segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Navios bacalhoeiros da frota do Porto (II)


Os lugres (2)

Mais uma vez faço referência a navios bacalhoeiros e foram muitos, que estiveram registados na praça do Porto. Consoante vou encontrando as respectivas imagens, pesquiso o percurso de cada um deles, sabendo que a cada mudança de armador, acontecia a correspondente alteração dos nomes.
Como por exemplo neste caso, em que o lugre “Andorinha” (Iº) - existiu um 2º lugre com o mesmo nome - foi também o “Ave”. Quanto ao lugre “Famalicão”, navegou até aos bancos com os nomes “Barreto Braga Iº” e “Luzo Iº”, como abaixo se explica.

O lugre “Andorinha” (Iº)
1919 - 1921
Empresa de Navegação Portugal e Américas, Lda.

Imagens do lugre "Andorinha" em Vila do Conde
Reportagem publicada na Ilustração Portuguesa

Nº Oficial : B-103 > Iic.: H.A.N.D. > Porto de registo : Porto
Cttor.: Jeremias Martins Novais, Vila do Conde, 04-1919
Arqueação : Tab 283,18 to > Tal 195,21 to
Cpmts.: Pp 42,40 mt > Boca 9,20 mt > Pontal 3,45 mt
Maquina : Não tinha motor auxiliar
Capitães embarcados : João dos Santos (1919 e 1920)
Tendo permanecido na posse do mesmo armador, conservou o registo no Porto, mas alterou o nome para “Ave”, participando com este nome na campanha de 1921. Novamente vendido, foi adquirido pela Companhia de Pesca Transatlântica, em 1935, conservando o nome e o registo no Porto. Provavelmente vendido ou entregue para demolição em 1939, ano em que foi substituído pelo lugre “Aviz”.

O lugre “Famalicão”
1920 - 1921
Sociedade de Pesca Marítima de Esposende, Lda.

O lugre "Famalicão" em Esposende
Colecção "Seixas?" - Museu de Marinha

Nº Oficial : B-150 > Iic.: H.F.A.M. > Porto de registo : Porto
Cttor.: José Dias dos Santos Borda Jr., Esposende, 03-1920
Arqueação : Tab 476,66 to > Tal 391,17 to
Cpmts.: Pp 48,60 mt > Boca 9,83 mt > Pontal 4,43 mt
Máquina : Não tinha motor auxiliar
Vendido à empresa Barreto Braga & Cª., Lda., conservou o registo no Porto, mudando o nome para “Barreto Braga Iº”. Participou com este nome na campanha de 1921. Vendido em 1922 à Empresa de Pesca de Bacalhau “A Gaduana”, manteve o registo no Porto sendo rebaptizado “Luzo Iº”. Presente com este nome na campanha de 1923. Foi depois adquirido por armador do Algarve, durante o ano de 1928, que lhe alterou o nome para (?), com registo em Vila Real de Santo António. Sem rasto após 1929.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Beligerância ou pirataria ?


O navio hospital “Centaur”

Foi recentemente noticiado (11.01.2010), ter sido encontrado o casco deste navio, por uma equipa chefiada por David Mearns, o mesmo pesquisador que em tempos já havia identificado os cascos do HMAS “Sydney” e do HSK “Kormoran”. A informação algo tardia, confirma o achado a 20 de Dezembro último, localizado a cerca de 30 milhas náuticas do extremo sul da Ilha Moreton, situada a sudoeste da província Australiana de Queensland.
O navio naufragado mantém-se intacto, muito embora fracturado num ou dois locais. Foi igualmente confirmado encontrar-se na posição 27º16’98”S 153º59’22”E numa profundidade ligeiramente superior a 2.000 metros, um pouco menos de uma milha (1.850 mts), conforme calculara o 2º Oficial Gordon Rippon, que se encontrava de quarto na ponte, na noite em que o navio foi torpedeado.

Imagem do "Centaur" naufragado
Foto BBC News

O “Centaur”, operando como o segundo de três navios hospital Australianos, era um navio de carga e passageiros convertido no início de 1943, para esse efeito. A 12 de Maio o “Centaur” largou do porto de Sydney, sem escolta, pelas 0945 horas, transportando a sua tripulação habitual, bem como mantimentos e equipamento para um ambulatório de campanha, mas sem doentes a bordo. Foi afundado sem aviso prévio, por um torpedo do submarino Japonês I-177, no dia 14 de Maio de 1943, cerca das 4 horas da madrugada, estimando estar posicionado a cerca de 50 milhas a noroeste de Brisbane, no curto espaço de 3 minutos.

O afundamento do navio "Centaur"
Durante muitos anos a exigência foi vingar as enfermeiras

Das 332 pessoas a bordo, apenas 64 sobreviveram, tendo ficado durante 35 horas nas baleeiras de bordo, até ser efectuado o resgate. A freira Ellen Savage, que foi a única sobrevivente do grupo de 12 enfermeiras, que trabalhavam a bordo, apesar de se encontrar ferida, teve um papel relevante na ajuda aos restantes náufragos, motivo que justificou ser condecorada pelo governo Australiano.
O ataque à embarcação, que se apresentava convenientemente iluminada, marcada e assinalada como navio hospital, bateu recordes de atrocidade, tendo levado os governos Inglês e Australiano a efectuar um protesto oficial aos responsáveis Japoneses, sobre o lamentável incidente. Na recusa Japonesa de aceitar a responsabilidade pelo ataque do submarino durante muitos anos, o caso foi levado ao Tribunal Internacional de Crimes de Guerra, que por sua vez ajuizou não penalizar a tripulação do submarino, por não ter sido possível efectuar a sua identificação.

Contudo a história oficial da Marinha Japonesa, esclarece ter sido o submarino I-177, sob o comando do Capitão-Tenente Nakagawa, o mandante do ataque que afundou o “Centaur”, depois do Tribunal ter condenado o mesmo oficial por crimes de guerra, quando, após torpedear e afundar o navio mercante Inglês “Chivalry”, no oceano Indico, ter ordenado o fuzilamento da sua tripulação indefesa.

O Navio-hospital "Centaur"

O “ Centaur “
1943-1943
Governo Australiano (Marinha)

Cttor.: Scott’s Ship Building & Engineering Co., Ltd., Greenock,
Inglaterra, 09-1924
ex “ Centaur ” (II), Ocean Steamship Co., Ltd., Liverpool sob
operação de A. Holt & Co. Ltd. / Blue Funnel Line, 1924-1943
Arqueação : Tab 3.222 to > Tal 1.901 to
Cpmts.: Pp 96,23 mt > Boca 14,69 to > Pontal 6,55 mt
Máq.: Burmeister & Wain, 1924 > 2:Di > 855 Nhp > 11,5 m/h

Na preparação deste post, foi utilizado texto e imagens retirados do sítio oficial do Australian War Memorial.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Os culpados do costume !


Nevoeiro de Verão a Sul, temporal de Inverno a Norte

Recuamos aos primeiros anos do século passado, período em que teve lugar larga quantidade de naufrágios. As condições adversas de tempo e mar, uma costa mal sinalizada a longos espaços, propiciava os acidentes, muitos deles com desfechos trágicos, como veremos. Foi em 1914 que entre outros sinistros, se perderam mais dois navios.

O “ Lord Antrim “
1897 - 1914
Ardan Steamship Co. Ltd., Belfast, Escócia

O "Lord Antrim" encalhado no Cabo Raso
Imagem publicada na Ilustração Portuguesa

Cttor.: (Charles M.) Palmer Shipyard, Jarrow, Inglaterra, 01.1890
ex “Alderley”, W. Tapscott & Co. Londres, Inglaterra, 1890-1897
Arqueação : Tab 3.045 to
Comprimentos : Pp 97,50 mt > Boca 12,90 mt
Máquina : Do construtor, 1889 > 1:Te > 10 m/h
Considerado perda total, após encalhe em rochedos no Cabo Raso, por motivo de nevoeiro, a 29 de Junho de 1914. A tripulação foi salva.

O “ Bogor “
1898 – 1914
Rotterdamsche Lloyd, Roterdão, Holanda

O "Bogor" na Holanda - foto de autor desconhecido
Retirada da net "sítio dos Naufrágios"

Naufrágio do "Bogor" - após submergir ficaram apenas destroços
Imagem publicada na Ilustração Portuguesa

Cttor.: Blohm & Voss, Steinwerder, Alemanha, 29.08.1898
Arqueação : Tab 3.620 to
Comprimentos : Pp 100,60 mt > Boca 13,60 mt
Máquina : Do construtor, 1889 > 1:Te > 10 m/h
Perda total por submersão, após encalhe em rochedos a Sul da praia de Angeiras (10 mn a Norte de Leixões), devido a temporal, em 13 de Dezembro de 1914. Pela impossibilidade de prestar socorro, quer porque as condições de mar não o permitiram, quer porque o navio se encontrava muito afastado de terra, apenas 5 náufragos conseguiram salvar-se a nado, dos 38 tripulantes que compunham a equipagem do navio.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Embarcações de pesca


O arrastão “Beirão” e a traineira “Melinde”

Pela primeira vez no blog, faço uma alusão directa a embarcações ligadas à pesca costeira. O motivo; apesar de terem pouco em comum, gostei do casal…
Quanto às similaridades apenas duas: foram ambos construídos em madeira, com a pequena diferença de dois anos e pertencem ou pertenceram a armadores sediados em Aveiro. O primeiro estava munido com redes de arrasto, o segundo utilizava as tradicionais redes de cerco, empregues na pesca da sardinha. Tiveram o bota-abaixo à cerca de 60 anos. Será que ainda existem ?

O arrastão “ Beirão “
1947 - ?
Sociedade de Pesca de Arrasto de Aveiro, Lda.

O arrastão "Beirão", no dia de bota-abaixo
Foto-postal de autor desconhecido

Nº Oficial : LX-51-C > Iic.: C.S.O.C. > Reg.: Lisboa, 1948
Construtor : Silvério Teixeira Cova, Aveiro, 1947
Arqueação : Tab 110,13 to > Tal 45,62 to
Cpmts.: Ff 27,33 mt > Pp 23,71 mt > Bc 5,90 mt > Ptl 2,83 mt
Máq.: Deutz, Alemanha, 1947 > 1:Di > 375 Bhp > 10 m/h
Equipagem : 10 tripulantes
Destino : ?
O mesmo armador era em simultâneo proprietário do arrastão “Umbelina Primeiro”.

A traineira “ Melinde “
1956 - ?
Empresa de Pesca de Aveiro, Lda.

A "Melinde" regressa da pesca a Leixões
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

Nº Oficial : A-1159-C > Iic.: C.S.R.E. > Reg.: Aveiro, 1956
Construtor : António G. Martins & Filhos, Lda, Porto, 1949
Arqueação : Tab 52,07 to > Tal 14,52 to
Cpmts.: Ff 23,05 mt > Pp 19,56 mt > Bc 5,17 mt > Ptl 2,23 mt
Máq.: Lister, Inglaterra, 1949 > 1:Di > 160 Bhp > 10 m/h
Destino : ?
O mesmo armador era em simultâneo proprietário das traineiras “Albino”, “Augusto”, “Jeremias”, Lívio”, “Novo Bonfim” e do arrastão costeiro “Transmontana”

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Encontros portuários ( V )


Da Companhia Naviera Aznar, Bilbao, Espanha
2ª parte

Chegado o ano de 1939, com a dissolução da sociedade Sota y Aznar, a companhia passa à nomenclatura supra referênciada, utilizando a mesma frota, desde então rebaptizada com o prefixo "Monte". Como refiro anteriormente, foram muitos os navios que passaram por Leixões. Esta é por conseguinte a memória desses dias, de proficúo entendimendo marítimo e comercial ibérico.

“ Monte Faro “
1939 - 1965
Naviera Aznar, Bilbao, Espanha

O "Monte Faro" - em Leixões
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

Construtor : Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 11.1915
ex “Mar del Norte”, Marit. del Nervion, Bilbao, 1915-1928
ex “Rio Navia”, Cia. Transmediterranea, Barcelona, 1928-1936
ex “Ellen”, Governo Espanhol (Marinha), Bilbao, 1936-1938
ex “Arate-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1938-1939
Arqueação : Tab 2.917,00 > Tal 1.654.00 to
Cpmts.: Pp 93,27 mt > Boca 13,47 mt > Pontal 6,64 mt
Máq.: Engine Works, Whpl, 1915 > 1:Te > 268 Nhp > 10 m/h
Vendido para demolição em Bilbao durante o ano de 1965.

“ Monte Nuria “
1939 - 1963
Naviera Aznar, Bilbao, Espanha

O "Monte Nuria" - em Leixões
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

Construtor : Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 10.1917
ex “Artagan-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1917-1939
Arqueação : Tab 5.718,00 to > Tal 3.409,00 to
Cpmts.: Pp 121,92 mt > Boca 16,31 mt > Pontal 8,69 mt
Máq.: Blair & Co., Stockton, 1917 > 1:Te > 448 Nhp > 10 m/h
Vendido para demolição em Bilbao, a 12.06.1963

“ Monte Sollube “
1939 - 1959
Naviera Aznar, Bilbao, Espanha

O "Monte Sollube" - em Leixões
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

Construtor : Furness Shipbuilding Co. Ltd., Haverton, 04.1921
ex “Virginia Peirce”, baptismo sem utilização, 1921-1921
ex “Arola-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1921-1939
Arqueação : Tab 5.853,00 > Tal 3.594.00 to
Cpmts.: Pp 121,92 mt > Boca 16,15 mt > Pontal 10,00 mt
Máq.: Rich., Westgarth & Co., 1921 > 1:Te > 573 Nhp > 12 m/h
Naufragou devido a encalhe em Santander, a 10.02.1959. Desencalhado, foi vendido para demolição em Bilbao, no decorrer de Setembro de 1959.

“ Monte Castelo “
1939 - 1964
Naviera Aznar, Bilbao, Espanha

O "Monte Castelo" - em Leixões
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

Construtor : Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 05.1921
ex “Arnotegui-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1921-1939
Arqueação : Tab 3.222,00 > Tal 1.866.00 to
Cpmts.: Pp 102,11 mt > Boca 14,17 mt > Pontal 6,71 mt
Máq.: Blair & Co., Stockton, 1921 > 1:Te > 333 Nhp > 9 m/h
Vendido para demolição em Santander a 16.03.1964

“ Monte Teide ”
1939 - 1967
Naviera Aznar, Bilbao, Espanha

O "Monte Teide" ainda como "Altuna-Mendi"
Postal (c) da Companhia

O "Monte Teide" - em Leixões
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

Construtor.: J. Readhead & Sons, Ltd., South Shields, 03.1922
ex “Altuna-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1922-1937
ex “Aizkori-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1937-1939
Arqueação : Tab 6.202,00 to > Tal 3.897,00 to
Cpmts.: Pp 122,07 mt > Boca 16,28 mt > Pontal 10,33 mt
Máq.: J. Readhead & Sons, 1922 > 1:Te > Nhp > 10 m/h
Vendido para demolição em Santander, a 16.01.1967

“ Monte de la Esperanza “
1952 - 1966
Naviera Aznar, Bilbao, Espanha

O "Monte de la Esperanza" - em Leixões
Imagem (c) Fotomar, Matosinhos

Construtor : Pusey & Jones, Wilmington, EUA, 08.1938
ex “Cavalier”, Philadelphia & Norfolk S/s , Filad., 1938-1941
ex “Monadnock”, Governo Americano (Marinha), 1941-1947
ex “Cavalier”, Philadelphia & Norfolk S/s , Filad., 1947-1949
ex “Karukara”, Guadaloupe Coop., -?-, 1949-1952
Arqueação : Tab 3.058,00 > Tal 1.893,00 to
Cpmts.: Pp 85,40 mt > Boca 14,80 mt > Pontal 4,11 mt
Máq.: General Electric Co., 1938 > 2:Tv > 17,5 m/h
Vendido para demolição em Santander a 13.01.1966

“ Monte Umbe “
1959 - 1975
Naviera Aznar, Bilbao, Espanha

O "Monte Umbe" - postal (c) da Companhia

Construtor.: Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 04.1959
Arqueação : Tab 9.971,00 > Tal 4.541,00 to > Pm 7.559 to
Cpmts.: Ff 154,82 mt > Pp 139,33 mt > Bc 19,00 mt > Ptl 11,61 mt
Máq.: Soc. Esp. Const. Naval, 1959 > 1:Di > 7.300 Bhp > 16 m/h
dp “Liban”, Dem-Line (Fouad Khayat & Co.), Libano, 1975-1979
Vendido para demolição em Karachi, Paquistão, a 20.07.1979

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Companhias de Navegação Espanholas


Os navios da frota da Cia. Naviera Sota y Aznar
(1ª parte)

Durante os dias calmos da passagem de ano, estive a rever a minha colecção de imagens do porto de Leixões. Fixei-me numa fotografia, captada por uma objectiva adulta, nos meus tempos de escolaridade. Seguramente, ignorando que a área portuária se transformaria num dos meus locais de trabalho, praticamente ininterrupto ao longo de 35 anos de actividade. Através do cenário representado na imagem, diria que a foto foi tirada em plena Primavera (não existem sinais de veraneantes na praia), durante o ano de 1961, (ano da construção do mercado municipal de Matosinhos - em primeiro plano) e certamente muito pouco tempo antes da construção das novas docas.


O porto de Leixões
Imagem (c) de autor desconhecido - minha colecção

Lamentavelmente não consigo identificar os três navios, que se encontram atracados no lado Sul do porto, como também tenho dificuldade em dizer qual o navio atracado a meio do cais, no lado Norte, entre um navio da classe “A” da Sociedade Geral e o “Monte Faro” da Naviera Aznar, empresa Espanhola de Bilbao. Dos navios desta companhia, guardo algumas memórias, menos boas, principalmente quando era obrigado a subir a bordo pelas escadas de quebra-costas, que pela altura e tamanho, pareciam não ter fim. De resto, o trabalho foi sempre facilitado pela hospitalidade e competência dos amigos “Bascos”. Essa casualidade, resulta agora nos posts seguintes, a começar por uma fase da companhia que não conheci, mas que nos revela tratar-se dum colosso Cantábrico, de grande dimensão e importância. Aproveito para lembrar, que os navios de menor porte, eram utilizados num tráfego semanal de cabotagem entre os portos peninsulares, enquanto que os navios mistos e de passageiros, operavam na ligação de portos Europeus, tais como Hamburgo, Roterdão, Antuérpia, Bilbao e Gijon, com os portos sul-americanos no Uruguai e Argentina.

“Anboto-Mendi”
1929-1940
Cia. Naviera Sota y Aznar, Bilbao

O navio "Anboto-Mendi" - postal da Companhia

Construtor : Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 01.1929
Arqueação : Tab 2.955,00 to > Tal 1.527,00 to
Cpmts.: Ff 107,30 mt > Pp 102,11 mt > Bc 13,90 mt > Ptl 5,39 mt
Máq.: Sulzer Bros., Suíça, 1928 > 1:Te > 388 Nhp > 12,5 m/h
dp “Monte Amboto”, Naviera Aznar, Bilbao, 1939-1976
Vendido para demolição em Santander, a 20.12.1976

“Altube-Mendi”
1929-1939
Cia. Naviera Sota y Aznar, Bilbao

O navio "Altube-Mendi" - postal da Companhia

Construtor : Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 07.1929
Arqueação : Tab 2.955,00 to > Tal 1.594,00 to
Cpmts.: Ff 107,40 mt > Pp 102,11 mt > Bc 13,90 mt > Ptl 5,39 mt
Máq.: Burmeister & Wain, 1929 > 1:Te > 271 Nhp > 12 m/h
dp “Monte Altube”, Naviera Aznar, Bilbao, 1939-1972
Naufragou por motivo de encalhe a 8 milhas a Norte do Cabo Juby, Marrocos, em 16.12.1972

“Arantza-Mendi”
1938 - 1939
Cia. Naviera Sota y Aznar, Bilbao

O navio "Arantza-Mendi" - postal da Companhia

Construtor.: Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 04.1923
ex “Arantza-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1923-1936
ex “Lecce”, Governo Espanhol (Marinha), 1936-1938
Arqueação : Tab 3.720,00 to > Tal 2.010,00 to
Cpmts.: Pp 105,40 mt > Boca 14,84 mt > Pontal 6,83 mt
Máq.: Harland & Wolff, Glasgow, 1923 > 1:Te > 489 Nhp > 10 m/h
dp “Monte Gorbea”, Naviera Aznar, Bilbao, 1939-1942
Torpedeado por submarino na posição 14º55’N 60º00’W, (próximo à ilha Martinica), em 19.09.1942

“Ayala-Mendi”
1938-1940
Cia. Naviera Sota y Aznar, Bilbao

O navio "Ayala-Mendi" - postal da Companhia

Construtor : Cia. Euskalduna de Const. Naval, Bilbao, 02.1929
ex “Ayala-Mendi”, Cia. Nav. Sota y Aznar, Bilbao, 1929-1937
ex “Elise”, Governo Espanhol (Marinha), 1937-1938
Arqueação : Tab 2.955,00 to > Tal 1.608,00 to
Cpmts.: Ff 106,70 mt > Pp 102,11 mt > Bc 13,87 mt > Ptl 5,39 mt
Máq.: Sulzer Bros., Suíça, 1929 > 1:Te > 388 Nhp > 12 m/h
dp “Monte Ayala”, Naviera Aznar, Bilbao, 1940-1967
Vendido para demolição em Bilbao, a 01.06.1967

domingo, 3 de janeiro de 2010

O porto comercial do Douro


Douro, será que o passado tem futuro...?

O princípio do ano 2010 começa com a inquietante preocupação de existir dinheiro público e privado para gastar, em futuras actividades a ser desenvolvidas e realizadas no rio Douro, em substituição dos aviões da Red Bull e não haver propostas interessantes para o efeito. Quanto ao Presidente da Autarquia, por falta de ideias próprias, aguarda propostas com viabilidade económica. A nossa sugestão, por motivos óbvios, recomenda tirar os olhos do céu, para que definitivamente se comece a olhar em frente. Há muito que dizemos que o futuro passa pela água, turística e comercialmente. Os bons exemplos falam por si...

O nm “ Tagus “
1970-1974
Ellerman Lines, Liverpool, Inglaterra

O "Tagus" movimenta contentores no porto comercial do Douro
Imagem (c) Fotomar

O "Tagus" desce o rio para a barra na Foz do Douro
Imagem (c) Fotomar

O "Tagus" enquadrado na paisagem urbana do Douro
Imagem (c) Fotomar

Construtor : Astilleros del Cadagua, Bilbao, 03.1970
Arqueação : Tab 1.578,00 to > Tal 892,00 to > Pm 2.175 to
Cpmts.: Ff 85,32 mt > Pp 78,85 mt > Bc 13,71 mt > Ptl 6,05 mt
Máq.: Werkspoor N.v., 1970 > 1:Di > 3.200 Bhp > 16 m/h
dp “City of Lisbon”, Sea Containers, Liverpool, 1974-1979
dp “Cape Hustler”, Sea Containers, Bermuda, 1979-1985
dp “Cape”, Bona Mercantile S.A., Honduras, 1985-1989
dp “Despo”, -?-, 1989-1989
Naufragou na posição 37º00’N 19º05’E (ao largo de Zakynthos, Grécia), em 22.11.1989