sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A corveta “Sagres”


Lembrando a Escola de Alunos Marinheiros do Porto
1884 – 1898

A "Sagres" no Porto - Imagem da Revista da Armada

O primeiro navio da Marinha Portuguesa com o nome “Sagres” era uma corveta, construída em madeira nos estaleiros Young, Son & Magnay, em Limehouse, Inglaterra. Os planos foram elaborados pelo engenheiro Charles Cousins e foi construída sob a supervisão do Almirante Sir George Sartorius. Em termos de armação tratava-se de uma galera de 3 mastros. Foi equipada com quatro caldeiras de baixa pressão, construídas pela empresa Humphreys, Tennent & Dyle, de Deptford, que forneciam uma potência de 300 cavalos. Tratava-se pois de um navio misto. Esta característica, numa época em que ainda escasseavam os navios a motor, conferiu-lhe o título de melhor navio da sua categoria. Até porque, exclusivamente a motor podia atingir uma velocidade de 12 nós.
O navio tinha castelo e tombadilho e ainda uma superestrutura, à ré do traquete. O seu interior encontrava-se dividido em três pavimentos.
A mastreação era toda em madeira e para além dos mastros reais possuía mais dois mastaréus. O gurupés prolongava-se com o pau da bujarrona. Em cada um dos mastros cruzavam quatro vergas. Nos mastros traquete e grande encontrava-se fixa uma carangueja e uma retranca e na gata uma carangueja e uma retranca, onde envergava pano latino. Quando o navio foi lançado à água, em Junho de 1858, encontrava-se presente o conde do Lavradio, ministro português.

O bota-abaixo do navio em Limehouse, 1857
Imagem Photoship.Uk

Depois de efectuar as provas de mar o navio largou de Portsmouth, no dia 14 de Setembro de 1858. Após uma viagem tranquila, que durou apenas quatro dias, o navio chegou a Lisboa, onde fundeou, no dia 18 do mesmo mês.
Em Janeiro de 1863, encontrando-se o Comandante Álvaro Soares Andreia na posse da «carta de prego», o navio largou de Lisboa. A comissão deveria ser efectuada sob o comando da Estação Naval de Angola, com a importante missão de reprimir o tráfico de escravos e o contrabando, e proteger o comércio lícito.
Em 1866 a “Sagres” foi sujeita a grandes fabricos que incluíram a substituição das peças de artilharia, das caldeiras e da mastreação.
No final de 1868 voltou à Estação Naval de Angola, com os mesmos objectivos da comissão anterior. Em 1873, após uma reparação prolongada, o navio regressou a Luanda, transportando o Almirante José Baptista de Andrade, recentemente nomeado Governador-Geral e Comandante da Estação Naval de Angola. Durante cerca de dezoito anos efectuou inúmeras e variadas missões, ao serviço da Marinha Real.
O navio estava armado com 10 peças de artilharia e esteve integrado, por diversas vezes, em missões de carácter diplomático, chefiadas pelo infante D. Luís, que era oficial de Marinha. Efectuou também algumas viagens de instrução.
Nas suas missões a corveta “Sagres” visitou, entre outros, os seguintes portos estrangeiros: Southampton, Greenhithe, Antuérpia, Bordéus, Tanger, Gibraltar, Vigo, Génova, Rio de Janeiro, Salvador e Pernambuco.
No dia 13 de Novembro de 1876 passou ao estado de desarmamento. Abrigou a partir de então a recém criada Escola de Alunos Marinheiros do Porto. Para o efeito o navio foi sujeito a um período de fabricos durante o qual lhe foi retirado o motor propulsor, bem como feita a adaptação dos espaços livres a fim de servirem como salas de aula, cobertas e camarotes. O armamento, já obsoleto, foi substituído por outro mais recente, para fins de instrução.
Depois de devidamente adaptada, a corveta “Sagres” foi então rebocada até ao rio Douro, no Porto, onde permaneceu fundeada. Recebeu os seus primeiros alunos em Maio de 1884.
Em 1898, devido ao estado de degradação da corveta “Sagres”, a Escola de Alunos Marinheiros do Porto foi transferida para a corveta “Estefânia”. No dia 7 de Setembro desse mesmo ano a corveta “Sagres” foi abatida ao efectivo dos navios da Armada. Viria a ser desmantelada pouco tempo depois.
CFgt Gonçalves, António Manuel, in Revista da Armada Nº 377, Ano XXXIV, Lisboa, Julho de 2004

A "Sagres" no Porto - Imagem da Revista da Armada

Identificação da corveta “Sagres”
Construtor: Young, Son & Magnay, em Limehouse, 1857
Arqueação: Deslocamento máximo 1.382 toneladas
Dimensões: Ff 79,00 mts - Boca 9,90 mts - Pontal 6,15 mts

Notícias dos jornais
A corveta “Sagres”
Às 6 horas e cinquenta minutos da manhã de ontem, apareceu à vista da barra do Porto, rebocada pelo transporte de guerra “Índia”, a corveta “Sagres” que, como se sabe, vem estacionar no Douro, em frente a Massarelos, a fim de servir de Escola de Alunos Marinheiros.
Às 7 horas e cinquenta minutos saiu a barra, a fim de rebocar aquele navio de guerra para dentro do porto, o rebocador “Veloz”, levando a bordo o Capitão do Porto, 1º Tenente da Armada sr. Mendes Leite, que já se acha nomeado comandante daquele navio durante a sua permanência na cidade.
Às 10 horas e meia da manhã entrava a barra a corveta “Sagres” rebocada pelo referido vapor, vindo então a bordo daquela os dois oficiais de Marinha que já mencionamos, e os competentes pilotos da barra. A corveta entrou sem novidade fundeando em Massarelos.
Era grande o concurso de povo na Foz e nas margens do rio a presenciar aquele espectáculo. O transporte “Índia”, que conduziu a “Sagres”, navegou para sul às 4 horas e trinta e cinco minutos da tarde.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 7 de Outubro de 1882)
Corveta “Sagres”
Devem começar amanhã as obras de calafetagem do casco da corveta “Sagres”, que se prepara para servir de Escola de Alunos Marinheiros, no porto do Porto. Desses trabalhos foi incumbido o conhecido mestre calafate o sr. Joaquim Vitorino Alves.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 19 de Agosto de 1883)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

História trágico-marítima (CVI)


O naufrágio do vapor de pesca “Libertador”

Vapor de pesca afundado
Esta tarde (18.03.1917) foi conhecida a notícia de que tinha sido afundado próximo da costa o vapor de pesca português “Libertador”, propriedade da firma Oliveira & Tavares. Era vulgarmente conhecido pelo vapor das peixeiras, porque nele tinham interesse várias vendedeiras de peixe. O “Libertador” estava seguro em 36 contos. Toda a tripulação foi salva.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 19 de Março de 1917)

Identificação provável do vapor “Libertador”
Armador: Oliveira & Tavares, Lisboa
Não estão disponíveis quaisquer informações deste vapor

Este é um caso de ataque a uma pequena embarcação de pesca, que ainda não está completamente esclarecido. Contudo face à presença algures próximo do Cabo da Roca, na data do afundamento, do submarino alemão UC-67, que se encontrava sob o comando do capitão Karl Neumann, é de admitir ter sido o responsável por esta ocorrência.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Boas Festas


Caros amigos,


Votos de um Natal muito feliz e um próspero 2014

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

História trágico-marítima (CIV)


O encalhe do vapor inglês "Earl of Dumfries"

Naufragou esta manhã (06.08.1883), próximo de Cascais, por causa do nevoeiro, o vapor “Earl of Dumfries”, que ficou completamente perdido.
Salvaram-se os tripulantes, passageiros e bagagens.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 6 de Agosto de 1883)

Imagem do vapor encalhado próximo a Cascais
Foto de autor desconhecido - Colecção Francisco Cabral

Identificação do vapor
Armador: W.H. Martin & Hilary B. Marquand, Cardiff, Inglaterra
Construtor: Samuel Peter Austin & Son, Sunderland, 07.1882
Arqueação: Tab 1.445,00 tons - Tal 840,00 tons
Dimensões: Pp 74,55 mts - Boca 11,00 mts - Pontal 5,27 mts
Propulsão: 1 motor compósito, 2:Ci - 158 Nhp - 88 Ihp
Equipagem: 21 tripulantes
Vendido em 1910 mudou o nome para “Andora”. Demolido em Savona (Itália), em 1931.

Vapor “Earl of Dumfries”
Lisboa 5 – Hoje às 4 horas e cinquenta e cinco minutos da manhã veio aviso da estação de Oitavos, que na Lage do Ramela, próximo do farol da Guia, se achava encalhado um vapor. A cerração estava fechada completamente. Soube-se depois ser o vapor inglês “Earl of Dumfries”, que vinha de Taganrog (Rússia), por Malta, e se destinava a Altona (Alemanha), com carga de cereais. Tripulado por 21 homens conduzia 10 passageiros. Estes, bagagens e tripulantes desembarcaram com facilidade, porque o mar estava chão. Não houve perda de vidas. Às 6 horas a cerração ainda era densa, segundo participaram de Cascais.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 7 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Lisboa 6 – O sr. Governador civil de Lisboa foi ontem ao local do naufrágio do vapor inglês “Earl of Dumfries”, e ordenou que os tripulantes e passageiros embarcassem no mesmo vapor, e que ali se conservassem enquanto não fosse conhecido o motivo pelo qual o navio não quisera entrar em Malta, para se não sujeitar a quarentena.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 7 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Como estivesse com os náufragos do vapor “Earl of Dumfries” o sr. Eduardo Ferreira Pinto Basto, e aqueles recebessem ordem de ir para o lazareto, foi também com eles o referido cavalheiro. O vapor tem carta limpa, mas o facto de ter entrado em Malta, onde existe quarentena para as procedências do Egipto, deu lugar às providências que foram adotadas a este respeito.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 8 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Quando o chefe do distrito chegou no Domingo à praia da Guia, onde encalhara o vapor “Earl of Dumfries”, já ali estava o chefe do corpo de fiscalização externa da alfândega, sr. D. Joaquim de Melo, acompanhado de 11 guardas e 10 remadores. A pedido daquele empregado fiscal, o sr. governador civil mandou retirar para Lisboa sete polícias que o haviam acompanhado, e por ordem do magistrado superior do distrito estabeleceram logo um cordão sanitário para evitar que os náufragos comunicassem com a terra, sendo em seguida o capitão do navio intimado a recolher com os tripulantes e passageiros ao vapor encalhado ou às fragatas que estavam próximas. A princípio o capitão negou-se a cumprir tal ordem, declarando ter resolvido armar com os salvados no vapor, uma barraca na praia, e conservar-se ali com a sua gente até ao momento do vapor se despedaçar ou desaparecer, mas aconselhado por algumas pessoas obedeceu à intimação. Ante-ontem foi determinado ao capitão do porto que informasse se o “Earl of Dumfries” estava ou não completamente perdido, para no caso afirmativo, se mandar recolher os náufragos ao Lazareto. A vistoria feita por ordem do arsenal da marinha declarou que o casco do vapor talvez possa ser salvo.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 9 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Entraram no Lazareto os passageiros do vapor “Earl of Dumfries”. Parte do carregamento já está salvo. Do vapor encalhado “Earl of Dumfries” há já muitas fragatas carregadas com centeio, cumprindo quarentena em Belém.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 10 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Estavam ontem a cumprir quarentena em frente da praia do Bom Sucesso, trinta e tantas fragatas carregadas de centeio do encalhado vapor “Earl of Dumfries”.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 12 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Ainda não estão perdidas as esperanças de salvar o vapor “Earl of Dumfries”, que há dias naufragou próximo a Cascais. Ontem foi para junto dele o rebocador “Scotia”, vindo expressamente de Inglaterra com duas grandes bombas de esgoto.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 28 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Com o auxílio de um rebocador foi conseguido safar o vapor “Earl of Dumfries”, que já se encontra fundeado no Tejo.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 30 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
O vapor “Earl of Dumfries” que estava havia cerca de 15 dias encalhado junto do farol da Guia, conseguiu ontem de manhã, com o auxílio dos rebocadores “Scotia” e “Portimão”, safar-se do local onde se encontrava, e seguindo para a barra, entrou no Tejo pouco depois das 3 horas da tarde, indo fundear na Cova da Piedade. Os dois rebocadores acompanharam-no até ao local do ancoradouro.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 31 de Agosto de 1883)

Vapor “Earl of Dumfries”
Saiu ante-ontem do dique do arsenal de marinha o vapor inglês “Earl of Dumfries”, que ali esteve a receber uma reparação provisória, a fim de poder seguir para Inglaterra, onde irá fazer o verdadeiro concerto de que carece. Fizeram-lhe ante-ontem a competente vistoria e acharam estar nas melhores condições para empreender a viagem.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 23 de Outubro de 1883)

sábado, 14 de dezembro de 2013

História trágico-marítima (CIII)


O naufrágio do vapor "Luso"

Paquete naufragado
Reinava certa ansiedade em Lisboa pela demora que havia na chegada do paquete “Luso”, que era esperado vindo dos Açores, ansiedade que acaba por ser tristemente justificada.
Segundo se apura pelos telegramas recebidos, aquele paquete naufragou em Ponta Delgada, no passado dia 26 de Julho. Salvaram-se, felizmente, todas as pessoas que se encontravam a bordo.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 15 de Agosto de 1883)

Gravura alusiva ao naufrágio do vapor "Luso",
segundo uma fotografia de J. Pacheco Toste
(Reis, A. Estácio dos Reis, Os Navios d'Ocidente, Gradiva, 2001)

Identificação do vapor
Armador: Empresa Insulana de Navegação, Lisboa
Nº Oficial: N/ tem - Iic.: H.D.F.J. - Registo: Ponta Delgada
Construtor: Bowdler, Chaffrer & Co. Liverpool, 02.10.1875
Arqueação: Tab 999,00 tons – 1.071,000 m3
Dimensões: Pp 72,10 mts - Boca 8,90 mts - Pontal 6,71 mts
Propulsão: 1 motor compósito

Desenho do vapor "Luso" - Original de Luís Filipe Silva

Vapor "Luso"
Causou sensação a notícia do naufrágio do vapor “Luso”, assim que a informação foi divulgada ante-ontem de manhã, de acordo com a comunicação feita pelo couraçado “Vasco da Gama” ao chegar à baía de Cascais. O ministério da marinha, quando recebeu a participação, mandou-a comunicar ao agente da empresa, o sr. Germano Serrão Arnaud, que foi em seguida a Cascais saber pormenores do comandante do couraçado. Pouco, todavia, adiantou.
A bordo do “Luso” tinham seguido viagem para os Açores 72 passageiros, navegando em 1ª classe os seguintes senhores: Duarte Borges, António de Andrade Albuquerque, José Pereira da Cunha Silveira e Sousa, Cândido Forjaz, Guilherme Augusto de Aguiar, barão de Ramalho, António da Fonseca, Sebastião Correia da Silva Leal e sua mãe, José Martins Cardoso Pereira, esposa e filho; e da segunda classe os seguintes: D. Maria Cândida da Rocha, José Cordeiro de Castro, João de Almeida e sua mulher, João Borges Leoni, Miguel Inácio do Amaral, Ramiro Martins Cardoso e Manuel Rodrigues.
O “Luso” fôra expressamente mandado construir pela Empresa Insulana de Navegação, em 1875, em Liverpool, à casa construtora Bowler Cheffter & Co. Tinha a lotação de 1.071 metros cúbicos e media 280 pés de comprido, 29 de boca, 22 de pontal; tinha acomodações para 60 passageiros de 1ª classe, 24 de 2ª e 50 de 3ª. O vapor “Luso” estava seguro em 15.000 libras.
O naufrágio deu-se às 11 horas da noite do dia 26, e não 28 como se dizia, e foi efectivamente por causa da cerração. A carga julga-se quase toda perdida.
O “Açor” chegara a S. Miguel no dia 8, às 7 horas da tarde, e é esperado em Lisboa no dia 21. Logo que chegue receberá ordem para seguir de novo para os Açores. Estas notícias vieram ante-ontem na mala que trazia o iate “Novo Rasoulo”, chegado de S. Miguel.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 17 de Agosto de 1883)

Arrematação de salvados
O casco do vapor “Luso” foi ali vendido por um conto de réis; os utensílios e restos salvados por três contos; e vinte pipas da carga por 300$000 réis. O resto foi comprado pelos srs. Bensaúde, Avelares, etc.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 24 de Agosto de 1883)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

História trágico-marítima (CII)


O naufrágio do vapor "Olinda"

Imagem do encalhe do vapor "Olinda", no site «jnscuba.net»

Sinistro marítimo
O jornal «Diário dos Açores», de Ponta Delgada, de 17 do corrente, dá a notícia de ter naufragado na América do Norte o paquete português “Olinda”, da casa Andresen, da praça do Porto.
A notícia está confirmada, sabendo-se que aquele paquete indo a entrar em Nova Iorque, há cerca de 10 dias, bateu numas pedras no sul da Ilha dos Pescadores, e, a despeito dos esforços que foram feitos para o salvar, perdeu-se completamente. A tripulação foi salva.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 25 de Junho de 1895)

Anúncio correspondente à ultima viagem do vapor
a Nova Iorque, que procedeu ao respectivo encalhe

Identificação do vapor “Olinda”
Armador: J. H. Andresen, Porto
Nº Oficial: N/ tem - Iic.: H.J.S.P.- Registo: Porto
Construtor: John Blumer & Co., Sunderland, Julho de 1887
Arqueação: Tab 1.551,79 tons – 972,037 m3
Dimensões: Pp 76,20 mts - Boca 10,97 mts - Pontal 4,91 mtrs
Propulsão: 1 motor de tripla expansão 250 Bhp
Capitães embarcados: Marreiros (1892) e J.A. da Rosa (1893 a 1895)
O vapor naufragou após encalhe em Fisher’s Island, Nova Iorque, em 11 de Junho de 1895, em viagem de Lisboa para Nova Iorque, carregado com cortiça.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

História trágico-marítima (CI)


O naufrágio do patacho "Mercury", em Leça da Palmeira

Sinistro marítimo
Ontem de manhã (14.12.1869) apareceu encalhado ao norte da capela da Boa Nova, em Leça da Palmeira, próximo a Matosinhos, um patacho bacalhoeiro. Era o patacho inglês “Mercury” que vinha de São João da Terra Nova, carregado de bacalhau, consignado aos srs. Noble & Murat.
Tendo garrado com o nevoeiro e calma, o “Mercury” encalhara no sítio acima referido, pelas 2 horas menos um quarto da noite. Quando o vigia da proa deu o sinal de terra, ainda quiseram ver se podiam manobrar para safar o navio, porém nada puderam fazer porque o patacho estava já entre as pedras. A tripulação, que era composta de 8 homens, pôde salvar-se toda por meio de um cabo de vai-vem.
Logo que aqui foi sabida a notícia partiram para o local do naufrágio representantes da casa a quem vinha consignado o navio, vários empregados da alfândega e o patrão-mor da capitania do porto. A tripulação veio ontem para o Porto, conservando-se o capitão no sítio do sinistro.
Ontem de tarde principiaram os trabalhos para ver se podem salvar o massame, a carga e os objectos pertencentes à tripulação, que pouco pôde trazer consigo. Há todas as esperanças disso, porque, segundo consta, o navio já estava ontem de tarde em seco na areia, apesar de ter aberto água. Causava dolorosa impressão o aspecto das vítimas deste sinistro.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 15 de Dezembro 1869)

Desenho de um patacho, sem correspondência ao texto

Identificação provável do patacho “Mercury”
Armador: J. Rushton, Liverpool, Nova Scotia, Canadá
Construtor: Desconhecido, Prince Edward Island, 1854
Arqueação: Tab 184,00 tons
Dimensões: Pp 33,38 mts - Boca 6,80 mts - Pontal 3,66 mtrs
Propulsão: À vela
Patacho “Mercury”
O patacho inglês “Mercury”, que há dias naufragou nas proximidades da praia da Boa Nova ao norte de Matosinhos, foi completamente despedaçado pelo mar na noite de quarta para quinta-feira.
Ainda assim pôde ser salvo o velame, as correntes e 50 quintais de bacalhau, muito avariado, que foi distribuído pelos trabalhadores.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 18 de Dezembro 1869)