quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
História trágico-marítima (XXII)
Duas etapas do lugre "Rio Mondego
O princípio e o fim!...
2ª. parte
Segunda parte da notícia publicada na revista Nº 639
da
Ilustração Portuguesa, com data de 20 de Maio de 1918
Imagem do fotógrafo sr. Pereira Monteiro
Ilustração Portuguesa, com data de 20 de Maio de 1918
Imagem do fotógrafo sr. Pereira Monteiro
A notícia acima é o culminar da festa alusiva à conclusão e bota-abaixo de um navio, que acreditamos prometia muito em função da sua esmerada construção. O lugre depois de convenientemente armado prepara-se para a primeira viagem, que tem origem a partir de Setúbal, com um carregamento completo de vinho do Porto, para o porto inglês de Swansea.
Depois, ainda no decorrer dessa viagem inaugural...
O lugre “Rio Mondego” torpedeado
Ignora-se qual o destino dos tripulantes
Depois, ainda no decorrer dessa viagem inaugural...
O lugre “Rio Mondego” torpedeado
Ignora-se qual o destino dos tripulantes
Figueira da Foz, 14 - Por informação recebida nesta cidade, sabe-se que foi torpedeado na costa inglesa o lugre “Rio Mondego”, há pouco construído nos estaleiros da Sociedade Figueirense de Navegação. É de lamentar a perda do barco, pois era o maior, em madeira, que tem sido construído nos estaleiros nacionais. Da tripulação nada se sabe, esperando-se por informações oficiais.
(In jornal “O Século”, de 18 de Setembro de 1918).
(In jornal “O Século”, de 18 de Setembro de 1918).
O lugre “Rio Mondego” não foi torpedeado
Contrariamente às informações noticiadas ontem, o lugre não foi afundado. Na sua aproximação da costa inglesa, foi atacado a tiro, por um submarino inimigo, destruindo-lhe a mastreação e produzindo-lhe estragos no convés. O navio foi rebocado seguidamente e encalhado do melhor modo em Scilly (ilha no Sudoeste da costa de Inglaterra), de onde o capitão telegrafou em 7 deste mês, dando conta da ocorrência e concluindo que a tripulação fora salva e o carregamento estava em bom estado.
Segundo consta, posteriormente aquele comunicado o lugre deve ser rebocado para Swansea, que era afinal o seu porto de destino. O “Rio Mondego”, recentemente construído nos estaleiros da Sociedade Figueirense de Navegação, era dos nossos navios de vela modernos e de maior tonelagem e efectuava a sua primeira viagem, tendo por ponto de partida Setúbal, em viagem com destino a Swansea.
Como referido, o seu capitão M. Henrique Silva, teve a sorte de escapar à fúria destruidora dos alemães, salvando não só a tripulação do barco, como o próprio carregamento, pois os danos, ao que parece, são apenas no navio e estes de fácil reparação.
(In jornal “O Século”, de 19 de Setembro de 1918)
Segundo consta, posteriormente aquele comunicado o lugre deve ser rebocado para Swansea, que era afinal o seu porto de destino. O “Rio Mondego”, recentemente construído nos estaleiros da Sociedade Figueirense de Navegação, era dos nossos navios de vela modernos e de maior tonelagem e efectuava a sua primeira viagem, tendo por ponto de partida Setúbal, em viagem com destino a Swansea.
Como referido, o seu capitão M. Henrique Silva, teve a sorte de escapar à fúria destruidora dos alemães, salvando não só a tripulação do barco, como o próprio carregamento, pois os danos, ao que parece, são apenas no navio e estes de fácil reparação.
(In jornal “O Século”, de 19 de Setembro de 1918)
Lugre de 4 mastros “ Rio Mondego “
1918 - 1919
1918 - 1919
Nº Oficial: ?? - Iic: ?? - Porto de registo: Figueira da Foz
Construtor: Jeremias Martins Novais, Murraceira, 14.04.1918
Arqueação: Tal 670,00 tons
Dimensões: ?
Propulsão: À vela
Equipagem: ?
Capitães embarcados: M. Henrique Silva (1918)
Construtor: Jeremias Martins Novais, Murraceira, 14.04.1918
Arqueação: Tal 670,00 tons
Dimensões: ?
Propulsão: À vela
Equipagem: ?
Capitães embarcados: M. Henrique Silva (1918)
Aparentemente o lugre esteve sujeito, como tantos outros, à fúria destruidora das cargas de dinamite colocadas a bordo pela tripulação do submarino alemão U-53, que se encontrava sob o comando do capitão Otto von Schrader, no dia 5 de Setembro de 1918. Porém, em sentido inverso à pratica comum, com o navio já abandonado pela tripulação, e apesar das severas avarias provocadas pelos explosivos, manteve-se a flutuar, permitindo ser rebocado até à costa das Ilhas Scilly, onde foi encalhado.
Quanto ao carregamento de vinho do Porto, que se encontrava parcialmente danificado, foi posto sob vigilancia aduaneira, o que não impediu que uma razoavel quantidade desse precioso nectar se tivesse misteriosamente "evaporado", sob suspeita de ter servido para animar condignamente as comemorações do Armistício, em Novembro desse mesmo ano.
A presunção inicial que antecipava uma fácil reparação do navio gorou-se por completo. As tentativas para recuperar o navio resultaram numa enorme decepção, levando ao abandono do lugre em Março de 1919, depois da constatação de se encontar em absoluto estado de inavegabilidade.
Quanto ao carregamento de vinho do Porto, que se encontrava parcialmente danificado, foi posto sob vigilancia aduaneira, o que não impediu que uma razoavel quantidade desse precioso nectar se tivesse misteriosamente "evaporado", sob suspeita de ter servido para animar condignamente as comemorações do Armistício, em Novembro desse mesmo ano.
A presunção inicial que antecipava uma fácil reparação do navio gorou-se por completo. As tentativas para recuperar o navio resultaram numa enorme decepção, levando ao abandono do lugre em Março de 1919, depois da constatação de se encontar em absoluto estado de inavegabilidade.
domingo, 29 de novembro de 2015
História trágico-marítima (XXII)
Página da revista Ilustração Portuguesa Nº 633,
com data de 8 de Abril de 1918
com data de 8 de Abril de 1918
Volvidos quase cem anos sobre a publicação desta revista, não fôra a necessidade de mostrar ao país como era importante continuar com a construção naval em madeira, para de cerca forma ser possível fazer concorrência aos vapores postos ao serviço dos transportes do Estado, muito pouco se saberia!
Como advém da própria leitura do texto, percebe-se da existência de um relacionamento próximo com pessoas da Sociedade Figueirense de Construções Navais, eventualmente os próprios gerentes da empresa srs. Manuel Alberto Rei (regente agrícola!) e Joaquim Águas Ferreira dos Santos, que muito inteligentemente contam com a colaboração (e provavelmente suporte técnico), do muito conhecido e apreciado capitão José da Cunha Ferreira.
Enfim, compreende-se o entusiasmo; enquanto no estaleiro do Cabedelo eram construídos os iates "Cabo Espichel" (1918-1929) e "Cabo Raso" (1918-1921), por António Maria Bolais Mónica e no estaleiro da Figueira o construtor Sebastião Gonçalves Amaro avançava nos fabricos do lugre "Vila de Buarcos" (1918-1919), na Murraceira reinava Jeremias Martins Novais, construindo três gigantes: os lugres de 4 mastros "Rio Mondego" (1918-1919), de 1.500 toneladas, o idêntico lugre "Titan" (1918-1920), depois "Curvos" (1920-1921), de 1.800 toneladas e um outro lugre mais pequeno, o "Julietta" (1918-1920) de 600 toneladas.
Compreensível ou não, questiono-me múltiplas vezes como é que um construtor naval conseguia construir diversos navios simultaneamente, em estaleiros situados a razoável distância. Devo lembrar que estamos a relatar eventos com origem em 1918 e tanto quanto sei as estradas deixadas pelo ministro Fontes Pereira de Melo, estavam muito aquém do razoável.
Senão vejamos; se Jeremias Martins Novais estava em Vila do Conde a construir o iate "Fortunato dos Santos", seria apenas responsável pelo acompanhamento da construção dos navios à distância, e nessa conformidade, as construções seriam assinadas pelo sub-construtor J.F. Boucinhas, cujo nome por ausência de regularidade lamentavelmente passa despercebido, apesar dos belíssimos navios construídos.
Como advém da própria leitura do texto, percebe-se da existência de um relacionamento próximo com pessoas da Sociedade Figueirense de Construções Navais, eventualmente os próprios gerentes da empresa srs. Manuel Alberto Rei (regente agrícola!) e Joaquim Águas Ferreira dos Santos, que muito inteligentemente contam com a colaboração (e provavelmente suporte técnico), do muito conhecido e apreciado capitão José da Cunha Ferreira.
Enfim, compreende-se o entusiasmo; enquanto no estaleiro do Cabedelo eram construídos os iates "Cabo Espichel" (1918-1929) e "Cabo Raso" (1918-1921), por António Maria Bolais Mónica e no estaleiro da Figueira o construtor Sebastião Gonçalves Amaro avançava nos fabricos do lugre "Vila de Buarcos" (1918-1919), na Murraceira reinava Jeremias Martins Novais, construindo três gigantes: os lugres de 4 mastros "Rio Mondego" (1918-1919), de 1.500 toneladas, o idêntico lugre "Titan" (1918-1920), depois "Curvos" (1920-1921), de 1.800 toneladas e um outro lugre mais pequeno, o "Julietta" (1918-1920) de 600 toneladas.
Compreensível ou não, questiono-me múltiplas vezes como é que um construtor naval conseguia construir diversos navios simultaneamente, em estaleiros situados a razoável distância. Devo lembrar que estamos a relatar eventos com origem em 1918 e tanto quanto sei as estradas deixadas pelo ministro Fontes Pereira de Melo, estavam muito aquém do razoável.
Senão vejamos; se Jeremias Martins Novais estava em Vila do Conde a construir o iate "Fortunato dos Santos", seria apenas responsável pelo acompanhamento da construção dos navios à distância, e nessa conformidade, as construções seriam assinadas pelo sub-construtor J.F. Boucinhas, cujo nome por ausência de regularidade lamentavelmente passa despercebido, apesar dos belíssimos navios construídos.
Capa da revista Ilustração Portuguesa Nº 639,
com data de 20 de Maio de 1918, com a foto da
madrinha do navio, Srª. Dª Maria Julieta Laidley
Imagem do fotógrafo sr. Pereira Monteiro
com data de 20 de Maio de 1918, com a foto da
madrinha do navio, Srª. Dª Maria Julieta Laidley
Imagem do fotógrafo sr. Pereira Monteiro
Revista Ilustração Portuguesa Nº 639, com data de 20
de Maio de 1918, com a notícia do bota-abaixo do navio.
Imagem do fotógrafo sr. Pereira Monteiro
de Maio de 1918, com a notícia do bota-abaixo do navio.
Imagem do fotógrafo sr. Pereira Monteiro
... Continua ...
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Histórias do mar português!
Quem diria?
Os vapores “Porto” e “Traz-os-Montes”
vão ser cedidos à Cunard Line
Tendo a guerra submarina reduzido a frota das Companhias de navegação, o governo inglês alugou alguns dos navios, não só para o serviço de abastecimento dos exércitos, mas ainda para atender às necessidades dessas Companhias. É por esse motivo que, mal tenham concluído os trabalhos da reparação, o que deverá acontecer dentro de dois meses, o máximo, seguirão para Inglaterra os antigos vapores alemães “Porto” e “Traz-os-Montes”, que vão ser cedidos pelo governo daquele país à Cunard Line.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 22 de Novembro de 1916)
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 22 de Novembro de 1916)
Foto do vapor "Porto"
Imagem da Photoship.Uk
Navios ex-alemães
Imagem da Photoship.Uk
Navios ex-alemães
O vapor “Traz-os-Montes” vai para o serviço da Cunard Line, a fim de manter a carreira entre Nova-York e as Bermudas, estando já a receber carga para aquele destino. Entre essa carga figuram, até agora, cerca de 12.000 fardos de cortiça, 2.200 sacos com produtos alimentícios e algum material de cobre, etc.
(In jornal “O Século”, Domingo, 18 de Fevereiro de 1917)
(In jornal “O Século”, Domingo, 18 de Fevereiro de 1917)
Foto do vapor "Traz-os-Montes"
Imagem da Photoship.Uk
Imagem da Photoship.Uk
Não conseguimos achar prova concludente, que permita confirmar que o vapor “Porto” tenha sido colocado ao serviço da Cunard Line, pelo governo inglês. Por outro lado, parece não haver dúvida ter estado colocado no transporte de tropas para França, conforme testemunha a imagem acima reproduzida, de formato bilhete-postal, oferta do “Le Petit Jornal” francês.
Por seu turno, o vapor “Traz-os-Montes” terá viajado além das Bermudas, conforme prova a foto tirada em Junho, no porto de Sydney, onde se vislumbra também a nota com a indicação de uma outra viagem entre os portos de Tilbury, Inglaterra, e Hong-Kong, em 10 de Outubro, no mesmo ano de 1919.
Por seu turno, o vapor “Traz-os-Montes” terá viajado além das Bermudas, conforme prova a foto tirada em Junho, no porto de Sydney, onde se vislumbra também a nota com a indicação de uma outra viagem entre os portos de Tilbury, Inglaterra, e Hong-Kong, em 10 de Outubro, no mesmo ano de 1919.
sábado, 14 de novembro de 2015
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Leixões na rota do turismo!
O encontro em porto de três navios gémeos
Na próxima sexta-feira, dia 13, se tudo correr conforme previsto, vão-se encontrar três navios de passageiros gémeos no porto de Leixões, situação única ou no mínimo extremamente rara.
Esses navios, que inicialmente foram mandados construir pela empresa Royal Viking Cruises, tendo sido batizados com os nomes “Royal Viking Star” (1972-1990), Royal Viking Sky” (1973-1990) e “Royal Viking Sea” (1973-1991), foram entretanto adquiridos por outras empresas cuja vocação na exploração do transporte na área dos cruzeiros, os manteve em operação com grande regularidade, até ao presente, utilizando respectivamente os nomes “Black Watch”, “Boudicca” e “Albatros”.
Estamos em crer que este encontro de navios gémeos seja um excelente atrativo para as pessoas que gostam de navios, em função da oportunidade que surge agora e que seria impensável até há poucos anos.
“Royal Viking Star” – “Black Watch”
Esses navios, que inicialmente foram mandados construir pela empresa Royal Viking Cruises, tendo sido batizados com os nomes “Royal Viking Star” (1972-1990), Royal Viking Sky” (1973-1990) e “Royal Viking Sea” (1973-1991), foram entretanto adquiridos por outras empresas cuja vocação na exploração do transporte na área dos cruzeiros, os manteve em operação com grande regularidade, até ao presente, utilizando respectivamente os nomes “Black Watch”, “Boudicca” e “Albatros”.
Estamos em crer que este encontro de navios gémeos seja um excelente atrativo para as pessoas que gostam de navios, em função da oportunidade que surge agora e que seria impensável até há poucos anos.
“Royal Viking Star” – “Black Watch”
Imagens da Photoship.Uk e da minha colecção
Navio construído nos estaleiros finlandeses Wartsila, em Helsínquia, foi entregue à Royal Viking Cruises em 26 de Junho de 1972. Nestes 43 anos de serviço navegou também com os nomes “Westward” (1990-1994) e “Star Odyssey” (1994-1996). Após ter sido adquirido pela companhia Fred Olsen, de Oslo, em 1996, foi rebaptizado “Black Watch”, nome que conserva até à data. O navio que apresentava inicialmente uma arqueação bruta de 21.848 tons., e 177,80 metros de comprimento, foi aumentado em 1981, a partir de quando passar a arquear 28.670 tons., com 205,50 metros. Navega com dois motores diesel que lhe asseguram uma velocidade até 21,5 milhas por hora. Chega procedente do porto de Greenock, seguindo viagem com destino a Tenerife.
“Royal Viking Sky” – “Boudicca”
Duas fotos minhas com 35 anos de diferença
Navio construído nos estaleiros finlandeses Wartsila, em Helsínquia, foi entregue à Royal Viking Cruises em 5 de Junho de 1973. Nestes 42 anos de serviço navegou também com os nomes “Sunward” (1990-1992); “Birka Queen” (1992-1992); “Sunward” (1992-1993); “Golden Princess” (1993-1996); “Superstar Capricorn” (1996-1998); “Hyundai Kumgang” (1998-2001); “Superstar Capricorn” (2001-2004) e “Grand Latino” (2004-2005). Após ter sido adquirido pela companhia Fred Olsen, de Oslo, em 2005, foi rebaptizado “Boudicca”, nome que conserva até à data. O navio que apresentava inicialmente uma arqueação bruta de 21.891 tons., e 177,80 metros de comprimento, foi aumentado em 1983, a partir de quando passar a arquear 28.078 tons., com 205,50 metros. Navega com dois motores diesel que lhe asseguram uma velocidade até 21,5 milhas por hora. Chega procedente do porto de Casablanca, seguindo viagem com destino a Newcastle.
“Royal Viking Sea” – “Albatros”
Imagens da Photoship.Uk e da Phoenix Reisen
Navio construído nos estaleiros finlandeses Wartsila, em Helsínquia, foi entregue à Royal Viking Cruises em 16 de Novembro de 1973. Nestes 42 anos de serviço navegou também com os nomes “Royal Odyssey” (1991-1997); “Norwegian Star” (2001-2002) e “Crown” (2002-2004). Após ter sido adquirido pela companhia Phoenix Cruises, de Bona, em 2004, foi rebaptizado “Albatros”, nome que conserva até à data. O navio que apresentava inicialmente uma arqueação bruta de 21.897 tons., e 177,80 metros de comprimento, foi aumentado em 1983, a partir de quando passar a arquear 28.018 tons., com 205,50 metros. Navega com dois motores diesel que lhe asseguram uma velocidade até 21,5 milhas por hora. Chega procedente do porto do Funchal, seguindo viagem com destino a Amsterdão.
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