sábado, 1 de março de 2014

História trágico-marítima (CXXIX)


O encalhe do navio-motor “Zambézia”, em Moçambique

Os passageiros do paquete-costeiro “Zambézia”
foram recolhidos pelo aviso NRP “Gonçalves Zarco”
De bordo do aviso “Gonçalves Zarco”, foi expedido um rádio para o Ministério da Marinha, informando que este navio de guerra foi chamado em socorro do paquete-costeiro “Zambézia”, da Companhia Nacional de Navegação, tendo prestado, debaixo de mau tempo, uma valiosa assistência àquela unidade, encalhada num baixo de coral do litoral de Moçambique, desde o dia 8 do corrente (08.02.1950).

O navio-motor "Zambézia", no Tejo, vindo da Escócia
Postal ilustrado - edição da Comp. Nacional de Navegação

Identificação do navio-motor “Zambézia”
Armador: Comp. Nacional de Navegação, Lisboa, 26.04.1949
Construtor: Ardrossan Dockyard, Ltd., Escócia, 1948
Arqueação: Tab 2.625,08 tons - Tal 1.505,95 tons - pm 1.857 tons
Dimensões: Ff 88,53 mt - Pp 83,96 mt - Bc 13,18 mt - Ptl 7,25 mts
Propulsão: British Polar, 2x:Di - 8:Ci - 2x1.280 Bhp - 12 m/h
dp “Leeway”, Thesen’s S/Ship Co. Ltd., Cape Town, 1970-1974
dp “Awura Ama”, Colonial S/Ship Co. Ltd., Port Louis, 1974-1977
dp “Cape Coast”, Seven Seas Trading Co., Panamá, 1977-1979
Naufragou ao largo de Lomé (Togo) em 7 de Julho de 1979, carregado com fosfatos, quando em viagem de Kperne (Togo) para Lagos (Nigéria).

O “Gonçalves Zarco”, do comando do sr. capitão-tenente Melo de Carvalho, arrostou com o violento temporal que assolava toda a costa de Moçambique e chegou ao local do sinistro. O “Zambézia” era então fortemente batido pelo mar. Tinha a bordo, além da carga e da sua tripulação, algumas dezenas de passageiros, pois trata-se de um paquete costeiro empregado no tráfego entre os vários portos daquela província.

O aviso colonial "Gonçalves Zarco", em Lisboa
Postal ilustrado - edição da Marinha Portuguesa

Através de grandes dificuldades e, por vezes com risco de vida para os seus oficiais e marinheiros, o “Gonçalves Zarco” conseguiu proceder ao transbordo de todos os passageiros e dos seus haveres, após o que permaneceu próximo do “Zambézia” até chegar o rebocador “Marracuene”, com pessoal e material de salvamento.
A tripulação do navio sinistrado manteve-se a bordo e cooperou eficazmente nos trabalhos que se seguiram, sempre debaixo de violento temporal.
Mais tarde, num período de preia mar, o “Zambézia” conseguiu desencalhar, mas, ao verificar-se que, devido aos rombos sofridos, estava a ser rapidamente inundado pelas águas, o seu comandante resolveu meter a proa à terra e varar o navio na praia da foz do rio Moloqué, operação difícil a que procederam, apesar do mau tempo.
Na baixa-mar, o “Zambézia” fica quase todo em seco, o que permitirá a realização de reparações provisórias, após as quais tratarão de pôr novamente o navio a flutuar. A marcha e o êxito desses trabalhos dependem, como é evidente, do estado do mar, mas esperam que, na situação em que o navio se encontra presentemente, seja possível alcançar os objectivos em vista.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 14 de Fevereiro de 1950)

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