sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Museu Marítimo de Santos


Pinturas do espólio museológico

Durante a visita ao museu encontrei diversas peças achadas em naufrágios, algumas das quais muito antigas e por motivos óbvios muito interessantes, quer fossem dos próprios navios, vidros ou cerâmicas.
Foram feitas algumas tentativas para fotografar esses artefactos, todavia por estarem resguardadas em estantes de vidro, o efeito causado pelo reflexo das luzes anulou a melhor das intenções.
Foi no entanto possível registar imagens de algumas pinturas expostas, que pelo seu interesse estou a partilhá-las no blog, todas elas de grande simbolismo, porque as duas primeiras imagens correspondem a dois dos maiores naufrágios ocorridos durante viagens da Europa para a América do Sul (Brasil e Argentina) e as duas restantes são naufrágios que tiveram lugar durante os anos da IIª Grande Guerra Mundial.
O "Vandyk" foi afundado pela aviação alemã (Luftwaffe) e o vapor "Baden", que tantas vezes passou pelos portos nacionais, foi afundado pela tripulação durante o combate travado com navios das forças aliadas, para evitar a sua captura.

Navio de passageiros espanhol "Príncipe de Astúrias"
Naufragado em 05.03.1916

Navio de passageiros italiano "Principessa Mafalda"
Naufragado em 26.10.1927

Navio de passageiros inglês "Vandyk"
Naufragado em 10.06.1940

Navio de carga e passageiros alemão "Baden"
Naufragado em 25.12.1940

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Últimas notícias do ano, ainda em viagem!


A passagem por Santos


Boqueirão, Santos, 29 de Dezembro – A passagem por Santos, 21 anos depois da primeira visita à cidade, agora com a agradável oportunidade de conhecer um novo amigo, o colega Nelson Carrera, depois de longo período de correspondência, acabou por não se revelar perfeita face ao encerramento temporário de Unidades Museológicas de Marinha, devido ao período de férias natalícias, e principalmente por força dum violento temporal, com a queda de 300 raios em apenas uma hora, quando nada o faria prever.
Com as praias repletas de gente o desfecho foi trágico, faleceram cinco pessoas colhidas por um raio, na área denominada Praia Grande, quando se refugiavam da chuva, que caía com intensidade, encontrando-se sob a hipotética proteção dum guarda-sol.

O dia de ontem acordou soalheiro, permitindo um longo passeio pelo litoral da cidade e obviamente colher algumas imagens, muito embora fossem ainda notórios alguns estragos causados pelo vendaval ocorrido na véspera, com a queda de pequenas arvores e arbustos. Felizmente foi também possível apreciar algum movimento marítimo, sendo avistados ao largo diversos navios porta-contentores e um largo número de pequenas embarcações de pesca.

Farol na praia do Boqueirão (desactivado)

Farol na praia Azul (desactivado)

Embarcação (não identificada) utilizada com fins turísticos

Entrada em porto do porta-contentores "CMA CMG La Traviata"

Imagem da Ilha Grande vista do areal Santista

Entrada em porto do ro-ro da Gimaldi Lines "Grande America"

Águas safas e boas navegações para 2015

domingo, 21 de dezembro de 2014

Natal 2014


Boas festas - Season greetings


Votos de festas felizes para todos os amigos que me tem acompanhado ao longo de alguns anos, através das páginas do blog, e muito principalmente a todos que tendo ultrapassado a barreira da amizade, são agora parte integrante da família que ganhei de presente.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Convite


Porto de partida!


Enquanto passo uns tempos fora do país, para visitar familiares, vou efectuando algumas pesquisas, sobre assuntos a publicar após o regresso. Até lá vou aproveitando para falar de navios, e do nosso Porto, que foi antes de qualquer outra coisa, um porto de partida!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

In memorium


Rui Picarote Amaro


Fui hoje surpreendido pela desagradável notícia do falecimento do Rui Amaro, amigo de longa data e uma das raras pessoas no norte do país, que de comum comigo nutria uma enorme paixão pelo mar, pelo rio Douro, pelas docas de Leixões e actividades portuárias, mas muito principalmente por navios.
É na minha opinião o último dos "visitadores de navios", que fez parte de uma elite de personalidades, com quem tive o privilégio de conviver e aprender a profissão que desempenhei por cerca de trinta e cinco anos.
Já reformados, ainda percorremos juntos muitas milhas de pesquisa, sobre a nossa história marítima e sobre a navegação à vela, nos séculos XIX e XX, que infelizmente tão mal se conhece. Parte importante dessa história, e de acontecimentos posteriores até quase à actualidade constam nos blogs "Navios à vista", "O piloto prático do Douro e Leixões" e também na página pessoal que mantinha no sítio do "Ship's nostalgia".
Viu ainda publicado o seu trabalho sobre "A barra da morte", reflexo dos muitos anos vividos entre a classe marítima, com a qual se identificava, salvaguardando sempre com enorme afeto a lembrança de seu pai, piloto nas barras do Douro e Leixões, de quem recebeu os primeiros ensinamentos náuticos e uma educação esmerada.
O Rui foi vitima da doença que o atormentava à alguns anos. Desaparece, até um eventual próximo encontro, um amigo que me habituei a respeitar e admirar, pelo que neste momento de despedida só posso agradecer os muitos e bons momentos de convívio que passamos juntos.
Obrigado Rui e até sempre!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Histórias do mar português!


A passageira clandestina

A bordo do “D. Pedro I”, 5 de Novembro de 1932
Não há mulheres a bordo?
Há.
Viaja connosco uma passageira clandestina, de volta a Portugal, seu país de origem.
Vive toda e sempre escondida. Nem a oficialidade, nem o pessoal de bordo, nem os agentes de polícia que nos espiam, nem a escolta que nos... que nos inveja – ninguém notou ainda a sua presença entre nós, na prisão flutuante.
E, no entanto ela está por toda a parte.
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O vapor “D. Pedro I”
1926-1935

Foto do vapor “Wyreema” da Australasian United Steam Ltd.
Imagem do State of Victoria Library, Victoria, Australia

Armador: Lloyd Brasileiro, Rio de Janeiro, Brasil
Construtor: Alexander Stephen & Sons Ltd., Govan, 1908
ex “Wyreema”, Australasian United Steam Navigation, 1908-1926
Arqueação: Tab 6.338 tons - Tal 3.362 tons
Dimensões: Pp 122,02 mts - Boca 16,51 mts - Pontal 9,30 mts
Propulsão: Alex. Stephens - 2:Te - 2x3:Ci - 1.038 Nhp - 14 m/h
dp “Dom Pedro I”, Lloyd Brasileiro, Rio de Janeiro, 1935-1958
O vapor foi demolido no Rio de Janeiro em Agosto de 1958

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E ela divide, a clandestina, por todos nós, o seu carinho santo, com a piedade generosa de uma irmã de caridade. Vai, de cabine em cabine, de mesa em mesa, de pensamento em pensamento. Senta-se no beliche, naturalmente, à cabeceira daquele que a insónia atormenta, e repete o gesto antigo que cobriu, como uma asa, o nosso berço; apoia-se, como uma cruz suavíssima, ao ombro daquele que, sentado num rolo de cordas da popa, finge olhar o crepúsculo enxague; debruça-se sobre o que escreve ou o que lê, e conduz a mão sobre o papel, ou volta as páginas do livro...
Quando ela veio de Portugal, era loira e leve; parecia a “velida” de D. Diniz, a “bem talhada”, a “delgada”, a “muito alongada de gente”, bailando “solo verde ramo florido”...
Mas aqui, nos trópicos americanos, queimou-se de sol e amolentou-se no balanço das redes e das palmas.
E eis, agora, regressa mais lânguida e mais humana à sua pátria...
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Viaja connosco uma passageira clandestina de volta a Portugal, seu país de origem.
Ela é a Saudade.
Almeida, Guilherme de, O Meu Portugal, pp. 17/19, Companhia Editora Nacional, Rua dos Gusmões, 26-30, São Paulo, 1933

domingo, 9 de novembro de 2014

O paquete "Africa Iº"


Que navio é este?

Ilustração Portuguesa, II Série, Nº 409, pp.750,
Lisboa, 22 de Dezembro de 1913

Este é o tipo de notícia que diz muito e simultaneamente explica pouco, apesar de ser um facto conhecido as diversas tentativas feitas previamente por armadores nacionais e anglo-portugueses, para tornar possível uma carreira de navios, a sair regularmente de Lisboa ou Porto, com destino ao Brasil.
Numa primeira análise, em função do atrás referido, pode afirmar-se que este vapor não foi de modo algum o primeiro navio português de carreira para o Brasil, mas também é verdade existirem obstáculos de vária ordem, que eram sistematicamente criados em benefício das companhias de navegação estrangeiras.
Em muitas ocasiões, ou em grande parte dos casos, a opção da garantia de conforto a bordo de bons navios, mesmo quando a travessia do atlântico era efectuada em 3ª classe, podia ainda ser favorecida por facilidades, tais como a autorização do pagamento das viagens dos passageiros A posteriori, desde que um fiador no país assegurasse a responsabilidade da liquidação completa da despesa.
Estas peripécias, quantas vezes a deixar os fiadores em situação de grande precaridade, são obviamente do conhecimento de quem estudou ou pesquisou sobre os caminhos da emigração, principalmente para o Brasil, porque em relação à África os transportes marítimos funcionavam sob o domínio das companhias de navegação nacionais, a coberto de interesses do próprio Estado.

Segundo a notícia, o vapor “Africa Iº”, acabava de realizar a primeira viagem ao Brasil, tendo o navio sido acolhido com entusiasmo, mas lamentavelmente não diz onde!
Depois começam as dificuldades de identificação do próprio navio, que terá pertencido a uma sociedade de nome Liberdade, eventualmente de origem Angolana, face ao registo do navio na capitania de Luanda, conforme pode ser apreciado através da inscrição na boia, visível na imagem inferior.
Depois da história ficam dúvidas por esclarecer: que navio é este; quantas viagens o vapor teve oportunidade de realizar ao Brasil e o que lhe pode ter acontecido durante o ano de 1914, considerando não constar nas listas de navios portugueses, já em Janeiro de 1915.