terça-feira, 9 de outubro de 2018

História trágico-marítima (CCLXXVIII)


O naufrágio do vapor grego “Eugenia”

O navio grego “Eugenia” naufragou, não se sabendo da tripulação
Em Lisboa foi hoje recebido um rádio do comandante do vapor italiano “Sicania”, dizendo que às 8 horas, na latitude 39º Norte e longitude 9º35’ Oeste, vira naufragar o navio grego “Eugenia”, não encontrando vestígios da tripulação.
Esta comunicação foi feita às autoridades de Marinha.

Desenho de navio do tipo do vapor naufragado correspondente ao texto

Características do navio grego “Eugenia”
1920-1921
Armador: J.B. Culucundis, Piréu, Grécia
Construtor: Russel & Co., Ltd., Greenock, Escócia, 1898
ex “Foreric”, Bank Line (Andrew Weir Ltd), Londres, 1898-1916
ex “Foreric”, Egypt & Levant Steam Navigation Co., Londres, 1916-1920
ex “Eugenia”, Eugenia Shipping, Piréu, Grécia, 1920-1920
Arqueação: Tab 3.974,00 tons
Dimensões: Pp 105,20 mts - Boca 15,20 mts - Pontal 5,50 mts
Propulsão: Rankin & Blackmore, Greenock - 1:Te - 364 Nhp

Segundo um telegrama do Cabo Carvoeiro, parece que a tripulação do vapor “Eugenia” se salvou, porque o vapor belga “Minerva”, que passou ali, vindo do Sul, anunciou que ia desembarcar em Peniche a tripulação dum navio naufragado.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 16 de Abril de 1921)

Numa informação complementar, consta que o navio grego “Eugenia” deve ter naufragado no dia 15 de Abril de 1921, por suposta colisão com uma mina, próximo às Berlengas, quando em viagem de Huelva para Hamburgo.

sábado, 6 de outubro de 2018

Salva-vidas do I.S.N. "Gago Coutinho"


A entrega do salva-vidas "Gago Countinho" em Olhão

Mais uma vez o blog recorda a notícia de um novo barco salva-vidas, que na ocasião foi entregue aos Socorros a Náufragos de Olhão.
E muito me apraz poder fazê-lo, pelo respeito e reconhecimento que as tripulações destes barcos merecem, devido às provas de coragem e abnegação demonstrados ao longo dos anos.
Porém, foi imprescindível estarem dotados de equipamento adequado, pois só assim foi possível dar responta às perigosas missões de salvamento, que lhes foram confiadas.
A estatistica que abaixo se apresenta, é disso a principal evidência.


A estação de Socorros a Náufragos de Olhão tem um novo salva-vidas
A entrega do salva-vidas “Gago Coutinho” teve um festivo entusiasmo
Olhão, 24 – Chegou hoje a este porto, vindo de Lisboa, o novo salva-vidas “Gago Coutinho”, que à entrada da barra foi recebido festivamente por vários vapores, gasolinas e outras embarcações repletas de pessoas desta vila e da Filarmónica Olhanense.
O novo barco foi conduzido a esta ria, pelo sr. comandante Borges de Carvalho, pelo mestre Joaquim Casaca e pelo maquinista José Rodrigues Rocha. Após a sua chegada, organizou-se um cortejo fluvial em direcção à vila, onde depois se realizou, na Câmara Municipal, uma sessão solene, que foi presidida pelo sr. capitão de mar-e-guerra Eduardo Soares, secretariado pelos srs. Celestino Pereira, chefe da Repartição do Instituto de Socorros a Náufragos, comandante Borges de Carvalho e Duval Pestana, presidente da Câmara, que usou da palavra em primeiro lugar.

Foto do salva-vidas "Gago Coutinho" à chegada a Olhão
Imagem publicada no jornal referido no texto

O sr. Duval Pestana que se congratulou por tão importante melhoramento, pediu ao sr. comandante Eduardo Soares, que transmitisse ao sr. Ministro da Marinha, a quem o país devia tão relevantes serviços, a sua imensa gratidão. Enalteceu a figura prestigiosa do sr. comandante Borges de Carvalho. Terminou com palavras de louvor para o sr. Celestino Pereira e expondo a grave situação em que a classe piscatória se encontra, a qual podia ser remediada pelas entidades superiores.
A seguir falou o sr. Celestino Pereira, que como algarvio manifestou muita satisfação por vir associar-se a esta simpática festa, motivada pela vinda do salva-vidas, para esta ridente vila do Algarve e manifesta, também, o seu regozijo por ver Olhão dotado com uma bela estação de Socorros a Náufragos, o melhor edifício deste género, que o Instituto até hoje mandou construir, a qual fica devidamente apetrechada.
Rendeu preito de sincera homenagem ao prestigioso inspector dos Serviços de Socorros a Náufragos, capitão de mar-e-guerra, sr. Eduardo Soares, pessoa de inteligência lúcida e grande orientador dos mesmos serviços, a quem Olhão deve a vinda deste belo salva-vidas.
A seguir usou da palavra o sr. Cruz Azevedo, que como algarvio se congratulou também pela vinda do novo salva-vidas, afirmando que era o melhor preito de homenagem que poderia prestar, por tal motivo. Relembrou a nobilitante figura do Patrão Joaquim Lopes, honra e glória da terra portuguesa e pediu aos assistentes 2 minutos de silencio, de respeito e gratidão pela memória daquele que foi um verdadeiro lobo do mar e que abnegadamente tantas vidas salvou.
Finalmente falou o sr. comandante Eduardo Soares, que se associou a esta tocante manifestação de gratidão e saudade, pela memória de tão prestimoso algarvio. Agradeceu as palavras que lhe foram dirigidas, prometendo dirigir ao sr. Ministro da Marinha o reconhecimento e as aspirações do laborioso povo de Olhão.
(Jornal "Comércio do Porto", terça-feira, 26 de Julho de 1938)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

História trágico-marítima (CCLXXVII)


O incêncio a bordo do vapor África", em Lisboa

Manifestou-se incêndio com violência no porão nº1 do
paquete “África”, atracado no Jardim do Tabaco.
Os bombeiros trabalham com dificuldade na extinção.
O vapor “*Africa” pertencente à Companhia Nacional de Navegação, viera no dia 27 do mês findo do Porto, onde estivera a receber carga diversa, principalmente caixas de vinho e fardos de fazendas.
Acostara ao cais de Santa Apolónia, onde esteve a receber mais carga, a fim de seguir para os portos de África.
Hoje, cerca das 2 horas da tarde, foi visto sair muito fumo pelos respiradores do porão nº2. Dado o alarme compareceram, dentro em pouco, os bombeiros municipais e voluntários, assim como vapores e rebocadores, sendo estabelecido, imediatamente, o ataque ao fogo.
Foram fechadas as escotilhas e o porão começou por ser inundado, no local onde o incêndio se manifestara. Pelas 4 horas e 45 minutos foram abertas as escotilhas, sendo verificado que o fogo continuava, pelo que um bombeiro com escafandro desceu ao porão, a fim de localizar o sítio exacto, conseguindo extinguir assim o incêndio.
O vapor está um tanto adernado a estibordo.
Ao posto de socorros, estabelecido no cais, foram receber curativo o bombeiro voluntário da 3ª secção Amorim, tripulante Laranjeira, João dos Santos Ferreira, José Nunes Ferreira e Joaquim Mendes Raimundo dos Santos, 3º piloto, e o comandante João Augusto Ferreira, intoxicados pelo fumo, ao tentarem descer ao porão.
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 8 de Novembro de 1921)

Foto-postal do "África", emitido pela Cª Nacional de Navegação
Minha colecção

Características do paquete “África”
Armador: Companhia Nacional de Navegação, Lisboa
Nº Oficial: 443-B - Iic: H.B.G.K. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Raylton Dixon & Co., Ltd., Middlesbrough, Agosto 1905
Arqueação: Tab 5.490,81 tons - Tal 3.582,87 tons
Dimensões: Pp 127,52 mts - Boca 15,70 mts - Pontal 5,80 mts
Propulsão: N.E. Marine Engineering, Newcastle, 1:Tv - 6:Ci - 752 Nhp
Equipagem: 156 tripulantes
Abatido à frota da companhia durante o ano de 1932

Imagem do incêndio no vapor "África" da autoria de Salgado
Ilustração Portuguesa, Nº 821 de 12 de Novembro de 1921, pp.371

O incêndio a bordo do “África”
Morte de um estivador – Os prejuízos materiais
Ficou hoje, ao meio dia, extinto o incêndio que ontem se declarou no porão nº2 do vapor “África”.
A experiência feita com uma máquina de ar quente, que encheu por completo o porão, não deu os resultados desejados, pois que às 4 horas da madrugada, sendo o porão destapado, viu-se que o incêndio continuava a lavrar com a mesma intensidade.
Foram então, para debelar o incêndio, postos a funcionar os rebocadores “Cabo da Roca”, “Buarcos” e “Josephina”, bem como duas bombas a vapor, uma auto-bomba dos bombeiros municipais e várias mangueiras, que começaram a despejar água em grande quantidade (850 metros cúbicos aproximadamente), sendo o incêndio debelado.
Pouco depois começaram a proceder ao esvaziamento da água que enchia o porão, a fim de serem recolhidos os salvados.
Os prejuízos, tanto no porão como no resto do vapor são importantes, principalmente nos beliches que ficam próximo do porão e que a acção do calor muito danificou.
Os trabalhos decorriam com toda a regularidade, quando apareceu, numa embarcação, a mulher do estivador José Firmino Pinto, a dizer que o seu marido, que estava empregado no “África”, não tinha aparecido em casa.
Alguns empregados de bordo tiveram logo a suspeita de que o infeliz tivesse morrido no incêndio, pois que tinha sido visto a bordo quando este se declarou.
Vários bombeiros desceram imediatamente ao porão, sendo encontrado o cadáver do estivador à tona da água. Retirado para o cais, foi entregue à família, depois de verificado o óbito pelo respectivo sub-delegado de saúde.
Hoje de manhã também foi retirado o empregado de bordo Joaquim António Reis, sendo conduzido ao posto médico, onde foi submetido a ginástica respiratória, seguindo depois para sua casa.
Ao meio dia retiraram o material de incêndios e os rebocadores. Como medida de precaução, ficou junto do “África” uma bomba a vapor.
Os prejuízos estão cobertos por várias companhias de seguros.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 9 de Novembro de 1921)

Leixões na rota do turismo! (8/2018)


Navios em porto na primeira quinzena de Setembro

Neste período Leixões recebeu três navios em escala inaugural. De entre estes, aquele que atraiu maior atenção foi certamento o novo "Mein Shiff 1", com 315 metros, portanto um recorde absoluto.
Foi igualmente interessante a escala do novo navio francês "Le Laperouse", que apresenta diversas caracteristicas inovadoras.
Se congratulamos a visita ao porto de um agradável conjunto de navios, o nevoeiro que esteve presente a maior parte do tempo, dificultou a possibilidade de colher melhor imagens, motivo que nos levou a utilizar uma foto de Luís Miguel Correia, até que o "Costa Mediterranea", por exemplo, possa regressar a Leixões.

Navio de passageiros "Mein Schiff 1"
Foto do Arqtº Fernando Paiva Leal
No dia 3, chegou procedente da Corunha, tendo saído para Lisboa

Navio de passageiros "Marella Spirit"
No dia 4, chegou procedente de Vigo, continuou viagem para Lisboa

Navio de passageiros "Azamara Pursuit"
No dia 6, chegou procedente de Bilbao, seguiu também para Lisboa

Navio de passageiros "Balmoral"
No dia 6, chegou procedente de Newcastle, saiu para Málaga

Navio de passageiros "Boudicca"
No dia 8, veio proveniente de Dover, saiu com destino a Cadiz

Navio de passageiros "Le Laperouse"
No dia 12, chegou procedente da Corunha, saindo para Lisboa

Navio de passageiros "Black Watch"
No dia 12, veio procedente de Lisboa, saiu para Liverpool

Navio de passageiros "Costa Mediterranea"
Excelente foto de Luís Miguel Correia
No dia 14, chegou procedente da Corunha, saíu com destino a Lisboa

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXXVI)


O naufrágio da chalupa “Primavera”, em Leixões

Ocorrência marítima
Na nossa costa a tempestade tem feito sentir os seus efeitos. Pela madrugada de ontem, cerca das 3 horas e meia, a ventania apanhou em cheio a chalupa “Primavera”, procedente de Lisboa, com carregamento de petróleo para Viana do Castelo.
O mar era muito e a chalupa tentou arribar a Leixões; quando, porém, estava prestes a transpôr a abertura dos molhes, desgovernou, tendo por isso de lançar mão do recurso único na ocasião: largar a âncora. Todavia, momentos depois a corrente rebentava e a chalupa foi de encontro ao rochedo denominado «Orça», situado ao oeste de Leixões.
Depois caiu sobre o enrocamento do molhe sul, em frente à praia de D. Carlos, em Matosinhos, e aí submergiu-se.
Imagine-se quantas angústias as da tripulação, composta de oito homens, naquele transe, com a morte diante dos olhos.
A catraia dos pilotos de Leixões, valeu-lhes em tão aflitiva situação, acudindo prestes e salvando a marinhagem. O rebocador “Águia” saiu também de Leixões, mas os seus serviços já não puderam ser utilizados.

Desenho de navio do tipo chalupa, sem correspondência ao texto

Características da chalupa “Primavera”
Armador: António Marques, Lisboa
Nº Oficial: N/d - Iic: S.T.D.H. - Porto de matrícula: Lisboa
Construtor: Não identificado
Arqueação: Tab 86,41 tons
Dimensões: Informação indisponível
Propulsão: À vela
Equipagem: 8 tripulantes

Matosinhos, 29 – A chalupa “Primavera”, encalhada hoje nas pedras que ficam na parte exterior do molhe sul do porto de Leixões, pertencia ao sr. António Marques, de Lisboa. Saíra daquele porto na quarta-feira passada, transportando 3.310 caixas de petróleo para Viana do Castelo.
A tripulação era composta de oito homens, incluindo o mestre, sr. Joaquim António da Silva, de Ílhavo. Este salvou-se em trajes menores, pois estava já preparado para se atirar ao mar, receando que não chegassem a tempo os socorros que estiveram pedindo para terra.
O mestre trazia a bordo um filho de dez anos de idade e ao qual, no momento de maior perigo, entregou uma boia de salvação para seguir desde logo a nado para terra; mas o rapazito, segundo disseram, recusou-a, ficando junto de seu pai.
Quando os tripulantes reconheceram o risco que corriam, acenderam fogachos a bordo e, para melhor serem vistos de terra, um dos marinheiros subiu ao mastro grande, enquanto que no convés outros pediam socorro pelo «porta-voz».
Numa ansia desesperada combinava-se já a bordo a maneira de tentar o salvamento, quando os tripulantes avistaram a catraia dos pilotos, que saía do porto. Os pilotos propuseram a chamada do “Águia”, para melhor lhes prestar auxílio. O mestre aceitou, mas os tripulantes opuseram-se, protestando contra a demora. Então a catraia aproximou-se e tomou a bordo os oito marinheiros e o rapazito, levando-os para bordo do “Águia”.
Daí a pouco o mar arrebatava a “Primavera”, que logo começou a desfazer-se de encontro aos blocos que guarnecem exteriormente o molhe sul. Os tripulantes foram levados para o posto de Socorros a Náufragos, onde lhes prestaram reconfortantes e roupas de agasalho.
De manhã afluiu muita gente à praia de D. Carlos a ver a chalupa, que acabou de se desfazer cerca do meio-dia.
Um banheiro, com o auxílio de um cabo, conseguiu ir até junto do navio perdido e trouxe para terra o cão de bordo.
As providências fiscais que é costume adoptar em tais casos foram tomadas logo de manhã cedo pelo sr. tenente Almeida, da secção fiscal, que pessoalmente compareceu no local a dirigir a fiscalização para a boa arrecadação dos salvados e destroços do navio.
O carregamento está seguro na Colonial Oil Company. Quanto ao navio consta que não estava no seguro.
O mestre do navio conseguiu trazer um colete com alguns objectos e uma pequena quantia em notas. Os tripulantes não salvaram nada.
O mesmo mestre naufragou no dia 27 de Agosto último, no iate “Modelo”, em consequência de ter rebentado a amarreta do rebocador, que o conduzia para fora da barra da Figueira da Foz.
Parece não restar dúvida que se em Leixões estivesse um vapor de prevenção, a “Primavera” não teria naufragado, pois ainda se deve ao acaso o aparecimento da catraia, que saía com destino a visitar um paquete que tinha avistado fora, ou por outra, por parecer de terra que os fogachos da chalupa eram do vapor “Funchal”, a pedir visita.
À praia veio já uma enorme quantidade de caixas com latas de petróleo, exalando muito cheiro.
No local do naufrágio compareceu o consignatário da chalupa no Porto, o sr. Artur José Rebelo de Lima.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 30 de Outubro de 1907)

O naufrágio da chalupa “Primavera”
Matosinhos, 30 - Continuam a ser arrojadas à praia D. Carlos grande quantidade de caixas com latas de petróleo, da carga da chalupa “Primavera”, que naufragou ontem por não lhe ter permitido o temporal arribar a Leixões, como pretendia. É provável que já no próximo Domingo seja vendido em leilão algum petróleo.
(Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 31 de Outubro de 1907)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXXV)


Nota de abertura

Venho notando desde há algum tempo que pessoas de poucos escrúpulos, tem vindo a copiar o trabalho de pesquisa apresentado neste blog, sendo utilizado anónimamente, sem que seja cumprida a mais elementar regra de educação, que seria obter a necessária autorização, omitindo dessa forma valores éticos, e morais.
Por inacreditavel que pareça, sou obrigado a informar que as fotos e textos, entretanto resumidos, compõe actualmente a base de dados relacionada com naufrágios, disponível no Museu Marítimo de Ílhavo, sem que disso me fosse dado conhecimento.
De ora avante, por favor respeitem o meu trabalho!...

O naufrágio do vapor inglês "Coventry"

Navio encalhado na barra do Douro
Por volta das seis horas da tarde de ontem enca-lhou à entrada da barra do rio Douro um vapor inglês, que está em risco de fechar o porto se o mar o deslocar da posição em que se encontra sobre as pedras.
Damos em seguida os pormenores que colhemos sobre o sinistro:
O vapor inglês “Coventry”, ao demandar a barra, guinou para o norte, indo encalhar sobre as pedras denominadas «Ponta do Dente», que se em frente à Meia-Laranja, no Passeio Alegre.
O navio, considerado logo perdido, foi abandonado pela tripulação, que retirou para terra no barco salva-vidas, da Cantareira, e nas catraias dos pilotos, tendo afluído a esse tempo numerosas pessoas ao paredão do Passeio Alegre, a presenciar os trabalhos de salvamento.
Segundo ouvimos, se o mar se agitar, o “Coventry” correrá risco de sair da posição em que ficou e causar a interrupção do movimento marítimo, o que, a dar-se, originaria grandes prejuízos a esta praça.
O vapor de 1.043 toneladas, consignado à casa Kendall, Pinto Basto & Cª., vinha de Newport, trazendo 2.043 toneladas de carvão para os caminhos de ferro do Minho e Douro.
O capitão, dois pilotos e dois engenheiros, ficaram hospedados no Hotel da Boavista, à Foz; e os treze restantes homens da tripulação foram mandados pelo sr. cônsul da Inglaterra para o Hotel Malhão.
A Guarda-fiscal adoptou desde logo as providências que é costume pôr em prática em casos de naufrágio, e na Capitania do porto está sendo levantado o costumado auto acerca do sinistro.
O vapor já tinha descarregado ontem em Leixões cerca de 300 toneladas de carvão.
(Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 2 de Outubro de 1908)

Foto do vapor "Coventry" encalhado na barra do rio Douro
Minha colecção

Características do vapor inglês “Coventry”
1897-1908
Armador: F. Child, West Hartlepool, Sunderland, Inglaterra
Construtor: Edward Withy & Co., West Hartlepool, Julho de 1883
ex “Coventry”, Hessler Shipping Co., Londres, 1895-1897
ex “Coventry”, Sivewright, Bacon & Co., West Hartlepool, 1883-1895
Arqueação: Tab 1.678,00 tons – Tal 1.043,00 tons
Dimensões: Pp 78,50 mts - Boca 10,50 mts - Pontal 5,90 mts
Propulsão: T. Richardson & Sons, Hartlepool - 1:Cp - 2:Ci - 150 Bhp
Equipagem: 18 tripulantes

Vapor encalhado na barra do Douro
Durante o dia de ontem afluíram numerosas pessoas à Foz, para ver o vapor “Coventry”, que desde ante-ontem se encontra encalhado nas pedras denominadas «Ponta do Dente», à entrada da barra.
Por indicação do sr. cônsul inglês foi realizada de manhã uma vistoria ao “Coventry”, sendo peritos os capitães Jarvis, do vapor “Tagus”, e Thompson, do vapor “Starley Hall”.
Pelo que consta, os dois marítimos foram de opinião que se deve tratar desde já do salvamento da carga e dos aprestos do navio. Quanto ao casco, consideram-no perdido; mas depois de aliviada a carga irão proceder a trabalhos de tentativa de salvamento, que, segundo os entendidos, não parece crível que deem resultado satisfatório.
O navio e a carga estão seguros em Companhias estrangeiras e, segundo as opiniões dos peritos, já ontem começaram os trabalhos de retirada dos salvados, tendo atracado a bordo algumas catraias com vários trabalhadores que ao fim da tarde transportaram para a Cantareira diversos utensílios do navio, os quais foram entregues à delegação da Alfândega.
O capitão B. Cox, do “Coventry” foi a bordo com alguns tripulantes, sendo retirados os viveres, roupas, livros e instrumentos náuticos.
Hoje devem prosseguir os trabalhos de salvamento de materiais, sempre sob a fiscalização dos empregados aduaneiros.
Na repartição do Departamento Marítimo do Norte foi ontem levantado o auto acerca do sinistro, prestando declarações o piloto sr. José Martins, que dirigia a manobra do navio quando demandava a barra. Parece estar apurado que não houve imperícia por parte do prático da barra e que o sinistro se deve ao desgoverno do leme por motivo de duas grandes vagas que bateram na popa.
O piloto sr. José Martins é um homem experimentado, tendo andado 21 anos no mar e há 30 que exerce o cargo de piloto, sem que nunca tivesse sofrido um desastre.
Até ontem, ao fim da tarde, o “Coventry” não mudou de posição e não prejudicou o movimento marítimo, pois que entraram quatro vapores e saíram três vapores, duas chalupas, dois iates e uma escuna.
Como foi dito acima, uma multidão de curiosos estacionou durante o dia de ontem no paredão da Meia-Laranja e no molhe do Castelo a ver o navio naufragado.
No areal, sob um amplo guarda-sol branco, o grande artista Artur Loureiro esboçava na tela o casco do vapor, enquanto um grupo numerosos de curiosos, mais ou menos importunos, se comprimia em volta dele, estorvando-lhe por vezes a vista e o movimento do pincel.
Em outros pontos, diversos fotógrafos assestavam para o “Coventry”, as objectivas das suas máquinas.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 3 de Outubro de 1908)

O vapor “Coventry”
Este vapor continua na mesma posição, encalhado nas pedras «Ponta do Dente», à entrada da barra do Douro.
Ontem atracaram a ele alguns barcos e o vapor “Liberal”, tendo ido a bordo vários trabalhadores fluviais, que retiraram para a Cantareira utensílios de bordo e diferentes materiais. Quanto à carga ainda não começou a ser descarregada.
(Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 4 de Outubro de 1908)

O vapor “Coventry”
Ante-ontem afluiu à Foz do Douro um acrescido número de pessoas a ver o vapor “Coventry”, encalhado à entrada da barra sobre as pedras «Ponta do Dente». Foi uma verdadeira romaria, vendo-se os carros americanos repletos de passageiros, especialmente de tarde.
Ontem continuava o vapor na posição em que ficou, quando se deu o sinistro, tendo sido retirada grande quantidade de carvão que constituía a carga e vem assim vários utensílios de bordo.
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 6 de Outubro de 1908)

O vapor “Coventry” – Obstrução da barra
O mar bravio acabou de escangalhar o vapor inglês Coventry”, que há dias se encravara no rochedo “Ponta da Dente”, existente muito perto da barra do Douro.
Ainda no Domingo o navio estava direito, apenas com a popa um pouco afundada. Visto das proximidades do castelo da Foz mais parecia estar ali fundeado, do que na situação perigosa em que o azar o colocou.
O sinistro deu-se há uns poucos de dias, como é notório. Tendo ocorrido muito perto do estreito canal da barra, era de presumir que, logo que o mar se mexesse e agitasse um pouco mais, fragmentasse o navio e os destroços obstruíssem a barra.
Urgia, portanto, tomar medidas rápidas e decisivas, e não esperar os efeitos violentos do mar. Como tais medidas não viessem, vagas alterosas incumbiram-se de zombar da impotência dos homens. Destroçaram-no pela madrugada, pouco antes do nascer do sol, de sorte que quando a gente da Foz se ergueu, do vapor apenas restavam leves vestígios.
O que muitos temiam no tocante à obstrução da barra, deu-se. Segundo informações do telégrafo da Associação Comercial, um pedaço da proa do “Coventry” foi arremessado para o canal da barra, um pouco a leste da «Lage do Geão» e presumindo-se que parte dos destroços estejam dispersos pelo mesmo canal, impedindo assim a passagem dos navios.
O mar, como foi dito, tem estado alteroso, obstando por isso a uma rigorosa sondagem. Um barco com pilotos da barra, sob as ordens do piloto-mor, sr. Domingos Pereira da Silva, lá andou ontem no local em trabalhos de investigação; mas nada ou quase nada ficou apurado porque a braveza do mar não consente por enquanto os trabalhos práticos dê resultados definitivos.
O que se sabe de positivo é que os navios surtos no Douro estão engarrafados, como sucedeu àquela celebre esquadra que, em audaciosa viagem, correra em socorro de possessões ameaçadas. Nem uma triste light (laita) passa na barra com grave prejuízo do comércio da praça do Porto.
Da obstrução indicada foi logo dado conhecimento ao ilustre capitão de mar-e-guerra sr. conselheiro Marques da Costa, chefe do Departamento Marítimo do Norte, o qual, acto contínuo, telegrafou à Direcção Geral de Marinha, dando parte do ocorrido, e oficiou à Junta das Obras da Barra no mesmo sentido.
O engenheiro da Junta, sr. Manuel de Sousa Machado Júnior, teve logo uma conferencia com aquele oficial de marinha, ponderando os inconvenientes resultantes da obstrução e assentando-se na realização de sondagens tão depressa o mar o permita. Um mergulhador procederá a investigações e ver-se-á então o que é necessário fazer para o restabelecimento do movimento marítimo.
A Companhia Carris de Ferro do Porto dispôs de todo o seu material de carga, isto é, de 26 zorras abertas e fechadas e de quatro reboques para o transporte de mercadorias de Leixões para a Alfândega e vice-versa.
As laitas surtas no Douro descarregaram logo as mercadorias prontas a seguir para Leixões e outro tanto fizeram as embarcações do mesmo padrão e tonelagem, que deviam seguir de Leixões, onde estão, para o Douro. O material da Companhia Carris foi que andou no transporte das mercadorias.
Todavia, se acaso a desobstrução da barra se não faz quanto antes, o comércio sofrerá irreparáveis prejuízos com a chegada de vapores e navios de vela, que se esperam a todo o momento, visto não ser fácil dar vazão ao movimento de mercadorias.
Se, com efeito, a barra está excessivamente obstruída, como se supõe, urge que os fragmentos do vapor naufragado voem pela dinamite, por meio de correntes eléctricas, segundo o uso nestes casos.
A fúria do mar não permitiu a pesca dos barcos à vela, que se refugiaram em Leixões os que an-davam ao largo, visto não poderem entrar no Douro.
Ao Cabedelo, que nestes dias se vê muito concorrido, tem o mar arrojado objectos que constituíam o recheio do navio. À Foz, como nos dias anteriores, acudiu ontem muita gente, curiosa de acompanhar o seguimento dos trabalhos.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 14 de Outubro de 1908)

O vapor “Coventry” – Obstrução da barra
O mar amainou ontem bastante, mantendo-se ainda assim um tanto agitado, especialmente de tarde.
Como havia sido combinado, o piloto-mor sr. Domingos Pereira da Silva foi ontem, cerca do meia hora da tarde, numa catraia dos pilotos até à altura das pedras denominadas «Lages», onde se afundou o vapor “Coventry”, e procedeu a uma rigorosa sondagem para conhecer o estado do canal de acesso ao rio, e qual a situação do navio naufragado, a fim de verificar se poderiam entrar ou sair quaisquer embarcações.
Nessa ocasião, o mesmo piloto-mor colocou uma boia no ponto onde está a proa do “Coventry” e mudou mais para a entrada da barra uma outra boia que estava próximo.
Realizada esta sondagem e feitas as demarcações, o mesmo marítimo participou às respectivas estâncias oficiais que o casco do “Coventry” está atravessado no fundo do canal, no lugar das «Lages», achando-se, portanto, obstruída a maior parte do canal. Diz, porém, haver pelo sul da marca nova, «Anjo», uma passagem bastante dificultosa, devido à restinga do Cabedelo e ao cabeço de areia do sudoeste da barra, o que permitirá a entrada e saída de embarcações de pequena lotação.
Com o piloto-mor, que é um prático habilíssimo, esteve conferenciando o mergulhador sr. Alfredo Pinto Monteiro, ao serviço da Junta das Obras da Barra, sobre a situação do “Coventry”, não podendo, porém, o referido mergulhador ir ao fundo do canal em virtude do estado do mar. Ficou assente que procurará ir hoje e, só depois do resultado do exame, será indicada a melhor forma de se realizar a desobstrução da barra, que parece só se conseguirá por meio da dinamite.
Depois da uma hora da tarde começou a haver algum movimento marítimo, entrando e saído em serviço de reboque de laitas os vapores “Veloz”, “Ligeiro”, “Victória”, “Max” e Lusitânia”.
Entraram depois os vapores de pesca “Laureate”, “Sachsen” e “King Edward” e a chalupa “D. Feli-cidade”; e saíram os três torpedeiros portugueses e os vapores de pesca “Saale” e “Neskar”.
No molhe da Cantareira, junto da delegação adu-aneira, estão depositados vários materiais que pertenciam ao “Conventry”.
Ontem continuaram durante o dia vários comboios de vagonetes, tirados a rebocadores eléctricos, a empregar-se no serviço de transporte de mercadorias para Leixões.
(Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 15 de Outubro de 1908)

O vapor “Coventry” – Obstrução da barra
Os consignatários de vapores conferenciaram ontem com o ilustre presidente da Associação Comercial, sr. dr. Júlio Araújo, a quem pediram a sua interferência para que quanto antes se restabeleça plenamente o movimento marítimo na barra do Douro, que está obstruída, como é notório, pelos destroços do naufragado vapor “Coventry”, visto que a interrupção da barra, ainda mesmo que parcialmente, causa não pequenas perdas à praça do Porto.
O sr. dr. Júlio Araújo expôs as diligências que tem empregado desde o dia do naufrágio daquele navio. Desfeito o vapor em duas partes, a proa, como está verificado, foi impelida para a parte norte da barra e a popa foi arremessada para o lado sul. De conferencias que nos últimos dias tem realizado com o piloto-mor da barra, ficou assente uma minuciosa investigação ao canal da barra por um mergulhador, que ontem se efectuou, especialmente à parte sul do canal, que é a mais acessível aos navios de maior calado e por onde já ante-ontem e ontem passaram navios.
Urgia, porém, repôr a barra nas condições anteriores e nesse propósito, - acrescentou o sr. presidente da Associação Comercial - depois de ouvidas as informações do mergulhador, tudo se dispôs para que hoje começasse a destruição do casco por meio de dinamite. A barra ficaria assim desimpedida muito rapidamente.
Os consignatários de vapores ficaram muito satisfeitos com estas explicações, que agradeceram, bem como a amabilidade com que foram recebidos.
Com efeito, o mergulhador sr. Alfredo Pinto Monteiro, quando explorou o canal, pode amarrar uma corda à popa do “Coventry”, tendo assistido aos trabalhos, de bordo de uma catraia, o piloto-mor sr. Domingos Pereira da Silva, o qual mandou colocar uma boia na referida amarra, a fim de se conhecer o rumo que os navios devem tomar na saída e entrada da barra.
Todos os navios que entram tomam o rumo sul, descrevendo depois uma curva em volta do sítio onde se encontra afundada a popa do “Coventry”, até entrarem no referido canal. Parece que hoje de manhã poderão entrar navios que demandem 16 pés de calado.
Com destino a Leixões saíram ontem a barra cinco laitas, levando algumas delas várias mercadorias.
Durante o dia entraram na barra os vapores de carga “Sir Walter” e de pesca “Portuense” e ainda o vapor “Santiago”, o iate “Flor de Setúbal” e os lugres “Vouga” e “Hamlet”, sendo estes quatro navios rebocados, respectivamente, pelos vapores “Veloz”, “Mars” e “Lusitânia”.
Também saíram os vapores alemães “Stahleck”, “Sines” e “Nestor”, e o iate inglês “Gladys S”, sendo este rebocado pelo “Victória”.
À Foz continua a afluir muita gente, para ver… o sítio onde está o vapor naufragado.
(Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 16 de Outubro de 1908)

O vapor “Coventry” – Obstrução da barra
O mergulhador sr. Alfredo Pinto Monteiro, devia ter começado ontem os trabalhos de destruição do vapor “Coventry”. Esses trabalhos, porém, não puderam iniciar-se, em consequência do mar se apresentar um tanto alteroso.
Logo que esteja mais bonançoso, será começada a destruição por meio de dinamite, sendo realizados esses trabalhos na ocasião da vazante.
A fim de obstar a qualquer acidente motivado pelos explosivos, o chefe do Departamento Marítimo do Norte, sr. conselheiro Marques da Costa, mandou afixar no átrio do departamento o seguinte aviso:
«Procedendo-se desde já, quando o tempo permitir, a trabalhos de mergulhador no casco do vapor “Coventry”, é expressamente proibido na barra o trânsito de embarcações; e, enquanto elas durarem estará içado no castelo da Foz o sinal de impedimento.
Os transgressores serão punidos com a multa na conformidade do artº 238 do regulamento.
Havendo explosões, este trabalho será indicado por uma bandeira branca, içada na embarcação do mergulhador, e outra no mastro do castelo da Foz, a fim de prevenir os moradores da localidade e as embarcações que navegam nas proximidades.
Departamento Marítimo do Norte, 15 de Outubro de 1908»
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 17 de Outubro de 1908)

O vapor “Coventry” – Obstrução da barra
Ainda ontem não foi iniciada a operação de destruição do vapor “Coventry”, que naufragou à en-trada da barra, em virtude do mar não permitir o trabalho dos mergulhadores.
Logo que o mar melhore, será dado inicio aos trabalhos. Diz-se que serão dois os mergulhadores empregados na destruição do vapor.
Apesar do mar se ter apresentado bastante alteroso, houve ontem numerosas entradas e saídas de navios de calado inferior a 16 pés.
(Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 18 de Outubro de 1908)

A destruição do vapor “Coventry”
Como o mar permitisse, tiveram inicio ontem os trabalhos de destruição do vapor “Coventry”.
Esses trabalhos começaram às seis horas e meia da manhã, tendo-se dado quatro explosões, sendo empregues em cada uma delas dois cartuchos de dinamite. As descargas eram produzidas por meio de electricidade, achando-se as respectivas pilhas colocadas no barco da junta das obras da barra.
A destruição começou por ser feita pela popa do “Coventry”, que fica do lado sul da barra, sendo os explosivos colocados ali pelo mergulhador sr. Alfredo Pinto Monteiro.
Ao darem-se as explosões, a água levantava-se em cachão, aparecendo então à superfície pedaços de madeira, que eram apanhados pelas tripulações de pequenos barcos que andavam distantes do sítio onde se encontra o vapor.
Do barco da junta das obras da barra assistia aos trabalhos de destruição o engenheiro da mesma junta, sr. Manuel de Sousa Machado Júnior, encontrando-se também ali de prevenção um outro mergulhador.
Ignoram-se por enquanto os destroços causados no vapor, produzidos pelos explosivos, devendo desse facto ser lavrado um relatório.
Num outro barco também assistiram aos trabalhos, os srs. Domingos Pereira da Silva e Joaquim Ferreira Viseu, respectivamente piloto-mor e sota piloto-mor da barra.
Os trabalhos terminaram cerca das dez horas e meia, devendo recomeçar hoje, às sete horas, caso o mar o permita.
No paredão ao longo do Passeio Alegre encontravam-se numerosas pessoas, que assistiram com interesse aos trabalhos de destruição. A polícia não consentiu que nos pontos mais próximos da barra estacionasse qualquer pessoa, a fim de evitar acidentes.
Conforme a determinação do capitão de mar-e-guerra, sr. conselheiro Marques da Costa, ilustre chefe do Departamento Marítimo do Norte, foram colocados os respectivos sinais nos sítios indicados pelo mesmo funcionário, já antes referidos.
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 20 de Outubro de 1908)

A destruição do vapor “Coventry”
Em consequência do mar se apresentar ontem um pouco agitado, não puderam prosseguir os trabalhos de destruição do vapor “Coventry”. No caso do mar o permitir, esses trabalhos continuarão hoje, de manhã.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 21 de Outubro de 1908)

A destruição do vapor “Coventry”
Ainda ontem não puderam prosseguir os trabalhos da destruição do vapor “Coventry”, devido ao estado do mar. Esses trabalhos recomeçarão, porém, com celeridade, logo que se ofereça oportunidade para isso.
O sr. Joaquim Augusto da Silva Magalhães, solicito presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, recebeu dos srs. Ministros das Obras Públicas, da Marinha, da Justiça e dos Estrangeiros, telegramas em resposta aos que o mesmo município lhes havia dirigido, solicitando prontas providências para se desobstruir a barra do porto, cujo impedimento ocasiona sensíveis prejuízos a esta cidade.
Aqueles estadistas prometeram interessar-se pelo assunto, tendo já sido ordenadas as providências pedidas, em virtude das quais, como é sabido, se iniciaram os trabalhos de desobstrução da barra.
O sr. Joaquim Magalhães telegrafou novamente aos referidos ministros, agradecendo-lhes, penhorado, os seus valiosos serviços.
(Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 22 de Outubro de 1908)

A destruição do vapor “Coventry”
Continuaram ontem com muita actividade os trabalhos de destruição do casco do vapor “Coventry”, assistindo a esses trabalhos um dos engenheiros da junta das obras da barra e o piloto-mor.
Como de costume, estiveram muitas pessoas no Passeio Alegre assistindo à destruição, na qual foram empregados quatro tiros.
Se o mar o permitir, os trabalhos da destruição do vapor devem prosseguir hoje.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 23 de Outubro de 1908)

A destruição do vapor “Coventry”
Continuaram ontem os trabalhos de destruição do vapor “Coventry”. Deram mais cinco tiros de dinamite, que produziram bastantes destroços no casco.
(Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 24 de Outubro de 1908)

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Construção naval


O lançamento à água da canhoneira "Beira"
Iic: G.Q.H.B. - Deslocamento: 405 tons - 700 Bhp - 2 bocas de fogo

Imagem da canhoneira "Beira"
Desenho de Luís Filipe Silva

Lisboa, 8 de Junho – No Arsenal de Marinha realizou-se esta tarde a cerimónia do lançamento ao rio da canhoneira “Beira”.
O administrador do Arsenal, contra-almirante Sr. Magalhães da Silva, que tinha à direita o major-general da Armada, Sr. José Cesário da Silva e à esquerda o capitão-tenente, Sr. Silveira Moreno, ajudante do Sr. Ministro da Marinha, depois de retirado o macaco hidráulico, empurrou o navio, que, levando a bordo o patrão-mor e o guarda-marinha, Sr. António Venâncio, dois sargentos e os homens do troço, foi amarrar em frente do Arsenal.
Assistiram à cerimônia o diretor da Escola Naval, o contra-almirante Sr. Augusto Botto, os capitães de mar-e-guerra, Srs. Vieira de Sá e Nandim de Carvalho, capitão-de-fragata Sr. Júlio Teles, capitão-tenente Sr. Pacheco Moreira, 1ºs tenentes, Srs. Cardoso Pereira, Montalvão, Bastos, Seixas, Bicker, etc.
Não assistiu, como se esperava, o Sr. Ministro da Marinha.
Assistiram ao lançamento da canhoneira mais de 500 pessoas.
(Jornal "Comércio do Porto", Quinta-feira, 9 de Junho de 1910)