terça-feira, 12 de novembro de 2013

Farewell!


Um eventual adeus ao paquete “ Saga Ruby “


Nunca tive tanto prazer, como tristeza, em fotografar um navio, tal como aconteceu esta tarde em clima de provável despedida. Como não há palavras que possam descrever o sentir em relação a harmonioso amontoado de aço, só me posso valer das imagens, que retratam o mais elegante navio de cruzeiros, que desde há alguns anos visita o porto de Leixões, com uma apreciável regularidade.


A companhia Saga Cruises, proprietária do navio, vai colocá-lo à venda. Como sempre acontece nestas circunstâncias, fica sempre a esperança de que possa aparecer alguém interessado nele e, nesse sentido, seja ainda possível revê-lo, ao vivo, ou através de imagens, se o futuro destino o mantiver afastado das águas europeias. De outra forma, a já longa existência poderá pô-lo num qualquer estaleiro, dos vários que proliferam no leste asiático, entregue aos insensíveis maçaricos cortadores de metal.
Está cada vez mais próximo o fim dos paquetes, daqueles navios construídos com paixão e afetos, pensados com a finalidade de transportar passageiros, famílias que se deslocaram à procura de novas formas de vida em locais distantes do seu meio ambiente, do seu país natal, e inclusivamente dos seus familiares, saudosos dos entes outrora emigrados.


Este e outros navios que fizeram história na marinha de comércio tendem a desaparecer muito rapidamente e por essa razão ficam esquecidos, exigência da construção naval moderna, cuja indústria teima em progredir, inovar, melhorar e aumentar sempre, cada vez mais, o tamanho de novos navios, luxuosamente decorados e com a oferta de viagens de sonho, naqueles locais onde o sol e o calor prometem ser o eterno elixir da juventude.
Mas, simultaneamente perde-se o mais importante, que era a extraordinária capacidade de se conseguir socializar e criar novas amizades, afinal a continuação de uma nova família, descoberta e continuada por muitos anos, fora de portas.


Fiquemos pois a aguardar para saber que futuro vai ter o navio. Resta desejar-lhe sorte e boas viagens por mares bonançosos, e um até sempre, independentemente do que ainda possa vir a acontecer.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XC)


O naufrágio do iate “ Bussaco “
Continuam a assinalar-se por lamentáveis as ocorrências marítimas por efeito do temporal que tem pairado sobre o litoral norte do país.
Ontem (01.02.1883), ao fim da tarde, vindo com a bandeira colhida, deu à costa na restinga do Cabedelo o iate “Bussaco”, que encalhou exactamente no ponto onde há dias esteve encalhado o vapor “Rio Douro”. A causa deste sinistro foi o iate não poder arrostar com o temporal, estando o mar cavadíssimo, com vento de sudoeste a soprar com grande violência.
Segundo informação do sr. Visconde de Moser, em virtude da participação telegráfica que teve da Foz, a tripulação, composta de 7 homens, salvou-se inteiramente, ainda que a custo. Os náufragos foram recolhidos pelo barco salva-vidas e depois de desembarcarem na Cantareira, foram recolhidos no Hospital Humanitário. O casco considera-se perdido.
O “Bussaco” era propriedade dos srs. Manuel dos Santos Vitorino e Joaquim Gomes da Silva Rodrigues. Vinha de Aveiro, por Vigo, com carregamento de sal e vários objectos salvados do naufragado vapor inglês “Kate Forster”.
O casco e a carga estão seguros na Companhia Lealdade e outras.
(In jornal “Comércio do Porto”, de 2 de Fevereiro de 1883)

Identificação do navio
Armador: Manuel dos Santos Vitorino e Joaquim Gomes da Silva Rodrigues, Porto
Nº Oficial: N/t - Iic.: H.C.L.R. – Porto de registo: Porto
Construtor: Desconhecido, Vila do Conde, 1875
Arqueação: 84,872 m3
Propulsão: À vela

O naufrágio do iate “ Bussaco “
De ante-ontem para ontem o iate “Bussaco”, que encalhou no Cabedelo, conservou-se direito, não se sabendo se tinha água aberta. Ontem, porém, cerca das 8 horas da manhã, impelido pelo ímpeto da corrente, safou do lugar onde havia encalhado e foi barra fora à garra, com os ferros no fundo, ficando bem depressa com a borda de bombordo destruída. Pouco depois despedaçava-se inteiramente.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 3 de Fevereiro de 1883)

O serviço do salva-vidas
Do sr. Abel Coutinho, o corajoso salvador da tripulação do iate “Grande Baptista”, há dias naufragado próximo de Carreiros, recebemos uma carta que a seguir publicamos, na qual se denuncia um facto que merece realmente ser considerado pela benemérita corporação que se acha à testa dos serviços de salvamento na barra do rio Douro.
Segundo refere essa carta, há por vezes bastante demora em preparar o salva-vidas, tornando-se assim moroso o socorro que ele deve prestar. Com a tripulação do iate “Bussaco”, nem os seus serviços puderam aproveitar-se, pois os náufragos foram trazidos para terra por uma lancha de bordo. Fazendo a publicação da carta, fica a certeza que a sua leitura despertará a atenção de quem compete para o assunto de que se trata:
«Sr. redactor – Como esclarecimento à notícia dada nas páginas de 2 do corrente, com relação ao naufrágio do iate “Bussaco”, e para evitar de futuro a repetição do facto que sucedeu com o salvamento da tripulação desse barco, peço-lhe que chame a atenção de quem compete para a morosidade com que em ocasiões de sinistro na barra é feito o serviço do salva-vidas.
Com a tripulação do iate “Bussaco” deu-se essa morosidade, pois que, além do longo tempo que demorou a preparar o barco salva-vidas, a referida tripulação teve de vir para terra na lancha do iate, quando aquele barco podia ainda de dia ter-se aproximado da embarcação.
Além disso, como tivessem ficado a bordo dois homens, que não puderam vir na lancha, teve esta de voltar para ir lá buscá-los, quando esse serviço devia competir ao salva-vidas, que se achava próximo da referida lancha.
São estes os factos que se deram e que seria para estimar não se repetissem. Devo acrescentar, em obediência à verdade, que as primeiras pessoas que saltaram para o salva-vidas foram o srs. Joaquim Bilte, piloto da barra, e António, banheiro, por alcunha o “Bexiga”, os quais da melhor vontade se prestaram a ir em socorro dos náufragos, não podendo infelizmente ser aproveitados os seus serviços.
Vossa senhoria, sr. redactor, prestaria um bom serviço, publicando estes meus esclarecimentos e pedindo em vista deles as providências necessárias.
(a) Abel Coutinho Felgueiras Osório
(In jornal “O Comércio do Porto”, Domingo, 4 de Fevereiro 1883)

Iate “Bussaco”
Foi arrematado ontem no Cabedelo o visto e o não visto da carga e casco do iate “Bussaco”, ultimamente naufragado na barra do rio Douro, produzindo o visto e o não visto do casco a quantia de 25$250 réis e o visto e não visto da carga 10$500 réis. O arrematante foi o sr. António Lopes.
(In jornal “O Comércio do Porto”, terça, 6 de Fevereiro de 1883)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

História trágico-marítima (LXXXIX)


O naufrágio da barca “ Laura “

Às 10 horas e cinquenta minutos da manhã de ontem apareceu ao norte da barra do rio Douro, a barca portuguesa “Laura”, de 253 metros cúbicos, pertencente à praça do Porto e propriedade do sr. Adrião Joaquim da Rocha. O navio trazia a bandeira colhida e falta de pano, e corria em direcção à barra, acossada pelo mar, que estava agitadíssimo, denunciando tudo isto o perigo iminente em que ele se achava.
O castelo disparou-lhe alguns tiros de peça, aos quais o navio não obedeceu, continuando a demandar a barra, mas era tal o vento de travessia e a braveza do mar, que o arrastou para o banco de areia ao sul do Cabedelo, encalhando ali, com grande perigo de se perder toda a tripulação pela violência do mar, que quebrava naquele sítio com grande valentia.
Do hospital do salva-vidas mandaram imediatamente todos os socorros; foram tripulados dois barcos, saindo logo o “Valente”, comandado pelo seu corajoso patrão o sr. Manuel da Silva Faustino. Este barco atravessou o rio, atracando no areal do Cabedelo; e daí foi levado aos ombros até à praia, de onde seguiu até bordo, com grandíssimas dificuldades, mas conseguindo, enfim, salvar toda a tripulação, que se compunha de 12 homens, entre os quais vinha um com uma perna quebrada pelo terço superior.
Este infeliz gemia com dores, deitado sobre um enxergão, na câmara do navio. Tinha quebrado a perna há cerca de 3 semanas, na ocasião em que ferrando uma das velas do navio, próximo do porto de Portland, caiu do mastro ao convés. Neste porto, onde o navio arribou, fizeram-lhe o competente curativo, vindo, por consequência, ainda doente.
O arrojado patrão do salva-vidas, o sr. Manuel Faustino, condoído da situação do pobre rapaz, tirou-lhe o aparelho que lhe ligava a perna, conduziu-o nos braços até ao convés, e uma vez aqui atirou-o para o barco, onde já se achava o capitão da barca, o sr. Mota, de Matosinhos, que o aparou nos braços.
Entretanto, o digno fiel do hospital do salva-vidas, o sr. Augusto do Nascimento, tendo ido para o Cabedelo com o novo aparelho de foguetes há pouco mandado vir de Inglaterra, dali despediu um para o navio, produzindo o melhor e mais satisfatório resultado. O foguete levou a linha a uma extraordinária distancia e sem perder a direcção, apesar de caminhar contra um vento ponteiro e violentíssimo. Todas as pessoas que presenciaram esta experiência, abençoaram o dinheiro gasto com a sua aquisição.
Neste comenos o barco salva-vidas conduzia para terra os pobres náufragos, quase nus, cheios de fome e molhados até à medula, chegando finalmente à Cantareira ao meio-dia, desembarcando ali entre as saudações, os risos e as lágrimas que lhes eram dirigidos por uma enorme multidão. Durante esta hora de uma ânsia extrema, a digna esposa do sr. Augusto do Nascimento tornava-se credora dos maiores elogios, preparando tudo para o agasalho dos náufragos e para lhes restaurar a vida, se acaso algum deles chegasse com ela aparentemente perdida.
Não se tornou menos digno dos maiores elogios o sr. Visconde de Moser, membro da Comissão do salva-vidas, comparecendo logo na Foz, dando as mais acertadas e enérgicas providencias para que a vida daqueles infelizes não perigasse. A este cavalheiro se deve, em grande parte, o bom andamento de todos os trabalhos.
Muitos particulares ofereceram também os seus serviços, tais como: o sr. J.H. Andresen, que logo compareceu a auxiliar os trabalhos; o sr. Manuel van Zeller, que mandou preparar comida para os náufragos e o sr. D. Francisco da Prelada, que mandou imediatamente uma carruagem para trazer de Rio Tinto o algebrista.
Às duas horas da tarde o navio submergia-se, e às 3 já se lhe não viam os mastros. Já então o mar tinha arrojado à praia bastantes madeiras, cabos e outros utensílios. Estes arrojos do mar eram recebidos por grande número de trabalhadores que se achavam para esse fim no Cabedelo, contratados pelos srs. António Machado e Manuel Gonçalves Lagarinho Júnior, os quais, por contrato prévio feito com o dono do navio, o sr. Adrião da Rocha, se encarregaram de angariar e receber os salvados mediante a comissão de 35 por cento sobre o produto que eles derem.
A barca “Laura” vinha do Havre com um carregamento de gesso consignado aos srs. Tomás Joaquim Dias & Cª. Trazia 36 dias de viagem, e há dias que andava cruzando fora da barra, esperando ocasião de entrada; acossada, porém, pelo temporal, perdeu muito pano e abriu água. Em vista do grande perigo em que se encontrava, demandou algumas barras ao norte do rio Douro, a fim de ver se podia entrar em alguma delas, visto que aqui era impossível aproximar-se. Como não tivesse melhor fortuna, encaminhou-se novamente para o Porto, com o fim de, ou entrar a barra ou encalhar no melhor sitio que se lhe proporcionasse, furtando-se todos por este modo a uma morte certa. Foi então que se deu o sinistro agora mencionado.
Cumpre mencionar também que no acto de ser salva a tripulação, foram igualmente retirados do navio alguns instrumentos náuticos. Parte da tripulação, depois de restaurar as forças, voltou para o Cabedelo; dois dos tripulantes, porém, ficaram no hospital do salva-vidas, por estarem excessivamente fatigados. A todos foi fornecida a roupa necessária.
Logo que tiveram conhecimento do acontecido, os dignos facultativos srs. Navarro e Pinho, correram a prestar todos os socorros, verificando que o marinheiro doente tinha perna novamente desmanchada. Este infeliz chama-se José de Castro Viana, tem 18 anos e é natural de Esposende. Como pelo regulamento da Sociedade Humanitária não podia ser tratado no hospital do salva-vidas, e o quisessem conduzir para o da Misericórdia, o sr. D. Francisco da Prelada não o consentiu, prontificando-se a pagar todas as despesas para que ele fosse curado numa casa da rua de Miragaia, para onde foi conduzido numa maca, requisitada ao comissariado geral da cidade.
A tripulação ficou na maior penúria, pois que nem a própria bagagem pode salvar. O navio estava seguro na Companhia Garantia. Segundo declarou o capitão, estão ao norte e muito perto dois lugres e um brigue inglês, que ele supõe estarem em grande perigo, e arriscados a virem à praia. Em consequência desta declaração tomaram-se providencias para durante a noite se lhes prestar qualquer socorro que seja possível.
O serviço da alfândega é dirigido pelo zeloso empregado daquela casa fiscal, o sr. António Guerreiro Valadas; e o da fiscalização externa pelo fiscal, o sr. António Joaquim de Oliveira. As margens do rio e as praias do norte e sul acham-se vigiadas por guardas apeados.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 1 de Fevereiro de 1883)

Identificação do navio
Armador: Adrião da Rocha, Porto
Nº Oficial: n/t - Iic.: H.G.R.K. - Porto de registo: Porto
Construtor: Desconhecido
Arqueação: 253,000 m3
Propulsão: À vela
Capitão embarcado: Mota (1883)
Navio de construção posterior a 1877

O naufrágio da barca “Laura”
Em esclarecimento à notícia publicada no último número, com respeito ao naufrágio da barca “Laura”, foi recebido do sr. Visconde de Moser a carta abaixo transcrita, na qual se confirmam os pontos principais da notícia, elucidando-se o que ficou escrito relativamente ao modo como foi socorrido o náufrago que tinha uma perna fracturada. Quanto a este ponto cumpre dizer que as informações foram recolhidas na Foz e fornecidas por algumas das pessoas que intervieram no socorro prestado aos náufragos. Eia a carta a que aludimos:
«Meu caro redactor:- É tudo muito exacto, quanto se lê no seu jornal de ontem, debaixo da epigrafe «Barca Laura». São bem merecidos os elogios que ali se tecem a vários indivíduos, menos a mim, porque apesar da pequena demora que tive em comparecer no local, depois do sinistro, já estavam dadas as mais acertadas providencias pelo fiel do salva-vidas, nada restando para fazer; e não pode pôr-se em dúvida que, se não fossem os aprestos daquele estabelecimento e a tripulação do navio, poucos ou nenhum talvez tivesse escapado à morte.
Quanto ao infeliz, que vinha já com a perna direita fracturada, não se opunha nenhum regulamento a que fosse ali tratado; sendo, porém, recomendado pelos srs. facultativos que, sem perda de tempo, fosse enviado para o hospital de Santo António, imediatamente requisitei uma maca, própria para a sua condução para a cidade. Posteriormente, sendo bem conhecida a perícia do algebrista de Rio Tinto, o sr. D. Francisco (da Prelada), o sr. Manuel van-Zeller, e talvez mais alguém, apresentaram que seria preferível entregar o enfermo ao seu cuidado.
Tanto o meu colega, o sr. Andresen, como eu, concordamos nesse alvitre, e o sr. D. Francisco com louvável zelo mandou um carro a Rio Tinto, para imediatamente o conduzir para o hospital do salva-vidas. Visto aqueles que de imediato se interessaram por aquele rapaz, quererem que ele fosse tratado em sua casa, em Miragaia, o algebrista disse que era preferível fazê-lo transportar para lá numa maca, para ser endireitada ou encanada a perna na casa em que tinha de ficar e assim se resolveu.
Restabelecendo por esta forma a exactidão dos factos, sou de V.Exa., etc, (a) Visconde de Moser, Porto, 1 de Fevereiro de 1883
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 2 de Fevereiro de 1883)

O naufrágio da barca “Laura”
A barca “Laura”, naufragada ante-ontem no Cabedelo, estava segura em 5:000$000 réis na Companhia Garantia. O carregamento deste navio consistia em gesso, tinha o valor declarado no manifesto de 3:500 francos e estava seguro numa companhia estrangeira.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 2 de Fevereiro de 1883)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

História trágico-marítima (LXXXVIII)


O naufrágio dos iates “Santo António”, “Ressuscitado” e “Preceito”

Segundo notícias publicadas no jornal «Faro de Vigo», perderam-se naquele porto, na noite de terça-feira passada, dia 30 de Janeiro, em consequência do temporal, os seguintes iates portugueses: O iate “Santo António”, carregado com vinho, destinado àquela cidade, o qual foi de encontro às pedras do Espinheiro; e os iates “Resuscitado” (deve ler-se “Ressuscitado”) e “Perfeito" (deve ler-se “Preceito”), que, faltando-lhe as amarras, deram à costa em Guixar, posto não fosse em condições tão funestas como o primeiro.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 1 de Fevereiro de 1883)

Identificação dos navios
Iate “Santo António”
Nº Oficial: N/t - Iic.: H.G.P.W. - Registo: S. Martinho do Porto
Construtor: Manuel Dias dos Santos Borda, Fão, 1879
Arqueação: 76,762 m3
Propulsão: À vela
Este iate corresponde a uma encomenda efectuada por Luís Nunes dos Santos e outros, de Esposende. O seu mestre era o referido proprietário, tendo os 5 elementos da equipagem origem em Fão. Saíram de Esposende em Setembro de 1879.
In (Felgueiras, José Eduardo de Sousa, Sete séculos no mar XIV a XX; A construção de embarcações , Vol.II, 2010)

Iate “Resuscitado” (deve ler-se “Ressuscitado”)
Nº Oficial: N/t - Iic.: H.D.W.Q. - Porto de registo: Porto
Construtor: Luís José da Silva Maciel, Fão, 16.08.1872
Arqueação: 70,776 m3
Dimensões: Pp 19,30 mts - Boca 5,40 mts - Pontal 2,20 mts
Propulsão: À vela
Este iate foi construído no estaleiro do Cais, em Fão e corresponde a uma encomenda efectuada por João Fernandes Mano, de Ílhavo. O seu mestre era o referido proprietário. Noutro registo idêntico, datado de 23 de Agosto de 1877, este navio passou a ter 21,27 metros de comprimento, em consequência de reparações efectuadas a bordo.
In (Felgueiras, José Eduardo de Sousa, Sete séculos no mar XIV a XX; A construção de embarcações , Vol.II, 2010)

Iate “Perfeito” (deve ler-se “Preceito”)
Nº Oficial: N/t - Iic.: H.C.F.L. - Porto de registo: Porto
ex iate “Fé” - Iic.: H.C.F.L. - Porto de registo: Porto
Arqueação: 78,940 m3
Propulsão: À vela
Construção anterior a 1870

Naufrágios em Vigo
Segundo as últimas notícias chegadas de Vigo, estão a tratar de salvar as pipas de vinho que constituíam o carregamento do iate “Santo António”, que ali bateu numas pedras, que bordam parte do Monte da Guia. Essa operação estava a ser facilitada pelo estado tranquilo do mar e pela proximidade a que o navio estava da costa.
Havia muitas esperanças de salvar os cascos dos iates "Ressuscitado” e “Perfeito”, encalhados próximo de Guixar, porém os carregamentos de sal consideram-se completamente perdidos.
O comentário que corre apreciando as causas dos sinistros marítimos, que ultimamente ocorreram naquele porto, diz que eles foram devidos em primeiro lugar à má qualidade das amarras usadas pelos três iates portugueses que deram à costa, sendo, porém, indubitável que muito contribuiu também a falta de um bom vapor guarda-costas, que poderia prestar auxílio a esses navios, fornecendo-lhes cabos ou rebocando-os no momento do perigo.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta, 2 de Fevereiro de 1883)

Iates naufragados
O despachante sediado no Porto, sr. João José de Miranda recebeu ontem de Vigo um telegrama participando-lhe que estavam salvos os aparelhos dos iates “Resuscitado” (deve ler-se “Ressuscitado”) e “Perfeito” (deve ler-se “Preceito”), que se encontram encalhados naquele porto.
Aquele senhor dirigiu ao capitão de um dos iates um telegrama ordenando-lhe que salvasse das embarcações tudo quanto pudesse. Parece que os cascos ficaram em muito mau estado.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 4 de Fevereiro 1883)

Arrematação de salvados
Realizou-se ante-ontem, no consulado português em Vigo, a arrematação dos iates “Resuscitado” (deve ler-se “Ressuscitado”) e “Preceito”, que ali encalharam na noite de 20 de Janeiro findo, em consequência de se lhes ter partido as amarras, por motivo de forte temporal.
(In jornal “Comércio do Porto”, sábado, 10 de Fevereiro, 1883)

Arrematação de salvados
Realizou-se na quinta-feira, dia 8, à tarde, em Vigo, perante o Cônsul português naquela cidade, a arrematação dos iates “Resuscitado” (deve ler-se “Ressuscitado”) e “Preceito”, que ultimamente ali encalharam. Foram adjudicados por 1.200 pesetas (216$000 réis), cada um, ao sr. Canoa, daquela cidade.
Ontem devia ter sido arrematado, perante a mesma autoridade consular, o casco e mastros do iate “Santo António”, que naufragou ali, indo de encontro às pedras do Espiñeiro.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 11 de Fevereiro, 1883)

Arrematação de salvados
Teve lugar no sábado passado, perante o cônsul português em Vigo, a arrematação do casco, mastros e lancha do iate “Santo António”, ali naufragado no dia 30 de Janeiro. Aqueles objectos foram adjudicados ao sr. D. Camilo Lago, por 105 pesetas (18$900 réis).
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 15 de Fevereiro de 1883)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

História trágico-marítima (XXXIX)


O encalhe do vapor " Rio Douro ", na barra do Porto

Entrou ante-ontem a barra e acha-se fundeado defronte da alfândega, o novo vapor “Rio Douro”, ultimamente adquirido pela companhia Thétis. O referido barco reúne as qualidades essenciais de boa marcha e elegância, tendo capacidade superior a 1.000 toneladas. Destina-se à navegação entre o rio Douro e os portos de Lisboa, Havre e Antuérpia. A aquisição deste novo vapor foi importante para a companhia, pois habilita-a a dar maior desenvolvimento às suas operações.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça-feira, 2 de Março de 1875)


Identificação do navio Vapor “ Rio Douro”
1875 - 1884
Armador: Comp. Portuguesa de Transportes Marítimos “Thétis”

Nº Oficial: N/ tem - Iic.: H.F.C.L. - Porto de registo: Porto
Consttor: J. Brown & Simpson & Co., Dundee, Escócia, 08.1871
ex “Ravensdowne”, Newcomb & Thomson, Londres, 1871-1875
Arqueação: Tab 699,00 tons - Tal 450,00 tons
Dimensões: Pp 57,30 mts - Boca 8,17 mts - Pontal 4,51 mts
Propulsão: J. Brown & Simpson & Co. - 1:Cp - 80 Nhp
dp “Saint Jacques”, G. Leroy & Cie., Le Havre, 1884-1886
dp “Saint Jacques”, Soc. Navale de l’Ouest, Havre, 1886-1888
dp “Saint Jacques”, Naveg. a Vapeur, Marselha, 1888-1889
Naufragou por encalhe no Cabo Couronne, em viagem de S/fax para Sete, com carga de fosfatos em 17 de Novembro de 1889. Foi depois desencalhado e mandado demolir.

Sinistro marítimo
Ontem, depois do meio-dia, quando o vapor “Rio Douro” vinha a entrar a barra, desgovernou e encalhou na restinga do Cabedelo. Acorreram logo em socorro do navio o barco salva-vidas e os rebocadores “Veloz” e “Victória”, chegando este último a lançar uma amarreta ao “Rio Douro”, porém, com o impulso dado pelo rebocador essa amarreta rebentou, sem conseguir, infelizmente, safar o vapor encalhado. O “Veloz” ainda se aproximou, mas não chegou a lançar qualquer amarreta, devido ao mau êxito que a primeira tentativa tivera.
A tripulação abandonou em seguida o “Rio Douro” e veio para terra no barco salva-vidas. Pouco depois atracava uma catraia ao vapor para transportar a bagagem dos tripulantes.
Havia esperança de safar o navio na maré da noite, se os rebocadores conseguissem desenvolver o esforço suficiente. O vapor “Rio Douro” é propriedade da Companhia Thétis; vinha de Antuérpia, com 7 dias de viagem e trazia um carregamento de fazendas consignado àquela companhia.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 22 de Janeiro de 1883)

Naufrágio do vapor “Rio Douro”
Até ontem à noite continuava na mesma posição o casco do vapor “Rio Douro”, que encalhou ante-ontem próximo do Cabedelo, na ocasião em que ia a entrar a barra do rio.
A fim de aliviar o vapor e salvar ao mesmo tempo alguma carga, aproximaram-se daquele navio 5 barcaças, às 7 horas da noite de ante-ontem, que poderão comportar apenas 10 a 12 toneladas de peso cada uma, tripuladas por quarenta e tantos homens, tendo conseguido retirar do vapor bastantes caixas e fardos e uma pequena parte de ferro (vergalhão).
Às 10 horas da noite atracavam os mesmos barcos à Cantareira, lutando com muitas dificuldades para ali chegar, em consequência da corrente da água. Para o conseguir foi necessário lançar espias para o Cabedelo, e serem as barcaças rebocadas de terra por este modo até um certo ponto, atravessando depois o rio com muito trabalho, para vencer a corrente.
Às 6 horas e meia da manhã de ontem aproximaram-se do vapor mais 4 barcaças iguais aos da véspera, tripulados por igual número de homens, conseguindo novamente salvar mais alguma carga e bem assim vários Cabos, sobresselentes, e mais aprestos pertencentes ao vapor, que se julgaram ser da maior importância. Cerca das 11 horas da manhã regressaram as barcaças à Cantareira, tendo sido empregue o mesmo sistema de sirga, em razão da velocidade da corrente.
A maior parte da carga foi baldeada para uma barca, tendo esta seguido ontem de tarde para a alfândega. Às 7 horas da noite devia ser feita uma terceira viagem a bordo, a fim de aliviar o mais possível o vapor. O serviço, para salvar a carga e o casco foi contratado com os srs. C.J. Schneider, Manuel de Sousa Guerra e João dos Anjos, os quais receberão por este trabalho 15 por cento da importância dos salvados.
Segundo a opinião dos peritos há-de ser muito difícil salvar o vapor, porque a posição que ele ocupa é uma das piores, em consequência de ter muito próximo - à distância de apenas um metro - a pedra denominada “Prolonga”, por um lado, e pelo outro as pedras “Folga manadas”, sendo muito para recear que, ele vá bater em qualquer delas por causa da agitação do mar, partindo-se.
A velocidade da corrente e a braveza do mar tem embaraçado muitíssimo o serviço da descarga, de sorte que esta só pode fazer-se quando a maré começa a subir e num pequeno espaço de tempo. Felizmente que é feita a vapor, e isso é sem dúvida um grande auxílio.
A carga do vapor era na maior parte destinada a Lisboa e consignada ao sr. Henrique Burnay; vinha também bastante para esta cidade, e uma pequena parte, em trânsito para Espanha. Entre a carga com destino a Lisboa vinham 496 carris com o peso de 214 toneladas, destinados ao caminho-de-ferro de Salamanca à fronteira portuguesa, e 225 barris com parafusos para os mesmos, da conta do sr. Burnay.
O serviço por parte da alfândega é dirigido pelo sr. António Guerreiro Valadas; e o da fiscalização externa pelo chefe da 1ª divisão, o sr. Francisco de Magalhães Menezes de Lencastre, os quais têm sido incansáveis no cumprimento dos seus deveres. No Cabedelo e na Foz as margens são vigiadas por guardas a pé e a cavalo.
Ontem de manhã, quando o sr. Schneider estava a bordo do vapor, dirigindo o serviço da descarga, sucedeu-lhe um lamentável desastre. Sendo-lhe necessário descer à câmara, onde havia pouca luz, fê-lo com tal precipitação, que, não reparando que o escotilhão estava aberto, caiu por ele ao porão, ficando bastante contuso no peito e pelo corpo. Logo que chegou a terra consultou um facultativo, o qual ordenou que se recolhesse imediatamente a casa, para lhe ser aplicado o devido tratamento.
O naufrágio do vapor tem chamado à Foz um grande concurso de pessoas. Ontem, especialmente, como era dia santificado, foi extraordinária a concorrência, vendo-se constantemente o paredão do Passeio Alegre apinhado de curiosos. As companhias de carros americanos não tiveram mãos a medir, sendo necessário aumentar o número de trens para dar lugar a todos os passageiros. No areal do Cabedelo viam-se também muitas pessoas.
(In jornal “Comércio do Porto”, terça, 23 de Janeiro de 1883)

O naufrágio do vapor “Rio Douro”
Está finalmente salvo, e já se acha ancorado no quadro da alfândega, o vapor “Rio Douro”, pertencente à Companhia Thétis. Os peritos reputam a salvação do vapor como único exemplo, e mais devida ao acaso, do que aos esforços sobre-humanos que se empregaram para o salvar.
Como foi dito anteriormente, os trabalhadores ocupados na faina da descarga deviam aproximar-se do vapor, para esse fim, e pela terceira vez, ante-ontem, às 7 horas da noite, por ser esta a melhor hora que a maré oferecia. Infelizmente, porém, não o puderam fazer em consequência do muito vento e da grande agitação do mar, cujas vagas cada vez mais se encapelavam.
Resolveram, pois, esperar pelo dia de ontem, mas às 7 horas da manhã o mar continuava bastante bravo, e resolveu-se por isso que, em lugar de cinco barcaças, fosse apenas uma, tripulado por mais gente, o qual ia largando um cabo que ficaria preso a terra, e no cabo dessa barcaça conseguir aproximar-se do vapor, faria de bordo um sinal, para os outros se aproximarem então com o auxílio do cabo que a já referida barcaça teria lançado.
Assim foi executado, mas por mais de uma vez os tripulantes viram a morte diante dos olhos, e só com muita dificuldade puderam atracar ao vapor. Chegados ali fizeram o respectivo sinal para a Cantareira, partindo então as restantes quatro barcaças, com o auxílio do cabo atrás referido.
Chegados a bordo deram início à descarga para uma das barcaças, mas pouco depois reconheceram que a muita agitação do mar durante a noite tinha feito correr o vapor um pouco a N.E. (leia-se noroeste) e que o leito de areia onde ele assentava tinha alargado muito, em consequência das oscilações do casco motivadas pelo ímpeto do mar. Resolveram, pois, largar uma barcaça com um ancorote ao qual ia segura uma espia, a fim de ver se, com o auxílio do aparelho a vapor, o navio corria à ré. Assim fizeram e com tanta felicidade que pouco depois o casco do vapor abandonava o banco de areia onde tinha encalhado e seguia em direcção ao mar; a sua carreira, porém, ia-se tornando bastante impetuosa por causa da corrente, ao que se obstou cortando a espia, e dando a proa do vapor à barra. Ao mesmo tempo deram também toda a força à máquina para obrigar o navio a demandar o canal.
Na mesma ocasião partia da Cantareira uma catraia com o respectivo piloto de número, e o vapor estava felizmente salvo, entrando no rio às 10 horas e vinte minutos da manhã, seguindo até ao quadro da alfandega, onde, conforme atrás referimos, ancorou.
Segundo consta, quando os trabalhadores foram para bordo, havia ideia de lançar ao mar alguma carga, caso se não pudesse realizar a baldeação para as barcaças; como se constata não foi necessário usar desse recurso. Eram noventa e tantos os trabalhadores que estavam a bordo, e que por consequência o vapor conduziu até ao local do ancoradouro. Quanto ao casco, dizem que parece estar óptimo, não tendo sofrido a mais pequena avaria. No convés, porém, há alguns estragos, não só feitos pelo mar, como resultantes do trabalho ali realizado para o salvamento do navio. O resto da carga desembarcada no sítio do encalhe, bem como os aprestos que também ali foram recolhidos, seguiram ontem de tarde em duas barcaças, dando entrada na alfândega.
A entrada do vapor foi saudada na Foz por um grande número de pessoas que ali estacionavam, e que ansiosas esperavam o desfecho daquele horrível drama.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 24 de Janeiro de 1883)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

História trágico-marítima (LXXXVII)


O naufrágio do lugre-patacho " Nilo" em Peniche

Naufrágio
Noticias recebidas ontem (20.12.1882) de Peniche, afirmam que a bordo do navio abandonado, que deu à costa na praia daquela vila houvera incêndio, em consequência do qual foi abandonado pela tripulação, estando baptizado com o nome “Nilo”.
O encarregado da delegação da alfândega participou ontem que do navio apenas existia parte do costado, já queimado, e uma pequena porção de cortiça de que se compunha o carregamento. A alfândega autorizou a venda imediata em leilão dos fragmentos do navio e da cortiça, conforme proposto pelo encarregado da delegação.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 21 de Dezembro de 1882)

Identificação (provável) do navio
Lugre-patacho alemão “Nilo”
Armador: W. Winckier & Co., Hamburgo, 1875-1882
Construtor: Desconhecido, Lussino, Austrália, 1851
ex “Duma”, Proprietário desconhecido, 1851-1875
Arqueação: Tab 376,00 tons
Dimensões: Pp 30,79 mts - Boca 8,38 mts - Pontal 5,49 mts
Propulsão: À vela

Tripulação salva
Sabe-se já onde está a tripulação da barca alemã “Nilo”, que abandonou este navio depois de um incêndio que nela se manifestou, dando em resultado vir o casco dar à costa em Peniche.
Segundo notícia publicada no jornal “Gibraltar Guardian”, a tripulação foi acolhida pelo iate inglês “Janira”, que a conduziu à baía de Gibraltar. A “Nilo”, que transportava um carregamento de cortiça, foi encontrada pelo iate “Janira”, com 9 pés (2,74 metros) de água no porão.
(In jornal “Comércio do Porto”, segunda, 23 de Dezembro 1882)

sábado, 2 de novembro de 2013

História trágico-marítima (LXXXVI)


Dois sinistros na área marítima de Viana do Castelo

Sinistro marítimo
A escuna inglesa “Margaret”, quando ante-ontem (15.12.1882) entrava a barra do porto de Viana do Castelo, encalhou numas pedras próximo do cais do Fortim, indo em seguida de encontro à escuna inglesa “Dahlia”, que entrara pouco antes. Deste incidente resultou ficar a “Margaret” com o leme e o pau da bujarrona partidos. A “Margaret” procedia da Terra Nova, com um carregamento de bacalhau.
(In jornal “Comércio do Porto”, Domingo, 17 de Novembro 1882)

Identificação (provável) dos navios
Escuna inglesa “Margaret”
Armador: William Grive & Sons, Ltd., Greenock
Construtor: Desconhecido, Bridgeport, 03.1862
Arqueação: Tab 135,00 tons
Dimensões: Pp 28,74 mts - Boca 6,40 mts - Pontal 3,54 mts
Propulsão: À vela
e
Escuna inglesa “Dahlia”
Armador: P.G. Tessier, St. John’s, Terra Nova
Construtor: Laing, Bideford, Inglaterra, 08.1873
Arqueação: Tab 128,00 tons
Dimensões: Pp 29,57 mts - Boca 6,40 mts - Pontal 3,26 mts
Propulsão: À vela

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Naufrágio
Ontem de madrugada (19.12.1882) naufragou a uma milha ao sul da barra de Viana o iate “Africano”, que havia saído há seis dias de Setúbal para aquele porto com um carregamento de sal. A tripulação, de que era mestre o sr. João dos Santos Silva salvou-se com muito custo na catraia dos pilotos.
O casco e o carregamento estão completamente perdidos. O naufrágio foi ocasionado devido ao navio estar alquebrado. O iate “Africano” pertencia à praça de Aveiro e era propriedade do sr. António Henriques e de outro individuo.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta, 20 de Dezembro de 1882)

Identificação do navio
Iate português “Africano”
Armador: António Henriques & Cª., Aveiro
Construtor: Desconhecido
Propulsão: À vela
Não há referência a este iate na lista de navios de 1882.