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sexta-feira, 17 de maio de 2013

O arrastão “Maria Teixeira Vilarinho”


Histórico comercial do arrastão "Maria Teixeira Vilarinho”
1964 – 1980
Armador: José Maria Vilarinho, Lda., Gafanha da Nazaré

Imagem do arrastão "Maria Teixeira Vilarinho"
Desenho de Ricardo Graça Matias

Nº Oficial: V-4-N - Iic.: C.U.F.C. - Registo: Viana do Castelo
Construtor: Estal. Navais de Viana, Viana do Castelo, 1964
Trata-se do primeiro arrastão de pesca pela popa construído no país, sob encomenda da empresa de José Maria Vilarinho, pelo custo de Escudos 35.000.000$00. Era um navio com dois mastros, proa lançada, popa de painel com rampa e 2 pavimentos.

= Detalhes do arrastão conforme a lista de navios de 1973 =
Arqueação: Tab 2.162,27 tons - Tal 1.152,81 tons
Dimensões: Pp 72,95 mts - Boca 12,92 mts - Pontal 7,15 mts
Propulsão: MAN, Alemanha, 1:Di - 2.280 Bhp - 13,5 m/h
Equipagem: 62 tripulantes e pescadores
Capitães embarcados: Manuel Augusto Ribeiro da Silva (1980)
O navio perde-se após encalhe em Halifax, em 3 de Setembro de 1980, durante as operações de transbordo de peixe de outro navio.
Navio português em perigo
Halifax (Nova Escócia), 4 – O arrastão português “Maria Teixeira Vilarinho”, encalhou ontem à noite próximo de Black Tickle, na costa do Labrador depois de ter sido apanhado por uma violenta tempestade. Ao princípio da manhã o comandante pediu a evacuação do navio, com um comprimento de 78 metros, deslocando 2.162 toneladas. O estado do mar é tão mau que os navios que se encontram nas proximidades não conseguem socorrer a tripulação, a qual deverá ser desembarcada por helicópteros da guarda costeira canadiana.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 5 de Setembro de 1980)

O encalhe do arrastão Aveirense “Maria Teixeira Vilarinho”
Metade da tripulação já vem a caminho de Portugal
«Mesmo agora foi-me comunicado da Terra Nova, que se tenta tudo para salvar o meu navio», informava o capitão José Maria Vilarinho, ontem, cerca das vinte horas, sublinhando que já mandou vir metade da tripulação. A restante fica lá para ver se conseguem ainda salvar o arrastão.
Informou que já se encontra a bordo uma equipa de técnicos e mergulhadores tentando evitar que o navio seja destruído; o que acarreta um prejuízo de cerca de quatrocentos mil contos.
O “Maria Teixeira Vilarinho” encalhou anteontem, no Canadá, em Halifax na altura em que se encontrava a carregar peixe de outro navio de acordo com um contrato que a empresa tem com outra do Canadá. Devia ter já nos seus porões cerca de seis mil quintais, segundo disse o capitão José Maria Vilarinho, que frisa do mal, o menos: salvou-se a tripulação, mas vamos também tentar salvar esta unidade de pesca pela popa.
Saliente-se que este navio foi o primeiro a pescar pelo sistema de pesca pela popa. Construído nos estaleiros de Viana do Castelo em 1963, viria a ser recentemente transformado nos estaleiros de S. Jacinto.
A tripulação foi salva metade por barcos canadianos e a restante por helicópteros de Halifax. Não há qualquer desastre pessoal a registar e toda a tripulação, com o seu comandante Ribeiro da Silva, se encontra, como se referiu, em terra. As operações de salvamento prosseguem hoje, mas o mar está bastante alteroso e um vendaval impera naquelas paragens.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 6 de Setembro de 1980)

Tripulação do “Maria Teixeira Vilarinho” em Lisboa:
«Escapamos por pouco»
«Ninguém pode imaginar o que foram as nossas últimas doze horas a bordo do navio» - afirmava um dos 62 tripulantes do navio “Maria Teixeira Vilarinho” ao chegar, como os outros são e salvo ao aeroporto da Portela, durante a tarde de ontem.
O “Maria Teixeira Vilarinho”, que é propriedade de uma sociedade da região de Aveiro, encalhou na passada quinta-feira, em plenas águas da Terra Nova quando se encontrava já na fase final da faina, que inicialmente se estenderia por seis meses, encontrando-se na altura do acidente com os porões já cheios de bacalhau.
O acidente, que teve o seu início pelas três horas e meia da manhã, pôs de imediato toda a tripulação em alvoroço, a qual se dirigiu para o «castelo da proa» do navio.
Desde logo começamos a pedir socorro, mas o temporal era muito grande e ninguém nos podia garantir nada. Estivemos doze horas a fio a pensar que aqueles eram os nossos últimos momentos de vida. Foi horrível! Por um lado não podíamos avaliar em grande medida a real situação do navio e por outro víamo-nos para ali abandonados no meio da tempestade. Se escapei aquela… - estas foram algumas das palavras que ainda a custo saíram da boca do enfermeiro que prestava serviço a bordo naquele navio.
Os primeiros a socorrer a tripulação portuguesa foram os pescadores locais, que nas suas pequenas embarcações se aproximaram perigosamente do “Maria Teixeira Vilarinho” conseguindo a custo levar consigo metade dos homens existentes a bordo, «isto no meio de grandes perigos». Os restantes trinta esperaram pelo helicóptero que mal apanhou uma pequena aberta foi em busca do navio, colocando-se mais de uma vez em grande perigo, mas lá nos conseguiu pescar. «Por fim todos estávamos exaustos e com os nervos em franja, agora só queremos descansar e tentar esquecer». Os tripulantes regressaram, o navio ainda ficou, «mas parecia outro, agora calmo e lindo como sempre».
Segundo um dos administradores da empresa José Maria Vilarinho continuam a processar-se acções, no sentido de salvar o arrastão “Maria Teixeira Vilarinho”. Houve já uma primeira tentativa mas um cabo de aço rebentou, prosseguindo, no entanto. Os seis mil quintais de bacalhau e toda a carga serão lançados ao mar para aliviar o navio e para um melhor poder de actuação.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 9 de Setembro de 1980)