sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Memórias dum passado recente!... (1)


A canhoneira “Chaimite”

Foto da canhoneira "Chaimite"
Imagem de autor desconhecido

Lisboa, 14 de Novembro – Pela comissão de Subscrição Nacional foi hoje entregue ao governo a canhoneira “Chaimite”, atracada à ponte do Arsenal.
Assistiram à posse o srs. Ministro da Marinha e Conde de S. Januário, que dirigiu uma saudação ao sr. Eduardo Vilaça; este leu um discurso agradecendo em nome do governo. Em seguida foi servido um «lunch» oferecido pelo sr. Marquês da Praia e de Monforte, e após ele os membros da comissão entregaram ao sr. Vilaça no gabinete deste Ministro o busto de Camões e o projeto da “Chaimite”, que vão ser oferecidos e depositados no Museu da Escola Naval.
Quando a “Chaimite” içou a flamula respectiva, os navios de guerra salvaram com 21 tiros. Depois da leitura da mensagem e do discurso do sr. Vilaça, o sr. Conde de S. Januário levantou um viva à Marinha e o sr. Ministro um outro aos iniciadores da subscrição nacional, saudações que foram correspondidas com entusiasmo.
Seguidamente foi dado o comando da canhoneira ao 1º Tenente sr. Sousa Faro, pelo sr. Ministro da Marinha, que fez nesse momento um discurso de incitamento e louvor àquele oficial.
A “Chaimite” segue brevemente para Moçambique.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 15 de Novembro de 1898)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

História trágico-marítima (CXIX)


O naufrágio do galeão a vapor “Salvador”

Naufrágio de um lugre (!) – Os tripulantes foram salvos
Hoje (26.06.1936), pelas 8 horas da manhã, naufragou à entrada da barra Faro-Olhão o lugre “Salvador”, que tinha a tripulação de 103 homens, salvos pelo cerco “Mouzinho”, que prontamente acorreu ao local.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 27 de Junho de 1836)

Traineira a vapor "Infante de Sagres"
Imagem Fotomar, Matosinhos

Identificação do galeão a vapor “Salvador”
Armador: Empresa de Pesca Olhanense, Lda., Olhão
Construtor: Desconhecido, em Espanha
Arqueação: Tab 51,79 tons - Tal 23,31 tons
Dimensões: Pp 19,53 mts - Boca 5,50 mts - Pontal 1,97 mts
Equipagem: 103 tripulantes e pescadores

O termo galeão identifica uma embarcação de pesca, semelhante à traineira reproduzida acima, que pela sua idade de operação ainda dispunha de propulsão a vapor. A grande quantidade de tripulantes e pescadores a bordo indicia poder tratar-se de barco a operar na pesca do atum, actividade muito comum por toda a costa algarvia.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Pesca do bacalhau


Retratos vianenses!

Imagem do lugre "Gaspar"
Foto de autor desconhecido

Viana do Castelo, 27 – Mar agitadíssimo, ontem (26), na barra. Quase maré feita avistam-se ao largo dois lugres: o “Gaspar e o “Brilhante”, que nos seus porões conduzem o resultado da pesca, que fizeram nos bancos da Terra Nova durante seis longos meses. Em terra, a corporação de pilotos prepara-se para, nas catraias e no gasolina se colocar na boca da barra a fim de, com sinais, indicar a entrada dos navios, que avançam.
De sobre os cais e em pontos altos, muitas pessoas assistem ao grandioso espectáculo que lhes proporciona o mar embravecido, a abrir as suas faces, parecendo querer tragá-los, fugindo, impelidos pelo vento, à sua fúria. O “Gaspar” adianta-se e o “Brilhante” fica-se a perder de vista, parecendo não poder puxar devido a qualquer avaria na mezena.
Do semáforo fazem sinais que do “Gaspar” dizem não distinguir; mas o soberbo veleiro, como que a envaidecer-se da sua marcha, vem garimpando e toma as marcas da barra, como se a bordo viesse o mais experimentado prático. É que o seu arrojado comandante, o sr. Manuel Mendes, bravo e sabedor marinheiro, sempre que entra no porto, toma tento que não desperdiça para dele fazer uso nas ocasiões difíceis, em que o mar, umas vezes brincalhão e outras desleal e cobarde, lhe queira pregar partida. E assim, altivamente, velas enfunadas, a dois rizes, o lindo lugre, umas vezes cortando as vagas, outras vezes por elas varrido de proa à popa, entrou a barra e foi ancorar no Cabedelo, onde se encontra.
No mar ficou o “Brilhante” que, mais tarde, se fez ao largo, visto a noite parecer apresentar-se de mau cariz, como, efectivamente se apresentou, soprando vento rijo e trovejando fortemente. Às 9 da noite ainda foram vistos os seus faróis.
A chuva causou enxurradas. A violência do temporal fez cair o tapamento que separava o recinto da doca de uma cordoaria, que lhe fica adjunta, esgalhou árvores, partiu beirais dos telhados, claraboias e vidraças e escangalhou a barraca de um fotógrafo ambulante, que tinha assentado arraiais na Nova Avenida. No auge da tempestade pareceu que a terra estremecia e, segundo algumas pessoas esse tremor teria mesmo sido ocasionado por um abalo de terra.
Hoje, logo de manhã, mulheres do bairro piscatório e alguns pescadores foram para o alto da Senhora da Conceição da Rocha ver se no mar se divisava o lugre “Brilhante” que, na opinião dos entendidos, deve ter amarado o mais possível. Até agora ainda não apareceu. É provável que arribasse a qualquer porto espanhol.
A bordo do “Gaspar” vem um pescador do lugre “Esposende 3º”, de Caminha, que foi encontrado num dóri, no dia 21 de Agosto. Tinha uma grande ferida no pulso esquerdo, de muito mau aspecto, e que lhe ia contaminando o braço. O capitão do “Gaspar”, sr. Mendes tratou-o carinhosamente. Parece incrível que se deixe ir para o mar, a bordo de um destes navios, um homem no estado como foi encontrado o pobre pescador.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 28 de Outubro de 1923)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

História trágico-marítima (CXVIII)


O naufrágio do lugre “Portuense”

Este navio durante a sua existência, enquanto matriculado no país, participou sempre, ano após ano, nas campanhas de pesca do bacalhau. Era um lugre de três mastros, proa de beque, popa elíptica, com um pavimento. Em 1919, aquando da mudança de proprietários, i.e. da Parceria de Pescaria Portuense, para a Empresa de Pesca e Navegação Portugal e Américas, ambas com sede no Porto, sofreu diversas alterações resultantes de trabalhos de manutenção e modernização.

Identificação do lugre “Portuense”
Armador: Empr. Pesca Portugal e Américas, Porto, 1919-1923
Nº Oficial: A-139 - Iic.: H.C.V.L. - Porto de registo: Porto
Cttor.: Hodgdon Brothers, East Boothbay, Maine, E.U., 06-1889
ex “Lillian Woodruff”, Miller, B. & Knowlton, Lamoine, 1889-1910
ex “Portuense”, Parceria Pescaria Portuense, Porto, 1910-1919
Arqueação: Tab 266,95 tons - Tal 193,10 tons
Dimensões: Pp 43,33 mts - Boca 9,21 mts - Pontal 3,35 mts
Propulsão: À vela
Equipagem: 40 tripulantes e pescadores
Capitães embarcados: Manuel Mendes (1910 a 1912), Henrique Gonçalves Vilão (1913 e 1914), José Simões Vagos (1915), Joaquim de Oliveira da Velha (1916), Fernando Augusto Ferreira (1917), Luís Teiga (1918), Domingos Nunes (1919), Henrique Gonçalves Vilão (1920) e José Simões Vagos (1922)

Segundo informação recebida ontem (18.10.1923), o lugre “Portuense” desarvorou, a 200 milhas a oeste da ilha do Faial, soçobrando, quando em viagem dos bancos da Terra Nova, da pesca do bacalhau, para o Porto. O lugre, apanhando forte temporal, ficou com água aberta e sem um mastro.
Segundo as praxes do «Lloyd’s», a tripulação, ao abandonar o navio, lançou-lhe o fogo. A sua tripulação, composta de 40 homens, foi recolhida a bordo do vapor italiano “President Wilson”.

O vapor italiano "President Wilson" da Consulich Line
Postal do consignatário do navio no porto de Nova York

O “Portuense” que pertence à Empresa de Pesca e Navegação Portugal e Américas, da cidade do Porto, era de 267 toneladas de registo, tendo sido construído no ano de 1889 em Boothbay, Maine, na América do Norte, com o nome de “Lilian Woodruff”. Era seu principal representante no Porto, o sr. Francisco Estêvão Soares. O “Portuense” empregava-se na pesca do bacalhau há 13 anos.
Sobre o naufrágio há ainda a acrescentar o seguinte telegrama:
Gibraltar, 18 – O vapor “President Wilson”, procedente de Trieste, salvou, nas vizinhanças dos Açores a tripulação de um lugre, que foi afundado, com incêndio.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 19 de Outubro de 1923)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Apanhados!


Arrastão costeiro apresado ao largo de Ovar

Na tarde de ontem (04.09.1980), o navio patrulha da Armada P1147 - N.R.P. “Zambeze”, apresou ao largo de Ovar o arrastão aveirense “Ria Mar”, das Pescarias Beira Litoral. O arrastão ficou detido na lota de Aveiro, com todos os apetrechos, aguardando o julgamento do mestre e do responsável pela gerência da empresa armadora.

Imagem do navio-patrulha "Zambeze"
Foto de autor desconhecido - colecção do navio

«Andávamos na linha das 4,7 milhas da costa. Sabíamos que é proibido, claro que sabíamos, mas o peixe lá fora é pouco e de vez em quando arriscamo-nos, e foi o que nos aconteceu agora. Andavam lá mais barcos, mas só nós é que fomos apanhados. Os outros escaparam-se» - comentava o mestre João Manuel, de 35 anos. E mais disse: «Nunca me assentei com o ”cu” no mocho. Agora vamos lá ver como é. Antes quero ir para a cadeia do que pagar a multa».
Salientou ainda que traziam apenas uns 800 quilos. «Entregamo-nos, pois não havíamos de nos entregar! Eles trazem material com que matar pardais e nós trazemos apenas as redes, as armas do nosso trabalho», desabafou.

Imagem do arrastão costeiro "Ria Mar"
Foto de Luís Miguel Correia

Entretanto, o administrador da empresa, Óscar Lopes, que lamentava o caso, frisou: «Não os mandamos pescar na zona proibida, mas como eles ganham à percentagem arriscam-se. Lá fora há pouco peixe e eles não querem vir para terra sem nada. É o seu ganha-pão, entenda-se! Agora sujeitamo-nos à multa e ao que vier. Os prejuízos – sublinhou – são grandes. Cada dia que o barco está parado anda por uns 70 contos. Espero que fique apreendido por poucos dias».
Por sua vez o Patrão-mor da Capitania de Aveiro, disse que a multa ou prisão depende de muitas condicionantes. «O tribunal é que há-de decidir, mas julgo que amanhã (leia-se hoje) o caso ficará resolvido e o barco possa voltar logo para o mar».
(In jornal “Comércio do Porto”, de 5 de Setembro de 1980)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Curiosidades


Um avião inglês caiu sobre a proa do "Normandie"!

A proa do "Normandie" - cenário do sinistro

Londres, 22 – A Associação de imprensa inglesa informa que um avião bombardeiro, da base aeródromo de Gosport, chocou com a proa do “Normandie”. Este regressava de Nova York e vários hidroaviões voavam perto dele, quando um deles tocou no cordame do mastro de vante e caiu sobre a proa. De acordo com uma testemunha que presenciou o desastre, o aparelho caiu de tal maneira que pareceu ter feito uma aterragem perfeita.
O piloto do aparelho, que sofreu apenas um ligeiro choque, largou imediatamente o navio a fim de participar o acidente no depósito, e o “Normandie” partiu para o Havre levando o avião a bordo, que tem a estrutura inferior seriamente danificada. O aparelho será desembarcado quando proximamente o vapor passar em Southampton.

A versão do acidente segundo o comandante do “Normandie”
Londres, 22 – Acaba de ser difundida pela rádio a versão dada pelo comandante do “Normandie” ao representante do jornal Evening News, da queda dum avião militar britânico sobre a proa do grande transatlântico:
«Às 11 horas e quinze minutos encontrava-me na ponte, vigiando a descarga de automóveis, quando avistei, voando baixo, um avião militar britânico. Deu duas ou três voltas ao navio e, finalmente, passou por sobre a chaminé de vante. Não deve ter ocorrido ao piloto que os gases quentes da chaminé originam a formação, no espaço, dos chamados poços de ar.
Apesar dos esforços do piloto, o aparelho capotou e, com um choque formidável, foi despedaçar as asas de encontro ao guindaste que serve para a descarga dos automóveis. Como a ponte estava cheia de tripulantes, temi, a princípio, que tivesse havido carnificina, o que, felizmente, não aconteceu.
A violência da queda ultrapassa tudo quanto se possa imaginar. O avião caiu como uma pedra, destacando-se a fuselagem, que ficou feita em pedaços, junto ao mastro de vante. Um dos oficiais de bordo precipitou-se, em socorro do piloto. Este, um jovem oficial, saiu meio aturdido da carlinga e as suas primeiras palavras foram: esta história aflige-me a valer.
Conduzido ao meu gabinete, perguntou-me o que ia ser feito do avião. Respondi-lhe que não podia perder tempo e atrasar o navio, para o descarregar e que, por isso, o avião seguiria a bordo até ao Havre. Então, depois de declinar a sua identidade, dizendo ser o tenente Horsey, pediu para desembarcar e seguiu para terra imediatamente.»
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 23 de Junho de 1936)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

História trágico-marítima (CXVII)


O naufrágio do navio "Ada Ferrer"

Na manhã de ontem (3 de Outubro de 1973), o cargueiro espanhol “Ada Ferrer”, que transportava um carregamento de 400 toneladas de sal para o porto de Villagarcia de Arosa, encalhou ao largo da praia de S. Bartolomeu do Mar – Esposende, tendo-se salvo os seus oito tripulantes.

Imagem do navio “Ada Ferrer” no porto de Santander
Foto de T. Diedrich/ shipspotter.es

Naufrágio no mar de Esposende
Esposende, 3 – Na madrugada de hoje, cerca das 6 horas e quinze minutos, chovia com certa intensidade, o mar estava calmo, e não havia nevoeiro. Àquela hora, o pequeno cargueiro espanhol “Ada Ferrer”, da Empresa Federico Ferrer, de Madrid, proveniente do Porto de Santa Maria, Cadiz, em viagem para o de Villagarcia de Arosa, quando navegava no mar de Esposende, mais precisamente em frente à praia de S. Bartolomeu do Mar, encalhou numas rochas xistosas existentes no sítio do Lontreiro, rochas essas que são como que a continuação dos «Cavalos de Fão», a cerca de cem metros da praia.
Logo que o capitão da pequena embarcação - de 500 toneladas -, sr. Balbino Alonso Paredes, de 41 anos, casado, natural de Moanha, Espanha, se apercebeu do sucedido, tentou, pelos seus próprios meios, safar o navio, mas estas tentativas resultaram infrutíferas, pelo que, utilizando a buzina de bordo, fizeram repetidos toques a pedir socorro. Estes foram ouvidos, pouco depois, pelo pessoal do posto da Guarda-Fiscal de S. Bartolomeu do Mar, que logo providenciaram para que fossem prestados socorros ao navio em perigo.

O salvamento dos náufragos por duas embarcações
da Apúlia e de Esposende
Entretanto, o barco de pesca “Novo João José IIº”, da Apúlia, cujo mestre é o sr. Norberto de Oliveira Gonçalves André, e a motora “1º de Abril”, de Esposende, de que é arrais o sr. José Pinho de Jesus Nibra, ouvindo os repetidos toques acorreram em direcção ao cargueiro, tendo encontrado os oito tripulantes do navio encalhado num barco pneumático, acabando por recolher aqueles a bordo das duas embarcações, transportando-os, de seguida, para o posto de socorros a náufragos de Esposende.
Por sua vez, deslocaram-se à praia de S. Bartolomeu do Mar os Bombeiros Voluntários locais, alertados – como acima se refere – pela Guarda-Fiscal, com duas viaturas apetrechadas com equipamento para socorros a náufragos, tal como o salva-vidas de Esposende, porém, em ambos os casos os seus serviços não foram necessários, por os tripulantes do navio encalhado já terem sido conduzidos para terra.

As possíveis causas do encalhe
Nas declarações que prestou na Delegação Marítima de Esposende, o capitão do navio naufragado atribuiu o encalhe ao facto de julgar estar perto de Leixões e ter confundido o farol de Montedor com aquele, e assim ter-se aproximado de terra ao pensar poder tratar-se do farol que antecede o de Leixões. De notar que o farol de Montedor é rotativo e o de Leixões é «pisca-pisca».
Por sua vez, o comandante entrou em contacto com a empresa armadora do navio para ser tentada uma eventual operação de desencalhe do mesmo. Porém, o desencalhe apresenta-se difícil em virtude do navio estar encravado na rocha viva e com a proa voltada na direcção norte-nordeste. Assim, há poucas esperanças de salvar o pequeno cargueiro, mas parece que amanhã algo vai ser tentado nesse sentido.
A ocorrência fez levar à praia de S. Bartolomeu do Mar muitas centenas de curiosos, que de longe observavam o navio, cuja situação é considerada pelas autoridades marítimas como difícil. A embarcação naufragada transportava um carregamento de quatrocentas toneladas de sal, que se destinava ao porto de Villagarcia de Arosa, e foi construído em 1956.
Nas últimas horas a situação do cargueiro tem piorado, pelo que as autoridades marítimas – segundo parece – tem poucas esperanças de o safar.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 4 de Outubro de 1973)

Identificação do navio “Ada Ferrer”
Armador: Federico Ferrer Tuset, Valencia, Espanha
Construtor: Astilleros Neptuno S.A., Valencia, 18.11.1956
Arqueação: Tab 342,00 tons - Pm 433,00 tons
Dimensões: Pp 39,60 mts - Boca 7,50 mts - Pontal 3,83 mts
Propulsão: 1:Di – 9,5 m/h
Equipagem: 8 tripulantes

A tripulação do “Ada Ferrer”
A tripulação do pequeno cargueiro “Ada Ferrer” é constituída pelos seguintes elementos: capitão, Balbino Alonso Paredes; 1º motorista, Francisco Santa Maria Rodriguez; 2º motorista, José P. Perez; contra-mestre, Carmelo Soarez Baña; marinheiros, Eduardo Blanco Ferradas, Ramon Torrado Costa e Jesus Romar Ameipenda; e cozinheiro, Eduardo Tallos Deus, todos residentes na província de Pontevedra, Espanha.

Navio encalhado (há dias) parte-se em dois
e polui o mar de Esposende
Esposende, 13 – Encalhado desde o dia 3, na praia de S. Bartolomeu do Mar, o cargueiro espanhol “Ada Ferrer”, flagelado por vagas alterosas, de bombordo a estibordo, nestes últimos dias, acabou por se partir, hoje, em dois, começando, assim, a desmantelar-se.
Até aqui nada de grave a assinalar, uma vez que o navio estava dado como perdido. Do que, entretanto, se esqueceram as pessoas responsáveis, foi de que nos seus tanques existiam cerca de quinze mil litros de gasóleo agora derramado nas águas do oceano, formando enormes mantos, e toldando a atmosfera, impregnada de um forte cheiro a nafta. E assim, uma das mais belas e limpas praias da nossa costa fica sujeita à poluição. O próprio peixe, numa vasta zona costeira, irá sofrer inerentes consequências, o que se lamenta, e muito, tanto mais que tudo isto poderia, em tempo, ser evitado.
É certo que a Delegação Marítima de Esposende logo de início fez pressão para que o combustível fosse bombado, o que não se verificou, segundo consta, por dificuldades de ordem técnica, numa época de grandes inventos.
Com a fúria do mar, os espojos do navio estão cada vez mais próximos da costa, o que faz atrair ao local inúmeros curiosos, tantos deles preocupados em recolher pequenos destroços de um barco completamente perdido.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 14 de Outubro de 1973)