terça-feira, 30 de março de 2010

Encontros Portuários ( X )


Pequenos, só no tamanho …!

nm “ Aries “
1951 - 1964
Gebr. Kramer, Groningen, Holanda

O nm "Aries" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: Westerbroek S.W., Westerbroek, Holanda, 25.09.1951
Arqueação : Tab 489,00 to > Tal 276,00 to > Pm 827 to
Cpmts.: Ff 54,82 mt > Pp 50,22 mt > Bc 8,87 mt > Ptl 4,22 mt
Máq.: Werkspoor, Amesterdão,1951 > 1:Di > 650 Bhp > 10 m/h
dp “Aries”, Rederj ms “Aries”, Groningen, Holanda, 1964-1966
dp “Frakto”, A/S Haugesunds Slip, Hgsd., Noruega, 1966-1969
dp “Frakto”, Knut Saetre, Bergen, Noruega, 1969-1973
dp “Dagrand”, Karstein Solbakk, Bergen, Noruega, 1973-1977
dp “Ali 2”, Gulf Coast Shipping Lines, Kuwait, 1977-1978
dp “Al Niser 2”, Al Niser Trading Co., Kuwait, 1978-1980
Naufragou na posição 12º19’N 53º33’E, em 08.06.1980

nm “ Cornelia B-I “
1965 – 1970
Scheepvaart Bosma’s N.v., Makkum, Holanda

O nm "Cornelia B-I" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Construtor : C. Amels & Zoon, Makkum, Holanda, 1965
Arqueação : Tab 500,00 to > Tal 246,00 to > Pm 1.060 to
Cpmts.: Ff 68,23 mt > Pp 64,98 mt > Bc 10,44 mt > Ptl 6,25 mt
Máq.: M.W.M, Mannheim, 1965 > 1:Di > 1.050 Bhp > 12,5 m/h
dp “Cornelia B-I”, Scheepvaart Bosma´s, Willemstad, 1970-1978
dp “Atlatic Wave”, Oost Atlantic Line, Roterdão, 1978-1982
dp “Agama”, H. A. Komdeur, Roterdão, Holanda, 1982-1983
dp “Cornelia”, Inter Troy S.A., S. Lorenzo, Honduras, 1983-1987
dp “Ursa Minor”, Protection Ltd., Kgstwn., St. Vincent, 1987-1998
dp “Isla del Rey”, -- ? --, 1998-2008
Sem rasto após 2008

nm “ Deo Gratias “
1954 - 1965
J. & H. Boll, Delfzijl, Holanda

O nm "Deo Gratias" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Construtor : Holland Nautic, Haarlem, Holanda, 01.1954
Arqueação : Tab 398,00 to > Tal 174,00 to > Pm 618 to
Cpmts.: Ff 58,40 mt > Pp 52,26 mt > Bc 9,05 mt > Ptl 3,05 mt
Máq.: Appingedammer Brons, 1953 > 1:Di > 500 Bhp > 10 m/h
dp “Dinkelstroom”, J. & H. Boll, Delfzijl, Holanda, 1965-1967
dp “Deo Gratias”, J. & H. Boll, Delfzijl, Holanda, 1967-1973
dp “Leandros L”, Copper Shipping Ltd., Chipre, 1973-1980
dp “Zafiri”, Samer Shipg Co. Ltd., Limassol, Chipre, 1980-1982
dp “Greenland”, Ahlan Sg Co Ltd., Limassol, Chipre, 1982-1995
Sem rasto após 1995.

nm “ Joost “
1952 - 1967
Rederij “Joost” Nv., Zaandam, Holanda

O nm "Joost" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Construtor : de Groot & v. Vliet, Slikkerveer, Holanda, 04.1952
Arqueação : Tab 493,00 to > Tal 328,00 to > Pm 851 to
Cpmts.: Ff 55,78 mt > Pp 49,74 mt > Bc 9,05 mt > Ptl 4,12 mt
Máq.: Deutz, Alemanha, 1952 > 1:Di > 540 Bhp > 9 m/h
dp “Caribbean Arrow”, Cunningham Co., Bahamas, 1967-1973
dp “Cancun”, Naviera del Surueste S.A., Mexico, 1973-1999
Sem rasto após 1999.

nm” Mascotte “
1950 - 1969
Erven J.Boerma, Groningen, Holanda

O nm "Mascotte" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Construtor : Vooruitgang, Foxhol, Holanda, 05.1950
Arqueação : Tab 399,00 to > Tal 247,00 to > Pm 610 to
Cpmts.: Ff 49,84 mt > Pp 46,31 mt > Bc 8,21 mt > 3,61Ptl mt
Máq.: D. & J. Boot, Holanda, 1950 > 1:Di > 360 Bhp > 10 m/h
dp “Procyon”, Rederij Viking, Willemstad, 1969-1972
dp “Procyon”, Cia. Maritima S.A., Panamá, 1972-1974
dp “Procyon”, Cia. de Nav. Orzar S.A ., Panamá, 1974-1978
dp “Letimery”, Garmo S.A., Panamá, 1978-1981
dp “Tresifat”, Garmo S.A., Panamá, 1981-1985
Vendido para demolir a Baptista & Irmãos, Lda., de Lisboa, em Janeiro de 1985

sábado, 27 de março de 2010

Esposende, do século XIV ao século XX


História marítima da urbe minhota,
navios e construção naval

Foi com grato prazer que assisti esta manhã à apresentação do livro, com o título supra referenciado, da autoria do ilustre amigo José Eduardo Sousa Felgueiras, autarca, estudioso e investigador de múltiplos assuntos, entre os quais o do passado histórico Esposendense.

Trata-se de um excelente trabalho de pesquisa, muito bom graficamente e de supremo interesse para um melhor conhecimento da temática marítima, de entre Douro e Minho e simultaneamente crucial, quando apreciado num contexto alargado a nível nacional.

Lembramos que no país, apesar de repetidamente se falar nos “Oceanos”, há muito se esqueceram de falar na mais profícua utilização do mar. Nesse mar, percorrido de lés a lés pelos nossos antepassados lusitanos, permitindo que D. Afonso Henriques, o primeiro Rei, tivesse embarcado em navio da frota dos Cruzados, num dos pequenos portos do Norte, de onde partiu para conquistar Lisboa e Alcácer do Sal.

Por este e outros motivos, contam-se já 900 anos de navegações para Norte e 600 anos de descobertas para Sul e para Oeste. Não obstante a enormidade de feitos universalmente reconhecidos aos portugueses, ainda hoje se reclama obras na barra do porto de Esposende, em favor dum núcleo de marítimos e de pescadores, que teimosamente resiste ao confronto, perpetuado pelo eterno desinteresse político governamental.

Aproveito ainda a oportunidade para elogiar publicamente, a intenção proposta pelo Presidente da Câmara de Esposende, de disponibilizar vários volumes desta obra, para estudo e discussão nas diversas escolas do concelho. Na nossa opinião, revela-se obrigatório dar conhecimento a um mais alargado número de interessados, na permanente divulgação dos feitos marítimos nacionais e no esclarecimento histórico revelador do caracter das personagens ali reproduzidas.

Caro amigo José Felgueiras, os nossos parabéns pela edição do livro, ponto final de uma maratona de horas de inesgotável aprendizagem, agora compartilhada connosco. Fazemos votos, que ao contrário do que se possa imaginar, este livro em lugar do fim antecipado pela última página, seja o prenúncio de novas conquistas literárias, igualmente perfumadas com cheiros de maresia.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Encontros portuários ( IX )


Mais pérolas flutuantes, testemunhas dum tempo feliz...

nm “ Avior “
1957 - 1959
Delfino Bros., Panamá, República do Panamá

O nm "Avior" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: Burntisland Ship Building, Burntisland, 17.09.1926
ex “Greathope”, Newbigin Steamship, Londres, 1926-1957
Arqueação : Tab 2.297,00 to > Tal 1.292,00 to
Cpmts.: Pp 94,52 mt > Boca 12,77 mt > Pontal 6,00 mt
Máq.: N.E. Eng., Newcastle, 1926 > 1:Te > 302 Nhp > 10,5 m/h
Naufragou na posição 12º47’N 54º21’E em 23.07.1959

nm “ Baltkon “
1947 - 1959
J. Carlbom & Co.

O nm "Baltkon" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: Nylands Vaerksted, Christiania, 31.03.1922
ex “Minna”, F.D. Malmros, Trelleborg, Suécia, 1922-1935
ex “Britt”, H. Jeansson, 1935-1940
ex “Leba“, Governo Alemão (Marinha), 1940-1946
ex “Empire Conavon”, Governo Inglês, 1946-1947
Arqueação : Tab 1.544,00 to > Tal 911,00 to
Cpmts.: Pp 77,05 mt > Boca 11,95 mt > Pontal 5,06 mt
Máq.: Nylands Vaerksted, 1922 > 1:Te > 153 Nhp > 9 m/H
Vendido para demolição em Dunston, Inglaterra, em 1959

nm “ Oerneborg “
1919 - 1955
A/S Dampskibs Selskab Daneborg, Copenhaga, Dinamarca

O nm "Oerneborg" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: Wilton’s E. & Slpwy. Co., Roterdão, Holanda, 04.1919
ex “Eigen Hulp VII”, Wilton’s, Roterdão, Holanda, 1919-1919
Arqueação : Tab 1.775, to > Tal 1.055 to
Cpmts.: Pp 82,24 mt > Boca 11,89 mt > Pontal 5,78 mt
Máq.: Wilton’s, Roterdão, 1919 > 1:Te > 187 Nhp > 8,5 m/h
dp “ Arena”, Navicox, Itália, 1955-1961
Vendido para demolição em La Spezia, Itália, a 23.04.1961

nm “ Zaan “
1921 - 1955
Vinke & Co., Roterdão, Holanda

O nm "Zaan" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: N.v. Scheepswerft Baanhoek, Sliedrecht, 04.1921
Arqueação : Tab 1.309, to > Tal 733,00 to
Cpmts.: Pp 72,36 mt > Boca 11,19 mt > Pontal 4,85 mt
Máq.: Penn & Bauduin, 1921 > 1:Te > 209 Nhp > 10 m/h
dp “Gretke Oldendorff”, Egon Oldendorff, 1955-1960
Vendido para demolição em Lubeca, Alemanha, a 14.11.1960

quarta-feira, 24 de março de 2010

Encontros portuários ( VIII )


Mais relíquias,
de ferro e de fumo, dos cheiros e doutras gentes...

nm “ Beltyne “
1954 – 1956
M. Mathwin & Son Ltd.

O nm "Beltyne" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor. : Nordseewerke A.G., Emden, Alemanha, 09.1908
ex “Wilh. Hemsoth”, Wilh. Hemsoth, Alemanha, 1908-1920
ex “Penteifi”, Pentwyn Steamship Co. Ltd., Londres, 1920-1925
ex “Kuldiga”, Latvia-Belgian Line, Riga, Letónia, 1925-1941
ex “Preussisch-Holland“, Governo Alemão, 1941-1947
ex “Kuldiga”, Latvia-Belgian Line, Riga, Letónia, 1947-1954
Arqueação : Tab 1.978,00 to > Tal 1.188,00 to
Cpmts.: Pp 82,66 mt > Boca 12,01 mt > Pontal 4,79 mt
Máq.: Eiderwerft A.G., Tonning, 1908 > 1:Te > 192 Nhp > 9 m/h
dp “Jano”, C. Philippotis, Grécia, 1956-1959
Vendido para demolição em Hong-Kong, a 22.08.1959

nm ” Lagan “
1951 - 1956
E.G. Moller

O nm "Lagan" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: Schiffsw. H. Koch A.G., Lubeca, Alemanha, 08.1925
ex “Lubeck”, Lubeck Linie A.G., Lubeca, Alemanha, 1925-1937
ex “Hansestadt Lubeck”, Lubecl Linie A.G., Lubeca, 1937-1946
ex “Saltnes”, Governo Norueguês, Oslo, 1946-1947
ex “Rondane”, E. Mortensen, Oslo, Noruega, 1947-1951
Arqueação : Tab 1.704,00 to > Tal 1.007,00 to
Cpmts.: Pp 79,67 mt > Boca 12,41 mt > Pontal 4,88 mt
Máq.: Lubecker Masch., Lubeca, 1925 > 1:Te < align="justify">Vendido para demolição em Savona, Itália, durante o mês de Fevereiro de 1968

nm “ Mariann “
1953 - 1955
Helmsing & Grimm, Hamburgo, Alemanha

O nm "Mariann" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Construtor : A.G. Neptun, Rostock, R.D. Alemã, 12.1901
ex “Marianne“, F.W. Fischer, Rostock, R.D.A., 1901-1923
ex “Franziska Fischer”, F.W. Fischer, Rostock, 1923-1924
ex “Dora Ahrens“, E. Ahrens, Rostock, R.D.A., 1924-1953
Arqueação : Tab 959,00 to > Tal 529,00 to
Cpmts.: Pp 63,89 mt > Boca 9,69 mt > Pontal 3,96 mt
Máq.: A.G. Neptun, R.D.A., 1901 > 1:Te > 77 Nhp > 9 m/h
Vendido para demolição em Hamburgo a Eisen u. Metall K.G. (Lehr & Co.), em 08.11.1955

nm “ Sullberg “
1950 - 1954
Aug. Bolten, Willem Miller’s Nachfolger

O nm "Sullberg" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: Androssan Dry Dock Co. Ltd., Ardrossan, 02.1922
ex “Troldfos”, Skibs A/S Thor Thoresens, Noruega, 1922-1923
ex “Star”, A/S Standard, Oslo, Noruega, 1923-1950
Arqueação : Tab 1.532,00 to > Tal 867,00 to
Cpmts.: Pp 77,88 mt > Boca 12,01 mt > Pontal 5,06 mt
Máq.: J.G. Kincaid, Greenock, 1922 > 1:Te > 203 Nhp > 9 m/h
dp “Leonidas A. Kyrtatas”, Kyrtatas Bros, Grécia, 1954-1959
dp “Zlatibor”, Jugometal, Jugoslávia, 1959-1959
Vendido para demolição em Split, Jugoslávia, a 08.11.1959

nm “ Tarsis “
1951 - 1959
C. H. Ericsson

O nm "Tarsis" em Leixões - imagem (c) Fotomar

Cttor.: Atel. & Ch. Seine Maritime, Le Trait, França, 10.1925
ex “Saint Eloi“, nome previsto, não oficializado, 1925-1925
ex “Ostrevent”, S.A. Armateurs Français, Rouen, 1925-1940
ex “Ostrevent“, Ministry Of War Transport, Cardiff, 1940-1947
ex “Capitaine Arsene Guillevic”, Union Marit., Rouen, 1947-1951
ex “ Glynn“, Shamrock Shipping Co., Inglaterra, 1951-1951
Arqueação : Tab 1.737,00 to > Tal 916,00 to
Cpmts.: Pp 76,38 mt > Boca 11,52 mt > Pontal 4,97 mt
Máq.: La Seine Maritime, 1925 > 1:Te > 148 Nhp > 11 m/h
Vendido para demolição em Lubeca, Alemanha, a 11.09.1959

domingo, 21 de março de 2010

O naufrágio do cruzador "República"


O cruzador “ República “
1910 - 1915

O cruzador "Republica" encalhado em Peniche
Detalhe de imagem da Ilustração Portuguesa

Este navio, navegando através da cerração, bateu num baixo, próximo de Peniche. Velho, inútil, uma «ferblanterie», que nem sequer tinha aparência, gastou ao Estado, sem dúvida, muito mais do que custou. Embora o seu valor naval se considere quase nulo, num país pobre e de tão reduzida Marinha, provocou o seu encalhe a mais dolorosa surpresa. Assim vão morrendo, ingloriamente, as nossas modestas relíquias. Entre tantas pessoas que esta catástrofe afectou de passagem, uma que não a esquecerá nunca. O comandante do “República”, uma expressiva e enérgica figura de marinheiro português, que uma casualidade, meramente acidental, em nada deslustra, atravessou naquele momento uma hora angustiada e os esforços sobre-humanos que fez para salvar o seu navio,- provaram-no bem. Casos destes dão-se em todas as marinhas do mundo e não é, realmente, justo que sobre eles se fizessem comentários mais ligeiros. Só quem nunca sentiu o sentimento da responsabilidade poderá desconhecer a amargura de um chefe pouco feliz. O encalhe do cruzador “República” não foi uma imprevidência; foi, simplesmente, uma fatalidade. (Almeida, Mário de, In “Ilustração Portuguesa”, 18.08.1915)

Mais detalhes sobre o encalhe e perda do navio a 06.08.1915, em Peniche, conforme noticiado nas páginas da Ilustração Portuguesa, cujo texto e imagens se explicam por si.

O encalhe do cruzador "República"
1ª página da notícia na Ilustração Portuguesa

O encalhe do cruzador "República"
2ª página da notícia na Ilustração Portuguesa

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Gazella", Gazelinha e Gazelão (3)


Construído em Portugal, talvez sim, ou talvez não !…

O "Gazela Iº" - durante os anos da IIª Grande Guerra
Imagem de autor desconhecido

O Gazelinha por ser pequeno, transformou-se em Gazelão, por pertencer ao grupo de navios maiores, que tomaram parte na frota de navios da pesca ao bacalhau, nos bancos da Terra Nova, no período em que muitos deles armavam simplesmente em iates (ou hiates). Voltaria a ser o Gazelinha anos mais tarde, quando comparado com os lugres de três e quatro mastros construídos mais recentemente. Quanto à questão da construção inicial, existe a opinião generalizada, que o coloca em Cacilhas em 1883. Outros ainda defendem que a construção teve lugar em Setúbal, devido à considerável alteração das especificidades de origem, conforme explicado anteriormente. Pessoalmente discordo de ambas as opiniões. A mesma lei injusta e desajustada, que proibia a construção de navios novos em Portugal, previamente referida, condiciona a possibilidade do navio ter sido feito no país, pelo que a alternativa é descobrir onde foi realmente construído.

Retomando a história comercial deste lugre-patacho, salto até 1930, ano em que o navio é outra vez rebaptizado, corrigindo o grafismo do nome para “Gazela” e recebendo o Nº Oficial «401-F» e o Indicativo Internacional de Chamada «H.G.Z.P.». Através da Lista de Navios Portugueses desse ano, verifica-se uma ligeira descida no valor das características do navio, passando a arqueação bruta para 320,96 tons. e a líquida para 249,82 tons. O comprimento entre perpendiculares também diminui, de 41,70 para 40,32 metros. Em 1932, sem que encontre justificação apropriada, o navio recebe novo baptismo, mudando a designação para “Gazela Iº”, nome que utilizou nas navegações até 1945, ano a que corresponde o armistício da IIª Grande Guerra Mundial. Já em 1934, a exemplo do que aconteceu com toda a frota de comércio e de pesca do país, a embarcação actualiza o Nº Oficial para «G-393» e o Indicativo Internacional de Chamada passa a «C.S.G.L.».

Com algum atraso em relação à grande maioria dos lugres bacalhoeiros em serviço, o “Gazela Iº” volta a estaleiro, em 1938, para mais uma das suas múltiplas modernizações. Desta feita, o objectivo contempla o reforço completo da ré, visando a motorização do navio. A máquina escolhida foi um motor diesel de 4 cilindros, da marca Benz M.W.M., fabricado em Mannheim, na Alemanha, nesse mesmo ano. Desenvolvia 180 cavalos de força, a 290 rpm’s, que lhe assegurava uma velocidade não superior a 5 ou 6 milhas por hora. Servia basicamente para se deslocar entre diversos locais nos bancos de pesca e facilitar a entrada nos portos e nas respectivas manobras de aproximação e largada dos cais. Como se justifica, considerando algumas modificações estruturais, o navio em paralelo dispõe de novas características. Altera a arqueação bruta para 323,89 tons. e a liquida para 220,96 tons. e apresenta pequenos acréscimos no comprimento fora a fora, agora com 47,74 metros e o comprimento entre perpendiculares com 41,13 metros.

Depois desta reconstrução, pouco mais se pode adiantar até à paralisação do navio em 1969, à excepção da última mudança do nome, em 1945 ou 1946, data desde quando recebe a designação “Gazela Primeiro”. Dá-se nessa ocasião a última actualização em termos de registo, ano em que fica matriculado com o Nº Oficial «LX-6-N», tal como alguns de nós o recordam. Reparo ainda que por volta de 1963, o navio baixou ligeiramente a arqueação líquida para 196,76 tons. Para terminar parece-me interessante salientar que até aos anos da IIª Grande Guerra, o navio manteve uma equipagem permanente de 11 tripulantes, alargada depois de motorizado para 16 tripulantes. Para a actividade piscatória nos bancos, transportava cerca de 30 canoas, chegando a contabilizar igual número de pescadores. A capacidade total de transporte de pescado rondava os 5.190 quintais, equivalentes a 311.400 toneladas.

sábado, 13 de março de 2010

"Gazella", Gazelinha e Gazelão (2)


Construído em Portugal, talvez sim, ou talvez não !…

O "Gazela Primeiro" por volta de 1950, em Lisboa,
durante a cerimónia da benção dos bacalhoeiros
Imagem (c) Agência Fotografica, Lisboa (minha colecção)

Resumindo a tentativa de recuperar a história deste lugre-patacho, sugere-me antes de mais levantar a seguinte questão: Que armador mandaria reconstruir uma embarcação, contando esta apenas 9 anos de serviço? Esta pergunta prende-se à hipotética possibilidade do navio ter sido construído em Cacilhas, em 1883 e reconstruído de raiz no estaleiro de Setúbal, em 1901. A resposta, na minha modesta opinião, é: ninguém. Nesta conformidade, analiso as Listas de Navios Portugueses e constato o seguinte:
1º- De 1875 a 1882 o navio tem o nome “Gaselle”, integra o tipo patacho, tem o Indicativo Internacional H.B.T.L., 172,308 m3 de arqueação, estava registado no porto da Horta, ilha do Faial, Açores e era seu proprietário a empresa Bensaúde & Cª.
2º- Após 1883 e até 1900, o navio muda o nome para “Gazella”, integra o tipo patacho, tem o Indicativo Internacional H.G.V.Q., 179,990 m3 de arqueação, mudou o registo para o porto de Lisboa, continuando a ser propriedade da empresa Bensaúde & Cª.

A partir destes elementos verifica-se que a principal alteração efectuada em Cacilhas, pelo construtor naval J.A. Sampaio, em 1883, foi um aumento de 7,682 m3 na arqueação, completamente irrelevante em termos estruturais. A não ser que a mais que provável modernização do patacho, fosse simultaneamente a adaptação e transformação do navio para mais eficientemente participar na pesca da baleia. No diário de bordo relativo a 1886, esclarece: «Derrota que com o favor de Deus, segue d’este porto de Lisboa para a pesca da baleia o sobredito navio de que é comandante José Gaspar da Conceição». Entretanto, ficamos a saber um pouco mais, através do Lloyds de 1888, que adianta os seguintes elementos:
Tonelagem de arqueação bruta 161,00 tons. Comprimento entre perpendiculares 27,19 metros, boca 6,71 metros e de pontal 3,20 metros. O registo confirma-se como sendo no continente e o proprietário é ainda a firma Bensaúde & Cª., já estabelecida em Lisboa. Para os anos de 1887 e 1888, o nome do capitão é Leal, que, curiosamente, nunca antes foi referido nas várias publicações utilizadas para a pesquisa destes elementos.

Nesta altura, a referência à escuna “Creoula” continua a fazer sentido, pensando em termos de reconstrução e modernização, que efectuou em 1895, isto é, 33 anos sobre a data da sua construção em Brixham. Como se supõe, não devia haver condições para efectuar o seu alargamento, pelo que as atenções se terão concentrado no patacho “Gazella”, que recebe novo melhoramento em 1892, ano em que se nota um primeiro alargamento, passando a arqueação bruta para 164,01 toneladas e 464,595 metros de cubicagem.

Porque a necessidade aguça o engenho, para subverter uma lei injusta e desajustada, a nova sociedade criada pela empresa Bensaúde & Cª., que deu pelo nome de Parceria Geral de Pescarias, promoveu a reconstrução do navio no estaleiro de José M. Mendes, em Setúbal, durante os anos de 1900 e 1901. Efectivamente, como explica o Sr. Capitão de Fragata António Manuel Gonçalves, a única forma de ultrapassar a proibição de construir navios novos terá obrigado ao aproveitamento de parte da quilha, onde assentou uma nova estrutura de fabrico nacional. Essa reconstrução apresenta um navio completamente novo, conforme se percebe pelas Listas de Navios Portugueses de 1909, 1910 e 1914, onde já está classificado como lugre-patacho (3 mastros) e apresentando as seguintes características: Arqueação bruta 325,48 tons., arqueação líquida 309,21 tons., comprimento entre perpendiculares 41,70 metros, boca 8,22 metros e de pontal 5,12 metros.
As alterações contemplaram um aumento na arqueação bruta de 161,47 tons. (quase o dobro da arqueação anterior). O comprimento entre perpendiculares aumentou cerca de 14,50 metros, 1,50 metros de boca e quase 2,00 metros na dimensão do pontal. De resto nada mais se alterou; o porto de registo continuou a ser Lisboa e o Indicativo Internacional de Chamada respondia, como antes da reconstrução, pelas letras «H.G.V.Q.».

Continua…