quarta-feira, 31 de agosto de 2011

História trágico-marítima (XXXVII)


O encalhe do “ Ford Osprey “

Um barco de pesca encalhou, na madrugada de ontem (21.07.1993), a 300 metros da praia das Caxinas, Vila do Conde. Segundo o Posto Marítimo da Póvoa de Varzim, a embarcação de 220 toneladas, encalhou provavelmente devido a erro humano.
O “Ford Osprey” é inglês e dirigia-se para a Póvoa de Varzim, vindo de Lisboa. As quatro pessoas que seguiam no barco não sofreram quaisquer ferimentos. Até ao final do dia, tudo estava a ser feito para desencalhar o barco o mais depressa possível.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 22 de Julho de 1993).

O arrastão “ Ford Osprey “
1993 - 1993
Granton, Inglaterra
Proprietário não identificado

O "Ford Osprey" encalhado na praia das Caxinas
(Colecção particular)

Construtor: Henry Scarr, Ltd. Hessle, Inglaterra, 05.1960
ex “Granton Osprey”, Putford Enterprises, Granton, 1960-1984
ex “Puttford Osprey”, Putford Enterprises, Granton, 1984-1993
Arqueação: Tab 230,00 tons - Tal 78,00 tons
Dimensões: Ff 33,14 mts - Pp 32,31 mt - Bc 7,35 mt - Ptl 3,15 mts
Propulsão: Ruston & Hornsby - 1:Di - 6:Ci - 500 Bhp - 12 m/h

Com efeito, relativamente à notícia acima, a realidade aponta noutra direcção, porque o casco do arrastão tendo ficado preso nos rochedos, logo abriu água, pelo que algum tempo depois o mar acabou por destrui-lo, acabando por desaparecer. Também, porque as condições de tempo e mar era boas, quando se deu o encalhe, logo foi posta a questão do sinistro ficar a dever-se a erro humano. Particularmente, foi-nos afiançado da eventual possibilidade do arrais não estar documentado para capitanear uma embarcação deste tipo, contudo a causa mais fiável terá sido o total desconhecimento da costa e dos cuidados a tomar na aproximação ao porto da Póvoa de Varzim.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

História trágico-marítima (XXXVI)


O naufrágio do n.m.” Save “
(3ª parte)

Inesperadamente o “Save” volta a encalhar e deflagra o incêndio seguido de violentas explosões
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Inesperadamente, arrastado pela violência da ventania, o navio foi novamente atirado para a costa, onde encalhou a trezentos metros de um desolado pântano, no qual crescem manguais. De terra e dos outros barcos avistaram então rolos de fumo e altas labaredas saindo de bordo do navio sinistrado e observou-se que a aflição dos passageiros e tripulantes a bordo era grande e que alguns se lançavam ao mar. Supõe-se que o incêndio tenha sido provocado por curto-circuito causado pela água que entrou nos porões. As labaredas começaram logo a irromper ao mesmo tempo na proa e popa do navio. A ponte de comando apresentava, momentos depois, um aspecto desolador, com ferros queimados e torcidos.
Devido ao perigo iminente de uma explosão, o comandante Mário Vieira deu ordem para se abandonar o navio nas baleeiras. A primeira embarcação arreada, em que seguia uma garota de 12 anos agarrada a um rosário, conseguiu chegar a terra a salvo, mas a segunda foi atirada contra o costado do navio, partiu-se e afundou-se. Registou-se então a primeira explosão, que abalou o “Save” de proa à popa. As explosões sucederam-se e destruíram a carcassa do navio.
Quando se declarou a primeira explosão, o barco encontrava-se com a proa virada para o mar e a popa para terra. Da praia apenas se viam quatro pessoas agarradas à proa, em posição de equilíbrio e três outras fora de borda suspensas num cabo ligado ao casco do navio.

Mapa do local do sinistro, assinalado com um -x-

O navio foi atirado contra um banco de areia, na foz do rio dos Bons Sinais
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Mais tarde conheceram-se novos pormenores da tragédia. Assim, a primeira explosão, nos porões da proa, foi seguida por outras. O “Save” encalhou num banco de areia e mais tarde foi arrastado por ondas alterosas até à própria praia, onde ficou a arder. Quando as chamas se tornaram mais ameaçadoras, os passageiros começaram a atirar-se ao mar ou a descer para a água pela corrente da ancora. Muitos conseguiram chegar à praia em cima de caixotes e jangadas improvisadas, com madeiras e outros objectos flutuantes que conseguiram encontrar, incluindo malas, mas outros foram arrastados pela corrente para longe de terra e morreram afogados.

Aviões e helicópteros sobrevoam os restos do “Save”
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Desde as primeiras horas do acidente que se encontravam próximo do “Save” assistindo à tragédia, mas sem poderem intervir devido à violência da rebentação, as embarcações “Liaze”, “Chaimite”, “Angoche” e os rebocadores “Sofala” e “Timbué”. Os restos do navio foram sobrevoados por diversos aviões e helicópteros. Devido à explosão e ao incêndio, o “Save” ficou partido pelo meio. Era o fim. As «morses» de todos os telégrafos, transmitiram desde a madrugada uma mensagem de desalento, que se traduziu nestas exasperantes palavras: «O navio está completamente perdido».

O “Save” foi lançado à água, na Escócia, em 1951
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O cargueiro “Save”, que pertencia à frota da Companhia Nacional de Navegação, era uma das mais modernas unidades da Marinha Mercante Nacional. Foi construído em 1951 pela firma The Grangemouth Dockyard Co. Ltd. de Grangemouth, Escócia. Dali navegou para Portugal e no dia 5 de Novembro do mesmo ano foi registado na Capitania do porto de Lisboa, com o número H-405. Algum tempo depois deixava o Tejo, rumo a Moçambique, onde passou a fazer a ligação entre os diversos portos daquela província.
As suas principais características eram as seguintes: comprimento de fora a fora, 78,93 m., boca extrema, 12,62; calado, à proa, 4,26 m.; calado, à popa 4,26m.; arqueação bruta, 2.036,84 toneladas; arqueação liquida, 1.007,53 toneladas; capacidade, 3.004 metros cúbicos e porte bruto, 1.351 toneladas. Estava apetrechado tecnicamente com dois motores diesel, de cinco cilindros cada, construídos pela firma «The British Polar Engines, Ltd., da Escócia. Desenvolvia a potência de 1.800 cavalos, podendo navegar à velocidade máxima de 13,6 milhas por hora; a sua velocidade normal era de 12 milhas horárias.
O “Save” dispunha de acomodações para 46 tripulantes e de três cobertas, podendo transportar até 652 passageiros. De começo foi utilizado na carreira de Lourenço Marques a Inhambane, transportando, especialmente, nativos.

Lista de tripulantes do navio

Sete tripulantes do “Save” foram transportados de avião para Lourenço Marques, com ferimentos graves
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Os médicos e enfermeiros transportados nos aviões ligeiros, que aterraram nas praias próximo ao local do naufrágio, prestaram desde logo cuidados de urgência a vários feridos. Foram evacuados nesses aviões para Lourenço Marques, com ferimentos graves, onde ficaram hospitalizados, os tripulantes António Paradela, encarregado; José de Freitas, 3º piloto; Gregório Santa Rita, paioleiro; Raul Valadas, artífice; Viriato Borges e João António, maquinistas e Joaquim Pegado, conferente.

Estão salvas as três únicas crianças que seguiam a bordo
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É de realçar que o governador do distrito da Zambézia, comandante Daniel Rocheta, não se poupou a esforços, dirigindo da praia todos os trabalhos de salvamento; outro tanto fez o capitão do porto de Quelimane. Foi também exaustivo o trabalho dos médicos e enfermeiros, pois dezenas de pessoas estão hospitalizadas em Quelimane. As três únicas crianças que seguiam a bordo estão salvas. Os náufragos foram instalados em residências particulares, no Colégio Nuno Álvares e no quartel de Quelimane.

O comandante do “Save” foi obrigado a saltar para o mar
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O comandante Mário Vieira manteve-se até ao fim no convés, a dirigir as operações de salvamento e, como se recusava terminantemente a abandonar o navio, um grupo de marinheiros agarrou-o e obrigou-o a saltar com eles para o mar, sem que se saiba se todos eles conseguiram chegar a terra. Os sobreviventes foram transportados para Quelimane, enchendo por completo os hospitais da cidade.

Os textos relativos ao naufrágio do navio “Save”, que nos permitem ajuizar do encalhe e do processo de salvamento do navio, tripulação e passageiros, são transcritos dos jornais de “O Século”, publicados nos dias 11, 12 e 13 de Julho de 1961.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

História trágico-marítima (XXXVI)


O naufrágio do navio ” Save “
(2ª parte)

237 mortos na catástrofe do vapor “Save”, que encalhou na foz do rio dos Bons Sinais, ao sul de Quelimane, e, após se registarem explosões, ficou a arder de proa à popa no mar embravecido.
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Salvaram-se 263 pessoas
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Avionetas, aviões e barcos de pesca, embora com dificuldade, prestaram socorros

Consumou-se, mais tragicamente dos que as primeiras notícias faziam crer, o drama do “Save”, devorado pelas chamas e desmantelado por sucessivas explosões, depois de encalhar na barra do rio dos Bons Sinais, ao sul de Quelimane. O luto cobre não só a Marinha Mercante Portuguesa, como o próprio País. O sinistro é daqueles que não podem deixar de impressionar profundamente pelo número das suas vitimas e pelo valor dos prejuízos materiais. O mar, aquele mesmo mar às vezes acalmado pela branda e morna viração, às vezes encolerizado pelas frias rajadas, levou o barco com as suas garras de ressaca para a morte. Horas terríveis de emoção, a que se seguiu o pânico, devem ter vivido os que nele seguiam, espalhando a ansiedade por toda a população da província de Moçambique e, agora, o luto por todo o Portugal.
A maior catástrofe marítima, após a guerra, com unidades mercantes, registou-se em 17 de Julho de 1947, quando o barco a vapor costeiro indiano “Randas” se afundou ao Norte de Bombaim, perdendo a vida cerca de 690 pessoas Também se anunciou que desapareceram, pelo menos, 150 vidas, depois do incêndio a bordo do paquete britânico “Dara Lasi”, de 5.030 toneladas, em Abril último.
O balanço da tragédia do “Save” (que ainda não pode ser estabelecida definitivamente) diz-nos que ela se eleva à escala das grandes catástrofes mundiais, a qual se avoluma quando o País atravessa tão grave conjuntura, que impõe a mobilização de todos os nossos recursos da Marinha Mercante.


A tragédia era imprevisível, pois o “Save”, pelos seus meios, safara-se do encalhe e preparava-se para prosseguir, quando o temporal o atirou de novo para a costa, onde se perdeu
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Lourenço Marques, 10 – O “Save”, navio de cabotagem entre os principais portos da costa moçambicana, saíra de Lourenço Marques para o norte da província, às ordens do comandante Mário Vieira, com quinhentos passageiros, entre os quais trezentos mineiros negros, que regressavam das minas de ouro do Transval e uma tripulação de cinquenta homens.
Para Quelimane o navio levava, nos porões, milhares de contos de mercadorias, entre as quais mil caixas de cerveja, carregadas na Beira, automóveis e tractores.
Na tarde de sexta-feira, houve conhecimento que o “Save” encalhara a dez milhas ao sul de Quelimane, em frente da foz do rio dos Bons Sinais, não longe da povoação piscatória de Sonhani, entre o Chinde e aquele porto. Foram tomadas, imediatamente previdências, entre as quais foi dada ordem para que o rebocador “Timbué”, que se encontrava no Chinde, estivesse preparado. Analisadas as marés, chegou-se à conclusão que as condições não era favoráveis para se proceder ao desencalhe do navio e que para isso era deitar à água parte da carga, entrando depois em acção o rebocador “Sofala”, que o arrastaria para Quelimane. Verificando-se, porém, que o “Save” estava a meter água, previu-se a necessidade de desembarcar os passageiros, tendo-se para o efeito entrado em contacto com os Serviços de Fotogrametria Aérea, a fim de enviarem para o local o seu helicóptero. Mas na manhã de ontem viu-se que, durante a noite, o navio procurara safar-se pelos seus próprios meios na preia-mar, à noite, suspendendo-se a ida do helicóptero por se considerar desnecessária a sua utilização.
Assim, de manhã, o “Save” encontrava-se a flutuar, depois de ter sido alijada a carga e alguns passageiros, utilizando as duas baleeiras do navio, por estas se terem dirigido a terra, que ficava à distancia de algumas centenas de metros do local do encalhe. Na praia encontravam-se o capitão do porto de Quelimane e outras entidades, que seguiam à distancia a tragédia, pois estavam impossibilitados de se deslocar ao navio, devido à forte ondulação e ao mau tempo.
Igualmente, devido à forte rebentação das ondas, não puderam aproximar-se do navio, para fazer o transbordo dos passageiros, que nessa altura se encontravam reunidos à popa, os barcos “Liaze”, “Chaimite” e “Angoche” e os rebocadores “Sofala” e “Timbué”, que desde as primeiras horas se encontravam próximo.

O “Save” está completamente perdido
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O “Save” está completamente perdido e com fogo a bordo. Foi sacudido por diversas explosões, que o destroçaram completamente. A carcaça, que apresenta grande rombo num dos flancos, encontra-se fumegando encalhada em águas baixas, enquanto alguns sobreviventes, na praia, aguardam a vez de serem transportados para a Beira.
Ontem, de manhã, encontrava-se já a flutuar, depois de ter sido alijada a carga, e de alguns passageiros, utilizando as duas baleeiras do navio, se terem feito a terra, que ficava à distancia de algumas centenas de metros do local do encalhe
Na praia encontravam-se o capitão do porto de Quelimane e outras autoridades. Foi, então, que se registou o incêndio seguido de varias explosões. O mar ter vindo a lançar corpos para o areal da praia.

Foram salvos 30 soldados europeus e 105 nativos
Comunicado do Ministério da Defesa Nacional
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Entre os passageiros do navio “Save” figuravam 55 soldados europeus e 167 soldados nativos. As últimas notícias oficiais indicam que parece terem já sido salvos 30 soldados europeus e 105 soldados nativos. Espera-se que estejam mais soldados nas embarcações que ainda andam no mar com náufragos. Desconhece-se por enquanto o nome das vitimas.

Balanço oficial da tragédia:
263 pessoas salvas e 237 desaparecidas
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Lourenço Marques, 10 - O Comando Naval de Moçambique informou oficialmente que o balanço da tragédia ocorrida a bordo do navio “Save” é o seguinte: tripulantes europeus: 17 salvos e 4 mortos; indígenas: 27 salvos e 4 desaparecidos; passageiros, entre europeus e indígenas: 219 salvos e 227 desaparecidos. Os mortos e desaparecidos somam um total de 237 pessoas. As outras vitimas são na maioria mineiros indígenas que seguiam a bordo, mas há também a lamentar a morte de trinta soldados europeus. Julga-se, no entanto, que muitos desaparecidos tenham alcançado as praias da costa e venham a ser ainda localizados. Sabe-se que se encontravam a bordo 350 passageiros e 53 tripulantes. Muitos deles atiraram-se à água, tomados de pânico, quando se seu o incêndio, seguido das explosões. (ANI-L)
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Os textos relativos ao naufrágio do navio “Save”, que nos permitem ajuizar do encalhe e do processo de salvamento do navio, tripulação e passageiros, são transcritos dos jornais de “O Século”, publicados nos dias 11, 12 e 13 de Julho de 1961.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

História trágico-marítima (XXXVI)


O naufrágio do navio ” Save “
(1ª parte)

O nm “ Save “ (2)
1951 - 1961
Companhia Nacional de Navegação, Lda., Lisboa

O “Save” (2) corresponde a uma encomenda da Companhia Nacional de Navegação, pensada para substituir o vapor “Save” anterior, que esteve colocado durante duas décadas, no serviço de cabotagem costeira em Moçambique. Tratava-se do navio “Picador”, construído na Alemanha em 1912 e capturado aos alemães em 1916, desde quando passou a fazer parte da frota dos Transportes Marítimos do Estado, com o nome "Granja", até 9 de Maio de 1929, data de origem do seu penúltimo registo, efectuado em Luanda. Seria entretanto vendido a T.W. Ward, tendo seguido para Rainham, Inglaterra, com o nome “Bisco 7”, onde foi demolido a 17 de Julho de 1950.

Também de Inglaterra, chegou o sétimo navio construído no estaleiro de Grangemouth para o país, a coberto do muito saudado “Despacho 100”, o novo “Save”, que entrou ao serviço da Companhia Nacional em 1951. Com um interior muito agradável e decoração cuidada, dispunha de camarotes amplos para as classes de coberta, podendo ainda se fosse o caso, acomodar uma considerável quantidade de passageiros nos porões.

O navio "Save" a entrar em Leixões
Imagem Fotomar, Matosinhos

Nº Oficial: H-405 - Iic.: C.S.L.U. - Registo: Lisboa, 05.11.1951
Cttor.: The Grangemouth Dockyard Co., Ltd., Inglaterra, 1951
Arqueação: Tab 2.036,84 to - Tal 1.007,53 to - Porte 1.351 to
Dim.: Ff 78,93 mt - Pp 74,67 mt - Boca 12,62 mt - Pontal 6,13 mt
Propulsão: British Polar, 1951 - 2:Di - 10:Ci - 1.800 Bhp - 12 m/h
Equipagem: 46 tripulantes

Seria pois difícil imaginar, que apenas com 10 anos de utilização, o navio ia ser protagonista do pior acidente marítimo do século e um dos piores de sempre da navegação comercial portuguesa, a 9 de Julho de 1961. A catástrofe provocada pelo naufrágio, ocorrido próximo a Quelimane, foi inicialmente quantificada em 237 vitimas, sendo que foi possível resgatar do navio com vida, cerca de 263 passageiros e tripulantes.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

História trágico-marítima (XXXV)


O naufrágio de "O Futuro "

Iate (2 mastros) construído em madeira “ O Futuro “
1922 - 1924
Caiano, Murta, Gama & Cª., Lda., Figueira da Foz

Naufragou a sul dos blocos da barra da Figueira da Foz, por motivo de temporal e muito mar, tendo-lhe faltado o pano, para sair da ondulação da costa, a 26 de Novembro de 1924. Os tripulantes abandonaram o navio na lancha de bordo.

Nº Oficial: A-278 - Iic.: H.O.F.U. - Registo: Figueira da Foz
Cttor.: Sebastião Gonçalves Amaro, Salmanha, 06.08.1921
ex “O Futuro”, União Marítima, Soc. Transp., F. Foz, 1921-1922
Arqueação: Tab 130,43 tons - Tal 108,82 tons
Dimensões: -?-
Propulsão: À vela, sem motor auxiliar
Equipagem: 8 tripulantes

Devido ao enorme temporal e grande agitação do mar, o iate “Futuro” naufragou em frente ao forte de Santa Catarina, na Figueira da Foz. O iate que saíra do porto da Figueira, com madeira, seguia com destino a Vila Real de Santo António. Como o barco próximo de S. Pedro de Muel apanhasse grande vendaval, que lhe fez partir o traquete e perder a placa, veio sacudido pelo mar até à Tocha, indo arribar à Figueira, onde tentou entrar nas piores condições, com a maré a vazar e o mar contrário.
Do posto semafórico fizeram-lhe sinais para arribar um pouco abaixo do forte, o que não conseguiu, vindo a encalhar em péssimo estado, ao sul da barra. O capitão do porto, que se meteu no barco salva vidas foi ao Cabedelo resgatar os náufragos, regressando à Figueira, sem que felizmente nada lhes acontecesse. Os prejuízos são elevados, porque o iate foi considerado perda total, não estando coberto pelo seguro.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 28.11.1924).

Estive quase tentado a sublinhar a frase, que refere ter o capitão do porto embarcado no salva-vidas, ao encontro dos náufragos. Optei por não fazê-lo, por respeito aquele e a tantos outros oficias da Armada, que ao longo dos anos deram provas de inquestionável coragem e altruísmo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

História trágico-marítima (XXXIV)


O encalhe do " Veritas "

Acidente marítimo no Douro
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Às 2 horas da tarde o vapor norueguês “Veritas”, vindo a entrar a barra do rio Douro, auxiliado pelo rebocador “Águia”, ao passar em frente a Felgueiras, guinou a bombordo e, apesar de ter largado um ferro, bateu nas pedras denominadas Forcada, onde encalhou. Às 2 horas e 25 minutos, o vapor impelido pela corrente de água da enchente da maré, desandou a proa para o mar e suspendendo o ferro seguiu barra fora, acompanhado pelo rebocador. Às 3 horas e 20 minutos o vapor “Veritas” dava entrada no porto de Leixões.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 13 de Março de 1903).

O vapor “ Veritas “
1898 - 1907
H. Irgens, Bergen, Noruega

Cttor.: Laxevaags Maskin-& Jernskibsbyggeri, Bergen, 10.1898
Arqueação: Tab 1.133,00 tons
Dimensões: Pp 71,80 mtrs - Boca 9,90 mtrs
Propulsão: Laxevaags, 1898 - 1:Te
O navio perde-se por encalhe próximo a Black Head, na baía de Cadgerith, Inglaterra, a 4 de Agosto de 1907.

domingo, 21 de agosto de 2011

História trágico-marítima (XXXIV)


O naufrágio do vapor " Begoña "

Cerração no mar - Vapor ao fundo - Tripulação salva
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Domingo, 6 do corrente, de tarde, levantou-se no mar uma grande cerração, dando lugar a um naufrágio na nossa costa, próximo a Vila do conde. O vapor espanhol “Begoña”, de 1.718 toneladas, da praça de Bilbao, vindo de Huelva com mineral para aquele porto, devido ao intenso nevoeiro, parece que navegava muito à terra, de maneira que, por volta das 2 horas da tarde, o vapor bateu nas pedras da Vila, em frente a Cachinas, próximo a Vila do Conde.
O embate foi tão violento que o navio abriu água e, em pouco tempo, mergulhou totalmente. Felizmente toda a tripulação, em número de 29 homens, se pode salvar.
No departamento marítimo do norte houve conhecimento da catástrofe, sendo imediatamente mandado seguir de Leixões para as alturas de Vila do Conde o rebocador “Mars” e o caça-minas “Margarida Victória”, a fim de prestarem socorros. Saíram igualmente da Póvoa de Varzim, de Vila do Conde e das Cachinas, embarcações para prestar socorros. O “Begoña” perdeu-se por completo, tendo apenas os topos dos mastros fora de água.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 07 de Agosto de 1917).

O vapor “ Begoña “
1896 - 1917
Compañía Naviera Sota y Aznar, Bilbao, Espanha

Cttor.: Raylton Dixon & Co., Middlesborough, Inglat., 12.1896
Arqueação: Tab 2.862,00 tons - Tal 1.718,00 tons
Dimensões: Pp 92,96 mts - Boca 12,95 mts - Pontal 6,10 mts
Propulsão: Nthdest.M.Eng., 1896 - 1:Te - 3:Ci - 224 Nhp - 10 m/h
Equipagem: 29 tripulantes