quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Companhias Portuguesas - A Parceria Douro


Parceria Marítima Douro
Gerência de José Joaquim Gouveia,
Porto

A Parceria Marítima Douro foi proprietária de um considerável número de navios, que foram postos a operar na cabotagem nacional e no comércio internacional. Teve igualmente grande influência e preponderância como armador de navios posicionados na pesca do bacalhau. Dos navios de comércio destacamos os dois “Lídias”, nome que sugere alguém muito próximo, a revelar coerência e uma inquestionável teimosia…

O lugre “ Lídia “ ( I )
1916 – 1917

Nº Oficial : A-184 > Iic.: H.L.I.D. > Registo : Porto
Construtor : José Dias dos Santos Borda, Fão, 1916
Tonelagens : Tab 301,51 to > Tal 257,50 to
Cpmts.: Pp 39,00 mt > Boca 8,70 mt > Pontal 4,30 mt
10 tripulantes
Máquina : Não tinha motor auxiliar
Afundado no Golfo da Biscaia, vitima de ataque de submarino Alemão, que o fez explodir com carga de dinamite a 26.12.1917

O lugre “ Lídia “ ( II )
1918 - 1927

Nº Oficial : B-122 > Iic.: H.L.I.D. > Registo : Porto
Cttor.: José Dias dos Santos Borda, Esposende, 1918
Tnlgs.: Tab 455,36 to > Tal 405,36 to > Porte 800 to
Cpmts.: Pp 41,21 mt > Boca 9,70 mt > Pontal 4,29 mt
Máquina : Não tinha motor auxiliar
Naufragou à entrada do porto de Setúbal, a fim de carregar nesse porto uma partida de sal, a 9 de Novembro de 1927.

Ontem à noite foi recebido um telegrama da Capitania do porto de Lisboa, comunicando que em frente à Torre do Outão, Setúbal, encalhou o lugre “Lídia”, da praça de Lisboa, pertencente à firma Bagão, Nunes & Machado, Lª. Em seu socorro saiu do Tejo pela meia-noite o rebocador “Cabo da Roca”, da Exploração do porto de Lisboa. (Jornal “O Século”, de 11.11.1927)

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O lugre “Lídia” encalhou na praia da Rainha, Torre do Outão, local que serve de recreio e curas de sol aos pequenos internados no Sanatório. Não é critica a situação do navio, visto que está enterrado na areia, em ponto que só poderá ser batido pelo mar, desde que volte o mau tempo. Informa o capitão Sr. José Gonçalves Dias, que o lugre trazia 15 dias de mar, em viagem desde as Canárias. Tinha a bordo apenas o lastro de areia e destinava-se a Setúbal para receber um carregamento de sal.
Quando do ciclone, na madrugada de 5 do corrente, o veleiro encontrava-se a cerca de 20 milhas ao largo de Sines. Apanhado de surpresa, o tempo correu com ele em árvore seca, até em frente de S. Martinho do Porto, tendo o navio aguentado firme até ser possível fazer rumo a Sul, com destino a Setúbal.
Na barra deste porto, depois de meter a bordo o piloto Sr. Salvador José Matias, singrou sem novidade até ao mar do Outão. Nessa altura o vento contrário e a força da corrente dificultaram a manobra, sendo levado a pouco e pouco para terra, impelido pelo mar. O lugre pertence à praça do Porto e é propriedade do Sr. José Joaquim Gouveia, que já se encontra no local, em representação da Parceria Marítima Douro. (Jornal “O Século” de 15.11.1927)

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