sexta-feira, 28 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Navios bacalhoeiros da frota do Porto (V)
Lugre-motor “ Oliveirense ”
1938-1941
Empresa de Pesca de Bacalhau do Porto, Lda., Porto
1938-1941
Empresa de Pesca de Bacalhau do Porto, Lda., Porto
O "Oliveirense" entra em Leixões, no final de mais uma campanha
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos
Nº Oficial : C-125 > Iic.: C.S.K.D. > Registo : Porto
Cttor.: António Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, 1938
Arqueação : Tab 420,71 to > Tal 296,58 to > 8.491 quintais
Cpmts.: Ff 49,60 mt > Pp 44,00 mt > Bc 10,49 mt > Ptl 4,77 mt
Máq.: Otto-Deutz, Alemanha, 1938 > 1:Di > 270 Bhp > 6-8 m/h
Equipagem : 11 tripulantes > 44 pescadores > (47 a 49 dóris)
Capitães embarcados : Manuel Fernandes Pinto (1938 até 1941)
Vendido nos finais de 1941, altera os detalhes para :
Cttor.: António Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, 1938
Arqueação : Tab 420,71 to > Tal 296,58 to > 8.491 quintais
Cpmts.: Ff 49,60 mt > Pp 44,00 mt > Bc 10,49 mt > Ptl 4,77 mt
Máq.: Otto-Deutz, Alemanha, 1938 > 1:Di > 270 Bhp > 6-8 m/h
Equipagem : 11 tripulantes > 44 pescadores > (47 a 49 dóris)
Capitães embarcados : Manuel Fernandes Pinto (1938 até 1941)
Vendido nos finais de 1941, altera os detalhes para :
Lugre-motor “ Oliveirense ”
1942-1965
Soc. Nacional dos Armadores da Pesca do Bacalhau, Lisboa
1942-1965
Soc. Nacional dos Armadores da Pesca do Bacalhau, Lisboa
O "Oliveirense" em Lisboa, na cerimónia de benção da frota
Foto-postal ilustrado de Lisboa não registado - m/ colecção
Foto-postal ilustrado de Lisboa não registado - m/ colecção
Nº Oficial : G-429 > Iic.: C.S.K.D. > Registo : Lisboa
Arqueação : Tab 420,71 to > Tal 296,58 to > 8.491 quintais
Cpmts.: Ff 49,60 mt > Pp 44,00 mt > Bc 10,49 mt > Ptl 4,77 mt
Máq.: Otto-Deutz, Alemanha, 1938 > 1:Di > 270 Bhp > 6-8 m/h
Equipagem : 12/ 14 tripulantes > 44 pescadores > (47 a 49 dóris)
Arqueação : Tab 420,71 to > Tal 296,58 to > 8.491 quintais
Cpmts.: Ff 49,60 mt > Pp 44,00 mt > Bc 10,49 mt > Ptl 4,77 mt
Máq.: Otto-Deutz, Alemanha, 1938 > 1:Di > 270 Bhp > 6-8 m/h
Equipagem : 12/ 14 tripulantes > 44 pescadores > (47 a 49 dóris)
Capitães embarcados : Manuel Fernandes Pinto (1942), João Oliveira e Sousa (1943 e 1944), Manuel Inácio Gaia (1945 e 1946), José Simões Ré (1947 até 1954), José André Senos (1955 até 1959), Carlos Pereira da Bela (1960) e Mário Paulo do Bem (1961 até 1965)
Altera o registo em 1946, para :
Nº Oficial : LX-12-N > Iic.: C.S.K.D. > Registo : Lisboa
Nº Oficial : LX-12-N > Iic.: C.S.K.D. > Registo : Lisboa
O "Oliveirense" em S. João da Terra Nova
Foto do cap. T.H. Goodyear, colecção de Jean Pierre Andrieux
Foto do cap. T.H. Goodyear, colecção de Jean Pierre Andrieux
Naufragou devido a incêndio no Virgin Rocks, Terra Nova, em 10 de Agosto de 1965, conforme explicado no respectivo protesto de mar, como segue:
PROTESTO POR INCÊNDIO E NAUFRÁGIO
Aos oito dias do mês de Agosto de mil novecentos e sessenta e cinco, encontrando-se o lugre motor Oliveirense, do comando do Capitão Mário Paulo do Bem, e pertencente à Sociedade Nacional dos Armadores da Pesca do Bacalhau, com sede em Lisboa, na faina da pesca no Grande Banco, pescando no Virgin Rocks, na posição de quarenta e seis graus e vinte e nove minutos de latitude Norte e na longitude a Oeste de Greenwich de cinquenta graus e quarenta e sete minutos, sucedeu que pelas dezoito horas e trinta minutos locais, estando apenas chegado a bordo cerca de doze botes, se manifestou na casa da máquina, violento e rápido incêndio, tendo aquela ficado imediatamente em chamas, e toda a parte da popa, camarotes, salão e o camarote do Capitão, completamente inundados de espesso fumo.
Acorreu-se imediatamente ao local do incêndio, para combate-lo supondo-se este ter sido originado por um forte curto circuito na instalação eléctrica, tão violento que interrompeu a corrente eléctrica em todo o navio, desenvolvendo-se rápida e tão intensamente o fogo naquele local, o qual começou logo a ser combatido com os recursos existentes a bordo, (extintores), verificando-se, todavia, que todos os esforços empregados neste sentido eram impotentes para debelar o fogo, que se ia alastrando sempre em proporções assustadoras de momento a momento, onde grandes labaredas iam devorando todos aqueles compartimentos e se propagavam a outras partes do navio, impossibilitando a presença humana a bordo. Considerada tão crítica situação pelo Capitão do navio e principais da equipagem, por se irem vendo perdidas as possibilidades de salvação do navio e ainda por ser impossível utilizar a fonia, que se encontrava instalada no camarote do Capitão, resolveram tomar medidas de salvação, e assim reunidos em conselho, os mesmos, Capitão, oficiais e principais da equipagem e de comum acordo, dar ordem de abandono do navio, aos tripulantes que se encontravam a bordo, para o que arriaram as embarcações miúdas, o que fizeram pelas vinte horas locais, e nelas se dirigiram para bordo do navio motor São Jorge, que se encontrava muito perto.
Ao serem vistos de bordo do navio São Jorge os espessos rolos de fumo e labaredas, dirigiu-se de lancha ao Oliveirense, o Capitão do São Jorge, que constatou em presença dos factos estar o navio irremediavelmente perdido. Momentos escassos após a chegada do Capitão do São Jorge, chegou o Capitão do navio Gazela I, que do mesmo modo verificou a impossibilidade de salvação do Oliveirense. A lancha do São Jorge, trouxe então de bordo do Oliveirense o Capitão deste e seus principais da equipagem, que ainda permaneciam a bordo, sendo os últimos a abandonar o navio. Foi o navio abandonado com todos os seus haveres, carga, documentação do navio e individual e todos os haveres e pertences pessoais da tripulação. Era constituída a carga do navio por quatro mil quintais de bacalhau, cento e noventa toneladas de sal limpo de Torrevieja, dez mil quilos de óleo de fígado de bacalhau, dezasseis toneladas de lula fresca canadiana, quatro mil quilos de caras de bacalhau salgadas, oitocentos quilos de línguas de bacalhau, salgadas e quinhentos quilos de samos de bacalhau salgados.
Em face do que fica exposto, em nome dos Armadores deste navio e pessoas outras nele interessadas e no seu carregamento, protesta o Capitão contra o violento incêndio manifestado, inesperada e violentamente a bordo e contra todas as causas supostas e estranhas que lhe deram origem e contra quem de direito for e pertencer, possa, por todos os prejuízos, perdas, danos ou lucros cessantes motivados pelo afundamento deste navio. Reserva-se o Capitão ao direito de alterar ou ampliar, futuramente, este protesto, se assim julgar conveniente.
Em Fé do que se lavrou o presente protesto, que depois de lido em voz alta, e achado conforme, vai ser assinado pelo Capitão do navio e seus principais da equipagem.
Bordo do navio São Jorge, aos nove dias do mês de Agosto de mil novecentos e sessenta e cinco. (Segue-se o reconhecimento e assinam:)
O Capitão; o Imediato; o Primeiro Motorista e o Contra-Mestre
Acorreu-se imediatamente ao local do incêndio, para combate-lo supondo-se este ter sido originado por um forte curto circuito na instalação eléctrica, tão violento que interrompeu a corrente eléctrica em todo o navio, desenvolvendo-se rápida e tão intensamente o fogo naquele local, o qual começou logo a ser combatido com os recursos existentes a bordo, (extintores), verificando-se, todavia, que todos os esforços empregados neste sentido eram impotentes para debelar o fogo, que se ia alastrando sempre em proporções assustadoras de momento a momento, onde grandes labaredas iam devorando todos aqueles compartimentos e se propagavam a outras partes do navio, impossibilitando a presença humana a bordo. Considerada tão crítica situação pelo Capitão do navio e principais da equipagem, por se irem vendo perdidas as possibilidades de salvação do navio e ainda por ser impossível utilizar a fonia, que se encontrava instalada no camarote do Capitão, resolveram tomar medidas de salvação, e assim reunidos em conselho, os mesmos, Capitão, oficiais e principais da equipagem e de comum acordo, dar ordem de abandono do navio, aos tripulantes que se encontravam a bordo, para o que arriaram as embarcações miúdas, o que fizeram pelas vinte horas locais, e nelas se dirigiram para bordo do navio motor São Jorge, que se encontrava muito perto.
Ao serem vistos de bordo do navio São Jorge os espessos rolos de fumo e labaredas, dirigiu-se de lancha ao Oliveirense, o Capitão do São Jorge, que constatou em presença dos factos estar o navio irremediavelmente perdido. Momentos escassos após a chegada do Capitão do São Jorge, chegou o Capitão do navio Gazela I, que do mesmo modo verificou a impossibilidade de salvação do Oliveirense. A lancha do São Jorge, trouxe então de bordo do Oliveirense o Capitão deste e seus principais da equipagem, que ainda permaneciam a bordo, sendo os últimos a abandonar o navio. Foi o navio abandonado com todos os seus haveres, carga, documentação do navio e individual e todos os haveres e pertences pessoais da tripulação. Era constituída a carga do navio por quatro mil quintais de bacalhau, cento e noventa toneladas de sal limpo de Torrevieja, dez mil quilos de óleo de fígado de bacalhau, dezasseis toneladas de lula fresca canadiana, quatro mil quilos de caras de bacalhau salgadas, oitocentos quilos de línguas de bacalhau, salgadas e quinhentos quilos de samos de bacalhau salgados.
Em face do que fica exposto, em nome dos Armadores deste navio e pessoas outras nele interessadas e no seu carregamento, protesta o Capitão contra o violento incêndio manifestado, inesperada e violentamente a bordo e contra todas as causas supostas e estranhas que lhe deram origem e contra quem de direito for e pertencer, possa, por todos os prejuízos, perdas, danos ou lucros cessantes motivados pelo afundamento deste navio. Reserva-se o Capitão ao direito de alterar ou ampliar, futuramente, este protesto, se assim julgar conveniente.
Em Fé do que se lavrou o presente protesto, que depois de lido em voz alta, e achado conforme, vai ser assinado pelo Capitão do navio e seus principais da equipagem.
Bordo do navio São Jorge, aos nove dias do mês de Agosto de mil novecentos e sessenta e cinco. (Segue-se o reconhecimento e assinam:)
O Capitão; o Imediato; o Primeiro Motorista e o Contra-Mestre
P.S.- Por sugestão do amigo Sr. Luís Bonifácio, é possível durante alguns minutos apreciar imagens duma campanha de pesca do “Oliveirense” na Terra Nova. O documentário foi disponibilizado pelo Sr. Enzo Corini, que a propósito regista o seguinte texto:
Uma vida duríssima, os Portugueses na pesca do bacalhau. Depois de uma jornada de pesca, de regresso a bordo para entregar o peixe, os pescadores tinham ainda que limpá-lo, salgá-lo e estivá-lo. O nevoeiro imprevisível e silencioso, cobria tudo e todos, pelo que qualquer pescador de regresso ao lugre, muitas vezes confundia a direcção dos apitos ou o tilintar das sinetas do seu navio. Vagavam assim num oceano, enfrentando o frio e o cansaço, deixando-se andar como sonâmbulos, num prelúdio de morte por desidratação.
Uma vida duríssima, os Portugueses na pesca do bacalhau. Depois de uma jornada de pesca, de regresso a bordo para entregar o peixe, os pescadores tinham ainda que limpá-lo, salgá-lo e estivá-lo. O nevoeiro imprevisível e silencioso, cobria tudo e todos, pelo que qualquer pescador de regresso ao lugre, muitas vezes confundia a direcção dos apitos ou o tilintar das sinetas do seu navio. Vagavam assim num oceano, enfrentando o frio e o cansaço, deixando-se andar como sonâmbulos, num prelúdio de morte por desidratação.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Grandes veleiros do Porto
A barca “ Santos Amaral “
1909 - 1915
Santos Amaral & Cª., Porto
1909 - 1915
Santos Amaral & Cª., Porto
Navios ancorados no rio Douro, no início do século XX
Barcas "Arcelina", "Oliveira" e "Venturosa", depois "Santos Amaral"
Postal Ilustrado "Margens do Douro", da série Estrela Vermelha
Barcas "Arcelina", "Oliveira" e "Venturosa", depois "Santos Amaral"
Postal Ilustrado "Margens do Douro", da série Estrela Vermelha
A barca "Santos Amaral" ancorada no rio Douro
Foto de David B. da Silva na Ilustração Portuguesa, 1912
Foto de David B. da Silva na Ilustração Portuguesa, 1912
Nº Oficial : A-123 > Iic.: H.G.P.K. > Registo : Capitania do Douro
Construtor : R. Duncan & Co., Port Glasgow, Escócia, 1876
ex “Polynesian”, __??__, 1876-1900
ex “Venturosa”, José Nogueira Pinto, Sucrs., Porto, 1900-1909
Arqueação : Tab 877,76 tons > Tal 833,97 tons
Cpmts.: Pp 59,12 mt > Boca 9,94 mt > Pontal 5,89 mt
Equipagem : 13 tripulantes
Capitães embarcados : José dos Santos Marnoto (1909 a 1915)
Construtor : R. Duncan & Co., Port Glasgow, Escócia, 1876
ex “Polynesian”, __??__, 1876-1900
ex “Venturosa”, José Nogueira Pinto, Sucrs., Porto, 1900-1909
Arqueação : Tab 877,76 tons > Tal 833,97 tons
Cpmts.: Pp 59,12 mt > Boca 9,94 mt > Pontal 5,89 mt
Equipagem : 13 tripulantes
Capitães embarcados : José dos Santos Marnoto (1909 a 1915)
Naufragou quando se encontrava no porto de Nova Orleães (Carreiro de S. Domingos), devido à passagem de um violento ciclone, em 28 de Setembro de 1915. A tripulação foi resgatada do navio por um barco salva-vidas.
A barca "Santos Amaral" na Cantareira, próximo à foz do Douro
Imagem de autor desconhecido - colecção Francisco Cabral
Imagem de autor desconhecido - colecção Francisco Cabral
Esta barca era uma das embarcações que se encontravam no rio Douro, durante a grande cheia de 1909. Ancorada na Paixão, foi embatida com violência pelo lugre norueguês “Jarstein”, partindo-lhe o mastro da mezena. Na noite de 22 de Dezembro, com as amarras partidas, foi encalhar na Cantareira, em frente à fonte, depois de colidir com o vapor norueguês “Sylvia”. Recuperada para reparar as diversas avarias, entre as quais um rombo na roda de proa, foi posta a flutuar em 29 de Janeiro de 1910, regressando ao serviço comercial.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Navegadores
David Melgueiro
Nascido e falecido no Porto, século XVII
Nascido e falecido no Porto, século XVII
O nome deste navegador de origem nortenha, é possivelmente dos menos conhecidos, quando comparado com o imenso leque de personagens, cujos relatos de viagens e descobertas, preenchem os nossos compêndios de história. Os dois principais motivos dessa grave omissão, poderão, em primeiro lugar, estar relacionados com o facto de ter navegado ao serviço dos monarcas holandeses e o segundo, de vital importância, foi certamente por comandar um navio estrangeiro, o “Pater Noster”, com rumo ao Japão, numa época em que esse trafego marítimo era dominado pelos portugueses, empenhados em controlar a rota das especiarias.
Todavia, não desmerece a virtude de na viagem de regresso, ter partido do porto de Kagoshima, em Março de 1660, navegando para norte, através do Círculo Polar Árctico, atravessando o Estreito de Aniam (actualmente identificado por Estreito de Bering), sendo o primeiro navegador a vencer a Passagem do Nordeste, deixando Spitzbergen (Svalbard) e a Islândia por bombordo e a Gronelândia por estibordo, até chegar ao rio Douro, onde aportou dois anos depois.
Esta viagem visava a descoberta dum corredor marítimo alternativo, para os holandeses conseguirem transportar um autentico manancial de riquezas orientais para a Europa, num mais rápido espaço de tempo. Apesar da viagem ter sido mantida ao abrigo dum forte sigilo, o súbdito francês Seigneur de la Madeleine, tentou apresentar um relatório dessa proeza ao Rei de França, sem sucesso, por ter sido neutralizado e assassinado, em 1701, quando tentava sair de Portugal.
Se a viagem é ainda questionada por alguns reconhecidos historiadores nacionais, pela exiguidade de documentação disponível (um único documento da viagem encontrado em 1853), outros há, que mais abertamente aceitam como perfeitamente possível, a veracidade desta aventura. Para aclarar definitivamente este notável episódio marítimo, falta tão somente encontrar as datas de nascimento e da morte (supostamente em 1673), deste nosso ilustre conterrâneo, confirmando a dita passagem dois séculos antes da data reconhecida oficialmente.
As dúvidas, se é que existem, não foram razão impeditiva a ser utilizada por algumas Autarquias na toponímia das Cidades, bem como pela Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau ao baptizar um dos seus principais arrastões, de construção holandesa, com o nome do navegador, durante o ano de 1951.
Está para breve a chegada a Portugal dum novo navio, para integrar a frota bacalhoeira
Todavia, não desmerece a virtude de na viagem de regresso, ter partido do porto de Kagoshima, em Março de 1660, navegando para norte, através do Círculo Polar Árctico, atravessando o Estreito de Aniam (actualmente identificado por Estreito de Bering), sendo o primeiro navegador a vencer a Passagem do Nordeste, deixando Spitzbergen (Svalbard) e a Islândia por bombordo e a Gronelândia por estibordo, até chegar ao rio Douro, onde aportou dois anos depois.
Esta viagem visava a descoberta dum corredor marítimo alternativo, para os holandeses conseguirem transportar um autentico manancial de riquezas orientais para a Europa, num mais rápido espaço de tempo. Apesar da viagem ter sido mantida ao abrigo dum forte sigilo, o súbdito francês Seigneur de la Madeleine, tentou apresentar um relatório dessa proeza ao Rei de França, sem sucesso, por ter sido neutralizado e assassinado, em 1701, quando tentava sair de Portugal.
Se a viagem é ainda questionada por alguns reconhecidos historiadores nacionais, pela exiguidade de documentação disponível (um único documento da viagem encontrado em 1853), outros há, que mais abertamente aceitam como perfeitamente possível, a veracidade desta aventura. Para aclarar definitivamente este notável episódio marítimo, falta tão somente encontrar as datas de nascimento e da morte (supostamente em 1673), deste nosso ilustre conterrâneo, confirmando a dita passagem dois séculos antes da data reconhecida oficialmente.
As dúvidas, se é que existem, não foram razão impeditiva a ser utilizada por algumas Autarquias na toponímia das Cidades, bem como pela Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau ao baptizar um dos seus principais arrastões, de construção holandesa, com o nome do navegador, durante o ano de 1951.
Está para breve a chegada a Portugal dum novo navio, para integrar a frota bacalhoeira
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Com a presença do perito português Sr. Engenheiro construtor naval Valente de Almeida, realizaram-se em águas holandesas as experiências do novo arrastão “David Melgueiro”, construído na Holanda, para a Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau.
Este navio que ficará a ser o maior arrastão português, pois carregará 30.000 quintais de bacalhau, vem provido de uma fabrica de farinha de peixe e deve chegar ao Tejo, por toda a próxima semana.
Este navio que ficará a ser o maior arrastão português, pois carregará 30.000 quintais de bacalhau, vem provido de uma fabrica de farinha de peixe e deve chegar ao Tejo, por toda a próxima semana.
(In “ O Comércio do Porto”, de 7 de Novembro de 1950)
Este navio que apresentava como principal característica, tratar-se da maior embarcação do mundo a pescar por arrasto lateral, por atrasos cujo motivo desconheço, só entrou ao serviço na sua primeira campanha ao bacalhau, durante o mês de Abril de 1951.
Este navio que apresentava como principal característica, tratar-se da maior embarcação do mundo a pescar por arrasto lateral, por atrasos cujo motivo desconheço, só entrou ao serviço na sua primeira campanha ao bacalhau, durante o mês de Abril de 1951.
O arrastão “ David Melgueiro”
1951 - 1992
SNAB – Soc. Nacional dos Armadores de Bacalhau,
Lisboa
1951 - 1992
SNAB – Soc. Nacional dos Armadores de Bacalhau,
Lisboa
O arrastão bacalhoeiro "David Melgueiro" em Lisboa
Imagem de autor desconhecido - colecção capt. J.D. Marques
Imagem de autor desconhecido - colecção capt. J.D. Marques
Nº Oficial : LX-35-N > Iic.: C.S.P.H. > Registo : Lisboa
Cttor.: T. van Duijvendijk’s Scheepwerft, Lekkerkerk, Holanda
Arqueação : Tab 1.710,09 to > Tal 1.087,18 to > Porte 2.210 to
Cpmts.: Ff 80,14 mt > Pp 73,89 mt > Bc 11,84 mt > Ptl 5,62 mt
Máq.: Werkspoor B.v., 1950 > 1:Di > 1.185 Bhp > 11,3 m/h
Equipagem : 73 tripulantes e pescadores
Alterações verificadas em 1958
Arqueação : Tab 1.698,28 to > Tal 1.002,47 to > Porte 2.225 to
Máq.: Fairbanks, E.Unidos, 1957 > 1:Di > 1.600 Bhp > 11 m/h
Alterações verificadas em 1977
Arqueação : Tab 1.845,61 to > Tal 1.160,62 to > Porte 2.225 to
Cttor.: T. van Duijvendijk’s Scheepwerft, Lekkerkerk, Holanda
Arqueação : Tab 1.710,09 to > Tal 1.087,18 to > Porte 2.210 to
Cpmts.: Ff 80,14 mt > Pp 73,89 mt > Bc 11,84 mt > Ptl 5,62 mt
Máq.: Werkspoor B.v., 1950 > 1:Di > 1.185 Bhp > 11,3 m/h
Equipagem : 73 tripulantes e pescadores
Alterações verificadas em 1958
Arqueação : Tab 1.698,28 to > Tal 1.002,47 to > Porte 2.225 to
Máq.: Fairbanks, E.Unidos, 1957 > 1:Di > 1.600 Bhp > 11 m/h
Alterações verificadas em 1977
Arqueação : Tab 1.845,61 to > Tal 1.160,62 to > Porte 2.225 to
Vendido para demolir à empresa Viguesa de Chattarra, em Vigo, Espanha, a 16 de Fevereiro de 1992.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Navios bacalhoeiros da frota do Porto (IV)
O lugre-motor “Aviz”
1939 - 21.09.1965
Companhia de Pesca Transatlântica, Lda., Porto
1939 - 21.09.1965
Companhia de Pesca Transatlântica, Lda., Porto
«Incêndio e afundamento nos bancos da Terra Nova do lugre-motor “Aviz”, cuja tripulação foi salva.»
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Segundo informação fornecida pelo Grémio dos Armadores dos Navios da Pesca do Bacalhau, por um telegrama do navio-hospital “Gil Eanes”, ontem recebido em Lisboa, o lugre-motor “Aviz”, que andava a pescar nos bancos da Terra Nova, foi abandonado devido a incêndio, impossível de dominar. Toda a tripulação foi salva pelos navios que pescavam nas proximidades, não se registando quaisquer desastres pessoais. O “Aviz” pertencia à Companhia de Pesca Transatlântica, do Porto e fora construído na Gafanha, em 1939. Era de madeira e deslocava 523 toneladas brutas, tendo capacidade para 8.814 quintais de bacalhau.
(In “Jornal de Notícias”, de 23 de Setembro de 1965)
(In “Jornal de Notícias”, de 23 de Setembro de 1965)
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O "Aviz" ancorado em Lisboa, embandeirado para a cerimónia
da benção dos bacalhoeiros
Imagem (c) foto da minha colecção
da benção dos bacalhoeiros
Imagem (c) foto da minha colecção
A inesperada notícia do naufrágio apanhou a cidade marítima completamente desprevenida, notando-se à posteriori um enorme vazio no rio Douro. Não é por acaso que a presença costumeira e marcante do navio em Massarelos, seu principal ancoradouro, durante os meses de Inverno e na Primavera, dando ares de imponência, altivez e graciosidade, foi depois substituída por um compreensível lamento de perda e ausência.
Lembro-me do lugre desde muito jovem. Inicialmente, a minha ingenuidade levou-me a pensar tratar-se dum iate de recreio, pertença de gente abastada. Mais tarde, explicaram-me ser um lugre da pesca do bacalhau e chamaram-me a atenção para o facto daquele ser um dos últimos a navegar à vela. Na realidade existiam outros e ainda alguns mais modernos, completamente motorizados, que se encontravam dispersos pelo rio, cumprindo a mesma finalidade. A esses achei-os também interessantes, mas o “Aviz”, sem conseguir explicar a razão, era aquele que mais admirava, por ser muito mais bonito.
Lembro-me do lugre desde muito jovem. Inicialmente, a minha ingenuidade levou-me a pensar tratar-se dum iate de recreio, pertença de gente abastada. Mais tarde, explicaram-me ser um lugre da pesca do bacalhau e chamaram-me a atenção para o facto daquele ser um dos últimos a navegar à vela. Na realidade existiam outros e ainda alguns mais modernos, completamente motorizados, que se encontravam dispersos pelo rio, cumprindo a mesma finalidade. A esses achei-os também interessantes, mas o “Aviz”, sem conseguir explicar a razão, era aquele que mais admirava, por ser muito mais bonito.
O "Aviz" durante a cheia do Douro em 1962
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos
Cada vez que revejo as fotos da cheia do Douro em 1962, lembro-me do navio, que apenas com mastros mochos, sem mastaréus e sem pau da bujarrona, desafiava com ousada elegância e serenidade, a corrente vertiginosa das águas, que corriam furiosas em direcção ao mar.
Acho que posso afirmar, que o construtor Manuel Maria Bolais Mónica, no seu estaleiro da Gafanha da Nazaré, em 1939, conseguiu finalmente colocar a navegar com extraordinário sucesso, uma embarcação de 4 mastros, rompendo a inépcia das diversas construções anteriores em madeira, que se revelaram autênticos fracassos.
Acho que posso afirmar, que o construtor Manuel Maria Bolais Mónica, no seu estaleiro da Gafanha da Nazaré, em 1939, conseguiu finalmente colocar a navegar com extraordinário sucesso, uma embarcação de 4 mastros, rompendo a inépcia das diversas construções anteriores em madeira, que se revelaram autênticos fracassos.
Sequência de imagens do "Aviz" a navegar para os bancos e
durante uma escala para abastecer em S. João da Terra Nova
Imagens do capitão A. Pascoal - Colecção Dra. Ana Maria Lopes
durante uma escala para abastecer em S. João da Terra Nova
Imagens do capitão A. Pascoal - Colecção Dra. Ana Maria Lopes
O capitão Vitorino Ramalheira, último da lista dos oficiais que teve a seu cargo o comando do lugre, recorda em entrevista recente:
«Filho de pescadores, Vitorino Ramalheira foi aconselhado pelo pai a manter-se afastado da pesca do bacalhau. "Nunca gostei de pescar, mas sim de andar à procura de peixe", diz, depois de contar a estranha atracção que a pesca do bacalhau exerceu sobre ele: "Um dia, no Gil Eanes, desci a bordo de um barco onde estavam a fazer a escala do peixe. O cheiro a sangue era indescritível. Aquilo entusiasmou-me."
Em 1952 embarcou como piloto no “Elisabeth” porque queria casar-se e se ganhava mais no bacalhau - "E nunca mais saí." Comandou depois várias escunas, com as suas quatro velas, muito elegantes, "como gaivotas". Em 1960 tornou-se capitão do Aviz e, cinco anos depois, viu-o arder como uma tocha nos mares da Terra Nova. "Havia muitas gambiarras para se poder pescar à noite e, sendo um barco de madeira, impregnado de óleos, pouco mais havia a fazer do que deixar arder. Felizmente era Setembro, não estava muito frio, o tempo estava bom, e não se perdeu ninguém", conta.»
(In Jornal “Público”, Marmelo, Jorge, 02.01.2010)
«Filho de pescadores, Vitorino Ramalheira foi aconselhado pelo pai a manter-se afastado da pesca do bacalhau. "Nunca gostei de pescar, mas sim de andar à procura de peixe", diz, depois de contar a estranha atracção que a pesca do bacalhau exerceu sobre ele: "Um dia, no Gil Eanes, desci a bordo de um barco onde estavam a fazer a escala do peixe. O cheiro a sangue era indescritível. Aquilo entusiasmou-me."
Em 1952 embarcou como piloto no “Elisabeth” porque queria casar-se e se ganhava mais no bacalhau - "E nunca mais saí." Comandou depois várias escunas, com as suas quatro velas, muito elegantes, "como gaivotas". Em 1960 tornou-se capitão do Aviz e, cinco anos depois, viu-o arder como uma tocha nos mares da Terra Nova. "Havia muitas gambiarras para se poder pescar à noite e, sendo um barco de madeira, impregnado de óleos, pouco mais havia a fazer do que deixar arder. Felizmente era Setembro, não estava muito frio, o tempo estava bom, e não se perdeu ninguém", conta.»
(In Jornal “Público”, Marmelo, Jorge, 02.01.2010)
Sequência de imagens do "Aviz" com os quetes a abarrotar
de peixe e o capitão Pascoal a exibir um magnífico exemplar
Imagens do capitão A. Pascoal - Colecção Dra. Ana Maria Lopes
de peixe e o capitão Pascoal a exibir um magnífico exemplar
Imagens do capitão A. Pascoal - Colecção Dra. Ana Maria Lopes
Como sempre acontece, são muitas as histórias que se contam, de quem viveu as agruras e os sacrifícios da pesca nos bancos. Pela voz de quem por lá passou, fiquei a saber que ao contrário do que seria expectável, as tripulações e pescadores sofriam muito durante as viagens, receosos pela possibilidade de naufrágio, cada vez que os bordos do lugre por acção do mar alteroso, se inclinavam em demasia, beijando as ondas com total desprezo. Nessas ocasiões, escondidos para não mostrar as lágrimas no rosto, abnegadamente ofereciam preces aos seus dilectos santos protectores. Isto até ao momento em que cada um, sorteado o dóri que lhe cabia em sorte, se aventurava nas águas geladas, firmes e estóicos, capitães letrados das suas frágeis embarcações, envergonhavam Neptuno, com rasgos de temeridade e audácia.
O "Aviz" à chegada a Leixões para aliviar parte do pescado,
antes de seguir para o Douro
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos
antes de seguir para o Douro
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos
As características do navio, como segue :
Nº Oficial: C-127 > Iic.: C.S.G.R. > Registo: Capitania do Porto
Construtor: Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha, 1939
Arqueação : Tab 523,05 > Tal 350,54 > Pm 750 to > 8.814 qts
Cpmts.: Ff 51,48 mt > Pp 45,42 mt > Bc 10,30 mt > Ptl 5,06 mt
Máq.: Otto-Deutz, Hamburgo, 1938 > 1:Di > 480 Bhp > 7-9 m/h
Equipagem: 12 tripulantes
Em 1941 - 16 tripulantes > 49 pescadores > 57 dóris
Em 1943 - 13 tripulantes > 47 pescadores > 58 dóris
Após 1945 o navio alterou a matrícula para:
Nº Oficial: P-418-N > Iic.: C.S.G.R. > Registo: Capitania do Douro
Nº Oficial: C-127 > Iic.: C.S.G.R. > Registo: Capitania do Porto
Construtor: Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha, 1939
Arqueação : Tab 523,05 > Tal 350,54 > Pm 750 to > 8.814 qts
Cpmts.: Ff 51,48 mt > Pp 45,42 mt > Bc 10,30 mt > Ptl 5,06 mt
Máq.: Otto-Deutz, Hamburgo, 1938 > 1:Di > 480 Bhp > 7-9 m/h
Equipagem: 12 tripulantes
Em 1941 - 16 tripulantes > 49 pescadores > 57 dóris
Em 1943 - 13 tripulantes > 47 pescadores > 58 dóris
Após 1945 o navio alterou a matrícula para:
Nº Oficial: P-418-N > Iic.: C.S.G.R. > Registo: Capitania do Douro
Capitães embarcados: Manuel Nunes Guerra (1939 até 1946), João da Silva Peixe (1947), Manuel Santos Labrincha (1948 até 1952), António Morais Pascoal (1953 até 1959) e Vitorino Paulo Ramalheira (1960 até 1965).
O navio naufragou devido a incêndio, quando se encontrava a cerca de 94 milhas a Sul do porto de St. John’s, a 21 de Setembro de 1965.
Uma última notícia adiantava ainda mais pormenores do naufrágio: «Parte dos tripulantes do lugre “Aviz”, regressa a Portugal de avião»
O navio naufragou devido a incêndio, quando se encontrava a cerca de 94 milhas a Sul do porto de St. John’s, a 21 de Setembro de 1965.
Uma última notícia adiantava ainda mais pormenores do naufrágio: «Parte dos tripulantes do lugre “Aviz”, regressa a Portugal de avião»
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S. João da Terra Nova, 23 – Setenta e um pescadores do lugre português “Aviz”, foram salvos antes do barco se afundar na terça-feira, no Atlântico, após ter-se incendiado - revelou o seu comandante, Vitorino Ramalheira, ao chegar a esta cidade. Ramalheira disse ainda que ninguém ficara ferido. Trinta tripulantes do “Aviz” seguirão ainda esta semana de avião para Portugal. O comandante Ramalheira acrescentou que os restantes 41 tripulantes foram cedidos para prestarem serviço em outros barcos da frota de pesca portuguesa.
(In “Jornal de Notícias”, 24.09.1965)
(In “Jornal de Notícias”, 24.09.1965)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Bom regresso a casa S.M.M.
Enfim, chegou...!
Logotipo de suporte ao projecto S.M.M.
O lugre que teve um regresso largamente comentado nas páginas dos amigos bloguistas nacionais, mereceu idênticas provas de regozijo através da comunidade internacional de “ship-lovers”, que seguiram com agrado a mais recente campanha do navio, que visou a sua total renovação. Algumas dessas pessoas passaram por Ílhavo/ Aveiro, tendo-se apercebido do estado em que a embarcação se encontrava, acompanharam interessados através do blog do navio e de outros blogs referenciais, o evoluir duma frutuosa caminhada, que teve o seu epílogo no último Domingo.
Realmente não podia ter voltado a casa em melhor altura, pois culminou uma semana em que o P.R. fez questão de salientar, que o futuro do país passa pelo regresso às actividades ligadas ao mar, ponto de honra para ajudar o país a sair da crise. Com toda a lógica, este elevado raciocínio recebeu a total anuência do P.M. e dos membros do Governo, que para o efeito começaram logo por adiar a proposta dos pescadores, no sentido de permitir a compra a preço minimamente aceitável, dos muito desejados fatos salva-vidas.
Realmente não podia ter voltado a casa em melhor altura, pois culminou uma semana em que o P.R. fez questão de salientar, que o futuro do país passa pelo regresso às actividades ligadas ao mar, ponto de honra para ajudar o país a sair da crise. Com toda a lógica, este elevado raciocínio recebeu a total anuência do P.M. e dos membros do Governo, que para o efeito começaram logo por adiar a proposta dos pescadores, no sentido de permitir a compra a preço minimamente aceitável, dos muito desejados fatos salva-vidas.
A notícia conforme publicada no "Diário de Notícias"
A única mas feliz excepção à regra
A única mas feliz excepção à regra
Face à importância do acontecimento, até porque o trabalho de recuperação do navio custou uma soma considerável, que neste caso poderá estar secundarizada, em função do muito que o navio pode vir a fazer em representação do país, lamentavelmente só encontrei referência ao evento no jornal “Diário de Notícias”, entre os outros/ muitos jornais do Porto/ nacionais, apesar de estar convencido, que os mídia foram em tempo devidamente informados. O desinteresse a que continuam votados os assuntos do mar, com excepção à morte de uns quantos pescadores e à incompreensível perseguição dos derrames de carbonetos no mar/ litoral (principalmente tratando-se do naufrágio de pequenas embarcações), espelha com preocupação o desconhecimento do trabalho quotidiano, que se estende à distância da visível e apetecível orla costeira.
Pelo empenho e exigência posto na renovação do SMM, queremos enviar os nossos parabéns aos Administradores da Pascoal, bem como a todos quantos trabalharam a bordo, por devolver este “cisne” ao seu habitat natural. A todos quantos nele viajarem, formulamos votos de bons ventos e grandes navegações. E já agora que se ajusta a oportunidade, desejamos igual sorte para o “Argus”, logo que possível, nesta profícua maré de investimentos.
Pelo empenho e exigência posto na renovação do SMM, queremos enviar os nossos parabéns aos Administradores da Pascoal, bem como a todos quantos trabalharam a bordo, por devolver este “cisne” ao seu habitat natural. A todos quantos nele viajarem, formulamos votos de bons ventos e grandes navegações. E já agora que se ajusta a oportunidade, desejamos igual sorte para o “Argus”, logo que possível, nesta profícua maré de investimentos.
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