sábado, 4 de outubro de 2008

A história do afundamento do iate " Rio Ave "


Histórias da nossa história

O iate " Rio Ave "
1904 - 1917

Com a liberalização das pescas pelo governo monárquico, nos inícios do século XX, surgem empresários interessados em armar navios para a pesca do bacalhau. Entre outras embarcações o "Rio Ave", pertença de Francisco Estevão Soares, do Porto e posteriormente da Parceria de Pesca Portuense, terá sido um dos primeiros navios construídos em estaleiro nacional, com esse objectivo.
Por volta de 1904, época em que o país dispunha de poucos navios, os armadores tiravam mais rentabilidade das embarcações, posicionando-as na pesca durante os meses de Verão e no serviço comercial durante o resto do tempo. Constata-se a diferença através do número de tripulantes embarcados, 29 para a pesca, 11 para o serviço de cabotagem e longo curso.
Pode dizer-se que o navio teve uma existência normal e tranquila, revelando-se feliz para os armadores, principalmente durante a fatídica cheia no Douro de Dezembro de 1909, em que se perderam cerca de 35 navios. Estava amarrado em Massarelos e ali se conservou, sem avarias ou danos provocados por outros navios descontrolados à sua passagem.

Postal ilustrado do rio Douro tirado na cheia de 1909
O "Rio Ave" amarrado em Massarelos

Nº Oficial : A-111 > Iic.: H.C.G.P. > Registo : Porto
Construtor : J.D. Santos Borda, Fão, 1904
Tonelagens : Tab 161,97 to > Tal 119,64 to
Cpmts.: Pp 31,85 mt > Boca 8,08 mt > Pontal 3,23 mt

Imagem do iate "Rio Ave" publicada no livro "Ao Serviço da Pátria"
da responsabilidade do jornalista Costa Júnior

Estão chegados os anos da Iª Grande Guerra. Depois de muitas derrotas e de uma infindável quantidade de milhas percorridas, um encontro infeliz em Março de 1917 ditou-lhe o fim, exactamente da mesma forma que um largo número de outros navios nacionais. Costa Júnior conta-nos o episódio e o drama vivido pela equipagem, através das páginas do livro acima citado. Para dar a conhecer ou apenas pela oportunidade de reler, como segue :





4 comentários:

fangueiro.antonio disse...

Boa noite Sr. Reinaldo.

Finalmente consigo que o seu blogue aceite um comentário pois por várias vezes o tentei mas sempre deu erro.
Gostei muito deste e da maior parte dos seus artigos sobre navios em especial os da pesca do bacalhau, como há meses atrás comentei consigo.
Este lugre "Rio Ave", curiosamente com o nome do rio da minha terra, teve um fim muito parecido a outros dois eventos da II Guerra Mundial, com o "Maria da Glória" e o "Brites". Escrevi sobre eles recentemente e não resisti a transcrever, à mão, toda a descrição sobre o "Rio Ave" das imagens do livro que nos apresenta. De futuro publicarei também esta história no blogue e indicarei o seu para as fotos e restantes dados do navio.
Enormes parabéns pelo trabalho que tem vindo a desenvolver neste blogue, que sigo quase diariamente.

Atentamente,
www.caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt

Luis Filipe Morazzo disse...

Caro Sr. Fangueiro

Perdoar-me-á a correcção, mas em vez do “Brites” o segundo navio afundado foi o lugre “Delães”

Saudações marinheiras

Luis Filipe Morazzo

J.pião disse...

Boa noite meus senhores li esta bela história ,sobre o lugre Rio Ave ,lugre que o meu avõ começou na pesca do bacalhau ,éram assim os nossos bravos mareantes,contra ventos e marés e contra submarinos açassinos .Foi afundado o Maria da Gloria,o Delaens, e Rio Ave e outros,e morreram muitos dos nossos gloriosos mareantes,paz as suas almas .Comprimentos ao SR. Reinaldo e amigo Fangueiro...J.Pontes.

J.pião disse...

Mais uma vês ,ao ler esta cronica sobre o iate rio ave ,como homém do mar,tenho orgulho nestes e noutros mareantes ,é que não é facil enfrentar de peito abérto todas as contrariedades ,que estes bravos enfrentaram e que com todas as condições desumanas souberam dar a volta ,imagino só, depois de varios dias sem comer e em especial sem água que tormenta meu Deus !
Mas que alegria quando com os olhos já cansados avistaram térra ,milagre milagre milagre !
Mesmo no dia de Pascoa só pode ser um grande milagre da SENHORA DOS MARES!!!
Foi precisamente no Iate Rio Ave que o meu Avô Fangueiro se iniciou na pésca do bacalhau ,não sei ao certo se deu três ou qutro viagéns !
Minha homenagém para todos que de uma maneira ou de outra passaram por essas tormentas e que souberam valentemente dar a volta como grandes marinheiros que sempre fomos e somos !...Jaime Pontes