domingo, 13 de outubro de 2013

História trágico-marítima (XIV)


O naufrágio da barca “ Lide “, na praia da Apúlia

Por telegrama expedido ontem para o Porto, soube-se que às 6 horas da manhã do dia 31 de Janeiro, naufragara na praia da Apúlia, próximo a Esposende, a barca “Lide”, pertencente à praça do Porto e propriedade do Sr. João José Ribeiro de Magalhães. A tripulação salvou-se; o casco considera-se perdido mas espera-se salvar alguma carga. A “Lide” procedia de Nova Iorque para o Porto, com carregamento de trigo consignado ao Sr. Joaquim Marques da Nova e alguma aduela; trazia 47 dias de viagem.
O casco estava seguro na companhia Confiança; a carga na Bonança e na Indemnizadora e o frete na Lealdade. Para o local do sinistro partiu ontem mesmo o sr. João J. Ribeiro de Magalhães.
(In jornal “O Comércio do Porto”, 1 de Fevereiro de 1883)

Imagem de uma barca, sem correspondência ao texto

Identificação do navio
Nº Oficial: n/t – Iic.: H.C.S.Q. – Registo: Porto, 1881/83
Armador: João José Ribeiro de Magalhães, Porto
Construtor: Não identificado, Lisboa, Maio de 1863
ex barca “Josephina 2ª”, Lisboa, 1863-1874
ex barca “Clotilde”, Lisboa, 1874-1881
Carena metálica aplicada no navio em 1881
Arqueação: Tab 256,00 tons - Cubicagem 310,682 m3
Dimensões: Pp 34,56 mt – Boca 6,89 mt – Pontal 4,18 mt
Propulsão: À vela
Capitão embarcado: Loureiro (?), 1882

O naufrágio da barca “ Lide “
Com respeito ao naufrágio da barca "Lide", confirma-se que não era o casco que estava seguro na companhia Confiança Portuense, mas apenas parte da carga.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 2 de Fevereiro de 1883)

Ainda sobre o naufrágio da barca “Lide”
A barca "Lide" naufragada na praia da Apúlia, próximo a Esposende, ainda ante-ontem se conservava em bom estado, tendo sido possível salvar algum massame, velame, etc.
A carga consta de 3.000 e tantas sacas de farinha de trigo e uma porção de aduela. Receia-se que o muito mar que faz despedace o navio, no entanto empregam-se esforços a fim de se ver se será possível salvar alguma carga.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 3 de Fevereiro de 1883)

Arrematação de salvados
Foram ultimamente rematados na praia da Apúlia o casco e alguma madeira da barca “Lide”, que, como é sabido, naufragou ali em finais do mês passado. O casco foi arrematado por 170$000 réis e a madeira por 60$000 réis. Os arrematadores foram o sr. Ferreira de Faria e outros indivíduos de Barcelos.
(In jornal “O Comércio do Porto”, sábado, 17 de Fevereiro 1883)

sábado, 12 de outubro de 2013

História trágico-marítima (LXXVIII)


O naufrágio da barca “Guadiana”

Maranhão (São Luís), 19 de Fevereiro – A barca portuguesa “Guadiana”, que devia sair deste porto para o rio Douro, encalhou e há probabilidades de ser perda total. A carga consistia em couros salgados, açúcar e algodão, que se está salvando.

Identificação do navio
Barca “Guadiana” - Iic.: H.C.F.T.
Armador: Companhia Aliança Marítima Portuense, Porto
Construtor: Desconhecido
Capacidade de carga: 415,666 m3

Por informações que obsequiosamente foram transmitidas, foi dado conhecimento que o navio encalhou quando saía na «Coroa de Minerva», dentro do porto do Maranhão, e que depois desencalhara com grande avaria, tratando-se de logo procederam à descarga.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 25 de Fevereiro 1883)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os Naveiros


Enfim juntos!...


Depois de múltiplas deambulações por espaços acostáveis menos utilizados, finalmente chegou hoje a hora de poder apreciar parte da frota da Naveiro abandonada em Leixões e para tanto nada melhor do que vê-los de braço dado.


Se por um lado o “Viseu” consolidou a posição que ocupa há muito mais de um ano, tem agora a companhia do “Silves”, visto ainda recentemente a mudar de ancoradouro, para junto da ponte móvel, a passear o espantalho deixado no convés, a lembrar que para além de gente a bordo, os navios foram feitos para navegar.


Ao longe, no terminal de cruzeiros, o “Celebrity Infinity” indiferente ao drama, posava garbosamente imponente ao sol quente deste Outono, a cumprir a missão para que foi construído. Decisões, soluções, coragem, precisam-se urgentemente para que este país, que resiste à tentação de continuar marinheiro, possa brevemente recuperar estes navios e de novo cumprir o mar!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

História trágico-marítima (LXXVII)


O encalhe da escuna “ Result “

Numa nota recebida de Viana do Castelo, informa que ante-ontem (22.11.1867) encalhara à entrada da barra a escuna inglesa “Result”, procedente de Newcastle para aquele porto, com carga de carvão.

Identificação do navio
Armador: Alexander & Co., Bristol, Inglaterra
Construtor: Turnbull’s (?), Whitby, Inglaterra, 1862
Arqueação: Tab 242 tons
Dimensões: Pp 30,79 mts - Boca 7,32 mts - Pontal 4,57 mts
Propulsão: À vela
Capitão: W. Barrick, 1864 (?)

O navio bateu nuns baixos ao sul da barra, em virtude do que abriu muita água. Nesta conjuntura, que ameaçava a vida da tripulação, o capitão decidiu demandar a barra, a fim de entrar ou varar.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 24 de Novembro 1867)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

História trágico-marítima (LXXVI)


O naufrágio do patacho inglês “Zerlina”
próximo a Viana do Castelo
- 2ª Parte -

O naufrágio do “Zerlina”
Acerca do naufrágio do patacho “Zerlina”, que ultimamente se deu em Viana, o “Aurora do Lima”, daquela cidade, refere os seguintes pormenores:
«Há muito que não lembra aqui um acontecimento tão completo em incidentes próprios a prender todas as atenções, a atrair todos os sentimentos de humanidade, e a estigmatizar a incúria dos que não promovem a aquisição dos meios indispensáveis de salvação num porto de mar, como o que ante-ontem nos alcançou o espírito.
Votada a uma morte iminente, no sentir de todos, sofreu as intempéries de uma noite desabrida a tripulação de um navio que o vento deixou desarvorado, a poucas milhas da barra de Viana e à vista de todos.
Era um patacho, que se via já na manhã do mesmo dia, pelas alturas do Montedor, navegando com proa ao NNO (norte-noroeste). Pelas 3 horas da tarde aparecia de novo ao norte da barra, parecendo procurá-la.
Seguia na volta do S (sul), quando perdeu primeiro o pau da bujarrona, e em seguida o mastaréu do joanete e da gávea. Apenas desarvorou, desfez de rumo e dirigiu-se para a praia do N (norte), sem dúvida com a intenção de encalhar; porém o lugar que procurava só podia assegurar à tripulação uma morte inevitável.
Do semafórico foi comunicado imediatamente ao navio que navegasse para o sul, rumo que tomou logo. Seguindo ao longo da praia e já por entre mares de rebentação, veio fundear em circunstâncias desoladoras ao oeste da barra. O vento era então ONO (oeste-noroeste), e se a amarração faltasse, o navio desfazer-se-ia, longe de terra, numa praia eriçada de penedos, onde cada tripulante seria uma vítima.
Urgia providenciar, e fez-se então sinal ao navio para que picasse os mastros, intimação que apenas cumpriu em parte, cortando o do traquete. Foi nesta situação horrível que a noite o surpreendeu, e das pessoas que o viram à última luz crepuscular, nenhuma esperava tornar a observá-lo.
De noite o vento rondou mais para o N (norte), e pelas 2 horas percebia-se, pela deslocação dos faróis, que o navio caminhava para o S (sul). Tinha-lhe faltado uma amarra, e assim veio com um ferro à garra até largar outro ao S (sul), em frente a uma fogueira que, como se lhe dissera, indicaria o melhor sítio para o desembarque da tripulação.
É admirável como ficou num lugar tão conveniente, vendo-se passar pela popa e pela proa montanhas de água, sem que a sua influência lhe causasse dano algum. Em terra não havia socorros que pudessem prestar-se, e apenas do semafórico se faziam sinais que animasse a tripulação.
Ao meio-dia de ontem começou grande movimento a bordo: o navio ia largar a amarração, mas inoportunamente, porque a vazante devia desviá-lo da praia. Felizmente só com a “cozinheira” e com um “triângulo”, que um golpe de mar que salvou sobre o mastro grande lhe levou em momentos, conseguiu encalhar no melhor ponto da praia, duas milhas ao S (sul) da barra.
A tripulação salvou-se toda por um cabo de vai-vem, que com muito custo veio de bordo, primeiro amarrado a uma pipa, e como quebrasse, foi de novo trazido por uma jangada, ultimo recurso de salvação que os tripulantes haviam construído quando fundeados.
O capitão e o piloto foram os últimos a abandonar o navio. No local do encalhe compareceram as autoridades competentes, muita gente da cidade e das povoações marginais.
O navio é o patacho inglês “Zerlina”, da praça de Liverpool, capitão Tibbits; arqueia 238 toneladas e trazia de New-York a feliz viagem de 28 dias. Carregava trigo, com destino à praça do Porto. O casco só pode salvar-se se o mar cair completamente.
Cumpre registar entre as pessoas que mais se interessaram pela salvação da tripulação o despachante de Viana, sr. João José de Castro, a cuja actividade incansável se deve a saída de Vigo de um rebocador, o “Mastler”, navio inglês, e que nunca desamparou os náufragos na deplorável situação em que se encontraram; o capitão da escuna inglesa “Margareth”, fundeada junto ao cais, John Castell e mais tripulação, cuja boa vontade os não deixou abandonar os lugares mais convenientes para desenvolverem a sua proveitosa actividade em favor dos seus infelizes companheiros; José Fernandes, tripulante do caíque “Nossa Senhora da Conceição”, que foi quem primeiro lançou mão ao cabo lançado de bordo; Benjamim do Espírito Santo, de Viana, a cargo de quem ficou a iluminação da costa, cujo serviço desempenhou com inteligência, correspondendo com muito acerto aos sinais feitos de bordo; José Martins, marinheiro, António da Silva Moreira, sapateiro, Manuel do Rego e José Fernandes, marinheiros, que com Benjamim, se arrojaram denodadamente ao mar para amarrar o cabo e estabelecer o vai-vem.
O navio e a carga consideram-se perdidos.
Na praia permanece o pessoal da fiscalização e durante o resto do dia de ontem concorreu ali muita gente.»
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 19 de Janeiro de 1883)

Salva-vidas em Viana do Castelo
O facto de há dias se ter achado em perigo na barra de Viana do Castelo um patacho inglês e o de ter sido necessário reclamar para esta cidade o barco salva-vidas avivaram por forma tal os sentimentos generosos tantas vezes revelados pela briosa e prestimosa Associação dos Bombeiros Voluntários daquela cidade, que desde logo se abalançou ao empreendimento de reclamar para aquele porto um barco salva-vidas, ficando o serviço inerente a esta aquisição constituindo uma secção da referida Associação.
Nesse intuito dirigiu uma representação ao governo, solicitando ou um barco salva-vidas ou um subsídio para o adquirir; e ao apresentar ao digno governador civil de Viana essa representação recebeu de sua excª. o mais cordial acolhimento e a promessa franca de que a faria chegar ao governo acompanhada não só da recomendação oficial que merecia, mas ainda seguida de uma recomendação particular daquele funcionário.
Depois dirigiu-se à câmara municipal de Viana e esta corporação, compreendendo igualmente o alcance do pensamento que se tem em vista realizar, acolheu-o com a máxima aquiescência, prometendo secundar a representação e contribuir com um subsídio para a fundação do posto do salva-vidas naquele porto.
Depois de invocar esta protecção oficial, restava-lhe a cidade, que soube secundar briosamente a fundação da Associação de Bombeiros Voluntários. Esta, confiando ainda na generosidade dos seus protectores de outrora, vai realizar em Viana um peditório para auxílio ao empreendimento que tentou realizar e que, sem dúvida, realizará.
Nem só Viana do Castelo aproveita com a montagem de uma estação de salva-vidas ali; no mar os socorros não devem conhecer nacionalidades nem conhecer portos; e assim, ficando aquele porto tão perto do Porto, muitas embarcações que para aqui se dirijam ou daqui saiam podem, em caso de perigo, encontrar um valimento nos salva-vidas de Viana. E, sendo assim, a Associação Humanitária dos Bombeiros entendeu, e não entendeu desarrazoadamente, que esta cidade deveria receber bem o pensamento que a animava, por um impulso generoso, digno de todo o elogio.
Foi por isso que veio ao Porto o digno 1º secretário daquela distinta corporação, o sr. José Maria Caldeira, e dirigindo-se já ontem a alguns dos principais comerciantes e armadores de navios, viu a sua missão coroada do maior êxito porque recebeu promessas de importantes donativos destinados a fundos de construção da estação do salva-vidas. Tenciona ainda procurar outros cavalheiros, que sem dúvida corresponderão com igual generosidade à pretensão briosa e louvável da Associação Vianense.
Pela nossa parte, não cessaremos de aplaudir o auxílio prestimoso que essa distinta corporação pretende estabelecer para socorro aos náufragos nas costas do norte de Portugal.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 19 de Janeiro de 1883)

Notícias do reino
Do jornal “Aurora do Lima”, Viana do Castelo, 19 – «Acerca do naufrágio do patacho inglês “Zerlina”, há a acrescentar os seguintes pormenores:
A carga que se compõe de 3.700 sacas de trigo e 6.000 paus de aduela, pertencia à casa comercial da praça do Porto, do sr. Joaquim Marques da Nova, e estava segura em três Companhias, que, dizem ser a Garantia, a Probidade e a Segurança. O seu valor é calculado, aproximadamente, em 21.000$000 réis.
Ontem pela manhã teve início a remoção da carga e foi encontrado ainda algum trigo em bom estado. O navio considera-se perdido.»
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 21 de Janeiro de 1883)

Notícias do reino
Do jornal “Aurora do Lima”, Viana do Castelo, 24 - «Continuam a proceder com toda a actividade ao salvamento da carga que conduzia o patacho inglês “Zerlina”, naufragado ao sul da barra de Viana do Castelo.
O bom tempo que há oito dias tem feito concorreu para esse resultado, porque o mar tem-se conservado sossegado, permitindo assim a extracção de uma grande parte da carga, que, como foi dito, compõe-se de trigo ensacado e aduelas.
O casco do navio, que se acha enterrado na areia e fica completamente a descoberto nas marés baixas, ainda se conserva em bom estado, atenta a sua boa e sólida construção, e, segundo consta, é possível que, tirada toda a carga, se o tempo continuar bonançoso, possa o casco do navio ser posto a nado por meio de pipas.
O trigo salvo está pela maior parte avariado e impróprio para ser entregue ao consumo, no fabrico de pão.»
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 26 de Janeiro de 1883)

Notícias do reino
Do jornal “Aurora do Lima”, Viana do Castelo, 7 - «Na alfândega da cidade procederam ante-ontem e ontem à arrematação da carga do patacho “Zerlina”, naufragado ao sul da barra.»
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 9 de Fevereiro de 1883)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

História trágico-marítima (LXXV)


O naufrágio do patacho inglês “Zerlina”,
(15.01.1883) próximo a Viana do Castelo
- 1ª Parte -

Identificação do navio
Armador: H. B. Bailey & Co., Liverpool, Inglaterra
Construtor: (não identificado), Liverpool, 11.1872
Arqueação: Tab 238,00 tons
Dimensões: Pp 33,53 mts - Boca 8,38 mts - Pontal 3,72 mts
Equipagem: 7 tripulantes
Capitães embarcados: W.H. Freelock (1882) e Tibbits (1883)

Navio em perigo
Ante-ontem, a uma milha a S.O. (sudoeste) da barra de Viana do Castelo estava em perigo um patacho inglês. A tripulação, compreendendo o perigo iminente que corria, lançou ferro e picou os mastros.
Como o vento era fortíssimo e o mar estava muito agitado, as numerosas pessoas que se achavam em terra desesperavam de salvar os tripulantes.
Ontem, porém, segundo constava de um telegrama enviado aos srs. Visconde de Moser e J. Henrique Andresen, pelo sr. governador civil de Viana, a marinhagem do barco, composta de 7 homens, pode ser salva por um cabo que de terra puderam lançar para bordo.
Os srs. Visconde de Moser e J. Henrique Andresen, proprietários de um excelente barco salva-vidas, tencionavam fazer seguir este para Viana, num comboio expresso, a fim de ver se conseguia a salvação dos tripulantes. Em virtude do referido telegrama, foi suspensa a partida do salva-vidas, que ainda chegou a ser conduzido até à estação de Campanhã.
O casco e a carga do patacho consideram-se totalmente perdidos.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 17 de Janeiro de 1883)

Navio em perigo
Com relação à notícia publicada ontem assim epigrafada, narrando sucintamente diversos factos que se relacionavam com um patacho inglês que, ante-ontem, na barra de Viana, corria iminente risco de afundar-se com a tripulação, recebemos do sr. Visconde de Moser a seguinte carta, na qual esses factos são claramente expostos, ampliados e esclarecidos:
«Sr. redactor – Tenho de rectificar uma notícia, que apareceu ontem no seu acreditado jornal, acerca do naufrágio de Viana, na parte que me diz respeito.
Ontem cerca da meia hora depois do meio-dia, o exmº chefe do departamento mandou-me um telegrama, que recebera da Póvoa de Varzim, a pedir o salva-vidas daquela praia, para saber se haveria alguma objecção em deferir ao pedido dele imediatamente seguir para Viana, aonde se achava em perigo de vida a tripulação dum navio.
Na qualidade de membro da comissão do salva-vidas respondi que da minha parte não havia, e de bom grado assumia a responsabilidade que me coubesse, vista a urgência do caso.
Imediatamente depois fui procurado pelo meu colega o sr. Andresen, que me mostrou a demora, que teria o salva-vidas em ir por terra da Póvoa para Viana, e que seria preferível mandar daqui, por um expresso, o que está na Foz.
Concordei; lembrei, porém, que achando-se outro, pertencente à mesma comissão, detido na alfândega, para pagamento de direitos, de que ela esperava ser aliviada, como de razão e justiça, se pedisse ao exmº. conselheiro director daquela casa, que desse licença, para ir esse barco, o que faria mais prontamente, poupando-se muito tempo, que era urgente.
O meu colega logo foi para a alfandega, e seguindo para ali no seu encalce, quando ali cheguei, não só soube que o sr. conselheiro logo tinha atendido a petição verbal, mas encontrei o sr. Andresen dando as devidas ordens, e fazendo as maiores diligencias, para o barco seguir com a menor demora possível, para a estação do Pinheiro, mandando-se recado telegráfico ao patrão na Foz para o acompanhar pelo caminho.
Entretanto, fomos ambos procurar o sr. Governador civil. Expusemos-lhe o ocorrido, e sua exª. prontificou-se a acompanhar-nos até à estação, para se organizar o expresso que devia levar o barco, o meu colega e o patrão. A condução do barco no carro de bois foi inevitavelmente morosa. Chegou só às 2 e meia quando veio parte de Viana, que o navio em perigo, partira as amarrações, e vinha garrando para a costa.
Pouco tempo depois, «que da praia se conseguira passar-lhe um cabo, e salvar 5 homens»; e quando o expresso estava para partir, à pergunta que tivemos a honra de dirigir ao exmº governador civil de Viana, veio a resposta com a feliz nova de «que estava salva toda a tripulação, e era desnecessário o salva-vidas».
Eis a simples narração do que se passou. Fez-se o que era humanamente possível; manda porém a justiça que se diga que foi inexcedível a boa vontade e energia com que o sr. Andresen desempenhou o papel que lhe coube neste incidente, em que não afrouxaria quando mesmo outros sacrifícios dele fossem reclamados. Sua boa alma é conhecida; e muita honra cabe às autoridades, que dão seu valioso apoio aos esforços dos particulares para o bem. (ass.) Visconde de Moser»
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 18 de Janeiro de 1883)

- continua -

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Navios de passageiros em Leixões


Setembro, mês dos cruzeiros (2)


O "Seven Seas Voyager" fez escala no dia 20



O "Deutschland" também fez escala no dia 20



O "Artania" esteve em porto no dia 22



O "Black Watch" fez escala no dia 24



E o "Dolphin" regressou ao porto no dia 26



A cumprir a segunda viagem, depois da escala no dia 15, os passageiros do "Celebrity Infinity", não foram felizes com o tempo, no dia 28, justamente na celebração do dia mundial do Turismo.