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terça-feira, 11 de outubro de 2011

História trágico-marítima (XLVII)


O vapor “ João Diogo “
1961 - 1963
Sofamar- Soc. de Fainas de Mar e Rio, Sarl., Lisboa

O vapor "João Diogo" encalhado nas Berlengas

Nº Oficial: I-351 - Iic.: C.S.H.H. - Porto de registo: Lisboa
Construtor: J.C. Tecklenborg A.G., Gestemund, 1905
ex “Pluto”, Dampschiffs Ges. “Neptun“, Bremen, 1905-1916
ex “Sado“, Marinha de Guerra Portuguesa, 1916-1918
ex “Sado”, Exército Português/ T.M.E., Lisboa, 1918-1919
ex “Sado”, Transp. Marit. do Estado, Lisboa, 1919-1924
ex “Sado”, Soc. de Navegação, Lda., Lisboa, 1924-1927
ex “Alferrarede”, Sociedade Geral, Lisboa, 1927-1961
Arqueação: Tab 892,91 tons - Tal 855,73 tons
Dimensões: Pp 64,32 mts - Boca 9,73 mts - Pontal 3,97 mts
Propulsão: Tecklenborg, 1905 - 1:Te - 3:Ci - 116 Nhp - 9 m/h
Equipagem: 18 tripulantes

O naufrágio
Peniche, 8 - Cerca das 4 horas, o navio de carga “João Diogo” (antigo “Alferrarede”), pertencente à Sociedade Fainas de Mar e Rio, com 18 homens de tripulação, quando em viagem de Leixões para Lisboa, com minério de ferro, sob o comando do sr. Francisco Augusto Duarte, devido à forte neblina foi embater nos rochedos da Papoa, na costa norte desta península, ficando imobilizado e metendo água no porão da carga. Devido à agitação do mar e por desconhecimento da situação em que se encontrava o barco, a tripulação, depois de haver feito sinais para terra, que não foram vistos, passou para as baleeiras, fazendo-se ao mar. Apareceu, então, a traineira registada em Peniche “Praia Formosa”, que andava na faina da pesca, conduzindo a reboque as baleeiras para o seu porto de matricula.
O barco encontrava-se, soube-se depois, em situação difícil, podendo desde logo considerar-se perdido. Mais tarde, como o estado do mar permitisse uma operação de salvamento, o sr Comandante Andrade e Silva capitão do porto de Peniche, determinou a presença de uma equipa de mergulhadores, para uma meticulosa inspecção ao fundo do navio, na zona perfurada pelas rochas. O próprio capitão do porto, acompanhado dos srs. capitão Araújo, da Marinha Mercante e George Scheder Bieschin, gerente da empresa armadora, que, entretanto haviam chegado da capital, assistiram a essa demorada inspecção, apurando-se a impossibilidade de salvar o barco. De tarde, como o mar embravecesse, o casco começou a ser fustigado com maior violência, pelo que por volta das 14 horas, abria-se uma brecha no costado, de alto a baixo, por onde a carga começou a sair, a cada vez que o navio era sacudido por vagas alterosas. Apesar da chuva, na orla marítima e nos pontos altos de onde se podia avistar-se o navio, reuniu-se grande número de curiosos.
O antigo “Alferrarede”, cargueiro alemão lançado à água em 1905 e que pertenceu à Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, que há tempo o vendeu aos seus actuais armadores, era uma unidade de 1.452 toneladas, cujo porte bruto atingia 2.118 toneladas. Media 74 metros de comprimento e a sua máquina, original, desde quando o navio foi lançado ao mar, em 1905, tinha uma potência de 700 cavalos. Deve ser um dos mais velhos barcos mercantes portugueses, com quase sessenta anos de serviço, tendo navegado sob a bandeira alemã com o nome “Pluto”. O navio e a carga estão no seguro e procedia de Leixões. A carga era composta por um lote de minério das minas de ferro de Moncorvo, estando prevista a sua descarga em Lisboa, com destino à Siderurgia Nacional.
(In jornal “O Século”, de 9 de Novembro de 1963)