Labaredas de indignação - Recordando o lugre " Hortense "
No final da tarde do dia 4 de Novembro de 1968, o Exmo. Almirante Henrique Tenreiro, reuniu-se no seu gabinete com diversos dirigentes da Organização Corporativa das Pescas, para dar cumprimento à assinatura da escritura de cedência do lugre bacalhoeiro “Hortense”, facto que ficou a dever-se à atitude tomada pelos herdeiros do Sr. Vasco Bensaúde, que a pedido do Delegado do Governo junto dos Organismos das Pescas, decidiram disponibilizar aquele navio para ser transformado em Museu da Pesca.
O local escolhido para servir de ancoradouro ao lugre, era um espaço no porto de Lisboa, anexo às instalações da recém criada Escola Profissional de Pesca, contando para o efeito com a colaboração da Administração Portuária, no sentido de colocar a embarcação em terra e providenciar o necessário suporte técnico.
O “Hortense” revelava-se uma autentica preciosidade, pela consistência demonstrada ao longo de inúmeras campanhas na pesca do bacalhau, realçadas pela beleza de linhas e pelo exímio trabalho de construção do mestre Manuel Maria Bolais Mónica, na Gafanha da Nazaré.
A intenção de implantar o lugre em terra, deveras merecedora dos maiores elogios, além da função específica – um verdadeiro museu das pescas -, seria também um padrão em homenagem ao esforço duma época, evidenciando degrau a degrau a evolução progressiva dos meios de pesca e uma maior estabilidade para armadores e pescadores, cujo destino os colocou no longínquo mar da Terra Nova e da Gronelândia.
O suposto navio museu, previamente denominado Vasco Bensaúde, acabou por não acompanhar o desejo e a vontade dos intervenientes na referida reunião, pois votado ao desinteresse, continuou amarrado no rio Tejo volvidos dois anos e meio.
A 8 de Maio de 1971, por motivo de grande temporal, o lugre garrou do ancoradouro indo encalhar num baixio lamacento e de pouca profundidade, a cerca de duzentos metros em frente das instalações da Companhia União Fabril. Tão depressa o lugre passou de navio a casco abandonado, que serviu a partir dessa altura, a funcionar como local favorito para os pescadores ali fazerem as suas refeições. Infelizmente um refeitório a curto prazo, pois a 27 de Dezembro do mesmo ano, um qualquer descuido dos ocupantes de ocasião, provocou um incêndio a bordo de dimensões incontroláveis, que levou à fatal destruição do navio.

O local escolhido para servir de ancoradouro ao lugre, era um espaço no porto de Lisboa, anexo às instalações da recém criada Escola Profissional de Pesca, contando para o efeito com a colaboração da Administração Portuária, no sentido de colocar a embarcação em terra e providenciar o necessário suporte técnico.
O “Hortense” revelava-se uma autentica preciosidade, pela consistência demonstrada ao longo de inúmeras campanhas na pesca do bacalhau, realçadas pela beleza de linhas e pelo exímio trabalho de construção do mestre Manuel Maria Bolais Mónica, na Gafanha da Nazaré.
A intenção de implantar o lugre em terra, deveras merecedora dos maiores elogios, além da função específica – um verdadeiro museu das pescas -, seria também um padrão em homenagem ao esforço duma época, evidenciando degrau a degrau a evolução progressiva dos meios de pesca e uma maior estabilidade para armadores e pescadores, cujo destino os colocou no longínquo mar da Terra Nova e da Gronelândia.
O suposto navio museu, previamente denominado Vasco Bensaúde, acabou por não acompanhar o desejo e a vontade dos intervenientes na referida reunião, pois votado ao desinteresse, continuou amarrado no rio Tejo volvidos dois anos e meio.
A 8 de Maio de 1971, por motivo de grande temporal, o lugre garrou do ancoradouro indo encalhar num baixio lamacento e de pouca profundidade, a cerca de duzentos metros em frente das instalações da Companhia União Fabril. Tão depressa o lugre passou de navio a casco abandonado, que serviu a partir dessa altura, a funcionar como local favorito para os pescadores ali fazerem as suas refeições. Infelizmente um refeitório a curto prazo, pois a 27 de Dezembro do mesmo ano, um qualquer descuido dos ocupantes de ocasião, provocou um incêndio a bordo de dimensões incontroláveis, que levou à fatal destruição do navio.
O "Hortense" a navegar de regresso a Lisboa
Imagem de autor desconhecido
Memória comercial do “ Hortense “
Imagem de autor desconhecido
Memória comercial do “ Hortense “
Características do navio conforme matrícula em 1929
Armador : Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré
Nº Oficial : 422-F > Iic.: H.O.R.T. > Registo : Aveiro, 1929
Cttor.: Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, 1929
Arqueação : Tab 373,68 tons > Tal 284,15 tons > Porte 906 tons
Cpmts.: Ff 51,90 mt > Pp 42,40 mt > Bc 9,93 mt > Pontal 5,16 mt
Máquina : Sem motor auxiliar
Nº Oficial : 422-F > Iic.: H.O.R.T. > Registo : Aveiro, 1929
Cttor.: Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, 1929
Arqueação : Tab 373,68 tons > Tal 284,15 tons > Porte 906 tons
Cpmts.: Ff 51,90 mt > Pp 42,40 mt > Bc 9,93 mt > Pontal 5,16 mt
Máquina : Sem motor auxiliar
Navio adquirido em inícios de 1933 pela Parceria Geral de Pescarias, Lisboa, directamente ao construtor pela quantia de Esc. 350.000$00. Embarcação de 3 mastros, tinha proa de beque e popa redonda, com 1 pavimento. A carena encontrava-se forrada com cobre e tinha montado um motor de 9 cilindros para virar o cabrestante.
Características do navio conforme matrícula em 1933
Características do navio conforme matrícula em 1933
Armador : Parceria Geral de Pescarias, Lisboa
Nº Oficial : 422-F > Iic.: H.O.R.T. > Registo : Lisboa, 1933
Cttor.: Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, 1929
Arqueação : Tab 373,68 to > Tal 284,15 to > Porte 6.803 quintais
Cpmts.: Ff 51,90 mt > Pp 42,40 mt > Bc 9,93 mt > Pontal 5,16 mt
Máquina : Sem motor auxiliar
Equipagem : 45 tripulantes
Características do navio conforme matrícula em 1934
Nº Oficial : 422-F > Iic.: H.O.R.T. > Registo : Lisboa, 1933
Cttor.: Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, 1929
Arqueação : Tab 373,68 to > Tal 284,15 to > Porte 6.803 quintais
Cpmts.: Ff 51,90 mt > Pp 42,40 mt > Bc 9,93 mt > Pontal 5,16 mt
Máquina : Sem motor auxiliar
Equipagem : 45 tripulantes
Características do navio conforme matrícula em 1934
Nº Oficial : 478-F > Iic.: C.S.G.Q. > Registo : Lisboa, 1934
Arqueação : Tab 373,68 to > Tal 251,58 to > Porte 6.803 quintais
Cpmts.: Ff 51,90 mt > Pp 43,88 mt > Bc 9,93 mt > Pontal 5,16 mt
Máquina : Sulzer, Suíça, 1934 > 1:Di > 4:Ci > 200 Bhp > 6 m/h
Equipagem : 45 tripulantes
Arqueação : Tab 373,68 to > Tal 251,58 to > Porte 6.803 quintais
Cpmts.: Ff 51,90 mt > Pp 43,88 mt > Bc 9,93 mt > Pontal 5,16 mt
Máquina : Sulzer, Suíça, 1934 > 1:Di > 4:Ci > 200 Bhp > 6 m/h
Equipagem : 45 tripulantes
Em 1941 o lugre teve autorização para ser colocado no serviço de cabotagem internacional, contudo privado de navegar no Mediterrâneo e sujeito à obrigação de estar presente no porto de Lisboa até 15 de Fevereiro de 1942, devido ao crescendo de operações militares, por força da guerra em curso. Em 1964 passa ao registo de tráfego local, período em que lhe era antecipada a venda ou a correspondente demolição.