terça-feira, 19 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Casos da história, 1807
Portugal fecha os portos aos navios ingleses
O desgraçadíssimo sistema, adoptado pelo príncipe regente D. João (depois D. João VI) nas críticas circunstâncias em que Portugal se viu, perante as ambições de Napoleão, teve as mais perniciosas consequências.
Sempre hesitante, sempre duvidoso, sem abraçar, francamente, o partido da França, ou da Inglaterra, o único proveito que houve, das suas incertezas e dos seus expedientes de ocasião, foi ver-se Portugal isolado e por todos desprezado, no momento em que rebentou a crise.
Quando o Imperador exigiu do nosso Governo que aderisse à causa continental, foi dito, para França, que não teríamos dúvidas em fechar os portos aos navios ingleses, mas que não sequestraríamos as propriedades ou prenderíamos os súbditos da Grã-Bretanha, e, na mesma data pedíamos à Inglaterra que nos fizesse uma guerra aparente, que levasse a fecharmos os nossos portos à sua marinha.
Como bem se presumirá, semelhante processo não agradou a Napoleão, que mais rapidamente se apressou a ordenar a marcha das suas tropas, para a nossa fronteira, sendo Junot o primeiro incumbido de nos fazer pagar caro por uma tal desgovernação.
O decreto que prescreveu a proibição de entrada nos nossos portos, aos navios da nossa aliada, tornou-se público por um aviso da Junta de Comércio de 22 de Outubro de 1807.
Como represália, mais do que esperada, a Inglaterra ordenou às suas esquadras que apresassem os navios portugueses que encontrassem, e, assim, a nossa marinha mercante foi hostilizada, simultaneamente, pela França e pela Inglaterra.
terça-feira, 5 de abril de 2016
quinta-feira, 31 de março de 2016
Leixões na rota do turismo!
A primeira escala em porto do "Astoria"
Em boa verdade, esta é a primeira visita de um velho conhecido, o navio de passageiros "Azores", que muito recentemente trocou de nome, sem que fossem visíveis outras alterações.
Chegou a Leixões procedente do porto de Avonmouth, tendo saído a meio da tarde com destino a Lisboa.
Chegou a Leixões procedente do porto de Avonmouth, tendo saído a meio da tarde com destino a Lisboa.
quarta-feira, 30 de março de 2016
Histórias do mar português!
Vicissitudes do mar
Desenho de um patacho, sem correspondência ao texto
O patacho “Maria Camila” da praça de Lisboa, pertencente ao sr. José Maria Camilo de Mendonça navegava de Santos para Falmouth a receber ordens e com um carregamento completo de café.
No dia 8 de Dezembro, na altura da ilha das Flores e depois de 49 dias de viagem sofreu um tremendo temporal de O e ONO (Oeste e Oeste-Noroeste). A violência do vento e a fúria das ondas aterraram por tal modo a tripulação, que, julgando-se perdida, prometeu a vela de estai do convés a Nossa Senhora da Bonança, se pudesse escapar a tão medonho temporal.
Nesta ocasião o patacho deitava doze milhas por hora só com o velacho nos últimos rinzes e um punho do traquete.
Abonançando o tempo e estando já sossegada a tripulação, foi avistado um bote carregado com 17 pessoas, lutando com as ondas ainda encapeladas. Era a tripulação de uma galera inglesa que se submergira na véspera em consequência do temporal.
O sr. António Sabino Gonçalves, capitão do patacho, logo que avistou os pobres náufragos, tratou imediatamente de os salvar e recebeu-os a bordo.
Infelizmente, tornando-se os ventos ponteiros e prolongando-se a viagem, os mantimentos e aguada começaram a faltar. Quando faltaram de todo, a tripulação do patacho e a tripulação naufragada viam-se em grande apuro e cruel aflição.
Depois de vinte e dois dias de cruelíssímas privações, os últimos dos quais haviam já desesperado todos os maritímos, chegou o “Maria Camila” a Falmouth com a sua tripulação e a da galera inglesa, extenuadas de forças e quase mortas de fome e de sede.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 18 de Janeiro de 1862)
No dia 8 de Dezembro, na altura da ilha das Flores e depois de 49 dias de viagem sofreu um tremendo temporal de O e ONO (Oeste e Oeste-Noroeste). A violência do vento e a fúria das ondas aterraram por tal modo a tripulação, que, julgando-se perdida, prometeu a vela de estai do convés a Nossa Senhora da Bonança, se pudesse escapar a tão medonho temporal.
Nesta ocasião o patacho deitava doze milhas por hora só com o velacho nos últimos rinzes e um punho do traquete.
Abonançando o tempo e estando já sossegada a tripulação, foi avistado um bote carregado com 17 pessoas, lutando com as ondas ainda encapeladas. Era a tripulação de uma galera inglesa que se submergira na véspera em consequência do temporal.
O sr. António Sabino Gonçalves, capitão do patacho, logo que avistou os pobres náufragos, tratou imediatamente de os salvar e recebeu-os a bordo.
Infelizmente, tornando-se os ventos ponteiros e prolongando-se a viagem, os mantimentos e aguada começaram a faltar. Quando faltaram de todo, a tripulação do patacho e a tripulação naufragada viam-se em grande apuro e cruel aflição.
Depois de vinte e dois dias de cruelíssímas privações, os últimos dos quais haviam já desesperado todos os maritímos, chegou o “Maria Camila” a Falmouth com a sua tripulação e a da galera inglesa, extenuadas de forças e quase mortas de fome e de sede.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 18 de Janeiro de 1862)
segunda-feira, 28 de março de 2016
História trágico-marítima (CLXXXVI)
O encalhe do vapor " Beiriz "
Pelas 12 horas do dia 31 de Agosto de 1933, depois de demandar a barra do Douro, seguindo rio acima com destino ao fundeadouro, devido ao nevoeiro desviou-se do canal, encalhando na areia, em frente a Sobreiras e muito próximo de terra. Para o local avançaram logo os rebocadores “Mars 2º” e o “Lusitânia”, que não chegaram a prestar serviço, pelo motivo do navio não correr perigo. No entanto os rebocadores conservaram-se por algum tempo fundeados no local na eventualidade de, ainda, se revelarem necessários.
Como depois de alguns esforços feitos com as máquinas do próprio vapor, e com muitas espias lançadas pela popa se tivesse verificado ser impossível nesse momento o seu desencalhe, tanto mais que a maré vazava, foi resolvido proceder-se ao alívio de alguma carga, utilizando-se para o efeito algumas barcaças, que ficaram atracadas à proa e à popa. O trabalho de descarga, que principiou às 14 horas, terminou próximo à preia-mar da noite. Depois deu-se início a novas tentativas para o desencalhe, sem sucesso.
Contudo não se descansou; esperou-se pela preia-mar e, às 11 horas e meia da noite, com o auxílio das máquinas do próprio navio e com espias passadas à popa, obrigaram o vapor a endireitar-se ao canal, conseguindo-se assim safar-se do banco de areia e seguir para o seu fundeadouro, no Vale da Piedade, a Massarelos, sem mais novidade. Durante a noite foi alijada muita carga do barco.
As manobras foram dirigidas pelo Sota-piloto-mor, Sr. António Matos e pelos Cabos dos pilotos Srs. Alexandre Meireles e Pereira, coadjuvados por alguns pilotos. Também prestaram serviços as lanchas motores da Corporação.
O vapor “Beiriz” procedia de Hamburgo com carga geral para o Porto e Lisboa, bem como mercadoria com destino a África, a ser transbordada em Lisboa. O navio é representado pela Sociedade Mercantil e Industrial, sita à rua Infante D. Henrique, na cidade do Porto.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 1 de Setembro de 1933)
Como depois de alguns esforços feitos com as máquinas do próprio vapor, e com muitas espias lançadas pela popa se tivesse verificado ser impossível nesse momento o seu desencalhe, tanto mais que a maré vazava, foi resolvido proceder-se ao alívio de alguma carga, utilizando-se para o efeito algumas barcaças, que ficaram atracadas à proa e à popa. O trabalho de descarga, que principiou às 14 horas, terminou próximo à preia-mar da noite. Depois deu-se início a novas tentativas para o desencalhe, sem sucesso.
Contudo não se descansou; esperou-se pela preia-mar e, às 11 horas e meia da noite, com o auxílio das máquinas do próprio navio e com espias passadas à popa, obrigaram o vapor a endireitar-se ao canal, conseguindo-se assim safar-se do banco de areia e seguir para o seu fundeadouro, no Vale da Piedade, a Massarelos, sem mais novidade. Durante a noite foi alijada muita carga do barco.
As manobras foram dirigidas pelo Sota-piloto-mor, Sr. António Matos e pelos Cabos dos pilotos Srs. Alexandre Meireles e Pereira, coadjuvados por alguns pilotos. Também prestaram serviços as lanchas motores da Corporação.
O vapor “Beiriz” procedia de Hamburgo com carga geral para o Porto e Lisboa, bem como mercadoria com destino a África, a ser transbordada em Lisboa. O navio é representado pela Sociedade Mercantil e Industrial, sita à rua Infante D. Henrique, na cidade do Porto.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 1 de Setembro de 1933)
Imagem do vapor "Beiriz"
Desenho de Luís Filipe Silva
Desenho de Luís Filipe Silva
Características do vapor “Beiriz”
1932-1936
1932-1936
Armador: Companhia Atlântica de Navegação, Lda.
Nº Oficial: 480-F - Iic: C.S.F.I. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Wood Skinner & Co Ltd., Newcastle, Escócia, 05-1902
ex “Paris”, London & Paris S.S. Co Ltd., Swansea, 1902-1912
ex “Willy”, W.H. Berhuys Coal Trade, Amesterdão, 1912-1932
Arqueação: Tab 1.275,85 tons - Tal 739,97 tons
Dimensões: Pp 76,58 mts - Boca 9,82 mts - Pontal 5,32 mts
Propulsão: Northeast M.E., Newcastle, 1902 - 1:Te - 1.100 Nhp
Equipagem: 22 tripulantes
Nº Oficial: 480-F - Iic: C.S.F.I. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Wood Skinner & Co Ltd., Newcastle, Escócia, 05-1902
ex “Paris”, London & Paris S.S. Co Ltd., Swansea, 1902-1912
ex “Willy”, W.H. Berhuys Coal Trade, Amesterdão, 1912-1932
Arqueação: Tab 1.275,85 tons - Tal 739,97 tons
Dimensões: Pp 76,58 mts - Boca 9,82 mts - Pontal 5,32 mts
Propulsão: Northeast M.E., Newcastle, 1902 - 1:Te - 1.100 Nhp
Equipagem: 22 tripulantes
Vapor adquirido em 1932, foi a primeira unidade a integrar a frota da Companhia Atlântica, com o objectivo de estabelecer um serviço regular de transporte de mercadorias entre Portugal e portos do Norte da Europa, designadamente Antuérpia, Roterdão e Hamburgo.
No dia 1 de Agosto de 1932, os agentes no Porto mandaram publicar o primeiro anúncio relacionado com a viagem inaugural do vapor, entrando posteriormente em Leixões no dia 3 de Agosto. No dia seguinte, o vapor, sob o comando do capitão Sr. Brito, deixou o porto com destino a Antuérpia e Hamburgo.
Acabou vendido para demolição a A. Andrade & Cª., de Lisboa, no último trimestre de 1936.
No dia 1 de Agosto de 1932, os agentes no Porto mandaram publicar o primeiro anúncio relacionado com a viagem inaugural do vapor, entrando posteriormente em Leixões no dia 3 de Agosto. No dia seguinte, o vapor, sob o comando do capitão Sr. Brito, deixou o porto com destino a Antuérpia e Hamburgo.
Acabou vendido para demolição a A. Andrade & Cª., de Lisboa, no último trimestre de 1936.
O caso do vapor “Beiriz”
A Capitania do porto de Lisboa não recebeu qualquer comunicação
de Tenerife sobre a fuga, dali, do navio português
A Capitania do porto de Lisboa não recebeu qualquer comunicação
de Tenerife sobre a fuga, dali, do navio português
A Capitania do porto de Lisboa ainda não recebeu qualquer comunicação das autoridades marítimas de Tenerife sobre o caso passado com o vapor “Beiriz”, que desapareceu daquele porto sem que fossem pagas às autoridades marítimas locais as despesas regulamentares.
O vapor é propriedade da Companhia Atlântica de Navegação, Limitada, a que pertence, também, o vapor “Aviz”, que se encontra fundeado no «mar da palha», próximo à Cova da Piedade, navio onde têm sido praticados sucessivos roubos.
O “Beiriz”, devido a dificuldades financeiras da Companhia, estava entregue ao Tribunal do Comércio, por falta de pagamento de várias contas a credores. Consentiu o Tribunal que o vapor fizesse uma viagem a Las Palmas, para levar com o seu material os elementos duma companhia que apresentou várias atracções no Luna-Parque. Segundo parece, o caso tem de ser tratado pelas vias diplomáticas.
O “Beiriz” deve chegar ao Tejo durante a próxima semana.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 17 de Janeiro de 1936)
O vapor é propriedade da Companhia Atlântica de Navegação, Limitada, a que pertence, também, o vapor “Aviz”, que se encontra fundeado no «mar da palha», próximo à Cova da Piedade, navio onde têm sido praticados sucessivos roubos.
O “Beiriz”, devido a dificuldades financeiras da Companhia, estava entregue ao Tribunal do Comércio, por falta de pagamento de várias contas a credores. Consentiu o Tribunal que o vapor fizesse uma viagem a Las Palmas, para levar com o seu material os elementos duma companhia que apresentou várias atracções no Luna-Parque. Segundo parece, o caso tem de ser tratado pelas vias diplomáticas.
O “Beiriz” deve chegar ao Tejo durante a próxima semana.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 17 de Janeiro de 1936)
sexta-feira, 25 de março de 2016
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