sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Ei-los que partem... destino América do Sul

" Giovanna C "



Os navios Italianos das Linhas Costa com saídas regulares a partir de Lisboa e de Leixões, foram responsáveis pelo transporte de muita emigração Portuguesa para diversos portos na América do Sul, com especial predominância para o Brasil. Terá inclusive resistido durante mais tempo do que as companhias concorrentes, só desistindo do tráfego quando se revelou ruinosa a competição com as companhias aéreas.
Neste feliz instantâneo recorda-se o navio a embarcar passageiros em Leixões, naquela que seria uma das últimas viagens com passagem pelo Equador, durante o ano de 1952. No cais do adeus, o momento da despedida, com os familiares próximo para um abraço do tamanho da distância que separa os dois continentes. Ei-los que partem. Quantos puderam ou quiseram regressar ?


O "Giovanna C " - postal da Companhia

Nacionalidade: Italiana com registo no porto de Génova
em serviço na Companhia de 1947 até 1953
Ctdo. no estaleiro Asano, em Asano, Estados Unidos, Dez.1919
ex "Eastern Trader" - Governo dos E.U., 1920 até 1922
ex "Horace Luckenbach" - Luckenbach S/s Co., E.U., 1922-1947
Tlgm.: Tab 8.151 to > Cptms: Pp 135,60 mt > Boca 17,70 mt
Máquina: 2:Te > Velocidade: 10,5 m/h
Vendido para demolição em La Spezia a 25.05.1953

9 comentários:

Rui Amaro disse...

Olá Reimar
Lembro-me muito bem do paquete italiano Giovanna-C, do armador Giacomo Costa Fu Andrea .”Línea C”, Génova, todo pintadinho de branco com uma faixa azul e linha de água da mesma cor, até cheguei a modelar uma miniatura, cujo casco foi feito de palmeira e as superstruturas de cortiça e pau, pintado e tudo, para juntar à minha já grande colecção. Está claro, que, com os meus 13 anos, estive junto do navio na doca nº 1 norte, porto de Leixões, a assistir à saída a 18/5/1951, cujo prático, que a dirigia era o meu pai e que teve de me aturar a descrever-me as características daquele vapor, tim por tim. O agente consignatário era a firma Orey Antunes, cujo caixeiro de mar era o colega Florindo, que ainda deves ter conhecido.
Belos tempos para o porto de Leixões e para os estabelecimentos de comes e bebes locais. Eram dias festivos com os embarques de emigrantes para as Africas e para a America do Sul, particularmente para o Brasil. Eram familias inteiras, que vinham lá das terras do interior para se despedirem dos seus, que iam procurar melhores oportunidades nas terras promissoras. Eu próprio, muitas vezes, fui com os meus pais despedir-me de familiares emigrantes.
Eram os paquetes da Nacional e da Colonial para as Africas: Colonial, Mouzinho, João Belo, Nyassa, Lourenço Marques, Quanza, Nova Lisboa (ex Angola). Outros para o Brasil e Rio da Prata: Serpa Pinto (o da Saudade), North King, apesar da sua pequenez, era muito popular, Portugal, Monte Umbe, Plus Ultra, Juan de Garay, Surriento e os brasileiros do Lloyd. Haviam também os Highlands da Mala Real Inglesa e os Franceses da Chargeurs Réunis/Sud Atlantique, que embarcavam os passageiros na Bacia. Ah, já me esquecia dos da minha companhia, a Casa Garland, que agenciava os paquetes da Booth Line, Hilary, Hildebrand (cujo capitão teve receio de entrar em Leixões, devido ao nevoeiro e foi-se perder nos Oitavos, Cascais), Hubert e o Anselm, que vindos de Liverpool seguiam para Lisboa, Funchal, Fortaleza, Maranhão, Belém do Pará e subiam o Amazonas até Manaus, com transbordo para Iquitos, “1000 miles up the Amazon” e na volta vindos de Trinidad, escalavam Lisboa e Leixões, em viagem para Le Havre e Liverpool. Já no meu tempo, atendi os navios-mistos da Booth Line e lá vinham os “Brasucas” cheios de cruzeiros de visita às terras, trazendo os seus Cadilacs, Fords, Oldmosbiles, etc.
Os Highlands (navios correios) traziam já o piloto, que fora embarcar a Vigo, isto para não haver atrasos mas havia ocasiões, que os seus capitães, devido mesmo a ondulação não impeditiva de acesso ao porto, negavam-se a entrar e o piloto desembarcava em Lisboa.
Estou-me a lembrar, que na década de 40, devido ao mau tempo, o piloto Francisco Gonçalves seguiu para o Brasil no paquete Nyassa, que nesses anos fazia o tráfego daquele país, regressando a Lisboa no mesmo.
E tudo se foi, com o ressurgimento da rapidez dos “aeroplanos”.

ararubas disse...

Olá Reimar, fiz essa viagen em Dezembro de 51 Lisboa a S. Paulo, chegando em janeiro de 52. Tinha apenas 7 anos mas lembro dos passageiros enjoados com o balanço. Foram duros 17 dias de mar.
Abraços

Fatima disse...

Achei maravilhoso encontrar imagem do Giovanna C, pois foi nesse navio que meu pai veio de Portugal ao Brasil e chegou aqui em 02 de maio de 1952. Gostaria muito de saber se ainda tem alguem que veio nessa embarcação.Meu se chamava Manuel Rodrigues Domingues, infelizmente falecido e tenho certeza que até iria ficar com olhos marejados de ver o navio.Um santo ano de 2011 á todos vocês. Maria de Fatima Domingues.(Sorocba-SP)

Alberto José Paiva disse...

Minha mãe, Piedade Pinheiro de Paiva, também viajou neste navio desde o porto de Leixões até o rio de Janeiro com escala em Dacar! A aprtida foi a 24 de Setembro de 1951 e a chegada em 15 de Outubro.

jose augusto rodrigo cabral baptista disse...

Quanta emoção rever o navio que me trouxe para o meu querido Brasil!!Cheguei traumatizada com tantos momentos de medo e pavor vividos neste navio ,junto com minha mãe ,irmã e tio que nos foi buscar ,pois meu pai já estava no Rio de Janeiro esperando por nós.Sempre comento com meus filhos ,o balançar do navio tão forte que impedia a mesa ficar arrumada para o café pois tudo tombava.O medo de morrer na viagem era tão grande que fiz a primeira comunhão ,com sete anos e sem preparo algum.Tem muitas histórias para contar ,mas fica para outro comentário ,aos que desejarem,porém digo a voces que jamais esquecer esta longa viagem de 17 dias ,os quais ficaram marcados para sempre ,com grande medo das viagens marítimas .Abraços a todos que sobreviveram!!!!!!!!!!!!!!.

Eduardo Guilhon disse...

Embarquei no Giovanna C em 02/11/1952 chegando do Rio em 20/11/1952. Muito balanço até Ilha da Madeira, depois melhorou.

Um abraço do sobrevivente

Manoel Afonso de Sousa

Marcos Soares disse...

Pessoal, ao ouvir as histórias de meu pai sobre sua viagem de vinda para o Brasil em 1952, não me contive em pesquisar encontrando esses comentários emocionados e essas fotos do navio que deixaram meu pai também muito emocionado. Porém, como dizia aquele comediante, há controvérsias, rsrs, que só exponho aqui com o intuito de clarear as belas lembranças com que esses corajosos emigrantes nos honram. Meu pai, Clovis Figueiredo Soares, de Loureiro, Oliveira de Azemeis, afirma ter chegado em solo brasileiro, mais precisamente o Rio de Janeiro, em 11 de Novembro de 1952, dia de São Martinho, como ele mesmo recorda, depois de 17 dias de viagem. Aguardamos outros comentários para debatermos. Um grande abraço ao Rui Amaro, Ararubas, Fatima, Alberto Jose Paiva( meu pai parou em Dakar), Jose Augusto, Manoel Afonso de Souza(estamos divergindo na data).

Juan Barrosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carla Caeiro disse...

boas.venho por este meio pedir ajuda.tenho uma mala antiga da companhia Giocomo Costa fu Andrea
que veio do Rio de Janeiro para Lisboa no dia 18 de Setembro no barco Eugenio-C mas a etiqueta não tem o ano.
gostava de saber o ano.
cumprimentos
Jorge Mendes