quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

História trágico-marítima (LIV)


Naufrágios de 1871
(III) Patacho russo “Withelm”, a 18 de Janeiro de 1871

--- Naufrágio ---
Confirma-se a triste notícia de mais um sinistro marítimo. O navio naufragado foi o patacho russo “Withelm”, procedente de Riga com 65 dias de viagem. O carregamento consistia em aduela (traves ou travessas de madeira, empregues na construção de barris), destinada à praça do Porto, para o sr. Francisco Borges da Cunha, encontrando-se segura na Companhia Segurança. Deu-se o sinistro entre a Torreira e S. Jacinto. A tripulação salvou-se toda, à excepção do piloto. O navio, segundo constou, encontrava-se em seco.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
--- Patacho “Withelm” ---
Acerca do patacho “Withelm”, ultimamente naufragado entre a Torreira e S. Jacinto, na costa de Aveiro, ao que tudo indica ter-se-á partido, açoutado pela fúria das vagas. Trata-se agora de recolher os destroços e salvar o carregamento, que consistia em aduela.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 21 de Janeiro de 1871)
--- Salvados ---
Informa-se que a carga composta por aduela, do patacho russo “Withelm”, naufragado entre a Torreira e S. Jacinto, foi toda salva. Estava segura na Companhia Segurança. Os salvados foram arrematados pelo sr. João Andresen por 2.300$000 reis. O casco que está partido deve ser arrematado nos próximos dias.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 24 de Janeiro de 1871)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

História trágico-marítima (LIII)


Naufrágios de 1871
(II) Escuna russa “Eduard”, a 8 de Janeiro de 1871

--- Naufrágio ---
No último Domingo, durante a tarde, naufragou na costa de Espinho, em frente do posto fiscal de Esmoriz, a escuna russiana supra mencionada, procedente de Pernau (cidade situada no sudoeste da Estónia), em viagem para o rio Douro, com um carregamento de linho. A equipagem, composta por 7 tripulantes incluindo o capitão, salvou-se toda. Ontem de tarde, partiram para o local do sinistro alguns guardas da fiscalização externa e o sr. chefe fiscal, a fim de auxiliarem a guarda do navio.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 10 de Janeiro de 1871)
--- Salvados ---
Tem continuado os trabalhos para salvar o mais possível do casco e carregamento da escuna russiana “Eduard”, que no dia 8 do corrente, naufragou na praia de Esmoriz, por ter perdido o leme. A arrematação dos salvados terá lugar no próximo Domingo. O carregamento consistia num lote completo de linho.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 12 de Janeiro de 1871)
--- Escuna Eduard ---
A escuna russiana “Eduard”, que no dia 8 naufragou na praia de Esmoriz, tinha saído de Pernau no dia 14, com destino ao Porto. Vinha com carregamento de linho consignado ao sr. Manuel José da Cruz Magalhães e já se tinha visto obrigada a arribar a Vigo. A arrematação do casco e do linho avariado, deve ter lugar Domingo em Esmoriz. O linho que estiver em bom estado, assim como os mais salvados, vem para a alfândega do Porto, a fim de serem aqui arrematados no dia que se designar.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 13 de Janeiro de 1871)


--- Arrematação de salvados ---
Verificou-se no Domingo em Esmoriz, a arrematação do casco, do linho avariado e outros objectos, pertencentes à escuna russiana “Eduard”, naufragada a 8 do corrente naquela praia.
O casco foi arrematado pelo sr. C.J. Schneider por 40$000 reis. O bote, um mastro, várias tábuas de Flandres, madeiras e três quartolas, foi tudo arrematado por 32$000 réis, pelo sr. Manuel Jorge Pereira. O linho foi arrematado pela quantia de 100$000 reis pelos srs. Marques, Gomes & Monteiro. À arrematação por parte do seguro assistiu o sr. Júlio Guilherme Burmester. Por parte da alfândega assistiram, como presidente o sr. Francisco Rodrigues de Faria e como escrivão o sr. António de Faria Carneiro. O pregoeiro foi o sr. Joaquim da Silva.
O resto dos salvados, que consiste em 135 balões de linho em bom estado e uma grande porção do mesmo em molhos pequenos e a granel, no massame todo do navio e em 9 caixões, que parece conterem bebidas espirituosas, deve ser conduzido para a alfândega do Porto, a fim de ali ser oportunamente arrematado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 20 de Janeiro de 1871)
--- Arrematação de salvados ---
Terminou ontem na estiva da alfândega velha, a arrematação do linho salvado da carga da escuna russiana “Eduard”, há pouco naufragada na costa de Esmoriz. Não se sabe por enquanto qual é o produto líquido desta arrematação, em consequência de não se encontrar pesado ainda o linho, o que só acontecerá na ocasião em que for despachado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 27 de Janeiro de 1871)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

História trágico-marítima (LII)


Outros naufrágios de 1871
(I) Galera inglesa “Elisabeth Ann Bright”, a 6 de Janeiro de 1871

Na noite do dia 6, pelas 2 horas e 20 da madrugada, registou-se um violento incêndio na carga transportada a bordo da galera, entretanto arribada ao porto de Lisboa, composta por um lote de esparto (planta gramínea, cujos caules rijos e flexíveis são utilizados no fabrico de capachos, cordas e esteiras), ficando completamente queimada.
Acorreu muita gente ao Tejo, para presenciar o incêndio, sendo que El-Rei também apareceu, ordenando que viessem os vapores do arsenal, para fazerem encalhar o navio incendiado.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 6 de Janeiro de 1871)

A galera inglesa “Elisabeth Ann Bright”, que havia começado a arder pelas 8 horas da manhã, do dia 5, afundou-se ontem no local onde se encontrava, pois não mudou de amarração. Encontrava-se conservado de guarda à galera o rebocador do arsenal e a canhoneira “Tejo”. Cabe salientar que o fogo da galera foi visto pelo guarda da ponte do arsenal, logo que começou a manifestar-se. Por esse motivo, o oficial que estava de serviço maior ao arsenal, mandou aprontar o rebocador e guarnecer uma lancha com uma bomba de incêndio e a gente da esquadra do troço do mar, dando em seguida parte ao superintendente do arsenal e ao capitão do porto, por ser esta autoridade a quem cumpre providenciar pelo que respeita aos acontecimentos, que tem lugar no Tejo.
O superintendente, depois de ordenar ao oficial de serviço, que satisfizesse todas as requisições do capitão do porto, dirigiu-se para o ancoradouro da galera. Ali compareceu também o capitão do porto, acompanhado do sub-chefe da 2ª direcção do arsenal. Enfim, o capitão do porto requisitou a canhoneira “Tejo”, providenciando depois como julgou conveniente e em harmonia com o seu encargo e com as leis e regulamentos em vigor. Também compareceram no lugar do sinistro o chefe da 1ª repartição da alfândega e o chefe fiscal do distrito de Lisboa.
A galera foi metida a pique por meio de balas disparadas pela canhoneira “Tejo”, tendo El-Rei estado presente a bordo do navio, presenciando as pontarias. O rebocador, o vapor “Lusitânia” do sr. Burnay e muitas lanchas do arsenal cercaram a galera, receando que ela garrasse e fosse cair sobre outras embarcações. Acorreu igualmente muita gente em botes ao local do sinistro, presenciando o espectáculo até a galera se afundar. Escaparam ao incêndio as bagagens dos tripulantes e instrumentos de bordo.
Salvaram-se 82 feixes de esparto, logo armazenados nos depósitos da alfândega em Porto Franco e 328 feixes, que foram descarregados para duas fragatas, junto ao cais. Salvou-se ainda outra porção, também em duas fragatas, que se achavam atracadas à galera.
O navio que chegara procedente de Oran, dirigia-se para Greenock, no Reino Unido. Transportava um volume total de 1.056 toneladas de esparto em rama, além do necessário lastro. Tinha uma equipagem composta por 27 tripulantes e arqueava 1.836 toneladas inglesas.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 8 de Janeiro de 1871)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

História trágico-marítima (LI)


Naufrágios de 1871
(2ª Parte)

No mapa dos naufrágios ocorridos nas costas do continente do reino e nas ilhas dos Açores, durante o ano de 1871, emitido pela 1ª Repartição do Ministério da Fazenda, sob a responsabilidade da secretaria de estado dos negócios da marinha e ultramar, assinada pelo Visconde da Praia Grande, a 24 de Abril de 1872 e inserida no Diário do Governo Nº 101, pág. 684, de 6 de Maio de 1872, encontra-se uma relação onde consta parte dos acidentes marítimos no país, que agora se encontra em estudo, para posterior publicação no blog, como segue:

= Departamento Norte – Porto e Aveiro =

28 de Novembro de 1871:- O iate português “Santa Maria”, de 93,038 m3, encalhou na praia de Azurara, em Vila do Conde, por se encontrar alquebrado. Os 6 tripulantes salvaram-se num pequeno bote, supostamente pertencente à palamenta da embarcação.
14 de Dezembro de 1871:- O iate português “Bom Jesus dos Navegantes”, de 89,000 m3, afundou-se arrombado sobre as pedras da ponta sul do paredão do porto de Aveiro. Todos os tripulantes foram salvos por duas catraias guarnecidas com ancorotes e viradores.
19 de Dezembro de 1871:- O iate português “Estrela do Dia”, de 80,000 m3, naufragou após encalhe na coroa do sul do banco, a 600 metros da barra de Aveiro, quando procurava entrar no porto, sob más condições de tempo e mar. Todos os tripulantes se salvaram, supostamente através de meios próprios.

= Departamento Centro – Lisboa =

2 de Julho de 1871:- O patacho inglês “Cynthia”, de 155,000 m3, encalhou próximo do porto de Peniche, por se encontrar com água aberta. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito recorrido à lancha do próprio navio.
24.08.1871:- O Vapor inglês “Lunefield”, naufragou no cabo da Roca, por motivo de forte nevoeiro. A tripulação foi resgatada do navio, por meios disponibilizados pelo vapor “Lusitano”.
28 de Agosto de 1871:- A barca austríaca “Figlia Alexandra”, afundou-se a cerca de 5.000 metros da costa, com água aberta, quando se encontrava a noroeste de Peniche. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito recorrido à lancha do próprio navio.

= Departamento Sul – Vila Nova de Portimão =

3 de Março de 1871:- A escuna inglesa “Margaret Meguear”, de 105,000 m3, deu à costa na praia de Cacela, em Portimão, debaixo de forte temporal. Os 6 tripulantes a bordo salvaram-se através de processo não determinado.
12 de Agosto de 1871:- O brigue francês “Irene”, encalhou junto a terra na praia da Bordeira, em Lagos, por motivo de incêndio na carga de mineral, que transportava. Todos os tripulantes se salvaram, tendo para o efeito abandonado o navio na lancha de bordo.

= Departamento Açores – Ponta Delgada =

13 de Novembro de 1871:- O vapor espanhol “Canarias”, de 1.421,000 m3, naufragou a 50 metros da baía da praia, na ilha de Santa Maria, com água aberta. Salvaram-se 116 tripulantes e passageiros nos escaleres do navio, registando-se todavia 1 vitima mortal no sinistro.

domingo, 4 de dezembro de 2011

História trágico-marítima (L)


Naufrágios de 1871
(1ª Parte)

No mapa dos naufrágios ocorridos nas costas do continente do reino e nas ilhas dos Açores, durante o ano de 1871, emitido pela 1ª Repartição do Ministério da Fazenda, sob a responsabilidade da secretaria de estado dos negócios da marinha e ultramar, assinada pelo Visconde da Praia Grande, a 24 de Abril de 1872 e inserida no Diário do Governo Nº 101, pág. 684, de 6 de Maio de 1872, encontra-se uma relação onde consta parte dos acidentes marítimos no país, que agora se encontra em estudo, para posterior publicação no blog, como segue:

= Departamento Norte – Viana do Castelo, Porto e Aveiro =

8 de Janeiro de 1871:- A escuna prussiana “Eduard”, deu à costa em Esmoriz, onde encalhou, por ter perdido o leme. Sem apoio de terra, a tripulação salvou-se por meios próprios.
18 de Janeiro de 1871:- A escuna russiana “Withelm”, de 159,512 m3, deu à costa entre a Torreira e São Jacinto, devido a forte vento do quadrante oeste-noroeste e à violência do mar. No rescaldo do sinistro, que não recebeu assistência de terra, salvaram-se pelos próprios meios 6 dos 7 tripulantes, que compunham a equipagem.
18 de Janeiro de 1871:- O brigue francês “Adéle”, de 213,000 m3, encalhou nos recifes da praia da Areosa, por se encontrar com água aberta e por motivo da violência do mar. Não tendo sido possível acudir à tripulação, o sinistro registou 8 mortos e 1 sobrevivente.
20 de Fevereiro de 1871:- A barca portuguesa “Maria”, de 332,000 m3, encalhou na ponta do Cabedelo, na barra do rio Douro, por força da corrente do rio e (recalmões?). Toda a tripulação foi resgatada de bordo do navio, pelo salva-vidas local.
28 de Agosto de 1871:- A barca portuguesa “Flor de S. Simão”, de 357,000 m3, encalhou aproximadamente 6 metros da barra do rio Douro, por se encontrar com água aberta, devido à violência e direcção da corrente de água. Toda a tripulação da barca foi resgatada do navio, nas catraias utilizadas pela pilotagem. Foi desencalhada posteriormente, retomando o serviço.
1 de Novembro de 1871:- O patacho sueco “Johan”, de 158,000 m3, encalhou a cerca de 70 metros da entrada da barra do rio Douro, por lhe ter faltado o vento. Todos os tripulantes foram resgatados do navio, na catraia do piloto-mor.
10 de Novembro de 1871:- O iate português “Jovem Laura”, deu à costa no esteiro da Póvoa de Varzim, tendo-se salvo toda a tripulação.
11 de Novembro de 1871:- O patacho inglês “Marian”, de 137,000 m3, encalhou a cerca de 40 metros da entrada da barra do rio Douro, encontrando-se ingovernável. Todos os tripulantes foram resgatados do navio, pela catraia do piloto-mor.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A 1ª escala em Leixões


O N.R.P. “ Viana do Castelo “






O n.p.o. “Viana do Castelo” cumpre hoje a primeira de muitas escalas em Leixões, já em serviço de patrulha e fiscalização do litoral norte. Queremos na oportunidade desejar a toda a guarnição, uma comissão de sucesso em todas as operações, no cabal desempenho das missões que lhes forem confiadas.

terça-feira, 15 de novembro de 2011