A este respeito, escreve em data de ontem, o correspondente do jornal em Ílhavo:
Procedentes de Brest, chegaram aqui os nossos patrícios tripulantes do vapor “Cysne”, há pouco torpedeado nas costas de Inglaterra por um submarino alemão.
Contam eles que o submarino navegava com bandeira francesa, como disfarce, só a substituindo pela alemã, quando intimaram o capitão do “Cysne” a atravessar o navio.
Nem mesmo em face dos documentos de bordo que lhes foram apresentados quiseram respeitar a nacionalidade do navio, intimando os tripulantes a abandoná-lo no prazo de cinco minutos!
Estes assim fizeram, passando todos, em número de quinze, para um bote.
Em seguida, os alemães levaram do “Cysne” tudo o que lhes convinha, mantimentos, roupas, peças das máquinas, metais, sinos de alarme, etc., acabando por meter o vapor no fundo.
Enquanto o comandante do “Cysne” parlamentava com os alemães, os portugueses conseguiram salvar algumas coisas suas e uma porção de bolacha, que passaram para o bote. Mas a precipitação era tanta, que não se lembraram da água.
Remaram, por isso, em direcção ao submarino, pedindo que lhes dessem um barril de água com que matassem a sede. Foi-lhes negada terminantemente!
À mercê andaram os pobres náufragos durante doze horas, até que avistaram uma chalupa francesa, para a qual se dirigiram. Ali foram recolhidos juntando-se a mais cerca de 40 tripulantes ingleses de dois outros vapores, que o mesmo submarino afundara naquele dia.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 12 de Junho de 1915)
Comentário e conclusão:
1. Dúvidas, nenhuma!
2. Certezas, muitas. A informação relacionada com o ataque, que culminaria com o afundamento do vapor “Cysne” respeita com rigor os métodos ultrajantes utilizados por largo número das guarnições dos submarinos alemães, no contacto com as tripulações dos navios mercantes abordados, independentemente do facto de pertencerem ou não às nações em conflito.
Neste caso existe a confirmação da ocorrência de acto de guerra, perpetrado pelo submarino alemão U-41, classificado como unidade do tipo “VII-A”, quando este se encontrava sob o comando do capitão Claus Hansen, no dia 29 de Maio de 1915.
Confirma-se igualmente a presença em local próximo ao afundamento do vapor “Cysne”, dos vapores ingleses “Dixiana” e “Glenlee”, afundados no mesmo dia, pelo mesmo submarino, conforme se aprecia corretamente referido no texto.