sábado, 14 de junho de 2014

Imagens do dia


Navios vistos no dia de anteontem - 12 de Junho -,
no porto de Leixões

A proa majestosa do navio "Azura"

O navio panamiano "Pythia"

O navio "Corvo" da Companhia Mutualista Açoreana

O navio holandês "Flevoborg", da Companhia Wagenborg

O navio de transporte de gás "Magdalena"

O arrastão de pesca costeira "Península"

O navio hidrográfico da marinha belga "Bélgica"

Foto do navio de passageiros "Azura"
durante a última viagem de cruzeiro

quarta-feira, 11 de junho de 2014

História trágico-marítima (CXXXIX)


O naufrágio do lugre bacalhoeiro "Maria Carlota"

O lugre “Maria Carlota” naufragou ao largo da Terra Nova
O “Queen Elizabeth” alterou a sua rota no objectivo de
socorrer a tripulação de trinta homens, que veio a ser
recolhida por um transporte das forças armadas americanas
Halifax (Nova Escócia), 4 – Do paquete de luxo britânico “Queen Elizabeth”, em viagem de Nova Iorque para Southampton, foi recebida uma mensagem pela rádio, ontem à noite, dizendo que alterara a rota e apressara a marcha para auxiliar o lugre portugues de três mastros “Maria Carlota”, de 230 toneladas, matriculado na praça do Porto, que enviara um pedido de socorro em que dizia que estava prestes a afundar-se, depois de acossado por violenta tempestade. A mensagem interceptada pela estação de vigilância da costa dava a posição do lugre português a mil quilómetros a Noroeste de Ponta Delgada, arquipélago dos Açores.

Foto do naufrágio do lugre "Maria Carlota"
Imagem da Photoship.Uk

Pouco depois das 3 horas da madrugada de hoje o “Queen Elizabeth” encontrava-se a 288 quilómetros do lugre. Do paquete, foram enviadas urgentes mensagens pela rádio a todas as estações anunciando que alterara a sua rota para socorrer o lugre português, que se encontrava nesse momento a cerca de vinte quilómetros a Leste-Sueste de Argentia, Terra Nova. Entretanto, as autoridades da costa dos Estados Unidos anunciavam que ia partir um hidro-avião equipado com um salva-vidas para socorrer a tripulação do navio. Ao mesmo tempo, do porto norte-americano de Brooklyn partiam um navio costeiro e um «aviso» da Marinha de Guerra, com o mesmo objectivo de socorrer o navio português em perigo.
Sabia-se que o Atlântico estava a ser açoitado por fortíssimo vendaval, e o Departamento de Meteorologia da Terra Nova anunciava, pela rádio, que a visibilidade era apenas de três milhas.

Postal ilustrado do navio "Queen Elizabeth",
citado no texto - Postal da minha colecção

Até que surgiu a notícia do salvamento em que mais três navios da rota Halifax – Southampton desviavam o seu curso para socorrerem o pequeno lugre.
Foi o transporte da Marinha de Guerra dos Estados Unidos “Charles A. Stafford”, que lançou a almejada mensagem, logo recolhida pelos postos de vigilância costeira norte-americana: «Foram recolhidos a bordo deste navio os trinta tripulantes do lugre português “Maria Carlota”, que está prestes a afundar-se a mil quilómetros a Leste-Sueste de Argentia, Terra Nova».
E, por fim, nova mensagem revelava novos pormenores, esta proveniente de São João da Terra Nova: «O quartel general da Guarda Costeira informa que o lugre português “Maria Carlota” fôra incendiado e abandonado, depois de salva a tripulação». – U.P. e Reuter

Foto do navio-hospital americano "Charles A. Stafford"
Imagem da Photoship U.K.

O naufrágio do lugre “Maria Carlota”
As informações recebidas em Lisboa
Foi da estação rádio-telegráfica da Armada, na Horta, que informaram o Ministério da Marinha de que o “Maria Carlota”, que vinha dos bancos da Terra nova com um carregamento de bacalhau, pedia socorro por ter água aberta e estar a afundar-se.
O capitão do lugre emitiu vários rádios informando que o seu navio começou a sofrer forte temporal e, por esse motivo, produziram-se dois rombos pelos quais esta a entrar muita água.
As bombas de bordo conseguiram esgotar a água, de modo a não deixar que o navio corresse o risco de se afundar. As vagas alterosas, porém, punham o navio em perigo. A tripulação portara-se corajosamente.
Além do “Queen Elizabeth”, outros navios navegaram em direcção ao “Maria Carlota”, entre os quais o “Caramulo”. O arrastão “Álvaro Martins Homem” também estivera em contacto com o navio sinistrado. Notícias posteriores informam que a tripulação tivera de abandonar o lugre.
O último rádio recebido em Lisboa dizia que o “Maria Carlota” estava raso com a água e, que seguia à deriva, levado pelas vagas e pelo vento, na direcção Sul-Sudoeste.
O “Maria Carlota” pertencia ao armador sr. João Gonçalves Guerra e era um navio construído em madeira, em 1918, nos estaleiros da Nova Escócia. Deslocava 230 toneladas e tinha capacidade para recolher 4.632 quintais de peixe. Fizera diversas viagens à Terra Nova, contribuindo para o abastecimento do País na medida da capacidade dos seus porões. Desta vez, trazia a bordo um carregamento apreciável de bacalhau.

Lista de tripulantes embarcados no “Maria Carlota”
Capitão            António Fernandes Matias,              de Ílhavo
Imediato           Jorge Fort’ Homem,                        de Ílhavo
Cozinheiro        Tomé dos Santos Ferreira Gordo,   de Ílhavo
Aj. Cozinheiro  Celestino Esteves de Figueiredo,      de Ílhavo
Pescador          António Maria Valente,                    de Matosinhos
Pescador          Bartolomeu da Silva Boia,                de Lavos
Pescador          Domingos Lucas,                             da Fuzeta
Pescador          Francisco Serrano,                           da Nazaré
Pescador          Joaquim Fernandes Parracho,          de Ílhavo
Pescador          José Rodrigues Romão,                   de Ctº. Branco
Pescador          Manuel José Inácio,                         da Fuzeta
Pescador          Manuel Portugal,                             da Nazaré
Pescador          Paulo de Jesus Figueira,                   da Nazaré
Pescador          Silvério Antunes Fialho,                   da Nazaré
Pescador          Silvestre Soares Zabumba,              da Nazaré
Pescador          Sebastião Simões,                           de V.P. Âncora
Pescador          Francisco Pires Oliveira,                  de V.P. Âncora
Pescador          João Francisco Gateira,                   de Ílhavo
Pescador          Manuel Maria Valente,                    de Matosinhos
Pescador          João Aires da Silva,                         de Ílhavo
Pescador          Manuel Dinis Faria,                          de V. do Conde
Pescador          Manuel Gonçalves Puga,                  de V. Castelo
Pescador          José da Silva e Sá,                           de Ílhavo
Pescador          Paulino Figueira,                              da Fuzeta
Pescador          António Pedrosa Luís,                     da Cova
Pescador          João Baptista da Silva Carvalho,     de Sesimbra
Pescador          Joaquim António Carreira,               de Portimão
Pescador          João Saraiva Verdade,                    de Ílhavo
Pescador         Abílio da Serrana Gandaio,               da Nazaré
Pescador         António Martins Júnior,                     da Fuzeta
Pescador          José Canas Júnior,                           de Setúbal
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 5 de Novembro de 1947)

Postal ilustrado do navio "Nea Hellas",
citado no texto - Postal da minha colecção

Já estão em Nova Iorque os náufragos do “Maria Carlota”
com o seu gato de bordo, que teve de viajar
«clandestinamente» no navio americano que os recolheu.
Nova Iorque, 10 – Trinta e um portugueses membros da tripulação do lugre bacalhoeiro português “Maria Carlota”, naufragado, recentemente, no Atlântico, assim como o gato mascote de bordo, salvos pelo transporte de guerra americano “Charles A. Stafford”, a seiscentas milhas a Leste de Argentia, Terra Nova, chegaram ontem a este porto.
O consulado português procura obter transporte de repatriação para os náufragos.
O gato viajou oculto e disfarçado numa dependência do transporte, até à chegada à Ilha de Staten, em consequência dos regulamentos militares americanos proibirem a presença de animais a bordo.
Um membro da tripulação, chamado António Pedrosa Luís, declarou à U.P. que o gato lhes deu boa sorte e não pôde, por isso, ser abandonado no Atlântico. (United-Press).
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 11 de Novembro de 1947)

Os náufragos do “Maria Carlota”
estão de saúde, em Nova Iorque
O Grémio dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau informa que segundo notícias telegráficas ontem recebidas, os náufragos do lugre “Maria Carlota” estão de boa saúde, instalados em Nova Iorque, devendo dali partir para Portugal em 14 do corrente, abordo do vapor grego “Nea Hellas”. Os náufragos pedem para saudar as respectivas famílias.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 12 de Novembro de 1947)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O paquete "Serpa Pinto" da Colonial


O paquete “Serpa Pinto” chegou a Lisboa

Na doca da Rocha do Conde de Óbidos, pertencente à Companhia Colonial de Navegação, encontra-se o novo paquete daquela companhia, o “Serpa Pinto”, no qual cerca de 400 operários estão ocupados nos trabalhos de transformação dos interiores.
No próximo dia 3, o paquete será visitado pelos srs. ministros da Marinha, do Comércio e das Colónias.
O paquete deve estar pronto para a sua primeira viagem, com passageiros e carga para as colónias, na primeira quinzena de Maio.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 25 de Março de 1940)

Foto do paquete "Serpa Pinto"
Imagem da Photoship.Uk

Identificação do paquete "Serpa Pinto", em 1941
Armador: Companhia Colonial de Navegação, Lisboa
Nº Oficial: G-407 - Iic: C.S.B.A. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Workman Clark & Co. Ltd., Belfast, Escócia, 1915
Arqueação: Tab 8.266,62 tons - Tal 5.100,31 tons
Dim.: Ff 142,47 mt - Pp 137,20 mt - Bc 17,61 mt - Ptl 6,85 mt
Propulsão: Workman Clark Ltd., 1915 - 2:Qe - 8:Ci - 6.000 Ihp

O “Serpa Pinto”, adquirido em plena guerra
Mas o esforço em marcha não se detinha. Pressentia-se que a guerra que se avizinhava e a Companhia Colonial de Navegação queria estar preparada, até onde lho permitissem, para prestar ao país proveitosos serviços em tão grave emergência.
Tentou-se a aquisição de vários navios e, por fim, já depois da eclosão do conflito, obteve-se autorização para a compra do paquete “Princesa Olga”, excelente unidade que pertencera inicialmente à frota da Mala Real Inglesa.
Entrou ao serviço da Companhia Colonial de Navegação, em Março de 1940 e recebeu o nome glorioso de “Serpa Pinto”. Era um navio em plena eficiência, apesar dos seus 25 anos de serviço. Desloca 13.020 toneladas e tem 8.267 toneladas brutas. Ainda hoje, ao cabo de intensa vida, as suas caldeiras, queimando nafta, lhe asseguram uma pressão que permite a velocidade de 15 milhas horárias.
Medindo 142 metros de comprimento, tem acomodações para 606 passageiros mas, durante a guerra, chegou a transportar, de uma só vez, 2.000 oficiais e soldados dos Açores para Lisboa.
Houve, em 1940, quem descresse da utilidade da compra do “Serpa Pinto”. Os factos demonstraram, porém, com o andar dos tempos, que a Administração da Companhia Colonial de Navegação tomara uma medida que se traduzia em mais um serviço prestado ao País. Estava ainda e sempre dentro do seu programa. Não tinha que se arrepender. Os outros enganaram-se. Nós, não.
Destinado à linha do Brasil, o “Serpa Pinto” tem desempenhado também uma missão de espiritualidade, servindo ao mesmo tempo uma política radicada nos corações dos dois povos.
(In “Vinte e cinco anos ao serviço da Nação – Fundação, vida e tarefa da Companhia Colonial de Navegação”, Editora Marítimo-Colonial, Lisboa, 1947)

domingo, 8 de junho de 2014

História trágico-marítima (CXXXVIII)


O encalhe do vapor “Bhamo”, próximo a Peniche

Vapor inglês encalhado - Parte em seu socorro o “Berrio”,
esperando-se que se salve a tripulação
O vapor inglês “Bhamo”, de Glasgow, procedente de Liverpool e com destino à Índia, com carga diversa, 12 passageiros e 85 tripulantes, encalhou hoje (12.06.1911) no banco de areia denominado Rocha do Vale das Janelas, ao norte do Baleal.
Em seu socorro saiu imediatamente o rebocador “Berrio”, não correndo a tripulação e passageiros, entre os quais uma mulher, risco, devido ao estado do mar, que é bom.
O capitão do “Bhamo” chama-se Weir.
(In jornal “A Capital”, terça-feira, 13 de Junho de 1911)

Foto do vapor inglês "Bhamo"
Imagem da Photoship.Uk

O encalhe do vapor “Bhamo”
O vapor inglês “Bhamo” continua encalhado próximo de Peniche, mas parece, contudo, que conseguirá safar-se. Os passageiros vieram hoje para Lisboa. Chegou o rebocador “Newa” para o safar.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 17 de Junho de 1911)

Identificação do vapor inglês “Bhamo”
Armador: British & Burmese Steam Navigation Co., Glasgow
Nº Oficial: 124249 - Iic: H.M.J.K. - Porto de registo: Glasgow
Construtor: W. Denny & Brothers, Dumbarton, Março de 1908
Arqueação: Tab 5.244,00 tons - Tal 3.358,00 tons
Dimensões: Pp 125,33 mts - Boca 15,91 mts - Pontal 8,56 mts
Propulsão: Denny & Co - 1:Te - 3:Ci - 424 Nhp -12 m/h
Vendido a W.H. Arnott Young & Co., de Dalmuir para demolição, em Outubro de 1938.

Vapor “Bhamo”
O rebocador “Newa” conseguiu safar o vapor inglês “Bhamo”, que encalhou perto do Vale de Janelas, na costa norte de Peniche. Parece que recebe a carga descarregada, umas trinta toneladas, e depois virá para Lisboa.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 18 de Junho de 1911)

sábado, 7 de junho de 2014

O “Olympic” da White Star Line


Um vapor gigantesco

O paquete "Olympic" - Postal ilustrado

Realizou-se em Londres, com êxito muito satisfatório, a experiência do “Olympic”, novo paquete da White Star Line. Trata-se de um vapor gigantesco, o maior de todos os que navegam pelos mares: tem 45.000 toneladas; desloca 66.000; mede de proa à popa 280 metros; a sua largura média é de 30 e das chaminés à quilha tem 50 metros de altura.

O paquete "Olympic" em Belfast
Foto-postal do navio - Imagem da Photoship.Uk

Identificação do paquete inglês “Olympic”
Armador: Oceanic Steam Navigation Co. - (White Star Line)
Nº Oficial: 131346 - Iic: H.S.R.P. - Porto de registo: Liverpool
Construtor: Harland & Wolff, Ltd., Belfast, 31 de Maio de 1911
Arqueação: Tab 46.439,00 tons - Tal 24.823,00 tons
Dimensões: Pp 259,84 mts - Boca 28,19 mts - Pontal 18,14 mts
Propulsão: Harland & Wolff, Ltd - 3:Tx - 6.906 Rhp - 21 m/h
Demolido parcialmente em Jarrow, em 13 de Outubro de 1935 e o casco por Metal Industries, em Inverkeithing, em 18 de Setembro de 1937.

O paquete "Olympic" - Postal ilustrado

Comporta 2.500 passageiros de 1ª e 2ª classe e tem onze andares, aos quais se sobe por meio de ascensores, e a bordo há ginásios, banhos turcos, uma piscina de natação, jardins e um campo amplo e bem acondicionado para o jogo do ténis. Também há teatro, salões de concerto, bibliotecas e todo o género de comodidades.
O “Olympic”, última palavra da arquitectura naval aplicada ao transporte de passageiros e mercadorias, realizará a sua primeira viagem em Junho próximo.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 1 de Junho de 1911)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Imagens do dia


Navios vistos no dia de ontem - 5 de Junho -,
no porto de Leixões

Navio de passageiros "Horizon" da Croisieres de France,
uma das primeiras escalas previstas para este ano no porto

Lancha de pilotagem "Gilreu"

Navio cargueiro "Carolin G", à saída do porto

Navio de passageiros "Horizon",
em viagem de cruzeiro entre Lisboa e a Corunha

terça-feira, 3 de junho de 2014

O navio-motor "Costeiro Terceiro"


Foi lançado à água o navio “Costeiro Terceiro”

Foto do navio-motor "Costeiro Terceiro" em Leixões
Imagem da Fotomar, Matosinhos

Nos estaleiros da C.U.F., na Rocha do Conde de Óbidos, foi, ontem, lançado à água o novo navio cargueiro “Costeiro Terceiro”, propriedade daquela empresa e destinado aos transportes entre a Metrópole e as Colónias.
O “Costeiro Terceiro”, que foi construído naqueles estaleiros, sob a direcção do engenheiro-chefe Sr. Aulânio Lobo, desloca mil toneladas de carga, tem cerca de 67 metros de comprimento, 11 de boca, 5,80 de pontal e a velocidade de 10 nós.
À cerimónia do lançamento, assistiram os Srs. Engº Sá Nogueira, administrador geral da A.G. do porto de Lisboa, representantes do Grémio dos Armadores de Navios Mercantes, Alfredo da Silva e funcionários da C.U.F.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 24 de Abril de 1940)

Vendido em 1970 à Componave, mudou o nome para “Silnauta”.
Vendido em 1980 à Marcomiso, mudou o nome para “Mar dos Açores”. Vendido para demolir em Lisboa, durante o ano de 1982.