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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

N.R.P."Viana do Castelo" - 30.12.2010


Marinha Militar
A partir do zero naval

Quando, no dia 29 de Maio de 1926, o Governo se demitiu perante a adesão do país ao movimento nacional que eclodira na véspera, na cidade de Braga, a Marinha de Guerra portuguesa tinha chegado a um período de dramática decadência, que reflectia bem a desordem na administração pública e nos espíritos, a par da penúria financeira que afligia a nação.
Deixava o poder um Ministro da Marinha que, em gabinetes sucessivos e durante três anos, se batera com denodo pela reorganização da Armada, sem todavia conseguir fazer mais do que levar os poucos e fatigados navios que restavam a navegar tanto quanto possível e deixar uma legislação que ficaria a constituir, sob vários aspectos, a base para a nova orgânica da Marinha: uma organização de serviços do Ministério, incluindo os fundamentos do Estatuto dos Oficiais da Armada; a criação do Estado-Maior Naval; o germe das Escolas de Mecânicos e de Alunos Marinheiros e um navio-escola à vela, que tão útil se revelaria para a instrução do pessoal da Armada em contacto com o mar.
O material naval arrastava-se, mantido penosamente por custosas reparações (quando havia verba para as fazer); o Arsenal de Marinha trabalhava num ritmo precário e, quanto a novas construções, um programa naval elaborado pelo ministro cessante e tornado público adormecia nas gavetas do Palácio de S. Bento, sem que se vislumbrasse a possibilidade sequer de o discutir e muito menos de o aprovar e, sobretudo, de o fazer executar.
Foi esse o quadro, que todos os dias adensava as preocupações do ministro Pereira da Silva e de todos os marinheiros portugueses, que dominou o seu pensamento e o encorajou a lutar contra a incompreensão, contra as limitações do erário público, contra o marasmo da Administração, enfim, contra os ventos da adversidade que, varrendo o País, atingiam a Marinha de Guerra, levando à estagnação e ao desânimo e minando os próprios fundamentos essenciais de uma corporação militar – a disciplina.
In (A Marinha nos últimos 40 anos, 1926-1966, Ministério da Marinha)

O N.R.P."Viana do Castelo"

O patrulha oceânico em Viana durante as provas de mar
Foto de Malheiro do Vale - Blog "The Pilot Boat"

Porque a história se repete a cada trinta, quarenta ou quase cinquenta anos, foi com decepção que verificava a tristeza que reinava no meio naval, pela falta de meios e pelo cansaço que advinha do facto das equipagens estarem ao serviço em navios, que à muito ultrapassaram a condição de obsoletos. De milagre em milagre, os poucos patrulhas resistentes lá se foram aguentando, aos quais se juntou o velho “Schultz Xavier”, para ser possível cumprir as imprescindíveis missões de apoio, prevenção e fiscalização da gigantesca dimensão da Zona Económica Exclusiva. Isto para além do atropelo moral, levado a cargo pelo Governo, ao colocar a Guarda Republicana no mar, em absurda competição e concorrência com a Armada, originando um difícil entendimento relativamente à duplicação de serviço no exercicío da mesma actividade.
Raramente acontece debruçar-me sobre os assuntos da Marinha, porque normalmente muito se diz e pouco se sabe. Hoje, através da notícia publicada nos jornais, que refere a entrega do primeiro navio patrulha oceânico à Armada, o N.R.P. “Viana do Castelo”, fez-me acreditar que os tais ventos mencionados no texto acima, comecem a soprar de feição para reavivar o orgulho marítimo, que se foi perdendo ao longo dos tempos.
É verdade que a construção dos navios foi demorada, face à recusa do Almirante Melo Gomes e da Armada, de aceitar os navios até que estivessem a funcionar em pleno. Julgo entender esse raciocínio relativamente à grande utilização a que vão estar sujeitos, para além do tempo em que as habituais dificuldades os vão expor.
Acredito e faço fé, que a experiência adquirida pelo pessoal dos Estaleiros de Viana, com a construção do “Viana do Castelo” e do “Sines”, permitam uma melhor sintonia entre ambas as partes interessadas, com vista à rápida evolução do projecto de construção do “Figueira da Foz” e dos outros patrulhas oceânicos que se seguirão. E obviamente do navio de apoio logístico, que os atrasos tem infelizmente levado a uma secundarização, quanto aos objectivos de modernização da esquadra em curso, quando se lhe reconhece extrema necessidade e urgência.