terça-feira, 8 de maio de 2012

De regresso a Sesimbra...


…a pensar que já tinha visto tudo.

Mas afinal não vi! Faltava-me ver uma traineira preparada para levantar voo, num registo de imagem do fotógrafo Américo Ribeiro, de Setúbal e, recentemente encontrada pelo amigo José Leite e publicada no seu excelente blog “Restos de colecção”.
Pelo ar descontraído da companha a bordo da traineira “Marbelo”, a situação apresenta-se isenta de perigo dum eventual lançamento no espaço. Devo portanto especular sobre uma muito provável distração, que deixou o navio pendurado num cavalete natural, certamente motivado pela descida das águas durante uma maré de amplitude considerável. Situação passível de recurso, 6 horas pelo menos, a “Marbelo” terá recuperado na maré seguinte a flutuação e a navegabilidade, que permitiu abraçar os desígnios previstos na sua construção, comtemplando o regresso ao mar, para umas quantas horas de pesca. E uns bons anos de azafama diária.

A traineira "Marbelo" na fictícia rampa de lançamento!

Mas que a foto, a merecer as nossas felicitações ao autor, tem o seu quê de extraordinário, lá isso tem. Lá pelos anos da década de 50, onde a calma e a tranquilidade do mar, propõe momentos para arrumar a palamenta e pôr as conversas em dia, enquanto a água volta para ocupar o seu lugar.
A “Marbelo” como a imagem sugere era uma traineira pequena construída pelo mestre construtor Manuel Chagas Ferreira, em Sesimbra, durante o ano de 1951. Foi seu proprietário o sr. Diocleciano Lúcio Rodrigues, que a registou na capitania de Sesimbra, em 1954, para a pesca (da sardinha?) com rede de cerco, tendo recebendo a matrícula SB-703-C. Arqueava 17,48 toneladas de registo bruto e 6,61 toneladas de registo líquido. As dimensões eram 14,55 metros de comprimento fora a fora, 12,15 metros de comprimento entre perpendiculares, 3,99 metros de boca e 1,30 metros de pontal. Utilizava um motor diesel da marca Lister, com 60 cavalos de potência e não sei que velocidade poderia atingir; mas isso agora também não me parece merecer grande relevo.
Outro sim terá deixado muita gente satisfeita e feliz com inúmeras sardinhadas e inimagináveis caldeiradas, lamentando por motivos óbvios a minha ausência do local de eleição que é Sesimbra, por força da distância a que me encontro…

1 comentário:

João Augusto Aldeia disse...

O encalhe deu-se sobre os destroços da fragata espanhola Numância, aqui naufragada em 1916.