sábado, 10 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
História trágico-marítima (LV)
Naufrágios de 1871
(IV) Brigue francês “Adéle”, a 18 de Janeiro de 1871
--- Naufrágio ---
(IV) Brigue francês “Adéle”, a 18 de Janeiro de 1871
--- Naufrágio ---
Corre a notícia na cidade, que ontem pelas 11 horas da manhã, naufragou ao norte de Viana, nos rochedos da praia da Areosa, à distância de dois quilómetros da barra, o brigue francês “Adéle”, que vinha do Mediterrâneo, com carregamento de mineral. Trazia 9 pessoas de tripulação e todas morreram afogadas, à excepção de um dos tripulantes, que pode felizmente salvar-se. No número dos falecidos conta-se o capitão daquele navio, por nome Gervy.
(In jornal "Comércio do Porto”, de 19 de Janeiro de 1871)
(In jornal "Comércio do Porto”, de 19 de Janeiro de 1871)
--- Naufrágio ---
Naufragou a norte da barra de Viana do Castelo o brigue francês “Adéle”, capitão Gervy, procedente do Mediterrâneo, com carga de mineral. Salvou-se uma pessoa da tripulação. Esta compunha-se de 9 pessoas; salvou-se uma e as outras morreram todas. Não foi possível salvá-las por causa do muito mar.
(In jornal "Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
(In jornal "Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
--- O naufrágio do brigue “Adéle” ---
Relativamente ao brigue “Adéle”, naufragado há pouco junto à barra de Viana, sob o comando do capitão Gervy, existem já pormenores, que indicam vir procedente das possessões francesas de Argel, com um carregamento de mineral. Era tripulado por 9 homens, tendo-se salvo a nado unicamente o marinheiro Aristides Tougny, de Saint Malo. O navio trazia água aberta e a gávea partida, com 32 dias de viagem.
O telégrafo semafórico fez-lhe sinal para que procurasse a praia do sul, que é toda formada de areia, mas o navio não conseguindo efectuar a manobra, seguiu para se despedaçar contra os rochedos. No local do sinistro compareceram imediatamente os srs. Capitão do porto, vice-cônsul francês e o chefe da fiscalização externa da alfandega, que tomaram todas as providencias que a situação exigiu.
(In jornal "Comércio do Porto”, de 21 de Janeiro de 1871)
O telégrafo semafórico fez-lhe sinal para que procurasse a praia do sul, que é toda formada de areia, mas o navio não conseguindo efectuar a manobra, seguiu para se despedaçar contra os rochedos. No local do sinistro compareceram imediatamente os srs. Capitão do porto, vice-cônsul francês e o chefe da fiscalização externa da alfandega, que tomaram todas as providencias que a situação exigiu.
(In jornal "Comércio do Porto”, de 21 de Janeiro de 1871)
--- Mais pormenores sobre o naufrágio do “Adéle” ---
O brigue francês naufragado ao norte da barra de Viana, no dia 18 do corrente, vinha de Bonna (no Mediterrâneo), com carga de mineral para Dunquerque, trazendo 32 dias de viagem e água aberta há 4 dias. Tinha 213 toneladas de registo e pertencia à matrícula de Saint Servan. Em consequência do mar ser muito alto e o sítio onde o navio bateu ser tudo rochedos, fez-se logo em pedaços. Apenas foram arrojados à praia fragmentos de madeira do navio, tudo de pouco valor em virtude do que foi a requerimento do agente consular francês da cidade, arrematando os salvados em 3 lotes na totalidade de 160 mil reis, inclusive o não visto.
Os cadáveres dos 8 náufragos que pereceram ainda não foram recuperados; o único que se salvou chama-se Aristides Tougny e é natural de Saint Malo.
(In jornal "Comércio do Porto”, de 21 de Janeiro de 1871)
Os cadáveres dos 8 náufragos que pereceram ainda não foram recuperados; o único que se salvou chama-se Aristides Tougny e é natural de Saint Malo.
(In jornal "Comércio do Porto”, de 21 de Janeiro de 1871)
Carta escrita por Joaquim José dos Prazeres, chefe do posto semafórico de Viana, que viu atendido o respectivo pedido de publicação, nestes termos:
Transcrição
Acerca do naufrágio do brigue francês “Adéle”, entendo que devo elucidar melhor relativamente aos meios que se empregaram, pelo posto semafórico, para que o referido brigue virasse de rumo. O primeiro sinal que se lhe fez foi - que caminhava para perigo -. Como não atendesse, fez-se outro para que voltasse todo ao sul. Também não atendeu. Porque continuou no rumo de leste, içaram-se mais bandeiras para ver se assim o chamava à atenção, o que infelizmente não sucedeu. Vendo que estava prestes a encalhar, oficiei imediatamente o ilustríssimo sr. Director da Alfândega da cidade, para dar as providências que o caso exigia, por isso que nada mais havia a esperar senão o naufrágio. O serviço semafórico foi efectuado por dois empregados, por mim e pelos pilotos que se achavam presentes, debaixo de um rigorosíssimo temporal. Se for entendido, que para abono da verdade, deva ser dada publicidade a estes esclarecimentos, muito obrigará de V.Sas., (ass.) Joaquim José dos Prazeres, chefe da estação telegráfica – Viana do Castelo, 21 de Janeiro de 1871
Fim de transcrição
P.S.- O tripulante que se salvou já conta com este naufrágio três a que assiste, vendo perecer todos os seus companheiros!
(In jornal “Comércio do Porto”, de 22 de Janeiro de 1871)
Transcrição
Acerca do naufrágio do brigue francês “Adéle”, entendo que devo elucidar melhor relativamente aos meios que se empregaram, pelo posto semafórico, para que o referido brigue virasse de rumo. O primeiro sinal que se lhe fez foi - que caminhava para perigo -. Como não atendesse, fez-se outro para que voltasse todo ao sul. Também não atendeu. Porque continuou no rumo de leste, içaram-se mais bandeiras para ver se assim o chamava à atenção, o que infelizmente não sucedeu. Vendo que estava prestes a encalhar, oficiei imediatamente o ilustríssimo sr. Director da Alfândega da cidade, para dar as providências que o caso exigia, por isso que nada mais havia a esperar senão o naufrágio. O serviço semafórico foi efectuado por dois empregados, por mim e pelos pilotos que se achavam presentes, debaixo de um rigorosíssimo temporal. Se for entendido, que para abono da verdade, deva ser dada publicidade a estes esclarecimentos, muito obrigará de V.Sas., (ass.) Joaquim José dos Prazeres, chefe da estação telegráfica – Viana do Castelo, 21 de Janeiro de 1871
Fim de transcrição
P.S.- O tripulante que se salvou já conta com este naufrágio três a que assiste, vendo perecer todos os seus companheiros!
(In jornal “Comércio do Porto”, de 22 de Janeiro de 1871)
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
História trágico-marítima (LIV)
Naufrágios de 1871
(III) Patacho russo “Withelm”, a 18 de Janeiro de 1871
--- Naufrágio ---
(III) Patacho russo “Withelm”, a 18 de Janeiro de 1871
--- Naufrágio ---
Confirma-se a triste notícia de mais um sinistro marítimo. O navio naufragado foi o patacho russo “Withelm”, procedente de Riga com 65 dias de viagem. O carregamento consistia em aduela (traves ou travessas de madeira, empregues na construção de barris), destinada à praça do Porto, para o sr. Francisco Borges da Cunha, encontrando-se segura na Companhia Segurança. Deu-se o sinistro entre a Torreira e S. Jacinto. A tripulação salvou-se toda, à excepção do piloto. O navio, segundo constou, encontrava-se em seco.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
--- Patacho “Withelm” ---
Acerca do patacho “Withelm”, ultimamente naufragado entre a Torreira e S. Jacinto, na costa de Aveiro, ao que tudo indica ter-se-á partido, açoutado pela fúria das vagas. Trata-se agora de recolher os destroços e salvar o carregamento, que consistia em aduela.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 21 de Janeiro de 1871)
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 21 de Janeiro de 1871)
--- Salvados ---
Informa-se que a carga composta por aduela, do patacho russo “Withelm”, naufragado entre a Torreira e S. Jacinto, foi toda salva. Estava segura na Companhia Segurança. Os salvados foram arrematados pelo sr. João Andresen por 2.300$000 reis. O casco que está partido deve ser arrematado nos próximos dias.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 24 de Janeiro de 1871)
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 24 de Janeiro de 1871)
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
História trágico-marítima (LIII)
Naufrágios de 1871
(II) Escuna russa “Eduard”, a 8 de Janeiro de 1871
--- Naufrágio ---
(II) Escuna russa “Eduard”, a 8 de Janeiro de 1871
--- Naufrágio ---
No último Domingo, durante a tarde, naufragou na costa de Espinho, em frente do posto fiscal de Esmoriz, a escuna russiana supra mencionada, procedente de Pernau (cidade situada no sudoeste da Estónia), em viagem para o rio Douro, com um carregamento de linho. A equipagem, composta por 7 tripulantes incluindo o capitão, salvou-se toda. Ontem de tarde, partiram para o local do sinistro alguns guardas da fiscalização externa e o sr. chefe fiscal, a fim de auxiliarem a guarda do navio.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 10 de Janeiro de 1871)
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 10 de Janeiro de 1871)
--- Salvados ---
Tem continuado os trabalhos para salvar o mais possível do casco e carregamento da escuna russiana “Eduard”, que no dia 8 do corrente, naufragou na praia de Esmoriz, por ter perdido o leme. A arrematação dos salvados terá lugar no próximo Domingo. O carregamento consistia num lote completo de linho.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 12 de Janeiro de 1871)
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 12 de Janeiro de 1871)
--- Escuna Eduard ---
A escuna russiana “Eduard”, que no dia 8 naufragou na praia de Esmoriz, tinha saído de Pernau no dia 14, com destino ao Porto. Vinha com carregamento de linho consignado ao sr. Manuel José da Cruz Magalhães e já se tinha visto obrigada a arribar a Vigo. A arrematação do casco e do linho avariado, deve ter lugar Domingo em Esmoriz. O linho que estiver em bom estado, assim como os mais salvados, vem para a alfândega do Porto, a fim de serem aqui arrematados no dia que se designar.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 13 de Janeiro de 1871)

(In jornal “O Comércio do Porto”, de 13 de Janeiro de 1871)

--- Arrematação de salvados ---
Verificou-se no Domingo em Esmoriz, a arrematação do casco, do linho avariado e outros objectos, pertencentes à escuna russiana “Eduard”, naufragada a 8 do corrente naquela praia.
O casco foi arrematado pelo sr. C.J. Schneider por 40$000 reis. O bote, um mastro, várias tábuas de Flandres, madeiras e três quartolas, foi tudo arrematado por 32$000 réis, pelo sr. Manuel Jorge Pereira. O linho foi arrematado pela quantia de 100$000 reis pelos srs. Marques, Gomes & Monteiro. À arrematação por parte do seguro assistiu o sr. Júlio Guilherme Burmester. Por parte da alfândega assistiram, como presidente o sr. Francisco Rodrigues de Faria e como escrivão o sr. António de Faria Carneiro. O pregoeiro foi o sr. Joaquim da Silva.
O resto dos salvados, que consiste em 135 balões de linho em bom estado e uma grande porção do mesmo em molhos pequenos e a granel, no massame todo do navio e em 9 caixões, que parece conterem bebidas espirituosas, deve ser conduzido para a alfândega do Porto, a fim de ali ser oportunamente arrematado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
O casco foi arrematado pelo sr. C.J. Schneider por 40$000 reis. O bote, um mastro, várias tábuas de Flandres, madeiras e três quartolas, foi tudo arrematado por 32$000 réis, pelo sr. Manuel Jorge Pereira. O linho foi arrematado pela quantia de 100$000 reis pelos srs. Marques, Gomes & Monteiro. À arrematação por parte do seguro assistiu o sr. Júlio Guilherme Burmester. Por parte da alfândega assistiram, como presidente o sr. Francisco Rodrigues de Faria e como escrivão o sr. António de Faria Carneiro. O pregoeiro foi o sr. Joaquim da Silva.
O resto dos salvados, que consiste em 135 balões de linho em bom estado e uma grande porção do mesmo em molhos pequenos e a granel, no massame todo do navio e em 9 caixões, que parece conterem bebidas espirituosas, deve ser conduzido para a alfândega do Porto, a fim de ali ser oportunamente arrematado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
--- Arrematação de salvados ---
Terminou ontem na estiva da alfândega velha, a arrematação do linho salvado da carga da escuna russiana “Eduard”, há pouco naufragada na costa de Esmoriz. Não se sabe por enquanto qual é o produto líquido desta arrematação, em consequência de não se encontrar pesado ainda o linho, o que só acontecerá na ocasião em que for despachado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 27 de Janeiro de 1871)
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 27 de Janeiro de 1871)
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
História trágico-marítima (LII)
Outros naufrágios de 1871
(I) Galera inglesa “Elisabeth Ann Bright”, a 6 de Janeiro de 1871
(I) Galera inglesa “Elisabeth Ann Bright”, a 6 de Janeiro de 1871
Na noite do dia 6, pelas 2 horas e 20 da madrugada, registou-se um violento incêndio na carga transportada a bordo da galera, entretanto arribada ao porto de Lisboa, composta por um lote de esparto (planta gramínea, cujos caules rijos e flexíveis são utilizados no fabrico de capachos, cordas e esteiras), ficando completamente queimada.
Acorreu muita gente ao Tejo, para presenciar o incêndio, sendo que El-Rei também apareceu, ordenando que viessem os vapores do arsenal, para fazerem encalhar o navio incendiado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 6 de Janeiro de 1871)
A galera inglesa “Elisabeth Ann Bright”, que havia começado a arder pelas 8 horas da manhã, do dia 5, afundou-se ontem no local onde se encontrava, pois não mudou de amarração. Encontrava-se conservado de guarda à galera o rebocador do arsenal e a canhoneira “Tejo”. Cabe salientar que o fogo da galera foi visto pelo guarda da ponte do arsenal, logo que começou a manifestar-se. Por esse motivo, o oficial que estava de serviço maior ao arsenal, mandou aprontar o rebocador e guarnecer uma lancha com uma bomba de incêndio e a gente da esquadra do troço do mar, dando em seguida parte ao superintendente do arsenal e ao capitão do porto, por ser esta autoridade a quem cumpre providenciar pelo que respeita aos acontecimentos, que tem lugar no Tejo.
O superintendente, depois de ordenar ao oficial de serviço, que satisfizesse todas as requisições do capitão do porto, dirigiu-se para o ancoradouro da galera. Ali compareceu também o capitão do porto, acompanhado do sub-chefe da 2ª direcção do arsenal. Enfim, o capitão do porto requisitou a canhoneira “Tejo”, providenciando depois como julgou conveniente e em harmonia com o seu encargo e com as leis e regulamentos em vigor. Também compareceram no lugar do sinistro o chefe da 1ª repartição da alfândega e o chefe fiscal do distrito de Lisboa.
A galera foi metida a pique por meio de balas disparadas pela canhoneira “Tejo”, tendo El-Rei estado presente a bordo do navio, presenciando as pontarias. O rebocador, o vapor “Lusitânia” do sr. Burnay e muitas lanchas do arsenal cercaram a galera, receando que ela garrasse e fosse cair sobre outras embarcações. Acorreu igualmente muita gente em botes ao local do sinistro, presenciando o espectáculo até a galera se afundar. Escaparam ao incêndio as bagagens dos tripulantes e instrumentos de bordo.
Salvaram-se 82 feixes de esparto, logo armazenados nos depósitos da alfândega em Porto Franco e 328 feixes, que foram descarregados para duas fragatas, junto ao cais. Salvou-se ainda outra porção, também em duas fragatas, que se achavam atracadas à galera.
O navio que chegara procedente de Oran, dirigia-se para Greenock, no Reino Unido. Transportava um volume total de 1.056 toneladas de esparto em rama, além do necessário lastro. Tinha uma equipagem composta por 27 tripulantes e arqueava 1.836 toneladas inglesas.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 8 de Janeiro de 1871)
Acorreu muita gente ao Tejo, para presenciar o incêndio, sendo que El-Rei também apareceu, ordenando que viessem os vapores do arsenal, para fazerem encalhar o navio incendiado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 6 de Janeiro de 1871)
A galera inglesa “Elisabeth Ann Bright”, que havia começado a arder pelas 8 horas da manhã, do dia 5, afundou-se ontem no local onde se encontrava, pois não mudou de amarração. Encontrava-se conservado de guarda à galera o rebocador do arsenal e a canhoneira “Tejo”. Cabe salientar que o fogo da galera foi visto pelo guarda da ponte do arsenal, logo que começou a manifestar-se. Por esse motivo, o oficial que estava de serviço maior ao arsenal, mandou aprontar o rebocador e guarnecer uma lancha com uma bomba de incêndio e a gente da esquadra do troço do mar, dando em seguida parte ao superintendente do arsenal e ao capitão do porto, por ser esta autoridade a quem cumpre providenciar pelo que respeita aos acontecimentos, que tem lugar no Tejo.
O superintendente, depois de ordenar ao oficial de serviço, que satisfizesse todas as requisições do capitão do porto, dirigiu-se para o ancoradouro da galera. Ali compareceu também o capitão do porto, acompanhado do sub-chefe da 2ª direcção do arsenal. Enfim, o capitão do porto requisitou a canhoneira “Tejo”, providenciando depois como julgou conveniente e em harmonia com o seu encargo e com as leis e regulamentos em vigor. Também compareceram no lugar do sinistro o chefe da 1ª repartição da alfândega e o chefe fiscal do distrito de Lisboa.
A galera foi metida a pique por meio de balas disparadas pela canhoneira “Tejo”, tendo El-Rei estado presente a bordo do navio, presenciando as pontarias. O rebocador, o vapor “Lusitânia” do sr. Burnay e muitas lanchas do arsenal cercaram a galera, receando que ela garrasse e fosse cair sobre outras embarcações. Acorreu igualmente muita gente em botes ao local do sinistro, presenciando o espectáculo até a galera se afundar. Escaparam ao incêndio as bagagens dos tripulantes e instrumentos de bordo.
Salvaram-se 82 feixes de esparto, logo armazenados nos depósitos da alfândega em Porto Franco e 328 feixes, que foram descarregados para duas fragatas, junto ao cais. Salvou-se ainda outra porção, também em duas fragatas, que se achavam atracadas à galera.
O navio que chegara procedente de Oran, dirigia-se para Greenock, no Reino Unido. Transportava um volume total de 1.056 toneladas de esparto em rama, além do necessário lastro. Tinha uma equipagem composta por 27 tripulantes e arqueava 1.836 toneladas inglesas.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 8 de Janeiro de 1871)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
História trágico-marítima (LI)
Naufrágios de 1871
(2ª Parte)
(2ª Parte)
No mapa dos naufrágios ocorridos nas costas do continente do reino e nas ilhas dos Açores, durante o ano de 1871, emitido pela 1ª Repartição do Ministério da Fazenda, sob a responsabilidade da secretaria de estado dos negócios da marinha e ultramar, assinada pelo Visconde da Praia Grande, a 24 de Abril de 1872 e inserida no Diário do Governo Nº 101, pág. 684, de 6 de Maio de 1872, encontra-se uma relação onde consta parte dos acidentes marítimos no país, que agora se encontra em estudo, para posterior publicação no blog, como segue:
= Departamento Norte – Porto e Aveiro =
28 de Novembro de 1871:- O iate português “Santa Maria”, de 93,038 m3, encalhou na praia de Azurara, em Vila do Conde, por se encontrar alquebrado. Os 6 tripulantes salvaram-se num pequeno bote, supostamente pertencente à palamenta da embarcação.
14 de Dezembro de 1871:- O iate português “Bom Jesus dos Navegantes”, de 89,000 m3, afundou-se arrombado sobre as pedras da ponta sul do paredão do porto de Aveiro. Todos os tripulantes foram salvos por duas catraias guarnecidas com ancorotes e viradores.
19 de Dezembro de 1871:- O iate português “Estrela do Dia”, de 80,000 m3, naufragou após encalhe na coroa do sul do banco, a 600 metros da barra de Aveiro, quando procurava entrar no porto, sob más condições de tempo e mar. Todos os tripulantes se salvaram, supostamente através de meios próprios.
14 de Dezembro de 1871:- O iate português “Bom Jesus dos Navegantes”, de 89,000 m3, afundou-se arrombado sobre as pedras da ponta sul do paredão do porto de Aveiro. Todos os tripulantes foram salvos por duas catraias guarnecidas com ancorotes e viradores.
19 de Dezembro de 1871:- O iate português “Estrela do Dia”, de 80,000 m3, naufragou após encalhe na coroa do sul do banco, a 600 metros da barra de Aveiro, quando procurava entrar no porto, sob más condições de tempo e mar. Todos os tripulantes se salvaram, supostamente através de meios próprios.
= Departamento Centro – Lisboa =
2 de Julho de 1871:- O patacho inglês “Cynthia”, de 155,000 m3, encalhou próximo do porto de Peniche, por se encontrar com água aberta. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito recorrido à lancha do próprio navio.
24.08.1871:- O Vapor inglês “Lunefield”, naufragou no cabo da Roca, por motivo de forte nevoeiro. A tripulação foi resgatada do navio, por meios disponibilizados pelo vapor “Lusitano”.
28 de Agosto de 1871:- A barca austríaca “Figlia Alexandra”, afundou-se a cerca de 5.000 metros da costa, com água aberta, quando se encontrava a noroeste de Peniche. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito recorrido à lancha do próprio navio.
24.08.1871:- O Vapor inglês “Lunefield”, naufragou no cabo da Roca, por motivo de forte nevoeiro. A tripulação foi resgatada do navio, por meios disponibilizados pelo vapor “Lusitano”.
28 de Agosto de 1871:- A barca austríaca “Figlia Alexandra”, afundou-se a cerca de 5.000 metros da costa, com água aberta, quando se encontrava a noroeste de Peniche. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito recorrido à lancha do próprio navio.
= Departamento Sul – Vila Nova de Portimão =
3 de Março de 1871:- A escuna inglesa “Margaret Meguear”, de 105,000 m3, deu à costa na praia de Cacela, em Portimão, debaixo de forte temporal. Os 6 tripulantes a bordo salvaram-se através de processo não determinado.
12 de Agosto de 1871:- O brigue francês “Irene”, encalhou junto a terra na praia da Bordeira, em Lagos, por motivo de incêndio na carga de mineral, que transportava. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito abandonado o navio na lancha de bordo.
12 de Agosto de 1871:- O brigue francês “Irene”, encalhou junto a terra na praia da Bordeira, em Lagos, por motivo de incêndio na carga de mineral, que transportava. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito abandonado o navio na lancha de bordo.
= Departamento Açores – Ponta Delgada =
13 de Novembro de 1871:- O vapor espanhol “Canarias”, de 1.421,000 m3, naufragou a 50 metros da baía da praia, na ilha de Santa Maria, com água aberta. Salvaram-se 116 tripulantes e passageiros nos escaleres do navio, registando-se todavia 1 vitima mortal no sinistro.
domingo, 4 de dezembro de 2011
História trágico-marítima (L)
Naufrágios de 1871
(1ª Parte)
(1ª Parte)
No mapa dos naufrágios ocorridos nas costas do continente do reino e nas ilhas dos Açores, durante o ano de 1871, emitido pela 1ª Repartição do Ministério da Fazenda, sob a responsabilidade da secretaria de estado dos negócios da marinha e ultramar, assinada pelo Visconde da Praia Grande, a 24 de Abril de 1872 e inserida no Diário do Governo Nº 101, pág. 684, de 6 de Maio de 1872, encontra-se uma relação onde consta parte dos acidentes marítimos no país, que agora se encontra em estudo, para posterior publicação no blog, como segue:
= Departamento Norte – Viana do Castelo, Porto e Aveiro =
8 de Janeiro de 1871:- A escuna prussiana “Eduard”, deu à costa em Esmoriz, onde encalhou, por ter perdido o leme. Sem apoio de terra, a tripulação salvou-se por meios próprios.
18 de Janeiro de 1871:- A escuna russiana “Withelm”, de 159,512 m3, deu à costa entre a Torreira e São Jacinto, devido a forte vento do quadrante oeste-noroeste e à violência do mar. No rescaldo do sinistro, que não recebeu assistência de terra, salvaram-se pelos próprios meios 6 dos 7 tripulantes, que compunham a equipagem.
18 de Janeiro de 1871:- O brigue francês “Adéle”, de 213,000 m3, encalhou nos recifes da praia da Areosa, por se encontrar com água aberta e por motivo da violência do mar. Não tendo sido possível acudir à tripulação, o sinistro registou 8 mortos e 1 sobrevivente.
20 de Fevereiro de 1871:- A barca portuguesa “Maria”, de 332,000 m3, encalhou na ponta do Cabedelo, na barra do rio Douro, por força da corrente do rio e (recalmões?). Toda a tripulação foi resgatada de bordo do navio, pelo salva-vidas local.
28 de Agosto de 1871:- A barca portuguesa “Flor de S. Simão”, de 357,000 m3, encalhou aproximadamente 6 metros da barra do rio Douro, por se encontrar com água aberta, devido à violência e direcção da corrente de água. Toda a tripulação da barca foi resgatada do navio, nas catraias utilizadas pela pilotagem. Foi desencalhada posteriormente, retomando o serviço.
1 de Novembro de 1871:- O patacho sueco “Johan”, de 158,000 m3, encalhou a cerca de 70 metros da entrada da barra do rio Douro, por lhe ter faltado o vento. Todos os tripulantes foram resgatados do navio, na catraia do piloto-mor.
10 de Novembro de 1871:- O iate português “Jovem Laura”, deu à costa no esteiro da Póvoa de Varzim, tendo-se salvo toda a tripulação.
11 de Novembro de 1871:- O patacho inglês “Marian”, de 137,000 m3, encalhou a cerca de 40 metros da entrada da barra do rio Douro, encontrando-se ingovernável. Todos os tripulantes foram resgatados do navio, pela catraia do piloto-mor.
18 de Janeiro de 1871:- A escuna russiana “Withelm”, de 159,512 m3, deu à costa entre a Torreira e São Jacinto, devido a forte vento do quadrante oeste-noroeste e à violência do mar. No rescaldo do sinistro, que não recebeu assistência de terra, salvaram-se pelos próprios meios 6 dos 7 tripulantes, que compunham a equipagem.
18 de Janeiro de 1871:- O brigue francês “Adéle”, de 213,000 m3, encalhou nos recifes da praia da Areosa, por se encontrar com água aberta e por motivo da violência do mar. Não tendo sido possível acudir à tripulação, o sinistro registou 8 mortos e 1 sobrevivente.
20 de Fevereiro de 1871:- A barca portuguesa “Maria”, de 332,000 m3, encalhou na ponta do Cabedelo, na barra do rio Douro, por força da corrente do rio e (recalmões?). Toda a tripulação foi resgatada de bordo do navio, pelo salva-vidas local.
28 de Agosto de 1871:- A barca portuguesa “Flor de S. Simão”, de 357,000 m3, encalhou aproximadamente 6 metros da barra do rio Douro, por se encontrar com água aberta, devido à violência e direcção da corrente de água. Toda a tripulação da barca foi resgatada do navio, nas catraias utilizadas pela pilotagem. Foi desencalhada posteriormente, retomando o serviço.
1 de Novembro de 1871:- O patacho sueco “Johan”, de 158,000 m3, encalhou a cerca de 70 metros da entrada da barra do rio Douro, por lhe ter faltado o vento. Todos os tripulantes foram resgatados do navio, na catraia do piloto-mor.
10 de Novembro de 1871:- O iate português “Jovem Laura”, deu à costa no esteiro da Póvoa de Varzim, tendo-se salvo toda a tripulação.
11 de Novembro de 1871:- O patacho inglês “Marian”, de 137,000 m3, encalhou a cerca de 40 metros da entrada da barra do rio Douro, encontrando-se ingovernável. Todos os tripulantes foram resgatados do navio, pela catraia do piloto-mor.
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