sexta-feira, 21 de março de 2008

Frotas nacionais - Navios de cabotagem


Sempre elegantes estas pequenas embarcações, que durante anos navegaram na cabotagem nacional e internacional (com escalas em portos Espanhóis e Marroquinos), começaram a desaparecer a partir da década de 60, tendo apenas resistido alguns, poucos, ainda a operar nos anos 70. Pelo extraordinário trabalho que realizaram, alguns com uma existência útil na ordem dos 60 anos, merecem ser recordados com imenso carinho.

O " Maria Clotilde "
Porto de registo: Faro, 27.03.1948

Armador: Sociedade Marítima de Lagos, Lda.
Tipo: Iate com motor auxiliar > Nº Of.: A-672 > Iic.: C.S.N.R.
Construtor: José Miguel Amaro, Faro, 1948
Tonelagens: Tab 112,37 to > Tal 73,43 to > Porte 331 to
Cpmts.: Ff 29,45 mt > Pp 24,93 mt > Bc 7,19 mt > Ptl 2,79 mt
Máq.: Skandia A/B, Lysekil, Suécia, 1936 > 1:Sd > 130 Bhp
Naufragado após colisão com cargueiro alemão "Thoralbe", na barra do rio Tejo em 22.09.1965. A equipagem composta por 7 tripulantes salvou-se.

O " Maria Clotilde" - próximo à barra do rio Douro,
foto da colecção de Rui Amaro

7 comentários:

Luis Filipe Morazzo disse...

Caro Reimar

Mais uma vez tiro o meu chapéu à sua bela colecção de fotografias de navios, a qual tem sido o deleite de todos aqueles como eu, adoram este tema. Contudo, gostaria de destacar fotos como esta, do “Maria Clotilde”, as quais permitem dar a conhecer embarcações menos conhecidas do grande público, mas como todos nós sabemos, tiveram um papel importantíssimo no desenvolvimento deste país, em particular nas décadas de 50, 60, e 70, refiro-me sem qualquer espécie de dúvida, à navegação de cabotagem. Quanto ao destino deste belo navio, foi triste, uma vez que naufragou na barra do Tejo, no dia 22-9-65, em resultado de uma colisão com o cargueiro alemão “Thoralbe”, todos os seus 7 tripulantes foram salvos.
Acreditando que este blog, é uma plataforma ideal de partilha de conhecimentos, e caso não esteja a abusar da sua paciência, aproveitava para lhe colocar uma pergunta: Qual foi o percurso que o navio “Ofir” de 700 toneladas de porte, construído na Holanda em 1920, registado na capitania de Aveiro em 1957, e tendo como armador a Empresa de Navegação Transoceano, teve na nossa marinha mercante?
Obrigado

Um abraço amigo

Luis Filipe Morazzo

Rui Amaro disse...

Caros Amigos Reimar e L.F.Morazzo
Pois é todos esses navios da navegação da costa Portuguesa, lá se foram, uns naufragados outros vendidos a interesses estrangeiros para “cruising vessels” (caso do Sadino e do Vianense) e um ou outro desmantelado.
Eu muito gostava de os ver sair a barra do Douro, em dias de nortada carregados de carvão em pó das Minas do Pejão, para as cimenteiras de Alhandra e Outão e com o traquete içado, lá iam de vento em popa e em pouco tempo deixavam de se avistar. Quando as cimenteiras deixaram de utilizar o carvão daquelas minas, apenas transportavam cimento a granel (clinquer)
Acontecia também quando em viagem para o Porto, Leixões ou Viana do Castelo, debatendo-se com as ditas nortadas, caturravam que se fartavam, se bem que ultimamente já estavam equipados com motores mais potentes.
Havia uma série deles, além de navios-motor como o Ofir ex Montedor, etc, rebocadores com fragatas aos pares (na década de 40, lembro-me de ver aqui na barra do Douro um dos rebocadores da Colonial, Oceânia ou Nauticus, entrar com 2 fragatas a reboque, que não eram nada pequenas e o Marialva que se perdeu com 2 fragatas e lá foram uns tantos. Havia um iate do Algarve bastante pequeno de nome Fernando Lopes, cujo motor era fraco, levava uma eternidade desde que o piloto do Douro embarcava até chegar à Ribeira (Ponte D. Luis).
Aqui diante da minha casa lá ficou o lugre motor Maria Ondina ex Navegador, que ficou emperrado com as águas de ronhenta e nem após panos acima andava para vante e o iate motor Meteoro, um antigo yacht, o primeiro sem perda de vidas e do segundo lá se foram cerca de 6 vidas, incluindo o prático da barra, que julguei que era o meu pai. Felizmente estava a pilotar o iate motor Guida de saída, que acabou por não sair. Desses dois desastres e de outros passados aqui na barra do Douro irei um dia descrever no meu blogue Naviosavista.
Esses navios como o Maria Clotilde, primitivamente armavam em palhabotes, porque possuíam mastaréus e gurupés, embora fossem conhecidos como hiate e mais recentemente de iate, pelo menos aqui no norte, o mesmo sucedia com os palhabotes ingleses da Terra Nova, que vinham aos portos portugueses descarregar bacalhau frescal ou stockfish.
Um abraço a ambos
Rui Amaro

reimar disse...

Caro Sr. Morazzo,
Do navio Ofir verifico que tem 4 registos no estrangeiro e pelo menos 4 registos em Portugal. Vou compilar a necessária informação, do qual farei um post brevemente.
Também para breve espero publicar a história da empresa A. Gomes, que julgo lhe merece interesse.
Cumprimentos, Reimar

LUIS MIGUEL CORREIA disse...

Lembro-me de ver o SADINO imobilizado em Lisboa na Doca de Santo Amaro no início dos anos setenta. Depois não o vi mais...
Nas Ilhas a cabotagem também foi assegurada durante muitos anos por este tipo de navios, esforçados e económicos...

Luis Filipe Morazzo disse...

Caro Reimar

Desde já o meu obrigado, pela sua disponibilidade em querer satisfazer a minha curiosidade em relação ao historial do navio-motor “Ofir”.
Aproveitava para tentar esclarecer a dúvida que o bom amigo LMC colocou, sobre o destino do “Sadino”. A última notícia que eu tenho deste caso, é a seguinte: este navio chegou à baía do Seixal em 1987, mais propriamente ao estaleiro Venamar para ser reparado, entretanto passados cinco anos (1992), perante o desaparecimento do proprietário do navio, e por este facto, sem sofrer qualquer intervenção da parte do estaleiro, o pobre do “Sadino” lá continuava a apodrecer encalhado no lodo, de braço dado com outros dois irmãos do mesmo triste fado, o Batelão “Melina” e o cargueiro “Natalyna”. Tudo isto ainda é mais triste, pois em 1992 os proprietários do estaleiro, os irmãos Venâncio diziam que, em virtude do navio ter passado toda a sua vida útil, desde 1945, ano da sua construção, a carregar sal de Setúbal para o Porto e Algarve, as madeiras do casco estavam ainda em muito boas condições, e como eles tinham na sua posse os seus planos, a reconstrução seria bem mais fácil, caso o dono não tivesse desaparecido.

Um abraço amigo

Luis Filipe Morazzo

Carlos Rubim disse...

boa noite gostaria de ver umafoto do vianense pois andei la embarcado mis de que uma vez obrigado. carlos_rubim48@hotmail no faceb.carlos rubim

Carlos Rubim disse...

quando fala em rebocadores pois naquela epoca tambem existia um rebocador muito carismatico,que se chamava deodato,o seu mestre meu avo morreu agarrado ao leme asaida da barra do douro quando trazia uma fragata a reboque para leixoes,o moço tomou conta do leme chamabace regedor ate leixoes pois o mestre tinha mesmo falecido com um ataque do coraçao chamabace virgilio.