Os palhabotes “Avontuur” e “De Gallant”
Os dois palhabotes motorizados estiveram recentemente de visita a Leixões, sendo que o “Avontuur” chegou procedente de Ijmuiden, regressando à Holanda, continuando a viagem com destino a Roterdão. Já o “De Gallant” veio do porto de Paimpol, na França, para seguir viagem com destino a Bristol, na Inglaterra.
Enquanto que o “Avontuur” tem sido utilizado como navio de treino de mar, o “De Gallant” ainda que igualmente receba passageiros a bordo, está também preparado para transportar pequenas parcelas de carga. Abaixo, as características de ambos os navios:
Enquanto que o “Avontuur” tem sido utilizado como navio de treino de mar, o “De Gallant” ainda que igualmente receba passageiros a bordo, está também preparado para transportar pequenas parcelas de carga. Abaixo, as características de ambos os navios:
“AVONTUUR”
Tipo: Navio de treino-de-mar
Nacionalidade: Alemã
IMO: 5336600 - MMSI: 218863000 - Classe: Registro Italiano Navale
Nº Oficial: 1942 - Iic: D.G.D.L.2. - Porto de registo: Elsfleth
Armador: Timbercoast Pty., Ltd., Cairns, Austrália
Operadores: Avontuur Shipping Co., Ltd., Elsfleth, Alemanha
Construtor: Otto Schmidt, Stadskanaal, Holanda, 1920
Arqueação: Tab 124,00 tons - Porte 114,00 tons
Dimensões: Ff 43,50 mts - Boca 5,88 mts - Calado: 2,49 mts
Número de Tripulantes: 6 - Número de passageiros: 10
Capacidade de carga granulada: 198,00 tons
Propulsão: 224.00 kW (300.00 hp), 1.800 rpm - 1 hélice FP - 6 nós
Área velica: 495,00 m2/ 612,00 m2
Nacionalidade: Alemã
IMO: 5336600 - MMSI: 218863000 - Classe: Registro Italiano Navale
Nº Oficial: 1942 - Iic: D.G.D.L.2. - Porto de registo: Elsfleth
Armador: Timbercoast Pty., Ltd., Cairns, Austrália
Operadores: Avontuur Shipping Co., Ltd., Elsfleth, Alemanha
Construtor: Otto Schmidt, Stadskanaal, Holanda, 1920
Arqueação: Tab 124,00 tons - Porte 114,00 tons
Dimensões: Ff 43,50 mts - Boca 5,88 mts - Calado: 2,49 mts
Número de Tripulantes: 6 - Número de passageiros: 10
Capacidade de carga granulada: 198,00 tons
Propulsão: 224.00 kW (300.00 hp), 1.800 rpm - 1 hélice FP - 6 nós
Área velica: 495,00 m2/ 612,00 m2
Nomes anteriores: Avontuur (1920-1923), Catharina (1923-1932), Spes (1932-1977). Transformado de navio de carga geral em navio de treino-de-mar em Fevereiro de 2010. Reaparelhado entre 2014 e 2015 em Elsfleth, Alemanha.
“DE GALLANT”
Tipo: Navio de treino-de-mar
Nacionalidade: Vanuatu
IMO: 5190252 - MMSI: 577402000 - Classe: Bureau Veritas
Nº Oficial: 2476 - Iic: Y.J.W.J.6.- Porto de registo: Port Vila
Armador: Jean François LeBleu, Saint-Pol-de-Leon, França
Construtor: Figee Brothers, Vlaardingen, Holanda, 1916
Arqueação: Tab 88,00 tons - Tal 33,00 tons - Porte 160,00 tons
Dimensões: Ff 36,20 mt - Boca 6,56 mt - Ptl 2,93 mt - Calado 2,70 mt
Número de tripulantes: 6 - Número de passageiros: 16
Capacidade de carga a granel: 170,00 tons - 1 grua x 1,00 tons
Propulsão: 1x DAF DK1160, 143kW (194hp), 2.200 rpm - 1 hélice CP
Área vélica: 415,00 m2
Nacionalidade: Vanuatu
IMO: 5190252 - MMSI: 577402000 - Classe: Bureau Veritas
Nº Oficial: 2476 - Iic: Y.J.W.J.6.- Porto de registo: Port Vila
Armador: Jean François LeBleu, Saint-Pol-de-Leon, França
Construtor: Figee Brothers, Vlaardingen, Holanda, 1916
Arqueação: Tab 88,00 tons - Tal 33,00 tons - Porte 160,00 tons
Dimensões: Ff 36,20 mt - Boca 6,56 mt - Ptl 2,93 mt - Calado 2,70 mt
Número de tripulantes: 6 - Número de passageiros: 16
Capacidade de carga a granel: 170,00 tons - 1 grua x 1,00 tons
Propulsão: 1x DAF DK1160, 143kW (194hp), 2.200 rpm - 1 hélice CP
Área vélica: 415,00 m2
Nomes anteriores: Jannetje Margaretha (1916-1926), Tine (1926-1930), Knape (1930-1965), Gertrud (1965-1993).
Transformado de navio de pesca em navio de carga geral em 1936. Transformado de navio de carga geral em navio de treino-de-mar em 1993.
terça-feira, 7 de setembro de 2021
História trágico-marítima (CCCXXVII)
O navio português “Sete Cidades” abalroou na doca de
Southampton com o paquete “América”
Southampton com o paquete “América”
Southampton, 24 - O navio de carga português “Sete Cidades”, da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, colidiu nesta data, na doca de Southampton, com o paquete “América”, da United States Lines, de 26 mil toneladas. As chapas numa das alhetas da popa do navio mercante português, de 2.954 toneladas, ficaram amolgadas.
Imagens dos navios envolvidos no sinistro
O paquete americano, cuja pintura estalou, partiu com atraso de regresso a Nova Iorque. A colisão deu-se quando o navio português manobrava para atracar. A ponte deste navio colidiu com o “America”, pelo lado de bombordo, sensívelmente a meio do paquete.
O navio “Sete Cidades” havia chegado poucas horas antes a Southampton, procedente dos Açores, com um carregamento de mil caixas de ananases para o mercado londrino.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 25 de Setembro de 1951
O navio “Sete Cidades” havia chegado poucas horas antes a Southampton, procedente dos Açores, com um carregamento de mil caixas de ananases para o mercado londrino.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 25 de Setembro de 1951
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
História trágico-marítima (CCCXXVI)
O encalhe do lanchão “Eduardo Xisto” nas Berlengas
Um lanchão da praça do Porto embateu nuns rochedos nas
Berlengas, tendo sofrido um rombo de grandes dimensões
Um lanchão da praça do Porto embateu nuns rochedos nas
Berlengas, tendo sofrido um rombo de grandes dimensões
Peniche, 7 - Entrou esta madrugada, neste porto, com um rombo na proa, o lanchão “Eduardo Xisto”, da praça do Porto, que, devido ao nevoeiro, embateu nuns rochedos nas Berlengas.
O navio que seguia de Setúbal para o Porto com um carregamento de 160 toneladas de cimento, dirigiu-se imediatamente para este porto pelos seus próprios meios, enquanto a tripulação tentava estancar a água, chegando a Peniche ligeiramente afundado de proa, pelo que procederam desde logo à descarga de parte da carga.
O navio que seguia de Setúbal para o Porto com um carregamento de 160 toneladas de cimento, dirigiu-se imediatamente para este porto pelos seus próprios meios, enquanto a tripulação tentava estancar a água, chegando a Peniche ligeiramente afundado de proa, pelo que procederam desde logo à descarga de parte da carga.
Foto do lanchão em Peniche
Características do lanchão “Eduardo Xisto”
Características do lanchão “Eduardo Xisto”
Armador: Eduardo Beltrão, Lda., Porto
Nº Oficial: C-137 - Iic.: C.S.N.Q. - Registo: Porto, 6.6.1947
Construtor: Tomaz Francisco Lapa, V. Nova de Gaia, 1947
dp “Carlos Augusto”, Casimiro Augusto Tavares, Setúbal
Arqueação: Tab 107,49 tons - Tal 67,65 tons - Pm 176 tons
Dimensões: Ff 29,67 mt - Pp 26,40 mt - Bc 6,75 mt - Ptl 2,62 mt
Propulsão: M.A.N., 1936 - 1:Di - 3:Ci - 150 Bhp - 6 nós
Nº Oficial: C-137 - Iic.: C.S.N.Q. - Registo: Porto, 6.6.1947
Construtor: Tomaz Francisco Lapa, V. Nova de Gaia, 1947
dp “Carlos Augusto”, Casimiro Augusto Tavares, Setúbal
Arqueação: Tab 107,49 tons - Tal 67,65 tons - Pm 176 tons
Dimensões: Ff 29,67 mt - Pp 26,40 mt - Bc 6,75 mt - Ptl 2,62 mt
Propulsão: M.A.N., 1936 - 1:Di - 3:Ci - 150 Bhp - 6 nós
O mestre José Cadilha, já em Outubro de 1947 tinha encalhado junto ao farol do Cabo Carvoeiro, também devido ao nevoeiro, a bordo do lugre “Santa Madalena”, que se perdeu, pelo que considera fatídica a sua passagem pelo canal das Berlengas, sempre que o faz com nevoeiro.
A situação do “Eduardo Xisto”, que é propriedade da firma Eduardo Beltrão, Lda., é melindrosa, porque o rombo é de grandes dimensões, tornando difícil a sua reparação neste porto.
A carga não se considera perdida, aguardando-se a vinda de peritos da companhia de seguros e de representantes do armador.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 9 de Outubro de 1952
A situação do “Eduardo Xisto”, que é propriedade da firma Eduardo Beltrão, Lda., é melindrosa, porque o rombo é de grandes dimensões, tornando difícil a sua reparação neste porto.
A carga não se considera perdida, aguardando-se a vinda de peritos da companhia de seguros e de representantes do armador.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 9 de Outubro de 1952
domingo, 29 de agosto de 2021
História trágico-marítima (CCCXXV)
O encalhe do iate "Flor de Setúbal" em Marrocos
Um navio de carga português encalhou à entrada de
Port Liautey, mas a tripulação já foi salva
Um navio de carga português encalhou à entrada de
Port Liautey, mas a tripulação já foi salva
Telegramas recebidos ontem em Lisboa e Setúbal informam que o navio de carga português “Flor de Setúbal”, de 249 toneladas, da praça de Setúbal, pertencente à firma Chaves & Mateus, Lda., encalhou ante-ontem à entrada de Port Liautey e que se encontrava em perigo.
O iate “Flor de Setúbal” tinha a bordo a seguinte tripulação, sob a chefia do mestre José Machado; António Freitas, contra-mestre, e José Fernandes, motorista, todos de Viana do Castelo; José Bomba Marro, ajudante de motorista, de Portimão; António Pereira, cozinheiro, Manuel Passos e Henrique Araújo, marinheiros, também todos de Viana do Castelo; e Ilídio Malhão, moço, de Vila Praia de Âncora.
O navio procedia ao transporte de mais de 200 toneladas de cimento para aquele porto, tendo saído de Setúbal no dia 20 de Agosto. Os primeiros telegranas eram alarmantes mas informações posteriores dizem que foi possível salvar toda a tripulação, a qual já se encontra em terra. A situação do navio, que foi construído há 5 anos, continua, porém, a ser muito crítica. Entretanto, sabe-se que seguiram socorros para o local do encalhe.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 8 de Agosto de 1951
O iate “Flor de Setúbal” tinha a bordo a seguinte tripulação, sob a chefia do mestre José Machado; António Freitas, contra-mestre, e José Fernandes, motorista, todos de Viana do Castelo; José Bomba Marro, ajudante de motorista, de Portimão; António Pereira, cozinheiro, Manuel Passos e Henrique Araújo, marinheiros, também todos de Viana do Castelo; e Ilídio Malhão, moço, de Vila Praia de Âncora.
O navio procedia ao transporte de mais de 200 toneladas de cimento para aquele porto, tendo saído de Setúbal no dia 20 de Agosto. Os primeiros telegranas eram alarmantes mas informações posteriores dizem que foi possível salvar toda a tripulação, a qual já se encontra em terra. A situação do navio, que foi construído há 5 anos, continua, porém, a ser muito crítica. Entretanto, sabe-se que seguiram socorros para o local do encalhe.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 8 de Agosto de 1951
Características do iate “Flor de Setúbal”
Armador: Chaves & Mateus, Setúbal
Nº Oficial: 514 - Iic: C.S.N.J. - Porto de registo: Setúbal, 16.3.1946
Construtor: Chaves & Chaves, Lda., Setúbal, 1946
Arqueação: Tab 148,76 tons - Tal 93,75 tons - Pm 243 tons
Dimensões: Ff 32,07 mt - Pp 28,10 mt - Boca 7,65 mt - Pontal 3,40 mt
Propulsão: Jonkopings, 1945 - 1:Sd - 2:Ci - 165 Bhp - 6 nós
Equipagem: 8 tripulantes
Nº Oficial: 514 - Iic: C.S.N.J. - Porto de registo: Setúbal, 16.3.1946
Construtor: Chaves & Chaves, Lda., Setúbal, 1946
Arqueação: Tab 148,76 tons - Tal 93,75 tons - Pm 243 tons
Dimensões: Ff 32,07 mt - Pp 28,10 mt - Boca 7,65 mt - Pontal 3,40 mt
Propulsão: Jonkopings, 1945 - 1:Sd - 2:Ci - 165 Bhp - 6 nós
Equipagem: 8 tripulantes
O naufrágio do “Flor de Setubal”
Um telegrama recebido pelos armadores do iate “Flor de Setúbal”, que se encontra encalhado na barra de Port Liautey, na costa marroquina, informa que o navio está encalhado em fundo de areia, e que, na baixa-mar, fica em seco. Por esse motivo continuam a aguardar a chegada dum rebocador, possivelmente de Casablanca, pois a circunstância do navio estar sobre areia, admite a possibilidade de vir a ser desencalhado numa preia-mar, sem avarias de maior importância.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 9 de Agosto de 1951
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 9 de Agosto de 1951
O naufrágio do "Flor de Setúbal"
No rebocador "Atlético" chegaram ontem a Lisboa, cinco náufragos do iate "Flor de Setúbal", que há cerca de três meses naufragou quando seguia para Marrocos. Entre os cinco náufragos conta-se o mestre do iate, sr. José Gonçalves Muchacho.
Fonte: Jornal "Comércio do Porto", segunda-feira, 26 Novembro 1951
Fonte: Jornal "Comércio do Porto", segunda-feira, 26 Novembro 1951
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
Navios portugueses - O "Ana Mafalda"
O navio “Ana Mafalda” foi ontem lançado à água,
com a assistência de vários membros do Governo
com a assistência de vários membros do Governo
Nos estaleiros da C.U.F. foi ontem lançado à água o navio “Ana Mafalda”, destinado à Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, para a carreira da Guiné. À cerimónia assistiram os srs. ministro da Marinha, das Colónias, da Economia e das Corporações, sub-secretário de Estado do Comércio e Indústria, capitão de mar-e-guerra Pereira Viana, presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante; almirantes Oliveira Pinto, comandante-geral da Armada, Pereira da Fonseca, director-geral de Marinha; Jaime Thompsom, engº Fernando de Abreu Reis, comandante Celestino Ramos; directores da Companhia Nacional de Navegação; major Raposo Ferreira, administrador da Companhia Colonial de Navegação; Visconde de Botelho, pela Companhia dos Carregadores Açoreanos; comandante José dos Santos, pelo Sindicato Nacional da Marinha Mercante; funcionários superiores das Alfândegas, muitas senhoras, etc.
Os convidados foram recebidos pelos srs. D. Manuel José de Melo, Jorge de Melo e pelo engº Aulânio Lobo, administradores da C.U.F., da Sociedade Geral e dos estaleiros. Numa tribuna montada para o efeito, assistiram as autoridades, várias individualidades, e as senhoras das famílias de Alfredo da Silva e D. Manuel José de Melo. O prior de Santos, monsenhor Fernandes Duarte, lançou a bênção ao novo navio.
Depois, a menina Ana Mafalda da Cunha Melo, neta do sr. D. Manuel José de Melo e bisneta do falecido industrial Alfredo da Silva, partiu a simbólica garrada de champanhe no casco do navio, enquanto este deslizava pela carreira em direcção ao rio. Neste momento as sirenes de bordo tocaram festivamente.
O presidente do conselho de administração da Sociedade Geral e dos estaleiros, sr. D. Manuel José de Melo, agradeceu a comparência do sr. ministro da Marinha e dos seus colegas do Governo. É o segundo navio desta série - disse - que a sociedade encomendou nestes estaleiros; outros se seguirão em execução no plano traçado e para a contribuição do desolvolvimento da Marinha Mercante nacional, de que o sr. ministro da Marinha tem sido o grande impulsionador. Defendeu a construção de mais navios mercantes nos estaleiros portugueses, que pela sua qualidade de construção, dada a técnica dos nossos engenheiros navais, não são inferiores aos que são construídos lá fora. E terminou dizendo:
Para o sr. ministro da Marinha, a quem o país deve já a importante obra da reconstrução da frota mercante nacional, apelamos para em complemento da sua grande obra realizada, continue a impulsionar o progresso da construção naval, protegendo-a e dando-lhe condições económicas possíveis e assim trabalhara para um Portugal maior.
O sr. ministro da Marinha disse fora fôra com prazer que assistira ao lançamento à água de mais uma unidade mercante destinada à Sociedade Geral e elogiou a acção e perseverança dos seus dirigentes. Concordou com o alvitre do sr. D. Manuel José de Melo para que o Governo da Nação apoiassa a construção de mais navios mercantes no nosso país, assim como já protegeu largamente a renovação da Marinha Mercante Nacional.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 10 de Janeiro de 1951
Os convidados foram recebidos pelos srs. D. Manuel José de Melo, Jorge de Melo e pelo engº Aulânio Lobo, administradores da C.U.F., da Sociedade Geral e dos estaleiros. Numa tribuna montada para o efeito, assistiram as autoridades, várias individualidades, e as senhoras das famílias de Alfredo da Silva e D. Manuel José de Melo. O prior de Santos, monsenhor Fernandes Duarte, lançou a bênção ao novo navio.
Depois, a menina Ana Mafalda da Cunha Melo, neta do sr. D. Manuel José de Melo e bisneta do falecido industrial Alfredo da Silva, partiu a simbólica garrada de champanhe no casco do navio, enquanto este deslizava pela carreira em direcção ao rio. Neste momento as sirenes de bordo tocaram festivamente.
O presidente do conselho de administração da Sociedade Geral e dos estaleiros, sr. D. Manuel José de Melo, agradeceu a comparência do sr. ministro da Marinha e dos seus colegas do Governo. É o segundo navio desta série - disse - que a sociedade encomendou nestes estaleiros; outros se seguirão em execução no plano traçado e para a contribuição do desolvolvimento da Marinha Mercante nacional, de que o sr. ministro da Marinha tem sido o grande impulsionador. Defendeu a construção de mais navios mercantes nos estaleiros portugueses, que pela sua qualidade de construção, dada a técnica dos nossos engenheiros navais, não são inferiores aos que são construídos lá fora. E terminou dizendo:
Para o sr. ministro da Marinha, a quem o país deve já a importante obra da reconstrução da frota mercante nacional, apelamos para em complemento da sua grande obra realizada, continue a impulsionar o progresso da construção naval, protegendo-a e dando-lhe condições económicas possíveis e assim trabalhara para um Portugal maior.
O sr. ministro da Marinha disse fora fôra com prazer que assistira ao lançamento à água de mais uma unidade mercante destinada à Sociedade Geral e elogiou a acção e perseverança dos seus dirigentes. Concordou com o alvitre do sr. D. Manuel José de Melo para que o Governo da Nação apoiassa a construção de mais navios mercantes no nosso país, assim como já protegeu largamente a renovação da Marinha Mercante Nacional.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 10 de Janeiro de 1951
Foto do navio “Ana Mafalda”, em Leixões
Características do navio
Características do navio
Armador: Soc. Geral de Comércio, Industria e Transportes, Sarl.
Nº Oficial: H-397 - Iic: C.S.L.Y. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Companhia União Fabril, Lisboa
Arqueação: Tab 3.317,78 tons - Tal 1.882,56 tons
Dimensões: Ff 103,07 mt - Pp 98,57 mt - Bc 13,90 mt - Ptl 7,51 mt
Propulsão: Atlas, Suécia, 1949 - 2:Di - 14:Ci - 2x1.330 Bhp
Nº Oficial: H-397 - Iic: C.S.L.Y. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Companhia União Fabril, Lisboa
Arqueação: Tab 3.317,78 tons - Tal 1.882,56 tons
Dimensões: Ff 103,07 mt - Pp 98,57 mt - Bc 13,90 mt - Ptl 7,51 mt
Propulsão: Atlas, Suécia, 1949 - 2:Di - 14:Ci - 2x1.330 Bhp
Dois membros do Governo assistiram à entrega do navio
“Ana Mafalda”, nova unidade da Marinha Mercante Nacional
“Ana Mafalda”, nova unidade da Marinha Mercante Nacional
No estaleiro naval da C.U.F., à Rocha do Conde de Óbidos, fizeram ontem a entrega à Sociedade Geral, do navio-motor “Ana Mafalda”, de 5.500 toneladas, nova unidade da Marinha Mercante nacional, encomendada por aquela empresa, em obediência ao plano de renovação da frota de comércio do nosso país.
Pelas 17,30 horas chegaram os srs. ministro da Marinha e das Comunicações, que eram aguardados pelos srs. almirante Pereira da Fonseca, director-geral da Marinha, comandante Simões Vaz, vice-presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, comandante Oliveira Lima, director da Marinha Mercante, capitão-de-fragata João Francisco Fialho, capitão do porto de Lisboa, D. Manuel José de Melo, presidente dos conselhos de administração da C.U.F. e da Sociedade Geral, dr. Jorge de Melo e engº Aulânio Lobo, administradores, D. Vasco de Melo, director do estaleiro, funcionários superiores da C.U.F., oficiais da Marinha Mercante, etc.
Os membros do Governo e outras individualidades percorreram demoradamente todas as dependências do “Ana Mafalda”, que é o segundo navio construído naquele estaleiro possuindo óptimas instalações para 60 passageiros das três classes, onde nada falta em termos de conforto e comodidade, pois até possui uma sala apetrechada com brinquedos para crianças, e grandes alojamentos para a tripulação e oficialidade. Após a visita, na sala da 1ª classe, perante os ministros e outras individualidades, a menina Ana Mafalda, que deu o nome à nova unidade, descerrou o seu retrato, que estava coberto com a bandeira da Sociedade Geral. A seguir, no convés da 1ª classe, foi oferecido um lanche aos ministros e demais convidados.
O sr. ministro da Marinha felicitou o conselho de administração da Sociedade Geral pela nova unidade que acaba de adquirir, de óptima construção, feito em estaleiros portugueses, com todos os apetrechos modernos, adiantando ter grande alegria em afirmar que a Sociedade Geral tem dia a dia aumentado e renovado a sua frota mercante, sem pedir o auxílio do Estado.
Dirigiu palavras de louvor ao sr. D. Manuel José de Melo pelo seu entusiasmo e dedicação no ressurgimento da marinha mercante, a quem entregou depois o diploma e as insígnias de Grande Oficial da Ordem de Cristo, com que fora agraciado pelo chefe de Estado.
O sr. D. Manuel José de Melo recordou a figura inolvidável do sr. marechal Carmona, que durante a sua presidência tanto entusiasmo teve no aumento e renovação da marinha mercante nacional, agradecendo as amáveis referências que lhe fez o sr. comandante Américo Tomás, afirmando que tinha grande honra em ter sido agraciado pelo Chefe do Estado. Terminou, garantindo que trabalharia sempre com dedicação e entusiasmo para o progresso da nossa marinha mercante.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 10 de Maio de 1951
Pelas 17,30 horas chegaram os srs. ministro da Marinha e das Comunicações, que eram aguardados pelos srs. almirante Pereira da Fonseca, director-geral da Marinha, comandante Simões Vaz, vice-presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, comandante Oliveira Lima, director da Marinha Mercante, capitão-de-fragata João Francisco Fialho, capitão do porto de Lisboa, D. Manuel José de Melo, presidente dos conselhos de administração da C.U.F. e da Sociedade Geral, dr. Jorge de Melo e engº Aulânio Lobo, administradores, D. Vasco de Melo, director do estaleiro, funcionários superiores da C.U.F., oficiais da Marinha Mercante, etc.
Os membros do Governo e outras individualidades percorreram demoradamente todas as dependências do “Ana Mafalda”, que é o segundo navio construído naquele estaleiro possuindo óptimas instalações para 60 passageiros das três classes, onde nada falta em termos de conforto e comodidade, pois até possui uma sala apetrechada com brinquedos para crianças, e grandes alojamentos para a tripulação e oficialidade. Após a visita, na sala da 1ª classe, perante os ministros e outras individualidades, a menina Ana Mafalda, que deu o nome à nova unidade, descerrou o seu retrato, que estava coberto com a bandeira da Sociedade Geral. A seguir, no convés da 1ª classe, foi oferecido um lanche aos ministros e demais convidados.
O sr. ministro da Marinha felicitou o conselho de administração da Sociedade Geral pela nova unidade que acaba de adquirir, de óptima construção, feito em estaleiros portugueses, com todos os apetrechos modernos, adiantando ter grande alegria em afirmar que a Sociedade Geral tem dia a dia aumentado e renovado a sua frota mercante, sem pedir o auxílio do Estado.
Dirigiu palavras de louvor ao sr. D. Manuel José de Melo pelo seu entusiasmo e dedicação no ressurgimento da marinha mercante, a quem entregou depois o diploma e as insígnias de Grande Oficial da Ordem de Cristo, com que fora agraciado pelo chefe de Estado.
O sr. D. Manuel José de Melo recordou a figura inolvidável do sr. marechal Carmona, que durante a sua presidência tanto entusiasmo teve no aumento e renovação da marinha mercante nacional, agradecendo as amáveis referências que lhe fez o sr. comandante Américo Tomás, afirmando que tinha grande honra em ter sido agraciado pelo Chefe do Estado. Terminou, garantindo que trabalharia sempre com dedicação e entusiasmo para o progresso da nossa marinha mercante.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 10 de Maio de 1951
O “Ana Mafalda” vai partir para a sua viagem inaugural
O navio “Ana Mafalda”, nova unidade da Sociedade Geral de Transportes, construída nos estaleiros da C.U.F., e da qual o sr. ministro da Marinha, no acto da inauguração, disse ser a melhor construção feita em Portugal, tem sido submetido a experiências de navegação em velocidade, no Tejo e no mar. Amanhã, o “Ana Mafalda” vai a Leixões, e no dia 5, iniciará a sua viagem inaugural, saindo de Lisboa para Bissau, Praia e S. Vicente, com carga e passageiros.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, segunda-feira, 28 de Maio de 1951
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, segunda-feira, 28 de Maio de 1951
terça-feira, 24 de agosto de 2021
Memorativo da Armada
O Departamento Marítimo do Norte
Brasão heráldico do Departamento Marítimo do Norte
A criação do Departamento Marítimo dos portos do Douro e
Leixões, satisfez uma das maiores aspirações da cidade do Porto
Leixões, satisfez uma das maiores aspirações da cidade do Porto
Causou geral satisfação na cidade do Porto a publicação, no «Diário do Governo», do decreto-lei que cria o Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões. A promulgação deste diploma veio satisfazer uma das maiores aspirações desta cidade que estava, também sob este aspecto, numa situação de grande inferioridade em relação a Lisboa, não obstante tratar-se da segunda cidade do País, com um considerável movimento portuário e volumosa exportação.
Além de, mercê da construção da doca e cais acostável de Leixões e seu moderno apetrechamento, dia a dia era mais premente a necessidade de reunir numa única entidade os dois portos, dada a manifesta situação de inferioridade a que se achava condenado o porto do Douro.
Segundo a letra do decreto-lei agora publicado, a Capitania do porto do Douro passa a designar-se por Capitania do porto do Douro e esta e a de Leixões a ficar reunidas num departamento, que se designará por Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões, sob a chefia dum capitão de mar-e-guerra da classe de marinha, do activo, acumulando as suas funções com as de Capitão do porto do Douro, com a designação abreviada de Chefe do Departamento Marítimo.
Estipula-se, mais, no referido diploma, que o chefe do novo Departamento Marítimo ficará directamente subordinado ao director-geral da Marinha, enquanto que o Capitão do porto de Leixões ficará subordinado ao chefe do Departamento.
O decreto-lei, que entrou já em vigor no dia 1 do corrente, estipula, ainda, que para a administração e contabilidade do Departamento Marítimo existirá um conselho administrativo, presidido pelo chefe do Departamento, que manterá as actuais atribuições do conselho administrativo da Capitania do porto do Porto, que substitui.
Compete ao chefe do Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões: A superintendência e inspecção dos serviços das respectivas capitanias; A organização de trabalhos estatísticos concernantes ao pessoal e material marítimos, aos de pesca e quaisquer outros indicados nos respectivos regulamentos; A direcção e superintendência dos serviços de fiscalização marítima da zona Norte, que compreende o litoral desde a foz do rio Minho até ao extremo Sul do litoral do concelho da Figueira da Foz, e o comando dos navios quando constituam uma esquadrilha, apenas no que respeita aos serviços específicos da fiscalização; A jurisdição disciplinar, policial e fiscal, em conformidade com a legislação em vigor.
Além de, mercê da construção da doca e cais acostável de Leixões e seu moderno apetrechamento, dia a dia era mais premente a necessidade de reunir numa única entidade os dois portos, dada a manifesta situação de inferioridade a que se achava condenado o porto do Douro.
Segundo a letra do decreto-lei agora publicado, a Capitania do porto do Douro passa a designar-se por Capitania do porto do Douro e esta e a de Leixões a ficar reunidas num departamento, que se designará por Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões, sob a chefia dum capitão de mar-e-guerra da classe de marinha, do activo, acumulando as suas funções com as de Capitão do porto do Douro, com a designação abreviada de Chefe do Departamento Marítimo.
Estipula-se, mais, no referido diploma, que o chefe do novo Departamento Marítimo ficará directamente subordinado ao director-geral da Marinha, enquanto que o Capitão do porto de Leixões ficará subordinado ao chefe do Departamento.
O decreto-lei, que entrou já em vigor no dia 1 do corrente, estipula, ainda, que para a administração e contabilidade do Departamento Marítimo existirá um conselho administrativo, presidido pelo chefe do Departamento, que manterá as actuais atribuições do conselho administrativo da Capitania do porto do Porto, que substitui.
Compete ao chefe do Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões: A superintendência e inspecção dos serviços das respectivas capitanias; A organização de trabalhos estatísticos concernantes ao pessoal e material marítimos, aos de pesca e quaisquer outros indicados nos respectivos regulamentos; A direcção e superintendência dos serviços de fiscalização marítima da zona Norte, que compreende o litoral desde a foz do rio Minho até ao extremo Sul do litoral do concelho da Figueira da Foz, e o comando dos navios quando constituam uma esquadrilha, apenas no que respeita aos serviços específicos da fiscalização; A jurisdição disciplinar, policial e fiscal, em conformidade com a legislação em vigor.
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Cumprimentos ao ministro da Marinha pela criação
do novo Departamento Marítimo
Pela presidência da Câmara Municipal do Porto, foi ontem enviado ao sr. comandante Américo Tomás o seguinte telegrama:
do novo Departamento Marítimo
Pela presidência da Câmara Municipal do Porto, foi ontem enviado ao sr. comandante Américo Tomás o seguinte telegrama:
«Ministro da Marinha - A Câmara Municipal do Porto cumprimenta e agradece a V.Exa., a distinção conferida à cidade do Porto, pela promulgação do Decreto que cria o Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões, e, ainda, pelos termos honrosos com que V.Exa., fundamenta as medidas adoptadas. (a) Lucínio Presa, coronel»
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 4 de Janeiro de 1951
A criação do Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões
Mais telegramas de congratulação ao sr. ministro da Marinha
Mais telegramas de congratulação ao sr. ministro da Marinha
Pelo motivo da recente criação do Departamento Marítimo dos portos do Douro e Leixões, foram enviados ao sr. comandante Américo Tomás, ministro da Marinha, telegramas de congratulação e agradecimento por mais as seguintes entidades:
Direcção da Associação Comercial do Porto, Associação Industrial Portuense, Associação dos Armadores Marítimos e Agentes de Navegação do Porto e Leixões, Delegação do Grémio dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau, Delegação dos Armadores da Pesca de Arrasto e Delegação dos Armadores da Pesca da Sardinha.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 6 de Janeiro de 1951
Direcção da Associação Comercial do Porto, Associação Industrial Portuense, Associação dos Armadores Marítimos e Agentes de Navegação do Porto e Leixões, Delegação do Grémio dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau, Delegação dos Armadores da Pesca de Arrasto e Delegação dos Armadores da Pesca da Sardinha.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 6 de Janeiro de 1951
sábado, 21 de agosto de 2021
A inundação a bordo do paquete "Serpa Pinto"
O paquete “Serpa Pinto”
esteve em risco de se afundar na doca de Alcântara, devido a ter
sofrido forte inundação que chegou a atingir três metros de altura
esteve em risco de se afundar na doca de Alcântara, devido a ter
sofrido forte inundação que chegou a atingir três metros de altura
Cerca das 2 horas da madrugada de ontem, o piloto de serviço a bordo do paquete “Serpa Pinto”, da Companhia Colonial de Navegação, atracado dentro da doca de Alcântara, notou que o navio perdia a sua posição normal, adernando para estibordo. Numa rápida volta pelo navio, teve a certeza que o navio estava a meter água por qualquer circunstância, que ainda se ignora e, auxiliado pelo pessoal de serviço a bordo, distribuiu os homens para diversas missões, enquanto uns iam à Administração Geral do porto de Lisboa pedir bombas para esgotar a água, outros telefonavam para a residência do comandante do navio, sr. capitão Paulo Baptista e do imediato, sr. Vasconcelos e Sá, os quais compareceram sem demora, seguidos pelos restantes oficiais e outro pessoal, a pequenos intervalos.
Imagem do paquete "Serpa Pinto" - Postal da companhia
Entretanto, a inclinação do navio para bombordo acentuava-se, pondo, também, em risco o paquete “Guiné”, que estava atracado de braço dado, obrigando os rebocadores da empresa, com compreensível urgência a transferi-lo para o outro lado da doca.
Quando o comandante e o imediato tentaram descer à casa das máquinas, não puderam ir além do primeiro patim, porque a água já atingia, naquele compartimento, a altura de três metros, o que constituía uma indicação segura da gravidade da situação e da necessidade de assistência urgente. Todavia, os serviços do porto de Lisboa ainda não tinham comparecido e o navio continuava a adernar fortemente para estibordo. Foram então passadas para terra catorze fortes espias de aço, no sentido de manter o navio, pelo menos naquela posição, enquanto não fosse dado início ao esgotamento da água.
Às 5 horas da manhã, compareceu no cais o sr. Bernardino Correia, presidente da Companhia Colonial, tendo assistido aos vários trabalhos preliminares, para o ataque à crítica situação em que o navio se encontrava. A bordo, alguns dos tripulantes arrombaram portas de camarotes de estibordo, para fecharem as vigias, pois que a inclinação do navio fazia recear a entrada de água por ali, o que tornaria a situação irremediável.
Seis horas depois de terem pedido socorros, começou a trabalhar uma pequena bomba do porto de Lisboa, cujo rendimento não resolvia o problema. Compareceram, depois, bombas e outro material dos estaleiros Parry & Son e da C.U.F., com os respectivos engenheiros e outros técnicos, o que permitiu então encarar a situação sob um aspecto prático. A inclinação do navio, que chegou a ser de 25 graus, tornava difícil andar a bordo, mas todo o pessoal revelou grande decisão e perfeito espírito de trabalho.
O inspector da C.C.N., sr. comandante Júlio Ramos, e o seu adjunto sr. comandante Benevenuto, permaneceram por largos períodos a bordo e no cais, dirigindo vários trabalhos ou coadjuvando os oficiais do navio e os técnicos dos estaleiros, numa árdua tarefa, que se prolongou por quase todo o dia.
Com a baixa-mar, cerca das 8 horas, o navio assentou no fundo da doca, mas quando a maré subiu, o navio ainda oferecia tendência para adernar mais, apesar do intenso trabalho das bombas de esgotamento. Assim, entre as 11 horas e o meio-dia, rebentaram duas espias de aço e o “Serpa Pinto” adernou mais um pouco. Em face da situação, não houve almoço à hora habitual, para o pessoal empregado naquela faina, pelo que foram estabelecidos turnos às bombas, a fim de evitar interrupções no trabalho de esgotamento da água.
Logo que a notícia da ocorrência se espalhou pela área das docas, onde a estranha posição do navio chamava as atenções, começaram a acorrer muitos curiosos à muralha. Um serviço de Polícia mantinha os populares à distância, especialmente longe dos peoris de amarração, dado o risco das espias rebentarem, como algumas vezes se verificou.
Ainda sem certezas, os técnicos supõe que o alagamento do navio possa ter ocorrido através duma válvula de um condensador. A água continua a ser esgotada, estando agora o “Serpa Pinto” com 10 graus de inclinação, antecipando estar definitivamente fora de risco.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 1 de Setembro de 1948
Quando o comandante e o imediato tentaram descer à casa das máquinas, não puderam ir além do primeiro patim, porque a água já atingia, naquele compartimento, a altura de três metros, o que constituía uma indicação segura da gravidade da situação e da necessidade de assistência urgente. Todavia, os serviços do porto de Lisboa ainda não tinham comparecido e o navio continuava a adernar fortemente para estibordo. Foram então passadas para terra catorze fortes espias de aço, no sentido de manter o navio, pelo menos naquela posição, enquanto não fosse dado início ao esgotamento da água.
Às 5 horas da manhã, compareceu no cais o sr. Bernardino Correia, presidente da Companhia Colonial, tendo assistido aos vários trabalhos preliminares, para o ataque à crítica situação em que o navio se encontrava. A bordo, alguns dos tripulantes arrombaram portas de camarotes de estibordo, para fecharem as vigias, pois que a inclinação do navio fazia recear a entrada de água por ali, o que tornaria a situação irremediável.
Seis horas depois de terem pedido socorros, começou a trabalhar uma pequena bomba do porto de Lisboa, cujo rendimento não resolvia o problema. Compareceram, depois, bombas e outro material dos estaleiros Parry & Son e da C.U.F., com os respectivos engenheiros e outros técnicos, o que permitiu então encarar a situação sob um aspecto prático. A inclinação do navio, que chegou a ser de 25 graus, tornava difícil andar a bordo, mas todo o pessoal revelou grande decisão e perfeito espírito de trabalho.
O inspector da C.C.N., sr. comandante Júlio Ramos, e o seu adjunto sr. comandante Benevenuto, permaneceram por largos períodos a bordo e no cais, dirigindo vários trabalhos ou coadjuvando os oficiais do navio e os técnicos dos estaleiros, numa árdua tarefa, que se prolongou por quase todo o dia.
Com a baixa-mar, cerca das 8 horas, o navio assentou no fundo da doca, mas quando a maré subiu, o navio ainda oferecia tendência para adernar mais, apesar do intenso trabalho das bombas de esgotamento. Assim, entre as 11 horas e o meio-dia, rebentaram duas espias de aço e o “Serpa Pinto” adernou mais um pouco. Em face da situação, não houve almoço à hora habitual, para o pessoal empregado naquela faina, pelo que foram estabelecidos turnos às bombas, a fim de evitar interrupções no trabalho de esgotamento da água.
Logo que a notícia da ocorrência se espalhou pela área das docas, onde a estranha posição do navio chamava as atenções, começaram a acorrer muitos curiosos à muralha. Um serviço de Polícia mantinha os populares à distância, especialmente longe dos peoris de amarração, dado o risco das espias rebentarem, como algumas vezes se verificou.
Ainda sem certezas, os técnicos supõe que o alagamento do navio possa ter ocorrido através duma válvula de um condensador. A água continua a ser esgotada, estando agora o “Serpa Pinto” com 10 graus de inclinação, antecipando estar definitivamente fora de risco.
Fonte: Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 1 de Setembro de 1948
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