terça-feira, 7 de agosto de 2012

Quadro de honra no Ílhavo Sea Festival


Os 8 principais navios presentes no Festival de 2012

"Creoula", Santa Maria Manuela" e "Argus"
Foto do blog Santa Maria Manuela

No topo da lista dos principais navios presentes em Ílhavo, deve ser considerado como ponto mais alto do certame deste ano, o impensável primeiro encontro dos três lugres gémeos, “Creoula”, “Santa Maria Manuela” e “Argus”, a festejar os seus 75 anos de existência. Todos eles resistentes da pesca do bacalhau - navegaram por longos anos em múltiplas campanhas-, na Terra Nova e na Gronelândia, servindo actualmente outros propósitos, ligados ao treino de mar, ao turismo e a actividades de natureza científica.
Merecem igualmente destaque na passagem por Ílhavo, o brigue-barca “Guayas”, que tal como o “Creoula” utilizam guarnição militar. Por sua vez as barcas “Mir”, “Dar Mlodziezy” e “Alexander von Humboldt II“, estão ao serviço de academias náuticas civis, visando a instrução de alunos, para futura colocação na marinha mercante. Já o “Pelican of London” aceita passageiros e promove a educação náutica a alunos de escolas inglesas, possibilitando o alargar de conhecimentos a jovens de classes menos favorecidas, através da vertente turística.
Navegam em representação dos seus países, com as seguintes características:

Barca "Mir" - Postal ilustrado do navio

Navio “ Mir ” – Tipo: Barca – Nacionalidade: Rússia
Armador: Academia Almirante Makarov, S. Petersburgo
Construção: Estaleiro Navais de Gdansk, Polónia, 1987
Deslocamento: 2.256,00 toneladas
Dimensões: Ff 110,00 metros – Boca 14,00 metros
Área velica: 2.771 m2
Propulsão à vela: 19,4 milhas por hora
Propulsão a motor: 2:Di Cigulski-Sulzer, 10 milhas por hora
Equipagem: Capacidade para 199 tripulantes e instruendos

Barca "Dar Mlodziezy" - Postal ilustrado do navio

Navio “ Dar Mlodziezy “ – Tipo: Barca – Nacionalidade: Polónia
Armador: Escola Naval da Marinha Mercante, Gdynia
Construção: Estaleiro Navais de Gdansk, Polónia, 1981
Deslocamento: 2.946,00 toneladas
Dimensões: Ff 109,00 metros – Boca 14,00 metros
Área velica: 3.015 m2
Propulsão à vela: 16 milhas por hora
Propulsão a motor: 2:Di Sulzer, 12 milhas por hora
Equipagem: Capacidade para 152 tripulantes e instruendos

Brigue-barca "Guayas" - Postal do navio

Navio “ Guayas “ – Tipo: Brigue-barca – Nacionalidade: Equador
Armador: Marinha de Guerra do Equador, Guayaquil
Construção: Estaleiro Celaya S.A., Bilbao, Espanha, 1976
Deslocamento: 1.250,00 toneladas
Dimensões: Ff 78,40 metros – Boca 10,16 metros
Área velica: 1.611 m2
Propulsão à vela: 17 milhas por hora
Propulsão a motor: 1:Di, 11 milhas por hora
Guarnição: Capacidade para 182 tripulantes e instruendos

Barca "Alexander von Humboldt II" - Postal do navio

Navio “ Alexander von Humboldt II“ – Tipo: Barca – Nac.: Alemã
Armador: Deutsche Stiftung Sail Training, Bremerhaven
Construção: Estaleiro Brenn- und Verformtechnik, Bremen, 2011
Deslocamento: 992,00 toneladas
Dimensões: Ff 65,00 metros – Boca 10,00 metros
Área velica: 1.360 m2
Equipagem: Capacidade para 79 tripulantes e instruendos

Escuna "Pelican of London" - Postal do navio

Navio “ Pelican of London “ – Tipo: Escuna – Nac.: Inglesa
Armador: Adventure under Sail, Weymouth
Constr.: Chantiers et Ateliers Augustin Normand, Le Havre, 1948
Deslocamento: Tab 370,00 toneladas
Dimensões: Ff 45,00 metros – Boca 7,03 metros
Área velica: 525 m2
Equipagem: Capacidade para 40 tripulantes e passageiros

domingo, 5 de agosto de 2012

O N.E. “Sagres” escala em Leixões (2)


Comemoração de aniversário

A "Sagres" esta noite em Leixões

A “Sagres” está de parabéns e por força das circunstâncias a Marinha Portuguesa, pela decisão de trazer o navio a Leixões, para que se confirmasse a curiosidade e o interesse demonstrado por muitos milhares de pessoas, que responderam com agrado ao convite para participar na celebração do cinquentenário do navio escola da Armada.

O rosto bonito, de uma cadete da Royal Navy a bordo

Numa época em que se revela uma incompreensível desmaritimização no país, poder apreciar pais e filhos, uns a aprender e outros a ensinar os mais jovens, sobre os mais elementares detalhes da vida a bordo de um navio à vela, faz-nos acreditar na garantia de continuidade nacional sobre o mar, confirmada desde já pela presença cordial, agradável e muito principalmente afável, de largo número de futuros oficiais e pela respectiva guarnição, cuja disponibilidade para atender a todos os visitantes manifesta-se digna de registo.

A "Sagres" em Leixões à noite - puro esplendor...

Já de noite, muito próximo da hora programada para terminar as visitas, continuava um infindável corrupio de gente, mantendo-se no horizonte próximo aqueles olhares de surpresa e orgulho, que a visita ao navio desperta onde quer que este se encontre.
Foram 3 dias de saudável convívio e farta animação a bordo, que sem receio adianto tiveram sabor a pouco. Por esse motivo sinto-me na obrigação de felicitar o navio, a Marinha e todos quantos colaboraram nesta viagem ao norte, por terem possibilitado alterar a rotina dos milhares de visitantes, que por lá passaram, na troca por breves, mas bons, momentos de justificável felicidade.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Notícias do norte


Hoje foi dia de São Navio...

É verdade. Há muito tempo que não se via semelhante agitação marítima, tanto em Leixões como em Ílhavo, reflexo do muito apreciado “Sea Festival”, que já encheu os cais do porto de Aveiro, com muitas centenas de curiosos e interessados em visitar os veleiros ali ancorados. Logicamente fez-se notar a presença dos habitantes locais, mas foi notado igualmente a presença de razoável número de estrangeiros, entre os quais com origem na vizinha Espanha.

O "Aurora" à chegada ao porto de Leixões

O "Aurora" atracado no novo terminal de cruzeiros

Começando pelo princípio, lembro ter repetido hoje a escala em Leixões do navio de cruzeiros “Aurora”, da empresa P&O Cruises, vindo procedente do porto de Corfu. Este paquete, que na minha opinião é dos mais elegantes da frota, apesar de ser também um dos que se encontra à mais tempo ao serviço da companhia, está registado nas Bermudas, desloca 76.152 tons de arqueação bruta e tem 270 metros de comprimento. Deixou o porto durante a tarde, tendo seguido viagem com destino a Southampton.

A "Sagres" à chegada ao porto de Leixões

A "Sagres" durante a atracação no cais da doca norte

Seguiu-se a chegada do navio-escola “Sagres”, ex “Albert Leo Schlageter”, na Marinha Alemã e ex “Guanabara”, ao serviço da Marinha do Brasil. Chegado a Lisboa em 23 de Janeiro de 1962 e incorporado na Marinha Portuguesa nesse mesmo ano, comemora em 2012 o cinquentenário ao serviço da Marinha Portuguesa, motivo que traz o navio a Leixões, em pleno clima de festa.
O navio apresenta-se com armação do tipo barca, dispõe para navegar de uma área velica com 1.935 m2 e tem igualmente um motor diesel que assegura uma velocidade na ordem das 9 milhas por hora. Desloca 1.869 toneladas (máximo), tem 89,50 metros de comprimento e 12 metros de boca. A guarnição é normalmente composta por 10 oficiais, 19 sargentos e 134 praças, podendo ainda alojar 80 alunos candidatos a futuros oficiais. Está previsto regressar a Lisboa na próxima segunda-feira.

O navio "Lord Nelson" a navegar
Foto da Jubilee Sailing Trust

O "Lord Nelson" atracado no cais norte de Leixões

Está também no porto a galera inglesa “Lord Nelson”, construída inicialmente no estaleiro de James W. Cook, em Wivenhoe, Essex, tendo sido posteriormente terminada por Vosper Thornycroft’s, de Woolston, Southampton, encontrando-se a navegar desde 1984. Pertence à frota da Jubilee Sailing Trust e efectua viagens de cruzeiro a operar no mercado britânico, contemplando o embarque de pessoas com alguns tipos de deficiência, para o qual está devidamente equipada.
Arma em galera, utiliza 18 velas com uma área velica de 1.024 m2, conseguindo obter uma velocidade na ordem das 10 milhas. Utiliza também dois motores auxiliares a diesel com 260 Bhp, assegurando uma velocidade de 8 milhas por hora. Desloca 368 toneladas de arqueação bruta, tem 54,70 metros de comprimento f.f. e 9 metros de boca. Deverá sair do porto nos próximos dias com destino a Lisboa.

Quanto ao Sea Festival que decorre nas instalações do porto de Aveiro, muito embora ainda não tenham chegado todos os navios ali aguardados, é já enorme a agitação à volta deste muito louvável evento. Além da presença dos navios tradicionalmente obrigatórios em Ílhavo, por terem participado nas campanhas da pesca ao bacalhau, o “Creoula”, o “Santa Maria Manuela” e o “Polynesia - Argus”, são também muito visitadas a Barca “Mir” da Marinha Russa, a barca “Dar Mlodziezy” da Marinha da Polonia, a barca “Guayas” da Marinha do Equador e ainda o veleiro inglês de menores dimensões, o “Pelican of London”.

O navio-escola "Mir" da Marinha Russa

O navio-escola "Dar Mlodziezy" da Marinha Polaca

"Dar Mlodziezy"

O navio-escola "Guayas" da Marinha do Equador

O veleiro inglês "Pelican of London"

Está portanto absolutamente garantido um excelente fim-de-semana náutico, a que se alia um agradável conjunto de diversas actividades culturais, recreativas e desportivas.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O N.E. “Sagres” escala em Leixões


Comemoração de Aniversário


Decorridos cerca de 10 anos desde a última escala do N.R.P.”Sagres”, o navio regressa ao porto de Leixões, no período em que comemora os 75 anos a navegar e 50 anos como embaixador itinerante, representando a nação, pelos muitos portos dos países visitados.
A escala está anunciada para os 3 dias do próximo fim-de-semana, (de sexta-feira a Domingo), contemplando diversas horas em que o navio estará aberto ao público, podendo ser visitado no horário anunciado no respectivo poster publicado pela Marinha.

sábado, 28 de julho de 2012

Grandes veleiros em Leixões


Parada náutica ocasional

O porto de Leixões recebeu durante o mês de Julho, a visita de grandes veleiros, dois dos quais já referidos no blog e que se destinam ao transporte de passageiros, a coberto do slogan Mar e Aventura.

"Stad Amesterdam"

"Stad Amesterdam"

"Stad Amsterdam"

No dia 6 entrava no porto a magnifica galera holandesa “Stad Amsterdam”, procedente de Ibiza, saindo dias depois para regressar a casa e no dia 16 foi a vez da escala da já conhecida barca inglesa “Lord Nelson”, a operar nos moldes tradicionais, vindo procedente do porto da Corunha, para sair com destino a Lisboa, onde deve ter participado na grande concentração de navios, que decorreu no porto da capital durante os dias 19 a 22 deste mês.
Finalmente, chegado no dia 26 procedente de St. John, encontra-se atracado no cais norte o belíssimo navio escola da marinha Indonésia “Kri Dewaruci”, que pensamos visita Leixões pela primeira vez, tendo a saída agendada para a manhã do próximo Domingo.

"Kri Dewaruci"










Confesso que fiquei encantado com alguns pormenores encontrados a bordo do “Kri Dewaruci”, principalmente pela deliciosa maestria nos altos-relevos das peças de madeira colocadas ao redor dos mastros, na casa do leme e noutros artefactos espalhados pelo navio. Construído na Alemanha no estaleiro H.C. Stulcken & Sonh, de Hamburgo, em 1952, o navio-escola foi integrado na frota da marinha da Indonésia a 24 de Janeiro de 1953, desde quando viaja ao redor do mundo para treino de cadetes da Academia Naval de Surabaya.
O navio desloca uma tab com 874 toneladas, tem 58,30 metros de comprimento fora a fora e 9,50 metros de boca. Quando utiliza a propulsão à vela, pode utilizar um máximo de 16 panos, com uma área velica de 1.091 m2, que asseguram uma velocidade máxima de 9 milhas por hora. Em paralelo o navio pode utilizar o motor diesel instalado a bordo, atingindo a velocidade de 10,5 milhas por hora. A guarnição é composta por 81 tripulantes, entre oficiais, sargentos e praças, estando igualmente preparado para acomodar 75 cadetes durante os treinos de mar.

sábado, 21 de julho de 2012

Museu Marítimo de Esposende


Inauguração

Depois da cerimónia solene que teve lugar ontem ao fim da tarde, abriu esta tarde as portas ao público em geral, o Museu Marítimo de Esposende. O novo Museu foi criado pelo Fórum Esposendense, através da cedência por parte da Marinha dos andares superiores, no edifício dos Socorros a Náufragos, em plena orla marítima, na margem direita do rio Cávado.

À entrada do Museu somos recebidos por uma magnífica imagem do navio “Esposendense II”, durante o período áureo dos lugres na pesca do bacalhau.


Abre-se a porta de acesso ao Museu e logo ali, um quadro identificativo e um painel explicativo das actividades locais, dão o mote a justificar a forte ligação de Esposende ao mar, lembrando os antigos e afamados estaleiros e as múltiplas facetas marítimas, tais como a pesca costeira e longínqua e a apanha do sargaço, fundamental como adubo empregue no cultivo das terras vizinhas.




Estas imagens mostram outros detalhes do Museu, com diversos modelos de navios, alto-relevo com rostos de pescadores e o sempre lembrado iate “Júlia IIIº” ali construído e empregue na pesca longínqua. Obviamente não podia faltar a indispensável roda do leme, que está muito bem entregue ao timoneiro Fernando Loureiro Ferreira, Presidente do Fórum Esposendense. O aconselhamento técnico do Museu está a cargo do amigo José Felgueiras, face ao elevado conhecimento histórico das artes de pesca e das navegações, quer a nível nacional como internacional.

E para terminar, porque a pesca e as navegações contemplaram a utilização de grande número de marítimos, muitos deles estão agora imortalizados através dos respectivos retratos, nas escadas de acesso à Sala Museu, homenagem da terra aos seus gloriosos pescadores e navegantes.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Quebra-cabeças (VI)


O ex-voto da barca "América"

A presente história relativa aos ex-votos que pertencem ao espólio da Paróquia de Ílhavo, apresenta a barca “América” em perigo de naufrágio iminente, por motivo de mau tempo e vaga alterosa, supostamente em pleno Atlântico, o que não se veio a confirmar pela eventual proteção de S. Salvador, em função das preces, apelos e promessas efectuadas pela respectiva tripulação. A permeio dessas promessas, tinha efeito o agradecimento ao santo pelo seu salvamento, através da oferta de uma missa cantada e a entrega na igreja da imagem correspondente ao incidente, abaixo representada. A gravura tem inscrito um pequeno texto explicativo, com o seguinte teor: «Oferecido ao Senhor Jesus pelo capitão José Ançã e seus tripulantes em 08.10.1903».


A barca “América” foi um navio construído com casco de ferro, no estaleiro de R. & J. Evans, no porto de Liverpool, em 1875, para um armador inglês desconhecido, que a batizou inicialmente com o nome “Craigmullen”. Este proprietário teve o navio ao seu serviço entre 1875 e 1900, ano em que o pôs à venda, tendo a barca sido adquirida por um armador de Lisboa, alterando-lhe o nome para “Beira”, com a provável intenção de utilizá-la no transporte de mercadorias, entre portos nacionais e portos nas colónias portuguesas em África.
Aliás este sucesso teve um prazo limitado porque em 1901 o navio foi comprado pelo armador portuense Glama & Marinho, que logo tratou de registá-lo na praça do Porto. Fica desde então posicionado num trafego regular entre a cidade e portos americanos, onde certamente carregava produtos cerealíferos e a indispensável aduela, empregue no fabrico de pipas para o acondicionamento de diversos líquidos.
De acordo com a lista de navios nacionais, a barca está matriculada com o indicativo H.G.F.P., arqueando uma Tab com 822,70 toneladas e tendo por Tal 781,56 toneladas. Durante o período em que se encontrou registada no Porto, teve no comando os capitães ilhavenses José Ançã, entre 1901 e 1904, Manuel Oliveira da Velha, entre 1904 a 1907 e finalmente o capitão Adolfo Simões Paião, entre 1907 até Dezembro de 1909.


Isto porque no dia 23 de Dezembro de 1909, encontrando-se ancorada em Santo António do Vale da Piedade, durante os dias da grande cheia e forte vendaval no país, partiram-se-lhe os cabos da amarração, o que levou a barca a garrar com a forte corrente das águas do rio, indo cair sobre o cais da Afurada, embatendo com violência contra a capela de S. Pedro. Volvidos os dias de acalmia, tiveram lugar os necessários trabalhos de desencalhe, todavia por ter sido considerada inavegável, foi adaptada no Douro para permanecer no rio operando como pontão de carga.