quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O ataque ao navio-motor "Santa Irene"


Companhia Industrial Portuguesa, Lda.
Largo D. João da Câmara, 11-3º, Lisboa

O n/m " Santa Irene "

O "Santa Irene" - imagem (c) da colecção de FSC

Nº Oficial : 415-F > Iic.: C.S.A.Y. > Registo na Capitania de Lisboa
Construtor: Gebr. Pikkers, Martenshock, Holanda, Abril de 1921
ex "B.W.F." - Gebr. Pikkers, Groningen, Holanda, 1921-1923
ex "Agnes Kolln" - Rederi H. Kolln, Alemanha, 1923-1924
ex "Angelin" - Rederi R. Bornhofen, Alemanha, 1924-1928
ex "Santa Iria" - Companhia Veleira, Lisboa, 1928-1930
Arqueação : Tab 519,75 tons > Tal 339,33 tons
Cpmts.: Ff 53,68 mt > Pp 50,59 mt > Bc 7,53 mt > Ptl 3,14 mt
Máquina : Nolden & Bulder, 1920 > 1:Te > 325 Ihp > 8 m/h

Afundado a tiros de canhão pelo submarino Inglês "Taurus" em 13.04.1943, entre as ilhas de Elba e da Córsega, na posição 42º18'N 09º52'E, vitimando 15 dos 16 elementos que compunham a tripulação do navio, todos eles oriundos de Ílhavo.

O submarino Inglês "Taurus"

O navio saído de Lisboa no dia 23 de Março, transportou um carregamento de trigo consignado ao governo Suíço, que descarregou no porto de Génova, supostamente o último local de onde a tripulação enviou notícias para casa, com a indicação que estavam todos bem. Depois seguiam para o porto de Civitavecchia, onde esperavam receber novo carregamento destinado a Lisboa.

Por força do ataque do submarino "Taurus", inesperado e brutal, apenas o tripulante António Henrique Tróia, conseguiu sobreviver ao ser resgatado e transportado por um navio-hospital Italiano para o porto de Génova. Entre as vitimas encontravam-se o capitão Manuel dos Santos Marnoto, casado, de 44 anos, deixando dois filhos menores a frequentar o 3º e o 5º ano de escolaridade no Liceu de Aveiro. O imediato Paulo Francisco do Bem, casado, de 45 anos, deixou uma filha menor. Os dois oficiais estavam consorciados com duas irmãs, sendo que ambas tinham igualmente a bordo o irmão Henrique Gonçalves Vilão, de 27 anos de idade.

Pereceram também no naufrágio, na impossibilidade de acorrer e utilizar as baleeiras do navio, os tripulantes José Simões Vagos, casado, de 36 anos, com 5 filhos menores e a esposa gravemente doente. Joaquim André Senos "o Carriço", casado, de 38 anos, com 3 filhos. António Menício Proia, casado, de 35 anos e Manuel Pereira da Silva, viúvo, de 37 anos, com 2 filhos.

Do pouco que se pode dizer em relação à história deste navio, regista-se o afundamento inglório na situação que se designa como abatido acidentalmente por fogo amigo (se é que existe!) numa condição de navio de país neutro em período de guerra, iluminado e perfeitamente identificável através das inscrições do nome e nacionalidade pintadas no casco, como a gravura documenta. Mais se lamenta que do submarino, supostamente após ter sido constatado o engano, tenha abandonado o local do ataque, não providenciando a exigível ajuda à equipagem embarcada, em clara anuência de culpa em função do erro cometido.

4 comentários:

Rui Amaro disse...

Essa de fogo amigo, só se for fogo pirotécnico nas romarias de Portugal, nomeadamente no Alto-Minho, e mesmo esse por vezes também é inimigo quando provoca incêndios ou alguma cana vai atingir algum forasteiro menos prevenido.
Ainda assim houveram muitos U-boot KapitanLeutnants que prestaram assistência às suas vitimas, caso do afundamento do vapor CORTE REAL e um outro que ao largo da costs do Senegal afundou um navio-hospital, e quando deu pelo erro acorreu a resgatar as vitimas, enchendo o seu submarino de sobreviventes e pediu a Dakar e mesmo aos Aliados para virem recolher toda aquela gente, e mesmo assim foi ou esteve prestes a ser atacado por aeronaves Aliadas, o rpidódio foi mais ao menos assim.
Saudações maritimo-entusiásticas
Rui Amaro

joão disse...

Ola:
Foi com enorme emoçõo que hoje encontri a história do navio Santa Irene. Muito obrigado pela pesquisa que foi feita. Sou um dos netos do Joaquim André Senos (O Carriça), da famía ainda é viva a filha Maria Amélia, o meu pai e o meu tio já faleceram. Moramos em Ílhavo, vou contactar a neta do Imediato.

Jose disse...

É com grande satisfação e emoção que por fim consegui através deste blog saber como foi o fim trágico do meu avô José Simões Vagos,pai de 5 filhos como relata o texto,dos quais só restão 2 filhos a Dorinda Vagos.e a Maria da Luz Vagos,meu pai José Manuel Vagos faleceu á 2 anos,a Maria Arlinda á 4 anos o restante filho que não me lembro o nome faleceu novo com 19 anos,os filhos ainda vivos vivem nos arredores de Lisboa.Gostaria de saber mais promenores sobre este fim trágico do meu avô.se alguêm sober mais qualquer coisa que envie mensagem ficaria imensamente grato.A todos os seguidores deste blog um Abraço

Marisa Gomes disse...

Além dos tripulantes de Ilhavo, havia também tripulantes de Lisboa, um dos quais era o primeiro maquinista, Manuel dos Santos Belpho Júnior, pai da minha sogra, que tinha então 10 anos e uma irmã com 7 anos. Havia também o 3º maquinista e o telegrafista, de Lisboa. O telegrafista deixou um filho de 3 anos, nesta que foi a sua primeira e última viagem.