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domingo, 5 de dezembro de 2010

Documentário


A Outra Guerra

Apesar do tempo desagradável, que se fez sentir ontem ao final da tarde, aproveitei a sugestão proposta pelo amigo António Fangueiro , viajando até à Povoa de Varzim, onde assisti ao filme publicitado sobre a pesca longínqua.

O filme em questão

A curta-metragem explora com grande propriedade a guerra sobre a caça movida aos pescadores, dentro do espaço temporal a coberto da guerra colonial. Usa como base o relato de três pescadores, que participaram em diversas campanhas de pesca a bordo do lugre “Creoula”, durante uma viagem que decorreu dentro do próprio navio. Começa logo pela oportunidade de aquilatar as muitas diferenças encontradas no lugre, como o conheceram na época da pesca e agora como navio de treino de mar.
A apresentação do filme teve lugar na Póvoa de Varzim, como forma de agradecimento ao patrocínio e colaboração dado pelos responsáveis da autarquia e em simultâneo funcionou como homenagem à participação de um dos entrevistados, o Sr. Figueiredo, residente em Aver-o-Mar.

Como já todos sabemos, escusado será dizer que ouvimos a repetição de depoimentos pouco lisonjeiros à dura faina a bordo. É na realidade um rol depreciativo das más condições de trabalho, de ocupação incessante e por conseguinte de pouco descanso. Das horas de isolamento no mar, da alimentação deficiente, da crueldade dos capitães, do desinteresse dos armadores e inclusive dos processos pouco ortodoxos de tratamento a bordo do “Gil Eannes”. E obviamente, da perseguição policial que lhes era movida, em terra e no mar.

Os realizadores muito inteligentemente, inseriram a espaços notícias e entrevistas a personalidades ligadas ao Estado Novo, bem como sequências da actividade piscatória, imagens filmadas nos anos 60 pelas câmaras da RTP, onde se verifica a propaganda e a informação severamente controlada pelo aparelho situacionista. Por esse e outros motivos, a curta-metragem em nosso parecer, merece um justo aplauso pela concepção e principalmente pela importância de manter viva a memória histórica da pesca longínqua, no período da guerra colonial.

Somos apenas avessos à ideia, que sublinhamos a dado momento da filmagem, quando um dos protagonistas, oriundo da Nazaré e dirigente sindical, afirma que se não tivesse havido a guerra colonial, certamente também não teria existido a pesca do bacalhau.