sábado, 30 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XCVI)


A explosão a bordo do vapor "Reinbeck"

Sinistro marítimo
Acerca do sinistro ocorrido a bordo do vapor alemão “Reinbeck”, em 12 de Abril, são já conhecidos os seguintes pormenores: o vapor viajava de Newport para Constantinopla, transportando um carregamento de carvão à ordem. Mede 977 metros cúbicos e é novo, pois foi construído apenas há dois meses, sendo esta a primeira viagem que realizava.
Deu-se uma explosão a bordo há dois dias, com a seguinte origem: O primeiro piloto desceu ao paiol dos mantimentos, que é situado na popa e por baixo do qual ficava um dos porões, cheio de carvão até à escotilha. Por um motivo qualquer acendera um fosforo, resultando de imediato uma explosão no «grisou», que costuma desenvolver-se no carvão, e que penetrando pelas fendas se espalhara pelo paiol.
O infeliz piloto morreu instantaneamente e dois marinheiros que estavam no convés ficaram feridos, um gravemente no rosto e nas mãos, e o outro levemente contuso nos braços. Por efeito da explosão ficaram destruídos, voando em estilhas, os paióis da popa e o convés, bem como os mantimentos, havendo igualmente um rombo no costado acima da linha de flutuação, que alagou logo o navio.
A tripulação correu pressurosa a preparar a bomba, que, apesar de movida a vapor, não conseguia esgotar a água que com o movimento das vagas entrava em grandes quantidades, fazendo demandar o navio cerca de 21 pés. O incêndio provocado pela explosão, felizmente, pode ser debelado.
Foi nesta tristíssima situação que o vapor navegou pelo espaço de 46 horas até à barra do rio Douro, onde encalhou ontem pelas 6 horas da manhã no banco do Cabedelo, colhendo pouco depois a bandeira em sinal de socorro, que lhe foi prontamente fornecido por um dos barcos salva-vidas.
Partiu também para bordo uma catraia, onde embarcaram o capitão e os dois marinheiros feridos. O que apresentava ferimentos mais leves recebeu o necessário curativo na Foz, voltando mais tarde para bordo; o outro infeliz deu entrada no hospital do salva-vidas, e horas depois, acompanhado pelo capitão, foi conduzido ao hospital da Misericórdia, onde se acha para ser tratado.
Como o vapor não tinha consignatário no Porto, o capitão entregou a consignação ao sr. J.H. Andresen, e em seguida contratou o salvamento do vapor com os srs. José de Barros Freire, administrador da Companhia de Reboques Fluviais, e Costa Basto, gerente da parceria do vapor “Victoria”, pela quantia de 700 libras esterlinas. Partiram então os rebocadores “Veloz” e “Victoria” para o lugar do sinistro, mas os seus esforços durante muitas horas não produziram resultado, chegando até cada um destes dois vapores a partir uma amarreta.
Em vista disto, resolveram alijar carga ao mar para aliviar o “Reinbeck” e esperar pela maré da tarde para fazerem novas tentativas com os rebocadores. Efectivamente, foram então mais felizes, conseguindo safar o vapor às 4 horas e meia da tarde, rebocando-o para o norte, onde o deixaram fundeado, em frente a Carreiros, não sendo possível recolhe-lo para dentro da barra, em razão do navio demandar ainda 20 pés de água. Continuaram, portanto, a alijar mais carvão, enquanto que o “Victoria”, entrando a barra, saía daí a pouco em direcção ao vapor, rebocando uma catraia com duas excelentes bombas do sistema «Letestu» (estanca-rios), que o sr. Andresen mandara buscar à Companhia Aliança (Fundição de Massarelos).
Às 6 horas da tarde o “Victoria” entrava novamente, e por ordem do sr. Andresen e do capitão veio até ao sítio dos banhos, a fim de rebocar duas barcas, para nelas se recolher durante a noite a descarga que pudesse ser feita. Os trabalhadores, a bordo, porém, parece que estavam bastante fatigados, e como a descarga por este modo se tornava difícil, resolveram que ela tivesse lugar hoje de manhã, partindo então para ali as referidas barcas.
Há toda a esperança de que com o auxílio das bombas e aliviando-se o vapor um pouco mais de carga, ele possa entrar na maré de hoje. O “Veloz” entrou também a barra às 6 horas e meia, fundeando no ancoradouro. Segundo consta, o cadáver do primeiro piloto veio ontem para terra num caixão.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 13 de Abril de 1883)

Identificação do navio
Vapor alemão “Reinbeck” - 1883-1897
Armador: Lange Bros, Hamburgo
Construtor: Stettiner Vulkan, Stettin, 1883
Arqueação: Tab 1.468,00 tons
O navio afundou-se por motivo de colisão ao largo dos Dardanelles, em 30 de Junho de 1897.

O vapor “Reinbeck”
Acha-se já ancorado no rio Douro, onde fundeou ontem pelas 7 horas da tarde, o vapor alemão “Reinbeck” que ante-ontem de manhã encalhou no banco do Cabedelo. Durante a noite de ante-ontem para ontem, um grande número de trabalhadores que estavam a bordo ocuparam-se no esgoto do vapor com as duas bombas do sistema «Letestu» enviadas pelo gerente da Companhia Aliança, e com a bomba de bordo a trabalhar a vapor.
Ontem de manhã, reconhecida a impossibilidade de levar a bordo barcas para a descarga, a fim de o vapor ser aliviado, que a esse tempo ainda demandava 19 pés de água, decidiram-se por alijar carga ao mar, tanta quanta se tornasse necessária para que o vapor pudesse entrar a barra. Ocuparam-se, pois, o dia nesta faina, podendo calcular-se em mais de 500 toneladas a quantidade de carvão que foi lançada ao mar.
Os rebocadores “Veloz” e “Victoria” conservaram-se durante o dia na Cantareira, indo várias vezes a bordo do “Reinbeck” levar e receber ordens. Pouco depois das 4 horas saiu o “Victoria” para verificar a água que o vapor demandava, e voltou à Cantareira às 4 horas e cinquenta minutos, trazendo a notícia que o navio estava em cerca de 17 pés. Em vista disto os rebocadores saíram novamente com ordem de conduzir o vapor para dentro da barra; e às 6 horas e um quarto entrava finalmente na barra do rio, rebocado pelo “Veloz”, vindo um pouco atrás o “Victoria”, para prestar qualquer auxílio que porventura fosse necessário.
O reboque dado ao “Reinbeck” pelo “Veloz” serviu-lhe de poderoso auxílio quando o vapor entrava o canal da barra, pois que se não fosse aquele rebocador, o “Reinbeck”, em razão do seu grande comprimento, não podia dar a volta tão rápida como se tornava necessário, e infalivelmente caíria sobre as pedras, de onde seria difícil arrancá-lo. Felizmente o “Veloz” dando grande força à máquina para esticar a amarreta, e encostando ao sul o mais que lhe foi possível, obrigou o vapor a dar a volta rapidamente, seguindo depois sem novidade.
O “Reinbeck” está seguro na Reunião de Seguradores de Hamburgo, de que é comissário de avarias no Porto o sr. J.W. Burmester, em quantia superior a 20.000 libras esterlinas. A carga não se sabe por ora onde estava segura.
Hoje o casco do navio deve ser vistoriado, para se avaliarem as avarias. Segundo consta, o resto da carga será vendida no Porto, seguindo o vapor em lastro, depois de receber os reparos indispensáveis.
O cadáver do desditoso piloto do vapor, falecido por efeito da explosão, foi dado ontem à sepultura no cemitério protestante.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 14 de Abril de 1883)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XCV)


O naufrágio do caíque " Resolvido "

Sinistro marítimo
Ontem, (29.03.1883) cerca das 4 horas da tarde, na ocasião em que vinha a entrar a barra o caíque “Resolvido”, procedente da Figueira em 1 dia de viagem, com carregamento de pedra de cal, partiu-se-lhe a verga do traquete por efeito do vento SO (leia-se sudoeste) fortíssimo que então soprava. Um quarto de hora depois o barco encalhava nas proximidades do Castelo da Foz, sendo salva a tripulação, composta de 5 homens, por meio de um cabo, a qual foi recolhida no hospital do salva-vidas.
O caíque, de que era consignatário no Porto o sr. J.J. de Miranda, e que pertencia à praça da Figueira, julga-se completamente perdido, tendo a tripulação corrido grave risco de sucumbir antes e no momento do naufrágio.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 30 de Março de 1883)

Identificação do caíque
Não consta na lista de navios portugueses de 1882.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XCIV)


O naufrágio do iate " Novo Feliz "

Por informação do cônsul de Portugal em Gibraltar, datada de 21 de Março corrente, consta haver ido a pique, no dia anterior (20.03.1883), próximo daquela praça, o iate português “Novo Feliz”, de Setúbal, propriedade de António Maria Sales e outros, tendo-se salvo a tripulação.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 31 de Março de 1883)

Identificação do navio
Armador: António Maria Sales e outros, Setúbal
Nº Oficial: N/tem - Iic.: H.D.M.P. - Registo: S. Martinho do Porto
Arqueação: 91,537 m3
Propulsão: À vela

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XCIII)


O naufrágio do caíque " Harmonia "

Naufragou na quinta-feira (08.03.1883), ao sul da barra do porto da Figueira da Foz, na praia fronteira aos palheiros da Cova, o caíque “Harmonia”, que se destinava a um dos portos do norte, com carga de pedra. Carga e navio perderam-se completamente, salvando-se a custo, na lancha do caíque, a tripulação.

Identificação do caíque
Armador: Manuel Moisés, Cova, Figueira da Foz
Não consta na lista de navios portugueses de 1882

O caíque era propriedade do sr. Manuel Moisés, da Cova, empregado das obras da barra do porto da Figueira. Embarcação e carga não estavam no seguro.
Informam que o naufrágio não fora presenciado por pessoa alguma e que não havia na praia do sul um único guarda aduaneiro, por estarem todos em serviço nos postos (!) estabelecidos para a fiscalização do sal.
Ora, assim como a carga transportada era de pouca importância, se se desse o caso de ser valiosa, quem daria comunicação à alfândega, quem deveria fiscalizar, e em caso de necessidade, prestar os necessários socorros aos náufragos?
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 13 de Março de 1883)

domingo, 24 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XCII)


O abandono do palhabote “Florinda”

O cônsul de Portugal em Málaga comunicou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que entrou no dia 22 do corrente, à noite, naquele porto, rebocado pelo vapor de pesca espanhol “Galícia”, o palhabote português, denominado “Florinda”, que o referido vapor encontrou abandonado na costa de Marrocos, em frente da cidade de Casablanca.
Diz essa comunicação, que esse palhabote lhe consta pertencer a um armador do Porto. A tripulação desse barco, já regressou há dias às terras das suas residências, nos concelhos do distrito de Viana do Castelo.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 30 de Dezembro de 1925)

Identificação do iate português “Florinda”
Armador: Soc. Pesca Florinda, Figueira da Foz (1906-1925)
Nº Oficial: A-279 - Iic.: H.K.M.G. - Registo: Figueira da Foz
Construtor: Desconhecido, Vila do Conde, 1893
ex “Florinda”, José Correia dos Santos, Porto (1893-1906)
Arqueação: Tab 112,84 tons - Tal 88,21 tons
Dimensões: Pp 28,64 mts - Boca 7,13 mts - Pontal 2,80 mts
Propulsão: À vela

Nota: Este iate foi abandonado pela tripulação, ao largo de Gibraltar, em Dezembro de 1925, por ser considerado inavegável, quando se encontrava sob o comando do mestre António Cadilha (1924-1925). Inicialmente, no período em que esteve matriculado na praça do Porto, foi posto ao serviço do comércio, no tráfego de pequena cabotagem. Após ter sido adquirido pela Soc. de Pesca Florinda, efectuou dez campanhas à pesca do bacalhau, sob o comando dos capitães José Tomás Rosa (1907-1915) e João de Oliveira (1916). Posteriormente, regressou ao serviço de pequena cabotagem, em 1917, sob o comando dos capitães Luís Francisco Capote (1917 e 1918), Paulo Fernandes Bagão (1919) e Luís Simões Chuva (1923).

sábado, 23 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XCI)


O naufrágio do vapor "Duque do Porto"


Vapor “Duque do Porto”
Não é conhecido até esta hora (meio dia) qualquer pormenor sobre o naufrágio do vapor “Duque do Porto”, nas alturas de Peniche. Esperava-se que através da correspondência vinda da capital haveria algumas informações sobre tão lamentável acontecimento, mas como estão em falta nada há a acrescentar.
Procura-se indagar detalhes do sinistro pela cidade, porém, algumas pessoas que receberam cartas de Lisboa, dizem que elas ainda nada adiantam. É pois provável que na capital à saída do correio também ainda não houvesse pormenores sobre o naufrágio, que teve lugar na manhã desta terça-feira.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 28 de Julho de 1859)

Vapor “Duque do Porto”
Lisboa, 27 – Perdeu-se o vapor “Duque do Porto”. Até esta hora, 3 da tarde, não consta na agência mais do que o seguinte:
Uma parte telegráfica dirigida da estação das Caldas da Rainha ao director da alfândega grande, recebida ontem à tarde, noticia a perda do referido navio, acontecida no mesmo dia de ontem, pelas 6 horas da manhã, próximo a Peniche.
Um ofício ao inspector do Arsenal de Marinha, confirma aquela notícia, acrescentando que apenas perecera um moço. Os demais tripulantes e todos os passageiros salvaram-se, havendo esperança de que também se salve a carga e uma grande parte dos objectos do navio, em consequência do sinistro ter acontecido perto da praia e o mar estar bom.
Esperam-se hoje mais informações minuciosas, sendo para admirar que até esta hora não tenham chegado, quando o sinistro se deu a tão pequena distancia!
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 29 de Julho de 1859)

Vapor “Duque do Porto”
Ontem à noite foi recebida na cidade uma participação telegráfica do capitão do porto de Peniche, sobre o naufrágio do vapor “Duque do Porto”, na qual diz que aquele navio encalhara ali em cima de umas pedras, mas como em seguida a essas pedras havia uma praia, esperavam poder salvar a carga e todos os utensílios do vapor.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 29 de Julho de 1859)

Vapor “Duque do Porto”
Consta que o vapor “Duque do Porto” não encalhara por acaso, mas que a isso fôra obrigado por necessidade, porque começando nas alturas de Peniche a fazer água na proa, em tal quantidade que foi reconhecida a impossibilidade de esgotá-la com as bombas, pelo que resolveram encalhá-lo próximo daquele porto, salvando-se todos os passageiros e a tripulação, e só morrera um moço por se ter lançado intempestivamente ao mar. No acto da varação, partiu-se o casco e por isso este não poderá ser salvo. Há já notícia de terem salvado parte da carga, mas bastante avariada.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 30 de Julho de 1859)

Post-scriptum
Até esta hora (5 da tarde) não chegou à agência do “Duque do Porto” nenhuma notícia além do que foi anteriormente transmitido. Parece incrível, mas é verdade, o capitão do vapor ainda não fez participação alguma aos srs. Chambica & Gonçalves.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 30 de Julho de 1859)

Vapor “Duque do Porto”
Já há hoje alguns pormenores acerca do naufrágio do vapor “Duque do Porto”, que passamos a informar, segundo uma carta que foi lida:
O vapor navegava com a proa a S.S.O. (leia-se sul-sudoeste) estando um nevoeiro fortíssimo, e quando calculavam que já estivessem fora das Berlengas, foi visto pela proa a ponta mais saída de Peniche. O capitão julgando que era o Farilhão, que é semelhante, mandou orçar, mas vendo o mar a rebentar pela proa, mandou logo recuar. Nesta ocasião o vapor foi de encontro a uma pedra que estava no meio da enseada, e quebrou-se-lhe o cadastre, a quilha e a popa; perdeu o leme e a máquina parou ficando entalado o hélice.
Os marinheiros saltaram no salva-vidas e puseram-se em terra, sem tratarem da salvação dos passageiros, o que sendo verdade, é muito censurável. Com este procedimento contrasta o do capitão, piloto e dois engenheiros que se portaram duma maneira condigna conservando-se a bordo até que os passageiros fossem salvos, e ao meio-dia todos estavam em terra, à excepção de um que pereceu neste naufrágio. O sr. major João José Barreto França ficou maltratado.
O vapor ficou entalado entre grandes pedras enchendo-se de água na preia-mar. Diz a referida carta que dificilmente poderão salvar o casco, não obstante todos os esforços que tem sido feitos para isso. Consta que parte da carga já chegara a Lisboa.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 1 de Agosto de 1859)

Vapor “Duque do Porto”
Chegou a notícia de ter sido recebida ontem a participação telegráfica, de que o mar desfizera o vapor “Duque do Porto”, ficando assim destruídas algumas esperanças que ainda havia de se salvar o casco.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 2 de Agosto de 1859)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Faróis


Novidades do passado

Por portaria de 7 de Julho último foi determinado que se escolha o local proposto pela comissão de faróis e balizas para a construção de um farol em Aveiro, cuja torre deverá ter 55 metros de altura desde a respectiva base até à plataforma da lanterna, e que a direcção geral dos correios, telégrafos e faróis elabore o projecto e orçamento do referido farol, por modo que permita o estabelecimento de um posto meteorológico e de um semáforo.

Imagem do farol de Aveiro (Ílhavo) - Postal ilustrado

Farol de Aveiro (Long 40º38’29” Lat 8º44’48”)
Situado perto da barra do rio Vouga, na margem esquerda. Torre circular, de alvenaria, às faixas horizontais brancas e vermelhas. Elevando-se do centro de um edifício de dois pavimentos, tem um alcance luminoso de pelo menos 28 milhas. Terminada a construção e inaugurado em 1893.

O «Diário do Governo» publica também um mapa da distribuição da verba consignada no orçamento, com destino à construção de faróis e balizas. Essa verba é de 220:000$000, destinando-se 122:090$000 réis para o alumiamento da costa marítima do continente; 55:193$200 réis para alumiamento de portos e barras do continente; 39:300$000 réis para alumiamento das costas e portos do arquipélago dos Açores; 800$000 réis para marcas marítimas e 2:616$800 réis para estudos e despesas imprevistas.

Imagem do farol de Felgueiras - Foto de António Tedim

Farol de Felgueiras, Porto (Long 41º08’41” Lat 8º40’37”)
Situado na testa do molhe de Felgueiras, à entrada da barra do rio Douro. Torre hexagonal de cantaria, com uma elevação de 11,50 metros, visível de 265º a 134º pelo norte. Foi construído e inaugurado em 1886.

No mapa de que se trata compreende-se a construção de um farol no molhe norte de Felgueiras e outro na marca da barra do Porto. Para cada uma dessas construções é destinada a quantia de 690$000 réis.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 5 de Agosto de 1883)