quarta-feira, 7 de maio de 2014

Imagens do dia


Navios vistos no dia de ontem, 6 de Maio,
no porto de Leixões

Navio de passageiros "Arcadia",
em viagem de cruzeiro entre Cartagena e Southampton
Embarcação de pesca costeira "Viana Coentrão"
Embarcação de pesca costeira "Mestre Silva"
Navio porta-contentores "Conmar Fjord"
Embarcação de pesca costeira "Mãe Puríssima"
Arrastão de pesca costeira "Lucimar"
Lancha do serviço de pilotagem "Perlongas"
Outra imagem do navio de passageiros "Arcadia",
cuja escala em porto atraiu seguramente o interesse de muitos curiosos, devido às suas consideráveis dimensões.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Fotos da semana


Alguns dos navios vistos no decorrer da última semana
no porto de Leixões
(continuação)

Navio de passageiros "Delphin"
Em viagem de cruzeiro entre Lisboa e a Corunha
Navio de passageiros "Empress"
Em viagem de cruzeiro entre Lisboa e a Corunha
Navio de pesca costeira "Força do Mar"
Navio de passageiros "Hamburg"
Em viagem de cruzeiro entre Lisboa e a Corunha
Navio petroleiro "Korsaro"
Navio de passageiros "Voyager"
Em viagem de cruzeiro entre Cadiz e Southampton
Navio de passageiros "Le Boreal"
Entrado já hoje, dia 5, em Leixões, a realizar um cruzeiro com visita a diversos portos nacionais. Procede de Lisboa e sai com destino a Viana do Castelo.

domingo, 4 de maio de 2014

Fotos da semana


Alguns dos navios vistos no decorrer da última semana
no porto de Leixões

Embarcação de pesca costeira "Bem Aventurado"

Caça-minas inglês H.M.S."Blyth"
Corveta da Marinha portuguesa N.R.P. "João Coutinho"
Navio porta-contentores "Johanna Scheppers"
Rebocador portuário "Monte da Lapa"
Navio porta-contentores "Niledutch Gemsbok"
Navio de passageiros "Saga Pearl II"
Em viagem de cruzeiro entre Gibraltar e Dover

sexta-feira, 2 de maio de 2014

História trágico-marítima (CXXXVI)


O encalhe do navio "Penteola"

Ao sair a barra de Lisboa encalhou o petroleiro “Penteola”,
que sofreu grande rombo, mas, foi safo pouco depois
Ontem (11.1947), cerca das 22 horas, quando saía a barra de Lisboa, a caminho do Porto, o navio petroleiro da Shell “Penteola”, que não levava piloto a bordo, encalhou nas alturas de S. Julião da Barra, sofrendo grande e fundo rombo. Foi socorrido pelo barco dos pilotos “Pedro Rodrigues”, que estava perto, e que, após uma manobra habilmente dirigida pelo sota-piloto António Rodrigues Martins, conseguiu safá-lo e rebocá-lo para o Tejo, onde chegou ao começo da madrugada.
O “Penteola” era comandado pelo capitão da marinha mercante Sr. Vagos, e tinha como tripulantes, além deste, o imediato, três maquinistas, quatro marinheiros, um criado e um cozinheiro.
O navio empregava-se no transporte de petróleo e gasolina daquela companhia, entre Lisboa e os vários portos do continente. Não houve desastres pessoais. No entretanto, os prejuízos materiais são importantes.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 17 de Novembro 1947)

Foto do navio petroleiro "Penteola"
Imagem de autor desconhecido

Identificação do petroleiro “Penteola”
Armador: Companhia Shell Portuguesa – 1936 / 1951
Nº Oficial: G-375 - Iic.: C.S.C.F. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: van der Giessen, K. a/d Ijssel, Holanda, 03.1936
Arqueação: Tab 544,52 tons - Tal 259,45 tons - Pm 850 tons
Dimensões: Ff 53,03 mt - Pp 51,05 mt - Bc 8,58 mt - Ptl 3,58 mt
Propulsão: D. Hoedkoop, Jr. - 1:Di - 300 Bhp - 10 m/h
Equipagem: 11 tripulantes
Transferido para a companhia Shell na Dinamarca, em 1951, alterou inicialmente o nome para "Faero Shell". Ainda propriedade da mesma empresa mudou o nome para “Peter”, em 1956. Em 1957 foi vendido a G. Scalese, passando a usar o registo "Ela" e em 1964 pertencia à frota de Augusta Priolo, com o nome "Carlotta". Recebeu novo registo em 1967, sob propriedade de N. Thanapoulos, recebendo o nome "Agia Lavra" e em 1968 pertencia a P.C. Chrissochoidos, tendo sido rebaptizado “Rodos”. Finalmente, em 1970, foi vendido para demolição em Perama (Turquia).

O desastre do petroleiro “Penteola” foi devido ao leme
deixar de governar, à saída da barra
O petroleiro “Penteola”, da frota da Shell, que ante-ontem à noite encalhou nos rochedos da Ponte da Laje, em frente de São Julião, principiou na manhã de ontem a descarregar a gasolina e petróleo que transportava, nos depósitos que aquela companhia possui na Banática.
Não pode ainda calcular-se o valor dos prejuízos. Só depois do navio estar totalmente descarregado se saberá a quantidade de gasolina perdida, pois, ao que parece a carga de petróleo ficou intacta.
O “Penteola” transportava, para o Porto, 200 toneladas de petróleo e 300 toneladas de gasolina. Como não se verificou ainda quais os tanques que ficaram arrombados, não é possível saber se as 300 toneladas de gasolina se perderam totalmente. No entanto, os prejuízos, quer da carga, quer do próprio navio são avultados.
O desastre não se deu por motivo de nevoeiro, como se supôs a princípio, mas sim porque à saída da barra o leme do petroleiro deixou de governar. O “Penteola” encontrava-se nessa situação quando um estoque de água o atirou para cima dos rochedos. Depois de descarregado o navio dará entrada numa doca seca.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 18 de Novembro 1947)

terça-feira, 29 de abril de 2014

O N.R.P. “D. João de Castro”


O princípio e o fim…!

Navio-hidrográfico “D. João de Castro”
Sob a presidência do Chefe do Estado efectua-se no próximo dia 22, pelas 16 horas, no Arsenal do Alfeite, a cerimónia do lançamento à água do novo navio-hidrográfico que se chamará “D. João de Castro”.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 17 de Abril de 1940)

O lançamento ao Tejo do navio  “D. João de Castro”
Os Srs. Presidente do Conselho, Ministros do Comércio e Indústria e das Obras Públicas e o sub-Secretário de Estado da Guerra, foram, ontem, convidados pelo Sr. Engº. Perestrelo de Vasconcelos, Administrador do Arsenal do Alfeite, a assistir, no dia 22, ao lançamento ao Tejo, do navio “D. João de Castro”.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 18 de Abril de 1940)

Navio-hidrográfico “D. João de Castro”
Foi dirigido convite a todas as autoridades militares e civis para assistir ao lançamento à água do navio “D. João de Castro”, que se realiza do dia 22 do corrente.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 19 de Abril de 1940)

Navio-hidrográfico “D. João de Castro”
A cerimónia do lançamento à água a que assiste o Chefe do Estado
No dia 22, realiza-se, o lançamento à água do navio-hidrográfico “D. João de Castro”. Por esse motivo os navios de guerra surtos no Tejo embandeirarão em arco até ao pôr-do-sol.
A esta cerimónia assiste o Sr. Presidente da República, que embarcará no extinto Arsenal de Marinha, às 13 horas e vinte minutos, com destino ao Alfeite. À sua passagem junto dos navios de guerra ser-lhe-ão prestadas pelas respectivas guarnições as honras da ordenança. Na ocasião da entrada na água, do novo navio-hidrográfico, todos os navios de guerra surtos no Tejo darão uma salva de 21 tiros.
A guarda de honra ao Sr. Presidente da República junto à carreira do lançamento, será feita por um corpo de cadetes da Escola Normal e Corpo de Marinheiros a duas companhias, com banda e terno de clarins. Foram convidados os oficiais da Armada a assistir a esta cerimónia.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 20 de Abril de 1940)

Marinha de Guerra
Foi lançado, ontem, à água o navio "D. João de Castro”,
tendo assistido à cerimónia o Sr. Presidente da República
Com grande cerimonial, realizou-se ontem, de tarde, o lançamento à água do navio-hidrográfico “D. João de Castro”, construído nos estaleiros do novo Arsenal do Alfeite. A despeito da chuva que caiu durante a tarde, e do mau estado do rio, afluíram àquela margem inúmeras pessoas, entre as quais se notavam as famílias das centenas de operários, que ali trabalham.
À entrada do Arsenal foi prestada guarda de honra ao Sr. Presidente da República por um terço da Brigada Naval do Alfeite. Às 15 horas, forças de Polícia foram dispostas em redor da «carreira», onde se encontrava o novo navio da Marinha de Guerra, pintado de cinzento, com o escudo nacional à proa.
Ladeavam o “D. João de Castro” muitos mastros onde flutuavam bandeiras nacionais e pavilhões da Legião. Junto à proa do navio foi montado um palanque destinado ao chede do Estado, Ministros e altas patentes do Exército. A um canto desse palanque via-se, sobre um cavalete a planta do navio.
Às 16 horas chegou o Sr. Presidente da República acompanhado da sua casa militar e de sua filha Dª Cesaltina Carmona e Costa.
O Sr. General Carmona foi recebido à entrada do recinto das «carreiras» pelos Srs. Ministros da Marinha e da Educação Nacional, sub-Secretário da Guerra, das Corporações e das Obras Públicas, Almirantes Mata e Oliveira, Major-general da Armada, Sarmento Saavedra, Mendes Cabeçadas e Tito de Morais; General Morais Sarmento, Major-general do Exército; adidos militares inglês, italiano e alemão, Engenheiro Perestrelo de Vasconcelos, Administrador do Arsenal do Alfeite; Almirante-engenheiro Haghill, Director Técnico; Dr. Pereira Coutinho, Director Comercial e muitas outras personalidades oficiais, altas patentes e convidados.
Foram prestadas honras e continência ao Chefe de Estado pelas forças da Marinha dispostas junto do recinto, havendo o Sr. General Carmona passado revista à força de Marinha e alunos da Escola Naval.
Uma vez o Sr. Presidente da República na sua tribuna, o Prior de Almada deu a bênção ao navio, do qual foi madrinha a filha do Chede do Estado, Srª. Dª. Cesaltina Carmona e Costa.
Com o cerimonial do costume, e ao som de marchas de guerra, e silvos de navios, o novo navio da esquadra portuguesa começou a deslizar lentamente, e entrou no rio com normalidade.
Depois da cerimónia do lançamento do navio ao mar, o Sr. Presidente da República condecorou com o grau de Cavaleiro de Mérito Industrial, os operários do Arsenal, Manuel Pais Baptista, Luiz Manuel da Costa e Rodrigues Pereira.
O Sr. Director do Arsenal ofereceu à madrinha do “D. João de Castro” um lindo ramo de flores. E logo após a cerimónia do protocolo, o Chefe do Estado retirou-se para Lisboa.
(In jornal ”Comércio do Porto”, terça, 23 de Abril de 1940)

Imagem do navio-hidrográfico “D. João de Castro”
Foto-postal da Marinha de Guerra Portuguesa

Identificação do navio “D, João de Castro”
Nº Oficial: N/ tem - Iic.: C.T.A.J. - Porto de Armamento: Lisboa
Arqueação: Tab 879,55 tons - Tal 221,35 tons
Deslocamento: Std 1.044 to - Normal 1.033 to - Max. 1.330 to
Dimensões: Pp 63,00 mts - Boca 10,00 mts - Pontal 5,25 mts

O navio-hidrográfico “D. João de Castro” considera-se perdido
O contra-torpedeiro “Vouga” seguiu, para o local do sinistro
O navio-hidrográfico “D. João de Castro”, uma das nossas mais recentes unidades navais, encalhou, ante-ontem, ficando em posição muito difícil, no litoral da ilha de Santo Antão, no arquipélago de Cabo Verde, no local designado «Janela», junto do porto aberto a Nordeste da mesma ilha, com aquele nome. O desastre verificou-se quando o navio procedia a trabalhos da sua especialidade, que na generalidade são muito arriscados.
O navio, comandando pelo Sr. Capitão-tenente Augusto Vasconcelos de Sousa, técnico distinto e dos mais competentes oficiais da nossa Marinha de Guerra, encontrava-se naquele arquipélago em funções de levantamento da costa. Sobre o regresso da tripulação ao Continente nada foi ainda determinado concretamente.
Tudo leva a crer que o “D. João de Castro”, dada a má situação em que ficou, só com muita felicidade se salvaria. Novas informações recebidas no Ministério da Marinha, levam à conclusão de que, infelizmente, o navio-hidrográfico se encontra perdido, estando a tripulação a proceder ao maior número de salvados de bordo.
Às 14 horas e quinze minutos de ontem largou do Tejo, com destino às águas de Cabo Verde, o contra-torpedeiro “Vouga”, que segue para o local a fim de prestar a necessária assistência.
Confirma-se que não há desastres pessoais, encontrando-se a tripulação recolhida em casas particulares, em S. Vicente, depois de ter sido conduzida a bordo dos rebocadores, que desde logo seguiram para o local do sinistro. Constituem a guarnição, cerca de 80 tripulantes, oficiais, sargentos e praças.
O “D. João de Castro” foi construído no Arsenal do Alfeite – o primeiro navio a sair daqueles novos estaleiros. A sua quilha foi assente em 29 de Março de 1939 e o seu lançamento à água, com a presença do Sr. Presidente da República e de membros do Governo, verificou-se num dia tempestuoso: 22 de Abril de 1940. Terminada a sua construção, o “D. João de Castro” foi solenemente incorporado ao efectivo da Armada, no dia 20 de Fevereiro de 1941. O seu primeiro serviço foi o levantamento hidrográfico dos fundos numa parte da zona do arquipélago dos Açores, após o que regressou ao Tejo para proceder a reparações nas máquinas, as quais nunca imprimiram ao navio a força prevista no contrato de fornecimento, facto que chegou a ser levado às barras dos tribunais.
O “D. João de Castro” deslocava 1.140 toneladas, mede 67 metros de comprimento, por 10 de largura e 2,90 metros de pontal, tinha a velocidade de 13,5 nós, máquinas com a força prevista de 1.400 Hp; um raio de acção de 5.000 milhas a 10 nós; duas hélices, capacidade para 220 toneladas de nafta e uma equipagem constituída por 9 oficiais e 88 sargentos e marinheiros. O navio podia ser dotado de um pequeno hidro-avião, para cooperar nos trabalhos de levantamentos hidrográficos.
A sua construção no Arsenal do Alfeite foi assinalada pela cunhagem de uma artística medalha, comemorativa, precisamente, da entrega do primeiro navio construído naquele Arsenal.
O “D. João de Castro” custou 17.600 contos e foi autor do seu projecto o Sr. Capitão-de-fragata engenheiro construtor naval Vasco Taborda Ferreira.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 4 de Outubro de 1947)

O navio-hidrográfico “D. João de Castro”
considera-se definitivamente perdido
Apesar de todos os esforços no sentido de ser conseguido o salvamento do navio-hidrográfico “D. João de Castro”, nos quais chegou a haver grandes esperanças de êxito, foi reconhecido finalmente, no decorrer dos trabalhos de conjunto que, nesse sentido, estavam a realizar-se no local do encalhe, ser impossível pôr aquela unidade a flutuar, a fim de a rebocar, depois, para um porto de reparação.
As avarias eram graves e tornou-se infrutífera a tarefa que, com o maior interesse, estava a ser levada a efeito para safar o navio. Entretanto, continuam a proceder aos salvados de bordo, tendo sido recolhido lá muito material.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 20 de Outubro 1947)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O rebocador “Monsanto” da Companhia Colonial


A chegada do rebocador “Monsanto” a Lisboa

Chegou ontem ao Tejo o primeiro navio de salvação
com que é dotada a Marinha Mercante portuguesa
Vindo dos Estados Unidos onde foi adquirido pela Companhia Colonial de Navegação, entrou ontem de manhã no Tejo o navio de salvação “Monsanto”, grande barco na sua classe, pois desloca 1.700 toneladas e mede 44 metros de comprimento, além de dispor de toda a aparelhagem moderna para reboques no alto-mar e serviços de salvamento.

Foto do rebocador “Monsanto” em Lisboa
Imagem da photoship.uk

Identificação do rebocador "Monsanto"
Nº Oficial: G-494 - Iic.: C.S.T.J. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: Levingston Shipbuilding, Orange, Texas, E.U., 1942
ex H.M.S. “Favourite”, Marinha de Guerra Inglesa, 1942-1946
ex “Eugene F. Moran”, Moran Towing Corp., N.Y., 1946-1947
Arqueação: Tab 613,32 tons - Tal 181,98 tons
Dimensões: Ff 44,25 mt - Pp 41,65 mt - Bc 10,08 mt - Ptl 4,46 mt
Propulsão: General Motors, 2:Di - 12:Ci - 1.900 Bhp
Equipagem: 14 tripulantes (max.)

Trata-se de uma unidade de proa alterosa, capaz de arrostar com qualquer tempo e cuja força de motores que lhe permitia, quando em serviço na Armada americana, dar reboque, no alto-mar, a couraçados de 40.000 toneladas.

Fotos dos rebocadores "Mafra" e "Mutela", em Lisboa
Imagens de autor desconhecido

Construído apenas há cinco anos, o “Monsanto”, que foi trazido por pessoal americano, com o capitão José da Silva Peixe, como representante da C.C.N., tem alojamentos para uma tripulação de 40 homens. Com o “Monsanto” vieram também dois rebocadores para tráfego costeiro – o “Mafra” e o “Mutela” – de 200 toneladas, cada um, adquiridos igualmente pela Companhia Colonial de Navegação para os seus serviços.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 11 de Outubro 1947)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O paquete “Pátria” da Companhia Colonial


A chegada do paquete “Pátria” a Lisboa
2ª Parte

Desenho parcial do paquete "Pátria" incluído no
livro «Vinte e cinco anos ao serviço da Nação»

O paquete “Pátria” passará amanhã à vista de Leixões
Por um radiograma expedido de bordo do paquete “Pátria”, na sua viagem de Glasgow para Lisboa, chegou a informação que todos os passageiros seguem bem e saúdam as suas famílias.
O “Pátria” passará, amanhã, a caminho de Lisboa, o mais próximo possível de Leixões e da Foz do Douro, pelas 16 horas, em saudação ao Porto.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 30 de Dezembro 1948)

Ao passar em frente de Leixões o “Pátria”, símbolo da nova
frota que surge, saudou a população do norte, aproando à
terra e apitando festivamente
Um rebocador da Administração dos Portos correspondeu à
saudação, tendo sobrevoado o elegante paquete, um aparelho
da aviação civil.
Foi de contagiante alvoroço a tarde de ontem, em muitos pontos da costa do Norte. Sabedoras de que o “Pátria” passaria à vista de Leixões, centenas de pessoas afluíram, ali, para verem o novo e elegante navio, mandado construir pela Companhia Colonial de Navegação nos famosos estaleiros de John Brown, em Clydebank, na Escócia. Na Boa Nova, em Leixões, no Castelo do Queijo e na praia do Molhe, à Foz do Douro houve, portanto, movimento desusado, vendo-se entre os curiosos numerosas pessoas de representação.
Passava das 15 horas quando, ao Norte, começou a desenhar-se nítida, precisa, a forma dum paquete enorme, enquanto dezenas, centenas de bocas gritaram.
- É ele, o “Pátria”!
Era, de facto, o “Pátria”, símbolo duma nova frota que surge. Toda a gente se impacientou, vivendo esse momento magnífico da aproximação da nova unidade. Os que estavam munidos com binóculos sorriam-se, passando-os a quem os não tinha. Dir-se-ia que o júbilo que os tomara devia ser compartilhado por todos.
Foi assim que, do Castelo do Queijo – onde estavam, também, alguns oficiais da guarnição militar do Porto – a imprensa viu o majestoso navio, quando passava, talvez, em frente da memória do Mindelo ou da Boa Nova.
Navegando lenta, suavemente, o “Pátria” aproximava-se de Leixões, distinguindo-se cada vez melhor. Pouco depois, as suas linhas precisando-se ainda mais parando em frente de Leixões e apitando, jubilosa, festivamente, em frente do porto. Um rebocador da Administração dos Portos, que saíra a barra, correspondeu, repetida, estridentemente, à saudação, enquanto o “Pátria”, virando de bordo aproava a terra, dando a volta depois, para o Sul. Na ocasião, vindo do aeródromo de Pedras Rubras, um aparelho da aviação civil sobrevoou uma, duas, três vezes o novo navio da Companhia Colonial de Navegação, de cuja chaminé se desprendia densa fumarada.
Algumas traineiras, que passavam perto, saudaram, também, a nova unidade, que, pouco depois, se sumia no horizonte, enquanto na praia do Molhe, à Foz do Douro, e no Castelo do Queijo, centenas de lenços se agitavam ainda…

A passagem do ano a bordo do novo paquete
À passagem do “Pátria” em frente de Leixões e da Foz do Douro os passageiros do paquete subiram à ponte de comando para admirar a beira-mar, resplandecente ao sol da tarde. Causou excelente impressão a presença de traineiras repletas de gente, que acenava com lenços.
Um avião civil, com as suas evoluções, provocou entusiasmo vibrante. Enquanto o “Pátria” saudava a capital do Norte com repetidos silvos, acenava-se com lenços, comovidamente. O tempo esteve maravilhoso e propício à passagem em frente do porto, tendo o paquete abrandado a marcha para poder ser admirado por todos. À noite houve uma festa de gala a bordo, com ceia à americana seguindo-se um baile e, também, um recital poético com sentido humorístico.
Amanhã de manhã, o paquete atracará ao porto de Lisboa, sendo visitado pelo Ministro da Marinha e pelo elemento oficial. A passagem do ano foi pretexto para saudações efusivas à Companhia Colonial de Navegação, especialmente ao sr. Bernardino Correia. As famílias dos passageiros e os tripulantes foram saudados com emoção e saudade. (a) Hugo Rocha
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 1 de Janeiro de 1948)

O novo paquete “Pátria” deve chegar hoje a Lisboa
É esperado hoje às 10 horas, o novo paquete “Pátria”, mandado construir pela Companhia Colonial de Navegação em Inglaterra. Não se sabe, em definitivo onde o navio irá atracar, mas está determinado que, às 9 horas, sairão três rebocadores da Rocha do Conde de Óbidos, transportando jornalistas e fotógrafos, acompanhados do sr. Joaquim Raposo, funcionário da C.C.N., membros da direcção da mesma Companhia e ainda familiares dos tripulantes.
A bordo não haverá cerimónias especiais, nem se efectuará a visita de qualquer elemento oficial, pois o “Pátria” necessita ainda de receber alguns complementos na sua decoração, antes de ser dado por acabado. Só então os membros do governo serão convidados a visitar a nova e elegante unidade da nossa frota mercante, reservando-se a entrada, hoje, às famílias dos passageiros que foram a Glasgow assistir à cerimónia da entrega do “Pátria”.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 1 de Janeiro de 1948)

Chegou ante-ontem ao Tejo o “Pátria”,
que foi visitado por membros do Governo
O novo paquete “Pátria”, da Companhia Colonial de Navegação, saído no Domingo de Glasgow, chegou ante-ontem ao Tejo, acompanhado do navio de carga “Lunda”, também da frota da mesma Companhia.
Às 8 horas, os dois navios embandeirados em arco e, uma hora depois, suspendiam ferro e começavam a navegar rio acima. Rebocadores apinhados de gente e embandeirados vinham rio abaixo ao encontro do “Pátria” e do “Lunda” em vistoso cortejo. Em frente de Belém acostou ao “Pátria” o rebocador “Oceania”, da C.C.N., a bordo do qual vinham membros do Governo e outras personalidades oficiais. Os navios abrandaram marcha. O “Oceania” acostou ao “Pátria” por cuja escada de portaló subiram então para bordo do paquete os Ministros da Marinha, das Finanças e da Justiça e os sub-secretários de Estado das Colónias e do Comércio e Indústria.
Ao portaló, esperava-os o sr. Bernardino Correia, acompanhado pelos srs. Dr. Bustorff Silva, Engº. Barbosa Braga e Dr. Soares da Fonseca, respectivamente presidentes da Assembleia Geral, do Conselho Fiscal e delegado do Governo junto da Companhia Colonial.
No momento em que o sr. Comandante Américo Tomaz entrou no primeiro «deck» e apertou efusivamente a mão ao presidente da Colonial, ouviram-se a bordo os acordes da «Maria da Fonte», enquanto se sucediam os cumprimentos aos outros membros do Governo. Subiram também a bordo o sr. Comandante Henrique Tenreiro, o Comandante da Polícia Marítima, o oficial-adjunto da Capitania do porto, o Director Geral das Alfândegas, o Vice-presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, etc.
O “Pátria”, à frente de um longo cortejo de embarcações, retomou então a marcha rio acima, enquanto os membros do Governo subiam para a ponte de comando. Pelas 10 horas, a mancha clara e imponente do maior e mais moderno paquete português destacava-se diante da Praça do Comércio, onde centenas de pessoas admiravam o belo espectáculo nesta manhã festiva de Ano Novo.
Nesse momento subiam nos mastros do aviso “Pedro Nunes”, navio-chefe da esquadra, bandeiras de sinais que significavam «Seja benvindo!», saudação que o “Pátria” imediatamente agradeceu, enquanto muitas sereias de rebocadores silvavam com intermitências. O «cláxon» grave do paquete respondia com séries de três roncos prolongados, que repercutiam seus ecos pelas colinas da cidade.
Entretanto, os membros do Governo davam começo a uma rápida visita ao “Pátria” e percorriam os salões de música e de jantar e o bar da 1ª. classe, as instalações das classes turística e terceira, a casa da máquina e outras dependências, em especial a ampla e bem apetrechada enfermaria. Estiveram depois num camarote de luxo e num camarote de casal, cuja disposição e mobiliário lhes mereceram, como todas as outras instalações, as mais calorosas referências.
O “Pátria” lançou ferro, pelas 11 horas, em frente da Praça do Comércio. No salão de música foi servida uma taça de champanhe. Estavam presentes todos os convidados para a primeira viagem do navio e as entidades que tinham entrado a bordo pouco antes, entre as quais os administradores da C.C.N., srs. Dr. Domingos de Meneses, Raul Vieira, Major Raposo Pessoa e o Dr. João do Amaral; os membros do Conselho Fiscal, srs. Engº. Duarte do Amaral e D. Nuno da Câmara, etc.
O sr. Bernardino Correia, usando da palavra, disse que a aquisição do “Pátria” era um facto de importância sem precedentes na História da Marinha Mercante Nacional, e que ele era devido graças ao plano do Ministro da Marinha e à intervenção do Ministro das Finanças, ambos ali presentes. Afirmou que a Companhia Colonial de Navegação se empenharia por bem cumprir a sua missão e porque assim será e porque a chegada do “Pátria” precede por largos meses a de outros iguais desejaria que lhe fosse reconhecido o esforço desenvolvido e o desejo de bem cumprir. E terminou agradecendo àqueles membros do Governo a grande realização que estão a levar a efeito e, a todos, a visita que acabavam de fazer.
Em seu nome e no do Ministro das Finanças, o Comandante Américo Tomaz agradeceu, por seu turno, as palavras de Bernardino Correia e felicitou-o pela magnífica aquisição do novo navio, reservando-se para se referir mais tarde ao significado do acontecimento. Nesse momento apenas apresentava à Companhia os seus cumprimentos. E com uma taça de champanhe trocaram-se brindes pelo êxito do novo paquete.
Os ministros e outros visitantes regressaram a terra seguidamente. O navio ficou fundeado durante algumas horas em frente ao Terreiro do Paço, onde foi admirado, durante o dia, por centenas de pessoas.

A festa da passagem de ano a bordo do “Pátria”
A bordo do “Pátria”, realizou-se, na noite de São Silvestre, uma festa para solenizar o termo da primeira viagem daquele novo paquete e a passagem do ano. Às 22 horas e meia, começou a ser servida, na luxuosa sala de jantar da primeira classe, a ceia de gala, a que assistiram todos os passageiros, convidados da Companhia Colonial de Navegação, o Comandante e a oficialidade do “Pátria”. À meia-noite, ao som do Hino Nacional, com a sereia de bordo a silvar, todos ergueram as suas taças, comovidamente, pela Pátria, pela Marinha Mercante Nacional, pelo paquete que inaugurava a sua actividade e pela C.C.N.
O sr. Bernardino Correia, Presidente do Conselho de Administração, a quem todos os convivas, afectuosamente, saudaram, discursou em primeiro lugar, para saudar os seus convidados e companheiros de viagem e acentuar o significado desta para a C.C.N. e para a nossa marinha mercante. Foi muito aplaudido, seguindo-se-lhe, no estrado, o rev. Moreira das Neves, chefe de redacção das “Novidades”, que proferiu uma alocução em nome da Imprensa de Lisboa, o sr. Engº. Quintela Saldanha, que falou pelos convidados em geral, e o sr. Carlos Ribeiro, Chefe dos serviços externos da Emissora Nacional, que brindou pela C.C.N., em nome desta. O nosso colega na Imprensa sr. Maurício de Oliveira, Chefe dos serviços de propaganda da C.C.N., leu telegramas de saudação recebidos de Lisboa.
Seguiu-se um animado baile, durante o qual, bem como durante a ceia, se jogaram serpentinas, o que, com os vestidos de noite das senhoras e os trajes de cerimónia dos homens, deu à festa um aspecto extremamente agradável à vista.
A última parte da festa foi constituída por um recital de poesias várias de sentido humorístico, sob o título geral de «Perfis à la minute», compostas e lidas pelo nosso colega Hugo Rocha, que antes, em breves palavras, apresentou, também, as cordiais saudações da Imprensa do Porto. As poesias, cerca de trinta, visavam, em forma de caricatura em verso, as figuras de quase todos os passageiros-convidados, incluindo todos os jornalistas, começando pela figura adorável do Chiquinho, afilhado de Bernardino Correia, e acabando pela figura prestigiosa do próprio Presidente do Conselho de Administração da C.C.N.
Carlos Ribeiro, após a leitura de cada poema, que provocava as gargalhadas de todos, procedia ao leilão do respectivo original, autografado pelo autor. Esse leilão com muita «verve», por aquele locutor, rendeu cerca de seis mil e quinhentos escudos, quantia que o sr. Bernardino Correia aumentou para dez contos e que, por iniciativa do nosso colega Hugo Rocha entusiasticamente aplaudida, se destinou ao pessoal do “Pátria”, que, durante a viagem, serviu, diligentemente os passageiros-convidados. Esta parte da festa durou cerca de duas horas e teve, também, os calorosos aplausos dos assistentes.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 3 de Janeiro de 1948)