quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Dia do porto de Leixões


Programa de eventos da 10ª edição comemorativa


Programa:
10h15 – 11:15 | Mar contado - Sessão de contos por Rita Sineiro (Piso 3)
10h30 – 11:30 | Just Breathe (Terraço)
11h15 – 12h45 | Consultório dos Doutores Palhaços - Operação Nariz Vermelho (Piso 1)
12h10 – 12:30 | Just Breathe (Terraço)
12h30 – 13h30 | Showcooking com a Mini-Chef Maria Manuel (Piso 3)
14h30 – 15h10 | Jazz - Freedom & Co (Piso3)
14h30 – 16h00 | Observar o sol, com o Planetário do Porto (Terraço)
14h30 – 16h30 | Atuação da Banda às Riscas
15h00 – 16h00 | Consultório dos Doutores Palhaços - Operação Nariz Vermelho (Piso 1)
15h00 – 17h30 | Meet & Greet com o Youtuber SirKazzio (Piso 3)
17h30 – 18h00 | Workshop de Dança (Terraço)
18h00 – 18h40 | Orquestra Jazz de Matosinhos (Piso 3)
18h00 - 19h30 | Entrega de prémios da 4ª Regata (Piso 3)
18h45 – 20h00 | Sunset (Terraço)

Navio escola "Sagres"

Naturalmente, a Administração do Porto renova a intenção de repetir o sucesso dos anos anteriores, garantia de um dia bem passado para os mais e menos jovens, na area portuária. Mas é também a oportunidade de visitar a "Sagres", agora regressada da última viagem aos Estados Unidos, sendo por esse motivo seguramente a cereja em cima do bolo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXX)


O encalhe da chalupa “Atlântico”, em Aveiro

Embarcação em perigo
Ontem de manhã, a Capitania do porto de Aveiro pediu ao Departamento Marítimo do Norte o auxí-lio de um rebocador, para socorrer a chalupa “Atlântico”, que havia ali encalhado.
Para o efeito foi enviado o rebocador “Liberal”, que conseguiu desencalhar a chalupa, rebocando-a para Leixões.
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 11 de Maio de 1909)

Desenho de navio do tipo chalupa, sem correspondência ao texto

Características da chalupa contruída em aço “Atlântico”
Armador: José M. S. Teles, Lisboa
Nº Oficial: 463-B - Iic: H.C.G.B. - Porto de matrícula: Lisboa
Construtor: H. Parry & Son, Lda (?), Ginjal, 1904
Arqueação: Tab 18,87 mts - Tal 17,93 tons
Dimensões: Pp 13,18 mts - Boca 3,84 mts - Pontal 1,56 mts
Propulsão: À vela
Equipagem: 4 tripulantes

A chalupa que se encontrava sob o comando do mestre Vilão, conduzindo um carregamento de latas de petróleo, depois de vistoriada e sem avarias, saiu de Leixões no dia 13 de Maio, com destino a Aveiro.

sábado, 8 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXVIX)


O naufrágio da barca “Oriente”

Naufrágio
Por telegrama recebido no Porto, sabe-se que a barca “Oriente”, pertencente à firma Lino Marques da Nova & Filhos, Sucessor, desta praça, saída em 2 de Abril de Barbados, nas Antilhas, em viagem para Nova York, naufragou perto de Cape Henry (Virgínia, Estados Unidos), salvando-se a tripulação.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 4 de Maio de 1907)

Desenho de navio do tipo barca, sem correspondência ao texto

Características da barca “Oriente”
1906 - 1907
Armador: Lino Marques da Nova & Filhos, Sucr., Porto
Nº Oficial: N/d - Iic: H.C.F.T. - Porto de matrícula: Porto
Construtor: Desconhecido, Grimstad, Noruega, 1892
ex “Vesoenes”, Bernt Einersen, Grimstad, Noruega, 1892-1898
ex “Oriente”, Comp. Portuguesa da África Oriental, Porto, 1898-1906
Arqueação: Tab 554,02 tons - Tal 508,00 tons
Dimensões: Pp 44,96 mts – Boca 9,65 mts – Pontal 4,90 mts
Propulsão: À vela
Capitães embarcados: Leandro de Almeida (1900) e J. dos Santos Lé (1906 e 1907)

A informação disponibilizada pelo jornal quanto à procedência da viagem, que a barca “Oriente” estava a realizar, bem como o respectivo destino, foram confirmados através de informação obtida posteriormente. Em relação ao local do encalhe onde o navio veio a naufragar, essa mesma notícia faz constar que o sinistro terá ocorrido durante o mês de Abril, próximo a Progress Hill, no Estado americano da Carolina do Norte.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXVIII)


O naufrágio do brigue “Emerald”, próximo a Viana do Castelo

Naufrágio
À 1 hora da tarde de quinta-feira passada, foi recebida comunicação na Alfândega de Viana do Castelo, de que na praia do Norte, nas proximidades de Montedor, freguesia de Carreço, estava prestes a varar um navio inglês, carregado com minério.
O jornal “Vianense”, de quinta-feira, acrescenta que até às 3 horas da tarde desse dia, não se sabia pormenores alguns a este respeito.
(Jornal “Comércio do Porto”, sábado, 10 de Outubro de 1866)

Desenho de navio do tipo brigue, sem correspondência ao texto

Características do brigue inglês “Emerald”
1864 - 1866
Armador: Worthley & Son, Ltd., Sunderland
Construtor: Wigham Richardson Yard, Sunderland, 1864
Arqueação: Tab 348,00 tons
Dimensões: Pp 36,70 mts - Boca 8,28 mts - Pontal 5,18 mts
Propulsão: À vela
Equipagem: 8 tripulantes
Naufrágio
Acerca do naufrágio ocorrido na quinta-feira passada, na costa de Montedor, a alguns quilómetros de Viana, dá o jornal “Aurora do Lima”, de sexta-feira, os seguintes pormenores:
«Ontem, cerca do meio dia, soçobrou próximo à costa em Montedor, seis quilómetros ao norte desta cidade, o brigue “Emerald”, procedente de Huelva para Newcastle, com um carregamento de mineral.
Segundo as informações que temos, este navio trazia água aberta desde o porto de procedência, pelo que o capitão tratou de encalhá-lo, o que não pôde conseguir por ter naufragado.
A tripulação compunha-se de 8 pessoas, as quais se salvaram nas lanchas do navio, bem como foram salvos alguns objectos de pouca importância, como faróis, óculos, tintas, etc.
Há poucas esperanças de se salvar os aparelhos do navio e nenhumas quanto ao casco e à carga.
(Jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 11 de Outubro de 1866)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXVII)


O naufrágio da escuna francesa “Madeleine”

Naufrágio na barra do rio Douro
Um sinistro marítimo ocorrido ontem, ao princípio da tarde, na barra do Douro, em que se perdeu por completo a escuna “Madeleine”, e morreram dois homens, assinalou tristemente o dia na cidade do Porto.
Foi um drama que se desenrolou à vista da população da Foz e que teve passagens pungentes, de intensa comoção e rasgos de abnegação, quando se empregam os meios mais extremos para se salvar a vida aqueles que estavam em iminente risco, numa situação aflitiva.

Desenho de navio do tipo escuna, sem correspondência ao texto

Características da escuna “Madeleine”
Armador: Bonet & Fils, Saint Brieux
Nº Oficial: N/d - Iic: N/d - Porto de registo: Saint Brieux
Construtor: Julienne, Granville, 1876
Arqueação: Tab 155,00 tons - Tal 139,00 tons
Dimensões: Pp 36,37 mts - Boca 8,15 mts - Pontal 5,59 mts
Propulsão: À vela
Equipagem: 6 tripulantes

A escuna “Madeleine”
A escuna francesa “Madeleine”, pertencente â praça de Saint Brieux, de 139 toneladas de registo, era um navio velho, mas em muito boas condições de navegabilidade. Além do capitão, sr. Toussaint Chelveder, o navio tinha mais cinco homens de tripulação.
Era a terceira vez que vinha ao Porto, tendo entrado a última vez aqui no dia 11 do corrente, vinda de Swansea com um carregamento de carvão, consignado a M. de Almeida & Santos. Demorou-se neste porto onde recebeu um carregamento de toros de pinheiro para Swansea.
Ontem, por volta das duas horas da tarde a “Madeleine” levantou ferro e foi rio abaixo, rebocada pelo vapor “Liberal”, a fim de seguir para o seu destino.
O sinistro e os socorros
Quando o rebocador “Liberal” que comboiava a “Madeleine” passava em frente a umas pedras denominadas «Ponta do Dente», foi forçado a parar porque o cabo lançado para a escuna se prendeu à cadeia da boia de marcação da barra.
Empregaram esforços para safar o cabo, até que, a certa altura ou rebentou o cabo, ou o largaram do “Liberal”, e a escuna ficou à deriva e daí a pouco foi rio abaixo, levada pela corrente da água, indo bater violentamente nas pedras junto ao molhe do farolim da Foz.
De terra havia presenciado o que se passava o guarda-civil nº83, António Soares Pinho, de sentinela à esquadra da Foz, o qual depois de participar o desastre ao chefe, sr. Vilaça, agarrou num cabo e boia que havia no cais e, acompanhado do piloto da Foz, sr. Alexandre Cardoso Meireles, seguiu com toda a urgência para o molhe do farolim.
O mar era muito e por vezes as vagas faziam cair ali grandes massas de água, que varriam o molhe. Os dois lutando com muita dificuldade, conseguiram prender o cabo ao farolim e dali arremessaram a boia para a escuna, que tinha água aberta e que, pouco a pouco ia adernando para bombordo. O mar, inquieto em demasia, fazia balouçar imensamente o navio, o que era um enorme embaraço para os pobres náufragos, que, dificilmente se conseguiam manter presos ao cabo, e, à maneira que se lhes proporcionava o melhor ensejo, iam subindo por ele e saltando para o molhe.
Dois dos infelizes tripulantes não se aguentaram quando tomaram o cabo e caíram ao mar, não tornando a ser vistos, morrendo afogados.
O último náufrago a sair do navio foi o capitão e pode dizer-se que se não se retira tão rápido, seria vitima, porque a escuna, fortemente sacudida pelas vagas, afastou-se um pouco e começou a soçobrar, voltando-se por completo, largando desde logo bastantes toros de pinheiro, que, ao lume d’água, iam desaparecendo pela barra fora.
Enquanto o guarda-civil nº83 e o piloto Cardoso Meireles tratavam dos salvamentos, o chefe Vilaça, com alguns agentes, prestou um importante serviço, não deixando que as numerosas pessoas que se juntaram no local, avançassem para perto do farolim, evitando não só o atrapalhar dos socorros, como algum desastre para os imprudentes, que podiam ser apanhados pelas vagas que galgavam o molhe.

Os náufragos sobreviventes
Os náufragos sobreviventes foram levados para a estação de Socorros a Náufragos, que fica junto da esquadra de polícia, ao fundo do jardim do Passeio Alegre.
Algumas pessoas bondosas, moradoras na Foz, ofereceram roupas e reconfortantes aos quatro náufragos salvos, que são: o capitão Toussaint Chelveder, de 35 anos; o 2º piloto Eugène Geslin, de 38 anos; o cozinheiro Roger la Croix, de 16 anos; e o criado Joseph Bornin, de 18 anos.
Os pobres homens detiveram-se ali durante bastante tempo, verificando-se que o capitão estava ferido numa perna e num pé.
Consta que este marítimo perdeu uma carteira com alguns papeis importantes e 2.200 francos em notas e uma bolsa contendo algumas moedas de ouro e prata.

A Cruz Vermelha – Remoção dos náufragos para o Porto
Na estação de Socorros a Náufragos, à Foz, compareceu um automóvel com a ambulância da Cruz Vermelha, o médico dr. Ramos Pereira e mais pessoal, sendo prestados aos náufragos os cuidados de que necessitavam, nomeadamente ao capitão, por estar ferido.
Depois compareceram no local os consignatários do navio, que se inteiraram do que se passou, sendo os quatro sobreviventes transportados no mesmo automóvel para o Hotel Malhão.
O capitão deitou-se imediatamente e declarou que até hoje não receberia pessoa alguma.

Os cadáveres dos dois infelizes náufragos
Pouco tempo depois de se haver submergido a “Madeleine”, o mar, sempre alteroso, arrojou à praia das Pastoras os cadáveres dos dois tripulantes, que não lograram salvar-se. São eles os marinheiros Julien le Beux, de 37 anos, e Henri Maudin, de 19 anos.
A polícia fez conduzir os dois cadáveres ao Hospital da Misericordia, onde o clínico de serviço verificou os óbitos, sendo depois removidos para o depósito do cemitério de Agramonte.

Notas diversas
- No local do desastre esteve o sr. capitão do porto e no Departamento Marítimo está sendo levantado um auto acerca deste sinistro.
- Foi muito elogiado o serviço prestado pela polícia da esquadra da Foz.
- A Guarda-fiscal estabeleceu o serviço na Foz, por causa dos salvados.
- Os tripulantes, além das roupas, perderam o dinheiro que levavam.
- O navio naufragado estava seguro numa Companhia estrangeira.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 31 de Março de 1915)

Naufrágio – O desastre de ante-ontem
O comissário de polícia deu conhecimento ao juízo de investigação criminal da catástrofe marítima ocorrida ante-ontem na barra do Douro, onde se perdeu a escuna francesa “Madeleine”, onde morreram dois tripulantes, comunicando que os cadáveres serão removidos para o necrotério do Instituto Médico-Legal, a fim de serem autopsiados.
No Departamento Marítimo do Norte estão sendo reunidos elementos para servirem de base a um inquérito sobre o sinistro, com o fim de se apurarem responsabilidades.
(Jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 1 de Abril de 1915)

Naufrágio - Valores perdidos pelo capitão da “Madeleine”
O capitão Toussaint Chelveder, da escuna francesa “Madeleine”, que naufragou no dia 30 do mês findo, à entrada da barra do rio Douro, perdeu os seguintes valores, na lamentável catástrofe:
- 24 libras esterlinas em notas inglesas de uma libra e bons da defesa nacional francesa: um de mil francos e outro de quinhentos, uma nota de vinte e outra de cinco francos do Banco Francês. Tudo fechado numa pasta cartonada, negra, amarrada com uma fita branca.
- Numa bolsa de couro negro, cerca de dez francos em moedas de dois francos, um franco e cinquenta cêntimos; uma chave com a marca «Fichet Paris» e tendo os números 3 e 9 ou 1 e 9.
- Numa outra pequena bolsa de couro escuro uma moeda de ouro de dez shillings ingleses e cerca de dez shillings em moeda de prata inglesa e um pequeno rosário de criança.
(Jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 2 de Abril de 1915)

terça-feira, 4 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXVI)


O naufrágio do vapor alemão “Borussia”

Sinistro marítimo no rio Tejo
Lisboa, 22 de Outubro - Hoje de tarde, o vapor alemão “Borussia”, procedente de Santos com 44 passageiros em transito e 10 com destino a Lisboa, na ocasião em que se encontrava em frente do posto de desinfecção, metendo carvão, um golpe de mar, inundando de repente o navio, não deu tempo a que a tripulação fechasse as agulhas.
Com a força da água o navio garrou, indo rio abaixo, levado depois pela corrente para a Trafaria. Foram-lhe atirados foguetões e partiram em socorro rebocadores do Arsenal e outros barcos, que não conseguiram atracar ao vapor, que tinha muita carga e que, com a grande quantidade de água que lhe inundara os porões, começou a afundar-se lentamente desaparecendo cerca das nove horas da noite naquele local.
Ignora-se se há mortes, constando que, na ocasião do sinistro se atiraram ao mar quatro tripulantes, não se sabendo se eles se salvaram.
No paquete embarcaram aqui cinco passageiros.
Consta mais que os passageiros, bem como a maioria dos tripulantes, conseguiram salvar-se nos barcos que acorreram logo ao local do sinistro. Entretanto, há quem presuma que dentro do navio ainda ficou gente, que não se conseguiu aproveitar dos socorros.
Salvaram-se as malas do correio.
(Jornal “Comércio do Porto, quarta-feira, 23 de Outubro de 1907)

Imagem do "Borussia" - postal da Companhia proprietária do navio

Características do vapor “Borussia”
1905 - 1907
Armador: Hamburg-Amerikanische Packetfahrt A.G., Hamburgo
Nº Oficial: N/d - Iic: N/d - Porto de registo: Hamburgo
Construtor: Germaniawerft, Kiel, Alemanha, 15 de Julho de 1905
Arqueação: Tab 6.951,00 tons
Dimensões: Ff 128,40 mts - Boca 16,50 mts - Pontal 6,95 mts
Propulsão: Do construtor - 2:Qe - 3.600 Bhp - 12,5 m/h
Equipagem: 115 tripulantes

O naufrágio do vapor “Borussia”
Lisboa, 23 - Acerca do naufrágio do “Borussia”, sabe-se que há apenas duas mortes: a de um interprete russo e a de um tripulante, também russo. Dois passageiros, que se julgavam afogados, estão vivos e hospedados no Hotel Viziense.
A Companhia proprietária do paquete vai tentar pô-lo a flutuar. O vapor tem os mastros fora da água.
Seguiram para o norte os indivíduos que do Brasil vinham a bordo do “Borussia”, em regresso às terras da sua naturalidade.
(Jornal “Comércio do Porto, quinta-feira, 24 de Outubro de 1907)

O naufrágio do vapor “Borussia”
Lisboa, 24 - Os náufragos do paquete “Borussia”, que seguiram de Lisboa para as terras de suas naturalidades, são os seguintes:
- Francisco António Aires, com a mulher e 8 filhos. É natural de Argana, freguesia de Vialonga, concelho de Macedo de Cavaleiros, e tem 41 anos. Perdeu tudo o que trazia, ganho em lavouras de café e que avaliava em 1:700$000 réis, ficando reduzido à miséria.
- António Gomes Pinto, de 29 anos, solteiro, natural de Arouca. Voltava do Brasil, aonde fora três vezes, empregando-se no mister de cozinheiro de restaurante. Para esta última viagem de regresso teve que valer-se de dinheiro que um seu primo lhe emprestou.
- Vitorino José Gomes, de 72 anos, solteiro, natural de Cabeceiras de Basto. Esteve por cinco vezes no Brasil, onde conta ainda voltar. Declarou não ter família e que estes passeios pelo mar são o seu maior prazer. De resto, não tem modo de vida definido. Trabalhava em tudo que se lhe deparava para ganhar a vida. No naufrágio perdeu apenas um saco com roupa. O dinheiro, uns 80$000 réis, tinha-os com ele, num bolso do colete.
- Albino Francisco Regato, de 25 anos, solteiro, da freguesia de Vilar de Andorinho, concelho de Vila Nova de Gaia. Ficou sem duas malas com roupas e objetos, que trazia no valor de 100$000 réis, e uma caderneta com 500$000 réis. Por sete vezes, após o naufrágio, saltou do “Borussia” para os vapores que foram em socorro dos passageiros, procurando as suas malas; como as não encontrasse, salvou bastantes outras, pertencentes a diversos dos seus companheiros de viagem.
- Deocleciano Augusto Cunha, de 24 anos, de Moncorvo. Deixou mulher e uma filha no Rio de Janeiro, para onde conta voltar brevemente. Perdeu uma mala com dinheiro – uns 150$000 réis.
- Germano dos Santos, de 34 anos, filho de Manoel dos Santos e Maria Cândida dos Santos, natural do Porto. Tendo ido há 18 anos para o Rio de Janeiro, é com esta a terceira vez que vem a Portugal. Perdeu alguma roupa, mas conseguiu salvar a mala.
- António Alves Moreira, de 46 anos, casado e com dois filhos. Foi já ao Rio de Janeiro por três vezes. Perdeu duas malas, numa das quais tinha 50$000 réis em dinheiro.
- Domingos José Gonçalves, de 42 anos, casado e com uma filha. É natural da freguesia de S. Pedro, concelho de Chaves.
- Maria de Sá Mendes Ribeiro, de 36 anos, natural de Olho Marinho, concelho de Óbidos. Deixou no Rio de Janeiro o marido, Constantino Augusto Ribeiro, para vir despedir-se de sua mãe, que numa carta lhe disseram estar a morrer.
- António de Sousa, de 40 anos, filho de João de Sousa e de Maria Penedo, casado, natural de Braga. Já foi três vezes ao Brasil. Perdeu duas malas com roupa, relógios de ouro e prata e dinheiro.
- Joaquim da Costa, de 40 anos, de Castro d’Aire. Ficaram-lhe a bordo duas malas, numa das quais tinha 20 libras em ouro.
- Manuel Gonçalves, de 36 anos, casado, sapateiro, de Mourão. Perdeu valores de 200$000 réis e 15 libras em ouro. Declarou este náufrago, que um seu companheiro de trabalho no Rio de Janeiro, e que era também natural de Mourão, viera com ele, e, na ocasião do naufrágio se atirara ao Tejo, não tornando a aparecer. Chamava-se Serapião Afonso de Oliveira, e tinha 42 anos.
(Jornal “Comércio do Porto, sexta-feira, 25 de Outubro de 1907)

domingo, 2 de setembro de 2018

História trágico-marítima (CCLXV)


A construção e naufrágio do lugre "Maria José"

Lugre "Maria José"

Este excelente navio, construído nos estaleiros da Empresa de Construções Navais, Lda., está quase concluído e deve ser lançado à água no dia 3 de Maio próximo.
É um lindo navio, que mede de comprimento entre a face de vante da roda de proa, por baixo do gurupés e a face de ré do cadaste exterior 41 metros, boca máxima, exteriormente, 8,35 metros, pontal 3,50 metros. A sua cubicagem é de 728,52 m3, ou sejam 251,42 toneladas; a cubicagem líquida e de 586,19 m3 ou 208,75 toneladas. Na primeira oportunidade irá receber matrícula definitiva na praça de Lisboa.
(Jornal "Aurora do Lima", quinta-feira, 29 de Abril de 1920)

Desenho de navio do tipo lugre, sem correspondência ao texto

Lugre “Maria José”
Este excelente barco não foi lançado à água no dia 3 conforme estava anunciado, em consequência do mau tempo, que fez assorear e danificar a carreira.
Espera-se que possa ser lançado à água amanhã, na maré da tarde.
(Jornal “Aurora do Lima”, quarta-feira, 5 de Maio de 1920)

Naufrágio de um navio português
Londres, 16 – O lugre português “Maria José” que ia em viagem de Lisboa para Barry Dock, perdeu-se ontem por causa do temporal na costa de Maurogan.
O mastro, caindo, matou o cozinheiro António Mendim, feriu o capitão e destruiu a máquina. Os restantes tripulantes salvaram-se.
(Jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 17 de Novembro de 1920)

O naufrágio do lugre “Maria José”
Acerca do naufrágio do lugre “Maria José”, no dia 15 de Novembro, vem noticiado no jornal Daily Mirror, de Londres, o seguinte:
«Fortes temporais causaram ontem o pânico nas costas do sul e oeste.
O navio português “Maria José”, com a tripulação de 10 marinheiros portugueses naufragou em Dunraven (Porthcawl - Glamorgan) durante uma terrível tempestade, ontem, de manhã cedo.
O mastro da frente partiu e tombou sobre o cozinheiro de bordo, matando-o instantaneamente, e o capitão ficou com uma perna partida. Os restantes tripulantes foram salvos».
(Jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 30 de Novembro de 1920)