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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Quebra-cabeças (VI)


O ex-voto da barca "América"

A presente história relativa aos ex-votos que pertencem ao espólio da Paróquia de Ílhavo, apresenta a barca “América” em perigo de naufrágio iminente, por motivo de mau tempo e vaga alterosa, supostamente em pleno Atlântico, o que não se veio a confirmar pela eventual proteção de S. Salvador, em função das preces, apelos e promessas efectuadas pela respectiva tripulação. A permeio dessas promessas, tinha efeito o agradecimento ao santo pelo seu salvamento, através da oferta de uma missa cantada e a entrega na igreja da imagem correspondente ao incidente, abaixo representada. A gravura tem inscrito um pequeno texto explicativo, com o seguinte teor: «Oferecido ao Senhor Jesus pelo capitão José Ançã e seus tripulantes em 08.10.1903».


A barca “América” foi um navio construído com casco de ferro, no estaleiro de R. & J. Evans, no porto de Liverpool, em 1875, para um armador inglês desconhecido, que a batizou inicialmente com o nome “Craigmullen”. Este proprietário teve o navio ao seu serviço entre 1875 e 1900, ano em que o pôs à venda, tendo a barca sido adquirida por um armador de Lisboa, alterando-lhe o nome para “Beira”, com a provável intenção de utilizá-la no transporte de mercadorias, entre portos nacionais e portos nas colónias portuguesas em África.
Aliás este sucesso teve um prazo limitado porque em 1901 o navio foi comprado pelo armador portuense Glama & Marinho, que logo tratou de registá-lo na praça do Porto. Fica desde então posicionado num trafego regular entre a cidade e portos americanos, onde certamente carregava produtos cerealíferos e a indispensável aduela, empregue no fabrico de pipas para o acondicionamento de diversos líquidos.
De acordo com a lista de navios nacionais, a barca está matriculada com o indicativo H.G.F.P., arqueando uma Tab com 822,70 toneladas e tendo por Tal 781,56 toneladas. Durante o período em que se encontrou registada no Porto, teve no comando os capitães ilhavenses José Ançã, entre 1901 e 1904, Manuel Oliveira da Velha, entre 1904 a 1907 e finalmente o capitão Adolfo Simões Paião, entre 1907 até Dezembro de 1909.


Isto porque no dia 23 de Dezembro de 1909, encontrando-se ancorada em Santo António do Vale da Piedade, durante os dias da grande cheia e forte vendaval no país, partiram-se-lhe os cabos da amarração, o que levou a barca a garrar com a forte corrente das águas do rio, indo cair sobre o cais da Afurada, embatendo com violência contra a capela de S. Pedro. Volvidos os dias de acalmia, tiveram lugar os necessários trabalhos de desencalhe, todavia por ter sido considerada inavegável, foi adaptada no Douro para permanecer no rio operando como pontão de carga.