sexta-feira, 6 de junho de 2014

Imagens do dia


Navios vistos no dia de ontem - 5 de Junho -,
no porto de Leixões

Navio de passageiros "Horizon" da Croisieres de France,
uma das primeiras escalas previstas para este ano no porto

Lancha de pilotagem "Gilreu"

Navio cargueiro "Carolin G", à saída do porto

Navio de passageiros "Horizon",
em viagem de cruzeiro entre Lisboa e a Corunha

terça-feira, 3 de junho de 2014

O navio-motor "Costeiro Terceiro"


Foi lançado à água o navio “Costeiro Terceiro”

Foto do navio-motor "Costeiro Terceiro" em Leixões
Imagem da Fotomar, Matosinhos

Nos estaleiros da C.U.F., na Rocha do Conde de Óbidos, foi, ontem, lançado à água o novo navio cargueiro “Costeiro Terceiro”, propriedade daquela empresa e destinado aos transportes entre a Metrópole e as Colónias.
O “Costeiro Terceiro”, que foi construído naqueles estaleiros, sob a direcção do engenheiro-chefe Sr. Aulânio Lobo, desloca mil toneladas de carga, tem cerca de 67 metros de comprimento, 11 de boca, 5,80 de pontal e a velocidade de 10 nós.
À cerimónia do lançamento, assistiram os Srs. Engº Sá Nogueira, administrador geral da A.G. do porto de Lisboa, representantes do Grémio dos Armadores de Navios Mercantes, Alfredo da Silva e funcionários da C.U.F.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 24 de Abril de 1940)

Vendido em 1970 à Componave, mudou o nome para “Silnauta”.
Vendido em 1980 à Marcomiso, mudou o nome para “Mar dos Açores”. Vendido para demolir em Lisboa, durante o ano de 1982.

sábado, 31 de maio de 2014

Divulgação


Dia do pescador

Embarcação de pesca "Irmãos Cruz"

Comemorou-se hoje, - 31 de Maio -, em Matosinhos, o Dia do Pescador, evento que este ano foi integrado nas festas da cidade. Uma cerimónia alusiva ao acontecimento decorreu na Câmara Municipal, depois das 10 horas da manhã, tendo estado presentes alguns dos principais responsáveis da edilidade.
Nestas celebrações do Dia do Pescador, que como habitualmente estiveram a cargo da Direcção do NAPESMAT (Núcleo de Amigos dos Pescadores de Matosinhos), teve lugar uma palestra alusiva à genealogias da gente do mar e a homenagem a antigos pescadores, tendo ainda contado com a participação musical de um grupo jovem de instrumentistas tocadores de cavaquinhos.

domingo, 25 de maio de 2014

Imagens do dia


Navios vistos no dia de ontem - 23 de Maio -,
no porto de Leixões


Navio de passageiros "Bremen"
Em viagem de cruzeiro entre Lisboa e Villagarcia de Arosa


Navio de passageiros "Louis Aura"
Em viagem de cruzeiro entre Lisboa e Vigo


Navio de passageiros "Sea Cloud II"
Em viagem de cruzeiro entre Lisboa e Vigo


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Imagens do dia


Navios vistos no dia de ontem - 20 de Maio -,
no porto de Leixões

N.m."Best Unity"

N.m."Ennio Marnix"
Chegou procedente de Rostock, sai para destino indeterminado

N.m."Patricia Rickmers"

Rebocador portuário "Aquiles"

Navio de passageiros "Seabourne Legend"
Chegou procedente de Lisboa, saiu para Villagarcia de Arosa

Navio de passageiros "Serenissima"
Chegou procedente de Lisboa, saiu com destino a Portsmouth

terça-feira, 20 de maio de 2014

Dia da Marinha 2014


A chegada do contra-torpedeiro “Vouga”, em 1933

Nesta ocasião festiva em que se celebra a passagem de mais um Dia da Marinha, surgiu a oportunidade para recordar a passagem pelo Porto, daquele que pode ser considerado o primeiro grande navio, construído com base no plano de renovação da esquadra da Marinha de Guerra Portuguesa, de 1930.

O contra-torpedeiro “Vouga”

Uma das primeiras imagens do navio
Foto-postal do construtor - minha colecção

Visita oficial da Imprensa
A convite do distinto comandante do “Vouga”, Sr. Carvalho Crato,
visitaram ontem aquele magnífico navio os representantes
da imprensa, a quem foi oferecido um «Porto de Honra»
O “Vouga” continua ali em baixo, no Bicalho, quieto e sereno, na sua imponência rígida, - a incendiar o patriotismo indígena! Tem passado por aquela nova unidade da marinha de guerra milhares de pessoas. E se o portaló não se fecha, não se sabe quando seria possível a bordo tratar de vida…
E não se condene o povo por esta ansiedade fremente, que chega a ser maçadora. Ele tem – como ontem gentilmente nos dizia o comandante Carvalho Crato – ali os seus direitos! Cabe-lhe o direito de ver, de observar no que foi transformado o seu dinheiro! Por isso, apesar de expiado o prazo das visitas, o Sr. comandante ainda encolhe, com um sorriso nos lábios, os ombros – quando se encosta à carcaça do “Vouga” algum barquito de curiosos.
Ontem foi o dia da imprensa. Acedendo, gostosamente, ao convite gentil do Sr. comandante Carvalho Crato, os representantes da Imprensa visitaram, ontem, à tarde, o “Vouga”.

Do eléctrico ao “Vouga”
O carro deixa-nos ali em baixo, no Bicalho, a dois passos do vapor. Da linha ao “Vouga” são dois passos… sobre as águas verde-mar do rio Douro. Duas remadelas fortes, e já lá estamos. Escada acima, - eis-nos no portaló.
Aí, altivo e senhoril, mas fidalgo e gentil, aguarda-nos o comandante Carvalho Crato. A sua figura aprumada, de gentleman e atleta, num uniforme corretíssimo, é a nossa primeira impressão. No peito, amontoadas por falta de espaço – medalhas e condecorações. É a biografia do comandante escrita com insígnias em pleno coração! África, Timor, a Grande Guerra, Aviz, Cristo, - uma série de recompensas que definem toda a vida deste ilustre e valoroso marinheiro, que agora comanda o “Vouga”.
O comandante, como todos os comandantes que se prezam, tem paixão pelo seu navio. Recebe-nos com sumo prazer. Tem o maior gosto em, por este intermédio, dizer ao público o que é o “Vouga”. Para isso, nos chamou ali. Ele mesmo vai ser o nosso guia através dos mais recônditos recantos daquela fortaleza flutuante.

A fisionomia do “Vouga”
O “Vouga” visto de fora, muito limpo e muito airoso, novo em folha, impressiona, logo, agradavelmente. Infunde respeito. E faz-nos pensar, através das suas peças assestadas para o espaço, em dias angustiosos, dias de metralha, por esses mares em fora…
Lá dentro, a impressão redobra, quando a gente se debruça sobre as bocarras infernais daquelas peças diabólicas! Tudo, ali dentro, são engenhos de guerra. Instrumentos de destruição. E tudo está construído e montado com os requintes do progresso.
Por sobre toda aquela massa cinzenta, onde os aços rebrilhantes põem, aqui e ali, notas de entusiasmo, ao sol quente da tarde – ergue-se, planando ao vento, a bandeira da Nação! É como que uma grande manta cobrindo e acarinhando o navio inteiro.
A tripulação anda alegre, radiante. Percebe-se-lhe o orgulho de pertencerem ao “Vouga”. Os oficiais estão contentes. Aquilo, assim, dá gosto. É navio a sério – para o que der e vier. Ali não se apanha. Dá-se… E de que forma! É cada torpedo, que parecem torres! E as peças têm 12cm…

Para o que der e vier…
Estamos na popa. O Sr. comandante, gentil e bem-disposto, preleciona-nos, passe o dizer. A sua figura aprumada, de marinheiro de velhas águas, parece um símbolo – erguido, à ré!
- De quantas peças dispõe, comandante?
- São 4, de 12 cm. Tem uma velocidade inicial de 940 metros por segundo e atingem uma longura de 22 quilómetros.
- E aquelas mais pequenas?
- Aquilo é o «pão-pão».
- ?
- As peças anti-aéreas, conhecidas por «pão-pão», por onomatopeia… Tem 4 cm estas peças e são duma actividade espantosa.
Ficamos, instantes, a olhá-las. Viradas ao céu, silenciosas e quedas, parecem guardas avançadas dum castelo roqueiro. Adiante, encontramos os torpedos. Dois grupos, de quatro lança-torpedos cada um. Oito engenhos diabólicos que, na hora própria, enviam para o alvo carradas de metralha, - de metralha imparável.
A explicação do comandante, sobre a acção daqueles brutos, arrefece-nos a coluna vertebral… Vem uma esquadra, derrota em fora. Envia-se-lhe um punhado de torpedos, - e tudo aquilo se desorienta, perdendo o rumo, fugindo desaustinadamente. Nisto é grande o “Vouga”. Tem oito, e dos melhores do mundo.
Encontramos ainda, a bombordo e estibordo, dois lança-bombas, armas de segunda vantagem – mas que, quando calha de se poder aplicá-las bem, deixam tudo em cisco! Além disto, o “Vouga” corre. Corre 36 milhas por hora, sendo preciso.

Foto mais recente do "Vouga" já com numeração NATO
Imagem publicada no blog Área Naval

Identificação do contra-torpedeiro “Vouga”
Em comissão de serviço entre 1933 (entrado no rio Douro, pelas 17 e cinquenta minutos do dia 24 de Agosto de 1933 e mandado abater ao efectivo dos navios da Armada, pela portaria Nº 22703, por proposta ao Governo apresentada pelo Exmo. Ministro da Marinha, Almirante Fernando Quintanilha Mendonça Dias, em 3 de Junho de 1967.
Nº Of.: “V” (1933) - D334 (1946) - Iic: C.T.B.K. - Reg: Lisboa
Construtor: Yarrow & Co. Ltd., Scotstoun, (Glasgow) G.B., 1933
Arqueação: Tab 1.438,55 tons - Tal 450,98 tons
Deslocamento: St 1.238,54 ts - Mx 1.588,45 ts - Nm 1.411,05 ts
Dimensões: Pp 93,58 mts - Boca 9,50 mts - Pontal 5,71 mts
Propulsão: Do construtor - 3:Tv - 3x10.000 Shp - 36,5 m/h
Guarnição: 171 tripulantes

Uma frase do Marquês de Pombal
Como vêem, o “Vouga” em matéria de armamento, está completo. Parece, mesmo, que não podia ter mais. Está até aos dentes, como soi dizer-se.
- E a qualidade?
Aqui fala, respondendo, a autoridade comprovada do comandante Carvalho Crato:
- Pode dizer aos seus leitores que as peças são tudo quanto há de melhor e mais perfeito no mundo!
- ?
- É como lhes digo: são melhores, mesmo, que as da marinha inglesa.
- E o resto?
- É tudo assim. Trata-se de um vapor construído segundo os mais recentes conhecimentos. É, por assim dizer, a última palavra.
E mudando de rumo, o Sr. comandante procura explicar-nos a razão do valor e da bondade do “Vouga”:
- Agora: os srs. imaginam quanto custa cada torpedo?
Parece que ninguém, dos presentes, fazia ideia do preço por que fica cada um desses grandes canudos de metralha.
E o Sr. comandante afirma: - 240 contos, cada um!
Alguém, ao lado, comenta, em graça:
- Há inimigos que não valem o preço do torpedo…
E o Sr. comandante acaba, evocando a figura do grande ministro de D. José I:
- Já o Marquês de Pombal dizia que o mar não é para pelintras. E tinha razão. Tudo isto, depois de pronto, só para funcionar, representa milhares de contos!

O judeu “X” e a Ordem da Jarreteira…
Discute-se, agora, sobre coisas de guerra. Querem uns que as peças do “Vouga” fiquem toda a vida por estrear. Outros falam de grandes guerras, anunciadas por esse mundo de Cristo…
Todos sentem, naturalmente, a curiosidade do futuro que espera as grandes peças do “Vouga”. O Sr. comandante sorri. Parece que não pensa nisso. Deixa esses cuidados aos que andam sobre terra firme. E conta a história do judeu “X”, proprietário da maior fábrica de guerra do mundo inteiro, na Inglaterra. Esse homem, que juntou e está juntando cada vez mais milhões a fabricar instrumentos e engenhos de morte, tem uma actualidade tão pequena ou tão grande, - que entrou na Ordem da Jarreteira!
- Mas a Jarreteira não é dada, apenas, aos monarcas?
- E então ele não é o rei da guerra? Esta raça de Israel, de quem Hitler é o anti-Cristo, parece que não descansará mais enquanto o mundo não estiver transformado num saco imenso, de que eles sejam donos e nós outros, pobres filhos de Adão, simples tributários…

Maravilha de precisão!
O “Vouga” tem, além do que fica relatado, embora ao de leve, outra qualidade digna de registo. É a precisão matemática de tudo aquilo. Toda a ciência de electricidade está ali aplicada. Calculem: as peças podem ser disparadas da ponte do comando, como quem, sentado numa cadeira desanda o interruptor da luz eléctrica!
A casa de navegação é mostruário do “Vouga”. As velhas artes de marear, que vem dos tempos do Vasco da Gama até hoje, usando-se, ainda, em todo o mundo, - foram banidas do “Vouga”. Ali é tudo novo, moderno, eléctrico, de precisão, - a última palavra!
- Até a tripulação!, segreda-nos alguém.
De facto, o “Vouga” tem 120 praças aprumadas, garbosas, que honram a casa. Conta 21 sargentos, dignos da oficialidade. E 11 oficiais que são onze figuras distintas formando, à volta do comandante, - uma só verdadeira: que é a Marinha Portuguesa!

A «casa», em si…
Se nos esquecermos de que estamos dentro dum vaso de guerra, poderemos ter, aqui e ali, a impressão de andarmos visitando um palacete magnífico. Há luxo e elegância em toda a parte. Os aposentos dos oficiais e sargentos são apetitosos. Há salas, ricamente decoradas, onde apetece estar. E os soldados têm as suas acomodações amplas, arejadas, elegantes – como raras vezes se encontra em navios assim.
Fomos encontrar, num desses aposentos, o Tenente Bastos, um homem em plena mocidade, que o comandante nos apresenta assim:
- Este é o piloto. Ele e um irmão tem o futuro marcado!
Olhamos, com curiosidade, aquele oficial tão novo, mal saído das escolas. E o Sr. comandante insiste:
- O pai do Tenente Bastos pode orgulhar-se de ter dois filhos que hão-de ser alguma coisa na Marinha Portuguesa!
O Tenente Bastos, modesto e comprometido, agradece discretamente. E nos olhares dos circunstantes há um desejo de boa sorte. Um cliché. Com os oficiais e imediato, Sr. Capitão Góis. Um friso alegre e distinto, ao sol claro que ilumina o deck.
E descemos à sala dos oficiais.

Um «Porto de Honra» oferecido à Imprensa
A sala dos oficiais é uma caixinha de veludo. Cómoda e elegante. Sobre uma mesa, um vistoso cestinho de cravos, com uma legenda doce: À tripulação do “Vouga”, duas portuenses.
- ?
- São duas meninas que vem cá, todos os dias, visitar o navio. E tem estas gentilezas.
O marinheiro António, que foi polícia-sinaleiro vai enchendo os cálices com vinho do Porto. Treme-lhe a mão, por falta de hábito, decerto. E o Sr. comandante, gracioso e simples:
- Vá lá, António: parece que ainda estás a fazer sinais, lá fora…
(Lá fora, é esta terra dura que nós, os terrestres, habitamos.)
Estão cheios os copos. Vai brindar o Sr. comandante Carvalho Crato. Dirige-se aos jornalistas: Tenho muito prazer em recebê-los neste vapor. Um marinheiro gosta sempre que lhe conheçam o navio. E os srs. não vem aqui, como simples visitantes.
São observadores e, por isso, irão dizer, por terem visto, aquilo que eu lhes digo. Este vapor é, na verdade, bom. Assisti à sua construção e sei quanto ela foi cuidadosa e perfeita. Podem dizer em toda a parte que o “Vouga”, como de resto todos os navios a fazer em Inglaterra, corresponde às nossas ansiedades. Não se esbanjou, mas também não se apertou. Fez-se um navio como era preciso.
A casa construtora merece elogios. Cumpriu bem e não se julgue que ganhou mundos e fundos. A crise, lá fora, é fenomenal. Os estaleiros estão 70% parados. Por isso, trabalha-se com certas vantagens. Concluindo: Desejo que os srs. jornalistas levem boas impressões desta visita e reafirmo-lhes que o “Vouga” é um navio digno da casa construtora e da nossa marinha.
O jornalista Costa Brochado, agradeceu este brinde, em nome da Imprensa e o distinto repórter fotográfico Sr. José Gonçalves, ofereceu ao Sr. comandante Carvalho Crato uma esplêndida colecção de óptimas fotografias do “Vouga”, à chegada ao Douro.

Acabaram as visitas ao “Vouga”
A visita de ontem encerrou as visitas. O Sr. Presidente da Câmara, que ontem teve de acompanhar o Sr. Ministro das Obras Públicas, não pode ir. Foi o Sr. Vereador Sr. Jorge Ferreira em sua representação. E pôs-se um ponto final nas visitas ao “Vouga” – porque agora, é preciso trabalhar.
Começou a instrução das praças. Começa a vida do navio. Entram agora no regime militar. Quem não foi nesta ocasião, tem de esperar outra maré. A vida é longa e o “Vouga”, se Deus quiser, está aí para durar.

A despedida
Deixamos o “Vouga”, ao cair da tarde. Tarde de sol rebrilhante e vitorioso. O metal das peças, duma brancura agressiva, chispava centelhas de luz, reflexos desse sol vivo da tarde cálida. Descemos a escadinha…
No alto, a figura imponente do comandante Carvalho Crato, curva-se, numa última despedida. À ponta, no mastro firme, bamboleia-se ao vento suave que vem do mar amigo, a bandeira da Nação!
A sentinela no portaló, de baioneta calada, está firme como rocha viva. Tocou um clarim! Seria a reunir? A reunir as almas portuguesas em torno deste navio forte e majestoso – feito com o sangue do povo para fazer respeitar o mesmo sangue sagrado vertido noutras eras, por esses mares nunca dantes navegados
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 5 de Setembro 1933)

sábado, 17 de maio de 2014

História trágico-marítima (CXXXVII)


Incêndio a bordo do navio “Marianne Dancoast”

Navio dinamarquês em chamas ao largo de Viana.
A tripulação foi salva excepto o chefe de máquinas

Imagem do incêndio no navio "Marianne Dancoast"
Foto do capitão do navio - minha colecção

Um violento incêndio deflagrou, cerca das 18 horas de
ontem (08.10.1983), a bordo de um navio dinamarquês,
que se encontrava a cerca de 20 milhas (32 Km), a oeste
da costa de Viana do Castelo.
Segundo o Capitão do porto de Leixões, a bordo do navio “Marianne Dancoast”, que se encontrava em trânsito, desconhecendo-se qual a sua origem ou destino, encontravam-se 7 tripulantes, seis dos quais já foram recolhidos pelo navio holandês “Sertan”, que navegava nas imediações.
A Capitania do porto de Leixões enviou, entretanto, um draga-minas, que se achava em serviço de patrulha costeira, ao encontro do navio dinamarquês, mas nada pôde fazer, tanto mais que o navio sinistrado estava em risco de explodir de um momento para o outro.
A bordo do “Marianne Dancoast” ficou apenas o chefe de máquinas, que se encontra em perigo de vida, por ter sido vítima das explosões e baldados todos os esforços para o retirar de bordo.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 9 de Outubro de 1983

Identificação do navio “Marianne Dancoast” – 1971/1983
Nº Oficial: 7110490 - Iic.: O.X.C.L. - Registo: Tuborg Havn
Armador: Rederiet Dancoast I/S, Tuborg Havn, Dinamarca
Operador: H. Folmer & Co., Copenhaga, Dinamarca
Construtor: Frederikshavn Vaerft & Tordok A/S, 06.05.1971
Arqueação: Tab 399,00 tons - Tal 226,00 tons - Pm 1.016 tons
Dimensões: Ff 59,37 mt - Pp 53,01 mt - Bc 10,62 mt - Ptl 3,58 mt
Propulsão: Alpha Diesel A/S - 1:Di - 8:Ci - 800 Bhp - 11 m/h
Equipagem: 7 tripulantes

Depois de ter sido procedida a descarga da mercadoria transportada em Vigo, o navio foi colocado à venda. Histórico comercial posterior, como segue: 1984/1989 “Marianne Norcoast”, Arctic Shipping A/S, Hamilton (Bermuda); 1989/1992 “Sammy Jo”, Culross S.A., Kingstown (St. Vincent); 1992/1994 “Anne Norco”, Sea Fan, Ltd., Kingstown (St. Vincent); 1994/2001 “Magica”, Sea Gull Maritime, Ltd., La Vallelta (Malta); 2001/2002 “Toli-I”, Hinckley Shipping, Ltd., Nuku’alofa (Tongo, Oceania); e “Toliara”, Hinckley Shipping, Ltd., La Paz (Bolivia). O navio foi vendido em 30 de Abril de 2008, em Aliaga (Turquia), para demolição.

Imagem do incêndio no navio "Marianne Dancoast"
Foto do capitão do navio - minha colecção

Incêndio dominado e maquinista por aparecer
Navio dinamarquês rebocado para Vigo
O incêndio que deflagrou num navio dinamarquês, a cerca de 20 milhas da costa de Viana do Castelo, foi completamente dominado, ao princípio da madrugada de ontem, havendo, no entanto, a lamentar o desaparecimento do chefe de máquinas, que se supõe tenha morrido queimado.
O fogo, cuja origem ainda se ignora, deflagrou cerca das 18 horas de anteontem e deixou o “Marianne Dancoast” bastante danificado. A bordo seguiam 7 tripulantes, seis dos quais foram salvos pelo navio holandês “Sertan”, que navegava nas imediações e que, portanto, não demorou a recolher os homens.
Na casa das máquinas ficava, no entanto, o engenheiro chefe, admitindo as autoridades que tenha perecido no momento em que as chamas deflagraram. Contudo, não existe ainda a confirmação oficial, mas tudo indica que o tripulante tenha morrido queimado.
O “Marianne Dancoast” – que transportava nos seus porões garrafas de gás butano, óleo lubrificante e cabos eléctricos – foi rebocado para o porto de Vigo, pelo rebocador espanhol “Nosas”. Segundo o que foi possível apurar junto da Capitania do porto de Leixões, os seis tripulantes que foram salvos seguiram para Lisboa.
Entretanto, saliente-se que as operações de reboque do navio dinamarquês decorreram sem problemas, sendo acompanhado pelo navio de guerra português “Lagoa”, até abandonar as águas territoriais nacionais.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 10 de Outubro de 1983