quarta-feira, 20 de maio de 2009

Pedido urgente de colaboração


A lancha piloteira de Leixões "Longas" ou "P10"

A piloteira ""P10" em plena actividade
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

No dia 5 de Março do ano passado, salientei num post sob o título “Grito de Alerta”, o mais que provável abate desta embarcação, que tantos e bons serviços prestou aos pilotos do Douro e Leixões, sabendo que esse dia pode estar para breve.

Para além desse facto, lembrei igualmente tratar-se da única embarcação que ainda existe com a assinatura dos Mónica, integralmente construída nos seus estaleiros na Gafanha da Nazaré.

Actualmente a lancha é propriedade da Administração dos Portos do Douro e Leixões, a quem espero, brevemente, convencer da exigência de preservar esta unidade, quanto mais não seja por respeito à extraordinária família Gafanhense, de construtores navais.

A proposta é simples; se a Administração dos Portos do Douro e Leixões puder dispor de um local onde a lancha, depois de preparada, fique exposta e possibilite a visita de interessados, de todas as idades, deverá por esse facto permanecer junto à área portuária local. Na impossibilidade, a sugestão para oferta ou empréstimo, recai sobre um local a definir pelo Museu Marítimo de Ílhavo, onde certamente será acolhida com toda a dignidade que a lancha justifica e merece.

Nesta conformidade, rogo a todos os amigos e companheiros de causas marítimas, o seu apoio na intransigente defesa do património marítimo nacional, solicitando que se manifestem com comentários, que farei chegar à Administração da A.P.D.L.

A todos o meu antecipado agradecimento.

7 comentários:

Filipe disse...

A lancha do meu imaginário de criança, que tambem andou pela Foz.
Em muitos casos não se honra os homens e a sua criatividade, destruindo-se referencias da história. Um abraço Sr. Rui

Ana Maria Lopes disse...

Sempre que toca a preservação de embarcações merecedoras de tal, devemos fazer algo por isso. A meu ver, o local indicado para expor esta preciosidade seria por perto do local onde operou, de acordo com a opção da Administração do Porto do Douro e Leixões.
É um dos últimos trabalhos dos Mónica, clã de construtores navais de tão alto gabarito, da Gafanha da Nazaré.
Caso a A.P.D.L. não consiga ou não se interesse, seria de propor o assunto à Autarquia de Ílhavo, já que o Museu Marítimo tem tutela municipal.
Talvez encontrassem alguma viabilidade no projecto, de tão grande interesse.

fangueiro.antonio disse...

Bom dia.

Concordo plenamente que se aproveite o valor histórico desta embarcação, se não fôr pelas entidades do Douro, que seja pois por Ílhavo. Ainda mais sendo obra dos mestres Mónica, obra imensa da qual praticamente nada restou para admirar a não ser fotos.
Espero realmente que esta lancha chegue a bom porto para a sua reforma.

Atentamente,
www.caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt

JOSÉ MODESTO disse...

Pioneira no ensino da nossa ARTE o Shipping, creio que a nossa APDL saberá da melhor forma preservar essa herança que é a Lancha "Longas". A sua Exposição depois de devidamente recuperada, será uma mais valia para o espólio do Porto de Leixões.

Saudações Marítimas
José Modesto

Rui Amaro disse...

Caro Modesto
A tua mensagem sobre a lancha de pilotar LONGAS mais identificada pelo seu primitivo nome P10 ou mesmo 10, eu diria ……….será uma mais valia para o espólio dos portos do Douro e Leixões ou somente da A.P.D.L. e não apenas espólio do Porto de Leixões……., porque aquela autoridade portuária é administradora e responsável pelos nossos dois portos e segundo se sabe o porto do Douro ainda não é autónomo, pelo que não se entende a infeliz ideia da designação PORTO DE LEIXÕES, só se for pela “nova mania” das autarquias ribeirinhas pretenderem tomar posse de certas espaços marginais, que num futuro distante ainda possam vir a fazer muita falta a possíveis tráfegos ou então por “Marketing”.
Quanto à preservação da P10 como motivo museológico, aqui na área da actual armadora da lancha temos o plano inclinado (lingueta dos pilotos) da Cantareira, Foz do Douro, que o amigo Filipe conhece muito bem, onde está instalado desde 1931 o carro que servia para encalhe do material flutuante da Corporação de Pilotos da barra do Douro e do Porto Artificial de Leixões, depois Departamento de Pilotagem dos portos do Douro e Leixões e finalmente da A.P.D.L., onde a P10 realizava periodicamente as suas manutenções com pessoal assalariado próprio da Corporação de Pilotos, e cujo custo de aquisição à Companhia Aliança (Fundição de Massarelos) foi de 22.500$00, que também parece que vai ser preservado e que viria a servir de berço.
Outro espaço seria o jardim fronteiro à sede da A.P.D.L. em Leça da Palmeira, e ainda no novo terminal de cruzeiros do molhe Sul, ou mesmo ancorada numa das duas docas de recreio náutico.
Agora, dado que a área do Grande Porto, imperdoavelmente jamais teve um museu de marinha ou marítimo, apesar do F. Cabral e outros entusiastas no pós 25 de Abril terem tentado um edifício junto ao rio com prancha-cais privativa em Massarelos, sugeria também o Museu Marítimo de Ílhavo, onde está em exposição um modelo fiel daquela lancha, executado pelo assalariado e pintor dos pilotos José Brandão, felizmente ainda entre nós e também um apaixonado por estas coisas, que também foi quem executou o pré-desenho da mesma para a sua construção, e que juntamente com o carpinteiro dos pilotos José Ferreira, acompanharam a construção da P10 e se não estou em erro a escolha das madeiras, pois ambos, primitivamente foram experimentados profissionais da construção naval em madeira, o primeiro no Estaleiro da Casa Gouveia (Parceria Marítima do Douro), Canidelo, Gaia, e o segundo no estaleiro do Ouro, Lordelo do Ouro, Porto.
Uma das lanchas que viria a ser preservada teria sido a FOZ DO DOURO, mais conhecida por P9, que se afundou por fora do porto de Leixões.
Reimar Amigo tenta convencer o PORTO DE LEIXÕES (E DO DOURO) a preservar a nossa lancha P10 como motivo museológico, que a gente agradece e venham mais comentários, que são precisos.
Saudações marítimo-entusiásticas
Rui Amaro (Blogues Navios à Vista e Pilotos Práticos do Douro e Leixões)

Filipe disse...

Voltei de novo, porque quando olho para esta foto, recordações me fazem sentir os primeiro passos da vida.
Sr. Rui, recordo-me de haver duas lanchas idênticas; seria a tal P9 ?
Sendo que uma era um pouco mais comprida.
Ainda fui fora da barra uma boa dúzia de vezes. Lá ia no caique para a amarra da lancha junto à pedra depois só tinha que me mantêr "escondido" digamos que até à meia-laranja, depois já podia levantar-me olhar a navegação do marinheiro e disfrutar a paisagem através das janelas da cabine. Para além da vagas que faziam suster a respiração da criança de dez doze anos, era a sensação algo estranha e pesada quando a lancha acostava ao casco do navio.
Lamento Sr Rui, minha mémória não me permite recordar o nome dos homens que me porpocionaram tão maravilhosos momentos.
Desejo que o Sr. consiga despertar as pessoas certas.
Melhores cumprimentos a todos.

Rui Amaro disse...

Caro conterrâneo Filipe
A lancha de certeza que era a P9, mais tarde FOZ DO DOURO, que se perdeu ao largo de Leixões, que estava afecta à barra do Douro, não só porque era a melhor de manobrar, assim como para cruzar a barra em situações de mar alteroso, fosse de entrada ou saída e era conduzida pelos cabos pilotos Mário da Madalena, Aires Franco, o piloto José Fernandes Amaro (meu pai) e pelo mestre Eusébio Amaro (meu tio), homens que não receavam o mar nem que estivessem tempos infinitos à espera dum liso passageiro, mas acabavam por cruzar a barra. Por vezes era aterrador, e eu que o diga, porque ia lá o meu pai. Além disso prestava assistência à embarcações de pesca na passagem da barra. Houve ocasiões que o piloto-mor Tato, do Castelo da Foz ou via radiotelefone ordenava-lhes para não se fazerem à barra. Não adiantava nada, diziam eles nomeadamente os três últimos, vamos para a barra e vamos mesmo, também tinham confiança na embarcação que conduziam e tinham um enorme conhecimento e experiência daquela temível barra, desde crianças.
O meu tio Eusébio foi o único assalariado dos pilotos, década de 30, que por ordem do piloto-mor conduziu um vapor de entrada, porque os cerca de 25 pilotos estavam todos ocupados em serviços de entradas e saídas, a fim do vapor estoniano TAAR, 80m/1.307tb, não perder a maré. A P9, que há fotos no meu blogue, era a que tinha a casa da máquina e a chaminé por vante da casa do leme.
As lanchas de pilotar que a Corporação possuiu foram P1, P4 (perdidas contra o cais Velho); P9, P10, P12 (esta, já como CANTAREIRA foi oferecida pela APDL, juntamente com uma das lanchas do rio aos pilotos de Bissau. Hoje as lanchas de pilotar são ultra-rápidas e sofisticadas.
Saudações marítimo-entusiásticas
Rui Amaro