sexta-feira, 30 de novembro de 2018
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
História trágico-marítima (CCXC)
O encalhe do navio de carga "Nereus" em Marrocos
Encalhou na costa marroquina o cargueiro
português “Nereus”
Encalhou na costa marroquina o cargueiro
português “Nereus”
Casablanca, 7 – O navio de carga português “Nereus”, de 475 toneladas, de Lisboa, encalhou, na noite passada, em Moulay Bousslhem, a cerca de 10 km do porto de Larache (ou seja a 270 km ao sul de Casablanca), por causa do nevoeiro. O navio encalhou num baixo rochoso.
A tripulação (28 marinheiros de nacionalidade portuguesa), conseguiu abandonar o navio pelos seus próprios meios.
O “Nereus”, que transportava uma carga de metais e se dirigia para Casablanca, encontra-se actualmente numa situação critica.
É o segundo navio português a encalhar na costa marroquina num período de dez dias.
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 8 de Dezembro de 1964)
A tripulação (28 marinheiros de nacionalidade portuguesa), conseguiu abandonar o navio pelos seus próprios meios.
O “Nereus”, que transportava uma carga de metais e se dirigia para Casablanca, encontra-se actualmente numa situação critica.
É o segundo navio português a encalhar na costa marroquina num período de dez dias.
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 8 de Dezembro de 1964)
O navio "Nereus" de saída do rio Douro
Foto da colecção de Rui Picarote Amaro
Características do navio Nereus"
3.7.1947 – 1977
Foto da colecção de Rui Picarote Amaro
Características do navio Nereus"
3.7.1947 – 1977
Armador: Bagão, Nunes & Machado, Lda., Lisboa
Nº Oficial : H-450 - Iic: C.S.S.I. - Porto de registo: Lisboa, 03.07.1947
Construtor: Estaleiros de São Jacinto, Lda., Aveiro, 1947
Arqueação: Tab 334,40 tons - Tal 228,22 tons - Porte 530 tons
Dimensões: Ff 45,75 mts - Pp 42,43 mts - Bc 7,17 mts - Ptl 3,11 mts
Propulsão: Sulzer Frères, 1944 - 1:Di - 330 Bhp - Velocidade: 10 m/h
dp “Efii” - A. Myrianthis, Grécia, 1977-1977
dp “Kalathos” - A. Myrianthis, Grécia, 1977-1977
O navio foi desencalhado e retornou ao serviço comercial, tendo aproveitado o auxílio prestado pelo rebocador “Sintra”, da Sociedade Geral, quando esteve se encontrava próximo a Casablanca, a realizar operações de assistência ao navio “Mello”, do mesmo armador.
Viria a naufragar posteriormente a cerca de 120 milhas a Sudoeste de Port Sudan, em 16 de Março de 1977.
Nº Oficial : H-450 - Iic: C.S.S.I. - Porto de registo: Lisboa, 03.07.1947
Construtor: Estaleiros de São Jacinto, Lda., Aveiro, 1947
Arqueação: Tab 334,40 tons - Tal 228,22 tons - Porte 530 tons
Dimensões: Ff 45,75 mts - Pp 42,43 mts - Bc 7,17 mts - Ptl 3,11 mts
Propulsão: Sulzer Frères, 1944 - 1:Di - 330 Bhp - Velocidade: 10 m/h
dp “Efii” - A. Myrianthis, Grécia, 1977-1977
dp “Kalathos” - A. Myrianthis, Grécia, 1977-1977
O navio foi desencalhado e retornou ao serviço comercial, tendo aproveitado o auxílio prestado pelo rebocador “Sintra”, da Sociedade Geral, quando esteve se encontrava próximo a Casablanca, a realizar operações de assistência ao navio “Mello”, do mesmo armador.
Viria a naufragar posteriormente a cerca de 120 milhas a Sudoeste de Port Sudan, em 16 de Março de 1977.
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
História trágico-marítima (CCLXXXIX)
O naufrágio do vapor “Mello” em Marrocos
O navio de carga português “Mello” encalhou próximo de
Casablanca, devido ao nevoeiro que encobre a costa
marroquina e considera-se perdido – A tripulação salvou-se
Casablanca, 27 - Em consequência do denso nevoeiro, o cargueiro português “Mello” encalhou esta manhã, pelas 4 horas, na foz do Uede Mellah, a 20 km ao Norte de Casablanca, encontrando-se imobilizado sobre um banco de areia. A tripulação, composta de 35 homens, conseguiu alcançar a costa, pelos seus próprios meios.
Casablanca, 27 – É de 4.500 toneladas o cargueiro português “Mello”, que encalhou hoje no estuário do rio Uede Mellah, a cerca de 20 km de Casablanca, às 4 horas da madrugada (3 horas em Lisboa). O navio é propriedade da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda., de Lisboa e vinha carregar fosfatos.
Casablanca, 27 – Considera-se perdido o navio português que encalhou em Uede Mallah, à entrada de Casablanca. Apareceram várias fendas no casco do “Mello” e o mau tempo tem prejudicado os esforços para o libertar do lodo.
O comandante do navio, Sr. António Carrilho, concordou com os técnicos, que consideram perdidas as esperanças de salvar o navio.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 28 de Novembro de 1964)
Casablanca, 27 – É de 4.500 toneladas o cargueiro português “Mello”, que encalhou hoje no estuário do rio Uede Mellah, a cerca de 20 km de Casablanca, às 4 horas da madrugada (3 horas em Lisboa). O navio é propriedade da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda., de Lisboa e vinha carregar fosfatos.
Casablanca, 27 – Considera-se perdido o navio português que encalhou em Uede Mallah, à entrada de Casablanca. Apareceram várias fendas no casco do “Mello” e o mau tempo tem prejudicado os esforços para o libertar do lodo.
O comandante do navio, Sr. António Carrilho, concordou com os técnicos, que consideram perdidas as esperanças de salvar o navio.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 28 de Novembro de 1964)
Imagem do navio "Mello" à chegada a Leixões
Foto minha colecção
Características do navio português “Mello“
21.03.1923 – 27.11.1964
Foto minha colecção
Características do navio português “Mello“
21.03.1923 – 27.11.1964
Armador: Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda.
Nº Oficial : 397-E - Iic.: H.M.E.O. – Portro de registo: Lisboa 21.03.23
Construtor: Blyth Shipbuilding Co., Blyth, Inglaterra, Abril de 1915
ex “Hebburn”, Huddart Parker, Ltd., Londres, Inglaterra, 1915-1919
ex “Graziella”, A. C. Aboaf, Londres, Inglaterra, 1919-1922
Propulsão: Rich. Westgarth & Co., 1915 - 1:Te - 2.000 Ihp - 11 m/h
Arqueação: Tab 4.188,12 tons - Tal 2.993,54 tons
Dimensões: Pp 112,77 mts - Boca 11,54 mts - Pontal 8,37 mts
Equipagem: 36 tripulantes - 6 passageiros
Nº Oficial : 397-E - Iic.: H.M.E.O. – Portro de registo: Lisboa 21.03.23
Construtor: Blyth Shipbuilding Co., Blyth, Inglaterra, Abril de 1915
ex “Hebburn”, Huddart Parker, Ltd., Londres, Inglaterra, 1915-1919
ex “Graziella”, A. C. Aboaf, Londres, Inglaterra, 1919-1922
Propulsão: Rich. Westgarth & Co., 1915 - 1:Te - 2.000 Ihp - 11 m/h
Arqueação: Tab 4.188,12 tons - Tal 2.993,54 tons
Dimensões: Pp 112,77 mts - Boca 11,54 mts - Pontal 8,37 mts
Equipagem: 36 tripulantes - 6 passageiros
Alteração à matrícula
Nº Oficial: 397-E - Iic.: C.S.B.G. – Porto de registo: Lisboa, 21.03.1923
Arqueação: Tab 4.471,29 tons - Tal 2.693,05 tons
Dimensões: Ff 117,30 mts - Pp 112,96 mts - Bc 15,63 mts - Ptl 7,58 mts
Equipagem: 35 tripulantes - 12 passageiros
Arqueação: Tab 4.471,29 tons - Tal 2.693,05 tons
Dimensões: Ff 117,30 mts - Pp 112,96 mts - Bc 15,63 mts - Ptl 7,58 mts
Equipagem: 35 tripulantes - 12 passageiros
O vapor “Mello” continua encalhado
próximo de Casablanca
próximo de Casablanca
Contrariamente ao que chegou a constar, o navio “Mello” da Sociedade Geral, que anteontem encalhou, a uns 20 km de Casablanca, não se afundou, embora não haja esperanças de salvá-lo. Em face da precária situação do navio, a administração da empresa proprietária determinou que a respectiva tripulação seguisse para Casablanca, permanecendo próximo do “Mello” o rebocador “Sintra”, que seguiu para o local do encalhe.
O regresso dos tripulantes a Lisboa deve verificar-se num dos primeiros dias desta semana.
O regresso dos tripulantes a Lisboa deve verificar-se num dos primeiros dias desta semana.
A identidade dos 35 tripulantes
Os 35 tripulantes, incluindo o comandante, Sr. António Camarate Carrilho, e imediato, Sr. José Araújo, são os seguintes: António José Fernandes de Oliveira e Carlos Luís de Sousa Rocha, 2º e 3ºs pilotos; José dos Santos, radiotelegrafista; Alberto Artur de Melo Soares, enfermeiro; António Fiel e Emílio Carlos da Cunha Ferreira e Silva, 1º e 2º maquinistas; e António Fernandes e Cristiano Ribeiro, 3ºs. maquinistas; Francisco Barreto Ferreira, artífice; Vidal Fernandes, Manuel Ricardo Generoso, António Bártolo, Abílio Lopes e Custódio Tavares, fogueiros; Primo Marques Patrão, Daniel Filipe Torres de Brito e António Augusto dos Santos, chegadores; Primo Martins Torres de Albuquerque, contramestre; Manuel Rodrigues, Afonso Perre, Estevão Bonança, António Santana Gordinho, e Manuel dos Santos, marinheiros; João Baptista da Rocha Júnior, dispenseiro; Francisco Luís, cozinheiro; Pedro Maria Pereira, padeiro; António Baptista Soares, Armando de Almeida e Laurentino Rodrigues Machado, criados; Sebastião Manuel Martins Fernandes, Raul Aníbal Baptista, João Ramos de Oliveira, e Bernardino Maria Ramalho, moços.
(Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 29 de Novembro de 1964)
(Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 29 de Novembro de 1964)
Chegaram a Lisboa 15 tripulantes do navio português “Mello”,
que encalhou na costa marroquina
que encalhou na costa marroquina
Procedentes de Casablanca chegaram a Lisboa anteontem, de avião, 15 tripulantes do navio português “Mello”, que encalhou na costa de Marrocos, considerando-se perdido. Os restantes náufragos devem chegar a Portugal, provavelmente, por via marítima.
(Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 3 de Dezembro de 1964)
(Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 3 de Dezembro de 1964)
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
A nova canhoneira “Diu” (1)
O lançamento ao mar da nova canhoneira “Diu”, tem lugar no próximo sábado, às 3 horas e 15 minutos. Foram hoje dirigidos convites aos membros do governo, governador civil, Câmara Municipal, oficiais do Exército e mais autoridades.
Imagem da canhoneira "Diu" a entrar no porto de Leixões
Foto da minha colecção
Características da canhoneira “Diu”
19.10.1929 - 20.4.1969
Foto da minha colecção
Características da canhoneira “Diu”
19.10.1929 - 20.4.1969
Propriedade da Marinha de Guerra Portuguesa
Nº Oficial (Armada): 42 - Iic: C.T.A.L. - Porto de armamento: Lisboa
Construção no Arsenal da Armada
Data de lançamento: 1929 – Material do casco: Aço
Deslocamento standard: 403,00 tons
Deslocamento normal: 451,00 tons
Deslocamento máximo: 500,00 tons
Arqueação: Tab 428,66 tons - Tal 192,00 tons
Dimensões: Pp 45,00 mts - Boca 8,30 mts - Pontal 4,50 mts
Autonomia: 2.300 milhas
Propulsão: 1 motor diesel tripla expansão - 11 m/h
Nº Oficial (Armada): 42 - Iic: C.T.A.L. - Porto de armamento: Lisboa
Construção no Arsenal da Armada
Data de lançamento: 1929 – Material do casco: Aço
Deslocamento standard: 403,00 tons
Deslocamento normal: 451,00 tons
Deslocamento máximo: 500,00 tons
Arqueação: Tab 428,66 tons - Tal 192,00 tons
Dimensões: Pp 45,00 mts - Boca 8,30 mts - Pontal 4,50 mts
Autonomia: 2.300 milhas
Propulsão: 1 motor diesel tripla expansão - 11 m/h
Não será permitida a entrada no Arsenal senão a pessoas munidas de bilhetes, que também serão exigidos ao pessoal operário.
Exceptuam-se os convidados oficiais, autoridades superiores, civis e militares, Câmara Municipal, representantes da imprensa, oficiais e aspirantes do Exército e da Armada, bem como os sargentos do Exército e da Armada uniformizados.
Não há lugares especiais a não ser na tribuna do governo, comitiva e convidados, oficiais e outras autoridades.
A guarda de honra será feita por uma companhia a 2 pelotões, fornecida pela “Sagres”, sob o comando de um 1º tenente, com a banda de música e terno de clarins.
Exceptuam-se os convidados oficiais, autoridades superiores, civis e militares, Câmara Municipal, representantes da imprensa, oficiais e aspirantes do Exército e da Armada, bem como os sargentos do Exército e da Armada uniformizados.
Não há lugares especiais a não ser na tribuna do governo, comitiva e convidados, oficiais e outras autoridades.
A guarda de honra será feita por uma companhia a 2 pelotões, fornecida pela “Sagres”, sob o comando de um 1º tenente, com a banda de música e terno de clarins.
A nova canhoneira “Diu”, foi incorporada na Armada (2)
Realizou-se hoje, pelas 14 horas, a bordo da nova canhoneira “Diu”, recentemente lançada ao mar, no Arsenal, a cerimónia da entrega daquele navio à Armada.
Àquela hora chegaram a bordo o capitão-tenente Sr. Manuel Francisco da Silva, delegado do almirante comandante geral da Armada, e o 1º tenente Sr. Luiz de Oliveira Lima, comandante da nova unidade, prestando honras a guarnição alinhada à ré.
Em seguida, na tolda, o imediato da “Diu” leu a comunicação oficial que manda armar a nova canhoneira e que determina a sua incorporação no efectivo das forças navais, sendo depois içada a flâmula de «navio de guerra ao serviço».
Falou então o capitão-tenente Sr. Francisco da Silva, que deu posse ao novo comandante cujo elogio fez em termos calorosos. Destacou ainda o significado do nome do novo navio, que evoca factos gloriosos da nossa história, terminando com estas palavras:
- «O comandante deste navio é um oficial de tradições liberais, um bom republicano, qualidades que, aliadas ao seu saber, devem constituir motivo de justo regozijo para os que vão servir sob as suas ordens».
O comandante Sr. Oliveira Lima agradeceu as saudações que lhe haviam sido dirigidas, pedindo a colaboração dos seus subordinados, para uma acção conjunta de disciplina, de método e de trabalho que dignifique a Marinha, servindo ao mesmo tempo a Pátria e a República.
Toda a oficialidade desceu depois à câmara da “Diu”, onde foi servido um «Porto de honra», sendo por último visitadas as instalações da nova unidade da nossa esquadra.
Notícias publicadas no jornal "Comércio do Porto", em:
(1) Sexta, 18 de Outubro de 1929; e (2) quarta, 2 de Novembro de 1932
Àquela hora chegaram a bordo o capitão-tenente Sr. Manuel Francisco da Silva, delegado do almirante comandante geral da Armada, e o 1º tenente Sr. Luiz de Oliveira Lima, comandante da nova unidade, prestando honras a guarnição alinhada à ré.
Em seguida, na tolda, o imediato da “Diu” leu a comunicação oficial que manda armar a nova canhoneira e que determina a sua incorporação no efectivo das forças navais, sendo depois içada a flâmula de «navio de guerra ao serviço».
Falou então o capitão-tenente Sr. Francisco da Silva, que deu posse ao novo comandante cujo elogio fez em termos calorosos. Destacou ainda o significado do nome do novo navio, que evoca factos gloriosos da nossa história, terminando com estas palavras:
- «O comandante deste navio é um oficial de tradições liberais, um bom republicano, qualidades que, aliadas ao seu saber, devem constituir motivo de justo regozijo para os que vão servir sob as suas ordens».
O comandante Sr. Oliveira Lima agradeceu as saudações que lhe haviam sido dirigidas, pedindo a colaboração dos seus subordinados, para uma acção conjunta de disciplina, de método e de trabalho que dignifique a Marinha, servindo ao mesmo tempo a Pátria e a República.
Toda a oficialidade desceu depois à câmara da “Diu”, onde foi servido um «Porto de honra», sendo por último visitadas as instalações da nova unidade da nossa esquadra.
Notícias publicadas no jornal "Comércio do Porto", em:
(1) Sexta, 18 de Outubro de 1929; e (2) quarta, 2 de Novembro de 1932
domingo, 25 de novembro de 2018
Leixões na rota do turismo! (10/2018)
Navios em porto durante o mês de Outubro
As condições adversas de tempo vieram prejudicar as expectativas de ter em porto um simpático número de navios, sendo de lamentar o cancelamente de visitas previstas para este período. Mesmo assim, houve oportunidade de dar as boas vindas aos navios "Seabourne Ovation" e "Le Champlain", de visita a Leixões em escala inaugural.
Foto do navio de passageiros "Star Breeze"
No dia 2, chegou procedente de Bilbao, saindo com destino a Lisboa
No dia 2, chegou procedente de Bilbao, saindo com destino a Lisboa
Foto do navio de passageiros "Marella Spirit"
No dia 5, chegou procedente de Málaga, tendo saído para Lisboa
No dia 5, chegou procedente de Málaga, tendo saído para Lisboa
Foto do navio de passageiros "Marina"
No dia 8, veio procedente do Ferrol, saindo também para Lisboa
No dia 8, veio procedente do Ferrol, saindo também para Lisboa
Foto do navio de passageiros "Ocean Dream"
No dia 12, chegou procedente de Tanger, saiu com destino à Corunha
No dia 12, chegou procedente de Tanger, saiu com destino à Corunha
Foto do navio de passageiros "Seabourne Ovation"
Ainda no dia 12, veio procedente da Corunha, saiu para Lisboa
Ainda no dia 12, veio procedente da Corunha, saiu para Lisboa
Foto do navio de passageiros "Viking Sun"
No dia 15, chegou procedente de Portsmouth, saindo para Málaga
No dia 15, chegou procedente de Portsmouth, saindo para Málaga
Foto do navio de passageiros "Azura"
No dia 16, chegou procedente de Lisboa, saindo para Cherbourg
No dia 16, chegou procedente de Lisboa, saindo para Cherbourg
Foto do navio de passageiros "Albatros"
No dia 19, veio procedente do Funchal, também saiu para Cherbourg
No dia 19, veio procedente do Funchal, também saiu para Cherbourg
Foto do navio de passageiros "Amadea"
No dia 23, chegou procedente de Hamburgo, saiu para o Funchal
No dia 23, chegou procedente de Hamburgo, saiu para o Funchal
sábado, 24 de novembro de 2018
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
História trágico-marítima (CCLXXXVIII)
No Norte do Brasil - A catástrofe do Camará
O “Paes de Carvalho” em chamas nas águas do Solimões,
Amazonas - Dezenas de náufragos mutilados - 12 mortos
Manaus, 31 de Março – Conforme o telégrafo comunicou já, a madrugada de 22 do corrente veio trazer à nossa população a emoção mais profunda que temos sentido nestes últimos tempos: o sinistro do vapor fluvial “Paes de Carvalho”, da frota da «Amazon River».
Ainda todos os corações pulsam no mesmo sentimento de piedade e horror, de tristeza e comoção, ao evocar essa tremenda hecatombe, que supera outras desgraças análogas, tal a amplitude de consequências trágicas e inesperadas, com o séquito extenso de luto, a trazer inúmeros lares presos de mágoa infinda causada pelas irreparáveis perdas.
À meia-noite de 19 do corrente, o “Paes de Carvalho” deixava o «roadway» da «Manaus Harbour», continuando, assim, a viagem da linha do Juruá, empreendida de Belém, porto inicial.
Comandado pelo piloto João de Deus Cabral dos Anjos, marítimo bastante conhecido e conceituado na nossa marinha mercante, o “Paes de Carvalho” conduzia elevado número de passageiros e avultada quantidade de carga, como aliás o fazem todos os gaiolas empregados na navegação do Amazonas.
O percurso do “Paes de Carvalho” ia sendo feito sem novidade, quando, ao chegar ao porto da vila de Codajás, o comandante notou que dois reboques de pescadores portugueses atrasavam a marcha da embarcação. Verificando esse facto, que, realmente, já vinha retardando em quatro horas a viagem, aquele oficial deliberou propôr aos pescadores que largassem o reboque, transmitindo-lhes essa resolução, por intermedio do praticante Mário de Assis Costa, que se tornou, mais tarde, num verdadeiro herói.
Atendendo às ponderações do comandante um dos pescadores procedeu logo à resolução tomada, desamarrando a canoa do navio, enquanto o seu colega de ofício se obstinava em continuar a viagem, já tendo, a esse tempo, o “Paes de Carvalho” deixado o porto de Codajás.
Diante da desobediência das suas ordens, o comandante Cabral dos Anjos renovou o aviso de que não podia continuar a conduzir o reboque, até que, vendo a insistência do pescador, mandou um marinheiro desatar os nós das cordas.
Esse facto não enfureceu o mariscador lusitano.
Ainda todos os corações pulsam no mesmo sentimento de piedade e horror, de tristeza e comoção, ao evocar essa tremenda hecatombe, que supera outras desgraças análogas, tal a amplitude de consequências trágicas e inesperadas, com o séquito extenso de luto, a trazer inúmeros lares presos de mágoa infinda causada pelas irreparáveis perdas.
À meia-noite de 19 do corrente, o “Paes de Carvalho” deixava o «roadway» da «Manaus Harbour», continuando, assim, a viagem da linha do Juruá, empreendida de Belém, porto inicial.
Comandado pelo piloto João de Deus Cabral dos Anjos, marítimo bastante conhecido e conceituado na nossa marinha mercante, o “Paes de Carvalho” conduzia elevado número de passageiros e avultada quantidade de carga, como aliás o fazem todos os gaiolas empregados na navegação do Amazonas.
O percurso do “Paes de Carvalho” ia sendo feito sem novidade, quando, ao chegar ao porto da vila de Codajás, o comandante notou que dois reboques de pescadores portugueses atrasavam a marcha da embarcação. Verificando esse facto, que, realmente, já vinha retardando em quatro horas a viagem, aquele oficial deliberou propôr aos pescadores que largassem o reboque, transmitindo-lhes essa resolução, por intermedio do praticante Mário de Assis Costa, que se tornou, mais tarde, num verdadeiro herói.
Atendendo às ponderações do comandante um dos pescadores procedeu logo à resolução tomada, desamarrando a canoa do navio, enquanto o seu colega de ofício se obstinava em continuar a viagem, já tendo, a esse tempo, o “Paes de Carvalho” deixado o porto de Codajás.
Diante da desobediência das suas ordens, o comandante Cabral dos Anjos renovou o aviso de que não podia continuar a conduzir o reboque, até que, vendo a insistência do pescador, mandou um marinheiro desatar os nós das cordas.
Esse facto não enfureceu o mariscador lusitano.
Foto do navio fluvial «gaiola» "Paes de Carvalho"
Retirada do corpo da notícia abaixo discriminada
Aliviado desse reboque, o navio prosseguiu a rota, costeando o Camará, à margem esquerda do Solimões. Nesse percurso, o “Paes de Carvalho” defrontou a ilha de Ajurá, situada na foz do paraná do Mamiá, conseguindo atingir a ponta da ilha da Botija, que, digamos de passagem, é circundada por barrancos intransponíveis. Essa ilha, que fica localizada a dez metros do canal de navegação, é o ponto que, nessa altura da viagem, todas as embarcações costeiam, não chegando, porém, o “Paes de Carvalho” a costear, porque, exactamente nessa travessia, se verificou o início do incêndio, às três horas e quarenta e cinco minutos da madrugada.
É de notar que a ilha da Botija, situada, como fica, no rio Solimões, divide esse rio em dois braços: um que segue para a esquerda – denominado paraná do Mamiá – e outro que se estende à direita – o Solimões propriamente dito, e onde fica situada a ilha do Trocary, pouco abaixo do porto do mesmo nome, para onde se destinava a embarcação sinistrada, a fim de descarregar mercadorias. Uma vez no Trocary, o “Paes de Carvalho” devia voltar ao local onde se deu o sinistro, entrando no paraná do Mamiá e seguindo o seu rumo.
Nesse momento, isto é, às 3 horas e quarenta minutos da madrugada, o vapor “Índio do Brazil”, que fazia a viagem inversa ao “Paes de Carvalho”, apitava para o porto do Mamiá, situado no paraná do mesmo nome, a fim de tomar lenha. O prático do “Índio do Brazil”, sr. Raimundo Baptista da Silva, que fez a atracação em Mamiá, diz que realmente observou, na direcção da ponta extrema da ilha da Botija, um clarão e fumo intenso. Acreditou que se tratasse de uma queimada na ponta da referida ilha. Não ouviu os apitos soltados pelo “Paes de Carvalho”, que a menos de trinta minutos, servia de pasto ao mais pavoroso incêndio em águas amazónicas.
Explicou este profissional que não admira de não ouvir o pedido de socorro do “Paes de Carvalho”, pois o vento soprava em sentido contrário e, portanto, levava o som noutra direcção. A profundidade do rio Solimões, no local onde o “Paes de Carvalho” soçobrou é, mais ou menos, de doze braças. O incêndio teve origem no presumível gesto de uma passageira de 3ª classe que, após fumar um cachimbo, sacudiu as cinzas, sem se aperceber de que estava próxima a inflamáveis.
Retirada do corpo da notícia abaixo discriminada
Aliviado desse reboque, o navio prosseguiu a rota, costeando o Camará, à margem esquerda do Solimões. Nesse percurso, o “Paes de Carvalho” defrontou a ilha de Ajurá, situada na foz do paraná do Mamiá, conseguindo atingir a ponta da ilha da Botija, que, digamos de passagem, é circundada por barrancos intransponíveis. Essa ilha, que fica localizada a dez metros do canal de navegação, é o ponto que, nessa altura da viagem, todas as embarcações costeiam, não chegando, porém, o “Paes de Carvalho” a costear, porque, exactamente nessa travessia, se verificou o início do incêndio, às três horas e quarenta e cinco minutos da madrugada.
É de notar que a ilha da Botija, situada, como fica, no rio Solimões, divide esse rio em dois braços: um que segue para a esquerda – denominado paraná do Mamiá – e outro que se estende à direita – o Solimões propriamente dito, e onde fica situada a ilha do Trocary, pouco abaixo do porto do mesmo nome, para onde se destinava a embarcação sinistrada, a fim de descarregar mercadorias. Uma vez no Trocary, o “Paes de Carvalho” devia voltar ao local onde se deu o sinistro, entrando no paraná do Mamiá e seguindo o seu rumo.
Nesse momento, isto é, às 3 horas e quarenta minutos da madrugada, o vapor “Índio do Brazil”, que fazia a viagem inversa ao “Paes de Carvalho”, apitava para o porto do Mamiá, situado no paraná do mesmo nome, a fim de tomar lenha. O prático do “Índio do Brazil”, sr. Raimundo Baptista da Silva, que fez a atracação em Mamiá, diz que realmente observou, na direcção da ponta extrema da ilha da Botija, um clarão e fumo intenso. Acreditou que se tratasse de uma queimada na ponta da referida ilha. Não ouviu os apitos soltados pelo “Paes de Carvalho”, que a menos de trinta minutos, servia de pasto ao mais pavoroso incêndio em águas amazónicas.
Explicou este profissional que não admira de não ouvir o pedido de socorro do “Paes de Carvalho”, pois o vento soprava em sentido contrário e, portanto, levava o som noutra direcção. A profundidade do rio Solimões, no local onde o “Paes de Carvalho” soçobrou é, mais ou menos, de doze braças. O incêndio teve origem no presumível gesto de uma passageira de 3ª classe que, após fumar um cachimbo, sacudiu as cinzas, sem se aperceber de que estava próxima a inflamáveis.
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Eis o que sobre a catástrofe disse a um jornalista o 3º maquinista do navio, Leonardo Severo de Jesus, de serviço no momento angustioso:
- Era o maquinista do quarto de vigilância, e, como de costume, entrei à meia-noite e devia largar às 4 horas da manhã. Saímos desta capital à meia-noite do dia 19, tendo sido eu o maquinista que deu saída à embarcação. Até ao dia 22, às 3 e meia da madrugada, a viagem prosseguiu, como de costume, sem incidentes.
Às 3 horas e quarenta minutos o segundo cozinheiro deu o alarme de fogo a bordo, tendo eu deixado por breves instantes a casa das máquinas a certificar-me se era exacto o sinal e de onde irrompia o incêndio. Conjugando os meus esforços com dois tripulantes, conseguimos atirar à água o enxergão incendiado, não fazendo outro tanto com a outra banda porque a esse tempo já o fogo se começava a propagar a uma das caixas que ia vazando combustível.
Nesse momento então os gritos de alarme foram mais intensos e como o meu lugar era junto à caldeira, corri à casa das máquinas onde cheguei exactamente quando o telégrafo me determinava parada imediata da embarcação. Procedi de acordo com o determinado, sabendo depois que essa ordem fora efectivada pelo comandante Cabral dos Anjos.
Por essa altura, fui sobressaltado por dois estampidos, quase simultâneos: eram as primeiras explosões das centenas que depois se verificaram. Uma vez parado o “Paes de Carvalho”, determinei ao cabo-fogueiro que estava de plantão que tocasse o aparelho denominado «burro» para que puxasse e conduzisse a água para extinguir o fogo. Era tarde; o fogo havia tomado proporções agigantadas; qualquer esforço para dominar a fogueira era improfícuo e insensato; nem um dilúvio, naquela altura, conseguiria acalmar os ímpetos das chamas; o navio estava irremediavelmente perdido e as nossas vidas colocadas num fatal dilema: ou morrer pelo fogo, ou morrer pela água.
Os lotes de caixas que estavam próximos à casa das máquinas invadiram aquele recinto, comunicado o fogo ao dínamo gerador da luz a bordo. Todo o navio ficou, desde esse momento, completamente às escuras. Pela porta que me tinha dado entrada era impossível sair, porque o incêndio nessa altura já me assoberbava a passagem, resolutamente procurei sair pela frente da caldeira.
Conquanto surpreso, estava completamente senhor de mim, e pude com calma procurar abrigo seguro contra a avassaladora ira das chamas. Fui à procura de sossego na proa do navio, onde já encontrei o comandante Cabral dos Anjos, o prático Josino do Carmo Palheta, o prático Milton Angelin, o mestre José Ezequiel de Salles e o 1º maquinista. Foi mesmo neste momento que o pânico atingiu o mais alto grau, pois os passageiros totalmente desorientados gritavam muito alto, clamando por socorro, confundindo preces com imprecações, orações com blasfémias.
Muitos passageiros solicitavam ao comandante que aproasse o navio a terra, mas, quando o comandante quis tomar essas providências era demasiado tarde…
(Jornal "Comércio do Porto", Domingo, 9 de Maio de 1926)
- Era o maquinista do quarto de vigilância, e, como de costume, entrei à meia-noite e devia largar às 4 horas da manhã. Saímos desta capital à meia-noite do dia 19, tendo sido eu o maquinista que deu saída à embarcação. Até ao dia 22, às 3 e meia da madrugada, a viagem prosseguiu, como de costume, sem incidentes.
Às 3 horas e quarenta minutos o segundo cozinheiro deu o alarme de fogo a bordo, tendo eu deixado por breves instantes a casa das máquinas a certificar-me se era exacto o sinal e de onde irrompia o incêndio. Conjugando os meus esforços com dois tripulantes, conseguimos atirar à água o enxergão incendiado, não fazendo outro tanto com a outra banda porque a esse tempo já o fogo se começava a propagar a uma das caixas que ia vazando combustível.
Nesse momento então os gritos de alarme foram mais intensos e como o meu lugar era junto à caldeira, corri à casa das máquinas onde cheguei exactamente quando o telégrafo me determinava parada imediata da embarcação. Procedi de acordo com o determinado, sabendo depois que essa ordem fora efectivada pelo comandante Cabral dos Anjos.
Por essa altura, fui sobressaltado por dois estampidos, quase simultâneos: eram as primeiras explosões das centenas que depois se verificaram. Uma vez parado o “Paes de Carvalho”, determinei ao cabo-fogueiro que estava de plantão que tocasse o aparelho denominado «burro» para que puxasse e conduzisse a água para extinguir o fogo. Era tarde; o fogo havia tomado proporções agigantadas; qualquer esforço para dominar a fogueira era improfícuo e insensato; nem um dilúvio, naquela altura, conseguiria acalmar os ímpetos das chamas; o navio estava irremediavelmente perdido e as nossas vidas colocadas num fatal dilema: ou morrer pelo fogo, ou morrer pela água.
Os lotes de caixas que estavam próximos à casa das máquinas invadiram aquele recinto, comunicado o fogo ao dínamo gerador da luz a bordo. Todo o navio ficou, desde esse momento, completamente às escuras. Pela porta que me tinha dado entrada era impossível sair, porque o incêndio nessa altura já me assoberbava a passagem, resolutamente procurei sair pela frente da caldeira.
Conquanto surpreso, estava completamente senhor de mim, e pude com calma procurar abrigo seguro contra a avassaladora ira das chamas. Fui à procura de sossego na proa do navio, onde já encontrei o comandante Cabral dos Anjos, o prático Josino do Carmo Palheta, o prático Milton Angelin, o mestre José Ezequiel de Salles e o 1º maquinista. Foi mesmo neste momento que o pânico atingiu o mais alto grau, pois os passageiros totalmente desorientados gritavam muito alto, clamando por socorro, confundindo preces com imprecações, orações com blasfémias.
Muitos passageiros solicitavam ao comandante que aproasse o navio a terra, mas, quando o comandante quis tomar essas providências era demasiado tarde…
(Jornal "Comércio do Porto", Domingo, 9 de Maio de 1926)
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