compareceram vários rebocadores da Companhia Nacional de Navegação, o “Cabo Raso” da Administração Geral do porto de Lisboa, a cábrea da Administração Geral, e mergulhadores, começando logo os trabalhos de salvamento. Para o efeito, os mergulhadores fixaram cabos de arame em volta do “Aveiro”, para a cábrea erguer o rebocador e depois as bombas escoarem a água. Os trabalhos continuam, por enquanto, sem resultados práticos.
Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 16 de Abril de 1949
Foto do rebocador “Aveiro” de Luís Miguel Correia
(lmcshipsandthesea.blogspot.com)

Características do rebocador “Aveiro”
Armador: Companhia Nacional de Navegação, Lisboa - (24.Jul.1948)
Nº Oficial: H363 - Iic: C.S.T.M. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Montreal Drydocks., Ltd., de Montreal, QC, Canadá, 1944
ex HMCT “Alberton” (W48 – class British Norton) Marinha do Canadá
Arqueação: Tab 242,22 tons - Tal 47,40 tons
Dimensões: Ff 33,68 mt - Pp 31,90 mt - Boca 8,13 mt - Ptl 3,41mt
Propulsão: Dominion Eng. Works Ltd., 1:Di - 9:Ci - 1.000 Bhp - 12 nós
Adquirido pela Companhia Nacional de Navegação, Sarl, em 1947, e matriculado na Capitania de Lisboa em 24 de Julho de 1948, para operar no serviço portuário de apoio à sua frota de navios de longo curso e batelões; vendido em 1972 à firma Navegação Fluvial e Costeira de Rui da Cruz e Júlio da Cruz, Lda., de Lisboa, mantendo o mesmo nome; 2004 entrou em “laid up”; 2005 vendido para sucata à firma Baptistas, de Alhos Vedros; 2008 foi desmantelado.

Os trabalhos para pôr a flutuar o rebocador “Aveiro”
Recomeçaram ontem os trabalhos para reflutuar o rebocador “Aveiro”, que ante-ontem de manhã se afundou em frente de Cabo Ruivo. No local do sinistro encontra-se material da Administração do porto de Lisboa e vários técnicos, sob a direcção do cmdte. Eduardo Correia, adjunto dos serviços marítimos daquele departamento do Estado.
As operações, por serem difíceis, devem demorar muito tempo. A Polícia Marítima vai proceder a averiguações sobre as causas do acidente, a fim de determinar as responsabilidades.
Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 17 de Abril de 1949

Os trabalhos para o reflutuamento do rebocador “Aveiro”
Apesar da neblina que caiu sobre o Tejo, recomeçaram ontem de manhã os trabalhos para o reflutuamento do rebocador “Aveiro”, afundado há dias em frente a Cabo Ruivo.
O sr. comandante Correia, da Administração do porto de Lisboa, dirigiu os trabalhos. As cábreas “Engenheiro Loureiro” e “Engenheiro Aguiar” fora levadas para o local do sinistro, a fim de, com o seu auxílio, ser conseguido pôr a flutuar o “Aveiro”, que se encontra com toda a popa fora de água. Os trabalhos prosseguem, sendo esperado que o “Aveiro” fique hoje a flutuar.
Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 19 de Abril de 1949

O rebocador “Aveiro” foi retirado da posição em que se encontrava
Durante o dia de ontem prosseguiram os trabalhos de salvamento do rebocador “Aveiro”, que há dias se afundou em frente a Cabo Ruivo.
Os técnicos que empregaram diverso material flutuante nas referidas operações, dirigidas pelo sr. engenheiro Sá Nogueira, administrador geral do porto de Lisboa, conseguiram levantar um pouco a proa do rebocador e retirá-lo da posição em que se encontrava.
Ao começo da madrugada de hoje o “Aveiro”, foi finalmente retirado da situação em que se encontrava, prosseguindo os trabalhos durante a noite para tratarem do esgotamento da água.
Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 20 de Abril de 1949

O afundamento do rebocador "Aveiro"
Na capitania do porto de Lisboa, foi lida ontem a sentença que condena a empresa proprietária do rebocador norueguês "Maraton", em 1.466 contos, pelo afundamento do rebocador "Aveiro", da Comp. Nacional de Navegação, em Abril do ano findo, em frente de Cabo Ruivo.
Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 24 de Junho de 1950

terça-feira, 1 de junho de 2021

História trágico-marítima (CCCXII)


O encalhe do vapor “Almanzora”, ao norte do Cabo Espichel
Pouco depois da 1 hora da tarde, no Arsenal de Marinha foi recebido um telegrama de S. Julião da Barra, participando que se encontrava encalhado ao norte do Cabo Espichel o paquete inglês “Almanzora”. O agente da Mala Real Inglesa, a que o “Almanzora” pertence, deu ordens no sentido de que fossem prestados os indispensáveis socorros, partindo para o local do sinistro.
Até à presente hora, apenas se sabe que o paquete encalhou em frente da lagoa de Albufeira. Para ali partiram oito barcos, a fim de prestar socorros, tendo também acorrido ao local o aviso “5 de Outubro”, que anda em viagem de instrução.
O “Almanzora” é um dos melhores navios da Mala Real Inglesa, tendo mais de 15.000 toneladas. A bordo vêm cerca de 1.200 passageiros, de nacionalidade espanhola, inglesa, brasileira e portuguesa. Esperam que, na maré da madrugada, o vapor seja salvo.
Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 8 de Setembro de 1921
O paquete “Almanzora” continua encalhado,
tendo desembarcado os passageiros
Desembarcaram hoje, pela 1 hora da tarde, no Posto de Desinfecção 308 passageiros, que com destino aos portos de Lisboa, Vigo, Cherbourg e Southampton seguiam viagem a bordo do paquete “Almanzora”, da Mala real Inglesa, que ontem encalhou na areia, ao norte do Cabo Espichel, entre o sítio da Fonte Velha e Cabo Malha.
Esta manhã, cerca das 10 horas, foram realizadas novas tentativas para safar o navio, tendo sido todas inuteis. Foi depois disso que resolveram tratar do desembarque dos passageiros e respectivas bagagens. O transporte foi efectuado pelos rebocadores “Júpiter”, “Tejo” e “Josefina”, logo a seguir às 10 horas. Junto ao “Almanzora” estão vários rebocadores, entre os quais o “Minho”, o “Castor”, o “Ferra”, o “Bico”, o “Argentina” e o “Pátria”.
Ainda não estão perdidas de todo as esperanças de que o paquete se consiga salvar, visto que apesar do “Almanzora” se encontrar profundamente enterrado na areia, o mar não tem sido muito violento nestes últimos dias, pelo que é possível que os rebocadores consigam desencalhá-lo.
Além dos rebocadores encontram-se no local do sinistro quatro fragatas, que para ali seguiram às 9 horas de hoje, a reboque do vapor “Milhafre” da agência, a fim de para elas ser baldeada a carga, contribuindo para aliviar o navio.
Para Lisboa vinham apenas 85 passageiros, sendo que a maioria veio com destino a Vigo, procedentes de Montevideu, Buenos Aires, Baía e Pernambuco. Os passageiros para Lisboa são na sua maioria trabalhadores, que regressam dadas as dificuldades encontradas no Brasil para conseguirem empregos. Entre eles notam-se muitas mulheres, quase todas das províncias do Minho, Beira e Trás-os-Montes.
Os passageiros em transito foram hospedados em vários hoteis por conta da agência e amanhã seguirão por terra todos os passageiros que se destinam a Vigo. Os outros vão esperar que o “Almazora” se safe, e, em caso contrário embarcarão noutro navio da Mala Real Inglesa, ou em alternativa seguirão também por terra. Todos os passageiros se mostram muito reconhecidos para com a oficialidade do paquete e em especial ao comandante Frigge, o qual é o segundo em antiguidade na escala dos capitães da Mala Real Inglesa. Um dos passageiros disse que a viagem foi sempre excelente, não se tendo registado o mais pequeno incidente a bordo, de tal forma que o encalhe do “Almanzora” passou despercebido, pois quase todos os viajantes se encontravam ainda nos seus camarotes.
O dia havia amanhecido bastante claro e só perto do Cabo Espichel um denso nevoeiro rodeou o navio, a ponto do piloto não distinguir sequer a proa do navio. Quando o choque se deu, para a maioria dos passageiros, as sereias de bordo do “Almanzora” deram o sinal de alarme, e, mesmo muito tempo depois do sinistro era desconhecido a bordo o ponto em que o acidente se dera, não tendo sido interrompida a vida normal dos passageiros, que permaneciam entregues às suas diversões habituais.
Para essa tranquilidade contribuiu a atitude da oficialidade do navio e a serenidade do mar. Na noite passada, ainda o «bar» do “Almanzora” esteve repleto, reinando sempre a maior animação. Espera-se que o navio consiga safar-se esta noite ou amanhã de manhã.
Entretanto, a descarga dos porões foi iniciada ontem à tarde, sendo o carregamento constituido, em grande parte, por sacos com milho.
O capitão do porto de Cascais comunicou às autoridades de marinha que o capitão do paquete “Almanzora” não aceitou o oferecimento do navio “5 de Outubro” para puxar e desembarcar os passageiros, a fim de conduzi-los para Cascais. São esperados amanhã em Lisboa três rebocadores ingleses, que vem tratar dee salvar o “Almanzora”.
Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 9 de Setembro de 1921
O paquete “Almanzora” continua encalhado
Os seus passageiros
Não se modificou ainda a situação do paquete inglês “Almanzora”, encalhado nos bancos de areia junto ao Cabo Espichel, estando a ser aguardada a chegada de quatro poderosos rebocadores ingleses, que vem tentar salvá-lo. Hoje continuaram a descarga das mercadoria que conduzia.
O inspector dos serviços de Socorros a Náufragos fez constar à Mala Real Inglesa, que tinha todo o material de salvamento pronto a seguir, caso fosse necessário. Todos os serviços que estão a ser efectuados correm por conta e responsabilidade da companhia.
Esta noite seguiram, por terra, os passageiros que se destinavam ao Porto, Vigo e França. Os restantes aguardam a chegada de outro navio da Mala Real Inglesa, para seguirem aos seus destinos, caso o “Almanzora” não se salve.
Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 10 de Setembro de 1921

O paquete “Almanzora”
Não se modificou a sua situação
No dia de hoje fizeram várias tentativas para desencalhá-lo, mas ainda sem resultado. Para libertar o navio aguardam uma preia-mar mais forte, havendo esperança que os dois poderosos rebocabores ingleses, que chegaram de Gibraltar, o consigam.
De bordo do navio foi hoje atirado ao mar carga de açucar e milho, que se destinava a Lisboa.
Os passageiros que não seguiram por terra, embarcaram esta tarde no “Orcana” (?), da Mala Real Inglesa, que deve saiu poucas horas depois de entrar no Tejo.
Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 11 de Setembro de 1921
O paquete “Almanzora”
Não mudou de situação
Continua encalhado o paquete inglês “Almanzora”, sendo esperado que dentro de breves dias, as marés vivas sejam o melhor auxílio para retirar aquele vapor da posição em que se encontra. Aguardam também a chegada do terceiro rebocador inglês, para auxiliar no trabalho dos outros dois que já cá estão.
Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 13 de Setembro de 1921

O paquete “Almanzora”
Foi hoje salvo, tendo entrado no Tejo
Foi hoje posto a flutuar o paquete “Almanzora”, da Mala Real Inglesa, que há vários dias esteve encalhado próximo de Cascais, entrando hoje mesmo no Tejo.
O desencalhe deve-se aos esforços do grande rebocador inglês “Salvater”, conjugados com os dos outros dois da mesma nacionalidade e os dois portugueses, que desde o princípio se encontravam no local onde o “Almanzora” encalhou.
Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 14 de Setembro de 1921

O “Almanzora” levantou ferro hoje
Às 17 horas levantou ferro o paquete “Almanzora”, da Mala Real Inglesa, que esteve encalhado ao norte do Cabo Espichel.
Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 15 de Setembro de 1921

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Marinha Portuguesa


Hoje, 20 de Maio, celebra-se o dia da Marinha
Muito embora não haja ainda condições para comemorar este dia festivo, próximo dos militares, no mar ou numa qualquer avenida deste país, onde certamente estaria assegurada uma excepcional parada militar, exposições, concertos, etc., que muito apreciamos, lembro a todos aqueles que sentem o sal correr-lhes nas veias, que não percam a oportunidade, através duma forma singela, compartilhar da alegria de festejar mais um aniversário da Marinha de Guerra Portuguesa, independentemente do local onde quer que nos encontremos.
A todos os “Filhos da Escola”, parabéns!

terça-feira, 18 de maio de 2021

História trágico-marítima (CCCXI)


O naufrágio do iate-motor "Vale Formoso Segundo"
 
Afundou-se na madrugada de quinta-feira, 16 de Setembro, em frente da capela do Senhor da Pedra, mas os tripulantes conseguiram salvar-se, tendo sido recolhidos pela traineira “Ziza”.
Mais um sinistro na costa Norte, desta vez sem vítimas, felizmente. Trata-se do afundamento, em frente à capela do Senhor da Pedra, entre Miramar e Francelos, do iate-motor “Vale Formoso Segundo”, pertencente à Empresa Trans-Mar-Sul, Lda., com sede em Faro.
O sinistro ocorreu de madrugada, depois da tripulação, por ordem do mestre Francisco Salgado, de 39 anos, de Ílhavo, ter deixado o iate, que começou a meter água entre a Figueira da Foz e Aveiro. Antes, os 10 homens que compunham a tripulação, tentaram todos os esforços, mas as bombas de bordo revelaram-se insuficientes para a esgotar.
Características do iate-motor “Vale Formoso Segundo”

Armador: José dos Santos Roque Júnior, Faro
Operador: Empresa Trans-Mar-Sul, Lda., Faro
Nº Oficial: A-655 - Iic: C.S.K.U. - Porto de matrícula: Faro
Construtor: José Miguel Amaro, Faro, 1941
Arqueação: Tab 132,02 tons - Tal 83,05 tons
Dimensões: Ff 29,03 mts - Pp 24,82 mts - Boca 7,26 mts - Ptl 3,40 mts
Propulsão: Motor S/d - 2:Ci - 130 Bhp (c/ origem na Suécia)
Equipagem: 10 tripulantes

O “Vale Formoso Segundo” transportava um carregamento de barro para a Fabrica de Cerâmica do Candal, havia saído no dia 14, à tarde, de Lisboa. Segundo declarações dos tripulantes, o iate navegou bem até alturas da Figueira da Foz, mas, depois, abriu água por motivos que desconhecem. Apesar dos esforços feitos, teve de ser abandonado, por volta das 4 horas da manhã, saltando os tripulantes para a baleeira de bordo. Em pouco tempo afundava-se.
Entretanto, a traineira “Ziza” que regressava da faina da pesca, encontrava-os e logo foram recolhidos, levando-os para Leixões. Quase todos tiveram tempo de salvar os seus haveres, bem como alguns pertences de bordo, mas não muitos.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 17 de Setembro de 1948

sábado, 8 de maio de 2021

História trágico-marítima (CCCIX)


O naufrágio do navio espanhol "Erato"
Foto do navio "Erato"
Fonte: buques.org

Características disponíveis
1945 - 1946
Armador: José y Andrés Federico Barcala Moreno
Construtor: Soc. Metalurgica Duro Felguera, Gijon, 3.3.1945
Arqueação: Tab 426,00 tons - Peso morto: 500,00 tons
Dimensões: Pp 41,00 mts - Boca: 8,00 mts - Pontal: 3,40 mts
Propulsão: Talleres de Sestao - 1:Di - 6:Ci - 600 Rpm - 10 nós
 
Naufragou um navio espanhol a Oeste do Cabo de Sines
tendo os tripulantes sido recolhidos por um patrulha português
A cerca de 20 milhas a Oeste do Cabo de Sines, naufragou, na madrugada de ante-ontem (13 de Maio), o navio espanhol "Erato", que fazia uma viagem de Gijon para Huelva, com 450 toneladas de carvão.
O navio naufragou com «água-aberta», tendo submergido em menos de vinte minutos.
A tripulação, constituída por doze homens, pôs-se a salvo numa baleeira, que foi recolhida, cerca das 8 horas da manhã de ontem, pelo navio-patrulha Nº1, que faz serviço na costa portuguesa.
Os náufragos, após recolhidos a bordo, desembarcaram em Lisboa, onde chegaram depois às 15 horas.
Jornal "Comércio do Porto", quarta-feira, 15 de Maio de 1946

Quero agradecer a Javier Rodriguez (blog buques.org) pela partilha de informações, permitindo o acesso às características do navio, parcas através dos canais oficiais.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Divulgação


Conferência do Seminário do Mar
10 de Maio - 17H30
Convite
RISE UP - A BLUE CALL TO ACTION
Prof. Doutor Emanuel Gonçalves

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Instituto dos Socorros a Náufragos


Parabéns Marinha pelo 129º aniversário do Instituto

Tanto ou mais que os salva-vidas postos à disposição pela Marinha de Guerra Portuguesa, nas diversas estações espalhadas pelo litoral do país, é fundamental não esquecer todos aqueles que estão actualmente ao serviço do Instituto, vigilantes e disponíveis para enfrentar os maiores riscos, é simultaneamente forçoso recordar todos aqueles, que devotada e heroicamente trabalharam em terra e no mar, resgatando larga quantidade de náufragos ao longo de todos estes anos.
 
Estação de Angeiras
Estação de Esposende
Estação de Ferragudo
Estação da Figueira da Foz
Estação da Foz do Douro
Estação de Leixões
Estação de Peniche
Estação da Póvoa de Varzim
Estação de Viana do Castelo
Estação de Vila Chã
Estação de Vila do Conde